O Japão admitiu ter manipulado as notas dos exames de admissão durante mais de uma década, com o objectivo de não deixar as mulheres entrarem em, pelo menos, nove universidades de medicina. Manipularam as notas dos exames de admissão para limitar ou excluir mulheres.
September 17, 2026
É por isto que os homens não precisam de quotas
June 01, 2026
Um machista encapotado?
Há muitos que parecem defender os direitos das mulheres até os vermos a desenvolver o raciocínio sobre o tema. O artigo é uma salganhada que mistura a realidade com imaginação e frases de literatura.
Primeiro diz que há um mito segundo o qual uma mulher não pode ser preserva e cruel. Devo ser muito ignorante porque ouvi falar desse mito... nem nunca ouvi alguém dizer que uma mulher não pode ser cruel e perversa como um homem, mas deve ser algo lá da família dele ou dos amigos, sei lá.
Um caso, três mitos
Em segundo lugar, o caso estilhaça a ideia errada de que a mulher não pode ser violenta. O machista gosta sempre de representar a mulher como uma santa cuidadora e que por isso deve ser ela a cuidar de crianças e velhos. Ou seja, está aqui em jogo a construção social do “género” feminino, cuidador, doce, terno, versus a construção social do “género” masculino, mais agressivo e por isso menos cuidador. É por esta razão que os casos que envolvem mulheres agressivas são tão populares e mediáticos. Este caso não é apenas um crime, é a desconstrução deste pilar invisível da ordem social. Mas, se somos feministas a sério e até ao fim, então temos de assumir que uma mulher pode ser tão perversa e cruel como um homem. A igualdade não é só para as virtudes, também é para os defeitos da espécie humana.
Ou seja, está aqui em jogo a construção social do “género” feminino, cuidador, doce, terno, versus a construção social do “género” masculino, mais agressivo e por isso menos cuidador. É por esta razão que os casos que envolvem mulheres agressivas são tão populares e mediáticos.
E isto leva-nos ao terceiro mito, desafiado por autoras como Janina Ramirez em livros como “Femina”: a modernidade tem sido moderna para os homens, não para as mulheres; antes da alegada modernidade do século XIX, as mulheres tinham mais liberdade e as construções sociais do género não eram tão segregadas.
May 11, 2026
Estes são governos que agora temos
Os de direita defendem abertamente a exploração sexual das mulheres, os da nova esquerda defendem-na de modo vicariante, apoiando as ideologias islâmicas e wokes.
I'm sorry, I know how you all HATE seeing this man's face but when he's saying how women like to get raped and find it sexy and that when you are a star you can grab women by the pussy, shit has got to start changing.
— Richard Woodruff 🇺🇦 (@frontlinekit) May 11, 2026
For the future generations to not turn out like the @POTUS pic.twitter.com/COUgWW8GWU
September 13, 2025
Uma breve história da mulher
Irlanda: um homem biológico de meia-idade, exigiu jogar como mulher num jogo de futebol feminino...
Na Austrália as mulheres não existem. Qualquer um pode dizer que se sente mulher e exigir invadir espaços, desportos, equipas, grupos de apoio a vítimas, consultórios médicos e o que mais quiserem, de mulheres. E o pior é que as mulheres podem ser criminalizadas se se opuserem a estes abusos, por ódio transfóbico.
Vivemos em tempos de gente sem tino e de homens biológicos sem vergonha.
April 16, 2025
A misoginia dos trans que se identificam com mulheres
O que esta pessoa precisa de perceber é que está a sugerir que a sua segurança como homem que se identifica como mulher é mais importante e deve passar à frente da segurança das mulheres.
Os trans que se identificam com mulheres e exigem retirar direitos às mulheres são machistas. Eles podem ter saído do mundo dos machos, mas o machismo não saiu deles.
A man suggests that he should be allowed to violate women's spaces because he is unsafe being around other men.
— 🐘 Erin Brewer #StopTransingKids (@ErinBrewerin) February 14, 2025
These men need to realize that it is not a woman's job to protect men who choose to pretend to be women.
