March 02, 2026

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Garry Kasparov

A velha Europa vive com uma mentalidade herdada da Guerra Fria, em que a Rússia é uma superpotência em vez de um Estado mafioso e terrorista em colapso que ataca a Ucrânia e a ordem ocidental, por desespero, enquanto se torna um posto de abastecimento de gás para a China.

74 anos e continua

 

John Fogerty dos Creedence Clearwater Revival, a cantar uma música que compôs e é por demais conhecida. 

Hoje-em-dia não se faz música, fazem-se spotificações consumíveis.

Gostava que estivéssemos nesse grupo de defesa

 

Donald Tusk

A Polónia está em negociações com a França e um grupo de aliados europeus mais próximos sobre o programa de dissuasão nuclear avançada. Estamos a armar-nos juntamente com os nossos amigos para que os nossos inimigos nunca se atrevam a atacar-nos.

"Whoever wants security, peace, and justice in the Middle East must also want them in Europe"

 

O jornal de Bezos

 




O falecido jornal Washington Post, agora jornal de Bezos, fez um um elogio ternurento ao Khamenei dizendo que ele foi um mentor reverenciado e que fostava de Victor Hugo. Esqueceu-se de dizer que ele também gostava de mandar violar raparigas antes de executá-las e de mandar que lhes retirassem os úteros para que ninguém percebesse, pelo corpos mortos, as sevícias que tinham sofrido. Também gostava de mandar enforcar os pais em frente dos filhos. Essa era a sua mentoria.

A quantidade também tem influência na qualidade


Existem 2 mil milhões de muçulmanos no mundo. Se formos jogar o jogo do «mas nem todos os muçulmanos», então, exploremos as implicações numéricas. Sejamos extraordinariamente generosos e presumamos que apenas 10% dos muçulmanos são violentos no seu desejo de impor o Islão ao resto de nós. Isso significa que existem 200 milhões de muçulmanos que são um problema muito grande para o nosso modo de vida. Isso deixa 1,8 mil milhões de muçulmanos. Quantos deles ficariam de braços cruzados enquanto os 200 milhões matam e subjugam o mundo? Vamos supor que 50% dos 1,8 mil milhões restantes fossem apáticos (uma suposição muito generosa). Isso significaria que 200 milhões causariam o caos global enquanto 900 milhões assistiriam passivamente. E os outros 900 milhões? Eles pegariam em armas para lutar em nome dos não-muçulmanos? Bem, os 1400 anos de história do Islão sugerem o contrário. Portanto, o facto de haver centenas de milhões de muçulmanos que não sairão por aí a matar-te é totalmente irrelevante. Ah, e a propósito, há 15 milhões de judeus no mundo. Espero que estes números ajudem.   - Gad Saad


"Temos que dar passos imediatamente ou ficamos como a Europa"

 

Nos EUA já se admite como certa a islamização da Europa com o alastramento da lei da sharia: MGF, pedofilia, escravatura sexual, submissão à religião, etc. 

A ideia desta autora é pôr na lei um conjunto de requisitos, que eu chamaria civilizacionais, que as religiões e outras organizações teriam de cumprir para serem aceites, terem acesso a financiamento e direitos. Esses requisitos, concebidos à maneira dos requisitos que é necessário cumprir para entrar para a Universidade, por exemplo, seria elaborados tendo como base a Carta dos Direitos Humanos ou a Constituição.

March 01, 2026

Direcções aprovam shows de influenciadores pornográficos nas suas escolas




Inacreditável... o ME gosta destas direcções de cabeças ocas...


Escolas recebem influenciadores que fazem da sexualização das crianças um negócio

Público

A coberto da animação de campanhas de associações de estudantes, 79 escolas permitiram nos dois últimos anos lectivos a entrada de influenciadores que fazem da sexualização das crianças um negócio.

João Pinhal, Ariana Fernandes, Carolina Ramalhão(texto), José Carvalheiro e Marta Sofia Ribeiro (multimédia)

A coberto da animação de campanhas de associações de estudantes, 79 escolas permitiram nos dois últimos anos lectivos a entrada de influenciadores que fazem da sexualização das crianças um negócio.

“Agora vou ver um homem em tronco nu”, comentou entre professoras a directora adjunta Elizabete Costa. Eram 11h20 da manhã quando o influenciador entrou nesta escola de Ferreira do Zêzere. A presença de Gonçalo Maia, 24 anos, foi anunciada nas redes sociais pelo próprio num vídeo em que exibe o corpo musculado. Veio participar na campanha da lista que acabou por ganhar a presidência da associação de estudantes.

Embora o frio tenha quebrado a tradição de mostrar os músculos abdominais (a sua imagem de marca), segundo os vídeos publicados nas redes sociais, reinava a euforia dentro da Escola Básica e Secundária Pedro Ferreiro, que junta alunos dos 9 aos 18 anos. Os mais novos não arredavam pé do pátio onde o influenciador dançava em cima de mesas, ao som de músicas sexualmente explícitas. Para o delírio de dezenas de crianças, distribuía autógrafos, assinava camisolas e multiplicava-se nas fotografias que eternizaram o momento.

Gonçalo Maia, que se apelida o “mais boneco”, não produz apenas conteúdos para crianças, é também protagonista de vídeos para adultos. E a vida dupla do influenciador está à vista de todos: é no Instagram, onde mobiliza mais de 42 mil seguidores, que alterna a partilha de vídeos em escolas com a promoção da conta de Onlyfans, onde vende pornografia. Às danças virais com crianças, seguem-se imagens sugestivas, com links directos para os conteúdos sexuais que produz.

“Quando vi os nomes que os alunos me entregaram para a direcção autorizar, fui ao TikTok e vi-o sempre em tronco nu”, recorda a directora adjunta. Acaba, porém, a admitir entre risos que foi apenas nos dias seguintes à vinda do influenciador que soube, pelos alunos, que Gonçalo Maia “faz filmes pornográficos”. “E eu disse-lhes: Oh, não tenho nada a ver com isso. Ele aqui portou-se bem”, justifica Elizabete Costa, de forma descontraída.

Gonçalo Maia “não é um caso isolado ou aberrante”: sintetiza a diluição das fronteiras entre um público infantil e a “mercantilização do corpo nas plataformas”, observa Maria João Faustino, especialista em violência sexual e representações mediáticas. Quando expostas a este tipo de comportamentos, as crianças “tentam reproduzir o que vêem e consomem, incluindo determinadas posições e expressões sexuais que não são próprias para a sua idade”, detalha Vânia Beliz, doutorada em Estudos da Criança. Este fenómeno, conhecido por adultização ou, mais concretamente, por sexualização/erotização das crianças, “retira-lhes” a infância, alertam estas duas especialistas.

