August 29, 2026

do gabinete de curiosidades - The Wicked Bible




The Wicked Bible (a Bíblia perversa) é uma impressão autêntica da Bíblia do Rei Jaime (The King James Bible). Datada de 1631 e produzida pelos impressores reais londrinos Robert Barker e Martin Lucas, ganhou a sua infame designação devido a um erro tipográfico: os compositores omitiram a palavra «não» no Sétimo Mandamento (Êxodo 20:14). Assim, em vez de «Não cometerás adultério», a passagem ficou: «Cometerás adultério» (Thou shalt commit adultery)

O rei Carlos I, quem encomendou a edição de 1631, ficou furioso quando tomou conhecimento do erro. Ordenou a sua destruição e quase todos os 1000 exemplares impressos foram queimados e destruídos. Os impressores perderam também a licença e foram alvo de pesadas multas.

Sobrevivem cerca de 20 exemplares conservados em museus e colecções privadas. Devido à sua raridade, os poucos exemplares sobreviventes valem dezenas de milhar quando aparecem em leilão.

Não foi o único erro tipográfico da Wicked Bible. Em Deuteronómio 5:24, a palavra greatness («grandeza») foi impressa erradamente como «great-asse». O erro transformou uma passagem que louva a glória de Deus numa frase que dizia, «Eis que o Senhor, nosso Deus, nos mostrou a sua glória e o seu grande-rabo.» (talvez asse se traduzisse por asno...) Lá se foi a glória de Deus e a licença dos editores reais. 

Os historiadores referem que alguns exemplares sobreviventes parecem ter tentado ocultar este erro secundário com uma mancha de tinta e alguns investigadores chegaram ainda a avançar a hipótese de que o segundo erro, em Deuteronómio 5:24, poderia ter sido um acto deliberado de sabotagem por parte de impressores rivais, com o objectivo de desacreditar os editores reais. Se foi, teve sucesso.


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Johanna Nyman

A Rússia tem de pagar pela devastação que infligiu à Ucrânia. Continuam a existir 300 mil milhões de dólares em activos russos congelados nos sistemas financeiros ocidentais. Deixá-los intocados poderia permitir que a Rússia utilizasse esses activos para financiar a sua próxima guerra. Esses activos pertencem, por direito, à Ucrânia.

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Isso e as eleições na França e Alemanha correrem bem para os terroristas do Kremlin...

Quanto à "próxima guerra", só existe se os europeus continuarem a adiar o inevitável.


A escalada dos terroristas do Kremlin avança porque vêem a inacção da Europa

 

(e sabem da conivência dos EUA - Merz, onde estão os Taurus que prometeste? - 

O ataque a Kyiv e à região já se arrasta há quase 53 horas. Durante este período, as sirenes de ataque aéreo soaram 25 vezes na capital. Todos os líderes europeus parecem estar de férias.    - @jurgen_nauditt


Donald Tusk


Mark Rutte @SecGenNATO acaba de partilhar comigo a sua avaliação da situação na região e na frente ucraniano-russa. Tal como tenho vindo a alertar, a escalada por parte da Rússia está a avançar. A Ucrânia necessita de maior apoio aéreo, o que é também crucial para a nossa segurança. Esta é uma tarefa para toda a Europa. Os próximos seis meses serão decisivos e, enquanto Polónia e NATO, temos de estar preparados para vários cenários. Não podemos excluir a possibilidade de provocações por parte da Rússia contra um dos membros da NATO.

Quanto mais falam mais mostram o seu extremismo até à violência


 

O terrorismo, a FDLPalestina e a Festa do Avante!

Domingos Lopes

Como se sabe (às vezes não dá jeito ter presente) ao longo da História os que foram apelidados de terroristas acabaram no poder. Cristo foi crucificado por ser considerado um subversivo. Hoje está no coração de milhares de milhões de cidadãos. Espartaco, o escravo que liderou a luta pela libertação do esclavagismo, foi considerado terrorista pelo Império Romano e crucificado. O indiano Mahatma Gandhi, o apóstolo da não-violência, era um terrorista para a monarquia britânica. Nelson Mandela era considerado pelo regime sangrento do apartheid terrorista e esteve preso 27 anos. Agostinho Neto, Amílcar Cabral, Eduardo Mondlane e Samora Machel eram considerados pelo fascismo português terroristas. Assim como os dirigentes da FNL da Argélia eram igualmente tidos como terroristas pelos colonialistas franceses. Os independentistas do futuro EUA eram terroristas para o Império britânico. Os exemplos encheriam páginas e páginas.


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Este indivíduo põe no mesmo saco, dando como exemplo de terroristas, com grande desonestidade intelectual (ou se calhar faz parte da blob, ou talvez seja o fanatismo dogmato-religioso à ideologia), Cristo, Espartaco, Gandi, Mandela, Amílcar Cabral, Eduardo Mondlane e Samora Machel, Agostinho Neto, a FNL da Argélia e a FPLP.

