May 05, 2026

Nas expressões, 'capitalismo canibal' e 'socialismo canibal', o termo operativo é, 'canibal'

 


A maior fábrica da China, na verdade uma cidade industrial murada, tiveram que instalar redes anti-suicídio nos edifícios. 





por Veridion

Vêm aí os americanos

 




u/Krankenitrate


Kleptocracy Tracker

 

Tenho pena que em Portugal não haja alguém ou um grupo de cidadãos que se dedique a documentar todos os desvios de fundos, fraudes e abusos económicos e financeiros de poder que nos trouxeram aqui a este ponto: multidão de pobres e a classe média a fundir-se nos pobres. Fariam melhor serviço e mais oposição que muitos inúteis que estão no Parlamento a fazer número. Como diz Applebaum, foi esse trabalho de mostrar como Orban estava a destruir a classe média para se enriquecer a si, à sua família e aos amigos que no fim lhe tirou os votos e os deu a Magyar. 

É verdade que não vivemos numa Cleptocracia, que é um sistema onde o poder político se organiza para roubar dinheiro dos contribuintes, como vemos acontecer na Rússia e em outros países, sendo que os EUA para lá caminham a grande velocidade. Porém, já tivemos governos a roçar esse caminho e o último foi o do senhor Costa onde os cargos políticos e de gestão pública estavam reservados para as famílias e amigos dos governantes e todos os dias havia notícias de casos de corrupção, tráfico de influências e abuso de poder. Apesar de Aguiar-Branco se queixar dos políticos serem escrutinados demais e da injustiça de serem percepcionados como lapas agarradas ao poder, precisamos de alguém que rastreie todos os casos de corrupção e os custos em dinheiro a eles associados.


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Kleptocracy Tracker

19 de abril
O bilionário sírio Mohamad Al-Khayyat utilizou uma proposta para um campo de golfe de Trump na Síria e contribuições para campanhas no Congresso para fazer lobby com sucesso junto do presidente e de vários membros do Congresso, com o objetivo de revogar as sanções impostas à Síria durante a presidência de Assad.

20 de abril

Beneficiários empresariais de contratos governamentais, incluindo uma subsidiária do contratante do ICE GEO Group, contribuíram com milhões de dólares para o super PAC de Trump, MAGA Inc., ajudando a angariar um valor recorde de 350 milhões de dólares antes das eleições intercalares de Novembro.

21 de abril
Trump afirmou que iria “lembrar-se” das empresas que não solicitassem reembolsos de tarifas ao governo, depois de o Supreme Court of the United States ter considerado ilegal a sua utilização da International Emergency Economic Powers Act, insinuando que continuaria a usar o poder executivo para punir empresas que o desagradassem.

22 de abril
Operadores financeiros fizeram uma série de apostas no valor de 430 milhões de dólares numa descida dos preços do petróleo bruto apenas 15 minutos antes de Trump anunciar que iria prolongar um cessar-fogo com o Irão — a quarta operação deste tipo, bem cronometrada, desde o início da guerra.

A administração Trump estabeleceu um enquadramento legal para manter anónimas centenas de milhões de dólares doados para financiar a construção de um salão de baile na Casa Branca, limitando as revisões federais de conflitos de interesse.

24 de abril
Apesar das declarações públicas de Trump a condenar mercados de previsão, o Trump Media & Technology Group lançou a sua própria plataforma desse tipo no ano passado, e Donald Trump Jr. tem ligações extensas tanto à Polymarket como à Kalshi.
O CEO da Skydance Media, David Ellison, organizou um jantar para Trump e altos membros do seu gabinete — incluindo o procurador-geral interino Todd Blanche — enquanto aguarda a aprovação do Departamento de Justiça para a aquisição da Warner Bros. Discovery pela sua empresa, no valor de 111 mil milhões de dólares.

O filho do Secretário da Saúde e Serviços Humanos, Robert F. Kennedy Jr., William, procura angariar 100 milhões de dólares para um fundo ligado ao movimento Make America Healthy Again do pai, tentando capitalizar a posição deste no governo.

Trump concedeu um perdão à vereadora republicana de Las Vegas Michele Fiore pela sua condenação por fraude, por ter usado fundos destinados a uma estátua em homenagem a um agente da polícia morto para pagar uma cirurgia estética, renda e o casamento da filha.