Mais do que sexualização, para Maria João Faustino o que está em causa é a “pornificação da cultura”, que consiste num “extravasar da pornografia para outras esferas da sociedade”. Estando “as crianças imersas no mesmo mundo que os adultos”, ficam reféns de entretenimento que banaliza o sexismo e a violência contra as mulheres — imaginário importado da pornografia. A investigadora acredita que o caso de Gonçalo Maia representa o culminar deste processo, que “queima etapas do desenvolvimento das crianças”, acrescenta, por seu lado, a psicóloga Margarida Gaspar de Matos.

No contentor onde funciona a direcção desta escola básica e secundária, as gargalhadas de boas-vindas da directora adjunta dão lugar a risos de desconforto, depois de confrontada com a vida dupla do influenciador. Mas não é isso que a impede de conduzir o PÚBLICO ao gabinete de Psicologia, onde o nome de Gonçalo Maia surgiu há pouco tempo em consultas com alunos. “Quando pesquisei pelo nome desse influenciador, até achei que pudesse ter encontrado a pessoa errada”, admite a psicóloga da escola Rute Portela. “Antes de chegarmos a um Gonçalo Maia, passámos por vários tipos de consumo de música e influenciadores, permitidos pelos pais”, mas que, segundo a psicóloga, promovem “uma banalização da intimidade, da vontade própria e do consentimento”.

Gonçalo Maia mobiliza multidões de alunos

A conversa fica a meio, interrompida pela campainha do intervalo. Na biblioteca está a presidente da lista vencida que, depois da passagem de Gonçalo Maia pela escola, fez queixa do influenciador à direcção. “Quando começaram a surgir os boatos de que era ele que vinha à escola”, foram crianças de 12 anos que “nos disseram que o Gonçalo Maia tem vídeos pornográficos a circular e acabaram por nos mostrar os vídeos”, relata a jovem de 16 anos.

O primeiro relato de que um vídeo pornográfico do influenciador terá ficado viral nas redes sociais, em 2024, chegou ao PÚBLICO pela voz de um aluno de outra escola. “Se abrias o Instagram, aparecia”, garante. Não foi possível aferir se o vídeo em causa circulou nesta rede social, mas várias publicações apontam para que, entre Novembro e Dezembro de 2024, tenha circulado no X um vídeo de Gonçalo Maia a masturbar-se.
Influenciador oferece conteúdos pornográficos

A temporada de participações em campanhas de listas escolares tinha terminado há uma semana, quando a 2 de Dezembro de 2024 o mesmo influenciador, numa conta pública do X, começou a prometer o envio gratuito de fotografias e vídeos sexuais explícitos a quem partilhasse e comentasse as publicações. Nos primeiros dois meses, fê-lo 25 vezes. Vários utilizadores daquela rede social confirmam ter recebido os conteúdos pornográficos. Entretanto, entre Dezembro de 2025 e Janeiro de 2026, Gonçalo Maia já fez sete transmissões em directo no X, durante as quais se masturba em público. Não há nesta plataforma mecanismos suficientes que impeçam crianças de interagirem com este tipo de publicações.

A Polícia Judiciária (PJ) tem “detectado que crianças de cada vez maior tenra idade contactam com conteúdos inapropriados”, como “pornografia, maus tratos a animais e discurso de ódio”, alerta Carla Costa, da Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e Criminalidade Tecnológica. É por volta dos 11 anos que as crianças interagem, pela primeira vez, com estes conteúdos, detalha a inspectora-chefe da PJ.

“O facto de terem sido os miúdos mais novos a contarem aos mais velhos mostra a gravidade da situação”, sublinha a psicóloga da escola Rute Portela, depois de retomada a conversa. “Uma coisa era, há 20 anos, um miúdo ver numa revista pornográfica uma mulher nua. Outra coisa é estar a ver um vídeo de um influenciador — que esteve presente na escola — e que se masturba [nas redes sociais] para toda a gente ver.” Este acontecimento “tem um grande impacto na forma como os jovens se vêem a eles próprios e vêem a sexualidade”, conclui.

“Nós não sabíamos”, foi a resposta da lista que contratou Gonçalo Maia a todas as questões sobre os conteúdos para adultos protagonizados pelo influenciador. Os motivos por detrás desta escolha para a campanha são simples: “Ele é conhecido” e a fama é, no contexto escolar, um trunfo eleitoral em particular nos mais novos. Marta Carlos, professora de Educação Visual e Tecnológica desta escola, recorda um “dia agitado” e de grande “exaltação” entre os alunos do quinto ano. Quando conseguiu acalmar os ânimos, percebeu a opinião prevalecente dentro da sala: “Tudo o que ele faz é fixe”. “É um personagem que eles seguem com frequência”, lamenta.

Playlist misógina anima escolas

Em Cascais, é dia de votação na Escola Básica e Secundária da Cidadela. “És da lista V? Vou votar em ti!”, aponta, cheio de convicção, um rapaz de dez anos. A futura presidente da associação de estudantes sobe as escadas em contramão, enquanto dezenas de alunos do segundo ciclo se precipitam para o intervalo. “Tínhamos que ter alguma coisa que chamasse os mais pequeninos. Muitos deles só têm TikTok, daí termos chamado o Zézinho”, nome artístico de José Sousa, que nesta rede social acumula quase 120 mil seguidores.

“Ela quer montar em cima de mim / Ela pirou de vez / Tá pensando que eu sou seu cavalinho.” É ao som desta música que o influenciador de 21 anos contagiou a multidão de crianças que o rodeavam. Juntos saltavam com o braço no ar, cantando em coro “vai no cavalinho”, como mostram os vídeos disponíveis nas redes sociais. Zézinho passa em todas as escolas uma playlist especial para estas ocasiões com 33 músicas: 15 das quais têm letras sexualmente explícitas. Para além da linguagem obscena, todas objectificam as mulheres, havendo também espaço para a normalização da violência sexual: “As vaqueirinhas tudo bêba[da], já tudo endreada [desinibida]”; “pegar o meu dinheiro e comer umas quatro puta”; “Vem mostrando esse bundão de academia”. Desta breve selecção não fazem parte as letras mais gráficas.

No bar desta escola de Cascais, Paula Rocha, assistente operacional, não poupa nos elogios ao influenciador, garantindo que não se apercebeu “de qualquer letra que tenha sido um exagero para uma escola”. Os alunos contam que esta funcionária chegou a participar efusivamente nas coreografias. “Eu, que sou de outra geração, já ouvi muito pior”, remata.

A investigadora Maria João Faustino reitera que as letras destas músicas têm “gramáticas absolutamente pornificadas”. E ressalva que não se trata de um fenómeno exclusivo do funk brasileiro, sendo necessário ter uma discussão sobre muitos géneros musicais, nomeadamente, a música pimba: “Querem uma letra mais explícita do que Chupa Teresa, do Quim Barreiros?”

“Muitos pais dizem-me que eles não percebem as letras, mas qual é o limite entre não perceber e começar a perceber?”, assinala a psicóloga Beatriz Pereira. A também influenciadora digital na área da psicologia infantil nota que se as letras se tornam parte do imaginário, a criança passa a ver este tipo de comportamentos como o normal ou o padrão a seguir.

