August 24, 2026

"Don’t normalize the war just because it’s been going on for so long"

 


O Washington Post tem agora de defender-se de práticas que costumava criticar. Triste...

 

Uma jornalista escreveu, na sua coluna de opinião, um artigo sobre Charlie Kirk que não agradou aos novos donos MAGA do jornal Washington Post. Foi liminarmente despedida. Em vez de pôr-se aos gritos em plataformas de idiotas, pôs o jornal em tribunal e acaba de ganhar o caso. O jornal não tinha fundamentos para despedi-la e é obrigado a reintegrá-la. É triste ver um jornal com tantos pergaminhos na defesa da liberdade de expressão e do jornalismo de investigação a adoptar práticas que costumava criticar e denunciar. Os jornalistas queixam-se de não terem clientes mas eles são os seus próprios coveiros.


Washington Post obrigado a readmitir colunista despedida
Um árbitro ordenou que o jornal readmitisse Karen Attiah, que foi despedida após publicar um artigo sobre «homens brancos que defendem o ódio e a violência» na sequência do assassinato de Charlie Kirk.

As observações da Sra. Attiah sobre o assassinato do Sr. Kirk, que publicou na rede social Bluesky a 10 de setembro, no dia em que ele foi baleado, surgiram em resposta à onda de pesar que se seguiu ao tiroteio. «Recusar-me a rasgar as minhas roupas e a espalhar cinzas no rosto, num luto encenado por um homem branco que defendia a violência, é… diferente de violência», escreveu a Sra. Attiah numa das publicações. www.nytimes

 

🇺🇦 Live

 

Se os países ocidentais têm Patriots que podem dar à Ucrânia, façam-no!

 

Fazer visitas e tirar fotografias é bonito mas celebrar a vitória era muito melhor.


🇺🇦 A primeira-ministra dinamarquesa afirmou que os países ocidentais dispõem de sistemas Patriot que podem transferir para a Ucrânia.

Segundo ela, sem o reforço da defesa aérea, o Inverno será extremamente difícil para a Ucrânia.

🇺🇦 Pode-se visitar virtualmente a catedral de Kyiv

 

A Catedral de Santa Sofia de Kyiv já tem uma visita virtual. É possível explorar online a catedral do século XI, a torre do sino e outros edifícios, com uma versão em inglês e guias áudio.


Um pormenor especialmente bonito:


E pode-se puxar o cordão e ouvir os sinos



🇺🇦 Os PMs ingleses, um desastre doméstico, têm acertado em tudo na Ucrânia

 

Andy Burnham visitou Kyiv na sua primeira viagem ao estrangeiro enquanto primeiro-ministro do Reino Unido, reafirmando o apoio da Grã-Bretanha à Ucrânia. A Grã-Bretanha irá apoiar a produção de mísseis de longo alcance da Ucrânia, permitindo que a MBDA partilhe informações confidenciais sobre os componentes britânicos utilizados no míssil de cruzeiro SCALP.

🇺🇦 França passou das palavras à acção

 


Macron confirmou que a França irá fornecer mais mísseis interceptores à Ucrânia e acelerar as entregas de equipamento francês de defesa aérea.
É exatamente disso que a Ucrânia precisa desesperadamente, numa altura em que a Rússia e, agora, a Coreia do Norte intensificam os seus ataques às cidades ucranianas.
Agora, outros países com reservas de mísseis interceptores têm de seguir o exemplo da França 🇺🇦


🇺🇦 Happy Independence Day



🇺🇦❗️Zelensky sobre Putin: 

A China não pode continuar em silêncio quando alguém se veste com um fato de marinheiro e um boné militar e, pronunciando mal certas palavras, fala de um ataque nuclear. 
A China tem de reagir. Tem de acalmar este fervor. A China tem de provar a sua ambição de ser um dos líderes mundiais — não só a nível económico e tecnológico, mas também civilizacional —, deixando claro que nenhum ditador tem o direito de ameaçar o planeta com as suas velhas ogivas nucleares. 
Putin espera que estejamos cansados. Nós sabemos que ele é mortal. Ele nunca nos compreendeu — e agora já não terá tempo para o fazer. Querias conquistar toda a Ucrânia, toda a nossa terra. Em vez disso, perdeste as tuas refinarias de petróleo, a tua frota, as tuas receitas e toda uma geração que enviaste para o moinho de carne. 
Querias que desaparecêssemos do mapa. Agora és tu que estás a desaparecer da agenda internacional da futura civilização. 
Há 27 anos que o governante da Rússia fala de grandeza, enquanto a Rússia faz filas para comprar gasolina.