25 de abril
A Clark Construction, empresa responsável pela construção do salão de baile da Casa Branca, recebeu em Janeiro passado um contrato sem concurso da administração Trump para reparar duas fontes ornamentais no Lafayette Park. O National Park Service aumentou posteriormente o valor do contrato várias vezes, atingindo finalmente 17,4 milhões de dólares.

Trump organizou um segundo jantar — desta vez em Mar-a-Lago — para os 297 maiores investidores na sua memecoin $TRUMP, seguido de uma recepção para os 29 principais investidores.

28 de abril
Menos de um mês depois de a administração Trump anunciar acusações criminais e sanções contra uma rede criminosa transnacional acusada de roubar milhares de milhões de dólares a cidadãos americanos, a World Liberty Financial anunciou uma parceria com uma empresa de moeda digital cujos líderes tinham sido sancionados nessa mesma operação.

29 de abril
Após uma década a evitar locais associados a Trump, o PGA Tour será realizado no Trump National Doral, de 30 de abril a 3 de Maio, onde uma estátua dourada do presidente — patrocinada pelo grupo de criptomoeda Patriot Token — presidirá ao Cadillac Championship.

Uma análise da Popular Information revelou que Trump promoveu os seus negócios pelo menos 110 vezes desde o início do seu segundo mandato, através de publicações na Truth Social, declarações públicas e locais de eventos.

A Amazon está a considerar lançar um reboot de The Apprentice, desta vez com Donald Trump Jr. como apresentador.

30 de abril
Uma análise do grupo de defesa sem fins lucrativos Anti-Corruption Data Collective concluiu que metade de todas as apostas de alto risco — definidas como apostas de 2.500 dólares ou mais com probabilidades de 35% ou menos — sobre ações militares ou de defesa em mercados de previsão como Polymarket e Kalshi são bem-sucedidas, sugerindo que muitos utilizadores negoceiam com base em informação classificada como privilegiada.

Uma empresa de fachada apoiada por Eric Trump e Donald Trump Jr. fundiu-se com um grupo de minerais críticos que recebeu até 1,6 mil milhões de dólares do governo dos EUA no ano passado para explorar tungsténio no Cazaquistão.

Uma empresa de drones também apoiada pelos irmãos — Powerus — conseguiu o seu primeiro contrato com o governo dos EUA para um número não divulgado de drones interceptores destinados à Força Aérea dos EUA.

Open Letters, from Anne Applebaum 

Citação deste dia

 

«Nenhuma tirania é mais cruel do que aquela praticada à sombra das leis e sob o pretexto da justiça — quando, por assim dizer, se procede ao afogamento dos infelizes precisamente na tábua com que se tinham salvo.»

— Montesquieu (1689–1755)

The Wisdom Letter

Pode uma sociedade considerar-se justa se as suas salvaguardas agravam a vulnerabilidade que prometem aliviar?

May 04, 2026

Zangam-se as comadres, descobrem-se as verdades II

 


Zangam-se as comadres, descobrem-se as verdades

 


Coisas óbvias

 

Putler, escondido no bunker com medo da internet, pediu a Trump que lhe desse um cessar-fogo de um dia para dar uma festa. Ainda não percebeu que os EUA já não têm esse poder de influência. Trump delapidou-o a troco de promessas de dinheiro fácil.


Não haverá cessar-fogo no dia 9 de maio. «Ninguém pediu oficialmente à Ucrânia um cessar-fogo no dia 9 de maio», afirmou Zelenskyy.

«Um cessar-fogo de um dia, e antes disso, matar o nosso povo – isso é, por assim dizer, desonesto. Hoje Merefa, ontem Dnipro – mortos, feridos, adultos, crianças. Depois, dizer: Vamos parar por um dia para fazer um desfile – isso não é sério. Não temos feriados. Depois de 9 de maio, eles vão matar novamente.»

🎼 What a difference a lider makes, in 24 little hours 🎼

 

Enquanto uns se isolam e tornam o mundo mais paroquial, outros expandem-se e tornam o mundo mais actual.


