March 09, 2026

Marcelo Rebelo de Sousa foi um presidente único

 

Não há outro igual. Entrou a pé no Parlamento como tinha entrado no Palácio de Belém. Se cometeu erros? Cometeu, sobretudo na sua cumplicidade com as malfeitorias de Costa e no virar as costas aos professores e à educação. Porém, no geral, foi um Presidente preocupado com as pessoas, preocupado em aproximar as pessoas do poder, preocupado em representar as pessoas, preocupado com a legalidade dos processos. Fez alguns discursos doutorais notáveis. Dado que é uma pessoa com muito polimento, foi um Presidente sem baixezas institucionais. Não mandou bocas ao novo Presidente, antes pelo contrário. Deu uma imagem de normalidade e alegria democrática ao passar o poder a outro. Isso não é pouca coisa. Depois saiu do Parlamento a pé e foi à sua vida. Não há outro igual.


"As muitas faces do urso"



Este terceiro episódio do documentário de Katarzyna Pisarska, Dancing With the Russian Bear, é à volta da subida de Putin ao poder, do ambiente de esperança na Rússia por parte do Ocidente depois da Perestroika, da oposição russa e dos que fugiram da Rússia para salvar o dinheiro - seu e de Putin.


O episódio começa logo com Vladimir Kara-Murza, um opositor de Putin que esteve preso em isolamento na Sibéria a dizer que Putin há-de cair porque na Rússia, as mudanças são repentinas. Ninguém sabe quando ou como mas de repente acontece algo e o ditador cai.

Este é o primeiro problema da Rússia: a oposição está à espera que a mudança caia do céu, de uma maneira ou de outra. A espera pelo fim de Estaline só veio com a sua morte, dezenas de anos de barbarismo cruel até cair... e ele diz que em todas as épocas da história da Rússia, que é sombria e sempre foi, houve vozes de oposição. 

Claro que houve, os russos são uma centena e meia de milhões... era o que faltava que não houvesse vozes corajosas de oposição. A questão é que são meia-dúzia. Literalmente meia-dúzia de pessoas de uma coragem exemplar e de uma moral superior, mas são só essas. 

Até sabemos os seus nomes. Alguns pagaram o preço supremo, como Boris Nemtsov, Anna Politkovskaya, Stanislav Markelov, Anastasia Baburova, Natalia Estemirova, Alex Navalny, estando perfeitamente conscientes de que esse seria o seu fim mais provável. Outros não acabaram mortos, mas podiam ter acabado da mesma maneira pois expuseram-se e foram presos sabendo o risco que corriam, como Mikhail Khodorkovsky e Garry Kasparov, que entram neste episódio e o próprio Vladimir Kara-Murza.

Porém, quando olhamos para o Irão, por exemplo, os opositores são tantas dezenas de milhar que é impossível saber os seus nomes. Dezenas de milhar de raparigas e mulheres que sabem que a prisão significa a violação colectiva, a tortura e depois a morte. Dezenas de milhar de rapazes e homens que sabem que a prisão significa muitas vezes o enforcamento público, muitas vezes em frente das famílias. Num único fim-de-semana o Ayatola matou 40.000 pessoas, famílias inteiras com crianças ao colo, mortas à queima-roupa. No dia a seguir os iranianos estavam na rua a protestar contra ele. 

Lembro-me do exílio de Masih Alinejad. Lembro-me dela criar um grupo no FB chamado, My Stealthy Freedom آزادی یواشکی زنان در ایران' antes das redes sociais explodirem, para denunciar o que se passava no Irão, para incentivar as iranianas a tirar o hijab e publicar fotografias com o cabelo à mostra e para pedir o apoio de instituições do Ocidente. Isto foi por volta da invasão da Crimeia, em 2014. Sigo-a no FB desde essa altura e assisti a centenas de raparigas e mulheres fotografarem-se sem o hijab, sabendo o risco que corriam. Imensa bravura.

É impossível fazer uma lista dos presos e mortos por ordem do governo terrorista islâmico do Irão como existem listas dos assassinatos de Putin, porque são dezenas milhar. Ninguém no Irão está à espera que «aconteça qualquer coisa.»

Esse é o primeiro problema da Rússia. Putin é popular entre os russos e os que não gostam dele não se organizam e ficam à espera que alguém -outros que não eles- faça qualquer coisa. É claro que é difícil a esses outros fazerem qualquer coisa porque sabem que vão estar sozinhos a enfrentar o urso.

