September 17, 2026

É por isto que os homens não precisam de quotas

 

O Japão admitiu ter manipulado as notas dos exames de admissão durante mais de uma década, com o objectivo de não deixar as mulheres entrarem em, pelo menos, nove universidades de medicina. Manipularam as notas dos exames de admissão para limitar ou excluir mulheres. 
Quiseram limitar o número de mulheres de maneira a nunca ultrapassar os 30% do total de candidatos. Para esse fim, adulteraram as notas dos exames das raparigas baixando-lhes em 20% e, para garantir que os homens lhes passavam mesmo à frente, davam-lhes 20 pontos a mais, mesmo que isso implicasse dar positiva a notas negativas. Só não subiam a nota aos rapazes que tinham reprovado mais de 4 vezes.
Portanto, no Japão, preferiam ter médicos burros a ter mulheres. 
No ano a seguir a isso ter sido desmascarado -2019-, as mulheres a entrar em medicina foram mais de 50% dos candidatos.
O argumento para estas fraudes foi o de as mulheres terem filhos.
É à conta de medidas destas contra as mulheres que as mulheres não querem ter filhos e o Japão está em crise demográfica profunda.
É por isto que os homens não precisam de quotas. As quotas masculinas são o sistema a funcionar normalmente.
Claro que o grande problema do mundo é o feminismo.

Para mim, o sistema volta é mais um imposto para sacar me dinheiro

 

Não frequento supermercados. O que compro em supermercados -águas, detergentes, iogurtes e mais 5 ou 6 coisas- é online. Não tenho maneira de recuperar o dinheiro.

Não sei se este sistema é fruto de uma negociata com os grandes do retalho para nos obrigarem a ir para supermercados mas aqui da minha janela é o que parece. 

Para mim, este sistema é mais um imposto. Obrigada, senhor PM...

Índia - alimentação tradicional

 

Se não morres disto, nada te mata...


Diário de bordo e uma pergunta

 

A caminho da fisioterapia passo pelo jardim do Bonfim. Hoje havia um comício de patos, aí pelas 7.40 da manhã. Uns 30 ou mais. Ali estavam eles a grasnar uns com os outros, à espera de qualquer coisa... talvez alguém lhes venha dar comida a essa hora ali naquele sítio.


Mesmo a essa hora da manhã já sinto calor no braço que leva a manga compressora. É como andar com luvas compridas, daquelas até à cava, só que grossíssimas e quentes. 

Este calor é insuportável. Respiro mal e o braço que tem vindo a desinchar aos pedacinhos mas consistentemente (a fisioterapeuta é muito boa), basta que haja um dia de 38º ou 40º em que tenha que estar fora de casa e, portanto, sem a manga, porque com estes calores não se aguenta, começa logo a inchar. É desanimador e frustrante. É o que vai acontecer para a semana em que já tenho aulas com estes calores de 36º dentro de salas de aulas sem ar condicionado. Enfim... o que se há-de fazer?
 

Entretanto, li no Setubalense que estão a pensar ir buscar água à barragem de Castelo de Bode para abastecer Setúbal. Hã...?! E no fim da página alguém refere qualquer coisa do novo aeroporto... Será que isto quer dizer que ao fim de 60 anos para decidir onde fazer o aeroporto escolheram construí-lo num local que vai tirar o abastecimento de água à cidade, mais às outras cidades do concelho? Centenas de milhar de habitantes, propriedade rurais, etc. vão ficar sem água e passar a viver no terceiro mundo como os coitados de Almada?


🎯



Há ainda outro elefante dentro da sala de aula, enquanto Carneiro se entretém a olhar para a cor do giz. Portugal mudou demograficamente a uma velocidade extraordinária. Entre 2021 e 2025, o número de residentes estrangeiros mais do que duplicou: aumentou em 849 mil, para quase 1,6 milhões, 14% da população. A concentração territorial, essa, é brutal: em 2024, Lisboa tinha 202 mil residentes estrangeiros e Sintra quase 97 mil; nove dos doze concelhos com maior número pertenciam à Área Metropolitana de Lisboa.

As escolas sentiram exactamente a mesma transformação. Em dez anos, os alunos estrangeiros nas escolas públicas aumentaram 251% e passaram de 4% para perto de 17% do total; na Grande Lisboa, Setúbal e Algarve rondavam já os 20%. Muitos chegaram sem dominar a língua portuguesa. O Conselho Nacional de Educação identifica falta de professores de Português Língua Não Materna, heterogeneidade linguística, entradas ao longo de todo o ano e dificuldades de organização das turmas. Isto não é uma acusação às crianças imigrantes. É uma acusação a quem recebe crianças sem preparar escolas. Não basta proclamar humanismo, para depois praticar laxismo.

(...)

E chegamos ao meu último ponto, que se tem discutido menos: planeamento. Este Verão descobrimos que a fotografia oficial do país estava desfocada. O INE reviu a população de 2024 de 10,75 para 11,39 milhões: mais 637 mil pessoas, um erro de 5,9%. O PS respondeu que os números da imigração já eram conhecidos. O que só lhes agrava a culpa. Se sabiam que o país tinha mudado desta maneira, onde estavam as escolas, professores, centros de saúde, casas e transportes necessários para recebê-lo?

