Keiko Fujimori, em visita a El Salvador, em Outubro, pediu oficialmente cooperação e aconselhamento para avaliar o modelo de segurança salvadorenho. Visitou a mega-prisão (Cecot) de El Salvador. O objectivo foi estudar de perto o modelo de "mão dura" anti-crime. Durante o encontro, Bukele assinou uma declaração conjunta e ofereceu formalmente apoio ao Peru, abrindo o acesso às suas estratégias de inteligência e ao sistema penitenciário para que o governo peruano adopte e adapte o que considerar conveniente.
Apesar da abertura, Bukele fez uma ressalva pública realçando que a delinquência e a realidade do Peru são diferentes das de El Salvador. Bukele explicou que copiar o sistema de forma idêntica não faria sentido, dado o Peru não necessitar de medidas tão drásticas (como o regime de excepção por ele adoptado) porque a sua crise com o crime, embora real e grave, difere do cenário de gangues que dominava completamente El Salvador.
Há tempos perguntaram a Bukele como conseguira afastar os jovens do modelo do narcotráfico dados os incentivos: a casa grande, o carro, o ouro, o smartphone… quando trabalhar honestamente para ter qualquer uma dessas coisas demora anos.
Resposta:
«O governo chega tarde se esperar reintegrar aquele que já violou, já matou e já cortou cabeças. A vida de uma criança de 6 ou 8 anos ainda pode ser mudada. É diferente se a pessoa já escolheu o mal e já vive dele... o jovem que vende tomates no mercado e sua para ganhar 5 dólares vê o membro de um gangue tirar-lhos impunemente. Que incentivo tem para continuar a trabalhar por 5 dólares?
É por isso que nunca se ganha a guerra dos incentivos se o criminoso continuar na rua, a operar impunemente. Porque o Estado não pode pagar-lhe o triplo do salário mínimo para que ele faça o favor de abandonar o crime. Isso é uma ingenuidade que sai muito cara.
Uma instituição disse-me: Não se pode acabar com o crime de uma só vez, são 70 mil empregos e esse dinheiro chega às famílias e é gasto de forma legal. O que estavam a insinuar era que se deixasse o cancro viver para não prejudicar a economia. Ora, se eu tiver cancro com metástases e me oferecerem cirurgia, quimioterapia e ficar fraco, mas vivo, faço a cirurgia. Não fico assim à espera que o tumor seja bem educado e páre de crescer.
Disseram que o PIB poderia cair até 10% por eliminar essa economia suja. Não caiu. Subiu. Porque o medo também é um imposto. E esse, sim, pagávamo-lo todos os dias. Tira-se o membro de um gangue da equação, não apenas para o punir, mas também para que o rapaz que ainda não entrou nesse mundo de crime veja outras opções de vida.
Em vez de:
Vou entrar para um gangue e vou ganhar imenso dinheiro. Agora é:
Se entrar para um gangue vou perder a minha liberdade. Isto não é ódio contra ninguém, é repor a ordem. É proteger a família que trabalha de verdade, aquela que envia o dinheiro, que paga o imposto, aquela que nunca teve uma casa grande porque não cobrava «renda de sangue». 30 anos de discursos contra 7 anos de resultados. O resto é teoria para intelectuais.»
Entretanto, depois de acabar com os sangues, El Salvador viu o PIB a crescer e é uma das economias com maior expansão na América Latina. Reduziu a pobreza e aumentou a segurança. A melhoria drástica na segurança pública (com a queda acentuada da criminalidade e extorsões) impulsionou o turismo internacional e a actividade de pequenas e médias empresas, contribuindo para uma diminuição nos índices oficiais de pobreza.
Também subiu no índice mundial de Felicidade e Bem-estar. Porquê? Porque agora o país pontua bem em indicadores específicos como a percepção de liberdade e a baixa percepção de corrupção.
O país deixou de estar refém de um pequeno número de pessoas criminosas violentas, autênticos cancros geradores de caos e insegurança.
Conclusão: o comportamento cívico e moral não é uma estratégia ou uma técnica que possa ser ensinada quando a pessoa já desenvolveu traços de carácter violentos -seja porque razão for- e predatórios, quando já matou, já violou, fazer sessões de terapia a explicar que deve ter empatia não serve para nada. É por isso que tem de ter-se muito cuidado com pessoas que entram no país e na Europa e que vêm de países violentos, de Estados falhados onde desde crianças são ensinados pelo exemplo, a violar, a agredir e a matar, tudo impunemente. O único modo de lidar com essa violência é a responsabilização.
É preciso lidar com os factos. Apesar das culturas serem relativas, não são iguais em valor: algumas culturas geram paz e prosperidade, outras conduzem à miséria e à violência sistémica. Algumas são simplesmente malignas. Vivem para a morte, a subjugação do outro e a destruição.
Algumas culturas evoluem porque são capazes de fazer uma revisão racional dos seus males e dos seus erros e outras recusam fazer a revisão racional dos seus erros e ficam cristalizadas eternamente neles e transformam-nos em crime sistémico. É assim que a Europa escravizou povos inteiros mas depois foi capaz de se ver como esclavagista e lutou firmemente pelo fim da escravatura. Outros povos que escravizaram e alguns ainda mantêm a escravatura a funcionar, recusam rever as suas práticas e mudar de rumo.
Se a Europa não aceitar esta evidência, a sua base cultural, o seu sucesso e a sua prosperidade serão destruídos para sempre. Não há nenhuma lei natural que mantenha as civilizações prósperas e democráticas, capazes de se pôr em causa e evoluir nos seus comportamentos sócio-culturais. Tudo isso pode ser perdido e não voltar mais.