🏇🌎 World Champions: Steve Guerdat & Dynamix de Belheme

 


Afeganistão: os talibãs proibiram as mulheres de habitar o mundo II

 


Cinco anos de retrocesso nos direitos das mulheres desde a chegada dos talibãs

Observatório dos Direitos das Mulheres

Durante o primeiro regime dos talibãs, entre 1996 e 2001, as mulheres e as raparigas foram sujeitas a graves restrições dos seus direitos, justificadas por uma interpretação da lei islâmica. Após a intervenção internacional de 2001, as mulheres puderam, gradualmente, voltar a usufruir dos seus direitos, graças à adopção de garantias constitucionais em 2003 e à aprovação, em 2009, da Lei sobre a Eliminação da Violência contra as Mulheres. Conseguiram obter acesso parcial à educação e ao emprego, bem como participar na vida pública.

Contudo, o regresso dos talibãs ao poder, em agosto de 2021, com a tomada de Cabul, marcou um claro retrocesso nos direitos das mulheres. O colapso do governo anterior e a retirada das forças internacionais conduziram à sua substituição por um «governo interino», composto exclusivamente por homens, bem como ao desmantelamento das instituições políticas responsáveis pela promoção da igualdade entre os sexos e dos direitos humanos.

Os talibãs emitiram mais de 70 decretos relativos às mulheres, restringindo ou proibindo o exercício dos seus direitos.

O direito antes da chegada dos talibãs

A antiga Constituição de 2004 concedia, no seu artigo 22.º, direitos e deveres iguais às mulheres e aos homens, proibindo qualquer distinção ou discriminação.

Em seguida, o artigo 44.º desta Constituição procurava promover a educação das raparigas através da elaboração, pelo Estado, de programas adequados.

A Constituição estabelecia igualmente uma quota de mulheres a eleger: nos termos do artigo 83.º, deveriam ser eleitas duas mulheres para a Assembleia Nacional por cada província.

Estas disposições de valor constitucional constituíram um importante avanço, embora a sua aplicação prática continuasse a ser difícil.

A chegada dos talibãs: uma transformação abominável

A chegada dos talibãs marcou o fim de todos os progressos alcançados no domínio dos direitos das mulheres. Estas deixaram de dispor do controlo sobre o próprio corpo, sobre as suas deslocações e, numa palavra, sobre a sua liberdade.

Antes de mais, no que diz respeito ao vestuário, sempre que uma mulher sai de casa, é obrigada a cobrir o rosto e o corpo. Uma forma de vestir considerada «imoral» é imediatamente alvo de repressão. Por exemplo, os homens devem verificar a forma como as suas mulheres se vestem, sob pena de perderem o emprego, caso sejam funcionários públicos. As mulheres deixaram igualmente de poder olhar directamente para homens com quem não tenham qualquer relação de sangue ou de casamento.

O decreto de 23 de Dezembro de 2021 proibiu as mulheres de se deslocarem sem um acompanhante masculino para além de setenta e dois quilómetros. Posteriormente, o decreto de 7 de Maio de 2022 restringiu ainda mais a sua liberdade de circulação, aconselhando as mulheres a não saírem de casa sem uma razão. Os taxistas estão proibidos de transportar mulheres que não estejam «correctamente» cobertas ou que não sejam acompanhadas por um mahram, isto é, um parente próximo do sexo masculino.

Posteriormente, em Março de 2024, o líder supremo dos talibãs validou a flagelação pública e a lapidação aplicadas às mulheres por infracções como o adultério. Entre Novembro de 2022 e Maio de 2023, 58 mulheres foram chicoteadas em público por infracções relacionadas com o adultério, o incumprimento dos códigos de vestuário, a fuga de casa ou a realização de compras sem um tutor masculino. Ao longo dos últimos anos, foram executadas 37 penas de lapidação contra mulheres.

O acesso à justiça tornou-se praticamente impossível para as mulheres. Os talibãs dissolveram a Comissão Independente Afegã dos Direitos Humanos, os tribunais de família, os centros de protecção das mulheres e os serviços de apoio jurídico, privando assim as mulheres de qualquer recurso judicial ou de assistência no acesso à justiça.

Se as mulheres denunciarem casos de violência baseada no género, arriscam-se a sofrer sanções como a prisão, a reconciliação forçada ou o ostracismo social. Por exemplo, através de um decreto de Dezembro de 2024, os talibãs eliminaram totalmente o anterior quadro jurídico de combate ao tráfico de seres humanos. As penas de prisão, que anteriormente variavam, em média, entre 10 e 16 anos, passaram a ser de apenas 1 a 3 anos. As próprias vítimas passaram a ser tratadas como criminosas, podendo ser acusadas de manter relações sexuais extraconjugais ilícitas, consideradas infracções morais.

Além disso, com a promulgação do novo Código Penal, em 4 de Janeiro de 2026, passou a ser reconhecido ao marido o direito de infligir à esposa as chamadas sanções «discricionárias», desde que não lhe parta ossos nem lhe cause feridas abertas. Mesmo em caso de agressão grave, a pena máxima prevista é de 15 dias. Estas disposições testemunham o verdadeiro inferno em que vivem estas mulheres, privadas de qualquer protecção.

