May 24, 2026

A Rússia cada vez mais parece a Coreia do Norte

 


A União Europeia não é outra coisa senão uma Europa Unida

 

 E é uma necessidade cada vez mais urgente.


Os alvos da Rússia são quase sempre civis

 

Li que a Rússia compra cerca de 80% dos componente que precisa para as armas porque já não fabrica nada no seu território. Também li que esses componentes não são só provenientes da China. Incluem empresas de países que têm sanções contra a Rússia. Como é possível? Sancionem-se essas empresas.

Na Europa sabe-se que a Rússia continua o seu trabalho de destruição sistemática da Ucrânia

 

Entretanto, o que fazem os europeus? Sugerem que a Ucrânia possa assistir a reuniões da UE... isto ajuda a Ucrânia em quê? Qual é o argumento para não fecharem os céus da Ucrânia como fizeram em Israel que já não me lembro. Ah, pois, é verdade, não têm argumentos. Putin voltou a fazer ameaças de destruir o mundo com armas nucleares. Esta é a altura de acabar com esta guerra e com Putin, não de recuar. 


Imigração: o caso inglês é diferente do nosso?

 


Mais de um em cada cinco trabalhadores é agora de origem estrangeira – um número recorde, muito superior ao registado na altura do referendo sobre a UE.

Entretanto, há mais britânicos inactivos, com 604 000 pessoas a abandonarem a população activa desde a Covid. Entre os jovens britânicos, quase um milhão não estudam nem trabalham. Isto significa que, sem intervenção, correm o risco de permanecer dependentes de prestações sociais. Entretanto, empregadores em sectores de ponta alertam que o sistema de imigração dispendioso do Reino Unido está a dificultar a contratação de trabalhadores altamente qualificados.

Os estrangeiros têm mais probabilidades de estar empregados do que os britânicos em idade activa. Como resultado, dependemos mais do que nunca dos imigrantes – o que não agrada ao público.

Estimativas anterio­res do Gabinete para a Respons­a­bi­li­da­de Orç­ame­ntal (OBR) concluem que um aumento de 100 000 na migra­ção líquida reduz o endivid­e­mento em 6,6 mil milhões de libras até ao final de um período de cinco anos. 

Mas os padrões de vida não seriam diferentes, afirma Brindle. «A variação do PIB per capita e o montante que estamos a produzir por pessoa permanecem praticamente os mesmos em resultado da migração. Também se verifica uma maior procura de serviços públicos», afirma.

«Ter uma política de imigração selectiva e inteligente tornar-se-á mais importante na próxima década. É possível ter números bastante baixos, mas atrair pessoas de grande qualidade. Concentrar-se apenas em números globais esconde essa nuance, e o actual Governo provavelmente não está a cumprir essa agenda de talentos», acrescenta Sim.

«Este sistema está a impedir que as pessoas qualificadas e talentosas contribuam para a economia do Reino Unido», afirma Dighton. Este problema só tenderá a agravar-se sem uma intervenção, sugerem os dados mais recentes.

«A composição da migração é menos favorável do que era. As quedas devem-se principalmente a um menor número de trabalhadores e estudantes, enquanto o número de migrantes que procuram asilo no Reino Unido se manteve bastante estável», afirma Brindle.

Para ministros das Finanças como Rachel Reeves e os seus antecessores conservadores, a elevada imigração permitiu-lhes adiar decisões difíceis. Apoiar o sector dos cuidados de saúde, financiar o sistema de ensino superior e fazer face à enorme dívida pública são todos exemplos disso.

Agora, chegou a hora de pagar a conta. 

(resumo)
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Também aqui a imigração permite aos governos não tomarem decisões e evitarem o investimento na educação e na saúde. 

Para lidarem com o desinvestimento na educação que fez cair a atractividade da profissão, a riqueza dos currículos, a qualidade dos serviço técnicos de suporte e outras valências que permitem o tal o elevador social, implementaram um sistema de passagens automáticas sem critérios às quais se segue um sistema de acesso universal ao ensino superior sem critérios, que produz grandes quantidades de desistentes que nem estudam nem trabalham, porque têm certificados de passagens no bolso e expectativas de terem bons salários por conta desses certificados, que não correspondem a saberes reais. 

Para que entrem imigrantes com baixas qualificações confere-se o título de asilados a todos. Entretanto os portugueses nem-nem acabam por ir para outros países fazer o trabalho que aqui não queriam fazer porque os salários aqui são maus. Os portugueses qualificados, que queríamos muito que ficassem cá, também fogem porque os salários são maus e não permitem sequer ter uma casa ou uma vida independente dos pais. 

E estamos neste círculo vicioso onde se vai tomando más decisões para resolver o curto prazo.

Tal como os ingleses, pagaremos a grande factura mais tarde, tal como os ingleses já estão a pagá-la e os franceses.

Imigração ilegal: estes imigrantes que entraram no país com fraudes também são coitados?



E esta funcionária que vendia papéis a imigrantes ilegais é uma das boas pessoas, é uma empática? É esse o discurso?



Um milhão de euros escondidos em casa e um selo desativado: chefia no MNE "legalizou" mil imigrantes

Funcionária da Direção-Geral dos Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas 'legalizou' mais de mil imigrantes com selo falso e teve apoio ao mais alto nível de funcionários estrangeiros

Hugo Franco, Expresso 



Maria L. cruzou-se em 2019 com uma alta figura do Estado do Nepal durante uma visita protocolar ao gabinete de atendimento ao público da Direção-Geral dos Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas, em Lisboa, que chefiava. Nesse encontro, o dirigente nepalês — que viveu em Lisboa entre 2014 e 2020 — apresentou a funcio­nária pública a Santosh, um empresário tido como alguém de sua confiança e que funcionava como um intermediário entre a Embaixada do Nepal em Paris e a comunidade indostânica em Lisboa. Era o início de uma relação de negócios que veio a dar origem a uma das redes de tráfico de pessoas mais poderosa em Portugal.

A funcionária do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) combinou com o empresário que este teria via verde no acesso ao seu gabinete. Nos anos seguintes, e de acordo com documentos judiciais consultados pelo Expresso, a mulher recebeu milhares de documentos — muitos deles emitidos pela Embaixada do Nepal em Paris e com assinaturas falsas de adidos consulares de embaixadas portuguesas — diretamente das mãos de Santosh, ou através de estafetas a mando deste.

Usava para esse efeito um selo branco do MNE, em ferro fundido, que tinha sido substituído por avaria mas não tinha sido recolhido para abate pelos funcionários do ministério. E que garantia uma certificação do Governo português. Desta forma, a funcionária conseguiu legalizar, de forma irregular, mais de mil imigrantes de vários pontos do globo.

