September 20, 2026

Esta entrevista de Margaret Thatcher na TV soviética em 1987 é um tesouro e é extremamente actual.

 

Margaret Thatcher fala de segurança, de defesa, de controlo de armas, de uma paz garantida pelo direito de defesa das fronteiras, de sociedades abertas, de justiça e de armas nucleares, claro. 
Ela era uma defensora da deterrence, o poder dissuasivo das armas nucleares e diz várias vezes que o ideal seria não haver armas nucleares, mas havendo, o melhor então, é que as partes em conflito as tenham para se dissuadirem umas às outras de as usarem, como argumento, ou de facto, aproveitando-se do desequilíbrio nesse campo (é o que está a acontecer à Ucrânia). É o único modo, diz ela, de os pequenos países se defenderem dos grandes.
Os entrevistadores russos (3), defendem o fim total das armas nucleares e massacram-na com a questão mas ela não desarma nunca. 
É evidente que ela não confia que os soviéticos algumas vez destruíssem todas as suas armas nucleares e, aliás, diz-lhes que eles são o país com mais armas nucleares e não só, com mais armas convencionais, armas químicas (os ingleses já tinham destruído as suas), mísseis intercontinentais. Para um país se defender pela dissuasão só precisa de um pequeno número de armas nucleares. Países que as têm em excesso, têm-nas, não para defesa...
Diz também que desde a 1ª Grande Guerra nunca uma democracia atacou outra democracia e que para haver confiança em acabar com as armas nucleares era necessário que as sociedades fossem abertas e democráticas.
Esta entrevista é um tesouro e é extremamente actual. Não digo profética porque o que ela diz é do mais elementar bom senso de quem conhece a história e o MO dos países, na história. Nós é que já estamos tão pouco habituados a líderes políticos competentes, inteligentes e de bom senso que já estranhamos.
Elas diz-lhes exactamente o que pensa do socialismo soviético.
Uma entrevista dura, mas Margaret Thatcher era uma política extremamente competente e eloquente. Não fazia demagogia, dizia exactamente o que pensava e o que ia fazer. É claro que eles têm a lata de lhe perguntar como é que ela, tendo filhos, trabalha tanto... nesta visita ela anda pelas ruas e vê-se multidões de pessoas a querer vê-la. Vemos as mulheres a bater palmas e os homens não. Olham para ela com um misto de curiosidade e desconfiança. Onde é que em países comunistas as mulheres são PM ou Presidentes?
Gosto quando ela lhes diz que o sistema político inglês é muito difícil. Duas vezes por semana tem de ir ao Parlamento responder a questões sobre tudo e mais alguma coisa - e não sabe de antemão as perguntas que lhe vão fazer...
Passados uns anos desta entrevista, tão clara, sobre a necessidade dos pequenos países precisarem de defesa contra os grandes e da Rússia não ser uma democracia (embora neste altura ainda houvesse essa esperança), os EUA, a pedido da Rússia, pressionaram os ucranianos a desfazer-se das suas. Umas pessoas dão passos para a frente e outras desfazem o caminho.


Porque é que Espanha nunca conquistou Portugal?

 

Porque os portugueses não são espanhóis nem nunca o quiseram ser.

O que deixámos ali para os lados do estreito de Ormuz?

 

Irmão pobre, irmão rico: Yemen, Oman. Guerras civis de um lado, Sultão Qabus do outro.


O que deixámos nós em Goa?

 


September 19, 2026

Bright


Adoro este som não-asséptico anos 80/90.

Luz e sombras

 


Stow Wengenroth (1906-1978)


Stow Wengenroth é um artista muito conhecido que criou imagens maravilhosas da Nova Inglaterra, da cidade de Nova Iorque e de Long Island.
Nasceu em Brooklyn, Nova Iorque, a 25 de julho de 1906, filho de Frederick Wengenroth, arquitecto, e de Isabelle Stow, designer têxtil. Estudou na Art Students League e posteriormente na Grand Central School of Art com Wyman Adams. 


