September 21, 2026

Uma espécie de paz




Isto não é uma fotografia. É uma pintura a óleo do pelo pintor dinamarquês Peder Mørk Mønsted (1894). Chama-se Caminho arborizado junto a um rio.

Gosto de como Mønsted captou o silêncio e a paz dos caminhos da floresta no Verão, quando não há vento nem buliço e tudo repousa numa quietude de verde transparente e águas calmas atravessadas com pontos de luz aqui e ali no meio das sombras das árvores. Uma espécie de paz.


Peder Mørk Mønsted

Como enfrentar um bully

 

Primeiro tentas afastá-lo a bem. Se isso não resultar, enfrentas o bicho.


Reciprocidade

 


@OlenaWave

O especialista militar chinês Wu Dahui afirmou num noticiário que os bielorrussos voltaram a activar repetidores de sinal ao longo da fronteira com a Ucrânia.

🔹Segundo ele, foi precisamente por isso que os drones russos conseguiram atacar um comboio que transportava diplomatas perto da fronteira com a Polónia.

▫️Afirma que, sem a ajuda da Bielorrússia, os drones russos seriam incapazes de atingir alvos em movimento com tanta precisão a distâncias tão longas.

 

Uma alcateia

 

Não avançam sem garantir que estão todos.

September 20, 2026

Mesmo planeta, outro mundo (ou mesmo mundo, outro planeta?)

 

Extrema violência sexual nos territórios ocupados pelos russos

 


Todos os dias vejo umas 30 ou 40 notícias destas no espaço de uma hora

 

Todos os dias.


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(Traduzido do polaco)

🇩🇪 No dia 9 de Setembro, na estação ferroviária de Friburgo, Leon, de 14 anos, estava à espera do pai. Tinham combinado ir pescar juntos. O rapaz estava nos degraus quando, de repente, levou um soco na cara vindo do nada e caiu no degrau. Um homem etíope de 41 anos inclinou-se sobre o rapaz caído. Tentou arrancar-lhe o olho.
O proprietário de um café nas proximidades ouviu o grito «Vou matar-te!» e imobilizou o agressor. Foram encontradas uma faca e um spray de pimenta no bolso do etíope. Este explicou que tinha cometido um erro e que a sua intenção era atacar outra pessoa. Foi libertado enquanto o processo decorre.
Leon sofreu uma contusão na mandíbula, tonturas e uma lesão no olho. O pai diz que o rapaz acorda a gritar e agora tem medo de comboios.

 

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Elementar bom senso que devíamos seguir

 

Mario Nawfal

Meloni anunciou que o uso de coberturas faciais, incluindo a burka e o niqab, será proibido nas escolas.

 Será estabelecido um limite máximo de alunos estrangeiros por sala de aula.

Os pais de crianças com dificuldades de integração também serão obrigados a aprender italiano.

Permitir que um grande número de alunos que não falam a língua local frequente a mesma turma não promove a integração; cria sociedades paralelas.

E a integração não é facilitada pelo uso de um véu facial.

Isto deveria ter sido uma política padrão em toda a Europa há uma década...



SSDC

 




Esta entrevista de Margaret Thatcher na TV soviética em 1987 é um tesouro e é extremamente actual.

 