Pedro Mota Soares defendeu, aqui no Expresso, a antecipação dos Censos de 2031 porque “sem números credíveis e desagregados” continuaremos a desenhar políticas públicas com uma fotografia desfocada do país. Tem razão. Portugal não é apenas diferente do que pensávamos. Lisboa não é Bragança, Sintra não é Viseu e uma escola com vinte nacionalidades não enfrenta os mesmos problemas de outra que perde alunos todos os anos. E isto só para falar de educação, que é o que nos traz aqui. O efeito da ignorância alastra-se por todos os domínios sectoriais. E, pelos visto, locais: o Largo do Rato parece sofrer acrescidamente disso. Para lá de outras coisas.
(excerto)
Expresso
-----------

Até que enfim que alguém diz o óbvio. A população aumentar em quase 6% num par de anos por vias de imigração, propositadamente descontrolada, com parte dessa imigração a serem alunos que vão sobrecarregar escolas já sobrecarregadas faz imediatamente baixar o nível do ensino e, por consequência, dos seus resultados.
Não é possível ter turmas de portugueses falantes de português desde sempre e ter turmas com 1 chinês, um paquistanês, um senegalês, um russo, um ucraniano, um estoniano, um venezuelano, um bielorrusso, um uzbequistanês, onde nenhum fala português e alguns nem inglês falam, e esperar que ambas as turmas tenham o mesmo desempenho. Agora é normal ter meia-dúzia de alunos estrangeiros numa turma.
As turmas cheias de imigrantes que não falam português ou o arranham mal a um nível primário, são turmas onde passamos o tempo a colmatar essa incapacidade. Não há alternativa, a não ser que os professores, para manterem o nível de aprendizagens dos alunos, finjam que eles não estão lá. E o volume de trabalho em excesso que representam esses alunos para o professor prejudica o trabalho.
Isto é o óbvio ululante e nenhuma demagogia de partidos completamente alienados da realidade muda a nossa realidade nas escolas.
Não admira, também, que nestes anos haja mais alunos do que é costume sem lugar nas escolas. Estão a abarrotar.
Só lamento que este ministro vá piorar a situação com o aumento de mais alunos por turma.

DÊEM-ME PESSOAS COM OS PÉS NA TERRA SFF

"Muita gente tem admiração por mim"



Santos Silva olhava para mim com grande admiração. Ao contrário do que se possa julgar, há muita gente que tem admiração por mim.
- Sócrates



O antigo primeiro-ministro José Sócrates garantiu nesta quarta-feira em tribunal que, apesar de tudo o que alegadamente lhe proporcionou o empresário da Covilhã Carlos Santos Silva ao longo dos anos, nunca se aproveitou da sua amizade.

“Ele é que tinha vontade de me ajudar. É uma relação fraterna aquela que temos. Nunca abusei da sua amizade”, assegurou o principal arguido da Operação Marquês. “Mandou comprar [grandes quantidades] o livro que escrevi? Queria ajudar-me em tudo o que podia. Até queria que me candidatasse a Presidente da República.”

Parte significativa da sessão de julgamento desta quarta-feira foi passada a falar, uma vez mais, da casa que o empresário adquiriu em Paris e na qual José Sócrates morou.

São várias as conversas telefónicas gravadas pelos investigadores da Operação Marquês, tendo como protagonistas José Sócrates, mas também a sua ex-mulher e o seu filho, em que os interlocutores falam como se fossem não apenas inquilinos do apartamento, mas os autênticos proprietários. Chega a ouvir-se o antigo chefe do Governo sugerir determinadas cores e materiais para a remodelação da casa. E é essa a tese do Ministério Público: que foi com luvas provenientes de subornos que o antigo líder socialista pagou pelo imóvel, por intermédio de Carlos Santos Silva, 2,8 milhões de euros, além de obras orçamentadas em mais de 300 mil.

A juíza que dirige o julgamento, Susana Seca, também manifestou estranheza relativamente ao tom usado pelo antigo líder socialista nalgumas destas conversas, em especial naquela em que, perante o atraso nas obras que decorriam no apartamento, para o qual Sócrates se queria mudar com a família, o ex-primeiro-ministro incentiva energicamente Santos Silva a dar “um apertão ao gajo” responsável pela empreitada, para os trabalhos acelerarem. Ao que o empresário lhe responde: “Vou já ligar!”

“Seria expectável que, ao pedir um favor ao seu amigo, não lhe impusesse a sua vontade”, observou a magistrada, que falou das suspeitas que levanta um relacionamento de tal forma umbilical entre os dois homens ao ponto de um pagar as despesas não só do outro como dos amigos dele. Santos Silva disse em tribunal, no passado, que emprestou 510 mil euros a Sócrates ao longo de vários anos e que este já tinha devolvido 250 mil.
(excerto)
-----------

O julgamento de Sócrates evidência três aspectos da justiça portuguesa:

1. É perfeitamente possível fazer troça da justiça durante anos e anos e anos usando as suas próprias leis;
2. Os procuradores e outros funcionários que têm como trabalho construir os casos contra os criminosos são amadores e nem os beliscam;
3. A justiça leva tanto tempo a julgar uma pessoa (o processo já leva 12 anos) que, mesmo sendo essa pessoa culpada, a injustiça do arrastamento do processo por dezenas de anos e não os seus crimes, acabam por ser a notícia mais preocupante.
 
Muita gente tem admiração por mim, diz Sócrates. Calculo que sim e entre eles os criminosos serão o que mais o admiram, pela sua arte de gozar impunemente com a justiça.

A China é uma ditadura. Não permite crítica e muito menos oposição




Um preso político português. Montenegro calado

Portugal e a China obrigam-se a respeitar os direitos fundamentais em Macau. O julgamento de Au Kam San, que começou ontem, expõe o silêncio de Lisboa perante a repressão de um cidadão português.

Jorge Menezes

Portugal e a China obrigam-se a respeitar os direitos fundamentais em Macau. O julgamento de Au Kam San, que começou ontem, expõe o silêncio de Lisboa perante a repressão de um cidadão português.

Juízes, procurador e advogado de defesa escolhidos a dedo, com imprensa e público trancados do lado de fora. É nesta escuridão que decorrerá, em Macau, o primeiro julgamento por violação da lei de defesa da segurança do Estado, montado sobre um conjunto mal-amanhado de actos banais convertidos em crime de subversão. Com um propósito claro: espalhar o medo e silenciar uma comunidade.

