March 09, 2026

Bom dia

 

Bom dia Mr. Gregg, em que posso ajudá-lo?

Bom dia. Eu queria transicionar.

Quer transicionar para mulher, é isso?

Sim, é isso.

Que idade tem o senhor?

74 anos.

¡Mas porque razão quer transicionar agora aos 74 anos?

Vi numa estatística que a expectativa de vida dos homens são 78 anos e a das mulheres 82.

--

(visto algures numa rede social há uns dias)


Pôr as coisas em perspectiva

 

"Porque é que os desafios do colonialismo e do sexismo são tão semelhantes"





Porque é que os desafios do colonialismo e do sexismo são tão semelhantes.

FRANZISKA DAVIES

Depois da invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia, tornei-me activista pela Ucrânia e, um pouco mais tarde, comecei a criticar o russocentrismo tão prevalente na academia ocidental. 

Por diferentes razões, que talvez venha a discutir noutro ensaio, não vejo o papel de activista como incompatível com o papel de académica. Como disse recentemente o grande historiador Karl Schlögel no Café Kyiv, em Berlim, há algumas semanas, só se pode ser um bom historiador se se estiver desperto — se houver interesse não apenas pelo passado, mas também pelo presente e pelas interligações entre ambos

Defender posições com base na sua especialização académica não diminui, ou pelo menos não deveria diminuir, de forma alguma, a credibilidade de alguém como investigador sério. 

Foi uma coincidência ter-me tornado também activista numa outra esfera depois de 2022. No verão de 2023, tornou-se público que dois académicos (homens) da Universidade Humboldt de Berlim tinham assediado estudantes e pós-graduadas durante décadas com total impunidade.

Juntamente com algumas académicas, fundei a rede #metoohistory, através da qual tentámos chamar a atenção para o problema estrutural do abuso de poder e do assédio sexual na academia. Com o tempo, comecei a notar que as minhas experiências em ambos os campos do meu “activismo” eram bastante semelhantes. Percebi rapidamente que isso não era, na verdade, surpreendente, porque em ambos os casos lidamos com certas estruturas tradicionais de poder. 

O russocentrismo é o legado de estruturas coloniais de poder; o abuso de poder e o assédio sexual são o legado de estruturas patriarcais. Quais são então as semelhanças?

Viver em mundos paralelos: em ambos os casos, por vezes sinto que navego entre dois mundos paralelos. Depois do nosso primeiro evento do #metoohistory na Alemanha, uma professora (sim, uma mulher!) aproximou-se de mim e disse: “É fantástico o que estão a fazer, mas, sinceramente, quão comum é o assédio sexual e o abuso de poder na academia? É tão raro!” Olhei para ela, espantada. 

Será mesmo isso que ela acredita? Creio que sim. Ela está na posição privilegiada de nunca ter experienciado abuso de poder ou assédio sexual. Ainda bem para ela! Mas não é essa a minha realidade. O alarmante é que, aparentemente, ela nunca tinha sequer ouvido falar desses casos. 

Esta é a primeira semelhança: duas realidades paralelas. Por um lado, existem as “redes de sussurros” de pessoas que foram abusadas e dos seus aliados. Falamos uns com os outros, apoiamo-nos mutuamente, mas algures fora do olhar público. Muitas vezes, as histórias que ouvimos ou contamos são partilhadas em confidência. Por outro lado, existem as redes dos perpetradores, dos espectadores que sabem o que se passa e daqueles que são privilegiados pela ignorância.

O mesmo acontece com aqueles que são afectados pelo colonialismo russo. A colega ucraniana que entra no seu gabinete a 25 de fevereiro de 2022 numa instituição ocidental: um professor aproxima-se dela e diz: “Lamento tanto! É horrível! Eu adoro tanto a Rússia!” 

A colega ucraniana numa instituição ocidental a quem os “académicos russos em risco” se dirigem continuamente em russo: ela responde em inglês, mas eles não percebem a mensagem. 

A colega ucraniana que permanece em silêncio enquanto “académicos russos em risco” lamentam como as suas carreiras académicas foram prejudicadas pela “guerra na Ucrânia” (enquanto os pais dessa colega ucraniana são bombardeados diariamente). 

A colega ucraniana que vê o seu colega russo receber uma bolsa muito melhor do que a sua — mas estará ela numa posição em que possa queixar-se? Permanece em silêncio; não está exatamente numa posição de poder.