Durante os verões da década de 1920, deslocava-se a Woodstock, Nova Iorque, para trabalhar com John Carlson, ou ao Maine, para trabalhar com George Ennis. Foi Ennis, em 1929, quem recomendou que Wengenroth considerasse a possibilidade de trabalhar com litografia. Considerava que o seu estilo de desenho se adequava a essa técnica. 
Em 1931, Wengenroth publicou as suas primeiras litografias — todas imagens de Eastport, no Maine, e arredores. Realizou a sua primeira exposição individual em 1931 na Macbeth Gallery, onde apresentou as suas litografias e desenhos a pincel seco.


Wengenroth utilizava a litografia como a sua principal forma de expressão artística. Os seus desenhos, nesta altura, eram quase todos realizados com a técnica do pincel seco. Isto porque os desenhos a pincel seco se assemelham muito ao aspecto que uma litografia terá quando impressa.  


Quando considerava um desenho satisfatório, caminhava de Brooklyn até ao estúdio de George Miller, pegava numa pedra litográfica e levava-a para o seu estúdio. Lá, interpretava os seus desenhos a pincel seco, que eram sempre maiores do que as litografias acabadas. Depois de desenhada, levava a pedra de volta ao estúdio de Miller, em Nova Iorque, para impressão. 


 Devido ao peso das pedras litográficas Wengenroth mudou o seu estúdio para Manhattan, para ficar mais perto do estúdio de Miller. Durante algum tempo, o seu estúdio situou-se no n.º 51 da West Tenth Street, um edifício onde residiam muitos artistas. O estúdio que utilizava tinha sido anteriormente ocupado por Winslow Homer.




by The Old Print Shop, Inc.

Em vez de apenas falar, agir

 

Macron e outros líderes europeus andam por aí com discursos crípticos quais Cassandras da desgraça em vez de agir. Passem das palavras à acção como fez agora a Roménia.


O que vem a seguir à tirania?

 

No últimos tempos vejo muito a pergunta: o que vem a seguir a Putin desaparecer? É o mesmo que perguntar, o que vem a seguir à tirania? 

Os antigos consideravam a tirania o pior governo de todos. O mais corrompido, o mais destruidor da alma humana. Aquele em que um homem só, o tirano, governa pela força, pela corrupção e pelo medo, para se manter eternamente no poder e satisfazer as suas paixões mais baixas. Na tirania é costume a prisão arbitrária, as execuções, a intolerância a qualquer dissidência e a exigência de obediência cega. É a escravidão de um povo até ao mais recôndito da sua alma.

O tirano é mais que um ditador. César, na época romana, defendia-se dos que lhe chamavam tirano dizendo que não tinha destruído uma democracia mas substituído, com o apoio do povo, um sistema caótico de oligarcas, extremamente injusto por uma ordem de justiça: distribuiu terras, cancelou dívidas a cidadãos, não perseguiu oponentes políticos, respeitou o Senado e a lei, etc. 

Platão pensava que a tirania se seguia a um período de desordem ou anarquia decorrente dos excessos da democracia acabar a ser governada pela turba, pelos ignorantes, por aqueles que entendem a verdade como um produto do poder em vez de retirarem o seu poder da força da verdade - a condenação de Sócrates, um homem justo, à morte, pela democracia, teve um grande impacto nele. 

As evidências, no entanto, mostram que nem sempre se passa de uma degeneração de democracia para a tirania. Veja-se os EUA. Passaram de democracia a oligarquia, pelo voto e na próxima legislatura podem transformar-se numa tirania ou, pelo menos, numa ditadura não-benevolente, sem terem passado por uma degeneração da democracia prévia a esta oligarquia. 