Margaret Thatcher fala de segurança, de defesa, de controlo de armas, de uma paz garantida pelo direito de defesa das fronteiras, de sociedades abertas, de justiça e de armas nucleares, claro. 
Ela era uma defensora da deterrence, o poder dissuasivo das armas nucleares e diz várias vezes que o ideal seria não haver armas nucleares, mas havendo, o melhor então, é que as partes em conflito as tenham para se dissuadirem umas às outras de as usarem, como argumento, ou de facto, aproveitando-se do desequilíbrio nesse campo (é o que está a acontecer à Ucrânia). É o único modo, diz ela, de os pequenos países se defenderem dos grandes.
Os entrevistadores russos (3), defendem o fim total das armas nucleares e massacram-na com a questão mas ela não desarma nunca. 
É evidente que ela não confia que os soviéticos algumas vez destruíssem todas as suas armas nucleares e, aliás, diz-lhes que eles são o país com mais armas nucleares e não só, com mais armas convencionais, armas químicas (os ingleses já tinham destruído as suas), mísseis intercontinentais. Para um país se defender pela dissuasão só precisa de um pequeno número de armas nucleares. Países que as têm em excesso, têm-nas, não para defesa...
Diz também que desde a 1ª Grande Guerra nunca uma democracia atacou outra democracia e que para haver confiança em acabar com as armas nucleares era necessário que as sociedades fossem abertas e democráticas.
Esta entrevista é um tesouro e é extremamente actual. Não digo profética porque o que ela diz é do mais elementar bom senso de quem conhece a história e o MO dos países, na história. Nós é que já estamos tão pouco habituados a líderes políticos competentes, inteligentes e de bom senso que já estranhamos.
Elas diz-lhes exactamente o que pensa do socialismo soviético.
Uma entrevista dura, mas Margaret Thatcher era uma política extremamente competente e eloquente. Não fazia demagogia, dizia exactamente o que pensava e o que ia fazer. É claro que eles têm a lata de lhe perguntar como é que ela, tendo filhos, trabalha tanto... nesta visita ela anda pelas ruas e vê-se multidões de pessoas a querer vê-la. Vemos as mulheres a bater palmas e os homens não. Olham para ela com um misto de curiosidade e desconfiança. Onde é que em países comunistas as mulheres são PM ou Presidentes?
Gosto quando ela lhes diz que o sistema político inglês é muito difícil. Duas vezes por semana tem de ir ao Parlamento responder a questões sobre tudo e mais alguma coisa - e não sabe de antemão as perguntas que lhe vão fazer...
Passados uns anos desta entrevista, tão clara, sobre a necessidade dos pequenos países precisarem de defesa contra os grandes e da Rússia não ser uma democracia (embora neste altura ainda houvesse essa esperança), os EUA, a pedido da Rússia, pressionaram os ucranianos a desfazer-se das suas. Umas pessoas dão passos para a frente e outras desfazem o caminho.


Porque é que Espanha nunca conquistou Portugal?

 

Porque os portugueses não são espanhóis nem nunca o quiseram ser.

O que deixámos ali para os lados do estreito de Ormuz?

 

Irmão pobre, irmão rico: Yemen, Oman. Guerras civis de um lado, Sultão Qabus do outro.


O que deixámos nós em Goa?

 


September 19, 2026

Bright


Adoro este som não-asséptico anos 80/90.

Luz e sombras

 


Stow Wengenroth (1906-1978)


Stow Wengenroth é um artista muito conhecido que criou imagens maravilhosas da Nova Inglaterra, da cidade de Nova Iorque e de Long Island.
Nasceu em Brooklyn, Nova Iorque, a 25 de julho de 1906, filho de Frederick Wengenroth, arquitecto, e de Isabelle Stow, designer têxtil. Estudou na Art Students League e posteriormente na Grand Central School of Art com Wyman Adams. 


Durante os verões da década de 1920, deslocava-se a Woodstock, Nova Iorque, para trabalhar com John Carlson, ou ao Maine, para trabalhar com George Ennis. Foi Ennis, em 1929, quem recomendou que Wengenroth considerasse a possibilidade de trabalhar com litografia. Considerava que o seu estilo de desenho se adequava a essa técnica. 
Em 1931, Wengenroth publicou as suas primeiras litografias — todas imagens de Eastport, no Maine, e arredores. Realizou a sua primeira exposição individual em 1931 na Macbeth Gallery, onde apresentou as suas litografias e desenhos a pincel seco.


Wengenroth utilizava a litografia como a sua principal forma de expressão artística. Os seus desenhos, nesta altura, eram quase todos realizados com a técnica do pincel seco. Isto porque os desenhos a pincel seco se assemelham muito ao aspecto que uma litografia terá quando impressa.  


Quando considerava um desenho satisfatório, caminhava de Brooklyn até ao estúdio de George Miller, pegava numa pedra litográfica e levava-a para o seu estúdio. Lá, interpretava os seus desenhos a pincel seco, que eram sempre maiores do que as litografias acabadas. Depois de desenhada, levava a pedra de volta ao estúdio de Miller, em Nova Iorque, para impressão. 


 Devido ao peso das pedras litográficas Wengenroth mudou o seu estúdio para Manhattan, para ficar mais perto do estúdio de Miller. Durante algum tempo, o seu estúdio situou-se no n.º 51 da West Tenth Street, um edifício onde residiam muitos artistas. O estúdio que utilizava tinha sido anteriormente ocupado por Winslow Homer.




by The Old Print Shop, Inc.

Em vez de apenas falar, agir

 

Macron e outros líderes europeus andam por aí com discursos crípticos quais Cassandras da desgraça em vez de agir. Passem das palavras à acção como fez agora a Roménia.


O que vem a seguir à tirania?

 

No últimos tempos vejo muito a pergunta: o que vem a seguir a Putin desaparecer? É o mesmo que perguntar, o que vem a seguir à tirania? 