Vladimir Kara-Murza acredita que depois de Putin cair a democracia chegará à Rússia. Não acredito nisso. Tiveram essa oportunidade depois de Gorbatchev. Lembro-me de ver o presidente dos EUA e congressistas americanos na Praça Vermelha a comemorar o fim da Segunda Grande Guerra. A questão é que tiveram essa oportunidade e não quiseram aproveitá-la. Ficaram à espera que aparecesse alguém que fizesse alguma coisa. E quem apareceu foi Putin.

Parece-me, já o penso há muito tempo e não há evidências do contrário, que a Rússia tem de perder a guerra e perder a ilusão de ser um império. Ser desmantelada. Ser confrontada com os seus crimes de guerra e genocídios como a Alemanha o foi - Krushchov teve a oportunidade de purgar os crimes de Estaline e não o fez o que foi um grande erro. 
Enquanto não houver uma consciência da culpa russa por tanta miséria, destruição, terrorismo, escravatura e crimes de guerra no mundo, nenhuma democracia será possível na Rússia e toda a oposição será varrida para debaixo do tapete.

Bom dia

 

Bom dia Mr. Gregg, em que posso ajudá-lo?

Bom dia. Eu queria transicionar.

Quer transicionar para mulher, é isso?

Sim, é isso.

Que idade tem o senhor?

74 anos.

¡Mas porque razão quer transicionar agora aos 74 anos?

Vi numa estatística que a expectativa de vida dos homens são 78 anos e a das mulheres 82.

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(visto algures numa rede social há uns dias)


Pôr as coisas em perspectiva

 

"Porque é que os desafios do colonialismo e do sexismo são tão semelhantes"





Porque é que os desafios do colonialismo e do sexismo são tão semelhantes.

FRANZISKA DAVIES

Depois da invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia, tornei-me activista pela Ucrânia e, um pouco mais tarde, comecei a criticar o russocentrismo tão prevalente na academia ocidental. 

Por diferentes razões, que talvez venha a discutir noutro ensaio, não vejo o papel de activista como incompatível com o papel de académica. Como disse recentemente o grande historiador Karl Schlögel no Café Kyiv, em Berlim, há algumas semanas, só se pode ser um bom historiador se se estiver desperto — se houver interesse não apenas pelo passado, mas também pelo presente e pelas interligações entre ambos

Defender posições com base na sua especialização académica não diminui, ou pelo menos não deveria diminuir, de forma alguma, a credibilidade de alguém como investigador sério. 

Foi uma coincidência ter-me tornado também activista numa outra esfera depois de 2022. No verão de 2023, tornou-se público que dois académicos (homens) da Universidade Humboldt de Berlim tinham assediado estudantes e pós-graduadas durante décadas com total impunidade.

Juntamente com algumas académicas, fundei a rede #metoohistory, através da qual tentámos chamar a atenção para o problema estrutural do abuso de poder e do assédio sexual na academia. Com o tempo, comecei a notar que as minhas experiências em ambos os campos do meu “activismo” eram bastante semelhantes. Percebi rapidamente que isso não era, na verdade, surpreendente, porque em ambos os casos lidamos com certas estruturas tradicionais de poder. 

O russocentrismo é o legado de estruturas coloniais de poder; o abuso de poder e o assédio sexual são o legado de estruturas patriarcais. Quais são então as semelhanças?

Viver em mundos paralelos: em ambos os casos, por vezes sinto que navego entre dois mundos paralelos. Depois do nosso primeiro evento do #metoohistory na Alemanha, uma professora (sim, uma mulher!) aproximou-se de mim e disse: “É fantástico o que estão a fazer, mas, sinceramente, quão comum é o assédio sexual e o abuso de poder na academia? É tão raro!” Olhei para ela, espantada. 

Será mesmo isso que ela acredita? Creio que sim. Ela está na posição privilegiada de nunca ter experienciado abuso de poder ou assédio sexual. Ainda bem para ela! Mas não é essa a minha realidade. O alarmante é que, aparentemente, ela nunca tinha sequer ouvido falar desses casos. 

Esta é a primeira semelhança: duas realidades paralelas. Por um lado, existem as “redes de sussurros” de pessoas que foram abusadas e dos seus aliados. Falamos uns com os outros, apoiamo-nos mutuamente, mas algures fora do olhar público. Muitas vezes, as histórias que ouvimos ou contamos são partilhadas em confidência. Por outro lado, existem as redes dos perpetradores, dos espectadores que sabem o que se passa e daqueles que são privilegiados pela ignorância.