Com os documentos autenticados no MNE, Santosh entregava-os depois no seu cibercafé aos imigrantes que lhe pagavam pelos serviços ilegais. Esta operação permitia que ficassem com o registo criminal ‘limpo’, ativassem o Número de Identificação Fiscal (NIF), o Número de Identificação de Segurança Social (NISS) ou o Número de Utente do SNS (Serviço Nacional de Saúde), podendo abrir contas bancárias, ou obter autorização de residência através do mecanismo da Manifestação de Interesse. A rede de tráfico de pessoas, que se espalhou pela zona Centro, foi angariando interessados através de anúncios difundidos nas redes sociais. A procura chegou a ser tão elevada que em alturas de maior afluência os próprios imigrantes se juntavam num jardim em frente ao gabinete de Maria L. e recebiam, à vez, pela janela do escritório, a documentação que precisavam. Muitos desses encontros acabaram por ser vigiados por inspetores da Polícia Judiciária. E o telefone da suspeita passou também a estar sob escuta. Em algumas conversas, referia-se aos interlocutores como sendo “uma máfia na Índia”.

Maria L. acabaria por recorrer aos ‘serviços’ do marido e da filha para conseguir despachar mais rapidamente o serviço, usando o mesmo selo da Casa da Moeda, por vezes fora das instalações do MNE. A filha chegou a trabalhar no escritório da mãe e funcionava como estafeta de recolha e entrega de documentos, junto dos membros do grupo.

Dois meses antes de ser detida, Maria L. apercebeu-se que a Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA) “andava em cima deles”. O aviso de nada lhes serviu. Numa megaoperação da PJ, em maio do ano passado, esta “toupeira” do MNE foi detida, juntamente com a família e outros trinta cúmplices. Maria L. tinha na sua posse quase um milhão de euros em notas, dinheiro dividido entre as suas duas residências e um cofre bancário. Encontra-se agora em prisão preventiva, acusada pelo Ministério Público de 500 crimes de auxílio à imigração ilegal, branqueamento e corrupção.

Este ano, 2800 imigrantes do Nepal foram notificados pela AIMApara abandonar o país, após terem sido alvo desta burla que os levou a incluir documentos com um selo falso no processo de Autorização de Residência.

Criticar outros evidenciando as próprias características criticadas



Os outros somos nós

Sílvia Sousa, Expresso

O nosso passado recente tem sido profícuo na demonstração de que algo está, de facto, mudado no nosso país. A ausência de vergonha ou pudor que permitiu normalizar um discurso maniqueísta aparentemente também conferiu um conjunto de direitos a parte da nossa sociedade, entre os quais o de desrespeitar e o de maltratar os “outros”. O facto de forças políticas, eleitas democraticamente, apresentarem um discurso e um comportamento conivente com tal perceção de direitos vem de alguma forma, ainda que erradamente, sugerir que o direito de desrespeitar ou de maltratar os “outros” decorre do nosso sistema democrático ou, simplisticamente, se enquadra na nossa liberdade de expressão.

Paradoxalmente, num país de emigrantes destila-se ódio e preconceito relativamente aos imigrantes, seja de forma mais subtil nas propostas legislativas associadas à nacionalidade, seja de forma despudorada no resguardo de uma esquadra ou descaradamente numa rua ou praça do nosso país, pelo poder político, pelas forças de segurança, pela população em geral.

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Esta professora da Universidade do Minho queixa-se de um discurso maniqueísta contra os imigrantes (assim no geral, como se fossem todos iguais) e apresenta o quê como argumento? O ódio e preconceito relativamente aos imigrantes. Se isto não é um discurso maniqueísta vou ali e já venho. 

E a critica ao direito a desrespeitar os outros argumentada com desrespeito aos outros, chamando-lhes pessoas que se reduzem a ódio e a preconceitos? Ou está a escapar-me alguma coisa?

Um àparte - sempre que vejo mais um discurso a favor ou contra os 'imigrantes', assim tomados como uma massa uniforme de coitados, assumo a desonestidade intelectual do articulista, pois entre as massas de imigrantes que deixaram entrar no país, há os que vêm para trabalhar, com intenção de integração e respeito pela nossa cultura, como nós portugueses fomos para outros cantos do mundo; há os que vêm legalmente e os que vêm ilegalmente; há os que vêm para fugir ao fisco nos seus países; há os que vêm para especulação imobiliária com vistos de luxo (esses têm advogados de luxo a defendê-los); há os que vêm para traficar seres humanos; há os que vêm para fugir a mandatos de captura nos seus países; há os que vêm como parte de uma política mais alargada a nível europeu de instabilização e divisão sociais ao serviço de projectos teocráticos islamitas; há os que vêm para engrossar gangs de malfeitores que vão desde ladrões de rua e assaltos a casas até raptos de crianças para redes de pedofilia, etc. Há muito tipo de imigração e falar da imigração como se fosse monolítica e todos fossem vítimas é obviamente populismo maniqueísta e desonestidade intelectual. De modo que o título, 'Os outros somos nós' está bem posto pois os maniqueístas de que fala esta articulista são 'outros' que a incluem a ela mesma.

"uma cultura de impunidade que há muito domina os níveis superiores da universidade"





Medo e Repulsa em Palo Alto

O livro de estreia de Theo Baker é uma investigação digna de cinema sobre a cultura de fraude em Stanford. 

por Alex Bronzini-Vender

Durante décadas, “Wall Street” foi o termo genérico americano para a vilania capitalista. A “grande tecnologia” (big tech) está agora a aproximar-se desse papel — e por boas razões. 

Nos últimos anos, o Silicon Valley produziu agentes de má conduta de alto perfil a um ritmo notável. E, após pelo menos duas décadas de alinhamento relativamente estável com o Partido Democrata, figuras influentes da tecnologia inclinaram-se para a direita no pós-pandemia, mergulhando em pensamento político anti-democrático e extremista. Parte disto chegou entretanto a Washington: a iniciativa DOGE de Elon Musk deve muito ao ethos “move fast and break things” do Silicon Valley.

Theo Baker, um jornalista de investigação prodígio e futuro graduado de Stanford, não é o primeiro a traçar a origem da degradação do Silicon Valley até à sua universidade (Autores como Malcolm Harris, John Carreyrou e Noam Cohen já exploraram território semelhante), mas é o primeiro a documentar, com rigor e detalhe, a história recente e a cultura da instituição. 

O seu aguardado livro de estreia, How to Rule the World, é três coisas ao mesmo tempo: um relato da sua investigação — vencedora do Prémio George Polk — sobre a má conduta científica do antigo presidente de Stanford, Marc Tessier-Lavigne; um estudo etnográfico do “submundo” social do campus; e uma memória pessoal. 