Educação: remover o órgão e exigir a função

 

«E, ao mesmo tempo — tal é a tragicomédia da nossa situação —, continuamos a clamar por essas mesmas qualidades que estamos a tornar impossíveis. É quase impossível abrir uma revista sem deparar-se com a afirmação de que o que a nossa civilização precisa é de mais “determinação”, ou "dinamismo", ou "abnegação", ou “criatividade”. Com uma espécie de simplicidade medonha, removemos o órgão e exigimos a função. Criamos homens sem peito e esperamos deles virtude e iniciativa. Rimos da honra e ficamos chocados ao encontrar traidores no nosso meio. Castramos e exigimos que os castrados sejam fecundos.» 
— C. S. Lewis (1898–1963), “The Abolition of Man

The Wisdom Letter

Como é que uma cultura lamenta a ausência de virtudes que, silenciosamente, ensinou as pessoas a abandonar?


A educação é mais do que escolher um curso e uma carreira para fazer dinheiro



Hoje em dia, pensamos na educação como uma série de disciplinas dispersas que se estudam por motivos de carreira e mobilidade social:

A matemática é para engenheiros
A medicina é para médicos
A ciência é para biólogos
As humanidades são para pessoas sem recursos

A ideia da educação actual consiste em escolher uma disciplina, manter-se no seu caminho, formar-se, iniciar a carreira e depois fazer dinheiro. 

A educação é muito mais do que isso — durante a maior parte da História, a educação destinava-se a libertar a pessoa. A educação clássica ensinava para que a alma pudesse ser libertada; livre da confusão e do vício, orientada para a sabedoria e capaz de viver uma vida digna e com significado. (Sean Berube)

Como é que uma sociedade lamenta a ausência da cultura que, silenciosamente, ensinou as pessoas a abandonar?

Revisão do ECD: o ME pretende cortar fundos e eliminar direitos?




A insustentável dureza da revisão do ECD

O que está em curso não serve a Educação, a Escola Pública, as aprendizagens dos alunos e os profissionais do setor. Daí a necessidade de a sociedade e, desde logo, os docentes se mobilizarem.

Mário Nogueira

O que está em curso não serve a Educação, a Escola Pública, as aprendizagens dos alunos e os profissionais do setor. Daí a necessidade de a sociedade e, desde logo, os docentes se mobilizarem.

Adiando o que é prioritário para valorizar a carreira e tornar atrativa a profissão docente, os ministérios da Educação e das Finanças vão arrastando o processo de revisão do Estatuto da Carreira Docente (ECD). Para tal contribuirá o facto de os governantes terem percebido que a concretização das suas intenções é mais difícil do que pensavam, mas, também, que a contestação dos professores sobe de tom. Num momento em que são vários e justos os motivos de contestação dos portugueses (pacote laboral, preço dos combustíveis e inflação em geral, insuficiente apoio às vítimas das tempestades ou apoio ao belicismo de gente perigosa), o Governo não quer abrir um novo foco de forte protesto. Como tal, este é o momento oportuno de lutar para travar o objetivo dos governantes e conseguir que, da revisão do ECD, resulte a indispensável e inadiável valorização da carreira e da profissão de professor(a) e educador(a).

Ao longo do processo tem havido quem branqueie o curso da revisão, considerando serem apenas alterações de semântica, pelo que corpo especial e carreira de regime especial são a mesma coisa, assim como concurso e procedimentos concursais, ou que o facto de a carreira docente ser de corpo especial não evitou a divisão em categorias.

Há que ser sério: o que afirmam ser igual é muito diferente e, quanto à divisão, não teve a ver com a natureza da carreira, mas com a organização, passando de unicategorial para pluricategorial, o que foi derrotado, com luta, pelos professores.

Há 18 anos, na sequência da Lei 12-A/2008, cerca de mil carreiras da Administração Pública (AP) foram extintas e automaticamente integradas na de regime geral, então criada. Já os corpos especiais (diplomatas, militares, segurança, docentes, investigadores, médicos, enfermeiros, técnicos de diagnóstico e terapêutica e bombeiros) seriam convertidos em carreiras de regime especial, através de processos de revisão que iriam estabelecer, para cada um, as normas de transição. Só enfermagem (2009) e técnicos de diagnóstico e terapêutica (2017) viram a carreira convertida, com consequências que têm justificado fortes lutas, devido, entre outros motivos, à avaliação pelo SIADAP e à perniciosidade da TRU.