Zezinho dança músicas misóginas com alunas

Beatriz Pereira é autora de uma petição com mais de 17 mil assinaturas, que visa a proibição de músicas com “conteúdos hipersexualizados em contextos e eventos destinados” a crianças. A petição que foi em Dezembro passado admitida na Assembleia da República propõe também acções de “fiscalização e sensibilização”, preconizando ainda a “promoção de alternativas culturais que respeitem os direitos das crianças”. Entretanto, a 21 de Janeiro, esta petição foi objecto de discussão na Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto.
“Mas tenho de pesquisar sobre quem vem à escola?”

“Eu dei liberdade às listas. Não me quis intrometer”, justifica José Gonçalves, director da escola de Cascais que recebeu o influenciador Zézinho. Na escola básica e secundária de Ferreira do Zêzere, a directora adjunta Elizabete Costa admite que autorizou a entrada de Gonçalo Maia, porque receava “perder os miúdos”. “Nós não podemos ir completamente contra. E isto também lhes faz bem: eles verem o que é bom e o que é mau.”

A investigação do PÚBLICO identificou 79 escolas em que, pelo menos, um destes influenciadores esteve presente durante os dois últimos anos lectivos. Entre estas, apenas 15 direcções responderam às repetidas tentativas de contacto. “A responsabilidade é dos estudantes que organizam as campanhas, de forma autónoma”, é a reacção mais usada. De norte a sul do país, e também nas regiões autónomas, direcções de escolas públicas ou do ensino particular e cooperativo tentam justificar as suas decisões, entre a irritação e a surpresa: “É assim, mas eu tenho sempre de fazer uma pesquisa sobre quem é a pessoa que vem à escola? Vem aqui um escritor e nós temos de estar a pesquisar?”; “Nós não controlamos individualmente quem vem à escola”; “Para ser muito sincero, está-me a dar uma novidade. Não tomei atenção a isso”, foram algumas das respostas recebidas.

Nas dezenas de vídeos publicados online pelos influenciadores, milhares de crianças surgem com o rosto identificado. A não ser que todos os pais tenham autorizado a divulgação da imagem dos filhos, “podem apresentar queixa”. “Mas os pais não se queixam porque não acompanham os influenciadores que os filhos seguem”, contextualiza Carla Costa, inspectora-chefe da Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e Criminalidade Tecnológica.

Em choque” com os resultados desta investigação, Mariana Carvalho, presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP), confessa estar muito “preocupada” e insiste que “a responsabilidade de quem entra dentro da escola é sempre da direcção”. Confrontada com um vídeo do influenciador Gonçalo Maia, a representante da CONFAP afirma que “não esperava ver isto dentro das escolas, muito menos sob a supervisão de adultos”. “Se todos cumprirmos as leis e os regulamentos, isto não acontece”, realça, desmontando o argumento de defesa das direcções: “Os alunos não podem ter autonomia para isto”.

O Ministério da Educação, Ciência e Inovação foi questionado sobre os factos identificados durante esta investigação. Desde 15 de Dezembro do ano passado que o PÚBLICO procura saber se a tutela tem conhecimento do que se tem passado nas escolas, como avalia o ministério a conduta das direcções, o que fará daqui em diante perante estes acontecimentos ou, por exemplo, se as escolas não deviam ter zelado pela protecção da imagem das crianças a seu cargo. Cinco tentativas de contacto depois, o ministério liderado por Fernando Alexandre não se pronunciou sobre o impacto de acontecimentos dentro das escolas que, entre outros problemas, levam à normalização da violência contra as mulheres.

O PÚBLICO tentou também entrevistar os influenciadores Zézinho e Gonçalo Maia. Depois de se identificar, José Sousa desligou a chamada de imediato assim que ouviu a palavra “reportagem”. Gonçalo Maia começou por aceitar, mas deixou de responder antes de confirmar uma data. No final de Dezembro, o PÚBLICO enviou por escrito várias questões aos influenciadores, confrontando-os com os factos apurados durante este trabalho. Até ao fecho da edição, não recebeu resposta a nenhuma das perguntas. José Sousa continua em silêncio. Gonçalo Maia escreveu que só responderia às questões se o jornalista do PÚBLICO apostasse dinheiro no combate de boxe em que se preparava para participar, juntamente com outros influenciadores como Numeiro — investigado pelo Ministério Público por discurso de ódio contra as mulheres.

“O que está a escola a ensinar?”

“Os miúdos já conheciam estas músicas, antes de termos convidado o Zézinho, porque as ouvem todos os dias em casa”, argumenta a presidente da lista vencedora das eleições na Escola Básica e Secundária da Cidadela, em Cascais. É a professora de Filosofia quem acende o debate no bar do estabelecimento de ensino. Depois de ter ouvido os alunos e assistentes operacionais a aplaudir a actuação do influenciador, questiona: “O que está a escola a ensinar?”. “Se isto fosse apenas uma secundária, seria diferente. Agora, estão aqui alunos acabados de sair do quarto ano.”

“Nalgumas turmas do quinto [ano], reparámos que temos muitos rapazes machistas”, conta Joana Pedro, professora de Educação Musical desta escola. “No outro dia, um miúdo queria mais espaço na mesa que partilhava com uma colega. E ele virou-se e disse: ‘Se queres mais espaço, arranjo-te uma cozinha maior’.”

Um relato semelhante ouve-se na sala de Educação Visual e Tecnológica (EVT) da escola de Ferreira do Zêzere identificada na investigação. Nas mesas acumulam-se cartões e acessórios. Há maquetes penduradas no tecto. “É aqui, quando os alunos do 6.º ano andam todos em pé, uns a martelar, outros a serrar, a interagir de forma mais descontraída, que vou ouvindo frases do género ‘Vai lavar a louça, o teu lugar é na cozinha’.” A professora Marta Carlos recorda um vídeo recente de um influenciador a dizer que “as mulheres não devem votar porque não têm capacidade para pensar”. “E nós estamos a sentir a influência desse tipo de discurso na sala de aula”, relata.

Zezinho partilha vídeo com insinuação misógina

Mesmo que distantes, as duas escolas somam experiências em comum: em ambas se tem verificado um aumento da partilha de imagens íntimas sem consentimento, como confirmam as respectivas direcções. Relatam inclusivamente a existência de casos recentes entre crianças do sexto ano. “Se falarmos com esse jovem, ele vai dizer-nos que foi uma brincadeira”, o que torna urgente promover a criação de empatia: “As crianças têm de perceber o impacto destes actos na vida da outra pessoa”, defende Carla Costa, da Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e Criminalidade Tecnológica. A inspectora-chefe da PJ refere ainda que “outro comportamento que se tornou comum em contexto escolar é ir buscar ao Instagram uma fotografia corrente de uma colega e, com recurso à inteligência artificial, retirar-lhe a roupa e partilhar a fotografia com a turma e com a escola”.