As medidas continuam a endurecer e a reforçar a quase total ausência de direitos das mulheres afegãs. Em Maio de 2026, o Decreto n.º 18 — o «Código sobre a separação judicial dos cônjuges» — codificou as circunstâncias em que as mulheres e as raparigas podem requerer a separação no casamento. Este divórcio está sujeito a numerosas condições, incluindo a aprovação de um tribunal, e só é possível depois da puberdade. Esta disposição permite igualmente legalizar o casamento infantil. Os homens, por sua vez, podem divorciar-se sem estarem sujeitos a qualquer condição.

Por fim, em Agosto de 2024, foi promulgado um decreto que visa proibir que as mulheres sejam ouvidas em público, tendo-lhes sido igualmente vedado o acesso a determinados espaços públicos. Deixaram de ter o direito de ir sozinhas a parques ou de cantar.

As consequências destes decretos para a saúde das mulheres são alarmantes. A sua saúde deteriora-se: o risco de mortalidade materna aumenta devido ao crescimento do número de gravidezes na adolescência. São os homens que tomam as decisões relativas à saúde das suas esposas. Em algumas províncias, as mulheres nem sequer podem ser tratadas por médicos homens.

As mulheres deixaram praticamente de ter direitos. O conjunto destas disposições atenta directamente contra a sua dignidade e a sua autonomia.

O cumprimento destes decretos é assegurado pela polícia dos costumes, que dispõe de poderes discricionários para ameaçar e deter qualquer pessoa que não respeite uma das normas impostas. Esta política de restrições e proibições dirigidas às mulheres visa afastá-las e fazê-las desaparecer da esfera pública.

O exemplo da educação: um ponto central das restrições impostas pelos talibãs

Em 2017, 3,5 milhões de raparigas frequentavam a escola, o que representava um progresso importante. Desde a queda do primeiro regime talibã, em 2001, o número de alunos matriculados tinha atingido 9,2 milhões em 2016, contra menos de um milhão em 2001.

Contudo, ainda havia um longo caminho a percorrer, pois 3,5 milhões de crianças, das quais 75% eram raparigas, continuavam sem frequentar a escola. Em 2018, o Afeganistão implementou um terceiro Plano Estratégico Nacional para a Educação, com o apoio da UNESCO. No entanto, este plano não pôde produzir os efeitos esperados devido ao regresso dos talibãs ao poder, em 2021.

Um dos primeiros decretos adoptados pelos talibãs, depois de terem formado o seu governo, data de 18 de Setembro de 2021 e proíbe as raparigas de prosseguirem os estudos para além do sexto ano. A esta proibição juntou-se a interdição de frequentar escolas mistas. Assim, mais de 2,2 milhões de raparigas estão privadas do direito à educação.

De acordo com o Relatório sobre a Situação da Educação no Afeganistão 2025, publicado pela UNESCO e pela UNICEF, mais de 90% das crianças de 10 anos não sabem ler nem escrever. A taxa de alfabetização é uma das mais baixas do mundo: apenas 52% dos homens e 27% das mulheres sabem ler e escrever.

Em Dezembro de 2022, o Ministério de facto do Ensino Superior proibiu as mulheres de frequentarem o ensino superior. Em 2024, o Ministério de facto da Saúde Pública proibiu as mulheres de estudarem nos institutos de formação médica. Além disso, as autoridades de facto substituíram professores por pessoas próximas do regime, sem possuírem qualificações académicas.

Esta proibição do acesso à educação é acompanhada por uma proibição do acesso ao emprego. A proporção de mulheres afegãs com emprego era de apenas 5,2% em 2023. O decreto de 24 de Dezembro de 2022 proibiu as mulheres de trabalharem para organizações não governamentais, enquanto o decreto de 4 de Abril de 2023 as proibiu de trabalhar para as Nações Unidas.

Assim, as consequências para estas mulheres, privadas do acesso à educação, são numerosas: casamentos forçados, violência baseada no género e privação dos seus direitos. Esta privação é acompanhada por múltiplas restrições e proibições relativamente ao seu acesso ao emprego.

As jurisdições internacionais no centro da justiça contra os talibãs

Em 8 de Julho de 2025, a Câmara de Instrução II do Tribunal Penal Internacional emitiu dois mandados de detenção contra Haibatullah Akhundzada, líder supremo dos talibãs, e Abdul Hakim Haqqani, presidente do Supremo Tribunal dos talibãs, que exercem autoridade de facto no Afeganistão desde, pelo menos, 15 de Agosto de 2021. A Câmara concluiuque existem motivos razoáveis para crer que os dois homens cometeram, solicitaram e ordenaram o crime contra a humanidade de perseguição por motivos relacionados com o género contra raparigas, mulheres e outras pessoas que não se conformam com a política de género dos talibãs (como homossexuais ou transexuais).

Além disso, desde 2024, quatro Estados — Austrália, Canadá, Alemanha e Países Baixos — apoiados por outros 22 Estados Partes, anunciaram a sua intenção de instaurar um processo contra o Afeganistão perante o Tribunal Internacional de Justiça, para denunciar as violações da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres. Esta iniciativa foi tomada à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas, na sequência da adopção de novas medidas que eliminam os direitos das mulheres.