Em grande medida, cumpre bem estes três objectivos. Mas o desdém de Baker pelos seus temas é, demasiadas vezes, um obstáculo à sua compreensão.

O livro segue o primeiro ano de Baker, desde os primeiros passos no jornalismo estudantil até à investigação que levou à queda do presidente de Stanford. Pelo caminho, Baker vive algumas experiências típicas — a perda do avô, da namorada e da sua virgindade — mas também outras altamente atípicas, como conviver com bilionários em festas luxuosas. 

Os capítulos sobre a investigação a Tessier-Lavigne são os mais fortes. A sua acusação central é que o artigo de 2009 na Nature, então celebrado, sobre a doença de Alzheimer — produzido quando o neurocientista canadiano liderava investigação na empresa de biotecnologia Genentech — se baseava em dados fabricados, e que a revisão interna da empresa confirmou isso, mas nunca tornou as conclusões públicas. 

Quatro executivos sénior da Genentech, todos sob NDA, corroboram independentemente este relato a Baker. Para os testar, ele faz-lhes ocasionalmente perguntas sugestivas que sabe serem falsas: eles não caem nelas.

Baker usa telemóveis descartáveis, mantém as fontes fora da sua lista de contactos e encaminha comunicações através de pseudónimos online e máquinas virtuais. Depois de informar o seu editor num quadro branco, esconde a sua lista de fontes dentro de um marcador apagável guardado numa gaveta. Depois, quando o Volkswagen de Tessier-Lavigne passa pelo edifício do Stanford Daily numa tarde, Baker persegue o carro a pé enquanto o editor o segue de bicicleta. Lê-se como uma memória cruzada com um thriller de espionagem, o que talvez explique porque Baker já vendeu os direitos cinematográficos do livro.

A espinha argumentativa de How to Rule the World é, porém, o caso de Baker contra Stanford. A sua cultura, defende ele, incentiva a fraude. 

Capitalistas de risco atiram quantias absurdas de dinheiro a estudantes universitários “builders” com pouca diligência. Os estudantes, previsivelmente, aprendem a usá-lo indevidamente, a exagerar as suas capacidades e a representar-se falsamente perante os pares e o público. Sentindo pressão para parecerem realizados e perfeitos, recorrem a todo o tipo de enganos para acompanhar o ritmo. E estes problemas, no ano de caloiro de Baker, estendiam-se até à presidência de Stanford. 

Baker escreve no prólogo que “o poder protege-se a si próprio, os segredos permanecem escondidos à vista de todos e faltam mecanismos de controlo robustos” e isso era verdade tanto para “o presidente, cuja investigação escapou ao escrutínio durante anos”, como para “o submundo do corpo estudantil”. Tessier-Lavigne e os seus estudantes, argumenta, participam ambos na cultura de “fingir até conseguir”.

E Stanford, querendo sempre parecer irrepreensível, falha em disciplinar tanto estudantes como docentes quando estes têm comportamentos inadequados. 

Baker relata de forma perturbadora a sua cobertura da má conduta de Tessier-Lavigne enquanto a universidade lhe dirigia ameaças legais cada vez mais agressivas (e, no final, infundadas). Após a demissão do presidente, a universidade removeu o relatório da investigação do seu site. Stanford também não tomou medidas disciplinares contra o geneticista Stan Cohen após a sua condenação por enganar investidores na sua startup de biotecnologia. E manteve discretamente um treinador de futebol com múltiplas conclusões internas de má conduta. 

Na leitura de Baker, a má conduta na vida académica e económica dos estudantes — fraude e plágio, diz ele, são generalizados — resulta de uma cultura de impunidade que há muito domina os níveis superiores da universidade.

Tudo isto explica por que a universidade produz uma concentração invulgar de figuras de alto perfil envolvidas em escândalos: Elizabeth Holmes, Sam Bankman-Fried (que não frequentou Stanford, embora ambos os pais sejam professores), o fraudador de criptomoedas Do Kwon e os co-fundadores da Juul, Adam Bowen e James Monsees, entre muitos outros. 

É um argumento convincente, e How To Rule the World apresenta-o com pathos e inteligência consideráveis. Mas Baker também não está acima de alguma sobre-interpretação. Por vezes recorre a linguagem carregada para condenar práticas que, reflectidas, não são intrinsecamente sinistras.

Tomemos o seu tratamento dos jantares de recrutamento de capital de risco. Os estudantes são “caçados” por adultos à procura de um “bilhete premiado”, escreve — adultos que “fetichizam a juventude”. 

Chama aos capitalistas de risco por detrás destes eventos “Hangers-On”, com maiúscula, que “colhem” os seus alvos. Mas estes jantares não são uma invenção do Silicon Valley; Wall Street, consultoras e firmas de advogados fazem eventos semelhantes em universidades de elite há pelo menos duas gerações. (Eu próprio assisti a jantares desse tipo; não eram para mim, como a minha experiência editorial na Washington Monthly atesta.) Em Stanford, como na costa leste, os estudantes que participam dificilmente são presas. Mas o vocabulário de Baker — “colhidos”, “caça”, “fetichizam” — sugere uma coerção que estas relações nem sempre têm.

Qualquer adulto que leve jovens fundadores a sério parece, aos olhos de Baker, suspeito. Por vezes, também a própria inovação tecnológica. O seu desprezo pelos colegas fundadores de startups é evidente. Num trecho revelador, compara estudantes à espera de falar com Ivan, um “talent spotter” de 21 anos para capitalistas de risco, a “animais de quinta à espera pacientemente de se alimentar no comedouro”. Não sabemos nada sobre o carácter destes estudantes; o simples facto de tentarem estabelecer uma ligação profissional torna-os equivalentes a gado. Baker apresenta-se frequentemente como o único virtuoso num mar de oportunistas amorais.

(...)

Baker tem sentido de humor. Mas a sua tendência para transformar os outros em material cómico enfraquece também a sua análise da política do Silicon Valley: os seus sujeitos tornam-se espantalhos. Um “famoso parceiro de VC” anónimo comenta que “o maior problema de Stanford é admitir poucos homens brancos”. Quando lhe perguntam o que o motiva, responde: “Dinheiro. O dinheiro é uma descarga.” Um fundador de uma startup de enorme sucesso, a quem Baker chama Derek, é o observador mais atento do cenário político. Diz querer “construir uma máquina política para tomar São Francisco” e vê a política como “um problema de engenharia a resolver”. Chama ao ensino superior “muito corrupto”, “fechado e frouxo”, e observa que os líderes actuais não têm “uma visão coerente do que significa ter poder”. Depois Baker afirma tê-lo apanhado a alimentar à colher “caviar negro de lote privado Rosewood”, e o capítulo conclui: “Este era o mundo que eu estava a deixar para trás.”