“Ontem, por exemplo, foi dia de tirar fotografias cá na escola”, conta a professora Marta Carlos. “E na minha turma de quinto ano todas as meninas trouxeram maquilhagem.” Na verdade, já a trazem na mochila regularmente como se de um indispensável material escolar se tratasse, repara.

“Até os próprios pais estimulam isso porque acham graça a menina se pintar e se vestir de uma maneira mais sexy.” Mas estas “vivências desfasadas da idade”, aceleradas profundamente pelo digital, tornam as crianças mais vulneráveis a predadores sexuais, destaca a psicóloga da saúde Margarida Gaspar de Matos. “Quando realmente começam a desabrochar para a sexualidade, deixam de ter à-vontade para fazer essas coisas”, o que significa que “estão a ser abusadas, enquanto não percebem o impacto de exporem o corpo”.

“Mesmo há uma década, quando fiz as primeiras investigações com pré-adolescentes, mostravam-me salas dentro dos videojogos onde se falava de sexo e se mostrava pornografia”, recorda Teresa Castro, doutorada em Tecnologia Educativa. “Quem tem más intenções vai querer estar lá e conhece muito bem o meio onde as crianças se orientam.”

“Qualquer criança que esteja a navegar no mundo online, sem monitorização, é uma potencial vítima” de aliciamento e abuso sexual, adverte a inspectora-chefe Carla Costa. No âmbito de um jogo da Missão Cibersegura, aplicado a dez mil alunos no ano lectivo anterior, as crianças aprendem a verificar a confiabilidade de perfis. Os dados recolhidos anonimamente revelam que, “mesmo depois de verificarem o perfil e de lhes parecer suspeito, 6,4% dos jovens partilharam conteúdos íntimos neste jogo”, adianta a PJ.

Luzia Godinho, que trabalha como assistente operacional na escola de Ferreira do Zêzere há 37 anos, desabafa que nunca tinha ouvido os rapazes tratarem tão mal as raparigas como agora. “A linguagem que utilizam entre eles é assustadora”, eles tratam-nas como “lixo”. “Ainda há pouco tempo, chamei a atenção de uma moça e disse-lhe ‘Tu deixas que o teu namorado te trate assim?’. E o que ela me disse foi: ‘Ah, não ligue, a gente costuma falar assim um com o outro’. E eu respondi: ‘Olha, eu estou casada há 30 e tal anos e eu não falo assim com o meu marido, nem ele comigo. Tu já pensaste o que é que vai ser daqui a uns anos?’. E a moça achou aquilo muito natural.”

“Não havendo Educação Sexual, as crianças vão procurar respostas online e nós sabemos que os resultados nem sempre dão uma imagem saudável do que é uma relação amorosa. No universo da pornografia, parece que tudo é permitido”, frisa Teresa Castro, mestre em Estudos da Criança. A educação sexual “não é só saber pôr o preservativo para evitar gravidezes indesejadas”, é também ensinar sobre consentimento e relações saudáveis. Para Margarida Gaspar de Matos, limitar a Educação Sexual é “privar os nossos filhos da ciência do nosso tempo” — “Isso é da ordem do criminoso.”

À saída da escola de Ferreira do Zêzere, as crianças atropelam-se na brincadeira com uma pequena cadela, chamada Mia. Gritam a plenos pulmões: “Mia! Mia! Mia!”. Até que a voz de um rapaz de dez anos, às gargalhadas, sobressai: “Mia Khalifa!”. É o nome de uma ex-actriz pornográfica.

Texto editado por Sérgio B. Gomes

Entrevista a Zelensky: “Temos pressa de acabar com a guerra”

 

por Simon Shuster in “The Atlantic Online”


Na tarde de quarta-feira, o Presidente ucraniano Volodymyr Zelensky convidou-me para uma entrevista no seu gabinete em Kiev. Passou quase um ano desde a última vez que nos encontrámos naquela sala, decorada com os emblemas das unidades militares que combatem na guerra contra a Rússia. Nessa altura, em março de 2025, o Presidente ucraniano queria falar sobre a discussão que tivera com Donald Trump na Sala Oval, um ponto baixo na relação entre ambos.

Desta vez, Trump voltava a dominar-lhe o pensamento. Zelensky vê o Presidente norte-americano como o único capaz de forçar o Kremlin a ceder e a fazer concessões em nome da paz. E mostrou estar perfeitamente consciente do que poderia levar Trump a priorizar os interesses da Ucrânia nas negociações para pôr fim aos combates, após quatro anos de guerra.

Mais tarde, nesse dia, Zelensky iria reunir-se com a sua equipa de negociadores, que regressara recentemente de uma ronda de conversações com os russos, em Abu Dhabi. Está prevista outra ronda para a próxima semana, e o Presidente não quer perder esta oportunidade de alcançar um acordo, mas insiste que qualquer entendimento terá de ser aceitável para o povo ucraniano, cuja aprovação pretende alcançar num referendo já esta primavera.

Zelensky falou-me extensamente destes planos, das condições que terão de ser cumpridas antes de avançarem e do papel crucial que espera que Trump desempenhe. O que se segue são trechos da nossa conversa, que foram editados para maior clareza.

Obrigado, senhor Presidente, por disponibilizar tempo para esta conversa. Ultimamente têm saído inúmeras notícias sobre a Rússia que não são, de modo algum, favoráveis. A economia russa está sob pressão, além de terem sofrido imensas baixas. Como avalia hoje o equilíbrio de forças na guerra?
A Ucrânia não está a perder e penso que a Administração Trump já percebeu isso mesmo. De certa forma, pode tê-los surpreendido, porque a propaganda russa também os influencia. Recentemente, calculámos que um único quilómetro de território ucraniano ocupado lhes custa 170 baixas, mortos ou feridos com tal gravidade que não regressam ao combate. Temos todas as provas disso. Dizer que nos últimos seis meses estão a vencer em algum lugar? Não.

“Creio que não há vitória maior para Trump do que pôr fim à guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Esta é a maior guerra terrestre em décadas”


Como é que esta situação influencia o processo negocial?
A nossa tática é fazer com que os americanos não pensem que queremos continuar a guerra. Não basta dizer que não queremos continuar a combater. Foi por isso que começámos a apoiar as suas propostas, seja como for que as apresentem. Quando dizem: “Temos de nos reunir!”, respondemos: “Claro!” “Estão prontos para ficar onde se encontram agora?” “Estamos prontos.” “Estão preparados para fazer algumas cedências?” “Apenas se o outro lado também o fizer.” “Estão prontos para se reunirem com os russos nos EUA?” “Para nós é indiferente o lugar, desde que não seja em Moscovo.”