He is also completely failing to recognize that he is… pic.twitter.com/S3b6PuhC2g
March 10, 2025
January 31, 2025
Os talibãs vão de vento em popa e até os ingleses os aceitam no campeonato de cricket
A Federação Internacional de Cricket dá-lhes 5 milhões de apoio, já a equipa das mulheres não é apoiado e só jogaram na Austrália depois de muitos protestos, porque os talibãs exigiam a proibição. Estamos num mundo de gente auto-agrilhoada no fundo da Caverna.
Here is the improv speech I gave yesterday to ask @ECB_cricket to boycott England v Afghanistan match on 26th February.
— Jean Hatchet (@JeanHatchet) January 31, 2025
England playing against the Taliban’s cricket team endorses the abuse of the women of Afghanistan.
Nothing more - nothing less. It’s just not cricket. pic.twitter.com/NjX7j1Hy5M
Another speech from @AlisonJenner6 today in support of the women of Afghanistan and to call for @ECB_cricket to boycott Afghanistan v England which gives credibility to the Taliban regime’s oppression of women @twelve0fiveUK #BoycottAfghanistanCricket #LetUsExist#LetThemExist pic.twitter.com/5w1bBKqX7N
— Jean Hatchet (@JeanHatchet) January 30, 2025
January 04, 2025
A ONU de Guterres é isto
A ONU defende as afegãs mas no âmbito do Islão. No âmbito do Islão? Os direitos humanos estão condicionados à ideologia fascista que é o Islão? Isto é o mesmo que alguém do século XIX dizer, 'eu defendo os direitos dos negros dentro no âmbito do interesse dos seus donos'
Isto é a ONU de Guterres, um tumor maligno para os direitos humanos das mulheres.
The statement by Amina Mohammed, the UN Deputy Secretary-General, that she “defends the rights of Afghan women within the framework of Islam” can be dangerous.
— Golchehrah Yaftali (@womenaidafghan1) January 4, 2025
The United Nations must defend women’s rights unconditionally, not within a framework dictated by the Taliban.
If the… pic.twitter.com/q70pq0Lxu8
January 03, 2025
Vamos no 3º dia do ano e já temos uma morte por macho ibérico
Nem a presença do seu próprio filho travou este macho ibérico.
O filho do agressor, uma criança com três anos que a vítima iria buscar, acabou também por sofrer um golpe de faca num braço
June 19, 2024
Quanto vale a vida de uma mulher?
A benevolência que se atribui aos homens em crimes contra mulheres, até aos criminosos condenados, é arrepiante.
Maria João Marques
Estamos (muito infelizmente) acostumados a ler sentenças de primeira instância ou acórdãos justificando penas suspensas a violadores e abusadores sexuais com o facto de estarem bem inseridos na sociedade e não terem antecedentes criminais. Desde que tenham emprego e uma vida estável, é violar à vontade, que os tribunais portugueses não têm nenhum pejo em proteger a vida organizada de criminosos sexuais quando estes, pobres homens, têm o azar de violar uma mulher demasiado espalhafatosa que não sabe que a sua obrigação é ficar calada e tratar do trauma sem aborrecer terceiros. E só porque um homem se inicia na vida de crime com uma violação, não quer dizer que não se lhe dê benevolência de primeiro crime, pois não? Não se vai estragar a vida a um homem (pessoa que conta) lá por estragar a vida a uma mulher (pessoa que não conta).
Os homens violentos são protegidos pelo sistema. E isso é um perigo para as mulheres. Desde logo porque a inexistência de punição funciona como incentivo à prática dos crimes. Mais: se os criminosos não são punidos quando praticam crimes graves sobre mulheres, vão repeti-los. Quando, em 2009, um polícia de Detroit descobriu um armazém com 11 mil kits de violação não testados e finalmente se testaram, descobriu-se inúmeros casos de mulheres que tinham sido vítimas de violadores em série – que a polícia nunca se tinha dado ao trabalho de investigar e que, portanto, continuaram sossegadamente a violar. É isto que acontece sempre que não se pune um violador ou um agressor doméstico: diz-se-lhe "pronto, vá procurar descansadamente a sua próxima vítima".