Não consta que Cristo, Espartaco, Gandi, Mandela, Amílcar Cabral, Eduardo Mondlane e Samora Machel tenham organizado atentados terroristas, tenham mandado violar mulheres e transmitir ao vivo para a página de FB dos familiares, tenham mandado matar filhos em frente de pais, tenham mandado matar pais em frente de filhos, arrancar a cabeça à machadada a civis, só por serem judeus ou de outra confissão qualquer, tenham mandado estrangular crianças, tenham mandado as crianças do seu povo fazerem-se explodir, tenham mandado roubar comida ao seu próprio povo, educá-los para serem assassinos, tenham mandado degolar civis e mais um sem número de barbaridades.

Pelo contrário, Cristo era um homem que falava de paz; Espartaco nunca levou a cabo ou sequer defendeu tácticas terroristas e visava sempre as Legiões Romanas que o perseguiam; Gandi era conhecido pela estratégia da luta sem violência (que veio a influenciar Martin Luther King nos EUA); Amílcar Cabral era um homem da resistência pela competência e pelo diálogo, uma pessoa de grande nível; Mandela falava activamente contra a violência e a favor da reconciliação com inteligência; Mondlane estava em guerra mas focava-se em atingir apenas objetivos militares, logísticos e administrativos do Estado colonial português e nunca recorreu a tácticas de assassinar indiscriminadamente civis e semear o pânico e o terror; igualmente, Machel nunca recorreu a tácticas terroristas nem alguma vez alguém o acusou disso. 

O facto de em todas as guerras todos chamarem a todos terroristas, não é o que define um terrorista nem serve de argumento. O que define um terrorista são as suas acções terroristas. É por isso que o Movimento do 25 de Abril, não foi um movimento terrorista, mas as FP-25 foram um movimento terrorista, apesar de ambos terem sido chamados terroristas por alguns. Porém, só um deles recorreu a acções terroristas.

Já Agostinho Neto, apoiado pela URSS, recorreu a tácticas terroristas soviéticas (para quê julgamentos se posso executar o povo), mas contra o seu próprio povo, já depois da independência para se manter no poder, ao modo dos ditadores comunistas, até aos dias de hoje. Mas mesmo assim, não estamos a falar do grau de terrorismo da FNL da Argélia e da FPLP.

A FNL da Argélia recorreu assumidamente a tácticas de terrorismo: atentados à bomba, o Massacre de Philippeville em 1955, onde atacaram civis de origem europeia (os pieds-noirs), assassinando brutalmente, à maneira do Hamas, homens, mulheres e crianças. Execuções e degolações do próprio povo para assegurarem lealdade pelo terror, o que conseguiram, pois logo após a independência instituíram-se como partido único incontestado pelo terror.

A FPLP (da Palestina) sequestrou aviões comerciais internacionais e matou pessoas nesses sequestros, levou a cabo atentados suicidas para matar o maior número de pessoas possível, reclama uma carrada de assassinatos e esteve metida nos ataques bárbaros do 7 de Outubro.

Portanto, quando li a notícia do convite do PCP a uma organização terrorista ainda pensei que fosse só provocação, mas pelo artigo deste Domingos Lopes, ficamos a perceber que têm mesmo um fascínio pela violência e nenhum escrúpulo em defendê-la, mesmo recorrendo à desonestidade. 

Agora ainda me parece mais grave o envolvimento de um partido da AR com uma organização terrorista, dado que glorifica a seu recurso à violência e o quererem trazer para o país membros dessa organização.

Espero que os barrem à entrada, dado que estão classificados pela UE (uma carrada de gente de esquerda) como organização terrorista e muito perigosa.

Se um outro partido qualquer escrevesse o que este tipo escreveu na defesa da confraternização com uma organização terrorista, era a única conversa dos MCS mas o PCP e a esquerda extremista em geral têm privilégios aqui no país - mas quanto mais falam mais mostram o seu carácter de extremismo até à glorificação da violência. 

Podia dizer que estou surpreendida por ver o PCP defender o terrorismo. Mas não estou. São grandes defensores de Putin (de Estaline, etc.) e dos islamitas terroristas.

Que o Público publique um artigo de glorificação da violência como meio político, surpreender-me-ia aqui há uns bons anos. Já não.

"Os bons professores estão sob ataque"

 

Os bons professores estão sob ataque, escreve o nosso editor Michael Gove no artigo de capa desta semana.

Escolas verdadeiramente transformadoras, como a Michaela Community School e a Mercia School, que melhoram os resultados das crianças da classe trabalhadora e das minorias étnicas, são ridicularizadas ou ignoradas por grande parte do establishment educativo. 

Entretanto, os membros da Faculdade de Educação da Universidade de Cambridge, uma das instituições de formação de professores mais prestigiadas do país, propagam uma ideologia que rejeita a necessidade de disciplina, conhecimento, avaliações e até mesmo a própria ideia das escolas. 

Uma membro sénior do corpo docente, a professora Hilary Cremin, mostra-se céptica em relação ao conceito de «verdade empírica»; o seu último livro cita Foucault com aprovação, condena as escolas como relíquias de uma noção neoliberal falhada de modernidade e apresenta os seus próprios poemas como prova. 