A Rússia passou de uma monarquia absoluta (a monarquia constitucional só durou 12 anos, de 1905 a 1917) para ciclos destrutivos de tirania de onde parece não conseguir sair. Teve aquele período entre 1905 e 1917 para se construir como uma sociedade democrática mas vinham de uma forma de vida feudal e escravizada, impreparada para isso. De 1917 até hoje tiveram apenas uma breve janela de oportunidade, depois da queda do muro de Berlin, para estabelecerem uma sociedade livre e democrática, mas por essa altura já levavam 70 anos de total disfuncionalidade, obscurantismo e corrupção da alma, como lhe chama Platão. A questão de Platão é mesmo essa: como se passa de uma tirania, ou pior, de um ciclo de tiranias, onde já nenhum dos vivos sabe o que é uma vida de liberdade e direitos civis, para um governo justo de justos?

Hoje em dia, as sociedades mais tirânicas, que mais destruíram e corromperam a alma humana são as islâmicas. A maioria desses 50 países são totalmente disfuncionais e imorais, embora nem todos estejam no estejam no extremo como o Afeganistão ou o Paquistão e até haja um ou dois em processo de reforma. Nesse países que vivem em tirania teocrática há mais de um milénio, os pais violam as filhas, os velhos compram crianças para violar, os pais e irmãos matam as filhas e as irmãs por honra, os homens declaram-se animais sexualmente descontrolados a exigir que ninguém se mostre ao pé deles, cortam as mãos, os pés, o nariz e mais o que for aos desobedientes. Apedrejam pessoas até à morte, decapitam-nas por terem opiniões diferentes, mandam as crianças explodir-se como declaração de terror, é permitido violar rapazes pequenos, ovelhas... É evidente que os homens que vêm dessas sociedades sem lei, mentalmente degeneradas, governadas há séculos e séculos e séculos por tiranos, sejam da religião ou de castas monárquicas, chegam aqui ao Ocidente e reproduzem dentro e fora das suas comunidades toda essa disfuncionalidade, tirania, degenerescência e violência. Como é que alguém pode pensar que mudar de local geográfico muda as pessoas como que por magia e que por estarem aqui passam a obedecer à lei e à ordem?

Adiante.

Platão considerava que, quando a tirania chegava a um ponto de extrema disfuncionalidade, a única maneira de a tirar de ciclos contínuos de destruição era através da razão, e consistia em conseguir que alguém sábio tomasse as rédeas do poder e restaurasse racionalmente a lei, a justiça e a ordem, com benevolência. (A alternativa seria um filósofo conseguir convencer o tirano a mudar o seu modo de governar, o que é muito difícil.) Júlio César via-se como esse ditador benevolente que tinha tirado Roma do caminho da destruição. Por exemplo, Ataturk, o fundador da Turquia moderna, poderá ser considerado um ditador desse género: acabou com uma teocracia brutal, tornou o Estado laico, deu direitos às mulheres, modernizou o país, etc. Gorbachev teve essa intenção mas a sociedade russa não estava -e não parece estar- preparada para viver em liberdade.

Aristóteles defendia que havia outros modos de acabar com as tiranias, como por exemplo, golpes de Estado, revoltas do povo, conspirações dos oligarcas. Porém, a questão que interessa a Platão não é a de saber como matar o tirano ou acabar com uma tirania para que alguém institua outra logo a seguir. Isso origina ciclos de destruição que perpetuam o caos. O que ele quer é um modo de acabar com a tirania e passar daí a um governo justo de homens justos.

Como é que uma sociedade, como a russa, por exemplo, ou a chinesa, a viver há séculos em regimes de monarquia absoluta seguidos de tirania (a China teve um monarquia constitucional durante uns meses apenas), tendo criado sociedades de escravos mentais, de almas corrompidas, desorientadas, disfuncionais, pode passar daí para um regime democrático?