Após a última ronda de negociações, em Abu Dhabi, disse que a posição russa se suavizou em alguns aspetos. Por exemplo, começaram a discutir um encontro trilateral entre si, Donald Trump e Vladimir Putin. O que é que isso lhe indica? Qual é a tática russa aqui?
Na minha opinião, eles precisam de abandonar todo o nosso território. Isso não é possível hoje. Mas, se quisermos ter uma linha de contacto que não atravesse cidades ao meio, então alguém terá de recuar. Se disserem que retiram e nós também retirarmos, isso pode funcionar em zonas como a estepe. Mas em zonas onde existem cidades não faz sentido. Se sairmos, ficará uma zona morta. Por isso considero que essa ideia não faz sentido. Quanto às sugestões de uma “zona económica livre”, para nós significa simplesmente abandonar o nosso território. Não vejo justiça nisso. Não é correto.

Como interpreta os objetivos e interesses americanos neste processo de paz? O que é que os move?
Creio que não há vitória maior para Trump do que pôr fim à guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Esta é a maior guerra terrestre em décadas. Para o seu legado, isso seria o principal.

Os americanos disseram como reagiriam se a Rússia violasse um acordo de paz e voltasse a atacar a Ucrânia? Estariam, por exemplo, preparados para impor uma zona de exclusão aérea?
Iria haver uma reação: armas, sanções e uma resposta firme. A questão é que tipo de resposta. É necessário compreender isso claramente. O que significa, na prática, o apoio dos nossos parceiros? Até agora temos, digamos, sinais positivos, que precisam de se traduzir numa definição de ações concretas. Queremos saber exatamente qual será a reação no caso de nova agressão, como a de 2022. O que farão concretamente os nossos parceiros? Tudo isso tem de ficar escrito.

Em 2022 pediu aos EUA e à NATO que impusessem uma zona de exclusão aérea, para abater mísseis que sobrevoassem a Ucrânia sem entrarem no espaço aéreo ucraniano. Tem indicação de que os americanos estariam dispostos a fazê-lo?
Isso ainda não ficou definido. Já levantámos a questão e vamos continuar a fazê-lo, porque entretanto houve diferentes propostas. Por exemplo, a “coligação dos dispostos” poderia ter aviões posicionados na fronteira da Ucrânia prontos para abater alvos aéreos.

Manifestou preocupação com o facto de as conversações entre os EUA e a Rússia terem abordado questões relativas ao território soberano da Ucrânia. O que quis dizer exatamente?
Sabemos que os americanos estão a desenvolver relações bilaterais com os russos. Compreendemos o sinal que deram: “Vamos começar por acabar com a guerra.” Apoiamos essa posição. É justo, mas, na nossa perspetiva, não podem desenvolver projetos entre os dois países durante esta guerra. Temos informação de que estão a discutir documentos bilaterais entre si. Já disse que esses documentos não devem incluir questões relacionadas com a Ucrânia. Nem estou a falar de questões económicas. Por exemplo, os russos fizeram um apelo aos americanos relativamente a determinados territórios ocupados. Se estão a construir relações sobre o nosso território, temos o direito de saber.

Tem informação de que tais projetos estão a ser discutidos no contexto das conversações entre os EUA e a Rússia?
Não. Sei que a parte russa levantou essas questões. Acredito que estão a levantar questões mais perigosas do que as que mencionei. Refiro-me ao plano económico. Imaginemos, por exemplo, que a Rússia pretende o reconhecimento americano de algum território sob o seu controlo. Não estou a dizer que os americanos o fa­riam. Estou apenas a dizer que os russos o querem e pressionam nesse sentido. Sou contra isso. É perigoso. E, na minha opinião, seria perigoso também para o Presidente Trump dentro do seu próprio país.

Como assim?
Os Estados Unidos são uma grande democracia. Poderiam ser provocados a reconhecer este ou aquele território, o que é simplesmente impossível. Se um grande país reconhecer território temporariamente ocupado, então muitos outros territórios poderão ser alvo de tentativas de conquista pela força.

Pediu a Putin que se reunisse consigo para decidir as partes mais sensíveis do plano de paz. Como imagina essa reunião? O que é que lhe quer dizer, olhando-o nos olhos?
Não se trata de querer olhá-lo nos olhos. Não me interessam sentimentos. Temos questões relacionadas com o território ucraniano que ninguém consegue resolver. As políticas de diferentes nações permitiram que Putin opinasse sobre este tema, ocupando terras e justificando as suas ações. Neste momento há apenas uma força — a Ucrânia — que combate fisicamente contra ele. 
A minha conversa com ele só pode centrar-se no fim da guerra. Tem de ser uma conversa absolutamente aberta, na medida do possível. Trata-se simplesmente de falar sobre como acabar com a guerra de forma que não recomece.

Imagino que seria difícil conter as emoções durante essa reunião.
Por que razão deveria ser emocional ou não emocional? O que muda isso? O nosso objetivo é acabar com a guerra. Ele pode ter outro objetivo. Não sabemos. Durante a guerra, nunca nos reunimos. Todos tentaram fazer algo e ainda assim a guerra continua. Por isso parece-me lógico que haja uma reunião de líderes que possam discutir as questões mais difíceis. Com quem mais poderia falar sobre o território?

Acredita que Putin estaria disposto a reunir-se e a assinar um acordo que incluísse, por exemplo, garantias de segurança para a Ucrânia?
Não creio que nenhum dos lados tenha um desejo real de se encontrar. Somos inimigos. Honestamente, ninguém expressou uma vontade clara de o fazer, mas existe disponibilidade. É a decisão certa, reunirmo-nos e tentar acabar com a guerra. Os americanos perguntaram-nos o que pensamos sobre essa reunião e respondemos-lhes que estamos de acordo. Estamos prontos para nos reunirmos em qualquer formato, exceto em Moscovo ou na Bielorrússia.

“Não creio que nenhum dos lados tenha um desejo real de se encontrar. Somos inimigos. Honestamente, ninguém expressou uma vontade clara de o fazer, mas existe disponibilidade”

Alguns aspetos do plano de paz de 20 pontos exigiriam um referendo. O povo ucraniano terá de aprovar qualquer parte do plano relacionada com território?
Não é bem assim. De modo geral, qualquer acordo para terminar uma guerra deve ser assinado pelos Presidentes e depois ratificado pelos Parlamentos ou através de referendo. Não acredito que consigamos implementar um plano excelente para nós e mau para os russos. Como já disse honestamente, mesmo que haja um plano para manter a linha da frente onde está, ainda assim considero melhor realizar um referendo. Não é apenas melhor para nós. O nosso povo passou por esta guerra e ganhou o direito de votar sim ou não. É uma questão de justiça. Um referendo teria grande força na garantia da segurança da Ucrânia, porque estou certo de que o mundo o reconhecerá, se for realizado corretamente.

Quanto tempo pensa que será necessário para isso acontecer?
Depende da vontade política dos russos. Se estiverem realmente prontos para acabar com a guerra e se as condições hoje inaceitáveis para a Ucrânia forem alteradas por um compromisso razoável, podemos pensar nos próximos passos. Pode levar vários meses, porque se não estiverem prontos não faz sentido falar disso.