No entanto, esta teoria é amplamente refutada pelos dados sobre o progresso académico dos alunos e pelas próprias escolas que os seus defensores desprezam. 

Jolyon Maugham quer um inquérito à imprensa na sequência da morte de Jason Arday, mas o verdadeiro alvo deveria ser a Universidade de Cambridge, argumenta Michael Gove. E se se concluir que a Faculdade de Educação deve encerrar, os fundos dos contribuintes assim libertados poderiam ser canalizados para ajudar mais escolas como a Michaela.
spectator

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[A ideia de 'educação' da nova-esquerda, seguida por todos os outros, é baseada em pensadores como Foucault, que defendia que a educação e a instituição escolar são, sobretudo, mecanismos de poder disciplinar que visam produzir corpos dóceis, obedientes e normalizados. Logo, a educação deve tirar a autoridade a professores, deve idolatrar a liberdade da criança fazer o que entende porque educá-la é um poder ditatorial que destrói a criança]

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A Vingança do 'Blob': os bons professores estão sob cerco

Michael Gove 

Jolyon Maugham tem razão. É necessário realizar um inquérito na sequência da trágica morte de Jason Arday. Mas, e não é a primeira vez, o diretor do Good Law Project identificou o alvo errado.

Não é a imprensa que precisa de ser investigada e responsabilizada. Se os jornais e revistas, incluindo este, cometerem erros ou falharem, difamarem ou caluniarem, então os tribunais podem aplicar sanções e os leitores podem afastar-se. Sobrevivemos para publicar, graças à procura do público. O verdadeiro foco da investigação — sustentada e detalhada — deve ser a Universidade de Cambridge e, em particular, a sua Faculdade de Educação. Foram eles os empregadores do professor Arday. Na verdade, mais do que isso, foram os seus defensores e apoiantes, atraindo as luzes da ribalta para alardear a sua nomeação.


spectator.com/article/revenge-of-the-blob-good-teachers-are-under-siege/?

Uma conversa sobre este artigo de Michael Gove que toca em pontos fulcrais do desastre que são as políticas de educação nos últimos 20 anos, (pelo menos) e não dão mostras de mudar, pelo contrário. Quando mais sucesso tem uma escola em ser capaz de melhorar as capacidades e resultados académicos dos alunos, mais é desprezada pelos académicos das novas pedagogias de mediocridade nascidas da nova-esquerda pseudo-progressistas. Os blobs - blob é um termo que vem do filme de ficção científica dos anos 90 em que cai na Terra uma criatura sem intelecto nem consciência moral, uma massa viscosa e peganhenta cujo único objetivo é consumir tudo o que se move.

Como diz um dos interlocutores deste diálogo, os [pseudo]progressistas de esquerda defendem estas escolas com estas pedagogias [pseudo]progressistas mas põem os filhos nas outras onde há resultados visíveis de sucesso académico.

A conversa sobre este artigo passa-se nos primeiro 15 minutos.

Fui ao mercado e andei a fazer perguntas

 

Perguntei às vendedoras das bancas e depois ao taxista que me trouxe a casa, o que pensavam da nova cor do mercado e das figuras. Todos me disseram que a nova cor é muito mais bonita e tem a ver com a cidade (a baía azul), ao contrário da anterior. E todos gostam de ver o mercado decorado com as peças que simbolizam o que lá se vende. Mas claro, isto é o povo a falar, nada que se compare às luminárias da oposição.

Tem sardinhas, salmonetes e um choco, peixes típicos daqui, fora a vaca, o porco, a flor, a couve, o pão, o polvo, as laranjas, as uvas... estas fotografias são tiradas de perto porque as figuras, vistas normalmente quando se vai lá, são relativamente discretas. Vêem-se mas não sobressaem, não se sobrepõem ao edifício.



Desfazendo preconceitos através do exame das fontes

 


A perda da fonte original não é um problema?

 

(...) A questão não é saber qual será o meio que prevalecerá, mas que tipo de cultura emerge quando as fronteiras entre os meios se tornam cada vez mais permeáveis — e quando a atenção, o juízo e a agência humanas têm de navegar numa ecologia em que o significado já não é produzido, preservado ou interpretado 
através de um único modo de comunicação 

Nenhum texto existe isoladamente, porque nenhum acto de escrita ou de leitura parte de um espaço linguístico vazio. Cada texto entra num campo constituído por textos anteriores, línguas, convenções, memórias, pressupostos e interpretações(...) 

-Dr. Faridul Alam (End of reading? A post-literate society in the making)

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A questão, no que me respeita, ainda é outra. O que acontecerá quando desaparecerem as obras originais, em pergaminho ou papel, como se está a prenunciar devido à sua destruição física por parte das empresas donas dos modelos de linguagem (IA)? 

Temos preservado o mais possível, ao longo de milénios, os textos originais de filósofos, escritores, dramaturgos, poetas, historiadores. Fazemos um esforço para traduzi-los o mais possível perto do que seria o seu significado original pela razão de reconhecermos que entre os humanos sempre houve pessoas de extraordinária visão, sabedoria, conhecimento, arte. Voltamos a essas fontes originais, uma e outra vez porque são mananciais para  abertura de novos conceitos, novas perspectivas significativas de abordagem ou solução de problemas humanos.

