É preciso ler o que as palavras dizem e o que não dizem. Exemplificando
O Rei da Jordânia e o teste de Portugal no Conselho de SegurançaVictor ÂngeloConselheiro em Segurança Internacional. Ex-secretário-geral-adjunto da ONU (ou seja, tachista profissional do séquito do catedrático em tachos)
A política externa portuguesa tem o hábito de esperar. Espera que Washington, Bruxelas, Paris ou Berlim decidam o que se elogia, o que se condena e o que se deixa passar em silêncio.
Em setembro de 2025, ao reconhecer o Estado da Palestina, Lisboa mostrou que consegue decidir sozinha. Falta confirmá-lo. O discurso do Rei Abdullah II na 81.ª Assembleia-Geral das Nações Unidas, a 22 de setembro de 2026, dá-lhe a ocasião.
Ora, cá está o senhor a falar enquanto sicofanta pensando que somos todos estúpidos, como é apanágio dos tachistas profissionais e julgando que não sabemos que o lugar no Conselho de Segurança não veio de borla.
A diplomacia prefere a ambiguidade. O Rei recusou-a. Durante décadas, afirmou o Rei, a comunidade internacional geriu o conflito israelo-palestiniano em vez de o resolver, tratando cada violação como provisória até o provisório se tornar permanente e o permanente se converter em política. Para ele, Gaza e a Cisjordânia são duas frentes de uma só estratégia israelita: tornar inviável um Estado palestiniano. Em Gaza, a destruição visa apagar a vida palestiniana. Na Cisjordânia, colonatos, apropriação de terras, demolições e expulsões passaram a ser um objetivo político.
Isto tem piada porque a maioria da Palestina foi roubada pela Jordânia. Em 1920, a Palestina era assim:
Como se vê, não há Jordânia. Existem árabes e judeus que não se entendem. Em 1921, Churchill pede ao Emir Abdullah ibn Hussein para conter as revoltas tribais a Este do rio Jordão e dá-lhe o nome administrativo de Transjordânia, como se vê aqui em baixo. Era suposto essa tarefa do Emir durar seis meses. Porém, dado que os árabes e os judeus estavam em permanente conflito sem se entenderem, logo nos anos 30 a Inglaterra começou a falar de partição da Palestina em dois países independentes. Os judeus foram-se conformando a essa ideia mas os árabes foram sempre contra.
O assunto foi-se arrastando e entretanto veio a 2ª Grande Guerra. Após o extermínio dos judeus pelos nazis, dar um Estado aos judeus para que nunca mais fossem párias sujeitos à perseguição tornou-se um imperativo e procedeu-se à partição da Palestina. Entretanto, o Emir Hussein resolveu ficar com a parte administrativa que lhe tinha sido confiada para pacificar os árabes e tomou-a para si como o nome de Transjordânia. Os ingleses fizeram aleatoriamente do rio Jordão uma fronteira. Nessa altura, o assunto da partição já estava na ONU.
Portanto, quando chegou à altura da partição, o território já era muito pequeno porque Hussein tinha-se apropriado de todo o Leste da Palestina e tinha-se declarado rei. Mais tarde mudou-lhe o nome para Jordânia, simplesmente. (O actual rei chama-se Abdullah Hussein II)
Os árabes não aceitaram que os judeus voltassem à sua terra passados 2000 anos e levantaram-se em guerra contra os judeus, em 1949, altura em que a Hussein ainda anexou a Cisjordânia, com 3 milhões de palestinos.
Portanto, porque é que este ex-adjunto do SG na ONU, não pede antes à Jordânia para devolver a terra roubada da Palestina? Porquê? Provavelmente porque a Jordânia é árabe muçulmana e este senhor mais os outros defensores de regimes teocráticos islâmicos da ONU querem mesmo é expulsar os judeus e torná-los de novo párias sujeitos a constantes pogroms.
Recordou que a Iniciativa de Paz Árabe de 2002 continua válida: normalização em troca de paz e de um Estado palestiniano. Denunciou a ajuda humanitária usada como instrumento de pressão e avisou que o enfraquecimento das instituições multilaterais ameaça a segurança de todos. A inação, disse, é uma escolha, porque existem sanções, congelamento de ativos e isolamento diplomático, já aplicados noutros casos. Apontou o «apetite expansionista» israelita (vindo do descendente de Hussein, isto é para rir) e citou a Síria como um alerta: incursões repetidas e factos consumados, incluindo em torno de recursos hídricos vitais.
O essencial do discurso assenta no direito internacional. (mais riso, vindo isto da parte de Hussein) A transferência forçada de populações é proibida pela Quarta Convenção de Genebra e constitui um crime de guerra segundo o Estatuto de Roma. A aquisição de territórios alheios pela força viola a Carta das Nações Unidas. (foi exactamente o que fizeram os Hussein quando anexaram a Cisjordânia) A Resolução 2334 (2016) do Conselho de Segurança declarou sem validade jurídica os colonatos. Em julho de 2024, o Tribunal Internacional de Justiça concluiu que a presença israelita nos territórios ocupados é ilegal e que os Estados devem abster-se de a apoiar. O Conselho de Segurança consagrou os dois Estados em 2002.