Nos Estados Unidos levantou-se também a questão das eleições na Ucrânia. Quando poderiam ocorrer?
Os EUA levantaram essa questão e os russos também. Já disse que ninguém está agarrado ao poder. Estou pronto para eleições, mas para isso precisamos de segurança. Garantias de segurança e cessar-fogo são condições necessárias. Nada tem a ver com datas. Poderíamos tê-las realizado há muito. Às vezes, quando ouvimos essas propostas, tenho a impressão de que é como se perguntassem: “O que mais podemos oferecer aos ucranianos para ver se recusam?” Não temos medo de nada. Eleições? Estamos prontos. Referendo? Estamos prontos. Deixemos o povo decidir.

Pelo encadeamento de condições que descreve como necessárias para avançar com as negociações, não parece que tenha grande pressa.
Não é verdade. Temos pressa de acabar com a guerra. Estamos a sofrer perdas. Principalmente perdas humanas: soldados, civis. Precisamos de estar o mais próximo possível dos parceiros que podem parar Putin, e nesta altura parece que apenas Trump é capaz de o fazer. Outros que também poderiam fazê-lo não parecem estar a agir. E os que tentam são incapazes ou não são levados a sério pelos russos. Por isso decidiram que esta seria a forma mais fácil e rápida de se livrarem de mim. Penso que a ideia de eleições durante a guerra foi, acima de tudo, uma posição russa. Mais tarde, o lado americano retomou-a. Não é segredo. Não culpo os americanos, mas evocaram o exemplo de Abraham Lincoln, que realizou eleições durante a guerra civil. Disseram: “Demonstre que está pronto.” 
E eu respondi: “Estou pronto.”

“Não queremos que os americanos abandonem estas negociações. Não entendo porque não veriam o valor disto para si próprios. Estamos a apoiar as tentativas de paz”

Sente que os próximos meses são a janela de oportunidade para acabar com a guerra, enquanto Trump está realmente empenhado?
Creio que sim. É a minha opinião pessoal. Sei que os americanos às vezes se ofendem quando a expresso, mas é claro para mim que os russos podem usar este tempo para acabar com a guerra enquanto o Presidente Trump está realmente interessado nisso e é importante e valioso para ele. Pode soar demasiado mercantil para alguns, mas sejamos honestos: o cenário mais vantajoso para Trump seria fazê-lo antes das eleições intercalares. Seria uma vitória política para ele. Sim, ele quer que haja menos mortes, mas falemos a sério. Para ele é apenas uma vitória, uma vitória política.

Se chegar o momento de realizar um referendo para aprovar um plano de paz, qual seria a sua mensagem para o povo? Como é que os convenceria a ir votar?
Depende do que estiver em causa. Se forem propostas sem concessões, sem conclusões justas ou inviáveis, não direi às pessoas para votarem sim. Não desejo realizar um referendo sobre propostas que não funcionem. Não é razoável e defendo isso junto de todos os negociadores.

E se o referendo e as eleições fossem realizados em simultâneo?
Pode acontecer. Não tenho problemas com isso. O mais importante é que funcione e que as pessoas participem. Não devemos submeter um mau acordo a referendo. Considero isso visceralmente injusto. Lembre-se de que há pessoas sem luz, sem nada. Algumas provavelmente estariam dispostas a aceitar quaisquer condições, mas não podemos aceitar as condições que a Rússia propõe, porque amanhã poderiam iniciar outra guerra.

E se Trump disser que está farto das negociações e decidir mudar o foco para a política interna?
Isso seria mau. Não queremos que os americanos abandonem estas negociações. Não entendo porque não veriam o valor disto para si próprios. Estamos a apoiar as tentativas de paz. Sim, o Presidente americano pode mudar o foco. E, se isso travar o processo, será mais difícil avançar.

E, nesse caso, tudo seria decidido no campo de batalha?
Não necessariamente. Continuariam a existir algum tipo de negociações noutro formato. Elas já começaram. O problema é que ainda não vi verdadeira vontade russa de terminar a guerra. Sim, agora mostram mais abertura por causa de Trump, mas, se ele se afastar, essa abertura desaparece. Como é que isso vai afetar as suas ações? Não vai. Se não quiserem acabar com a guerra, não interessa o que possamos dizer. Farão tudo para a prolongar. É por isso que, independentemente de os EUA ajudarem ou não nas negociações, o resultado seria o mesmo: os russos encontrarão maneiras de não acabar com a guerra. É mais fácil terminá-la com os americanos, porque podem pressionar os russos. Penso que, neste momento, Donald Trump é a única pessoa capaz de o fazer.

Tradução Joana Henriques - Expresso

Artigo originalmente publicado a 13 de fevereiro, após a segunda ronda de conversações de paz mediadas pelos EUA, em Abu Dhabi

Sons da Pérsia antiga

 

Imigração em massa de islamitas

 


Martin Sellner

Estágios da islamização

Muitas pessoas veem as árvores, mas não a floresta. Luzes do Ramadão, anúncios do McDonald's, igrejas em chamas, tudo isso se encaixa num processo gradual que leva à transformação cultural.

O modelo de estágios do Dr. Hammond ilustra esse padrão. 

Abaixo de 2% 💤

Visto como uma «minoria inofensiva». Pressão mínima. Primeiros pequenos sinais de visibilidade e afirmação cultural.

Exemplos:

EUA 1,1% 🇺🇸
Portugal 0,6% 🇵🇹
Irlanda 1,6%  🇮🇪


2–5% ⚠️
Começa o recrutamento. Surgem meios paralelos. Acções públicas, como orações nas ruas - testam os limites.
Recrutamento dentro de minorias étnicas, prisões e gangues de rua.
Incêndios de igrejas, ataques terroristas, violações colectivas, gangues de aliciamento.

Austrália 3,2% 🇦🇺
Itália ~4% 🇮🇹
Noruega ~5% 🇳🇴
Canadá 4,9% 🇨🇦
Espanha ~4% 🇪🇸


5%+ 🔥
Pressão política e cultural desproporcional. 
Exigências abertas por representação política, opções halal, feriados religiosos.
Acompanhado de intimidação e aumento da ameaça terrorista.
Manifestações em massa. Surgimento de movimentos jihadistas. Taqiyya táctica entre «moderados» e extremistas. Seguem-se concessões públicas.

Suécia ~8% 🇸🇪
Países Baixos ~7% 🇳🇱
Filipinas 6% 🇵🇭
Trinidad e Tobago ~5% 🇹🇹
Dinamarca ~6% 🇩🇰
Alemanha ~6% 🇩🇪
Reino Unido ~6,5% 🇬🇧

(Adenda: Na semana passada foi publicado um gráfico, a partir de dados oficiais, acerca dos casos de violação comparando o RU com países europeus. A imigração em massa de islamitas é uma ameaça à vida e liberdade das raparigas e mulheres. 



~10% 💥
Agitação e motins regulares, usados como forma de pressão. Áreas inacessíveis ao público ou polícias (enclaves).
Forte influência política através do voto étnico.
Controlo de redes de crime organizado em algumas regiões.
Pressão para leis anti-«islamofobia», financiamento para enclaves, mais imigração.
A pressão cultural pode desencadear conversões entre os nativos que procuram segurança ou aceitação social.