Quem ouve estas histórias? Quem ouve as histórias daqueles que foram vitimizados por professores poderosos? Quem ouve as histórias daqueles que são tratados com desrespeito por académicos russos ou pelos seus colegas ocidentais russocêntricos? Se tivesse sido afectado, com quem partilharia o seu trauma? Só partilharia a sua história com alguém que sabe que a reconheceria. O que não precisa de ouvir depois de ter sido agredido ou assediado por um professor é que “ele pode ser muito simpático”, ou que “a maioria dos professores homens é perfeitamente normal”, ou que “ele sempre foi simpático comigo”. A quem contaria a sua dor depois de um colega russo, pela milionésima vez, ter desvalorizado a sua experiência e ter feito tudo girar em torno de si próprio? Contaria a alguém que lhe explicaria que está a ser injusto para com os russos? Ou que provavelmente entendeu mal o que foi dito? Que talvez esteja a exagerar? Que têm a certeza de que esse colega russo não teve intenção de o magoar e que deveria tentar ver tudo da perspectiva dele? Essa é precisamente a reacção de que não precisa. 

Precisa de alguém que compreenda que isto faz parte de uma história maior, de um problema estrutural. Precisa de alguém que reconheça a sua dor e o seu trauma. Seja o tipo de académico a quem as pessoas confiariam o seu trauma. Se todas estas histórias são novas para si, então algo está errado.

Privilegiamento estrutural: fui inspirada a escrever este texto por um concurso para bolsas na Universidade do Ruhr, em Bochum, destinado a investigadores afectados pela “guerra na Ucrânia”. A formulação do anúncio deixou-me perplexa. As bolsas destinam-se a “investigadores que foram forçados a deixar os seus países devido à repressão e perseguição políticas”. 

Ora, os ucranianos (exceto aqueles que vivem em territórios ocupados pela Rússia) não estão sujeitos a “repressão e perseguição políticas”. O problema deles é que estão a ser bombardeados pela Rússia. Assim, é pouco provável que sintam que este concurso se dirige a eles. 

Uma breve pesquisa revelou rapidamente que a maioria destas bolsas parece, até agora, ter sido atribuída a russos. Isto dificilmente é surpreendente, dada a forma como o anúncio foi formulado. O facto de a Universidade do Ruhr cooperar com a fundação russa Zimin para financiar esta bolsa provavelmente afastará ainda mais muitos ucranianos.

Eu (como outras pessoas) chamei a atenção dos responsáveis pelo programa para este facto, mas eles não viram necessidade de agir. A única alteração desde então foi que a expressão “guerra na Ucrânia” foi substituída por “guerra de agressão da Rússia”. 

Quando perguntei com base em que critérios as bolsas tinham sido atribuídas no passado, disseram-me que foi exclusivamente com base no mérito académico, independentemente da nacionalidade. Então vejamos: uma universidade publica um concurso que discrimina os ucranianos e, logicamente, acaba com sobretudo bolseiros russos (a bolsa foi anunciada da mesma forma em 2025). No entanto, a universidade nega discriminar os ucranianos com o argumento de que os bolseiros “não eram exclusivamente” russos. A questão de saber se a maioria era russa permanece sem resposta (pelas informações públicas que consegui reunir, parece bastante claro que a maioria era de facto russa). Isto não é de modo algum um caso isolado, mas sim um sintoma de um problema estrutural mais amplo.

As trocas de mensagens com o coordenador deste programa fizeram-me lembrar debates sobre discriminação contra as mulheres. As instituições perpetuam condições que desfavorecem as mulheres. Depois, como seria de esperar, os homens ficam mais fortemente representados, mas ninguém quer admitir isso. Se questionar essas estruturas, a resposta é: “Não há discriminação! As decisões foram baseadas apenas no mérito académico.” 

Outro paralelo é que os cientistas ucranianos servem como folha de figueira. A resposta “Tivemos um bolseiro ucraniano, portanto não há discriminação” lembra-me: “Bem, temos aquela investigadora no nosso instituto, portanto não temos um problema com estruturas sexistas.” 

Este paralelo não é surpreendente. Em ambos os casos trata-se de estruturas de poder estabelecidas. Precisamente por causa do colonialismo russo — a dominância da Rússia no estudo da Europa de Leste — os russos têm melhores redes; as fundações russas têm mais dinheiro e estão melhor estabelecidas no Ocidente.

Esta assimetria de poder não existe apenas em relação à Ucrânia, mas também em relação a outros países e regiões colonizados pela Rússia. Isto é um problema ético porque é simplesmente injusto; mas também é um problema do ponto de vista académico. 

Tais estruturas consolidam uma visão russocêntrica, porque os especialistas fora dos centros coloniais são marginalizados. Todos beneficiaríamos de um campo mais inclusivo, não apenas do ponto de vista intelectual. Naturalmente, o mesmo se aplica ao abuso de poder e ao assédio sexual. Não beneficiaríamos todos de um campo em que os perpetradores fossem responsabilizados e em que todos tivéssemos a possibilidade de florescer?