Portugal não tem no Médio Oriente o passado colonial das grandes potências. Tem séculos de contacto com o Islão, na língua, na azulejaria e na toponímia, e relações antigas com as culturas islâmicas de África, do Índico e da Ásia. (aqui invoca os azulejos e a nossa colonização pelos muçulmanos para nos pormos do lado deles) Pode ser ponte, desde que a faça com Estados que respeitem o direito internacional. (portanto, isso deixaria a Jordânia de fora) Portugal tem, aliás, um interesse direto: a estabilidade do Mediterrâneo pesa decisivamente sobre as migrações, a energia e a segurança do flanco sul da Europa.
A Jordânia é um interlocutor estável, acolhe uma vasta população de refugiados palestinianos e exerce a custódia dos lugares santos islâmicos de Jerusalém. (tudo pelos islamitas, tudo contra os israelitas) Não é uma democracia, e ninguém precisa de fingir que é. Cumpre, porém, em política externa, o critério do direito e do multilateralismo melhor do que alguns parceiros habituais. (não é uma democracia mas isso que interessa? Não são judeus)
A coerência será posta à prova quando Portugal ocupar o seu lugar no Conselho de Segurança, em 2027 e 2028. Dois anos de votos, declarações e abstenções ficarão registados. (aqui faz ameaças. Em nome de muçulmanos? Vão-nos fazer mal se não votarmos por eles?) Ao Governo caberá conduzir a política externa. O Conselho de Estado, órgão de consulta do Presidente da República, (aqui fala no PR que ele sabe ser da nova-esquerda clone de Guterres) deve ser chamado a opinar sobre as linhas gerais da participação portuguesa nas questões mais sensíveis. Na Assembleia da República, a Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas fará o escrutínio das posições assumidas, para que o mandato no Conselho de Segurança não se reduza a um alinhamento acrítico com outros governos.
Proponho três gestos, por ordem crescente de exigência. (todos estes gestos são de repúdio aos israelitas e submissão aos islamitas - nenhum dos gestos de Portugal enquanto ponte, nas palavras deste tipo, inclui Israel)
O primeiro é convidar o Rei Abdullah II para uma visita oficial nos próximos meses. A última visita da monarquia jordana a Lisboa foi em março de 2009. O convite compete ao Presidente da República, em concertação com o Governo. Feito agora, à entrada no Conselho de Segurança, diz ao mundo com quem Portugal quer falar e o que considera prioritário. Em maio, o ministro Paulo Rangel disse ao seu homólogo jordano que os dois países partilham uma visão política muito semelhante. O convite ao Rei daria a essa convergência um timbre de Estado.
O segundo é propor que a Jordânia integre a CPLP como observador associado, estatuto que o Catar já tem. A decisão pertence à Comunidade, mas a iniciativa pode partir de Lisboa. Um Estado árabe de referência ligaria a CPLP ao mundo islâmico, num espaço lusófono que inclui comunidades muçulmanas relevantes, como as de Moçambique e da Guiné-Bissau.
O terceiro é levar a solução dos dois Estados da retórica à ação. Em Bruxelas, Portugal deve defender condicionalidades efetivas para quem as inviabiliza na realidade. Na prática europeia, a palavra sanção continua a ser tabu quando o destinatário é Israel: a União afirma um princípio no papel e tolera o contrário no terreno, mesmo perante um chefe de Governo procurado pelo Tribunal Penal Internacional. Em Nova Iorque, Portugal deve manter o tema na agenda e votar segundo o direito, não segundo um reflexo de bloco.
(onde é que está aqui a Ponte? Em lado algum)
A Jordânia tem limites, interesses de regime e dependências, e nenhuma análise séria os ignora. Mas um discurso que nomeia os factos, invoca os instrumentos jurídicos precisos e liga a Palestina à segurança regional dá a Portugal uma âncora que a ambiguidade ocidental deixou de dar.
Se Portugal se limitar a ser um voto previsível, alinhado por reflexo e calado por conveniência, o reconhecimento de 2025 ficará como episódio isolado. O Rei recordou que a atenção é um recurso geopolítico e que o mundo escolhe onde a concentra. Quem vai integrar durante dois anos o Conselho de Segurança não pode fingir que não ouviu o discurso.
(o texto deste homem é um texto de preconceito e ódio aos israelitas -ditado pelo anti-semita mor?- e submissão aos árabes islamitas, ao ponto de pregar a virtude de um Estado autoritário contra a democracia.)
Sacripantas unidos.