França ~9% 🇫🇷
Guiana 7% 🇬🇾
Índia 14,2% 🇮🇳
Israel 18% 🇮🇱


20%+ 🪖
A violência torna-se organizada. Milícias formam-se como extensões políticas.
Movimentos islâmicos separatistas intensificam a pressão.

Etiópia 34% 🇪🇹


40%+ 🩸
Terrorismo crónico. Violência sectária.
As áreas não muçulmanas enfrentam pressão sistemática.
A estabilidade do Estado enfraquece. Fase de predominância.

Bósnia 50% 🇧🇦
Chade 55% 🇹🇩
Líbano 62% 🇱🇧
Nigéria 50% 🇳🇬


60%+ ⚖️
Sociedade amplamente islamizada.
Estado, polícia, forças armadas e estruturas jurídicas moldadas pelas maiorias islâmicas.

Malásia 66% 🇲🇾


80%+ 🏴
Domínio quase total.
Perseguição sistemática de minorias religiosas.
Aplicação da Sharia.

Egito 90% 🇪🇬
Paquistão 97% 🇵🇰
Irão 99% 🇮🇷


Em que fase se encontra o seu país neste momento?




Isto não é mentira

 

Apesar do perigo que um presidente dos EUA que não pede autorização ao Congresso ou às NU para atacar um país representa, libertar o Irão de um tão maléfico e bárbaro governo teocrático é um bem e não um mal. Quem tem de mexer-se para impedir qualquer governo dos EUA de fazer guerra sem autorização do país são o Congresso e o Senado americanos. Internacionalmente isto é um precedente perigoso, mas quem devia ter feito alguma coisa para avançar a causa das democracias e do Direito Internacional no mundo e fez exactamente o oposto foi o SG da ONU que tem estado a apaparicar o Irão e todos os seus aliados terroristas, como o Hamas, o Qatar, etc. Não deu um passo para a causa da Justiça e o fim do terrorismo. Agora estamos nesta situação complexa e perigosa de um homem sozinho, sabendo que tem poder militar fazer o que quer, fazer o que quer. No futuro não sabemos, mas neste caso, a acção dele coincidiu com o bem. Porém, a esquerda anti-semita vem a correr criticar o fim do terrorismo islâmico do Irão e dos seus piores algozes, quando tem estado em silêncio quanto às suas acções absolutamente maléficas.


February 28, 2026

O Irão bombardeia civis com os mesmos mísseis que a Rússia usa para bombardear a Ucrânia

 

Agora já sabem como é.


Directamente de Teerão

 

A notícia do fim do pedófilo teocrata trouxe felicidade. A notícia dos israelitas e americanos andarem a matar civis iranianos é mentira.

Na Rússia já vão às escolas buscar miúdos para os enviar para a guerra

 


Starmer já tem os aviões no céu iraniano: porque não faz o mesmo na Ucrânia?

 

O jornalista da SIC em França não consegue dizer a palavra 'islamitas' ou a expressão 'irmandade muçulmana'

 

Em vez disso diz que o MAI francês elevou o nível de alerta do país para vermelho por receio das 'pessoas extremistas' que estão espalhadas por França poderem retaliar os ataques contra o Irão. A submissão ao Islão é total, da parte da esquerda ocidental.

Entretanto, este ataque dos EUA ao Irão tem lados positivos e negativos. Positivo está livrar-se de um regime bárbaro e maléfico que governa com sangue a escorrer-lhe da boca e das mãos, contra tudo e todo, a começar pelo seu povo e pelas raparigas e mulheres. Coisas hediondas de fazer empalidecer um carrasco, ordenadas pelo teocrata psicopata que o governa mais os seus aliados. Portanto, por esse lado é bom.

O que é mau são estes precedentes de raptar ou matar líderes para fazer negócios e roubar petróleo. O ataque do Irão aos outros países árabes pode ser uma maneira de uns os árabes contra o terrorismo iraniano - ou não... uma guerra começada não desabe como acaba, como o estúpido do Putin percebeu tarde demais.


Ludus Captorum


Eric Chauvin
2024

No século VI, em Constantinopla, um tipo especial de torneio era realizado todos os anos como parte das comemorações do dia dos fundadores da cidade. Conhecido como Ludus Captorum, era uma competição composta exclusivamente por detidos das prisões da cidade que competiam pela sua liberdade. Era um espectáculo muito popular entre as massas, pois a maioria dos participantes não tinha experiência em conduzir carruagens e, portanto, as suas hipóteses de sobreviver ao torneio sem serem mortos ou gravemente feridos eram extremamente baixas (o facto de tantos prisioneiros terem participado voluntariamente nesta corrida diz muito sobre os horrores do seu encarceramento).


Blood and Dust não é apenas um instantâneo deste torneio, mas retrata uma prova específica em que se destaca um prisioneiro em particular.


O seu nome é Ewan e, trinta e cinco dias antes deste momento, chegou a Constantinopla vindo da ilha da Britânia para adquirir um objeto sagrado enterrado sob a Hagia Sophia durante a sua construção, cinco anos antes.  Infelizmente, os seus planos são frustrados quando ele é capturado por soldados romanos e levado ao imperador Justiniano. Ao saber que Ewan é descendente de Constantino, o Grande (que dá nome à nova capital romana), o imperador concede clemência a Ewan, mas apenas se ele renunciar à sua lealdade ao seu rei e permanecer em Constantinopla como um súbdito obediente a ele. Ewan recusa.  Após alguma reflexão, Justiniano sugere uma aposta: se Ewan vencer o Ludus Captorum, ganhará a sua liberdade. Se perder, deverá servir o imperador. Ewan aceita a aposta. 



A pintura passa-se perto do final da primeira bateria. Resta apenas uma das sete voltas, como pode ser visto pelo último ovo que permanece na posição superior. Ewan, conduzindo a carruagem mais próxima de nós, destaca-se não apenas por sua proeminência na composição, mas também por seus cabelos longos e despenteados e sua barba notável. Como todos os outros prisioneiros no torneio, ele não faz a barba nem corta o cabelo desde antes de sua prisão. Curiosamente, os outros três cocheiros vestem roupas de prisioneiros, surradas, mas estão barbeados. Isso porque Justiniano conspirou com o seu camareiro, Narses, para contratar cocheiros profissionais disfarçados de prisioneiros para derrotar Ewan, enquanto os dois assistem da cabine do imperador acima.



February 27, 2026

Pessoas

 

Por vezes o destino parece sair do seu caminho e desviar-se para ir ao encontro de certas pessoas e puxá-las para outro cenário completamente diferente daquele que representavam. Pessoas que se reinventam e reencarnam noutra personagem, despem uma pele e vestem outra que também lhes assenta como se o destino as tivesse marcado para qualquer coisa desde o início. Fascinante.