Uma rara mobilização cívica, violentamente reprimida

A mobilização cívica é rara. As poucas manifestações que ocorrem são violentamente reprimidas.

Em 18 de Julho de 2023, uma manifestação destinada a contestar a decisão de encerrar os salões de beleza foi dispersada com recurso a canhões de água e armas eléctricas.

Em Junho último, em Herat, no oeste do Afeganistão, as forças de segurança reprimiram uma manifestação que reunia entre 100 e 150 pessoas e que denunciava a detenção e prisão de mulheres por «incumprimento do código de vestuário», disparando contra a multidão e provocando vários feridos e uma morte.

De um modo mais geral, qualquer pessoa que denuncie o regime está sujeita a detenções e prisões arbitrárias, actos de tortura física e psicológica e desaparecimentos forçados. Os talibãs restringem a liberdade de circulação e proíbem o direito de manifestação. A França e a Europa têm uma responsabilidade: recusar qualquer normalização das relações com os talibãs que implique o esquecimento das mulheres. Como defendem vários activistas, devem promover, juntamente com os seus parceiros, o reconhecimento do apartheid de género pelo direito internacional, para que esta opressão tenha um nome e possa, um dia, ser julgada.

Retrato de uma afegã empenhada: Soraya Tarzi, rainha do Afeganistão




Nascida em 1899, em Damasco, Soraya Tarzi tornou-se rainha do Afeganistão em 1919, ao lado do seu marido, Amanullah Khan. Desde muito cedo, empenhou-se na defesa da educação e dos direitos das mulheres.

Em 1921, contribuiu para a abertura da primeira escola primária para raparigas em Cabul, a escola Masturat. Participou igualmente na criação da primeira revista feminina afegã e defendeu publicamente a emancipação das mulheres.

Figura progressista do seu tempo, Soraya tornou-se um dos símbolos das reformas empreendidas no Afeganistão. Contudo, estas mudanças suscitaram uma forte oposição e contribuíram para as convulsões políticas que levaram o casal real ao exílio, em 1929.

Morreu em Roma, em 1968, depois de ter dedicado parte da sua vida à defesa da educação e da emancipação das mulheres afegãs.

Afeganistão: os talibãs proibiram as mulheres de habitar o mundo



Devolvamos às mulheres do Afeganistão o direito de existir

Após cinco anos sob o regime talibã, as mulheres afegãs perderam até o direito de viver. Para denunciar este crime de género de uma dimensão sem precedentes e devolver-lhes uma parte dessa existência que lhes é negada, o Le Temps republica esta segunda-feira uma das seis reportagens do Le Monde realizadas em Cabul.

Aline Jaccottet

Desvirtua o amor. Sufoca a liberdade. Rouba sonhos. Destrói vidas. O patriarcado mata. E, como garante privilégios a metade da humanidade, não está prestes a desaparecer. É, aliás, o mais antigo sistema de dominação da História. Em todo o lado, mina a integridade das mulheres, o seu direito fundamental a habitar plenamente o mundo. E a agir nele por aquilo que são, em todos os aspectos: sujeitos.

Destas violações universais, o Afeganistão oferece hoje uma concentração sem precedentes. O machismo transforma as mulheres em objectos? O regime talibã foi ainda mais longe no horror: aniquilou-as. É o único governo do mundo a ter transformado as formas mais extremas do patriarcado numa política de Estado deliberadamente destinada a danificar as mulheres. Um sistema de tal forma extremo que a ONU lançou um processo para alargar o conceito de crime de apartheid à dimensão do género.

Reinventar a linguagem

Seria necessário reinventar a linguagem para apreender a barbárie do Código Penal afegão. A violência doméstica, extremamente generalizada? Legalizada. Para que um marido seja condenado a 15 dias de prisão, a esposa teria de comparecer perante o juiz com ossos partidos e feridas abertas, acompanhada… por um homem da sua família. E já praticamente não pode divorciar-se. Além disso, deixou oficialmente de ser necessário o consentimento das raparigas com menos de 15 anos para que sejam casadas.

Crimes cometidos contra os corpos, mas também contra as mentes. O Afeganistão é hoje o único país do mundo que proíbe totalmente as raparigas de frequentarem a escola. Uma medida cujos efeitos se farão sentir ao longo de várias gerações, ainda que quase todas as 2,4 milhões de alunas confinadas em casa se reúnam diariamente para ouvir a Radio Begum, o meio de comunicação que procura proporcionar-lhes educação dentro de casa.

Do silêncio sepulcral, um grito


Isoladas, ameaçadas, humilhadas, as mulheres afegãs estão a morrer. Vítimas de violência doméstica, da falta de cuidados de saúde; hoje, o Afeganistão apresenta uma das taxas de mortalidade materna mais elevadas da Ásia. Mas também uma das taxas de suicídio mais elevadas do mundo. De tudo isto, não existe qualquer contabilização oficial por parte do governo. Como se, antes de morrerem, elas nunca tivessem realmente vivido.