Au Kam San, cidadão português e activista pró-democracia, foi durante 20 anos deputado à Assembleia Legislativa de Macau, eleito por sufrágio directo. Foi detido pela Polícia Judiciária há pouco mais de um ano, e logo preso preventivamente, acusado de ter posto em risco a segurança nacional de um país de 1,4 mil milhões de habitantes. Nunca mais saiu da cela. Deixara de ser deputado em 2021, e este professor do ensino secundário teria começado a dedicar-se a derrubar o sistema político do país com a segunda maior economia e as mais numerosas forças armadas do mundo.

Os factos de que o acusam, mesmo que fossem verdadeiros, são, todos eles, inofensivos. Num Estado de direito, que Macau diz ser, nenhum constituiria crime. Au é vítima de dois males: uma acusação falseada e uma lei injusta, propositadamente vaga e feita para escolher quem prender.

“Apareceram na nossa casa, sem qualquer aviso, e levaram a minha mãe primeiro”, conta uma filha. “Depois começaram a recolher provas na nossa casa. E logo a seguir levaram o meu pai também. Foi um choque.” Nada como usar a mulher para coagir o marido.

O comunicado é leitura indispensável de literatura fantástica. Os crimes descritos oficialmente pela PJ incluem “recolha” de “notícias falsas ou grosseiramente deformadas”. Para a polícia política, a falsidade é recolhida nas ruas por activistas perigosos. Um caso sofisticado de ontologia da falsidade.

Acusam-no de ter mantido contactos com diversas entidades anti-China de fora de Macau, e de fornecer uma grande quantidade de falsas informações a meios de comunicação social estrangeiros, “com carácter provocador”, para exibição pública, “despertando assim o ódio” quer entre os residentes de Macau, quer “até mesmo entre pessoas de vários países que desconhecem a verdade em relação ao Governo Popular Central da RPC”. Terá assim “perturbado” a eleição para o chefe do executivo e “provocado” as forças anti-China – incluindo países estrangeiros – a tomarem acções hostis contra a República Popular da China, tudo em conluio com forças externas, “pondo seriamente em perigo a segurança do Estado”.
(excerto)


IA




Entre o pânico global com os sucessivos alertas para a possibilidade de a IA colocar em perigo toda a Humanidade, Espanha registou o primeiro ciberataque autónomo. A Agência Espanhola de Proteção de Dados detalhou que um agente superinteligente conseguiu aceder a dados pessoais privados e alterar a informação, de forma maliciosa, sem intervenção humana.
Basicamente, máquinas comunicaram com máquinas, quebraram as barreiras de segurança de máquinas, leram dados sigilosos e provocaram uma fuga de informação. O organismo público não divulga quantas e quais as empresas afetadas. "O agente atacante iniciou uma pesquisa de vulnerabilidades em ficheiros genéricos e efetuou um início de sessão bem-sucedido", descreve a agência, numa frase que poderia constar do guião de um filme de ficção científica, mas que foi revelada ontem, quatro dias depois de o CEO da Anthropic, Dario Amodei, ter pedido maior controlo no desenvolvimento dos modelos de inteligência capazes de imitar o raciocínio humano, mas com incalculável poder de aprendizagem e melhoramento.
A rapidez com que a IA avança choca com a lentidão de resposta dos governos. Apesar de a União Europeia ter sido pioneira a regulamentar a área, os limites estão claramente ultrapassados quando possíveis infrações deixam de ter rosto, ou de ser passíveis de punição.
Se os peritos em IA levantam a bandeira do perigo de extinção há que regulamentar, antes que aconteça um desastre. Nem é preciso pensar só na sobrevivência física, a ameaça sobre os postos de trabalho, entre tantas outras áreas, como a saúde, a educação, o sistema democrático, é também real.
Joana Almeida Silva, JN

September 16, 2026

Aqui vai uma opinião impopular

 

Mark Carney é um idiota. Não duvido que seja um economista inteligente com jeito para as finanças e que seja um homem de coragem contra ditaduras, mas culturalmente é um representante típico da nova-esquerda que repete slogans culturais para aparecer como moralmente superior. É o Starmer canadiano, mas com jeito para as finanças. Apoia a violência contra as mulheres em nome do espírito pseudo-progressista. Sim, as mulheres são agredidas e violadas por trans homens que dizem ser mulheres, mas paciência, têm que aguentar porque ele não quer ser transfóbico.


A Rússia já não tem o controlo total de nenhuma das quatro regiões que cobiça

 

As forças armadas da Ucrânia voltaram a entrar na região de Luhansk. Isto significa que a Rússia não tem o controlo total de nenhuma das quatro regiões que cobiça.

Os terroristas do Kremlin, se não fossem tão perigosos eram só 🤡

 

"Se a Europa atacasse a Rússia ia ser uma guerra muito curta". Como a guerra dos 3 dias na Ucrânia? 🤡

Xi Jinping terá tido um AVC na reunião dos BRICS mas não se quis tratar na Índia com medo que ficassem a saber da sua saúde



Meteu-se no avião para a China e perdeu a janela de oportunidade para um cirurgia de emergência. Prefere a probabilidade de morrer ou de ficar com sequelas a que os indianos possam saber da sua saúde. Isto explica muito da mentalidade chinesa e do valor que dão ao indivíduo, à pessoa humana.

---------
Xi Jinping terá desmaiado na cimeira do BRICS organizada pela Índia. Após ter recebido cuidados de emergência da equipa médica que o acompanhava, encerrou antecipadamente a sua visita à Índia e regressou à China num avião especial. À chegada do avião ao aeroporto de Pequim foi utilizado um helicóptero militar para transportar Xi Jinping directamente para o Hospital 301 de Pequim, para receber tratamento de emergência.

Diz-se que, após o diagnóstico da equipa de especialistas do Hospital 301 de Pequim, se determinou que Xi Jinping tinha sofrido um acidente vascular cerebral isquémico grave, ou seja, um enfarte cerebral transitório. Como Xi Jinping temia que a parte indiana pudesse obter informações sobre o seu estado de saúde, recusou o tratamento de emergência num hospital indiano e, em vez disso, regressou a Pequim num avião especial para receber cuidados médicos. Durante o voo, uma vez que não havia condições para uma cirurgia, a equipa médica só pôde administrar um tratamento conservador para manter Xi Jinping com vida. Consequentemente, perdeu a janela de oportunidade para cuidados de emergência e cirurgia. Existe uma elevada probabilidade de sequelas graves.