Para o Governo chegou a vez dos docentes, daí, logo à cabeça, ter escrito que a carreira será de regime especial, grau de complexidade funcional 3 (que decorre do requisito habilitacional), e que o perfil do docente terá em conta o Referencial de Competências para a AP (ReCAP), publicado pela Portaria 214/2024/1, que serve para caraterizar os postos de trabalho dos mapas de pessoal, os procedimentos concursais, a formação e desenvolvimento profissional e a avaliação do desempenho.

Do já longo processo, mas ainda curta revisão, já se percebeu a intenção de: as vagas de quadro serem substituídas por postos de trabalho (obviamente, em “mapas de pessoal”), com exceção dos quadros de zona pedagógica que, tendo 17.000 docentes, seria impossível afetar cada um a uma “unidade orgânica”; as cinco modalidades do concurso serem substituídas por dois procedimentos concursais que, misturando-as, complicam o que existe; todos os docentes passarem a estar sob regime de contratação em funções públicas, uns a termo e outros por tempo indeterminado, extinguindo-se a natureza definitiva do vínculo; o absurdo período probatório a mudar de nome para período experimental com indução, que não é uma coisa nem outra; as habilitações profissionais e próprias a serem substituídas por formação científica e pedagógica e formação científica, possibilitando que docentes sem formação pedagógica possam lecionar onde hoje estão impedidos, como é o caso do 1.º ciclo. A “vinculação” passa a fazer-se por “recrutamento”, que é a conversão do contrato a termo em tempo indeterminado, mas ainda sem se compreender o mecanismo. Ademais, o ministério pretende eliminar direitos como os de negociação coletiva, participação ou reconhecimento de doenças provocadas ou agravadas pelo exercício da profissão.

Quanto à estrutura da carreira, salários e progressão (TRU?), avaliação do desempenho (SIADAP? e ReCAP!), horários de trabalho e reduções letivas, por exemplo, são aspetos empurrados para mais tarde.

O anunciado objetivo da revisão era valorizar uma profissão de que muitos saem, por aposentação ou abandono, e poucos escolhem, havendo mesmo 30% dos estudantes dos cursos a desistir deles. Contudo, se o processo não está a corresponder ao que seria espectável, afirmações do ministro em que lamenta ser o patrão que mais emprega, comparando a Educação a uma cadeia de supermercados, e que a despesa com docentes atinge os 2% do PIB, indiciam que o governante se queixa de haver professores a mais e despesa excessiva, o que contraria a necessidade e o objetivo inicialmente previsto.

Reduzir profissionais e despesa, afinal, parece ser o verdadeiro objetivo e, nesse sentido, foram tomadas ou preparam-se medidas: transferência de toda a administração educativa para institutos públicos, que são entidades de administração indireta do Estado (AGSE, I.P.; EduQa, I.P.; CCDR, I.P.); integração dos ex-delegados regionais da DGEstE nas CCDR, I.P.; fusão de ciclos; transferência de mais financiamento para fundos europeus; aprofundamento da municipalização; aprendizagens essenciais; entre outras.

O que está em curso não serve a Educação, a Escola Pública, as aprendizagens dos alunos e os profissionais do setor. Daí a necessidade de a sociedade, a comunidade educativa e, desde logo, os docentes se mobilizarem, contestando as atuais políticas educativas e exigindo uma Educação pública de qualidade, para todos, inclusiva, devidamente financiada e valorizada em todos os domínios. Pondo isso em causa, o ministro impõe a reforma do Estado na Educação, reforma que visa desconstruir e não melhorar.


May 03, 2026

Lest we should forget that Trump is a Russian asset...

 

Lest we should forget that Trump is a Russian asset, here’s Senator Sheldon Whitehouse to remind us. TokTok - http://vm.tiktok.com/ZNRpR45fb/

- Truth Matters

Ler no Substack

Citação deste dia

 

Ironia: os novos progressistas que odeiam os valores europeus passam as férias a visitar maravilhados as obras que esses valores construíram. Jeremy Tate (citado de cabeça)



De vez em quando vejo um programa de propaganda

 

Este é um programa com um guru, Jeffrey Sachs, um economista que foi conselheiro do primeiro-ministro russo da Rússia pós-soviética e 3 crentes.

https://www.racket.news/p/a-true-shock-economist-jeffrey-sachs

Não há ali ninguém que lhe faça uma pergunta difícil, digamos assim. Pelo contrário, há um embasbacamento porque ele tem histórias dos anos 90 quando era conselheiro de russos. Ele diz que tentou que os EUA  e os países do G7 dessem dinheiro à Rússia como deram a países da Europa no pós-guerra mas que os EUA recusaram porque já pensavam em destruir a Rússia.