Os crimes de violência doméstica e sexual, quando, vá lá, são punidos, normalmente recebem ralhete em forma de pena suspensa. Em 2023, a CNN reportava que 65% dos condenados por crimes sexuais praticados contra crianças eram premiados com penas suspensas. Já em 2018, conforme escreveu o PÚBLICO, era igual a percentagem. Nesse ano, o Expresso noticiava que em seis anos 176 violadores condenados continuaram em liberdade (30% do total). Dos condenados por violência doméstica, as estatísticas conseguem ser ainda mais de arregalar os olhos: só cerca de 10% dos condenados cumprem penas de prisão efetiva.
Sucede que, afinal, nem a existência de antecedentes criminais são significativos na hora de maçar a vida de um homem violento.
Há semanas, uma mulher foi atropelada mortalmente por um ex-namorado. O assassino era repetente: havia sido condenado em 2010 por matar a namorada com facadas. Como a assassinada era uma mulher, coisa pouca, saiu da prisão ao fim de dez anos. Logo depois teve nova denúncia de violência doméstica. Abriu-se inquérito, que não andou por razões misteriosas, alegando-se a covid. Provavelmente: polícias e procuradores quiseram lá saber, mesmo tratando-se de um criminoso condenado. É certo que os serviços públicos andam todos a ritmos indigentes desde a covid, mas seria de esperar que perigos para a vida e o corpo das mulheres não fossem encarados com o mesmo marasmo.
A mulher assassinada – com um carro passando três vezes por cima dela – tinha apresentado queixa. A AIMA também. Inacreditavelmente – tratando-se de um denunciado já condenado por matar uma mulher e com outra denúncia de violência doméstica já depois de sair da prisão (i.e., via-se a olho nu que a reabilitação falhara) –, foi considerado um caso de baixo risco. Isto tem de ser negligência grosseira.
A benevolência que se atribui aos homens em crimes contra mulheres, até aos criminosos condenados, é arrepiante. Se na sociedade nos resta fazer pedagogia, já temos de nos perguntar em que raio os investigadores criminais se baseiam para aferir graus de risco. Se um assassino condenado e já com outra denúncia em cima não é um gritante risco para as mulheres que ameaça, ninguém é uma ameaça. A aferição do risco é feita consoante os palpites de cada dia dos agentes e procuradores? Não há guias de procedimento e automatismos determinando que homens com condenações ou outras denúncias (tenham seguido para acusação ou não) sejam encarados como riscos agravados? Por que carga de água se continua a proteger tanto agressores de mulheres, tratando-os como cidadãos exemplares?
Os momentos de apresentação de queixa de violência doméstica são particularmente arriscados para as vítimas. Porque continua a existir este desprezo pela segurança e pela vida das mulheres, não lhes dando proteção quando estão em grande risco? Como continuam a não existir mecanismos imediatos que garantam que o denunciado não se aproxima da vítima? (Pulseira eletrónica e botão de pânico – foi entregue à mulher no dia em que foi morta.) A descredibilização das queixas das mulheres é um dado adquirido; neste caso, foi agravado por ser uma venezuelana a apresentar a denúncia?
Na violência contra mulheres tudo continua errado. As polícias desvalorizam as queixas e o risco. Os procuradores são lentos a atuar. Os homens criminosos são protegidos e tratados com uma benevolência que demonstra o desvalor que se dá às mulheres suas vítimas. A covid é usada como desculpa para não se investigar. Os juízes usam de todas as manigâncias para desconsiderar e descredibilizar as vítimas e absolver ou libertar os agressores. E os legisladores mantêm penas ridiculamente baixas para crimes sexuais e de violência doméstica, bem como a iníqua pena de prisão suspensa – só deveria ser aplicada a crimes não violentos, mesmo se penas curtas.
Não gosto e não quero partidarizar a luta contra a violência contra mulheres. Mas este foi mais um tema em que os governos do PS escolheram fazer o mínimo: além da criação da equipa de análise retrospetiva depois de as mulheres serem assassinadas, quase nada.
Não sei das ideias da atual ministra da Justiça sobre o tema da violência sexual e doméstica. Nem sei se lhe dá prioridade. Sei que há no grupo parlamentar do PSD quem se ocupe destas matérias (e o tenha feito noutras legislaturas) e tenha ideias mais duras, digamos assim, sobre a resposta judicial. (Também há no PS, porém, não foram consideradas nos últimos anos. Preferiram-se as vozes que gritavam "populismo" de cada vez que se mencionavam as curtas sentenças destes crimes.) Uma coisa é certa: eu – e, acredito, muitas mulheres – vou cobrar ao PSD mudar este estado de coisas em que as mulheres são violentadas e assassinadas (quase) a eito.