Actualmente, as autoridades de Pequim continuam sem poder confirmar se Xi Jinping conseguirá recuperar a saúde antes da visita aos Estados Unidos, pelo que estão a aguardar para ver se será necessário cancelar a viagem aos EUA prevista para o final de Setembro.

Traduzido com a versão gratuita do tradutor - DeepL.com

Um drone a sobrevoar a residência do ministro da defesa dinamarquês

 

Alguém interpretou este estudo como um plano de acção?

 

Em 2000 Divisão de População das Nações Unidas publicou um relatório intitulado «Migração de Substituição: Será uma Solução para o Declínio e o Envelhecimento das Populações?», que analisa de que forma a imigração poderá compensar o envelhecimento e a diminuição das populações na Europa.


O Partido Comunista Português nunca desilude



Faleceu Pavlo Sadokha, presidente da 'Associação de Ucranianos em Portugal.' Na Assembleia Municipal de Lisboa realizou-se um acto de condolências pela sua morte. Era uma pessoa elogiada por toda a gente. O Partido Comunista Português votou contra. O PCP é um exemplo perfeito daquilo que Arendt e Günther Anders chamam a falha da incapacidade de pensar. É por isso que na mesma frase opõem-se à luta de um povo pela liberdade contra um ditador e convidam terroristas confessos para as suas festinhas. O PCP está cada vez mais extremista e equivalente aos partidos de extrema direita. Cada vez é mais o que os une do que o que os separa.

 

Escolher o conhecimento científico fundamentado em vez de validar ideologias

 

Leituras de insónias - "temos de lutar, todos os dias, contra as mortes em massa"



Günther Anders, o Filósofo no Fim do Mundo

Robert Bellafiore

Quando o oficial das Forças Aéreas do Exército dos Estados Unidos Claude Eatherly pilotou o avião Straight Flush em apoio à missão do Enola Gay para destruir a cidade de Hiroshima, as suas tarefas eram pouco diferentes das de voos anteriores. Tratava-se apenas de mais um voo que exigia a competência técnica daquele jovem de vinte e seis anos, mas que também implicava apagar da face da Terra 70 000 pessoas. Mais tarde, Eatherly sentiria uma profunda angústia pelo seu papel: tentou suicidar-se repetidamente e acabou por ser internado numa instituição psiquiátrica. Naquele momento, porém, encarava aquilo simplesmente como mais um trabalho.

Como tinha sido possível esta convergência entre uma actividade rotineira e uma catástrofe sem precedentes, e o que significava? 

Para o filósofo Günther Anders, esta era a questão definidora do século XX e daquilo que ele considerava ser a derradeira época do homem, que se desenrolava à sua volta. Só respondendo a esta questão — elevando o nosso conhecimento de nós próprios ao nível dos nossos novos e monstruosos poderes tecnológicos — poderia a humanidade evitar a sua própria destruição.

A questão de Anders ganha hoje uma nova ressonância, à medida que os funcionários dos laboratórios de vanguarda nos dizem que as máquinas que estão a construir constituem uma ameaça existencial para a humanidade. Os feitos técnicos cada vez mais extraordinários da IA são acompanhados por avisos, cada vez mais estridentes, vindos do interior da própria indústria, sobre uma desgraça iminente. Para a maioria dos observadores, o contraste é desconcertante, ao ponto de parecer absurdo; mas, para Anders, não teria causado qualquer surpresa.

No vasto universo de pensadores alemães — e, em particular, de pensadores judeus alemães — que procuraram compreender as catástrofes do século XX, Anders merece, por isso, muito mais atenção do que a obscuridade a que foi remetido no mundo anglófono. Walter Benjamin era seu primo e Hannah Arendt foi a sua primeira mulher. Perante o crescente número de profecias sobre um Armagedão provocado pela própria humanidade e o discurso cada vez mais insistente da indústria tecnológica sobre o fim dos tempos, ainda não é tarde para aprendermos com o homem conhecido como o Atomphilosoph, o «filósofo da era atómica».

Anders cresceu no estimulante ambiente intelectual do pensamento alemão do início do século XX, absorvendo os métodos fenomenológicos de Husserl e Heidegger, tornando-se amigo de Bertolt Brecht e casando-se com Arendt, que conhecera no seminário de Heidegger. Mais de uma década antes da bomba atómica, Anders viveu o fim do seu próprio mundo com a ascensão de Hitler ao poder, que o obrigou a fugir da Alemanha para Paris, onde assistiu às aulas de Alexandre Kojève sobre Hegel e o fim da História. Mais tarde, mudou-se para os Estados Unidos, onde se divorciou de Arendt, viveu durante algum tempo com Herbert Marcuse, deu explicações a Irving Berlin, fracassou numa tentativa de escrever um argumento para um filme de Charlie Chaplin e participou em seminários com Max Horkheimer e Theodor Adorno. Depois da Segunda Guerra Mundial, regressou à Europa e instalou-se definitivamente em Viena, onde morreu em 1992, aos noventa anos.

Na sua longa vida, um acontecimento constituiu, para Anders — e, segundo acreditava, para toda a humanidade — o ponto arquimediano. A 6 de agosto de 1945, o «dia zero» em que a bomba caiu sobre Hiroshima, «começou uma Nova Era»: a era em que temos nas nossas mãos o poder de destruir o mundo inteiro. A Nova Era da bomba era também a «Última Era», na qual a bomba pairaria sobre a Terra como uma espada de Dâmocles cósmica, ameaçando permanentemente a passagem do «tempo do fim» para um derradeiro «fim do tempo».

Para Anders, a existência da bomba criou um estado permanente de emergência, no qual cada momento traz consigo a possibilidade da catástrofe final. Esta visão sombria de uma condição escatológica global comum, que transcendia as rivalidades geopolíticas e as ameaças mútuas que preocupavam outros observadores da era nuclear, poderia ser designada por SAD — self-assured destruction, ou «destruição auto-confiante».