Não conheço Derek nem o VC anónimo, e, por tudo o que sei, podem realmente ser figuras ao estilo do Tio Patinhas. Mas ao não explorar as suas posições políticas nem procurar sujeitos com ideias mais substanciais, Baker deixa de mapear ideologicamente o Vale. 

Faz breve menção ao altruísmo eficaz — a 'filosofia', defendida por Sam Bankman-Fried, de que temos obrigação moral de acumular grande riqueza para depois a direcionar para boas causas. Mas isto é praticamente tudo o que How to Rule the World oferece sobre as convicções políticas substantivas do mundo tecnológico.

Correntes intelectuais tão influentes como o altruísmo eficaz são ignoradas. No livro não há referência ao racionalismo, ao 'longermismo', ao tecno-accelerationismo, ao pensamento do académico de Stanford René Girard (mentor de Peter Thiel e influência em JD Vance), nem ao neo-reacionarismo anti-democrático de Curtis Yarvin e Nick Land. 

Estas ideologias podem não estar correctas, mas, como mostram autores como John Ganz e Quinn Slobodian, são complexas. As desmontagens de Baker são divertidas, mas funcionam melhor como polémica do que como guia para a política do Vale.

“Acho que é possível incentivar a inovação sem permitir a fraude”, escreve Baker nas páginas finais do livro. Espero que esteja certo. Mas o seu cepticismo intenso e categórico em relação aos estudantes-fundadores sugere que ele próprio não tem tanta certeza. 

Baker poderia ter construído sobre a história magistral de Malcolm Harris, Palo Alto (2023). Como Harris observa, Leland Stanford — fundador da universidade — desenvolveu uma técnica de criação de cavalos chamada “Palo Alto Method”, na qual cavalos jovens eram obrigados a correr mais cedo do que era seguro. O risco físico para os animais era grave, mas esse era precisamente o objetivo: eliminar cedo os mais fracos. Se um cavalo ia falhar, Stanford concluía, era melhor que falhasse rapidamente. “Stanford passou de potros para jovens humanos”, escreve Harris, “mas continuava a ser um projecto de criação e treino.”

O objectivo de dar dinheiro aos estudantes e deixá-los por conta própria é, nesta leitura, precisamente fazê-los falhar mais depressa. (Não se pode testar a capacidade de gerir dinheiro e pessoas sem dinheiro nem equipas.) O que Baker lê como uma tendência maléfica na cultura de Stanford pode, na verdade, ser fiel ao seu espírito fundador. E se Stanford puder ser diferente — o que está longe de ser garantido — ele não explica como.

Ainda assim, nada disto deve obscurecer o que Baker conseguiu. How to Rule the World é um relato adversarial de uma cultura que, como o próprio Baker observa, poderia muito bem tê-lo absorvido — e, dado o dinheiro envolvido, a sua escolha de fazer jornalismo de responsabilização em vez disso, deve ser valorizada. Ainda hoje, escreve ele, capitalistas de risco continuam ocasionalmente a oferecer financiar uma startup de Theo Baker, caso ele queira.

https://washingtonmonthly.com/fear-and-loathing-in-palo-alto/ (excertos)


A universidade que optou por reduzir a sua dimensão

 

A universidade que optou por reduzir a sua dimensão


Uma instituição de referência aposta que turmas mais pequenas significam melhores resultados.

por Kate Hidalgo Bellows

Salvo a interrupção ocasional dos aviões a jacto da Força Aérea a sobrevoar a zona, a primavera na Universidade do Arizona parece idílica. Os estudantes apanham sol, tiram fotografias de final de curso e desviam-se de robôs antropomórficos de entrega de comida. 

A agitação descontraída não deixa perceber que o campus culturalmente diverso, com 43 mil estudantes de licenciatura, é, na verdade, mais reduzido do que tem sido nos últimos anos.

Numa altura em que a maioria das universidades procura aumentar o número de matrículas para reforçar as suas finanças, o Arizona está a fazer precisamente o contrário. No Outono de 2025, a turma de estudantes do primeiro ano diminuiu quase um quinto — uma mudança que os responsáveis descrevem como intencional. 

O presidente e o vice-reitor consideraram que demasiados estudantes estavam a entrar sem preparação suficiente. Pretendiam aumentar a taxa de conclusão dos cursos, que é inferior à de qualquer uma das instituições comparáveis do Arizona. E queriam reduzir o montante de apoio financeiro atribuído a estudantes que não eram do Arizona.

Algumas universidades públicas de referência limitaram o crescimento nos últimos anos para evitar a sobrelotação, num contexto de aumento de popularidade. Mas a lógica do Arizona — admitir menos estudantes para aumentar a conclusão dos cursos e reduzir custos — destaca-se.

Há dúvidas quanto ao grau em que a quebra no número de novos estudantes no Outono passado foi estratégica ou uma surpresa desagradável. E a redução de custos não foi apenas algo desejável; foi uma necessidade. O Arizona saiu recentemente de um défice orçamental de 177 milhões de dólares criado pela própria instituição — resultado de previsões deficientes e de comunicação inadequada. O anúncio de uma «crise financeira» foi um diagnóstico chocante para uma grande universidade num Estado em crescimento, aparentemente o tipo de instituição que deveria estar a prosperar.

Dois anos depois, os responsáveis insistem que o campus está a prosperar, que o défice foi resolvido e que as turmas sobrelotadas pertencem ao passado. 

A universidade espera remodelar ainda mais o perfil dos estudantes do primeiro ano através de alterações na sua estratégia de admissões, criando um prazo antecipado de candidatura (early action) com prioridade na atribuição de bolsas e eliminando a aceitação automática com base em determinados valores de média académica. (O Arizona ainda não divulgou os dados preliminares relativos ao número de estudantes previsto para o próximo Outono; os responsáveis afirmaram, na semana passada, que tanto a taxa de aceitação de vagas como a média académica dos estudantes do primeiro ano aumentaram. O prazo para confirmação da inscrição, tradicionalmente a 1 de maio, foi prolongado até 15 de maio.)

Alguns, em Tucson, vêem, contudo, grandes riscos nestas mudanças. Se estas resultarem numa turma demasiado pequena, a universidade poderá voltar a enfrentar problemas financeiros. E, se conduzirem a um corpo estudantil mais rico e menos diverso do que anteriormente, os responsáveis terão de responder a questões sobre quem a universidade realmente serve.

A Universidade do Arizona aumentou a sua taxa de admissão nos últimos anos e aceita actualmente mais de 80% dos candidatos. Mas, ao mesmo tempo, a universidade tem recebido um número muito elevado de candidaturas «que talvez não fossem sérias», e procurava atrair esses candidatos através da concessão de apoios financeiros generosos, afirmou o presidente, Suresh Garimella.