May 26, 2024
Falar na discriminação ou na violência contra mulheres não é feminismo, é apelar à decência do respeito pelos direitos humanos
A cultura masculina de agressão física e psicológica contra mulheres persiste na geração dos filhos de Boaventura e, espantosamente, na dos seus netos. Uma cultura violenta, amenizada mas não extinta.
Boaventura de Sousa Santos, uma vez, tentou desculpar-se, na sequência do escândalo do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, com a idade. Assumia "actos inapropriados" que eram “naturais” no seu tempo e agora já não eram tolerados.
Há uma parte de verdade nisto. Quando Boaventura era novo, as mulheres eram praticamente propriedade dos maridos. Eram vistas como pessoas de segunda categoria em todo o lado, do trabalho às universidades (onde os professores as mandavam com frequência coser meias).
Era preciso uma resistência muito grande para fugir dos potenciais abusadores, o que envolvia uma grande quantidade de técnicas que passavam de mãe para filha, nomeadamente “não dar confiança”, para reduzir o risco. Era toda uma educação para evitar o abuso. Paradoxalmente, a manutenção da virgindade até ao casamento e a falta de liberdade sexual funcionava como uma protecção das mulheres perante a cultura dominante em muitos homens da época. Parece estranho, mas é assim.
Se a “obrigação” da virgindade oprimia as mulheres, a liberdade sexual poderia ter efeitos catastróficos numa cultura masculina altamente tóxica, nomeadamente quando havia filhos que nasciam fora do casamento, sustentados muitas vezes apenas pelas mães (e apenas educados por elas, porque o desaparecimento do pai era uma constante).
Nem se falava nesses tempos em violação — a expressão era “ele abusou dela”. No entanto, naquela geração, havia homens capazes de “respeito” — outra expressão antiga para referir os homens decentes com mais de 80 anos. Ser abusador sempre foi uma escolha.
O explorador de mulheres, no tempo de Boaventura, gozava de alta popularidade entre muitos dos seus amigos — vou excluir os homens decentes, que os havia — e gabava-se muitas vezes das conquistas, do “harém”, etc., etc. Infelizmente, essa cultura masculina de agressão física e psicológica persiste na geração dos filhos de Boaventura e, espantosamente, na dos seus netos. Uma cultura violenta contra as mulheres, amenizada mas, até hoje, não extinta.
Em Portugal não há “me too”, o que daria uma excelente tese para um instituto de estudos sociais. As mulheres não se queixam porque se tornam duplamente vítimas — no caso em que tenham uma carreira pública, por exemplo. Basta ver o que aconteceu a Bárbara Guimarães quando denunciou Carrilho por violência doméstica: um enorme prejuízo profissional e ainda bullying objectivo da juíza Joana Ferrer. A justiça acabou a condenar Carrilho por violência doméstica, mas “a namoradinha de Portugal” foi várias vezes vítima a seguir, nomeadamente através das declarações que Carrilho fez sobre a mãe dos filhos nos jornais. Como é que pode haver “me too” se o agressor conta com a complacência de um país minúsculo?
Esta semana, sete mulheres do colectivo de vítima do CES falaram com a jornalista Mariama Correia, da brasileira Agência Pública, que alguns jornais portugueses citaram. A mexicana Mariana Cabello, com 29 anos à altura dos factos, contou: “Fomos ver um documentário sobre direitos humanos. Boaventura sentou-se a meu lado. Quando as luzes se apagaram, colocou a mão na minha perna, na minha virilha (…) Ele continuou olhando para a frente, vendo o filme. Eu saí assustada.” Mariana Cabello diz que deixou de acompanhar o curso e passava o tempo no quarto. No jantar de encerramento, voltou a encontrar Boaventura. Depois de um exercício de lovebombing (uma táctica usada por abusadores e narcisistas, que consiste em elogiar desproporcionadamente a vítima, para a tentar manipular), Boaventura passa à segunda fase. “Eu estava em pé, ao lado da mesa dele. Ele, sentado, pôs a mão na minha cintura, nessa posição ficou com a cara no meu peito.” Na altura, a estudante optou por não denunciar porque “sabia que não ia acontecer nada com ele”.