Um dos conceitos mais importantes de Anders era o «fosso prometeico»: a «crescente dessincronia entre o ser humano e o mundo dos seus próprios produtos». Trata-se da diferença, que hoje se alarga até se transformar num abismo, «entre a nossa acção e a nossa imaginação». 

O nosso poder tecnológico cresceu de forma prodigiosa, permitindo-nos incinerar milhões de pessoas num instante; mas a nossa capacidade mental e moral para contemplar o significado ou o sentido das nossas acções não cresceu na mesma proporção. A dimensão e as consequências do nosso poder sobre a Terra são agora simplesmente demasiado grandes para as nossas imaginações mesquinhas. A causa deste fosso não é a miopia dos seres humanos nem uma qualquer deformação moral, mas antes os limites básicos — e anteriormente não problemáticos — da nossa capacidade de contemplar as nossas próprias acções.

O resultado é uma incapacidade para compreender os males que somos agora capazes de praticar. Poder-se-ia imaginar que crimes terríveis suscitariam uma espécie de sublime malévolo, perante o qual, tal como o Kurtz de Joseph Conrad, ficaríamos boquiabertos de assombro. Mas, argumenta Anders, os limites da nossa imaginação conduzem-nos antes à reacção oposta: um recuo para o cálculo frio, transformando o massacre em massa numa questão de pseudo-racionalidade à maneira do Dr. Strangelove. Compreendemos a dimensão de matar a sangue-frio um único ser humano; mas as nossas mentes bloqueiam perante a ideia da morte de cem mil pessoas, ao ponto de Eatherly poder colaborar no lançamento da Little Boy sem sentir maior perturbação do que perante qualquer outra tarefa.

Anders ficou tão perturbado com este enigma que iniciou uma correspondência que se prolongaria durante anos com Eatherly, posteriormente reunida no livro Burning Conscience (Consciência em Chamas). 

O fosso prometeico, através do qual o alcance tecnológico do homem excede cada vez mais a sua capacidade de o compreender, confere profundidade fenomenológica à frase atribuída a Estaline segundo a qual a morte de uma pessoa é uma tragédia, mas a morte de um milhão é uma estatística. Como Anders escreveu numa das suas cartas a Eatherly: «Como é que alguém pode arrepender-se de 200 000 [mortes]?»

O recurso ao distanciamento analítico, em vez do horror estupefacto, não era exclusivo da bomba. Anders viu uma apatia semelhante da imaginação noutra atrocidade que começava a ser amplamente conhecida na mesma época: os campos de extermínio nazis. 

Como Anders insiste no seu ensaio Reflections on the H Bomb (Reflexões sobre a Bomba H), foi o cálculo redutor que tornou possíveis males daquela natureza. «Os extermínios em massa levados a cabo sob Hitler puderam ser realizados», afirma, «porque transcendiam absolutamente a imaginação moral dos agentes», tornando assim «possível uma nova e verdadeiramente infernal inocência».

A possibilidade de uma redução deste género não surge apenas nos extremos do assassinato em massa. Pelo contrário, permanece latente em toda a nossa sociedade técnica moderna. Muitos tecno-optimistas de hoje admitem que uma nova tecnologia pode parecer assustadora no início, mas garantem-nos que, com o tempo, toda a gente se habituará a ela. Para Anders, era precisamente essa possibilidade que a tornava tão aterradora: através da nossa submissão, não deliberada, à realidade das nossas capacidades tecnológicas em expansão, poderíamos caminhar, como sonâmbulos, rumo à catástrofe. Sem um esforço concertado para enfrentar os extraordinários poderes que alcançámos, até a bomba atómica e o Zyklon-B acabariam por ser vistos simplesmente como mais uma «tecnologia normal», perante a qual não ficaríamos mais boquiabertos do que ficamos hoje perante a lâmpada eléctrica.

O argumento de Anders complementa a tese mais famosa da sua ex-mulher sobre a «banalidade do mal», apresentada no seu livro de 1963, Eichmann in Jerusalem (Eichmann em Jerusalém). Em virtude daquilo a que Anders chamou «medialidade», a interposição de tecnologias e de cadeias de comando entre as nossas acções e nós próprios, contribuiu para desfazer a distinção entre actividade e passividade. 

Separados do contacto directo com as nossas próprias acções, acabamos por esquecer a nossa responsabilidade pelos actos que, afinal, somos nós, e não outra pessoa qualquer, que estamos a praticar. Tal como o burocrata Adolf Eichmann conseguira realizar o feito simultaneamente extraordinário e profundamente humano de não pensar naquilo que estava a fazer enquanto organizava a Solução Final, também um piloto poderia, com indiferença, lançar uma arma destinada a destruir uma cidade; e, hoje, como muitos receiam, um engenheiro poderá igualmente lançar um modelo de IA que se volte contra o seu criador. 

Como indica o título do próprio comentário de Anders sobre Eichmann, We, the Sons of Eichmann (Nós, os Filhos de Eichmann), ele receava que todos nós estivéssemos hoje sujeitos à intermediação — e, consequentemente, à banalização — do mal.

Grande parte da obra de Anders é um exercício precisamente desse esforço de pensar o horror que ele próprio reconhece ser tão difícil de realizar. Nas suas páginas, o leitor assiste à luta de Anders para compreender o significado «historicamente supraliminar» da bomba e da era que ela inaugurou.

Ele teria sido o primeiro a admitir a insuficiência dos seus próprios esforços. «O que mais dá que pensar», observou o seu professor Heidegger no livro What Is Called Thinking? (O que significa pensar?), «é que ainda não estamos a pensar — nem sequer agora, embora o estado do mundo esteja a tornar-se constantemente mais digno de reflexão». Para Anders, isto não acontecia por acaso: a nossa incapacidade de pensar é a consequência natural da moderna adoração do progresso. 