Há duas hipóteses:

1. Um líder benevolente, com o apoio popular conseguir reunir um grupo de pessoas com uma mentalidade e formação humanista e reformadora e com coragem que instauram um regime de leis, um Estado de direito e uma sociedade a caminhar para a justiça;

2. Separa-se a Rússia das suas colónias desfazendo permanentemente o sonho do Império. Deixa de haver uma Federação russa que inclui montes de povos e países e passa a haver apenas o país Rússia. Os outros países que agora estão nessa federação imperialista tanto podem atomizar-se como juntarem-se em pares, trios, etc. consoante as suas identidades, língua, territórios e interesses. Seja como for, a Rússia deixa de ser uma tirania com um grande território e um grande exército e passa a ser um país como os outros, sem tamanho nem força para ser uma ameaça para o mundo.

As hipóteses negativas são: outro conjunto de oligarcas continuar o sistema de tirania ou, o exército tomar conta do país. 

Portanto, a aposta mais segura para a segurança da Europa e do mundo é derrotar a Rússia na Ucrânia e apoiar a divisão da Federação em países independentes da Rússia.


A rothko silence

 



Guido Krüttgen 
(Inverno nos Alpes)

O custo humano de uma tirania




No ano passado, tropas ucranianas encontraram um oficial norte-coreano morto na região russa de Kursk. Os documentos recuperados do seu corpo expuseram a situação desesperada em que se encontram os cerca de 16 000 soldados norte-coreanos que Kim enviou para a Rússia — eram carne para canhão. Os serviços de informações sul-coreanos estimam que até 2 000 tenham sido mortos.

Os documentos — obtidos pela Human Rights Foundation, uma organização sem fins lucrativos sediada em Nova Iorque — continham planos de mobilização, instruções e relatos das experiências dos soldados norte-coreanos no campo de batalha. Um documento de duas páginas observava que alguns soldados norte-coreanos enfrentavam uma barragem de fogo de artilharia inimigo e drones suicidas que enxameavam como uma nuvem de vespas». Quando os soldados caíam, os seus camaradas corriam frequentemente para os resgatar, ignorando o fogo inimigo e sofrendo novas baixas. Os veículos russos de evacuação demoravam habitualmente mais de 10 horas a chegar junto dos feridos.

Devido à incapacidade de evacuar os feridos a tempo, os combatentes foram sacrificados durante a evacuação afirmava um dos documentos.

Este relato contrasta fortemente com a narrativa oficial da Coreia do Norte, que glorifica os mortos como mártires e afirma que muitos deles escolheram detonar granadas de mão em vez de correrem o risco de serem capturados enquanto estavam feridos.

O diário do comandante de pelotão morto revelou o custo humano dessa pressão. As forças especiais ucranianas recuperaram o diário do soldado morto e entregaram-no à Human Rights Foundation, onde foi analisado por um funcionário que tinha desertado da Coreia do Norte. Nas suas páginas, o oficial aludia ao conflito entre o dever de demonstrar uma bravura incomparável nas batalhas, para proporcionar a maior alegria e satisfação à pátria e ao partido, e um medo íntimo de que a sua ambição acabasse por custar a vida aos seus homens.

Em Dezembro de 2024, escreveu uma última oração pelos camaradas que tinham morrido. Nesse mesmo mês, escreveu à sua «princesa» que ficara em casa, deixando-lhe uma promessa para o caso de não regressar.

Se morresse, tornar-me-ei uma borboleta e encontrarei-te.

- Choe Sang-Hun, The Hidden Human Cost of Kim Jong-un's New Power


September 18, 2026

Nem de propósito - aqui está o discurso típico do proto-ditador

 

🎯

 


Como é que os russos suportam em silêncio o prejuízo que Putin lhes causa?

 

Todos os dias verem os países irem embora, afastarem-se deles, não quererem contacto com eles. Como é que os russos suportam em silêncio o prejuízo que Putin lhes causa e não se revoltam contra ele? Ninguém no exército tem cabeça e coragem?

Porque é que a extrema-direita sobe?