A repórter Annick Cojean tentou dar conta desta aniquilação numa série de reportagens realizadas em Cabul para o Le Monde. A barbárie que descreve é estupefaciente. Mas aquilo que mais profundamente comove é a bravura das vítimas. Do silêncio sepulcral que pouco a pouco as sepulta, lançam-nos um grito: «Ainda existimos!»

Esta mensagem, o Le Temps quis amplificá-la. Abandonadas aquando da retirada norte-americana do Afeganistão ordenada por Joe Biden em 2021, as mulheres afegãs têm de ser retiradas do seu inferno, de uma forma ou de outra. Isso começa por não esquecer aquilo que elas são: sujeitos.


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Vidéo. Le pays taliban
Solène Chalvon-Fioriti
Le Monde en Face, france.tv, 2025 (Disponible jusqu’au 05/08/2028), 1 14′

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En Afghanistan, la santé des femmes en péril : « Les conséquences de cette ségrégation sont catastrophiques »
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Audio. Femmes afghanes : pour briser le silence
Radio France, 2024, 10 épisodes

L’Afghanistan : « un régime féminicide »
Isabelle Mourgere
TV5 MONDE, 30 décembre 2024

Vidéo. Afghanistan : les femmes sous le joug des Talibans
Arte, 2024 (Disponible jusqu’au 19/03/2027), 11′

Solène Chalvon-Fioriti raconte les changements qu’elle a récemment constatés dans la société civile afghane, qu’elle documente depuis longtemps. Sous le joug taliban, la vie à Kaboul s’est métamorphosée en un quotidien sombre et menaçant où les femmes ont disparu.

Solène Chalvon-Fioriti, réalisatrice : “Ce que les talibans veulent, c’est terroriser les femmes”
Emmanuelle Skyvington
Télérama, 30 août 2024

Vidéo. Afghanistan : Radio Begum, la voix des résistantes
Arte, 26 avril 2024 (Disponible jusqu’au 18/03/2027), 25′

Afghanistan : la guerre des talibans contre les femmes est un apartheid des genres
Vrinda Narain, Associate Professor, Faculty of Law, Centre for Human Rights and Legal Pluralism, McGill University
The Conversation, 16 août 2023

Gros plan : Les femmes en Afghanistan un an après la prise de contrôle par les taliban
ONU Femmes, 15 août 2022

Vidéo. Audition plénière – Situation des femmes en Afghanistan
Sénat, Délégation aux droits des femmes, 25 novembre 2021

Vidéo. Afghanistan : une féministe face aux talibans
Arte, 10 décembre 2021 (Disponible jusqu’au 29/11/2027), 25′

Les talibans réduisent les femmes en esclavage : une réalité que le monde ne peut ignorer
Vrinda Narain, Associate Professor, Faculty of Law, Centre for Human Rights and Legal Pluralism, McGill University
The Conversation, 16 août 2021

Levons le voile sur les femmes en Afghanistan
Sonia Jedidi
Hérodote, n° 2010/1 n° 136, pp. 121-133

August 23, 2026

O «Quádruplo» de Heidegger

 


Martin Heidegger, palestra de 1951 intitulada «Construir, Habitar, Pensar», sobre a razão pela qual construímos:
«Não habitamos porque construímos, mas construímos e temos construído porque habitamos, ou seja, porque somos habitantes. Mas em que consiste a essência do habitar? … Habitar, estar em paz, significa permanecer em paz no seio do livre, do preservado, da esfera livre que salvaguarda cada coisa na sua natureza. O carácter fundamental do habitar reside neste poupar e preservar. … Os mortais habitam na medida em que poupam a terra — aceitando a terra como terra. Os mortais habitam na medida em que recebem o céu como céu. Os mortais habitam na medida em que aguardam as divindades como divindades. Os mortais vivem na medida em que iniciam a sua própria natureza — a sua capacidade de morrer como morte — no uso e na prática dessa capacidade, para que haja uma boa morte. A verdadeira dificuldade da habitação reside nisto: que os mortais procuram sempre de novo a essência da habitação, que têm de aprender sempre a habitar. E se a falta de lar do homem consistisse nisto: que o homem ainda nem sequer pensa na verdadeira dificuldade da habitação como sendo a dificuldade? No entanto, assim que o homem reflete sobre a sua falta de lar, esta deixa de ser uma miséria.»

O «Quádruplo» de Heidegger - diagrama de Archie Archambault



Merz, onde estão os Taurus?

 

Se não ajudam a Ucrânia a acabar com os terroristas do Kremlin e deixarem que estes submetam uma parte grande dela, vão vocês -e os outros europeus- a ter de lidar directamente com eles... sozinhos, sem a Ucrânia. Quem quer isto? Só os terroristas do Kremlin, a China e Trump. 

Isto não é difícil de perceber.