No programa passam um excerto de uma entrevista de Zelensky, descontextualizado, para parecer que as intenções dele são destruir a Rússia a mando dos EUA. 

Os EUA são o demónio que causou esta guerra porque os russos após a queda do muro só queriam a paz e a amizade com o Ocidente e os EUA impediram essa paz porque queriam controlar e dominar a Rússia e já tinham em mente uma guerra total com a ex-URSS.

Percebo que pessoas que pouco lêem sobre a História do século XX sobre estes países e não se informam sobre os factos correntes a não ser com os seus gurus e nas redes sociais se deixem levar por esta conversa porque o homem tem um ar de idoso competente e esteve por dentro de muitas situações nessa época enquanto conselheiro. 

É claro que, se estiverem por dentro dos factos históricos, detectam muitas mentiras: os EUA queria muito a Ucrânia na NATO? Os EUA juntaram-se à Alemanha para impedir que a Ucrânia se juntasse à NATO. Nos 90 houve promessas formais a Gorbachev de que nunca alargaria a NATO? Sabemos ser mentira pelo próprio Gorbachev. 

Enfim, é uma sequência de verdades (as histórias pessoais que ele viveu) com meias verdades (a Rússia no início dos anos 90 precisava de ajuda) e mentiras gritantes, para concluir que Putin é um homem de respeito, que Zelensky é um boneco nas mãos da CIA e que os EUA são os culpados de tudo o que a Rússia faz.

Por exemplo, cita muitas iniciativas militares dos EUA (erradas, é verdade) e nenhuma das invasões da Rússia aos países vizinhos desde os anos 90. 

De vez em quando vejo um programa de propaganda de um servo de Putin para estar por dentro das suas manipulações e não ser apanhada desprevenida.


Há jornais que em nada diferem do pior das redes sociais

 

Aqui está uma pessoa chateada porque numa exposição de trabalhos escolares o filho dela não teve boa nota porque terá sido a única mãe a não fazer o trabalho do filho (é o que pensa, não o que sabe) e vem para um jornal nacional fazer queixinha da professora e dos outros pais.

Como se isso não chegasse, apesar de reconhecer que não percebe nada de educação (escolar)  resolve dizer aos professores como devem trabalhar e que formações devem fazer, partindo da sua experiência "enquanto mãe e aluna", e que trabalhos de casa os alunos devem ter e aconselha a usar o ChatGPT porque em sua opinião, os pais fazerem os TPCs dos filhos é a mesma coisa que usar o ChatGPT. E fala em paradigmas da educação sem perceber um boi do que está a dizer e, portanto, diz disparates.

Imagine-se que eu, enquanto mãe e doente de muitos médicos, apesar de não perceber nada de medicina, fosse para um jornal queixar-me dos TPCs que os médicos me passam (rotinas de exercícios, medicação, etc.) ou passaram ao meu filho de cada vez que esteve doente, ou dizer aos médicos como tratar os doentes, que formação devem fazer, como mudar o paradigma da medicina, etc., ou ainda, como tratar doentes com cancro, pois tenho muita experiência dessa doença ou de outras que também tenho. Rídiculo, não? 

Pois, só que em relação à educação escolar todos, porque já foram alunos e têm filhos e acham sempre que os seus filhos são vítimas, que os professores não vêem a sua excepcionalidade, pensam que a profissão de professor não é uma especialidade e qualquer um pode dizer como se deve trabalhar. E dizem isso aos filhos, o que lhes causa grande prejuízo, mas não percebem. É por isso que depois ficam admirados, como o ME, quando ouvem dizer que os professores são bons numa certa especialidade. Não estavam à espera, porque afinal, não só não deram grandes notas aos seus princípes como é uma profissão que qualquer um entende como fazer e pode fazer.