O que acontecerá quando tiverem destruído essas fontes e ficarmos à mercê da 'ética' da IA (que pode modificá-los, pervertê-los, adulterá-los) para lhes aceder? Não tendo já o documento original como fonte mas qualquer coisa que a IA apresenta? Já não é apenas a perda da capacidade de nos demorarmos intelectualmente no que é difícil ou estranho, a perda da linguagem complexa, mas também a perda de um corpo de ideias, conhecimento, testemunhos originais, substituídos por sucedâneos e falsas fontes.

Cada texto entra num campo constituído por textos anteriores, línguas, convenções, memórias, pressupostos e interpretações. 

Porém, faz muita diferença podermos ir para além de pressupostos e interpretações se pudermos confrontá-los com as fontes originais seguindo métodos de objectividade aceites como válidos pela comunidade.

Qualquer dia o 'documento puro', preservado na sua forma original vai ser uma espécie de Graal - isto, enquanto houver alguém interessado no conhecimento.


Leituras pela manhã - O fim da leitura? Uma sociedade pós-letrada em formação



O fim da leitura? Uma sociedade pós-letrada em formação


O que acontece a uma cultura quando a leitura deixa de ser o seu quadro epistemológico privilegiado — quando a longa passagem da oralidade e do logocentrismo, através do grafocentrismo, dá lugar a uma condição pós-grafocêntrica, na qual a IA já não se limita a ler textos, mas participa na sua produção, transformação e circulação?

A questão aponta para algo mais consequente do que um simples declínio da leitura de livros. Poderá estar a assinalar um afastamento gradual da organização grafocêntrica do conhecimento — isto é, da valorização privilegiada da escrita, da inscrição e da textualidade — sem que haja, em contrapartida, um regresso à valorização logocêntrica da fala, da presença e da imediatez da palavra oral. A trajectória, portanto, não é simplesmente uma passagem do oral para o letrado e do letrado para o pós-letrado. O que poderá estar a emergir é uma configuração comunicativa na qual nem a escrita nem a fala ocupam um centro epistemológico incontestado.

O artigo de Rose Horowitch, «The End of Reading Is Here» («O fim da leitura chegou»), publicado na The Atlantic a 8 de Julho de 2026, confere a esta questão uma urgência particularmente actual. Horowitch argumenta que o declínio da leitura prolongada poderá assinalar o surgimento de uma sociedade pós-letrada, alargando a sua preocupação para além da diminuição da leitura de livros e abrangendo o enfraquecimento dos hábitos associados à leitura sustentada: a atenção, a concentração, o raciocínio sequencial e a disposição para permanecer tempo suficiente perante um texto para que a sua complexidade se torne evidente. A substituição dos livros pelos smartphones, pelos vídeos de curta duração e pelas redes sociais poderá, consequentemente, representar uma reconfiguração da relação entre os seres humanos e a linguagem escrita.

No entanto, o diagnóstico de Horowitch deixa em aberto uma questão mais profunda. Se a leitura está a perder a sua posição cultural privilegiada, estaremos a assistir à substituição da literacia por uma condição pós-letrada ou ao surgimento de uma nova interface na qual a literacia sobrevive a par de outros esquemas comunicativos?

A distinção é importante. A primeira formulação sugere uma sucessão: uma forma cultural substitui outra. A segunda aponta para uma transformação — ou, melhor ainda, para uma mudança de paradigma.

A inteligência artificial vem complicar ainda mais a questão. Estamos a entrar num ambiente em que as máquinas não só conseguem recuperar e reorganizar textos já existentes, como também resumir, interpretar, imitar e gerar linguagem numa escala que, pode defender-se, excede em muito a capacidade de qualquer indivíduo. O paradoxo é evidente: precisamente no momento em que a leitura humana sustentada parece estar a perder a sua centralidade cultural, a produção textual está a tornar-se virtualmente inesgotável.

Para além da narrativa da substituição


A história da comunicação é frequentemente apresentada como uma sequência de substituições: a cultura oral dá lugar à cultura letrada, a cultura letrada à cultura impressa e a cultura impressa à cultura digital ou pós-letrada. Uma narrativa teleológica deste género é sedutora porque transforma a história da tecnologia numa sequência aparentemente progressiva. No entanto, também nos leva a imaginar que cada novo meio suplanta aquele que o precedeu, sem considerar adequadamente o que se ganha, o que se perde e o que é reconfigurado nesse processo.

A ideia de McLuhan de que o meio participa na formação da percepção é aqui pertinente. No entanto, é pouco provável que a transformação actual possa ser compreendida como um simples fenómeno de substituição tecnológica. O que muda com o surgimento de um novo meio não é simplesmente qual dos meios sobrevive, mas a própria relação entre os diferentes registos comunicativos.