March 08, 2026

"Dancing with the Russian Bear"

 

«Dancing with the Russian Bear» expõe os anos de erros de avaliação ocidentais que levaram ao regresso da guerra à Europa. Apresentada pela especialista em segurança Katarzyna Pisarska, esta série amplifica as vozes muitas vezes ignoradas da Europa Central e Oriental. Enquanto o continente enfrenta a sua maior crise de segurança em décadas, descubra como a Polónia e os seus vizinhos estão a liderar a luta para restaurar a estabilidade e responder à ameaça russa.

Episódio 1 - siga o link e veja os outros no YouTube.

A semana passada fui ver o bailado da Bela Adormecida

 

É claro que não foi nada do calibre extraordinário deste bailarino do outro mundo, mas foi bom. O que também foi bom foi ver imensas famílias com crianças - sobretudo raparigas, mas não só. 

O bailado clássico é dança mas também é teatro e é música clássica e ver tantas crianças e adolescentes entusiasmados com o ballet é animador porque nos concertos de música clássica e nas óperas vê-se pouca gente nova. Até já no cinema se vê pouca gente nova. Pouquíssimas crianças. É uma pena. 

A ópera e a música clássica, tal como a literatura e a história, se não são passadas de geração em geração, perdem-se. Seria uma pena perder toda a música, a dança, o canto e a cultura clássica em geral para influenciadores do Tik Tok e outras redes sociais e para os sons manicurados do Spotify.


 

Citação deste dia

 


Half the World are Women. The other half are their children  
- Efu Nyaki

 

Porque é que ainda precisamos de feminismo

 




Happy International Reality Women's Day!

 


Como transformar um ser vivo num zombie?

 

2016, Marco Rubio, versão vivo


2026, Marco Rubio, versão zombie

Happy International Reality Women's Day!

 

Happy International Reality Women's Day!

 

Happy International Reality Women's Day!

 


Happy International Reality Women's Day!

 

Precisamos de melhores adultos. 840 milhões de mulheres e raparigas adolescentes são vítimas de abuso sexual, mas mesmo assim os homens e as pseudo-feministas de esquerda insistem em pôr homens nos espaços das raparigas e mulheres.


Happy International Reality Women's Day!

 

Por que é que há mais *mulheres* a cometer crimes sexuais?
Porque são homens!   
-DerryBanShee, falando sobre como as estatísticas criminais estão a ser adulteradas corrompidas pelo facto de os homens poderem «identificar-se» como mulheres quando são condenados. Os crimes de violação de mulheres agora aparecem com 'mulheres' como sendo as criminosas violadoras. Só que são homens.

 

Happy International Reality Women's Day!

 

Aqui está um homem biológico trans a chorar porque em Inglaterra já não pode violar o espaço das mulheres. Apesar de em todo o lado as mulheres e as raparigas dizerem que não querem homens biológicos nos seu espaços, a sociedade, que continua patriarcal, tem ignorado as mulheres e imposto que partilhem espaços de mulheres com homens biológicos. Estas pessoas podem ir às casa-de-banho unissexo, mas insistem em ir espreitar crianças, raparigas e mulheres nas casas-de-banho delas.


Happy International Reality Women's Day!

 

Happy International Reality Women's Day!

 


Happy International Reality Women's Day!

 

"A essência do ser humano é que não se busca a perfeição" (Gandhi)



Pensar em optimizar certas coisas — de quem ser amigo, a moralidade, como obter amor ou sexo, ou mesmo com que frequência usar um objecto precioso e bonito — é um erro descrito por George Orwell no seu ensaio sobre Gandhi. Tal como os altruístas eficazes, Gandhi era um vegano ético convicto que teve de ser pressionado a admitir que comer animais poderia ser melhor do que deixar humanos morrerem, mesmo que isso fosse profano, anti-hindu ou «especista»:

Deve haver algum limite para o que faremos para permanecer vivos, e esse limite está bem deste lado do caldo de galinha. Essa atitude talvez seja nobre, mas, no sentido que — creio eu — a maioria das pessoas daria à palavra, é desumana. A essência do ser humano é que não se busca a perfeição, que às vezes se está disposto a cometer pecados por lealdade, que não se leva o ascetismo a tal ponto que torne impossível o convívio amigável e que, no final, se está preparado para ser derrotado e destruído pela vida, que é o preço inevitável de se apegar ao amor por outros seres humanos. Sem dúvida, o álcool, o tabaco e assim por diante são coisas que um santo deve evitar, mas a santidade também é algo que os seres humanos devem evitar.     - Gandhi

by Nicholas Clairmont in Against optimization

Ver a Terra desde o espaço num balão




Balonismo extremo: astronauta Ron Garan assume o lugar de piloto na World View Experience