Há jornais que em nada diferem do pior das redes sociais. Estão no fundo da caverna. Continuem assim que vão bem.

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Urge formar professores e depois criar, nas diferentes disciplinas, módulos de literacia em inteligência artificial para que os alunos percebam como a usar criticamente — até porque, como bem sabemos, as alucinações do sistema não são propriamente raras. E depois, e isto é o mais importante, é preciso reformular o paradigma e alterar o tipo de trabalhos e exercícios pedidos. Há anos que o nosso ensino se baseia no “copiar / colar”. Porque mesmo sem ChatGPT, já tínhamos o Google e a Wikipédia e os trabalhos que são pedidos, e mesmo as perguntas nos testes, andam muito mais à volta do “escreva sobre” do que do “analise, reflicta ou dê uma opinião fundamentada”. Além disso, temos pouco o hábito de realizar avaliações orais e debates em ciclos menos avançados — e estes são exactamente os desafios onde não há inteligência artificial que valha.

Não sei muito de educação — na verdade, não sei nada. Mas sei, por experiência própria enquanto aluna e enquanto mãe, que o nosso ensino vive preso a uma lógica onde a repetição é valorizada em detrimento da compreensão e onde continua a pedir-se aos alunos que reproduzam informação em vez de a analisarem criticamente. É por isso que fico sempre surpreendida quando ouço especialistas que falam da inteligência artificial como se ela fosse a mãe de todos os males: é que trabalhos feitos sem reflexão, ausência de pensamento crítico e dependência de respostas fáceis já existiam muito antes do ChatGPT. A inteligência artificial não veio criar um problema, mas destapar um sistema de ensino que não acompanhou o mundo e que se tornou vulnerável.

E pronto, já divaguei. Porque o meu objectivo inicial era só descarregar a indignação que senti depois de sair de uma exposição com trabalhos supostamente de crianças, mas que foram feitos por adultos.

Carmen Garcia, https://www.publico.pt (excerto)

Na Rússia, a revolta com as dificuldades começa a superar o medo

 

Não sei onde foram buscar estes dados mas isto não é verdade

 

Mais de 95 mil pedidos para realização de junta médica e quase um ano de espera

Já não tem a dimensão da pós-pandemia, mas, apesar das diversas medidas que têm sido implementadas nos últimos anos, o problema persiste. “O tempo médio de espera para a realização de juntas médicas de avaliação de incapacidade situa-se actualmente em cerca de 48 semanas para a primeira atribuição de atestado de incapacidade multiuso e em aproximadamente 56 semanas no caso das juntas médicas de reavaliação”, adianta ao PÚBLICO a Direcção Executiva do SNS (DE-SNS).
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Falo por mim. O meu atestado caducou em 2024. Pedi a reavaliação da minha situação há mais de 2 anos e ainda estou à espera que me chamem. Portanto, mais de 104 semanas. Neste momento 108. Não 56. Dado que é quase o dobro do que aqui é mencionado e não devo ser a única, estes dados não devem estar certos. Fui à médica de família em Março e falei-lhe nisto, que é uma fonte de grande stress porque a minha vida são hospitais e exames médicos e gasto uma fortuna em cada mês. Ela disse-me que ainda estava tudo muito atrasado. Não percebo porque é que o atestado não é definitivo e nos obrigam a isto e à perda de direitos de x em x anos, em situações em que as pessoas têm doenças crónicas incuráveis altamente incapacitantes cujo único prognóstico é a progressão e não é possível a regressão. É sadismo?


May 02, 2026

Resultado da conversa de Trump com Putin? Retirada de tropas da Alemanha

 

O facto de Trump ter retirado 5000 soldados americanos da Alemanha logo após ter falado com Putin é mera coincidência?

Retirar as tropas da Alemanha é um autogolo

As forças americanas na Europa estão lá para defender os interesses dos Estados Unidos.

ERIC S. EDELMAN E FRANKLIN C. MILLER

Um olhar mais detalhado sobre a Alemanha mostra que os Estados Unidos mantêm actualmente cerca de 35.000 militares no país, incluindo cinco guarnições do Exército, os quartéis-generais do Comando Europeu e do Comando Africano, e os campos de treino em Vilseck, Hohenfels e Grafenwöhr (que são os melhores e maiores centros de treino de forças terrestres fora dos Estados Unidos). 