Ryuichi Kihara, do par Riku Miura e Ryuichi Kihara (carinhosamente conhecido como «Rikuryu»), o par de patinadores que electrizou a multidão ao conquistar a primeira medalha de ouro olímpica do Japão na modalidade, no dia 16 de Fevereiro, em Milão-Cotina, é um caso desses. 

A sua apresentação sob pressão extrema foi o culminar de uma jornada improvável. No entanto, essa conquista histórica talvez nunca tivesse acontecido sem um encontro casual sete anos antes. 

Uma conversa recente em Nagoya revelou o início improvável da sua carreira. Enquanto treinava para uma competição neste Inverno, Kihara apontou para o alojamento ao lado da pista de gelo onde já tinha trabalhado como estagiário e disse: «Eu costumava trabalhar aqui na recepção».

Essa história começa em 2019 quando Kihara estava à beira de desistir completamente do desporto. Duas vezes participante olímpico nos Jogos de Sochi 2014 e PyeongChang 2018, Kihara sofria de uma lesão no ombro e concussões.

Na primavera de 2019, ele e Miu Suzaki dissolveram a sua parceria. Ele voltou para a sua casa na província de Aichi e começou a trabalhar a tempo parcial na Howa Sports and Culture, a pista onde treinava quando era criança. Aos 26 anos, enquanto os seus amigos da mesma idade iniciavam as suas carreiras, Kihara estava convencido de que a sua tinha acabado.

«Não sou feito para as duplas. Vou tentar participar nos Jogos do Japão na categoria individual e depois talvez me aposente.» Yusuke Iioka, 34, que trabalhava para a empresa que opera a pista, lembra-se da entrevista de emprego desajeitada de Kihara: “Parecia que ele sentia uma sensação de inferioridade por ter feito apenas patinagem”.

As funções de Kihara incluíam distribuir patins alugados, monitorar o gelo e trabalhar no turno da noite nas instalações do alojamento. Quando crianças pequenas chegavam à pista, ele ajoelhava-se, diminuindo a sua altura de 1,75 m, para falar com elas ao nível dos olhos.

Não recebia tratamento especial por ter participado duas vezes dos Jogos Olímpicos e o seu salário por hora era o mesmo de um estudante universitário. Uma experiência humilhante que tinha um lado positivo. Os patinadores mais jovens tratavam-no como sempre, sem cerimónias e «ele conseguia conversar com eles sem fingimento e então, durante aquele período difícil, não esteve sozinho»  lembrou Iioka.

Em Junho daquele ano, a Federação Japonesa de Patinagem realizou uma selecção de duplas na antiga universidade de Kihara, a Universidade Chukyo. Yoshiko Kobayashi, 70, directora da federação, pediu a Kihara: «Não há remuneração, mas por favor, venha ajudar-nos».Kihara concordou.

Naquele dia, após cerca de três horas a ajudar os outros, Kihara estava pronto para voltar para casa. Quando estava mesmo a sair, alguém veio a correr atrás dele. Era o treinador Bruno Marcotte, 51 anos: «Ryuichi, calce os seus patins. Porque não tenta patinar com a Riku uma hora?»

Marcotte, um canadiano que há muito ajuda a desenvolver duplas japonesas, estava a treinar Miura e o seu então parceiro, que também estava a treinar na pista naquele dia. A futura parceria deles era incerta, o que levou Marcotte a abordar Kihara. Ele concordou.

No gelo, o momento decisivo aconteceu durante um levantamento com torção. Quando Kihara lançou Miura no ar, o corpo dela subiu tão alto que Marcotte exclamou instintivamente: Oh my God!

Os poucos dirigentes da federação que assistiam ficaram sem palavras.

«É assim que se sente quando se é atingido por um raio», recordou Kihara mais tarde. Foi o momento em que o seu coração voltou a ser atraído para o gelo.

«Ele redescobriu o seu amor pela patinagem naquele dia», disse Marcotte.

Um mês depois, Kihara e Miura, cuja parceria anterior havia terminado, voltaram a patinar juntos. Kihara ficou maravilhado com a confiança de Miura, lembrou Iioka: «Para a mulher, ser lançada ao ar é assustador. Há sempre um momento em que o corpo fica tenso, o que altera o peso. Mas Riku não tinha nada disso.»

Em Agosto, a nova dupla foi anunciada formalmente. Mudaram-se para o Canadá para treinar com Marcotte e começaram a sua ascensão meteórica ao topo do desporto.

A dupla rapidamente se tornou uma força dominante, conquistando um sétimo lugar inovador nos Jogos Olímpicos de Pequim de 2022 — o melhor resultado para qualquer dupla japonesa — e, em seguida, vencendo os Campeonatos Mundiais em 2023 e 2025. Chegaram a Milão Cortina como os principais candidatos ao ouro.

Apesar da preparação, um desastre aconteceu no programa curto em 15 de Fevereiro. Um erro que eles disseram nunca ocorrer nos treinos fez com que Kihara  falhasse um levantamento, deixando-os num distante quinto lugar.

Kihara não conseguiu esconder sua consternação com o resultado e a sua expressão estava sombria na área de entrevistas com a imprensa. Miura, no entanto, permaneceu calma e resoluta: «Cometemos um erro hoje, então temos que recomeçar. Se acreditarmos que podemos fazer isso, podemos.» Virou-se para Kihara, que estava à sua esquerda, e disse encorajadoramente: «Vamos concentrar-nos novamente, está bem?» Kihara prometeu voltar no dia seguinte com melhor disposição. 

«Amanhã, prometo que estaremos de volta aqui (na área de entrevistas) a conversar como o habitual ‘Rikuryu’. Por favor, esperem por nós», disse ele aos repórteres.

Precisando de uma performance impecável para chegar ao pódio, a 16 de Fevereiro, executaram todos os elementos com força e precisão. A sua velocidade característica nunca vacilou e tiveram o seu melhor desempenho quando mais importava.

Quando a sua apresentação terminou, os dois caíram de joelhos no gelo e se abraçaram. Enquanto Kihara, de 33 anos, chorava, aparentemente aliviado do peso das expectativas. A sua pontuação foi um novo recorde mundial de 158,13 pontos no programa longo. 

«Ser capaz de recuperar do erro de ontem e mostrar a força que construímos todo este tempo, é isso que me deixa mais feliz», disse Miura. Kihara, que nunca esqueceu o dia que mudou a sua vida, costuma dizer: «Sou muito grato às pessoas que me deram essa oportunidade».

Segurando a medalha de ouro, expressou a recompensa final por essa segunda chance: «Estou muito feliz por não ter desistido».

(Este artigo foi compilado a partir de matérias escritas por Kai Uchida e Hiroki Tohda - The Asaha Shimbun)


Beba poesia sem moderação




Intemporal

como a melancolia

e o crepúsculo

serei

a vontade de ser


tudo e nada

cotovia.



Escorial da verdade

que subleva

em mim a força

e o sonho,

intemporal, serei

morte e vida



Duarte Galvão, L. M. em 1953 (incompleto)