 

Uma política alemã que representa o partido de direita Alternativa para a Alemanha (AfD) está a ser investigada pelas autoridades estatais por incitamento ao ódio, difamação e divulgação de dados pessoais, depois de um activista defensor da legalização da pedofilia ter apresentado uma queixa criminal contra ela devido a publicações nas redes sociais em que denunciava o activismo pró-pedofilia.
O activista que denunciou Vanessa Behrendt à polícia devido às suas publicações nas redes sociais, gere um grupo de apoio online para «pessoas atraídas por menores», ou MAPs, e faz campanha para que a pedofilia seja legalmente reconhecida como uma característica LGBTQ+ protegida.

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Porque é que a extrema-direita sobe? Porque as autoridades ditas, do centro, renderam-se à (extrema) nova-esquerda que agora defende a pedofilia, a utilização de recém-nascidos como gratificação sexual, o direito dos homens religiosos imporem a lei da sharia, o sacrifício das raparigas violadas para importar islamitas, a castração e mutilação de crianças e adolescentes, a abolição dos direitos das mulheres como inclusão de trans homens que dizem ser mulheres e outras incivilidades do género. Não deixam alternativa às pessoas. 


A Inglaterra está perdida

 

A Arcebispa de Cantuária, a maior autoridade eclesiástica inglesa (a seguir ao rei) e a primeira mulher nesse cargo decidiu dar a um imã islamita, Ashrafi, o Prémio Hubert Walter para a Reconciliação e a Cooperação Inter-religiosa - no dia 11 de Setembro(!). Um homem que chamou a Bin Laden, a espada de Deus. O homem vinha acompanhado de duas uma mulheres de burka (uma delas com uma máscara preta para não parecer uma burka), esse instrumento de submissão das mulheres islâmicas, para marcar posição sobre a sharia que querem implementar em Inglaterra. 

Uma mulher que serve de orientação para os cristãos anglicanos glorifica o islamismo que apoia o terrorismo, a sharia e as burkas. A Inglaterra está perdida. 

Enfim, a polémica foi tal que teve de retirar o prémio. 

Os líderes ingleses ainda não perceberam o que se passa do ponto de vista da população comum, da sua aversão a uma religião e cultura violentas e intolerantes, de dominação das mulheres pela violência e de recusa dos valores ingleses e que o seu extremismo a favor destes homens violentos e contra a própria população inglesa já não é suportável e está à beira de explodir. É como na Alemanha e na França. Depois admiram-se dos votos na extrema-direita.




Este artigo sobre a diferença de alianças dos EUA e da China é interessante mas passa ao lado do principal


Por que razão a China continua a resistir a alianças formais

Geosec Insights

À primeira vista, a política externa da China apresenta um paradoxo. Pequim é a única potência com dimensão económica, capacidade industrial, modernização militar e alcance diplomático suficientes para desafiar os Estados Unidos enquanto rival sistémico. No entanto, ao contrário de Washington, não construiu uma rede global de alianças militares vinculativas.

Washington tem operado através de tratados formais de defesa, bases militares avançadas, estruturas de comando de alianças, inter-operabilidade e garantias de segurança de longo prazo. Pequim, pelo contrário, escolheu uma abordagem diferente para expandir a sua influência. Esta inclui uma combinação de parcerias estratégicas, projectos de infraestruturas, coordenação política, dependência económica e comercial, exercícios militares e fóruns multilaterais, mas não compromissos jurídicos que obrigariam a China a defender outro Estado em caso de guerra. Por outras palavras, a China tem evitado alianças como a NATO e, em particular, cláusulas como o artigo 5.º da NATO.

Esta é uma escolha estratégica deliberada. Pequim não quer reproduzir o sistema de alianças americano porque não o vê apenas como uma fonte de força, mas também como uma estrutura de obrigações, exposição e potencial envolvimento involuntário em conflitos. A China quer parceiros, não aliados no sentido jurídico estrito; influência sem compromissos automáticos; poder de pressão sem obrigações partilhadas; acesso sem dependência. Acima de tudo, quer liberdade de acção.