Além disso, o centro médico militar de Landstuhl é o maior e mais sofisticado centro médico militar norte-americano fora dos EUA e serve tanto os teatros de operações do Comando Europeu como do Comando Central. A Força Aérea dispõe de um importante centro de transporte em Ramstein, que também apoia operações desses dois comandos. 

Se estas infraestruturas não existissem já no início da guerra com o Irão, teríamos de as ter criado. Reduzi-las ou eliminá-las degradaria — ou até paralisaria — operações militares que hoje damos por garantidas.

No entanto, os erros estratégicos não ficam por aqui. De forma inexplicável, Trump acabou de cancelar o destacamento previsto do sistema de mísseis hipersónicos de longo alcance Dark Eagle do Exército para a Alemanha, onde serviria para contrabalançar os mísseis russos Oreshnik e Iskander já posicionados. Isto foi um presente para Vladimir Putin, com quem Trump falou há apenas alguns dias.

Para além da perda militar representada pela redução de tropas, o custo financeiro de tal imprudência — mesmo que essas forças sejam deslocadas para outros países da NATO cujos líderes o presidente chama de “amigos” — atingiria provavelmente, no mínimo, várias centenas de milhões de dólares, um desperdício total numa altura em que o Departamento de Defesa apela a um aumento da despesa para reconstruir o aparelho de defesa dos EUA. 

Cada dólar gasto a deslocar tropas e equipamento pela Europa é um dólar que não pode ser investido na reposição das reservas cada vez mais reduzidas de munições críticas.

A presença militar dos EUA em Espanha é menor do que na Alemanha, mas inclui a base naval de Rota, onde estão estacionados quatro destroyers de defesa anti-míssil estrategicamente posicionados para proteger aliados no sudoeste da Aliança — bem como para vigiar o Estreito de Gibraltar, que liga o Mar Mediterrâneo ao Oceano Atlântico. 

A Força Aérea tem também uma presença significativa no oeste de Espanha, em Morón, a partir de onde facilita operações logísticas e expedicionárias. Tal como na Alemanha, estas duas localizações estão perfeitamente posicionadas para apoiar e sustentar a projeção global de poder dos EUA.

A retirada de forças norte-americanas das suas bases em Itália criaria uma enorme lacuna no dispositivo avançado. A presença dos EUA em Itália inclui uma ala de caças em Aviano, uma brigada aerotransportada de reação rápida em Vicenza, um esquadrão de segurança da Força Aérea essencial para apoiar a participação italiana na força nuclear de dupla capacidade da NATO, uma estação aérea naval chave na Sicília — absolutamente central para os esforços aliados de guerra anti-submarina no Mediterrâneo —, o quartel-general da Sexta Frota e uma grande actividade de apoio naval. 

Remover estas forças de Itália destruiria a capacidade dos Estados Unidos de dominar o Mediterrâneo Oriental, o que seria uma boa notícia para a Rússia e a China, mas muito menos para Israel e outros parceiros de segurança dos EUA no Médio Oriente, sem falar dos aliados da NATO no sudeste da Europa.

O PIOR DESTES CENÁRIOS ainda não foi ordenado, mas o facto de o Presidente Trump ter determinado a saída de um em cada sete militares norte-americanos estacionados na Alemanha sugere que leva a sério uma redução da presença militar na Europa. 

No conjunto, este impulso, motivado por ressentimento, não só diminuiria a capacidade de projecção de poder dos EUA, como também reduziria significativamente a postura de dissuasão e defesa da NATO.

Talvez essa seja a intenção do presidente. A sua persistente incapacidade de compreender o valor da aliança para os Estados Unidos, bem como a sua animosidade de longa data em relação à NATO, têm levado repetidamente a ponderações sobre a saída da aliança. A legislação atual impede-o de abandonar a NATO sem aprovação do Congresso, algo que dificilmente obterá, a julgar pela ovação de pé que o Rei Carlos III recebeu ao elogiar a aliança no seu recente discurso perante uma sessão conjunta do Congresso.

A retirada de forças pode ser uma forma indireta de enfraquecer a NATO. Se é esse o plano de Trump, então que esse debate seja feito às claras. A maioria dos norte-americanos apoia a NATO e o papel dos EUA nela. Se Trump quiser mudar a política, primeiro terá de mudar essa opinião.



