Razões para não insistir na 2ª fase dos exames já daqui a 3 dias:
- a 1ª fase, não só ainda não está acabada, como está cheia de furúnculos que o ME não sabe resolver.
- foi anunciada uma auditoria, necessária para compreender o que correu mal. Ora, é impossível, nestes três dias de intervalo entre as duas fases, mesmo que os problemas da 1ª fase já estivessem resolvidos, o que não estão, fazer uma auditoria para evitar o arrastamento dos mesmíssimos problemas para a 2ª fase. O governo quer mesmo repetir este circo e as suas consequências para daqui a três dias?
Porque não há bom senso? Porque teriam de admitir que o processo foi mal conduzido e pensado desde o início.
Porque não feita uma auditoria o ano passado, logo após o exame de Filosofia ter evidenciado os problemas que vieram a acontecer este ano, mas com muito maior gravidade devido à quantidade de provas a digitalizar - mais de 2 milhões de folhas de 360 mil provas? Ou dar-se-á o caso de terem feito uma auditoria mas não terem aprendido nada?
Ficámos hoje a saber por declarações do JNE do ano passado à TV que tanto eles como o IAVE aconselharem o ministro a não alargar o processo a todos os exames já este ano. Porque é que o ministro insistiu? Talvez porque tinha pressa em desmantelar todos os serviços do ME: vinha com essa fisgada. Como se costuma dizer, 'atirou fora o bebé com a água do banho'.
Depois, acontece que os governantes e o pessoal do ensino superior, de onde ele vem, têm uma visão limitada e cristalizada da educação escolar e de tudo o que lhe diz respeito e assumem que são questões menores e simples de realizar. Dá jeito para desvalorizar o trabalho e poder empobrecê-lo. Nessa medida, todos desvalorizam a complexidade e dificuldade dos problemas e erram na avaliação das soluções.
Volto a perguntar, porque não há bom senso? O governo quer mesmo repetir este circo daqui a três dias só para não dar o braço a torcer agora? É que já está todo torcido e se o alarme com os problemas da 1ª fase já foram o que se está a ver, se se repetem na 2ª fase, o que é o mais provável, passa do nível de alarme para o nível de derrocada.
Não cuidar de levar a sério o problema passa uma imagem de falta de consciência da seriedade da situação, de falta de consideração pelas pessoas que os problemas atingem e preocupação exclusiva com a sua imagem.
Passe a 2ª fase para Setembro. Dá tempo aos alunos de descansar e poder estudar para a 2ª fase. Dá tempo às escolas para fazer o seu trabalho de matrículas, turmas e horários, talvez dê tempo para perceber e resolver algumas das questões que mais emperraram o processo nesta fase e não se põe a jeito de ser considerado a Inês de Medeiros do ME. Vale a pena correr o risco de transformar o alarme em derrocada sem volta atrás?