Garimella afirmou que, quando esses estudantes não tinham notas suficientes para entrar noutras instituições, acabavam por escolher o Arizona e enfrentavam dificuldades académicas, por vezes sem conseguirem concluir os estudos.

«Talvez não os devêssemos ter trazido para cá em primeiro lugar», afirmou. «Quero ter cuidado com a forma como digo isto, porque alguns desses estudantes já estão aqui. Não quero dizer que não deviam estar aqui, mas penso que a nossa nova abordagem é muito mais responsável do ponto de vista ético no que diz respeito à admissão dos estudantes mais adequados.»

Em 2025, o Arizona reduziu os significativos descontos nas propinas para estudantes provenientes de outros Estados, diminuindo uma categoria de apoios financeiros atribuídos com base no mérito académico que os responsáveis receavam não ser suficientemente selectiva e que teria atraído para o campus estudantes menos preparados. A universidade também tinha despedido, em 2024, alguns recrutadores de admissões que estavam distribuídos pelo país, numa altura em que enfrentava dificuldades orçamentais.

Essas mudanças provocaram uma queda impressionante nas matrículas, após anos de rápido crescimento. No final de Setembro, o Arizona informou que a turma de novos estudantes tinha descido de 9.314 para 7.506. Esse número correspondia aproximadamente à dimensão das turmas do primeiro ano antes da pandemia.

O principal factor foi a diminuição do número de estudantes provenientes de outros Estados que efetivamente se matricularam, os quais representam quase metade dos estudantes de licenciatura. A taxa de concretização das matrículas (yield rate) entre os estudantes do primeiro ano vindos de outros estados caiu de 12,5% para 8,5% entre 2024 e 2025. O número de estudantes internacionais também registou uma quebra, à medida que os estudantes estrangeiros enfrentavam dificuldades relacionadas com vistos.

A administração apresentou estas mudanças de forma positiva. Segundo um comunicado, a nova estratégia «restabelece a dimensão tradicional das turmas do primeiro ano e aumenta substancialmente a percentagem de estudantes do Arizona». E, devido à redução da política de descontos, as receitas provenientes das propinas não sofreram alterações significativas, afirmaram os responsáveis.

«Somos instituições do Arizona e queremos dar prioridade aos habitantes do Arizona», afirmou Doug Goodyear, presidente do Conselho de Regentes do Arizona. «Portanto, não se trata apenas de as turmas serem demasiado grandes, mas também de o montante de apoio financeiro concedido a estudantes de fora do Estado ter sido demasiado elevado.»

A vice-reitora Patricia Prelock, que assumiu funções em Maio passado, escreveu um artigo de opinião no Arizona Daily Star a contrariar um impulso comum no ensino superior: o de continuar a crescer.

«A cada Outono, as universidades entram numa corrida para celebrar o crescimento das matrículas, como se mais significasse automaticamente melhor», escreveu Prelock. «Mas o número de alunos, por si só, esconde a missão: saber se os estudantes estão preparados para a exigência da universidade, quantos progridem até à conclusão dos cursos e, em última análise, quantos se formam preparados para um trabalho significativo e vidas realizadas.»

A taxa de graduação em seis anos do Arizona é de 70,9%. Das 14 instituições que o Arizona considera suas pares (e que, por sua vez, também o consideram par), todas têm taxas mais elevadas (a da Ohio State é de 86,6%, a da Michigan State é de 80% e a da University of Missouri at Columbia é de 76,6%, para citar alguns exemplos).

Prelock afirmou que gostaria de ver uma taxa de graduação em seis anos de 85% e uma taxa de retenção do primeiro para o segundo ano de 90% (a instituição situa-se atualmente nos 83,2%).

«Por cada estudante que conseguimos reter, a universidade poupa dinheiro, e o estudante também poupa dinheiro», afirmou Prelock. «E por cada estudante que consegue concluir o curso em quatro anos, isso representa uma vantagem financeira significativa, tanto para o estudante como para a universidade.»

Para a turma que entra no Outono de 2026, a Universidade do Arizona introduziu novas alterações para tentar construir um corpo estudantil mais competitivo.

Anteriormente, os candidatos tradicionais tinham admissão garantida na universidade se frequentassem uma escola secundária acreditada e estivessem, ou nos 25% superiores da sua turma de finalistas, ou tivessem uma média ponderada não ajustada de 3,0 até ao 11.º ano em determinadas disciplinas.

«Era realmente um processo de admissão baseado na média final», disse Garimella ao The Chronicle. «Tinha uma média de 4,0, recebia este nível de bolsa. 3,9, recebia este. 3,8, recebia este. O número de estudantes admitidos aumentou muito ao longo de quatro ou cinco anos com essa abordagem.»

Mas alguns dos estudantes que esse modelo trouxe «não estavam preparados para aguentar o ritmo», afirmou, e não conseguiram manter-se nem concluir os estudos em números suficientes.

Agora, todos os candidatos são avaliados através de uma análise mais abrangente — desempenho académico, actividades extracurriculares e uma redacção — típica de instituições com selectividade moderada. A universidade também introduziu um prazo de candidatura antecipada (early action) em Novembro, para concentrar a atenção dos candidatos mais motivados.

A universidade também restaurou e reforçou os cargos de recrutadores de admissões. Prelock afirmou compreender porque é que esses postos foram eliminados, mas sublinhou que eram importantes.

«Tenho a certeza de que foi por isso que [as matrículas] também estiveram baixas no último ano», disse Prelock, reconhecendo que a descida não foi inteiramente intencional, «porque não havia pessoas no terreno a contar verdadeiramente a história da Universidade do Arizona.»

Além disso, o Arizona está a tentar simplificar e melhorar a oferta de alojamento e os serviços estudantis, afirmou Amanda Kraus, vice-reitora dos assuntos estudantis. Um novo edifício de residências universitárias, com capacidade para 1.200 estudantes e uma cantina integrada, deverá abrir no outono de 2028.

O Arizona está também a avançar para a expectativa de que os estudantes de primeiro ano, em início de licenciatura, vivam no campus. As autoridades calcularam que os estudantes do primeiro ano que vivem no campus apresentam, em média, uma taxa de retenção do primeiro para o segundo ano de 81%, comparativamente a 73% entre os que vivem fora do campus. Aqueles que vivem no campus durante um ano ou mais têm uma taxa de graduação em quatro anos 50% superior. Haverá excepções para estudantes que vivam num raio de 30 milhas do campus ou que enfrentem circunstâncias ou dificuldades específicas.

«Sabemos que os estudantes que vivem no campus têm um desempenho melhor, por isso estamos a investir nisso», afirmou Kraus.