The Interface Between the Written and the Oral, de Jack Goody, oferece uma forma mais produtiva de pensar essa relação. A importância da escrita e da oralidade não reside simplesmente na oposição entre ambas, mas na sua interacção. A escrita não elimina a fala, tal como a literacia não elimina as práticas orais. As sociedades letradas continuam a ser profundamente orais; as tradições orais podem ser transpostas para a escrita; e os textos escritos podem regressar à performance.

Esta ideia sugere que a história dos meios de comunicação é mais bem compreendida não como uma sucessão de substituições, mas como uma acumulação de interfaces. Cada nova configuração comunicativa entra num mundo já habitado, altera as condições em que as formas anteriores funcionam e é, ela própria, moldada por aquilo que aparentemente vem substituir. A passagem da oralidade à literacia não é, portanto, uma passagem de um sistema cultural fechado para outro. O que emerge é uma ecologia comunicativa mais complexa, na qual a fala, a escrita, a imagem, a performance, a imprensa, as redes e a linguagem gerada por máquinas formam uma configuração cada vez mais intrincada.

A transição envolve, ainda assim, tensões reais. Uma forma útil de as abordar é através daquilo a que poderíamos chamar os «ganhos e perdas» da transformação dos meios de comunicação: aquilo que uma nova forma comunicativa torna possível e aquilo que torna menos central. Esta distinção, porém, é mais bem entendida como uma heurística do que como um balanço contabilístico. Aquilo que parece perdido pode mais tarde regressar sob uma forma alterada; aquilo que surge como um ganho pode criar dependências anteriormente insuspeitadas.

A história da comunicação pode, por conseguinte, ser entendida menos como uma sucessão linear do que como uma ecologia complexa e em constante evolução. 

As reflexões de Ilya Prigogine sobre os sistemas auto-organizados são sugestivas a este respeito. As novas formas de comunicação não se limitam a substituir as anteriores; entram em configurações já existentes, geram novas interacções, criam instabilidades e dão origem a formas emergentes cujas propriedades não podem ser plenamente previstas de antemão.

A oralidade e o problema da presença

Numa cultura oral, o conhecimento está, em larga medida, incorporado nas pessoas e concretiza-se através da performance. O contador de histórias não se limita a reproduzir um texto imutável. Cada narração responde a um público, a uma ocasião, a um lugar, a uma memória e a uma circunstância social particular. O significado reside não apenas nas palavras, mas também na voz, no gesto, no ritmo, na entoação e na participação.

A grande força da oralidade é, portanto, a presença. A sua vulnerabilidade reside no facto de as próprias condições que tornam a comunicação oral dinâmica também a tornarem dependente da memória e da repetição. Aquilo que é transmitido pode sobreviver durante gerações, mas também pode ser alterado no próprio processo de transmissão. A variação constitui simultaneamente uma ameaça à preservação exacta e uma condição de sobrevivência cultural.

Desta perspectiva, a oralidade parece, portanto, ganhar em presença à custa da permanência. Mas até esta formulação é provisória. As tradições orais podem ser extraordinariamente duradouras; a sua permanência assume simplesmente uma forma diferente: não a permanência da inscrição, mas a persistência da memória colectiva e da performance repetida.

A escrita altera esta relação entre a linguagem e o tempo. Um enunciado desaparece quando o falante deixa de falar. Uma inscrição pode sobreviver ao seu autor por décadas, séculos ou até milénios. A escrita exterioriza a memória e transforma a linguagem em algo a que se pode regressar independentemente do momento em que foi produzido. Isto torna possíveis formas de actividade intelectual difíceis de sustentar apenas através da fala. Um texto escrito pode ser comparado com outro texto, classificado, anotado, citado, contestado, traduzido e relido. A escrita faz mais do que preservar a linguagem. Confere à linguagem um novo tipo de distância em relação a si própria. O leitor pode parar, voltar atrás, reconsiderar e comparar. A escrita torna, assim, possível uma forma distinta de atenção prolongada e recursiva.

No entanto, mais uma vez, a interface complica esta dicotomia. A escrita pode preservar uma tradição oral. Um texto escrito pode ser representado. Um romance pode transformar-se em teatro. Um arquivo pode converter-se em história oral. A escrita e a oralidade permanecem em diálogo.

A escrita e os seus descontentamentos


Num ensaio anterior, «Writing and Its Discontents» («A escrita e os seus descontentamentos»), abordei a escrita não como um recipiente transparente de um pensamento já concluído, mas como uma prática intrinsecamente instável e sujeita a contestação. A escrita procura preservar o significado, mas o próprio acto de preservação retira o texto do controlo absoluto do seu autor. Uma vez escrito, o texto entra em contextos que o autor não pode antecipar. Adquire leitores que o autor não pode conhecer e significados que não pode determinar inteiramente.

A escrita contém, portanto, o seu próprio descontentamento. O autor escreve numa tentativa de estabilizar o significado; o texto, uma vez lançado no mundo, fica disponível para ser reinterpretado. O leitor não é simplesmente um receptor do significado do autor, mas um participante na sua interpretação e reformulação. A leitura pode, ela própria, tornar-se uma forma de reescrita.