Há relatos de Boaventura marcar reuniões com alunas para a casa dele, onde aparecia “vestido de robe e pijama” e “fazia comentários de carácter sexual sobre os corpos” das mulheres.Élida Lauris estava a fazer o doutoramento em 2005, tinha 25 anos. “No último jantar em equipa em que participei com Boaventura, ele disse: ‘Você pode ter uma relação especial comigo porque, quando olho para você, quando vejo as suas pernas… Nunca fiz nada porque você era casada.” Élida passou a ter ataques de pânico.
Não, a vítima não tem sempre razão. Mas a cultura instituída neste país de não ouvir a vítima, de a tentar esquecer e menorizar, e tolerar os abusos — uma cultura ainda vigente, apesar de algumas mudanças — é de uma enorme violência contra as mulheres. Contra todas, todas, todas.
May 25, 2024
Mais um filme sobre prostitutas... groundbreaking...
Anora, estupendo filme do norte-americano Sean Baker, foi considerado o melhor filme da 77ª edição de Cannes. Foi o seu regresso à competição, depois de Red Rocket, desta vez acompanhando (ou empurrando?) as movimentações da actriz Mikey Madison que interpreta uma escort que persegue o seu sonho. Uma espécie de Pretty Woman sem dourar a pílula, como se deu conta o realizador numa das entrevistas que deu: é um filme em duro exercício, em permanente actividade, em performance, portanto, por um território onde se sobrepõem o luxo e o detrito, a fantasia e o sórdido, o conto de fadas e o sexo.-----------
April 16, 2024
O primeiro-ministro [português] não acha que o corpo das mulheres lhes pertença
Em França, Emmanuel Macron fez com que aquele país se tornasse o primeiro do mundo a inscrever o direito ao aborto na Constituição, por entender que o “corpo das mulheres lhes pertence e ninguém tem direito a dispor dele em vez delas”, e porque assim garante que aquele direito não pode ser posto em causa pelo primeiro reaccionário misógino que se lembre disso.
Em sintonia com o caso francês e ciente das crescentes restrições, o Parlamento Europeu aprovou a inclusão de todos os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres, com o direito ao aborto incluído, na Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia. Falta que o Conselho Europeu aprove a recomendação dos eurodeputados. Mas nem todos os governos reconhecem esses direitos, e o português é um deles.
O primeiro-ministro está contra esse reconhecimento porque, ao contrário do Presidente francês, não acha que o corpo das mulheres lhes pertença.
Há uma agenda de direita misógina e retrógrada, alimentada pelo fundamentalismo católico, que se sente incentivada a sair das catacumbas e que reúne parte do PSD, CDS e Chega. É essa direita que defende a pertinência de criar o estatuto legal e fiscal para a “mulher dona de casa”, porque as mulheres são “mais propensas” a estar em casa, porque efectuam “actividades insubstituíveis” e porque, além disso, a “maternidade é reservada às mulheres”.
Até a diocese de Leiria-Fátima se associa à falsidade da conversão sexual de homossexuais, que foi criminalizada com os votos contra do PSD e Chega, como fez neste fim-de-semana, num congresso com o tema "Homens e Mulheres de Verdade", com base na crença de que a homossexualidade é uma perturbação psicológica.
June 06, 2023
Onde há excesso de poder há abusos
O machismo estrutural de Boaventura de Sousa Santos
João Miguel Tavares
Os homens abusadores poderiam ter a sua vida mais facilitada, mas é errado hoje como era errado há 300 anos. O heteropatriarcado tem as costas largas. E o assédio sexual é um derivado do abuso de poder, que é o problema central dos Boaventuras de Sousas Santos deste mundo – gente com o ego insufladíssimo que cria uma corte de aduladores e que, do alto dos seus altares, não consegue controlar os impulsos típicos de macho alfa. Leiam o que Naomi Wolf escreveu sobre o professor Harold Bloom em 2004. É exactamente a mesma história do CES e de Boaventura, só que em Yale.