O mesmo acontece com aqueles que são afectados pelo colonialismo russo. A colega ucraniana que entra no seu gabinete a 25 de fevereiro de 2022 numa instituição ocidental: um professor aproxima-se dela e diz: “Lamento tanto! É horrível! Eu adoro tanto a Rússia!” 

A colega ucraniana numa instituição ocidental a quem os “académicos russos em risco” se dirigem continuamente em russo: ela responde em inglês, mas eles não percebem a mensagem. 

A colega ucraniana que permanece em silêncio enquanto “académicos russos em risco” lamentam como as suas carreiras académicas foram prejudicadas pela “guerra na Ucrânia” (enquanto os pais dessa colega ucraniana são bombardeados diariamente). 

A colega ucraniana que vê o seu colega russo receber uma bolsa muito melhor do que a sua — mas estará ela numa posição em que possa queixar-se? Permanece em silêncio; não está exatamente numa posição de poder.

Quem ouve estas histórias? Quem ouve as histórias daqueles que foram vitimizados por professores poderosos? Quem ouve as histórias daqueles que são tratados com desrespeito por académicos russos ou pelos seus colegas ocidentais russocêntricos? Se tivesse sido afectado, com quem partilharia o seu trauma? Só partilharia a sua história com alguém que sabe que a reconheceria. O que não precisa de ouvir depois de ter sido agredido ou assediado por um professor é que “ele pode ser muito simpático”, ou que “a maioria dos professores homens é perfeitamente normal”, ou que “ele sempre foi simpático comigo”. A quem contaria a sua dor depois de um colega russo, pela milionésima vez, ter desvalorizado a sua experiência e ter feito tudo girar em torno de si próprio? Contaria a alguém que lhe explicaria que está a ser injusto para com os russos? Ou que provavelmente entendeu mal o que foi dito? Que talvez esteja a exagerar? Que têm a certeza de que esse colega russo não teve intenção de o magoar e que deveria tentar ver tudo da perspectiva dele? Essa é precisamente a reacção de que não precisa. 

Precisa de alguém que compreenda que isto faz parte de uma história maior, de um problema estrutural. Precisa de alguém que reconheça a sua dor e o seu trauma. Seja o tipo de académico a quem as pessoas confiariam o seu trauma. Se todas estas histórias são novas para si, então algo está errado.

Privilegiamento estrutural: fui inspirada a escrever este texto por um concurso para bolsas na Universidade do Ruhr, em Bochum, destinado a investigadores afectados pela “guerra na Ucrânia”. A formulação do anúncio deixou-me perplexa. As bolsas destinam-se a “investigadores que foram forçados a deixar os seus países devido à repressão e perseguição políticas”. 

Ora, os ucranianos (exceto aqueles que vivem em territórios ocupados pela Rússia) não estão sujeitos a “repressão e perseguição políticas”. O problema deles é que estão a ser bombardeados pela Rússia. Assim, é pouco provável que sintam que este concurso se dirige a eles. 

Uma breve pesquisa revelou rapidamente que a maioria destas bolsas parece, até agora, ter sido atribuída a russos. Isto dificilmente é surpreendente, dada a forma como o anúncio foi formulado. O facto de a Universidade do Ruhr cooperar com a fundação russa Zimin para financiar esta bolsa provavelmente afastará ainda mais muitos ucranianos.

Eu (como outras pessoas) chamei a atenção dos responsáveis pelo programa para este facto, mas eles não viram necessidade de agir. A única alteração desde então foi que a expressão “guerra na Ucrânia” foi substituída por “guerra de agressão da Rússia”. 

Quando perguntei com base em que critérios as bolsas tinham sido atribuídas no passado, disseram-me que foi exclusivamente com base no mérito académico, independentemente da nacionalidade. Então vejamos: uma universidade publica um concurso que discrimina os ucranianos e, logicamente, acaba com sobretudo bolseiros russos (a bolsa foi anunciada da mesma forma em 2025). No entanto, a universidade nega discriminar os ucranianos com o argumento de que os bolseiros “não eram exclusivamente” russos. A questão de saber se a maioria era russa permanece sem resposta (pelas informações públicas que consegui reunir, parece bastante claro que a maioria era de facto russa). Isto não é de modo algum um caso isolado, mas sim um sintoma de um problema estrutural mais amplo.

As trocas de mensagens com o coordenador deste programa fizeram-me lembrar debates sobre discriminação contra as mulheres. As instituições perpetuam condições que desfavorecem as mulheres. Depois, como seria de esperar, os homens ficam mais fortemente representados, mas ninguém quer admitir isso. Se questionar essas estruturas, a resposta é: “Não há discriminação! As decisões foram baseadas apenas no mérito académico.” 

