Há uma rede com 226 refúgios climáticos gratuitos pelo país — e ainda serão mais
Iniciativa do Turismo de Portugal já reuniu refúgios climáticos de 78 concelhos. Esta terça-feira, deu-se “luz verde” no financiamento para que mais três em Lisboa, Trancoso e Mira avancem.
Iniciativa do Turismo de Portugal já reuniu refúgios climáticos de 78 concelhos. Esta terça-feira, deu-se “luz verde” no financiamento para que mais três em Lisboa, Trancoso e Mira avancem.
O Goethe-Institut em Lisboa é um refúgio climático e pouca gente sabe. “As pessoas passam aqui e acham que não podem entrar”, notou Jana Binder, directora do instituto alemão, que se situa no Campo dos Mártires da Pátria, na central freguesia de Arroios. A responsável quer que se passe a olhar para este antigo palácio como o espaço público que é e seja encarado como um local para se descansar e trabalhar. Por isso, numa visita feita nesta terça-feira, fez questão de mostrar a biblioteca — que ao início da tarde estava quase sem lugares disponíveis — e o jardim que afasta o ruído citadino, que estava repleto de pessoas a estudar, a trabalhar e a conviver.
Essa foi também uma oportunidade para Jana Binder mostrar como os espaços se podem transformar. Uma das zonas do jardim, assinalou, foi, “durante anos, um estacionamento.” Certo dia, fez-se um evento no local e alguém sugeriu que poderia passar a ser um espaço público. “Foi uma luta, mas resultou”, lembrou a directora. Agora, o Goethe-Institut em Lisboa (tanto no exterior como no interior) é um dos 226 sítios que fazem parte da rede de refúgios climáticos “Stay Cool”, que foi criada este ano pelo Turismo de Portugal — e ainda serão mais. Esta terça-feira, foram assinados contratos de financiamento, em mais de 200 mil euros, para que venham a existir no Mercado do Forno do Tijolo, em Lisboa; na freguesia de Valdujo, em Trancoso; e na Praia de Mira, em Mira.
A rede de refúgios climáticos “Stay Cool” nasceu em Junho deste ano e engloba espaços exteriores ou interiores que estão preparados para dar conforto térmico, descanso e hidratação durante períodos de calor intenso, tendo como objectivo o bem-estar e segurança das pessoas. A iniciativa também permite que se criem condições para que os locais venham a ser considerados refúgios climáticos. Para isso, há um milhão de euros.
Para poderem entrar nesta rede, os locais têm de ter requisitos obrigatórios, tais como o acesso gratuito e sem condicionamento a consumo ou pagamento durante os períodos de calor extremo; ter lugares sentados suficientes para a capacidade prevista; possuir água potável; ter a sinalética da rede; e funcionar entre as 11h e as 17h nos dias de maior calor, horário que se alarga em situação de alerta ou ondas de calor, que são cada vez mais intensas e frequentes. Se o local for no interior, tem de ter temperaturas entre os 20 e os 27 graus Celsius. Já se for no exterior, terá de possuir uma sombra significativa e soluções de arrefecimento, como vegetação densa.
Os 226 refúgios climáticos ficam distribuídos por 78 concelhos: 147 são espaços interiores, 115 exteriores e 36 têm as duas valências. A sua localização pode ser consultada aqui em refugiosclimaticos.turismodeportugal.pt/. “Tem tido uma tracção grande”, assinalou, na visita desta terça-feira, Carlos Abade, presidente do Turismo de Portugal, frisando que a rede ainda será maior. “Pretendemos criar ao longo do país um conjunto de espaços que sejam seguros do ponto de vista térmico e permitam acolher quem os procurar.”