Quando se adopta a fé piedosa de que o mundo tem necessariamente de melhorar de forma contínua, o fim do mundo é excluído à partida, como algo impossível.

Além disso, quando o homem moderno tenta contemplar o apocalipse, limita-se a inverter o seu progressismo e a sucumbir a um niilismo que também impede, à partida, a possibilidade de uma acção eficaz. Como Anders resume este tipo de pensamento: «A bomba está bem, porque, de qualquer modo, nós não temos importância, e, como a bomba existe, já não servimos para nada, de qualquer maneira.»

Aqui, a desilusão torna-se a imagem reflectida do optimismo; em ambos os casos, o determinismo impede o reconhecimento da capacidade de agir do ser humano e, consequentemente, a assunção de responsabilidade.

Anders foi também um observador atento da forma como a tecnologia nos pode deformar de maneiras menos obviamente insidiosas. Para Anders, a possibilidade do mal banal não existe apenas nos limites extremos da conduta humana, mas atravessa também a nossa vida quotidiana, sobretudo na nossa relação com os novos meios de comunicação. Muito antes de Neil Postman e David Foster Wallace, já analisava as formas como, em particular, a televisão podia actuar como um agente de atomização social.

Receava que a nossa dependência crescente de novas tecnologias nos estivesse a transformar numa massa de autómatos indistinguíveis, idênticos nos nossos hábitos de consumo, na nossa solidão e nas nossas relações para-sociais com os produtos que consumimos. 

No ensaio «The World as Phantom and Matrix» (O Mundo como Fantasma e Matriz), Anders detecta, no nosso obter e gastar dominado pelos meios de comunicação, um desejo profundo, embora não verbalizado, de nos parecermos com os nossos produtos: imaculados e, graças à sua constante actualização e perpetuação através da produção de cópias intermináveis, eternamente jovens e imunes aos estragos do tempo.

Este desejo de sermos mais semelhantes aos nossos produtos perfeitos e menos semelhantes às criaturas falíveis que somos não é mais do que a forma mercantilizada de um fenómeno a que Anders deu outro nome: «vergonha prometeica». 

Muito antes de o Deep Blue derrotar Kasparov, Anders já tinha chamado a atenção para o sentimento de humilhação da humanidade perante tecnologias que pareciam superar-nos em diversas capacidades e ultrapassar a nossa compreensão. A constatação da nossa inferioridade perante a máquina desperta, ao mesmo tempo que parece justificá-lo, um sentimento latente de repulsa pela nossa própria natureza enquanto seres criados. Ao contrário da ferramenta construída de acordo com as nossas especificações para atingir os nossos fins, nós chegamos ao mundo e nele permanecemos condicionados por circunstâncias e limitações que antecedem os nossos próprios desejos.

A experiência da vergonha prometeica manifesta-se de forma mais evidente na fronteira tecnológica, mas até o mais banal objecto produzido em massa pode, segundo Anders, servir de recordação da nossa finitude e, por conseguinte, de incentivo à nossa própria obsolescência. Os objectos produzidos em massa, através das suas múltiplas existências idênticas, alcançam uma espécie de imortalidade artificial precisamente por lhes faltar individualidade. Sob este regime de «platonismo industrial», a presença constante de peças idênticas e substituíveis recorda-nos simultaneamente a nossa mortalidade e oferece-nos a falsa promessa de escapar a ela através da fusão com a máquina. Paradoxalmente, Anders sugere que sentimos vergonha porque não somos substituíveis.

Hoje, os profetas da Singularidade não exprimem repulsa pelo humano enquanto, por exemplo, pecador decaído, mas pelo humano enquanto humano. A ênfase que Anders coloca na vergonha, simultaneamente revelada e intensificada pela tecnologia moderna, ajuda a explicar este sentimento: sentimo-nos inadequados perante a máquina porque não fomos criados como ela; transcender a humanidade através da nossa própria auto-criação torna-se, assim, a única forma de escapar a uma vergonha intolerável. Uma simples máquina, por extraordinária que seja, enquanto permanecer distinta do homem, irá humilhá-lo. Mas a máquina que der o salto para dentro do domínio do humano e nos permitir fundir-nos com a IA, como prometem alguns futuristas, oferece-nos um caminho para o esplendor da auto-optimização inumana.

Dito de outra forma, a concepção de vergonha de Anders sugere uma interpretação surpreendente do projecto pós-humanista: temos de construir máquinas cada vez mais poderosas, degradando-nos cada vez mais em comparação com elas e levando a nossa vergonha prometeica aos seus níveis mais profundos, até ao momento em que a Singularidade chegar; nesse momento, a concretização do pós-humanismo fará finalmente dissipar a fonte da nossa vergonha. A humanidade tem de se rebaixar completamente para conseguir escapar à sua própria degradação.

Subjacente à nossa vergonha e ao nosso sentimento de finitude encontra-se, porém, uma arrogância cósmica. «O “engenheiro humano”», escreve Anders, é «simultaneamente “excessivamente confiante” e “auto-depreciativo”, simultaneamente arrogante e humilde. A sua atitude é de “auto-degradação arrogante” e de “humildade presunçosa”». No seu ensaio The Pathology of Freedom (A Patologia da Liberdade), Anders chama a atenção para as palavras que Nietzsche coloca na boca de Zaratustra: 
«Se houvesse Deuses, como poderia eu suportar não ser um Deus!» 
Hoje, quanto mais o pós-humanista se aproxima da construção do seu próprio deus, menos consegue suportá-lo; mas, quando o deus artificial existir, o homem já não terá de o suportar, pois terá ele próprio tornado-se esse deus.

Há, contudo, uma grande diferença entre a época de Anders e a nossa. Para ele, «“ter vergonha”» significava «não ser capaz de fazer nada relativamente ao facto de não termos culpa». Hoje, a nossa finitude parece estar a tornar-se rapidamente opcional. O biohacking, os úteros artificiais, o prolongamento radical da vida, a selecção poligénica, a clonagem e outras possibilidades oferecem aos trans-humanistas a promessa de finalmente escaparem à vergonha que, até agora, parecia impossível de erradicar. 