Os antigos consideravam a tirania o pior governo de todos. O mais corrompido, o mais destruidor da alma humana. Aquele em que um homem só, o tirano, governa pela força, pela corrupção e pelo medo, para se manter eternamente no poder e satisfazer as suas paixões mais baixas. Na tirania é costume a prisão arbitrária, as execuções, a intolerância a qualquer dissidência e a exigência de obediência cega. É a escravidão de um povo até ao mais recôndito da sua alma.

O tirano é mais que um ditador. César, na época romana, defendia-se dos que lhe chamavam tirano dizendo que não tinha destruído uma democracia mas substituído, com o apoio do povo, um sistema caótico de oligarcas, extremamente injusto por uma ordem de justiça: distribuiu terras, cancelou dívidas a cidadãos, não perseguiu oponentes políticos, respeitou o Senado e a lei, etc. 

Platão pensava que a tirania se seguia a um período de desordem ou anarquia decorrente dos excessos da democracia acabar a ser governada pela turba, pelos ignorantes, por aqueles que entendem a verdade como um produto do poder em vez de retirarem o seu poder da força da verdade - a condenação de Sócrates, um homem justo, à morte, pela democracia, teve um grande impacto nele. 

As evidências, no entanto, mostram que nem sempre se passa de uma degeneração de democracia para a tirania. Veja-se os EUA. Passaram de democracia a oligarquia, pelo voto e na próxima legislatura podem transformar-se numa tirania ou, pelo menos, numa ditadura não-benevolente, sem terem passado por uma degeneração da democracia prévia a esta oligarquia. 

A Rússia passou de uma monarquia absoluta (a monarquia constitucional só durou 12 anos, de 1905 a 1917) para ciclos destrutivos de tirania de onde parece não conseguir sair. Teve aquele período entre 1905 e 1917 para se construir como uma sociedade democrática mas vinham de uma forma de vida feudal e escravizada, impreparada para isso. De 1917 até hoje tiveram apenas uma breve janela de oportunidade, depois da queda do muro de Berlin, para estabelecerem uma sociedade livre e democrática, mas por essa altura já levavam 70 anos de total disfuncionalidade, obscurantismo e corrupção da alma, como lhe chama Platão. A questão de Platão é mesmo essa: como se passa de uma tirania, ou pior, de um ciclo de tiranias, onde já nenhum dos vivos sabe o que é uma vida de liberdade e direitos civis, para um governo justo de justos?

Hoje em dia, as sociedades mais tirânicas, que mais destruíram e corromperam a alma humana são as islâmicas. A maioria desses 50 países são totalmente disfuncionais e imorais, embora nem todos estejam no estejam no extremo como o Afeganistão ou o Paquistão e até haja um ou dois em processo de reforma. Nesse países que vivem em tirania teocrática há mais de um milénio, os pais violam as filhas, os velhos compram crianças para violar, os pais e irmãos matam as filhas e as irmãs por honra, os homens declaram-se animais sexualmente descontrolados a exigir que ninguém se mostre ao pé deles, cortam as mãos, os pés, o nariz e mais o que for aos desobedientes. Apedrejam pessoas até à morte, decapitam-nas por terem opiniões diferentes, mandam as crianças explodir-se como declaração de terror, é permitido violar rapazes pequenos, ovelhas... É evidente que os homens que vêm dessas sociedades sem lei, mentalmente degeneradas, governadas há séculos e séculos e séculos por tiranos, sejam da religião ou de castas monárquicas, chegam aqui ao Ocidente e reproduzem dentro e fora das suas comunidades toda essa disfuncionalidade, tirania, degenerescência e violência. Como é que alguém pode pensar que mudar de local geográfico muda as pessoas como que por magia e que por estarem aqui passam a obedecer à lei e à ordem?

Adiante.

Platão considerava que, quando a tirania chegava a um ponto de extrema disfuncionalidade, a única maneira de a tirar de ciclos contínuos de destruição era através da razão, e consistia em conseguir que alguém sábio tomasse as rédeas do poder e restaurasse racionalmente a lei, a justiça e a ordem, com benevolência. (A alternativa seria um filósofo conseguir convencer o tirano a mudar o seu modo de governar, o que é muito difícil.) Júlio César via-se como esse ditador benevolente que tinha tirado Roma do caminho da destruição. Por exemplo, Ataturk, o fundador da Turquia moderna, poderá ser considerado um ditador desse género: acabou com uma teocracia brutal, tornou o Estado laico, deu direitos às mulheres, modernizou o país, etc. Gorbachev teve essa intenção mas a sociedade russa não estava -e não parece estar- preparada para viver em liberdade.