Educação: "Há que pensar a infância "como uma espécie de base da humanidade"



do blog https://dererummundi.blogspot.com/

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A INFÂNCIA "COMO UMA ESPÉCIE DE BASE DA HUMANIDADE"




O jornal Público, na sua versão online do passado domingo, deu a conhecer uma entrevista feita pela jornalista Cristiana Faria Moreira a uma investigadora de Comunicação e Estudos dos Media e ex-directora do Institute for Research on Digital Literacies da Universidade de York, no Canadá (ver aqui). No seu trabalho destaca-se o capitalismo digital e as tecnologias destinadas a crianças (kidtech).

Dessa entrevista, extraio, e reproduzo abaixo, alguns aspectos que responsáveis pela educação escolar, formadores de professores, directores escolares, professores e outros profissionais de ensino devem ter presente nas decisões que tomam.

As crianças e os jovens são um recurso financeiro para as empresas, que os veem como uma fonte de lucro. Isso não é novo: há muito tempo que estão "no centro da cultura de consumo e do capitalismo", mas hoje temos "empresas enormes, gigantescas" a fazê-lo com competência inaudita. Essas empresas:

a) Moldam as crianças e os jovens como consumidores. Nos espaços digitais recolhem-se os seus gostos e orienta-se a publicidade em função desses gostos. E isto sem respeito pela privacidade. É o fim da privacidade;

b) Extraem deles dados com grande interesse económico: "podem-se vender a anunciantes, a máquinas de IA preditiva. Nem sequer conhecemos todas as formas como esses dados podem ser utilizados. E pensemos em grandes volumes de dados e no que, a partir deles, se pode compreender de toda uma geração ou de toda uma comunidade". É certa:

- a falta de transparência acerca do que acontece aos dados. "O que temos de perguntar é: para onde vão esses dados? Não sabemos, assim como não sabemos quanto tempo vão ser guardados, nem que outras entidades terão acesso;

- a ausência de regulação das empresas tecnológicas e das suas plataformas, não obstante a responsabilidade que os governos têm "de garantir que estas estruturas vão ao encontro das necessidades da população. Dizer às pessoas para se manterem afastadas não é uma solução (...). Parte do problema é que estas empresas são reguladas globalmente. Às vezes nem sequer as conseguimos definir. E isso tem sido uma forma de contornar a regulamentação".

c) A indústria do edtech, das tecnologias aplicadas à educação, "é global, enorme, e a crescer exponencialmente, à medida que mais governos estão a cortar no financiamento às escolas públicas". (...) "Também acho que é importante pensar no que é que está a faltar às crianças para estarem a recorrer a estas ferramentas".

d) "Quanto mais extremo for o que se diz, mais atenção se recebe, mais valor se cria. Não basta ter mais utilizadores, é fazer com que eles fiquem mais tempo, ter mais conteúdo, deixar as pessoas furiosas e irritadas... tudo isso cria valor para a plataforma. As empresas de redes sociais não se importam que vejas os conteúdos porque os odeias ou porque gostas deles. Ser um conteúdo extremista ganha atenção. Tudo o que dizemos sobre misoginia, sobre racismo, é incorporado ali.

e) "À medida que este material se tornar parte das ferramentas de IA preditiva perdemos o controlo sobre ele. E é bastante assustador pensar nas implicações que isso pode ter a longo prazo e sobre as quais sabemos ainda muito pouco".

Essas empresas "isentam-se completamente de toda a responsabilidade. E depois responsabilizamos pais e responsabilizam as escolas." Há muito que as crianças estão no centro da cultura de consumo e do capitalismo, mas a escola e a sala de aula são espaços que devem pugnar pela segurança.

Conclui essa investigadora: "está a tornar-se bastante assustador". É que

"Se mudarmos a infância, acabamos por mudar o que significa ser humano"
Há que pensar a infância "como uma espécie de base da humanidade".

A Ucrânia que lance drones em cima deles

 

Sobretudo se desfilarem o exército e armas. Não faça como da outra vez que se inibiu de atacar o exército de Putin e o seu bando de mafiosos durante as marchas militares de comemorações.