Nem sequer é necessário ser um aceleracionista extremo da AGI para manifestar esta vergonha perante a nossa mortalidade. A cirurgia plástica, a redesignação sexual, o looksmaxxing e outras tendências culturais testemunham, todas elas, uma tentativa de evitar a decadência que advém de sermos seres vivos singulares — uma tentativa levada a cabo através das tecnologias artificiais que, elas próprias, parecem troçar dessa vida singular. Como afirmou Jean-Pierre Dupuy, um pensador influenciado por Anders, «a finitude natural e ineliminável da condição humana é agora percepcionada como uma forma de alienação e não como uma fonte de significado».

Aqui, tal como acontecia com as nossas novas ferramentas de carnificina, Anders reconheceu que, nos extremos da relação do homem moderno com a tecnologia, se podia observar a manifestação mais pura — isto é, mais degradada — de males que poderiam afectar-nos a todos. 

Naquela época, a bomba e o campo de concentração revelavam os limites extremos de uma complacência e de um conformismo que ele via, numa forma mais branda, no local de trabalho comum; hoje, a promessa trans-humanista da Singularidade revela o mesmo terror perante a fragilidade humana que se manifesta, novamente de forma atenuada, no fluxo habitual de um influencer manipulador ou num anúncio de moda. 

O que Anders nos adverte não é, portanto, apenas para o fim do mundo enquanto tal, mas para o fim do mundo humano — o mundo habitado por seres propriamente humanos, em toda a sua fragilidade e glória, e não por algum sucessor perfeito, mas sem vida.

Para Anders, a única forma de nos reconciliarmos com as nossas novas capacidades de auto-destruição e de auto-substituição consistia em alargarmos a nossa imaginação moral. 

O seu raciocínio aqui é simples: a nossa sobrevivência depende de fecharmos o fosso prometeico entre capacidade e compreensão; mas há poucas possibilidades de o fazer através da contenção da primeira. 

A existência da bomba atómica — à qual hoje poderíamos acrescentar a existência da inteligência artificial — é simplesmente um facto bruto; não há qualquer possibilidade de desaprender ou de apagar aquilo que sabemos, de modo a regressarmos a uma época anterior, excepto talvez através da própria catástrofe que poria fim à civilização e que precisamos de evitar. Daí decorria que qualquer esperança a que pudéssemos agarrar-nos teria necessariamente de residir na possibilidade de expandirmos a nossa imaginação moral até abarcar a mesma dimensão que as nossas tecnologias são agora capazes de alcançar.

Um tal alargamento moral implicaria conceber todos os habitantes da Terra como, se não uma única comunidade, pelo menos uma única vítima, que poderia agora perecer inteiramente e de uma só vez. Isto não era um sentimentalismo cosmopolita, mas uma aceitação de uma universalidade que já se tornou realidade, pois a bomba 
«transformou-nos numa única humanidade. Aquilo que tem o poder de afectar toda a gente é uma preocupação de toda a gente». 
É a universalidade expressa pelas «raparigas de Hiroshima» que outrora escreveram a Eatherly: 
«Aprendemos a sentir por si uma solidariedade fraterna, pensando que também é uma vítima da guerra, tal como nós.»
Qualquer expansão moral que procure abranger o mundo inteiro terá necessariamente de parecer absurda até acontecer — afinal, só aqueles que deram o salto passam depois a ter capacidade para compreender aquilo que fizeram. Mas Anders poderia responder que o próprio apocalipse é praticamente impossível de conceber — como podemos pensar um nada sem fim? —, mas nem por isso é menos possível. A curiosa tarefa do homem, enquanto se agarra à sua condição de criatura, cada vez mais ameaçada, consiste em travar aquilo que mal consegue imaginar, mas que pode, com demasiada facilidade, desencadear.

Como Anders explica no seu ensaio «Commandments in the Atomic Age» (Mandamentos na Era Atómica), a nova missão, agora permanente, do homem seria impedir a destruição final da Terra, lutando diariamente contra os seus próprios poderes de morte em massa: «O perigo apocalíptico não é abolido por um único acto, de uma vez por todas, mas apenas por actos repetidos diariamente.» Esta tarefa — «tornar interminável o fim dos tempos» — é uma tarefa que nunca poderá cessar enquanto quisermos continuar a viver. 

O homem atómico de Anders tem, assim, algo de Sísifo, condenado ao esforço perpétuo, e do katechon paulino, responsável por impedir que o fim do mundo aconteça.

Apesar do seu pessimismo omnipresente, Anders aponta-nos, para além da sombra da obsolescência do ser humano, uma nova tarefa, derradeira e distintamente humana, que o homem deve cumprir. A sua força e os seus poderes de cálculo podem ser ultrapassados pela máquina; mas, numa última recordação dos nossos poderes morais irredutíveis, só o homem, e mais ninguém, pode realizar o feito eterno de se elevar acima da sua própria capacidade de auto-aniquilação, seja através da devastação cinética, seja através da substituição tecnológica.

Talvez nessa tarefa humilde mas implacável — a de conseguir chegar a mais um dia continuando, por enquanto, a ser humano — possa superar a sua vergonha e encontrar, sob uma nova forma, a «grandeza» para a qual o Papa Leão chamou a atenção do mundo no início deste ano.

O fim do mundo, continuamente iminente, pode estar a aproximar-se, mas ainda há tempo; o apocalipse não tem necessariamente de acontecer hoje, se conseguirmos deixar de agir sem pensar. Aqui, a filosofia pode ajudar-nos na nossa tarefa, abrindo-nos os olhos; mas cabe depois a cada ser humano olhar e ver aquilo que está a fazer.

«A palavra final», escreveu Anders, «não pertence ao metafísico, mas unicamente ao amigo da humanidade.»