(...)

O modelo de alianças dos EUA e a lógica diferente da China

Um dos pilares da predominância global americana é a arquitectura de alianças do país. A NATO, provavelmente a aliança militar mais bem-sucedida da história e uma das principais alianças de Washington, continua a ser apenas uma parte de um sistema mais vasto. Washington mantém tratados de aliança com a Austrália, o Japão, a Coreia do Sul, a Tailândia e as Filipinas, além de outras parcerias de segurança na Europa, no Indo-Pacífico e no Médio Oriente. Este sistema proporciona a Washington acesso, redes de informações, legitimidade, inter-operabilidade militar, influência política e económica e capacidade de projecção militar avançada.

Washington encara as alianças como multiplicadores do seu poder, permitindo-lhe ultrapassar as limitações impostas pela geografia. Através das suas alianças, as forças americanas mantêm uma presença contínua na Europa, no Pacífico, no Médio Oriente e na Ásia Oriental, muito para além dos Estados Unidos continentais. Este sistema alargado de alianças e parcerias permitiu aos EUA moldar os equilíbrios regionais de acordo com os seus interesses nacionais e impedir que as crises se transformassem em ameaças directas.

No entanto, este sistema também criou expectativas políticas, uma vez que os aliados americanos dependem fortemente da proteção dos EUA, enquanto os próprios EUA dependem da cooperação e do alinhamento dos seus aliados. A recente guerra no Médio Oriente demonstrou os limites da dependência, tanto para os Estados Unidos como para os seus aliados.

A China, por seu lado, encara o sistema de alianças de forma diferente. Para os decisores políticos chineses, as alianças americanas não são meros acordos de segurança neutros, mas instrumentos de contenção, sobretudo na Ásia Oriental. Neste sentido, as forças americanas na Coreia do Sul e no Japão, a aliança entre os EUA e as Filipinas, o AUKUS, o QUAD e os Five Eyes são vistos como partes de um sistema mais amplo destinado a conter a expansão chinesa, especialmente no perímetro marítimo de Pequim.

(...)

A China tem parceiros, não um verdadeiro sistema de alianças

A ausência de alianças formais não significa que a China não mantenha relações estreitas com outras potências. Em primeiro lugar, Pequim mantém uma parceria próxima com Moscovo. Além disso, a China mantém uma relação estreita com o Paquistão, profundos laços económicos em todo o Sul Global, influência crescente em algumas regiões de África e do Médio Oriente e um papel institucional em fóruns como a Organização de Cooperação de Xangai e os BRICS. Por fim, a China tem apenas um tratado formal de defesa, herdado da Guerra Fria, com a Coreia do Norte.

Nenhuma das parcerias acima mencionadas é, de forma alguma, equivalente à NATO ou à aliança entre os EUA e o Japão: Não criam um sistema de comando unificado;
Não obrigam automaticamente a China a defender vários parceiros;
Não exigem que Pequim mantenha grandes forças permanentes estacionadas em território aliado;
Não inserem a política de segurança chinesa numa estrutura de aliança partilhada.

No entanto, as parcerias chinesas são úteis porque são politicamente abrangentes e juridicamente limitadas: Permitem à China cooperar com a Rússia sem assumir todos os riscos russos.
Permitem-lhe apoiar o Paquistão sem ficar presa a todas as crises entre a Índia e o Paquistão.
Permitem-lhe relacionar-se com o Irão, a Arábia Saudita, Israel, os palestinianos e os Estados do Golfo sem escolher formalmente um dos lados em todos os conflitos regionais.
Permitem à China apresentar-se como mediadora quando isso lhe é conveniente e como contrapeso de uma grande potência quando necessário.

Este é o núcleo do modelo chinês: máximo espaço diplomático com um mínimo de obrigações formais.