Imagem da IA

Ron Garan voou tanto no vaivém espacial (STS-124) como na Soyuz (TMA-21) para a Estação Espacial Internacional. Em 2014, reformou-se da NASA, escreveu um livro (The Orbital Perspective) e, no início desta semana, foi nomeado piloto-chefe da World View Experience que é uma empresa futurista que planeia levar turistas até 30km de altitude num balão de hélio, oferecendo vistas semelhantes às do espaço mas sem as fortes forças G de um foguetão.

Os lançamentos estão previstos a partir de um porto espacial em Tucson, no Arizona. A empresa não diz quando começarão os voos comerciais, mas especialistas preveem que aconteça nos próximos anos.

É necessário um depósito de 7.500 dólares (não reembolsável) para reservar um bilhete que custa 75.000 dólares.

Jim Clash: Descreva a sua primeira visão da Terra a partir do espaço.

Ron Garan
: Foi uma experiência profunda. A primeira coisa é a percepção de que a atmosfera é finíssima, como papel. Parece incrivelmente frágil, e no entanto protege todos os seres vivos do planeta! Eu já tinha visto milhares de fotografias da Terra a partir do espaço e ouvido tripulações regressarem e dizerem como a atmosfera era fina. Portanto, já esperava que fosse fina. Mas quando a vi com os meus próprios olhos, fiquei absolutamente impressionado.

A outra coisa que senti — e não consigo realmente explicar — é que estar completamente desligado da Terra também me fez sentir profundamente ligado a todas as pessoas do planeta. Era uma sensação esmagadora de afinidade e de pertença.

Jim Clash: Porque decidiu trabalhar com a World View Experience?

Ron Garan: Descobri que a filosofia e a visão da empresa estão alinhadas com as minhas. Saí da NASA para poder partilhar a perspectiva da Terra vista do espaço e fazê-lo a tempo inteiro. Sinto realmente que ver a Terra a partir de cima pode ter um efeito positivo na trajetória da nossa sociedade global. Chamam-lhe “World View” por uma razão — isso está no ADN da empresa.

Outro aspeto são as dimensões ambientais, humanitárias e sociais. Não se trata apenas de levar pessoas até à fronteira do espaço — também podemos transportar equipamentos de comunicação e sensores, experiências, investigação, etc. A World View está a criar algo que ainda não existe: esta indústria de grandes altitudes, que tradicionalmente tem estado limitada à indústria de satélites, muito mais cara.

Jim Clash: Para os turistas, como será a experiência?

Ron Garan: Os passageiros vão subir suavemente a cerca de 1.000 pés por minuto até atingirem 100.000 pés de altitude. Vão ver o céu mudar de azul para negro, a curvatura da Terra, e a finura da atmosfera — e terão a experiência de olhar para o Sol com o fundo de um céu completamente negro.

Penso que isso terá efeitos profundamente transformadores nas pessoas.

JC: Pelo que percebo, os passageiros estarão a 100.000 pés de altitude durante algumas horas. Não é tão alto como num voo espacial suborbital com a Virgin Galactic, a Blue Origin ou a XCOR (acima dos 328.100 pés), mas certamente durante muito mais tempo. É uma boa troca?

RG: Penso que há um aspeto do poder transformador da experiência que depende da quantidade de tempo que a pessoa a vive. Houve uma diferença enorme na minha capacidade de processar a experiência de estar no espaço na minha primeira missão, que durou apenas duas semanas, em comparação com a segunda, que durou quase seis meses.

JC: Parece também que será mais confortável do que um foguetão, certo?

RG: Como a cápsula é pressurizada, estará num ambiente normal, como se estivesse de mangas de camisa. Haverá casa de banho a bordo, instalações para bebidas e comida ligeira, e janelas gigantes. O nosso plano é também ter ligação à Internet, para que possa levar virtualmente os seus amigos e familiares nesta aventura — isto, claro, se eles já não estiverem na cápsula consigo. Já tivemos famílias inteiras a comprar bilhetes. [Philippe Bourguignon, antigo diretor executivo da Euro Disney, comprou bilhetes para toda a sua família.]

JC: Quando tudo terminar, como regressam à Terra?

RG: Quando estivermos prontos — e isso dependerá dos ventos e da localização dos locais de aterragem — vamos libertar a cápsula do balão e regressar sob um paraquedas dirigível. Deve demorar cerca de mais uma hora até tocar no solo.