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Volodymyr Zelenskyy / Володимир Зеленський
@ZelenskyyUa

Putin não quer pôr fim à guerra e está a alargar a escala dos seus ataques. Está à espera do inverno. Estão a atacar as nossas empresas civis, a nossa logística, a Ukrposhta e a incendiar a Nova Poshta – desde 2022. 

Por que razão, em particular, atacamos a Wildberries? Porque envolve tanto o fornecimento de material militar como grandes quantias de dinheiro para a Rússia. A nossa operação foi calculada com muito cuidado. Foram os ataques deles à nossa logística que nos levaram a responder da mesma forma, logisticamente mas atacamos com consciência da dimensão das perdas deles. 

Só nessa operação contra a Wildberries e apenas em termos de perdas directas na Rússia, o valor ronda um trilião de rublos. E se tivermos em conta as dívidas da empresa, as perdas relacionadas para outras empresas e particulares e a necessidade de reestruturar as operações e reconstruir a Wildberries, o valor ascende a 3 biliões de rublos.

Estamos também a acompanhar o impacto social das nossas operações na Rússia. Muitas pessoas na Rússia querem que a guerra acabe. Dizem-no desta forma: só querem que acabe. Na nossa opinião, as estatísticas são as seguintes: mais de 60% da sociedade russa quer o fim desta guerra, um cessar-fogo. Isto mostra, portanto, que a opinião pública está a evoluir nesse sentido e que as tendências são claras. Também temos assistido a um declínio acentuado no apoio ao governo de Putin. Estamos a falar do «Rússia Unida».

Excluíram o Yabloko das eleições porque esperavam que o partido obtivesse, no máximo, 3% ou 4%; depois, analisaram a opinião pública e viram que a intenção de voto já se situava imediatamente nos 11–12%, com uma tendência ascendente. Excluíram-no das listas eleitorais simplesmente para garantir que não houvesse alternativa à guerra e ao seu governo.

De uma conversa com jornalistas.

Entretanto:
A Ucrânia destruiu um lançador Iskander perto da fronteira; os russos têm ainda cerca de 600 mísseis balísticos, — Zelensky

Trump está para Putin como Estaline estava para Hitler - hoje é o dia do Pacto Molotov-Ribbentrop

 

(O deus Lenine a supervisionar)

Neste dia 23 de Agosto, em 1939, foi assinado o Pacto Molotov-Ribbentrop, pelo ministro dos Negócios Estrangeiros soviético, Vyacheslav Molotov, e pelo ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Joachim von Ribbentrop. Tratava-se de um acordo de não-agressão entre a Alemanha nazi e a União Soviética, que se manteve em vigor até as forças alemãs invadirem a URSS, em junho de 1941.

Estaline chegou mesmo a indemnizar os nazis pelas partes do pacto que os russos violaram. Os poucos tratados que Estaline efectivamente cumpriu também foram celebrados com os nazis.

Trump está para Putin como Estaline estava para Hitler. Estaline tinha um fascínio e obsessão deslumbrada por Hitler acompanhada de rancor pela traição ao pacto, da mesma maneira que Trump tem com Putin. Nunca traiu Hitler, tal como Trump com Putin. (É um factor importante a ter em consideração nas estratégias que implicam Trump)

Como é que os soviéticos conseguiram enganar tanta gente durante tanto tempo com a conversa de que foram eles quem combateu e venceu o nazismo? Uma mistura de persistência na narrativa, falseamento da história, enredos de mentiras com verdades e falta de interesse em confirmar por parte dos manipulados. Lembro-me de também ter tido essa ideia ou impressão durante muito tempo, até ter ido ler sobre o assunto em particular.

Sim, é verdade que a invasão da URSS e resistência ao cerco de Leninegrado foram um ponto de viragem na guerra, mas também é verdade que se não fosse o trabalho dos aliados na outra ponta, a Oeste,  e a ajuda dos EUA, os russos teriam sido esmagados. 

Em primeiro lugar, Hitler, na sua fossanguice manteve o mesmo esforço de guerra a Ocidente enquanto invadia a URSS, dividindo as armas e enfraquecendo o flanco e, em segundo lugar, os EUA deram quantidades astronómicas de armamento, dinheiro e bens aos soviéticos, sem os quais eles não teriam, nem armas para se defender, nem comida ou roupas para sobreviver. 

Os Estados Unidos deram à União Soviética, através do Programa Lend-Lease, bens no valor de 11,3 mil milhões de dólares — mais de 180 mil milhões de dólares em valores actuais — incluindo armamento, veículos, equipamento industrial e matérias-primas, mantendo a máquina de guerra soviética constantemente abastecida e em movimento na luta contra a Alemanha nazi. Petróleo, comida, aço, mais de 400 000 camiões e jipes, 14 000 aviões, 13 000 tanques, milhares de canhões anti-tanque, explosivos, 72 000 rádios de campanha, locomotivas de comboio, algodão, toda a produção de uma fábrica Ford, dezenas de milhar de botas e outro equipamento militar, cobertores, mantas, etc.