Embrulhar isto numa conversa geracional desculpabilizadora, apontando o dedo a um qualquer machismo estrutural, é patético. Convém defender a honra dos velhinhos nascidos em 1940, ou até há mais tempo. Um senhor de 83 anos pode participar menos nas tarefas domésticas do que um de 33, e pode pedir mais vezes à esposa para ir buscar uma cerveja ao frigorífico enquanto vê a bola – mas não, não há qualquer razão para assediar com mais entusiasmo uma jovem mulher. A tese de Boaventura é uma treta. Não é uma questão de gerações. É uma questão de poder e de carácter.
A ideia de que isto é um hábito de pessoas idosas com “comportamentos inapropriados” é mentirosa e é perigosa. Numa instituição profundamente endogâmica como é o caso da universidade portuguesa, cheia de gente em situação precária e com senhores professores doutores todo-poderosos, não há milagres. Onde há excesso de poder há abusos, e onde há abusos há assédio, seja ele sexual ou laboral. O problema de Boaventura não é ser velho – é ser o guru de uma seita que durante décadas esteve à sua inteira disposição.
November 13, 2022
É uma pena que tenha aceite colocar a canga dos Mullahs
Tendo plena consciência do que as mulheres sofrem às mãos dos islamitas. Teve medo de recusar. Em tempos fiz uma viagem ao Egipto. Entrei em todas as mesquitas da mesma maneira que os homens -apenas descalça- excepto em Alexandria onde nos disseram que as mulheres eram impuras e por isso tinham de entrar por uma porta lateral e ficar ali numa espécie de sala gradeada, enquanto os homens podiam entrar na mesquita pela porta principal e passear por onde quisessem. Evidentemente que não fui. O guia ficou muito surpreendido e perguntou-me se não queria ver a Mesquita Branca que tem fama de ser uma das mais bonitas. Claro que queria, mas não estava disposta a ser considerada impura e ficar num cantinho apertadinha a ver a Mesquita ao longe, através de grades como uma coisa vergonhosa que é preciso esconder da vista. Mas há mulheres machistas.
-------------"Have you lost your freedom?" A pergunta de Adam é provocatória, no final da visita guiada à Mesquita Fanar, integrada no Centro Cultural Islâmico em Doha. Evito a pergunta e o peso do hijab que aceitei colocar, tendo em contrapartida acesso à área masculina enquanto os fiéis atrasados terminam a oração.
August 29, 2022
A Hungria a caminho de uma ditadura misógina?
"A elevada presença das mulheres no Ensino Superior pode causar problemas demográficos, dificultando a procura de um parceiro". Esta pérola não saiu de um qualquer bafiento manual do século passado ou do preâmbulo de mais um decreto da sharia. É uma das conclusões de um estudo revelado esta semana e realizado pelo instituto de estatística da Hungria, que alerta para os perigos sociais e económicos do elevado nível de instrução feminina.
Sob o título "Fenómeno de educação cor-de-rosa na Hungria?", o relatório conclui que o número elevado de mulheres com formação universitária pode, pasme-se, colocar em perigo a economia, baixar a taxa de natalidade e a taxa de casamentos e, claro, prejudicar os homens. Mais: o sistema de ensino, dominado pelos cromossomas XX, subvaloriza "características masculinas" (a saber, competências técnicas, assunção de riscos e empreendedorismo), o que pode causar problemas mentais e de comportamento nos homens, que assim não conseguem desenvolver as suas capacidades especiais, e até levar ao colapso da vida em sociedade, porque não vai haver quem conserte um computador avariado ou uma torneira a pingar.
Esta alegada investigação realizada por um organismo próximo de Viktor Orbán - o mesmo que não quer "raças mistas", proíbe informação sobre temas LGBTQI+ e não convive bem com a democracia e a liberdade de imprensa e se senta no Conselho Europeu - está a causar indignação, o que é quase sempre sinónimo de impotência em regimes com tiques fascizantes.
Negar o acesso à educação, principalmente das mulheres, é uma estratégia clássica de controlo social e repressão política. E um traço definidor dos regimes totalitários. Embora esta doutrina pareça uma barbárie anacrónica na Europa, a verdade é que surge na mesma altura em que num país de democracia consolidada (Finlândia) se discutiu se uma primeira-ministra (Sanna Marin) que dança e canta numa festa tem competência para governar.