É aqui que a intertextualidade se torna crucial. Nenhum texto existe isoladamente, porque nenhum acto de escrita ou de leitura parte de um espaço linguístico vazio. Cada texto entra num campo constituído por textos anteriores, línguas, convenções, memórias, pressupostos e interpretações. Ler nunca é, consequentemente, simplesmente recuperar um significado depositado pelo autor. É um encontro entre textos, contextos e leitores.

O circuito não é, portanto, simplesmente escrita → leitura, mas escrita → leitura → interpretação → reescrita. A reescrita não implica necessariamente a produção de outro texto escrito convencional. Pode assumir a forma de citação, comentário, tradução, adaptação, apropriação ou reinterpretação. O texto escrito sobrevive, assim, não por permanecer fixo, mas por entrar sucessivamente em novos contextos, nos quais pode ser contestado e rearticulado. A cultura escrita não é, consequentemente, apenas uma cultura de preservação, mas também uma cultura de acumulação, contestação e rearticulação.

Isto torna-se particularmente importante quando nos voltamos para o ambiente digital contemporâneo. Os meios digitais não vieram simplesmente substituir a escrita; multiplicaram as suas formas e aceleraram a sua circulação. O texto existe agora lado a lado com a imagem, o som, o vídeo, a hiperligação, a interface e a geração algorítmica. O leitor pode tornar-se comentador, distribuidor, remixer ou escritor quase instantaneamente. O ambiente digital comprime e reconfigura o circuito textual, ao mesmo tempo que os sistemas algorítmicos participam directamente na produção, transformação e circulação do texto.

O aparente recuo da leitura pode, portanto, coincidir com uma proliferação extraordinária da textualidade. O que está a mudar não é necessariamente o desaparecimento do texto, mas o lugar que este ocupa na ordem comunicativa. A literacia pode estar a perder a sua posição cultural privilegiada sem, por isso, se tornar obsoleta.

Pós-literacia não é pós-textualidade

A sociedade pós-letrada não é uma sociedade sem escrita. Pelo contrário, poderá ser uma sociedade com escrita em excesso. A pós-literacia não corresponde ao desaparecimento da escrita, mas à descentralização da literacia no meio de uma proliferação extraordinária da textualidade. 

Mensagens, legendas, comentários, artigos, transcrições, legendas de vídeo, publicações, críticas, resumos e textos gerados por máquinas circulam agora a uma velocidade e numa quantidade inimagináveis no contexto da tradicional economia da imprensa. A inteligência artificial acelera esta proliferação ao tornar a produção de linguagem cada vez mais barata e imediata.

A escassez já não diz respeito ao texto; aplica-se cada vez mais à atenção. Esta mudança transforma a economia cultural da leitura. Quando os textos eram relativamente escassos e difíceis de reproduzir, o principal problema do leitor era frequentemente o acesso. No ambiente digital, a abundância desloca o problema do acesso para a capacidade de discernimento: o que merece a nossa atenção, o que pode ser delegado ou ignorado e como distinguimos uma interpretação fiável de uma afirmação produzida algoritmicamente. O que merece ser lido? O que pode ser ignorado ou resumido? Em que interpretação devemos confiar? Que recomendações reflectem o nosso próprio juízo e quais foram produzidas algoritmicamente?

A literacia passa, portanto, a ser mais do que a capacidade de ler e escrever. Envolve cada vez mais a capacidade de seleccionar, avaliar, interpretar e navegar num campo avassalador de informação textual e multimodal. A condição pós-letrada parece menos o desaparecimento da literacia do que a sua transformação: a escrita prolifera ao mesmo tempo que a leitura se torna mais selectiva, mediada e contestada.
(...)

A leitura e o problema da fricção intelectual

É por isso que a preocupação com a pós-literacia não deve ser reduzida à ideia de que as pessoas estão a ler menos livros. A questão mais consequente poderá ser a transformação do estatuto da atenção sustentada — e, com ela, das formas de memória, interpretação e agência intelectual que essa atenção torna possíveis.

A leitura profunda exige que o leitor permaneça perante a dificuldade, a ambiguidade, a sequência e a resolução adiada. Exige uma disponibilidade não apenas para extrair informação de um texto, mas para nele permanecer tempo suficiente para que os significados se desenvolvam, entrem em conflito e, talvez, permaneçam sem resolução.

O ambiente mediático contemporâneo, pelo contrário, incentiva frequentemente uma disposição epistemológica diferente: Diz-me o que significa. Resume. Dá-me a resposta. Torna-o mais curto.

Não há nada de intrinsecamente errado nestas práticas. A concisão, a acessibilidade, a possibilidade de pesquisa e a síntese rápida podem ampliar, em vez de diminuir, as possibilidades intelectuais. A dificuldade começa quando a conveniência deixa de ser apenas uma característica útil de um meio e passa a constituir um princípio epistemológico — quando a distinção entre saber o que um texto diz e compreender como o seu significado é produzido começa a desaparecer.
(...)
Quando podem ser produzidas simultaneamente múltiplas interpretações, a distinção entre informação e compreensão torna-se mais difícil, mas também mais consequente. O desafio não consiste, portanto, em recuperar alguma forma de conhecimento supostamente incontaminada. Consiste em desenvolver a capacidade crítica de nos movermos entre diferentes formas de mediação sem confundirmos acessibilidade com certeza.