September 15, 2026

Sr. Ministro, não minta! Só serve para erodir a confiança em si que já está em baixa


 

Fernando Alexandre: "Evidência cientifica diz que até aos 30 alunos a qualidade do ensino não sai prejudicada"

O ministro da Educação confirmou esta terça-feira, 15 de outubro, que a solução encontrada para a colocação de alunos que estavam por colocar passa pelo "alargamento de turmas, aumento de turmas e aumento de turnos".

Fernando Alexandre garante que a qualidade do ensino não sairá prejudicada. "Isso está previsto na lei, faz-se excecionalmente e tem a aprovação do Conselho Pedagógico, mas acontece muitas vezes. Se uma turma puder passar para 28 ou 29 alunos, não se vai criar uma turma nova", afirmou o governante em Porto de Mós, onde inaugura obras de requalificação e ampliação de uma escola secundária.

"A evidência cientifica diz que até aos 30 alunos a qualidade do ensino não sai prejudicada", reforçou.

DN
--------

Não há nenhuma evidência cientifica a dizer que até aos 30 alunos a qualidade do ensino não sai prejudicada, nem seria possível haver. O que há são declarações a dizer que nem sempre é prejudicada, pois há casos de turmas com 30 alunos excelentes ou muito bons. Como também acontece uma turma ter 15 alunos péssimos, em termos académicos e comportamentais e ter resultados péssimos, apesar de ser pequena.
No entanto, esses casos são excepções em número reduzidíssimo e, portanto, não são exemplares. 
É óbvio que quantos mais alunos tem uma turma, a partir de um certo número que, geralmente, se calcula entre os 16 e os 22, maior o prejuízo para a turma: menos tempo tem o professor para cada aluno, mais trabalho - teste e fichas de trabalho e apresentações orais para classificar. Mais EE com quem lidar, mais tempo de burocracia, etc. 
E, se acrescentarmos a estes factores, haver tantos professores já com excesso de turmas em horas extraordinárias, para suprir a falta de professores, mais 2 ou 3 alunos por turma, num horário com 9 turmas ou 10 turma, significa mais uma turma inteira.
Não é preciso ser muito inteligente para perceber isto. Portanto, não minta! Só serve para erodir a confiança em si que já está em baixa.
Ontem li que disse que há muitos professores de baixa. São perto de 2%. A profissão está extremamente envelhecida, justamente porque as políticas têm sido de encher os professores com turmas em vez de investir em novos professores, para poupar dinheiro. Esta profissão exige muita robustez física, não é para velhos, pessoas com doenças próprias de certas idades.
Não é por haver professores doentes que não há professores. É por terem expulsado professores e destruído a carreira de professor.
O senhor não sabe resolver o problema da falta de professores. É verdade que é um problema herdado e os dois ministros anteriores, dos governos de Costa, apesar de lá estarem 8 anos e meio, fizeram zero, porque a prioridade era destruir a carreira dos professores para poupar dinheiro e agravaram o problema.
Mas o senhor já lá está, vai para 3 anos e meio e parece que resolveu agora seguir também esse caminho de tentar destruir professores e direcções de escola em vez de resolver os assuntos. Mais vale tarde que nunca. Comece a fazer alguma coisa, agora já! Traga professores para as escolas. Carregar ainda mais os professores mais velhos com mais alunos por turma e mais turmas, prejudica os alunos e o trabalho dos professores. Logo: prejudica os alunos.

Um oligarca do círculo de Putin financiou e assistiu ao casamento do filho de Trump



Esta manhã, Justin Elliott, Brett Murphy, Joshua Kaplan e Alex Mierjeski, da ProPublica, deram a notícia de que Umar Kremlev, um oligarca russo próximo de Vladimir Putin, gastou centenas de milhares de dólares no casamento de Donald Trump Jr. e Bettina Anderson, em Maio.

Kremlev esteve presente no casamento, juntamente com um grande grupo de russos cuja presença, observam os jornalistas, deixou perplexos os restantes convidados.

Esta notícia revela um desenvolvimento extraordinário, observam os jornalistas: «um membro do círculo de Putin a financiar o filho do presidente e a obter acesso íntimo à família Trump».

Frank Montoya Jr., um antigo funcionário do FBI que desempenhou funções de alto nível na área da contraespionagem, disse aos jornalistas: 
«Se eu estou a pagar o vosso casamento, a certa altura vocês vão ficar a dever-me alguma coisa. Isto deveria ser impensável para o filho do presidente. Ponto final.»
Um porta-voz de Don Jr. disse a Edith Olmsted, da The New Republic, que Don e Kremlev se conheceram «há alguns anos» e que Kremlev é um «amigo pessoal», «não alguém com quem tenha uma relação de negócios».

Bettina Trump publicou nas redes sociais que Kremlev, na realidade, não tinha estado presente no casamento, mas que, 
«generosamente organizou duas noites incríveis de celebrações para nós, depois do nosso casamento. Foi um presente de casamento extraordinariamente generoso de um amigo, pelo qual estávamos — e continuamos a estar — extremamente gratos. A amizade não exige uma motivação política», escreveu. «A generosidade não vem automaticamente acompanhada de uma agenda. E, por vezes, um presente de casamento é simplesmente um presente de casamento.»
Os nomes de Bettina Trump e de Don Jr. apareciam no final da declaração.

- Heather Cox Richardson from Letters from an American 


Porque é que o Estado português reconhece como Estado uma organização terrorista?

 

Não há Estado da Palestina paralelo ou clandestino que se possa reconhecer. O Estado português reconheceu a organização do Hamas como Estado. Portanto, um Estado terrorista. E agora promete cooperação na educação! Mas quem é que quer a educação para o terror do Hamas e da UNRWA, uma organização com centenas de terroristas do Hamas a fazer de professores? E como reconhecemos um Estado que tem na sua carta fundadora a eliminação de todos os israelitas de Israel? O Estado português vendeu-se ao facilitador de criminosos da ONU a troco de um lugar no Conselho de Segurança da ONU. Que o Estado português se tenha vendido envergonha-me.