Na grande purga de 1938, Estaline tinha decapitado o Exército Vermelho com medo que os seus generais se virassem contra si. A perda de comandantes experientes e competentes deixou o Exército Vermelho desorganizado, aterrorizado e vulnerável a grandes cercos quando Hitler lançou a Operação Barbarossa em 1941 e teriam perdido a guerra sem toda esta ajuda, que se esquecem sempre de mencionar como se fosse um pormenor irrelevante. 

Sim, sofreram muitas baixas (embora as baixas não fossem apenas russas, pois tal como hoje faz Putin, os soviéticos primeiro mandaram os homens dos países colonizados para a frente) mas nunca teriam vencido os nazis sem os aliados a pressionar na frente Oeste e sem a ajuda dos EUA.

Os terroristas do Kremlin, então como hoje, vivem bem com a morte de milhões do seu próprio povo, desde que a cabeça da hidra mantenha o poder e riqueza a entrar.

Coisas úteis da IA

 

Há muitos anos que ando para fazer um catálogo da minha biblioteca pessoal que não tendo mais do que uns 2.500 ou 3.000 livros (no ano passado ou no outro antes, já não lembro, vendi uns 300 e dei uns 500 e agora, todos os anos dou livros que já não vou ler outra vez e não quero guardar) é bastante boa. Já uma vez tinha tentado fazer esse trabalho mas é tão difícil e moroso que desisti. 

Agora perguntei ao Claude, esse new kid in town, se ele me faz o catálogo a partir de fotografias das lombadas ou da folha de rosto dos livros. Ele disse logo que sim e ainda me deu dicas de como tirar as fotografias acrescentando que, se as lombadas tiverem informação suficiente, posso tirar fotografia de vários livros de cada vez que ele procura a informação e faz o catálogo numa folha excel. Porreiro!

Perguntou-me se queira começar já, disse-lhe que começo amanhã. Agora vamos ver até que ponto o programa é intrusivo e se amanhã começa a mandar-me notificações para enviar as fotografias.

Tenho curiosidade em ver como é que o programa organiza e cruza a informação para poder ser pesquisada de vários modos. Se me pede opinião ou se vai fazendo à sua maneira. Vamos ver. 

Seja como for, vou ter feito num par de semanas um trabalho de anos e anos.


Ainda sobre a cor cinza: 'Gray sky'

 

Este rapazinho que se apresenta com o nome (artístico?) de Ransom Riffs tem 4 anos e compôs uma série de músicas sobre cores, como verde garrafa ou céu cinza - que é esta. Toca com virtuosismo peças complexas. É tão inacreditável que quando vi pensei que fosse uma criação de IA e fui pesquisar. Pois, antes de mim, todos os outros que o descobriram pensaram o mesmo. Os pais têm vídeos no seu website e página de Instagram a interagir com ele para provar que ele é um humano de carne e osso, se bem que muito diferente dos outros miúdos vulgares. Um prodígio. Um Mozart actual?


Por falar em cores: um dicionário natural das cores

 

A Nomenclatura das Cores de Werner (1814)

O mineralogista alemão Abraham Gottlob Werner criou um sistema inicial para descrever minerais com precisão no final do século XVIII. 
Em 1814, o pintor escocês, Patrick Syme, adaptou e expandiu o trabalho de Werner pintando manualmente as amostras numa paleta de cores.
Antes da tabela Pantone e da fotografia, tanto cientistas como artistas usavam este dicionário das cores para identificar tons exactos recorrendo a exemplos dos reinos animal, vegetal e mineral. 



Contém 110 tons diferentes organizados por famílias de cores - branco, cinzento, preto, azul, verde, amarelo, laranja, vermelho e castanho.
Para cada uma das cores de minerais de Werner, Syme acrescentou um exemplo do reino animal e vegetal, além de incluir uma amostra real da cor na página respectiva para acompanhar o texto. 
Enquanto Werner considerou que um conjunto de 79 tonalidades era suficiente para os seus objectivos geológicos — agora alargados a outros domínios da natureza —, Syme acrescentou 31 cores adicionais, elevando o total para 110.


Com as novas categorias de referência de Syme, nasceu um mundo inteiramente novo de relações entre aspectos díspares da natureza, ditados exclusivamente pela cor. 
Por exemplo, para «branco de leite desnatado», temos o branco dos globos oculares humanos (animal), o verso das pétalas da hepática azul (vegetal) e a opala comum (mineral); para o «roxo lavanda», temos «as partes claras das manchas na parte inferior das asas da borboleta-pavão» (animal), «flores de lavanda secas» (vegetal) e «jaspe porcelana» (mineral). 


Evocações de quadros monocromáticos maravilhosamente estranhos: sobre uma plantação de calamina, um leito de palha onde se senta um urso polar; ou o estilo de um lírio-laranja incrustado com topázio brasileiro e os olhos da maior mosca-da-carne.