Rumo a uma interface pós-letrada

A inteligência artificial intensifica esta ambiguidade. Não ameaça simplesmente a leitura; desestabiliza as relações herdadas entre escrita, leitura, interpretação, memória e mediação. Pode resumir um livro e desencorajar a sua leitura — ou proporcionar um ponto de entrada que torne o livro novamente acessível. Pode gerar prosa e incentivar a passividade — ou tornar-se um interlocutor através do qual um escritor descobre como rever, questionar e repensar o que escreveu. Pode achatar a complexidade, mas também pode tornar a complexidade acessível a leitores que, de outro modo, poderiam ficar dela excluídos.

As consequências, portanto, não podem ser determinadas pela tecnologia por si só. Dependerão da forma como as capacidades tecnológicas forem incorporadas nas práticas culturais, nas instituições educativas e nos hábitos de atenção. A mesma ferramenta pode diminuir a agência intelectual num contexto e ampliá-la noutro. O que importa não é simplesmente aquilo que a IA consegue fazer, mas aquilo que os seres humanos aprendem a esperar dela — e aquilo que deixam de fazer por si próprios quando essas expectativas se tornam habituais.

Isto conduz-nos de novo a Goody. O futuro dificilmente será puramente oral, puramente letrado ou simplesmente pós-letrado. É mais provável que seja uma interface: uma configuração dinâmica e instável na qual a fala, a escrita, a imagem, a performance, a imprensa, o arquivo, a rede, o algoritmo e a linguagem gerada por máquinas coexistem, se sobrepõem e se modificam continuamente.

O resultado poderá não ser nem o triunfo nem o desaparecimento da literacia, mas o surgimento de uma ecologia comunicativa cujas propriedades ainda não somos capazes de especificar plenamente.
(...)

A questão pós-letrada não é, portanto, simplesmente: O que irá substituir a leitura? É antes: Que nova configuração da leitura, da escrita, da fala, da visão, da memória e da interpretação mediada por máquinas está a surgir?

Ainda não sabemos. Mas essa incerteza não constitui uma fragilidade do argumento; é intrínseca à própria transição. Os novos meios raramente produzem o futuro sob a forma que inicialmente se imaginou para eles. Entram em culturas já existentes, confrontam-se com práticas herdadas, adquirem utilizações imprevistas, criam novas dependências, reactivam capacidades mais antigas sob formas alteradas e geram consequências que ultrapassam as suas intenções originais.

O futuro da leitura poderá, portanto, não ser uma escolha entre a sobrevivência e o desaparecimento. Poderá ser uma transformação na interface — um espaço em que o oral, o escrito, o visual, o digital e o computacional se encontram cada vez mais, se confrontam, se complementam e se recriam mutuamente.

Talvez, então, a sociedade pós-letrada não seja a sociedade depois da literacia. Seja a sociedade na qual a literacia já não está sozinha.

E esta poderá ser a transformação mais consequente: não o desaparecimento da leitura ou da escrita, mas o surgimento de um mundo comunicativo no qual nenhum meio pode reivindicar um monopólio incontestado sobre a forma como a cultura recorda, interpreta e produz conhecimento.

A questão não é saber qual será o meio que prevalecerá, mas que tipo de cultura emerge quando as fronteiras entre os meios se tornam cada vez mais permeáveis — e quando a atenção, o juízo e a agência humanas têm de navegar numa ecologia em que o significado já não é produzido, preservado ou interpretado através de um único modo de comunicação.

Dr. Faridul Alam


Pormenores

 

Archaeology & Civilizations

Detail of the twisted columns of the facade of the Cathedral of Orvieto, Umbria, Italy, completed in the 14th century



August 28, 2026

Espero que esta notícia seja falsa

 

Porque a ser verdade, é muito grave termos na AR um partido que confraterniza e chama para o país terroristas e assassinos assumidos. Acho que isto requer um inquérito sério na AR. O PCP convidou-os porque vai seguir as estratégias destes terroristas, está a aconselhar-se com eles? é que não consta que eles sejam cantores. O que vêm cá fazer? Mostrar como se monta um ataque terrorista? Planeiam contratá-los para ataques bombistas no país? Eles vêm com infiltrados da IM? Isto é 100 vezes pior que qualquer radicalismo do Chega. É assustador o grau de extremismo e aceitação de violência de um partido político na AR.

A FPLP realizou diversos sequestros de aviões comerciais internacionais, atentados suicidas que mataram imensa gente, reclama uma carrada de assassinatos e estiver metida nos ataques bárbaros do 7 de Outubro.

O PCP está cada vez mais extremista e alienado da realidade. Dado que o grupo do FPLP está classificados pela UE como uma organização terrorista, espero que, a ser isto verdade, o governo mande barrar a sua entrada no país. Isto é muito grave. 