Outro paralelo é que os cientistas ucranianos servem como folha de figueira. A resposta “Tivemos um bolseiro ucraniano, portanto não há discriminação” lembra-me: “Bem, temos aquela investigadora no nosso instituto, portanto não temos um problema com estruturas sexistas.” 

Este paralelo não é surpreendente. Em ambos os casos trata-se de estruturas de poder estabelecidas. Precisamente por causa do colonialismo russo — a dominância da Rússia no estudo da Europa de Leste — os russos têm melhores redes; as fundações russas têm mais dinheiro e estão melhor estabelecidas no Ocidente.

Esta assimetria de poder não existe apenas em relação à Ucrânia, mas também em relação a outros países e regiões colonizados pela Rússia. Isto é um problema ético porque é simplesmente injusto; mas também é um problema do ponto de vista académico. 

Tais estruturas consolidam uma visão russocêntrica, porque os especialistas fora dos centros coloniais são marginalizados. Todos beneficiaríamos de um campo mais inclusivo, não apenas do ponto de vista intelectual. Naturalmente, o mesmo se aplica ao abuso de poder e ao assédio sexual. Não beneficiaríamos todos de um campo em que os perpetradores fossem responsabilizados e em que todos tivéssemos a possibilidade de florescer?

March 08, 2026

"Dancing with the Russian Bear"

 

«Dancing with the Russian Bear» expõe os anos de erros de avaliação ocidentais que levaram ao regresso da guerra à Europa. Apresentada pela especialista em segurança Katarzyna Pisarska, esta série amplifica as vozes muitas vezes ignoradas da Europa Central e Oriental. Enquanto o continente enfrenta a sua maior crise de segurança em décadas, descubra como a Polónia e os seus vizinhos estão a liderar a luta para restaurar a estabilidade e responder à ameaça russa.

Episódio 1 - siga o link e veja os outros no YouTube.

A semana passada fui ver o bailado da Bela Adormecida

 

É claro que não foi nada do calibre extraordinário deste bailarino do outro mundo, mas foi bom. O que também foi bom foi ver imensas famílias com crianças - sobretudo raparigas, mas não só. 

O bailado clássico é dança mas também é teatro e é música clássica e ver tantas crianças e adolescentes entusiasmados com o ballet é animador porque nos concertos de música clássica e nas óperas vê-se pouca gente nova. Até já no cinema se vê pouca gente nova. Pouquíssimas crianças. É uma pena. 

A ópera e a música clássica, tal como a literatura e a história, se não são passadas de geração em geração, perdem-se. Seria uma pena perder toda a música, a dança, o canto e a cultura clássica em geral para influenciadores do Tik Tok e outras redes sociais e para os sons manicurados do Spotify.


 

Citação deste dia

 


Half the World are Women. The other half are their children  
- Efu Nyaki

 

Porque é que ainda precisamos de feminismo

 




Happy International Reality Women's Day!

 


Como transformar um ser vivo num zombie?

 

2016, Marco Rubio, versão vivo


2026, Marco Rubio, versão zombie

Happy International Reality Women's Day!

 

Happy International Reality Women's Day!

 

Happy International Reality Women's Day!

 


Happy International Reality Women's Day!

 

Precisamos de melhores adultos. 840 milhões de mulheres e raparigas adolescentes são vítimas de abuso sexual, mas mesmo assim os homens e as pseudo-feministas de esquerda insistem em pôr homens nos espaços das raparigas e mulheres.


Happy International Reality Women's Day!

 

Por que é que há mais *mulheres* a cometer crimes sexuais?
Porque são homens!   
-DerryBanShee, falando sobre como as estatísticas criminais estão a ser adulteradas corrompidas pelo facto de os homens poderem «identificar-se» como mulheres quando são condenados. Os crimes de violação de mulheres agora aparecem com 'mulheres' como sendo as criminosas violadoras. Só que são homens.

 

Happy International Reality Women's Day!

 

Aqui está um homem biológico trans a chorar porque em Inglaterra já não pode violar o espaço das mulheres. Apesar de em todo o lado as mulheres e as raparigas dizerem que não querem homens biológicos nos seu espaços, a sociedade, que continua patriarcal, tem ignorado as mulheres e imposto que partilhem espaços de mulheres com homens biológicos. Estas pessoas podem ir às casa-de-banho unissexo, mas insistem em ir espreitar crianças, raparigas e mulheres nas casas-de-banho delas.


Happy International Reality Women's Day!

 

Happy International Reality Women's Day!

 


Happy International Reality Women's Day!