A lição histórica: a cisão sino-soviética

Uma das razões que explicam a abordagem chinesa é histórica. Mais especificamente, a aliança da China com a União Soviética, nas primeiras fases da Guerra Fria, começou como uma parceria ideológica entre as duas potências comunistas. Rapidamente, porém, transformou-se numa lição sobre dependência, desconfiança e hierarquia.

A cisão posterior indicou aos dirigentes chineses que o alinhamento ideológico não é suficiente para manter uma aliança, sobretudo quando uma das partes é tratada como um parceiro inferior — neste caso, a União Soviética tratava a China como não sendo um parceiro em pé de igualdade. Consequentemente, a relação sino-soviética deteriorou-se até se transformar em hostilidade, incluindo confrontos militares ao longo das fronteiras.

Esta experiência teve um impacto profundo no pensamento estratégico chinês, reforçando a suspeita de que as alianças formais podem limitar a liberdade de ação e, consequentemente, reduzir a soberania. O aliado poderoso pode transformar-se num patrono, numa limitação e, por fim, numa ameaça.

(...)

Soberania e controlo

Outro aspecto importante da estratégia chinesa de não estabelecer alianças está relacionado com a obsessão do Partido Comunista Chinês (PCC) pelo controlo. A interpretação que o PCC faz da história moderna da China é moldada pelo «Século da Humilhação», que teria resultado da intervenção estrangeira, dos tratados desiguais, da fragmentação territorial e da pressão externa. Quer se aceite ou não esta narrativa na sua totalidade, ela continua a ser central para a forma como Pequim explica o seu comportamento em matéria de segurança.

As alianças formais exigem normalmente coordenação, partilha de informações, interoperabilidade, planeamento conjunto e acesso militar estrangeiro. Para os EUA, isto faz parte da gestão normal de uma aliança; para a China, cria desconforto. Pequim não quer forças militares estrangeiras integradas na sua arquitetura de segurança, nem parceiros externos a influenciar o seu processo de tomada de decisões. Naturalmente, também não quer que as suas próprias forças armadas dependam do consenso dos aliados.

(...)

Conclusão

A China não evita alianças formais por ser fraca, mas porque encara as alianças rígidas como um risco. A cisão sino-soviética ensinou a Pequim que até parceiros ideológicos podem transformar-se em constrangimentos. A observação de Washington ensinou-lhe que as alianças ampliam o poder, mas também criam obrigações, testes de credibilidade e riscos de envolvimento em conflitos.
(...)

 Em vez disso, a China constrói uma ampla rede de parcerias flexíveis que apoia a sua ascensão, complica a estratégia dos EUA e preserva a sua liberdade de ação.

O problema das alianças da China, em última análise, não diz respeito tanto à doutrina como ao tipo de grande potência que Pequim pretende ser. Os EUA construíram uma ordem assente em aliados, enquanto a China está a construir a sua influência em torno da autonomia. Saber se esse modelo resistirá a uma grande crise é uma das questões decisivas desta década.
https://www.geosecinsights.com/

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O artigo refere que a China tem alianças que não implicam a partilha de informação militar e estratégica, a um comando militar unificado e também não a obrigam a entrar em conflitos que não escolheu, como acontece com o artigo 5º da NATO, mantendo a sua independência e liberdade de acção - ao contrário dos EUA que têm um sistema alargado de alianças e parcerias que lhes permitiu moldar os equilíbrios regionais de acordo com os seus interesses nacionais e impedir que as crises se transformassem em ameaças directas. 

Esta análise é interessante mas passa ao lado do principal: os EUA eram (ainda são de algum modo) uma democracia e a China é uma ditadura e tudo o resto decorre desse facto. 

E a China é uma ditadura de um país grande - em território, em número de pessoas e em estrutura militar. Isto é importante, porque uma ditadura de um país pequeno (pense-se em Portugal de Salazar) só é uma ameaça para o próprio povo e, por isso, necessita de alianças com países mais fortes para se defender de outros fortes. Mas uma ditadura num país enorme, em território, em número de pessoas e em estrutura militar, não tem necessidade de alianças. Ninguém os ameaça e eles é que são intimidantes para os países vizinhos na sua esfera geográfica, logo em risco de serem seus subalternos, de uma maneira ou de outra. Veja-se o caso da Rússia. 