PCP convidou grupo terrorista para o Avante!
FPLP é classificada como terrorista pela UE e protagonizou sequestros de aviões e atentados suicidas no passado, tendo também participado nos ataques de 7 de outubro a Israel.

O PCP convidou para a anual “Festa do Avante!” a Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP), organização que integra a lista de grupos terroristas da União Europeia.

Já no início deste século, o grupo reivindicou atentados suicidas, participou na Segunda Intifada e assumiu a responsabilidade pelo assassínio do ministro israelita do Turismo Rehavam Ze’evi, em 2001.

Mais recentemente, a Human Rights Watch confirmou também a participação das FPLP nos ataques de 7 de outubro de 2023 contra Israel, liderados pelo Hamas, que provocaram cerca de 1200 mortos e durante os quais foram feitos 251 reféns. O seu braço armado chama-se Brigadas do Mártir Abu Ali Mustafa.

Qual a diferença entre Trump e os europeus se o resultado é o mesmo?

 

Se ambos assistem à destruição sistemática da Ucrânia e recusam fechar o seu céu aos bombardeamentos russos? Como é que os europeus explicam a recusa em socorrer a Ucrânia com armas de defesa efectivas e tropas de ajuda? 


Merz, envia os Taurus que prometeste

 

🎯

 

Dolly Parton, sempre bem disposta e generosa

 

Dolly Parton, de férias na Irlanda, entra num pub no condado de Kerry e pedem-lhe para cantar uma canção. O tipo que toca guitarra é o Steve Cooney, a canção é Coat of Many Colors. Acho que foi em 1990.


Aqui está uma boa música para uma pessoa se despedir deste mundo

 

Etérea, celestial. Se calhar a harmonia das esferas funciona ao contrário: em vez do movimento dos corpos celestes criar uma harmonia sonora baseada em proporções numéricas, é a música que cria a harmonia do movimento das esferas.

Diário de bordo - último dia de férias, passagem de ano

 

Segunda-feira começa o ano novo. Este fim-de-semana é a passagem de ano. Vou começar a referir-me a este mês e aos outros 12 anteriores anteriores como, 'o ano passado'. Em Maio e Julho de 2027, Setembro de 2025 ainda será, 'o ano passado'.

No ano passado tive tantos episódios de saúde entre Novembro e princípio de Março que estamos em Agosto e já estou com um pequeno stress relativamente ao Novembro que aí vem.

Hoje começou já a rotina de consultas e exames médicos. Se arrependimento matasse... se pudesse desfumar todos os cigarros que fumei... 

Hoje encontrei no Centro de Saúde a Dona E. que foi funcionária auxiliar da escola muitos anos e se reformou há um par de anos. Tirava umas bicas espectaculares. Ela é que me viu. Fui falar-lhe. Vi logo pela cara dela que estava doente. Ela já era magra, está um palito. Está com um cancro no pulmão, recente. Tinha acabado de fazer as sessões de radioterapia e estava queixosa de que a rádio a tinha queimado toda por dentro. Pois, eu sei.

Na minha escola, uma série de gente que se reformou há pouco tempo, passados uns meses de estar reformada descobriu um cancro. Já nem uma pessoa se pode reformar?


Somos um país de pacotilha?

 

Comprei o Setubalense, o jornal da terra. Um artigo descreve a grande discussão que ocupou uma sessão da Câmara Municipal. Quel foi o movtivo? A oposição não gosta da nova cor do Mercado do Livramento, que foi pintado há pouco tempo da cor da Baía Azul. Passou de uma cor-de-laranja berrante e feia para o azul que aqui se vê. Ficamos a saber pelo jornal que a cor foi escolhida com os vendedores do mercado, portanto, o povo.

Depois, resolveram decorar o edifício com umas esculturas/peças divertidas. Já lá têm um cacho de uvas, uma couve, uma cabeça de vaca e parece que querem pôr ainda uma cabeça de porco. A oposição teve um chilique e não fala de mais nada. Com tanto problema na cidade: o lixo e a sujidade das ruas, o estacionamento, o excesso de carros, a falta de táxis (são os mesmos 50 há 30 anos, apesar da cidade ter crescido dezenas de milhares em população), a degradação de muitos bairros. Enfim, não somos um país de pacotilha?


Mercado do Livramento, Setúbal


Matar dois coelhos de uma só cajadada

 

Hoje fui a uma consulta no Centro de Saúde e lembrei-me de perguntar se podia dar as duas vacinas que estavam mesmo em cima do prazo de validade numa farmácia. Resposta: não, mas pode dá-las aqui, agora. É o que se chama matar dois coelhos de uma só cajadada. Já estou duplamente vacinada. Agora é só esperar pela bola de ping pong da vacina do tétano crescer aqui no braço.


We know

 


Foi para te sentires moralmente superior.

Paralelamente dizias que os países do Sul eram preguiçosos ao contrário da Alemanha que era rica porque os alemães eram superiores.

Hubris, disfarçada de falsa humildade.