Joshua Travis Brown, professor assistente na Escola de Educação da Universidade Johns Hopkins, afirmou que há alguma verdade na ideia de que, quanto mais pontos de contacto um estudante tem, maior é o sentido de pertença, maior o acesso a serviços de apoio e maior a probabilidade de o estudante permanecer na instituição. «É menos provável que se perca pelo caminho porque só vai ao campus numa terça ou quinta de manhã, ou numa terça e quinta à noite, e no resto do tempo está apenas na comunidade local.»

O próprio Brown começou os seus estudos no Arizona, vivendo em casa. Descreveu o campus como um «mar de indivíduos», muito maior do que a sua escola secundária em Tucson. Após um ano perdido no meio da multidão, transferiu-se para uma instituição religiosa mais pequena fora do Estado.

«Porque estava no campus, mergulhei na cultura da instituição para a qual me transferi e acredito que me tornei uma pessoa melhor por causa disso», afirmou. «Sou, ironicamente, um desses indivíduos … a quem a Universidade do Arizona está agora a começar a dar mais atenção.»

A estratégia de redução do Arizona levanta questões sobre aquilo que, exactamente, a universidade pretende tornar-se e a quem quer servir.

A universidade tem de lidar com a sua vizinha gigantesca, a Arizona State University, que cresceu exponencialmente nas últimas duas décadas e se tornou pioneira no ensino online. As duas instituições têm taxas de admissão e de graduação semelhantes. Encontrar formas de diferenciar o Arizona da ASU parece ser essencial para traçar um caminho futuro, mesmo que os responsáveis da universidade não o expressem explicitamente dessa forma. «Somos todos amigos e felizes no Arizona», afirmou Goodyear, presidente do conselho.

Leila Hudson, professora associada de estudos do Médio Oriente e presidente do Senado Académico, mostrou-se menos sentimental em relação à concorrência com a ASU e aludiu a uma diferença significativa entre os dois campus: o Arizona teve seis presidentes no mesmo período em que Michael Crow liderou a ASU.

«Eles estavam a ganhar-nos terreno enquanto a nossa liderança hesitava e cometia erros», afirmou.

Hudson e outros docentes mostram-se compreensivos quanto à necessidade de manter turmas com dimensões mais controladas, mas preocupados com o facto de a universidade poder deixar de estar acessível a estudantes de todas as origens sociais.

A universidade tem uma elevada proporção de estudantes de licenciatura hispânicos e latinos, de 27,8%, e uma percentagem significativa de estudantes elegíveis para bolsas Pell, de 28,4%. O campus ocupa quase 400 acres no centro de Tucson, a cerca de uma hora da fronteira com o México e próximo de várias nações indígenas.

Nolan Cabrera, professor no Centro de Estudos do Ensino Superior que investiga as dinâmicas raciais nos campus universitários, afirmou que a redução do número de estudantes considerados «em risco» está claramente ligada a questões de raça e classe.

«Estamos a pegar em estudantes que já têm privilégios, trazê-los para cá e dizer: “Vejam, somos uma instituição melhor” nesse processo», afirmou Cabrera. Em contrapartida, acrescentou, a universidade pode fazer uma grande diferença para estudantes de reservas e de zonas mais pobres do estado.

Cabrera, que lecciona na universidade desde 2011, disse que os últimos presidentes da instituição tiveram todos a ideia errada de que poderiam transformar o Arizona numa «instituição pública de elite ao nível de Berkeley ou Michigan». Mas, segundo ele, a universidade nunca terá os mesmos recursos nem atrairá o mesmo tipo de estudantes.

Hudson descreveu a taxa de graduação do campus como um «tema sensível».

«Somos muito cautelosos com qualquer modelo que seja explicitamente ou implicitamente desenhado para selecionar estudantes tipicamente brancos, de classe média ou média-alta, à custa das nossas comunidades sub-representadas», afirmou Hudson. «Somos, e devemos ser, igualmente acessíveis a todos os estudantes do Arizona, por isso [o corpo docente] rejeita de forma muito firme qualquer … modelo que procure melhorar as nossas taxas de retenção e de graduação através de uma seleção demográfica dos nossos estudantes.»

Hudson disse que houve confusão este ano em torno das alterações nas admissões, uma vez que estudantes que poderiam ter assumido que seriam admitidos acabaram por não ser, tendo de procurar outras opções.

Questionada sobre as preocupações dos docentes, Prelock afirmou que existem muitas perceções erradas. Segundo ela, circulam anedotas — por exemplo, sobre o filho de alguém que não foi admitido —, mas estas não contam a história completa.

«Quando os docentes têm preocupações ou veem uma mudança, querem sempre saber: “Ok, como é que isso me vai afectar?”», afirmou ela. Sublinhou que o sucesso dos estudantes deve ser a bússola orientadora (North Star).

«Não é apropriado», disse a vice-reitora, «aceitarmos estudantes que sabemos que não têm qualquer hipótese de ter sucesso e que não têm meios financeiros para isso.»

https://www.chronicle.com/article/the-university-that-chose-to-shrink

O maior custo das guerras



Guerra Civil americana

A 14 de julho de 1861, logo no início do conflito, o major Sullivan Ballou, de Providence, Rhode Island, escreveu a sua última carta à «Minha Queridíssima Esposa», Sarah. Ballou antecipou a Primeira Batalha de Bull Run, a primeira grande batalha da guerra e quis explicar por que estava disposto a dar a vida pelo seu país e qual seria o custo disso.

«Minha Queridíssima Esposa

Se for necessário que eu caia no campo de batalha pelo meu país, estou pronto. Não tenho dúvidas nem falta de confiança na causa em que estou empenhado e a minha coragem não vacila nem enfraquece. Sei o quanto a civilização americana depende agora do triunfo do governo e quão grande é a dívida que temos para com aqueles que nos precederam através do sangue e do sofrimento da Revolução e, estou disposto, perfeitamente disposto a abdicar de todas as minhas alegrias nesta vida para ajudar a manter este governo e para pagar essa dívida.

Sarah, o meu amor por ti é eterno. Parece prender-me com laços indestrutíveis, que só a Onipotência poderá romper; e, no entanto, o meu amor pela pátria invade-me como um vento forte e leva-me irresistivelmente, com todas essas correntes, para o campo de batalha.

As memórias de todos os momentos felizes que passei contigo vêm-me à mente e sinto-me profundamente grato a Deus e a ti por ter desfrutado deles durante tanto tempo. E como é difícil para mim abdicar deles e reduzir a cinzas as esperanças dos anos futuros, quando, se Deus quiser, ainda poderíamos ter vivido e amado juntos e visto os nossos rapazes crescerem ao nosso redor
até uma honrosa idade adulta.”