Porém, as democracias não operam na base da intimidação militar e da ocupação territorial pela força. Respeitam-se umas às outras enquanto Estados de direito e, por isso, confiam umas nas outras, em muitos assuntos e partilham informação estratégica que as ditaduras, que não respeitam leis internacionais e o Estado de direito, nunca partilhariam. A NATO é uma aliança de defesa e não de ataque. Ao contrário das ditaduras, as democracias precisam de alianças pois o seu poder de influência é diplomático, político e económico e o poder militar é uma reserva de defesa, não um argumento na mesa de negociações. 

Repare-se na UE. De cada vez que um candidato pró-ditadura vai a eleições, a primeira coisa que diz é que quer ser independente da NATO e da própria UE. Quer autonomia total, não ter que partilhar nada, etc. Veja-se Farage e o Brexit, veja-se a Hungria de Orban (o seu ministro dos negócios estrangeiros Szijjártó, agora trabalha para a China), veja-se a líder do AfD, a Le Pen, os bloquistas e comunistas portugueses. 

Este artigo vê a questão do ponto de vista da China e dos EUA -o que cada um quer- mas esquece-se que as alianças são voluntárias e não forçadas. Ninguém quereria uma aliança do género da NATO com a China ou com a Rússia, sabendo que essa aliança implica ficar dependente de uma ditadura feroz. Bem, agora a Rússia talvez quisesse -temporariamente-porque está com a corda no pescoço.

Todos queriam, em tempos, ter alianças com os EUA, mas repare-se como as alianças dos EUA da América estão a morrer, por afastamento dos aliados, desde o momento em que os EUA se transformaram numa oligarquia intimidante que usa o poder militar como argumento. De repente, as democracias europeias, o Canadá, o México e outros países pelo mundo fora, começaram a desligar-se deles: primeiro na partilha de informação secreta, depois militar, depois económica, agora digital. Muitos já estão à procura de outras alianças para os substituir.

Portanto, a grande diferença que a China tinha relativamente aos EUA em termos de estilo de alianças, fundava-se no facto de a China ser uma ditadura num país enorme. Neste momento em que Trump ameaça invadir aliados, tarifar aliados, apoiar inimigos dos seus aliados e afirma não querer ter laços que os prendam a acções de outros países, cada vez tem menos diferenças com a China - ou com a Rússia.

É intimidante, argumenta com a força militar e quer colónias e países que se subalternizem, em vez de aliados. E isto acontece porque já não são uma democracia séria, são uma oligarquia ainda com instituições democráticas mas já muito deterioradas que não inspiram confiança.

Portanto, a principal diferença entre a China e os EUA era a primeira ser uma ditadura e a segunda uma democracia e daí decorriam os estilos de alianças diferentes. Agora já não são tão diferentes assim.


Outro infográfico - bem, nem sei que diga

 

Comparação entre as economias dos EUA e de Estados seu, com equivalentes em PIB global

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Outro infográfico - Como os países da OCDE financiam os seus governos




How OECD Countries Fund Their Governments: Tax Revenue by Category as % of GDP (2024)



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Outro infográfico - Ranked: Countries Where Bond Yields Are Rising Fastest


Tive que ir pesquisar o que quer isto dizer e se é uma boa notícia ou não. Fiquei a saber que pode ser e pode não ser.


 

u/NBrief

Infográfico deste dia - impostos


O que vejo aqui, para além da nossa carga de impostos, é a brutalidade da diferença salarial entre os países no topo e o nosso. E nem sequer podemos dizer que eles ganham mais mas lá é tudo é mais caro. 


 

u/GuestFromBudushchego