A confiança de Syme em referências obscuras ao mundo natural provinha de uma obsessão da época pelas taxonomias, uma linha que se estendia de Carl Linnaeus a Charles Darwin - que recorreu à «Nomenclatura» de Werner durante a viagem do Beagle. 
Essas pessoas recorriam frequentemente a uma rede de coleccionadores e exploradores, obcecados por ordenar e categorizar, fixando borboletas e empalhando aves. 
Fixar a cor continua a ser tão difícil como sempre.

Este dicionário das cores naturais é agora do domínio público.

Fonte: ttps://publicdomainreview.org/collection/werner-s-nomenclature-of-colours-1814/

Por exemplo, na descrição de amarelos, podemos ver:

-Amarelo-Guta (Gamboge Yellow):
- Animal: As asas de um pintassilgo.
- Vegetal: Flor de jasmim-amarelo (Yellow Jasmine).
- Mineral: Enxofre de alta tonalidade.

ou no verde esmeralda: "adorável mancha na asa do pato-azul macho."

(pato-d'asa-azul macho (Spatula discors ou marreca-d'asa-azul ebird.org/)


Por exemplo, na pintura de Igor Dubovoy do post anterior, descobrimos todos estes tons de cinzento de Werner:

- Cinza-Cinza (Ash Grey) — Cor nº 9 - o cinzento padrão (pedra sílex).
- Cinza-Fumaça (Smoke Grey) — Cor nº 10 - o cinzento-cinza misturado com um pouco de castanho como o peito do tordo-europeu (robin).
- Cinza-Ameixa ou Cinza Francês (French Grey) — Cor nº 11, semelhante ao cinzento de aço sem brilho.
- Cinza-Pérola (Pearl Grey) — Cor nº 12 -cinzento-cinza misturado com um toque subtil de vermelho carmim e azul.
- Cinza-Amarelado (Yellowish Grey) — Cor nº 13 - Cinzento-cinza misturado com amarelo-limão e uma porção mínima de castanho.
- Cinza-Azuado /Cinza-Acinzentado Azulado (Bluish Grey) — Cor nº 14 - o cinzento-cinza misturado com um pouco de azul.
- Cinza-Esverdeado (Greenish Grey) — Cor nº 15 - o cinzento-cinza com verde-esmeralda, um toque de preto e amarelo-limão como o berilo.
- Cinza-Ameado / Cinza-Avermelhado (Reddish Grey) — Cor nº 17  o cinzento misturado com vermelho suave ou carmim.

Tantas cores nas nuvens

 

Gradientes de cinzento, branco e amarelado e até um tom azulado se descobre. E aquele raio de luz forte que por vezes atravessa as nuvens no Inverno quando a paisagem está sombreada e cria uma zona de claridade espectral que torna tudo brilhante como num espelho reflector.


Igor Dubovoy , On The Hill ', 2021
Oil on Canvas, cms 71.1 x 81.3


Porque é que isto não existe já em todo o lado!?

 

https://www.koninghealth.com/


Coisas boas



A Jovem Orquestra Portuguesa atuou perante uma Konzerthaus Berlin esgotada, no festival Young Euro Classic, naquela que foi a sexta participação da formação nacional no evento. O concerto, dirigido pelo maestro Pedro Carneiro, teve como tema central a “Saudade” e incluiu uma estreia mundial inspirada em Fernando Pessoa.



A Jovem Orquestra Portuguesa (JOP) regressou de Berlim depois de uma atuação marcada por sala esgotada e uma ovação de pé no festival Young Euro Classic, um dos principais encontros internacionais dedicados a orquestras juvenis.

O concerto realizou-se a 7 de agosto, na emblemática Konzerthaus Berlin, e marcou a sexta participação da formação portuguesa no festival. Sob a direção artística do maestro Pedro Carneiro, cerca de 65 jovens músicos portugueses, com idades entre os 14 e os 28 anos, subiram ao palco perante o público alemão.

A atuação mereceu também destaque na imprensa local, com o jornal Berliner Morgenpost a classificar o concerto como uma noite “verdadeiramente inesquecível”. Entre o público esteve ainda o secretário de Estado da Cultura, Alberto Santos.

“Saudade” e Fernando Pessoa chegam a Berlim

O programa foi construído em torno do conceito de “Saudade”, tendo como um dos momentos de destaque a estreia mundial de “Saudades, só portugueses”, obra encomendada pela JOP ao compositor residente César Rafael e inspirada na poesia de Fernando Pessoa.

A mezzo-soprano portuguesa Cláudia Ribas participou como convidada especial, interpretando o ciclo Les nuits d’été e a ária de Dido, da ópera Les Troyens, de Hector Berlioz.

O concerto terminou com a interpretação da Sinfonia n.º 6, “Patética”, de Tchaikovsky, seguindo-se uma ovação de pé por parte do público.

Criada no âmbito da Orquestra de Câmara Portuguesa, a JOP funciona como uma seleção nacional de jovens músicos, procurando promover novos talentos portugueses e proporcionar-lhes experiência em palcos nacionais e internacionais.


(Não é coisa pouca, tendo em conta que o público alemão é conhecedor e exigente)