Ballou morreu na Batalha de Bull Run. Este é o maior custo das guerras. Hoje é o Dia da Lembrança nos EUA. Em Portugal, apesar dos nossos quase 900 anos de história com tantas guerras para defender as nossas fronteiras -que se mantiveram mais ou menos as mesmas durante todo este tempo- não temos um dia de recordar os que fizeram esse último sacrifício em nome da pátria. Comemora-se os que caíram na Primeira Grande Guerra e na Guerra do Ultramar, mas a nossa história como país com este nome de Portugal começou no século XII, não no século XX. 

May 23, 2026

Paralelismos


Outro pacífico excelso de algibeira.


Os flotilhos são pacíficos e excelsos como li hoje num artigo de jornal?



Talvez não. Estes chegaram a Espanha, atacaram polícias, barraram as portas do aeroporto para tirar selfies e gritar free palestine e acabaram presos, depois de resistir à prisão. Uma coisa é o comportamento de um ministro israelita ser execrável e indigno, outra é os flotilhos dizerem que são vítimas.


Quem foi a 1ª pessoa a perceber quem era Putin?

 

Tom Clancy? Em 1984 (uma coincidência Orwelliana), no ano da chegada de Putin ao KGB de Moscovo (outra coincidência) Clancy escreveu o seu romance de estreia, The Hunt for Red October, um thriller de espionagem naval passado em submarinos - o 1º livro da série de Jack Ryan. No livro, o comandante Marko Ramius, um capitão de submarino soviético, tenta desertar para os Estados Unidos com o «Outubro Vermelho» — um submarino nuclear experimental, praticamente indetectável. O nome da doninha do KGB a bordo do submarino da URSS, responsável por controlar Ramius chamava-se Putin. Putin não é um nome vulgar na Rússia nem em lado algum. Clancy deve ter feito uma grande pesquisa para o filme e deve ter ido dar com Putin. Conheceu-o, de uma maneira ou de outra, e topou-o pelo que é. No livro, o comandante Ramius não tem dúvidas sobre o tipo de pessoa que ele é e dá-lhe sumiço antes que ele estrague tudo e mate todos.

Quem também o topou muito bem foi Margaret Thatcher. Quanto a essa não há dúvida, pois Clancy tê-lo topado é uma suposição. Porém, Thatcher disse-o publicamente aquando do desastre do submarino Kursk em 2000 (outra coincidência). Falou do seu desinteresse e total desrespeito pela vida humana, They still do not value human life in the same way that we do.


Estou a reler a Odisseia de Homero

 


Li que Christopher Nolan está a rodar um filme sobre a Odisseia e resolvi reler o livro. Li a Odisseia quando era adolescente numa versão resumida para adolescentes de uma coleção de clássicos para a juventude que a minha mãe comprava para nós. 

Depois, comprei-o quando acabei o curso numa altura em que andava muito interessada em ler gregos e medievais. Essa edição era uma tradução inglesa e nessa altura ainda tinha dificuldade com poesia em inglês e ia lendo pedaços. Entretanto, há uns anos saiu esta edição da Quetzal e comprei-a mas ainda não tinha lido, só folheado. 





Há uns meses comprei outra edição da obra numa tradução inglesa de uma mulher (esta aqui ao lado) porque li um artigo a dizer que era a primeira tradução da Odisseia feita por uma mulher e que a perspectiva era algo diferente das dos homens. Fiquei com curiosidade.

Então, ontem comecei a ler a tradução portuguesa, depois de ler sobre umas polémicas com a abordagem de Nolen.

Estou a ler o livro como quem lê um romance, isto é, não páro para ir ler as notas (a não ser que alguma passagem me desperte curiosidade ou dúvida), dado que já conheço as histórias e as personagens principais - não todas, pois são muitas, mas não preciso de saber o nome de todos.

O que estou a fazer é a comparar com a versão inglesa de Emily Wilson, nas passagens que me parecem ter um olhar masculino na tradução. Não há grandes diferenças -até agora- mas há nuances.

Estou a ler um canto por dia. São mais ou menos 15 páginas. Sendo que são 24 cantos, no fim de Junho está lido. Por acaso lembrei-me que podia ler esta obra e gravar no YouTube como fiz com o Guerra e Paz. Essa obra levou-me pelo menos 9 meses a ler e gravar as leituras. Esta levaria um mês. Podia fazer isso nas férias. Quinze páginas lêem-se num instante. Se tiver disposição logo faço. Para quem nunca leu e não lhe apetece ler, mas gostava de conhecer e gosta que lhe leiam. Veremos.

Tenho pena de saber quase nada de grego antigo. O suficiente para perceber umas citações de filosofia que aparecem nos livros, mas não para ler um livro, nem de longe nem de perto. Se tivesse menos vinte anos ia aprender grego antigo porque uma obra desta deve perder muito na tradução, por muito boa que seja. Dantes era mais difícil aceder ao conhecimento. Conciliar um trabalho desgastante física e intelectualmente, mais a vida particular com filhos e o estudo, sobretudo em outra cidade. Pelo menos para as mulheres. Hoje-em-dia os miúdos queixam-se de muitas dificuldades, o que é verdade, mas têm enormes facilidades no acesso à informação que nós não tínhamos.

Enfim, entretanto, li que há uma polémica com a escolha de Lupita Nyong'o para o papel de Helena de Tróia, no filme de Nolan, pelo facto dela ser negra. Não sei qual é a dinâmica do filme. Uma coisa seria fazer uma espécie de documentário seguindo à risca as descrições de Homero, outra é fazer um filme de aventuras com deuses e heróis. 

O que define a profissão de actor é representar outros diferentes de si e se assim não fosse, um heterossexual só podia ser representado por um heterossexual, um gay por um gay, um judeu por um judeu, um nazi por um nazi, etc. 

Claro que se o filme fosse sobre a figura histórica de Napoleão, ele teria de ser branco e se fosse sobre a luta de Martin Luther King sobre os direitos civis dos negros, ele teria de ser negro, mas fora esses casos onde a cor da pele ou outra característica tem importância para a integridade da personagem, o resto são actores a representar pessoas diferentes de si.

Helena de Tróia só tem de ser bonita para não atraiçoar a integridade da personagem. Lupita Nyong'o é uma mulher bonita, de maneira que não percebo a polémica. 

Quantos actores e cantores brancos já interpretaram Otelo no teatro, na Ópera...?

Agrada-me que Nolan faça um filme sobre a Odisseia. O Ocidente, por influência da esquerda socialista e comunista impôs o desprezo pela história e pelas raízes da nossa história comum europeia, que é o mesmo que impôr a alguém o esquecimento da sua família e das suas origens. Espero que o filme seja bom, tenha sucesso e seja visto por muita gente.