Aristóteles defendia que havia outros modos de acabar com as tiranias, como por exemplo, golpes de Estado, revoltas do povo, conspirações dos oligarcas. Porém, a questão que interessa a Platão não é a de saber como matar o tirano ou acabar com uma tirania para que alguém institua outra logo a seguir. Isso origina ciclos de destruição que perpetuam o caos. O que ele quer é um modo de acabar com a tirania e passar daí a um governo justo de homens justos.

Como é que uma sociedade, como a russa, por exemplo, ou a chinesa, a viver há séculos em regimes de monarquia absoluta seguidos de tirania (a China teve um monarquia constitucional durante uns meses apenas), tendo criado sociedades de escravos mentais, de almas corrompidas, desorientadas, disfuncionais, pode passar daí para um regime democrático?

Há duas hipóteses:

1. Um líder benevolente, com o apoio popular conseguir reunir um grupo de pessoas com uma mentalidade e formação humanista e reformadora e com coragem que instauram um regime de leis, um Estado de direito e uma sociedade a caminhar para a justiça;

2. Separa-se a Rússia das suas colónias desfazendo permanentemente o sonho do Império. Deixa de haver uma Federação russa que inclui montes de povos e países e passa a haver apenas o país Rússia. Os outros países que agora estão nessa federação imperialista tanto podem atomizar-se como juntarem-se em pares, trios, etc. consoante as suas identidades, língua, territórios e interesses. Seja como for, a Rússia deixa de ser uma tirania com um grande território e um grande exército e passa a ser um país como os outros, sem tamanho nem força para ser uma ameaça para o mundo.

As hipóteses negativas são: outro conjunto de oligarcas continuar o sistema de tirania ou, o exército tomar conta do país. 

Portanto, a aposta mais segura para a segurança da Europa e do mundo é derrotar a Rússia na Ucrânia e apoiar a divisão da Federação em países independentes da Rússia.


A rothko silence

 



Guido Krüttgen 
(Inverno nos Alpes)

O custo humano de uma tirania




No ano passado, tropas ucranianas encontraram um oficial norte-coreano morto na região russa de Kursk. Os documentos recuperados do seu corpo expuseram a situação desesperada em que se encontram os cerca de 16 000 soldados norte-coreanos que Kim enviou para a Rússia — eram carne para canhão. Os serviços de informações sul-coreanos estimam que até 2 000 tenham sido mortos.

Os documentos — obtidos pela Human Rights Foundation, uma organização sem fins lucrativos sediada em Nova Iorque — continham planos de mobilização, instruções e relatos das experiências dos soldados norte-coreanos no campo de batalha. Um documento de duas páginas observava que alguns soldados norte-coreanos enfrentavam uma barragem de fogo de artilharia inimigo e drones suicidas que enxameavam como uma nuvem de vespas». Quando os soldados caíam, os seus camaradas corriam frequentemente para os resgatar, ignorando o fogo inimigo e sofrendo novas baixas. Os veículos russos de evacuação demoravam habitualmente mais de 10 horas a chegar junto dos feridos.

Devido à incapacidade de evacuar os feridos a tempo, os combatentes foram sacrificados durante a evacuação afirmava um dos documentos.

Este relato contrasta fortemente com a narrativa oficial da Coreia do Norte, que glorifica os mortos como mártires e afirma que muitos deles escolheram detonar granadas de mão em vez de correrem o risco de serem capturados enquanto estavam feridos.

O diário do comandante de pelotão morto revelou o custo humano dessa pressão. As forças especiais ucranianas recuperaram o diário do soldado morto e entregaram-no à Human Rights Foundation, onde foi analisado por um funcionário que tinha desertado da Coreia do Norte. Nas suas páginas, o oficial aludia ao conflito entre o dever de demonstrar uma bravura incomparável nas batalhas, para proporcionar a maior alegria e satisfação à pátria e ao partido, e um medo íntimo de que a sua ambição acabasse por custar a vida aos seus homens.

Em Dezembro de 2024, escreveu uma última oração pelos camaradas que tinham morrido. Nesse mesmo mês, escreveu à sua «princesa» que ficara em casa, deixando-lhe uma promessa para o caso de não regressar.

Se morresse, tornar-me-ei uma borboleta e encontrarei-te.

- Choe Sang-Hun, The Hidden Human Cost of Kim Jong-un's New Power


September 18, 2026

Nem de propósito - aqui está o discurso típico do proto-ditador