Apesar de todos os avanços civilizacionais, uma mulher culta e empoderada (ainda) é considerada um perigo.
Helena Norte in JN-o-perigo-de-uma-mulher-culta
August 26, 2022
Liguei a TV no noticiário - continuam a falar na primeira-ministra finlandesa a dançar numa festa.
E em tom de crítica. Ora tomem lá o marechal e estadista finlandês Carl Gustaf Emil Mannerheim. O que vem atrás dele também está nu e outros a pé também. Uma festa ao estilo lady Godiva para homens? Pois, não interessa. Isto não fez escândalo na época. E já foi há muitos anos.
O ex-presidente finlandês Kekkonen com uma data de tipos todos nus em cima uns dos outros. Ninguém o pensa moralmente inapto por aparecer nu com outros também despidos. Já se fosse a primeira-ministra a aparecer toda nua com outras mulheres todas nuas... as mulheres são comentadas, sobretudo, pela aparência, independentemente da competência.
July 10, 2022
Há indivíduos que deviam preocupar-se com o tamanho da sua cabeça
Esta atriz tem sido assediada online por homens por ter ido assim para um desfile de moda. Não a assediam por ter ido com um vestido transparente sem sutiã, mas por ter um peito pequeno. Têm tentado envergonhá-la por mostrar o peito, sendo pequeno. Ter um peito pequeno é uma grande liberdade. Com um peito pequeno, que é que precisa de usar sutiã? Há indivíduos muito estúpidos que gostam de envergonhar as mulheres: ou são gordas, ou são magras demais ou têm o peito pequeno demais ou grande demais ou é da forma que não gostam ou outra coisa qualquer sem interesse nenhum a não ser na cabeça deles. Andam pelas ruas e por todo o lado a tentar fazer as mulheres sentirem-se mal consigo mesmas. Quem os ouve falar havia de julgar que são espécimes perfeitos...
September 28, 2021
Uma camponesa lutadora transformada numa pin-up de rabo à mostra
Isto é em Itália. A escultura devia representar a camponesa italiana do século XIX que abandonou tudo para lutar contra as injustiças dos Bourbons. O escultor, em vez de representar a sua determinação, sacrifício e luta, representou uma pin-up de rabo à mostra, vestido transparente colado ao corpo, ar de vamp.
A escultura foi criticada e "o escultor defendeu-se, dizendo estar "confuso" com a reacção e esclarecendo que quando faço uma escultura, tenho sempre a tendência de cobrir o menos possível o corpo humano, independentemente do género... A escultura representa a consciência"
Pois claro... acreditamos mesmo nisso... se lhe pedissem para fazer uma escultura do Presidente de Itália ou o Garibaldi, ele fazia uma escultura dos homens de calças transparentes, coladas ao corpo de maneira que se visse o rabo, as pernas e o sexo. Está-se mesmo a ver que o fazia. Seria muito dignificante!
Mais valia que a tivesse feito nua. Os machistas são indivíduos que não se enxergam.
August 26, 2021
Missas onde se promove a ideia de que as mulheres devem ser submissas aos maridos
Sempre que se cita essa passagem da epístola de S. Paulo vem sempre alguém defender que São Paulo, na sua época era muito à frente. Pois devia ser, mas nesta época em que estamos é muito atrás, arcaico mesmo. Se a citação dissesse o oposto, 'Homens sejam submissos a suas esposas, como ao Senhor, pois a mulher é a chefe do marido, como Cristo é o chefe da Igreja” , há muitos séculos que isso não era lido ou, talvez, nunca tivesse sido escolhido para ser lido.
A polémica ganhou asas após a leitura da Epístola de São Paulo aos Efésios em direto na Eucaristia Dominical da RTP, cuja passagem – não na íntegra – aqui reproduzimos: “As mulheres sejam submissas a seus maridos, como ao Senhor, pois o marido é o chefe da mulher, como Cristo é o chefe da Igreja” ou “assim como a Igreja é submissa a Cristo, assim também o sejam em tudo as mulheres a seus maridos”. Faz sentido, em 2021, o Estado patrocinar uma plataforma que transmita conteúdos como este? E o que quer isto dizer? Deverá ser lido como uma metáfora, ou deverá ser lido à letra?