🎯

 


Habituar os alunos a saber ler nas entrelinhas

 

Ontem aproveitei, para as aulas do 10º ano, uma declaração de uma psiquiatra numa TV sobre o caso das crianças abandonadas, para mostrar como podemos conhecer a posição metafísica de uma pessoa relativamente a um problema, neste caso à questão do livre-arbítrio, mesmo sem a pessoa no-lo dizer clara e explicitamente. Mesmo que ela não soubesse -o que não será o caso- que está a mostrar uma posição filosófica numa questão metafísica. Habituar os alunos a saber ler nas entrelinhas, fazendo uso de temas que trabalhámos nas aulas para fazer inferências significativas e ganhar conhecimentos sobre os outros e o mundo. A psiquiatra em questão usou um argumento determinista sem o referir enquanto tal. A 3ª formulação do imperativo kantiano, sobre os outros seres racionais serem, e deverem, ser tratados, também como legisladores universais, parece-me muitas vezes uma prevenção do determinismo que nega aos outros autonomia moral. As ciências, em especial as ciências duras, são muito deterministas e há uma fatia grande da realidade que não se submete ao método experimental e lhes escapa.


Não percebo o bullying a este governo relativamente à imigração

 

Ainda assim, o passivo ultrapassa os 133 mil processos. Por isso, numa iniciativa do CSTAF, ao verificar-se o aumento diário do número de processos contra a AIMA, foi criada esta task force. No total, são 28 juízes e juízas em regime de acumulação de funções durante três meses, sendo possível prorrogar esse período por igual duração. https://www.dn.pt/sociedade/aima


Quem deixou este caos foi o governo de Costa, que era do PS, suportado pela geringonça implícita. Do que li em jornais, o BE até tinha, ou tem, uma morada onde estão referidos milhares de processos de entrada em Portugal de imigrantes ilegais, completamente à revelia de qualquer verificação de cadastro. Isto é que me parecem crimes e não este governo estar a tentar regularizar a situação. Há falta de agentes na AIMA? Isso é outra história mas que vem da mesma história de Costa ter desfeito os serviços de estrangeiros e fronteiras, provavelmente para safar um amigo que só fez porcaria no governo. 


Quando a justiça funciona



A médica é que tem razões para pedir indemnizações aos chefes por danos causados. Não sei se lhe destruíram a carreira. Eles merecem a má reputação. A questão que fica é: quem é administrador do hospital que nada sabe sobre os agouceiros que tinha ao serviço.


Tribunal iliba médica de Faro de pagar indemnização e considera que denúncias de más práticas serviram “bem maior”

Médico alegava danos reputacionais, após as denúncias de más práticas clínicas e negligência feitas pela médica interna Diana Pereira há três anos

A Relação de Évora, num acórdão proferido esta sexta-feira, considerou que a médica interna Diana Pereira “fez aquilo que tinha de ser feito” e que as suas 11 denúncias de más práticas clínicas por parte de colegas do serviço de cirurgia do Hospital de Faro serviram “um bem maior, como é salvaguarda da vida e da integridade física dos utentes”. “Existia um interesse legítimo, quer para a denúncia, quer para a divulgação dos casos”, lê-se no documento.

Além disso, foi a divulgação pública que permitiu que a situação fosse alvo da atenção que merecia e algo aí mudasse”, “tendo ficado demonstrado que algo profundamente anormal se passava no Serviço de Cirurgia Geral do Hospital de Faro”, lê-se ainda no acórdão do Tribunal da Relação de Évora. De recordar que três doentes submetidos a intevenções cirúrgicas denunciadas por Diana Pereira acabaram por morrer.

Em dezembro, a médica interna já tinha sido absolvida pelo Tribunal Cível de Faro do pedido de indemnização, decisão que foi então recorrida pelo diretor de serviço Martins dos Santos, que levou a denunciante a tribunal por difamação, concretamente por ter “manchado o seu bom nome e reputação”.

Diana Pereira também denunciou o seu então orientador, o médico cirurgião Pedro Henriques, que “por várias vezes delegou na ré [nela] a realização de cirurgias como cirurgiã principal ainda sem experiência suficiente para tal e muitas vezes apenas acompanhada por ele”, indica ainda o documento proferido pela Relação de Évora.


Quem arruina a confiança na justiça são os juízes


Inglaterra - três rapazes violam duas raparigas, filmam-se a violá-las e a rir, partilham as imagens e o juiz elogia-os e mete-os na rua sem um dia de cadeia. É óbvio que este juiz é um violador que entende o que eles fizeram como normal e não está disposto a prender machos por causa de raparigas. Não sei como é que este juiz não é imediatamente despedido pelos seus pares superiores. E não sei como é que a família das raparigas se vai contar para não fazer justiça pelas suas próprias mãos. São estes juízes que arruinam a confiança na justiça.

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Adolescentes escapam à prisão por 11 violações depois de o juiz ter elogiado o seu comportamento em tribunal

Três adolescentes que violaram duas jovens sozinhas em ataques separados saíram em liberdade do tribunal depois de um juiz ter elogiado o seu comportamento e lhes ter dito: «Nenhum de vocês precisa de ir para a prisão hoje.»

Os violadores – com idades entre os 13 e os 14 anos na altura – gravaram os ataques nos seus telemóveis, rindo e incitando-se uns aos outros enquanto superavam em número as suas vítimas «encurraladas e petrificadas».

Uma das raparigas disse ao Tribunal da Coroa de Southampton durante a audiência de sentença: «Tudo o que quero é morrer.»

O tribunal tomou conhecimento de que dois deles foram diagnosticados com TDAH, e o juiz Nicholas Rowland afirmou que era necessário «evitar criminalizar estas crianças desnecessariamente» e «apoiar a sua reintegração na sociedade».

Dirigindo-se aos rapazes, disse: «Considero-vos muito jovens e nenhum de vós se meteu em grandes sarilhos anteriormente.

Todos vocês se comportaram muito bem com as restrições impostas ao longo do julgamento. [O segundo rapaz] e [o terceiro rapaz], os vossos problemas são bastante graves.»

Dirigindo-se às vítimas cujas vidas foram arruinadas pelos ataques, acrescentou: «Espero que, quando recordarem o dia de hoje, encontrem algum conforto no facto de terem demonstrado coragem ao comparecerem em tribunal.»

https://metro.co.uk/2026/05/21/teenagers-raped-two-young-girls-spared-jail-to-avoid-criminalising-them-28465762/



Portanto, confirma-se que manipulam as informações para nos manipular

 

Fui ver qual é diferença entre o nível de segurança e o nível de pacificidade de uma país:

O nível de segurança mede a protecção dos cidadãos contra a criminalidade e a violência no dia-a-dia. O nível de pacificidade é um conceito mais amplo, que avalia a ausência de guerras (internas e externas), o grau de militarização e as relações diplomáticas de um país.