September 26, 2026
September 20, 2026
Elementar bom senso que devíamos seguir
Mario Nawfal
Meloni anunciou que o uso de coberturas faciais, incluindo a burka e o niqab, será proibido nas escolas.
Será estabelecido um limite máximo de alunos estrangeiros por sala de aula.
Os pais de crianças com dificuldades de integração também serão obrigados a aprender italiano.
Permitir que um grande número de alunos que não falam a língua local frequente a mesma turma não promove a integração; cria sociedades paralelas.
E a integração não é facilitada pelo uso de um véu facial.
Isto deveria ter sido uma política padrão em toda a Europa há uma década...
September 18, 2026
Como contrariar os resultados do PISA?
Não vou falar aqui de investimento na educação, em tornar a carreira de professor atractiva, na falta de técnicos especializados, no número de alunos por turma, etc. Vou falar apenas na parte da integração de alunos estrangeiros que são, no meu ponto de vista, uma parte importante para a elevação do nível dos resultados e fundamental para o futuro do país.
É preciso investir fortemente nos professores de Português Língua Não Materna (PLNM). Estes são professores que leccionam português a alunos estrangeiros nos vários níveis de proficiência em que se encontram quando entram nas escolas. Há pouquíssimo professores, não chegam para todos e, ainda por cima, estas turmas têm que ser muito reduzidas, pois misturam alunos de vários níveis, desde o que não fala uma palavra de português e vem de um país com uma língua de uma raíz não latina (o arábico, o mandarim, o hindu) ao que já cá está há dois ou três anos e já domina bem os fundamentos da língua mas precisa de desenvolver o vocabulário, a complexidade frásica, verbal, etc. Se não aprendem a língua não há integração e se não há professores para a ensinar não é possível que aprendam a língua, além do 'olá', 'bom dia' e pouco mais porque muitos destes alunos vivem fechados nas suas comunidades culturais por ordem dos pais. É necessário tirá-los dessas redomas.
É preciso haver um currículo diferenciado para estes alunos. Em vez de inscreverem-se em todas as disciplinas e estarem nas aulas sem perceber um boi (alunos nestas idades dependem muito do professor), inscreverem-se apenas a 3 disciplinas, vamos supor, a inglês, a educação física e a outra disciplina, mais prática do que teórica, mais para socializar e enturmarem-se e depois, terem todos os dias aulas de PLNM. Portanto, um curso intensivo de português e mais umas poucas disciplinas para começarem a sua integração. No ano seguinte já estariam em condições de poder matricular-se a todas as disciplinas e embora continuassem a ter PLNM em vez da disciplina de português da turma, já não teriam necessidade de tantas horas por semana.
Alunos que só falam a língua da sua família (mais alguma coisa de inglês), apesar de estarem cá, não vivem no nosso país, vivem no país e na cultura da sua língua materna (e em sites da internet) e serão sempre outsiders.
Aqui há um par de anos propus à direcção da escola este plano de estudos para um aluno que caiu em Portugal de pára-quedas no início do ano, só falando a sua língua. Autorizaram-me mas quando o propus ao pai, ele não o quis, disse-me que o filho era inteligente. Embora lhe explicasse que isto não tem que ver com inteligência e que o ano iria ser uma enorme frustração para o filho com uma sensação de alienação devido às dificuldades de não perceber o que se passa à volta dele, ele não o quis. Uma pena e um desperdício de capacidades.
Os pais não têm noção do que é a educação escolar e pensam que a aprendizagem é assim algo mágico e que mesmo estando completamente impreparado para aprender, aprende-se na mesma. É assim como alguém chegar à aula de escultura de mármore e não ter cinzéis, martelos, limas, etc. e o professor dizer que precisa de ter os instrumentos adequados que permitem fazer o trabalho e que seria melhor que ele dedicasse um ano a arranjar esses materiais e a aprender a usá-los e os pais responderem, 'não é preciso, o meu filho é inteligente e desenrasca-se já'.
September 17, 2026
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Há ainda outro elefante dentro da sala de aula, enquanto Carneiro se entretém a olhar para a cor do giz. Portugal mudou demograficamente a uma velocidade extraordinária. Entre 2021 e 2025, o número de residentes estrangeiros mais do que duplicou: aumentou em 849 mil, para quase 1,6 milhões, 14% da população. A concentração territorial, essa, é brutal: em 2024, Lisboa tinha 202 mil residentes estrangeiros e Sintra quase 97 mil; nove dos doze concelhos com maior número pertenciam à Área Metropolitana de Lisboa.
As escolas sentiram exactamente a mesma transformação. Em dez anos, os alunos estrangeiros nas escolas públicas aumentaram 251% e passaram de 4% para perto de 17% do total; na Grande Lisboa, Setúbal e Algarve rondavam já os 20%. Muitos chegaram sem dominar a língua portuguesa. O Conselho Nacional de Educação identifica falta de professores de Português Língua Não Materna, heterogeneidade linguística, entradas ao longo de todo o ano e dificuldades de organização das turmas. Isto não é uma acusação às crianças imigrantes. É uma acusação a quem recebe crianças sem preparar escolas. Não basta proclamar humanismo, para depois praticar laxismo.
(...)
E chegamos ao meu último ponto, que se tem discutido menos: planeamento. Este Verão descobrimos que a fotografia oficial do país estava desfocada. O INE reviu a população de 2024 de 10,75 para 11,39 milhões: mais 637 mil pessoas, um erro de 5,9%. O PS respondeu que os números da imigração já eram conhecidos. O que só lhes agrava a culpa. Se sabiam que o país tinha mudado desta maneira, onde estavam as escolas, professores, centros de saúde, casas e transportes necessários para recebê-lo?
Pedro Mota Soares defendeu, aqui no Expresso, a antecipação dos Censos de 2031 porque “sem números credíveis e desagregados” continuaremos a desenhar políticas públicas com uma fotografia desfocada do país. Tem razão. Portugal não é apenas diferente do que pensávamos. Lisboa não é Bragança, Sintra não é Viseu e uma escola com vinte nacionalidades não enfrenta os mesmos problemas de outra que perde alunos todos os anos. E isto só para falar de educação, que é o que nos traz aqui. O efeito da ignorância alastra-se por todos os domínios sectoriais. E, pelos visto, locais: o Largo do Rato parece sofrer acrescidamente disso. Para lá de outras coisas.
Não é possível ter turmas de portugueses falantes de português desde sempre e ter turmas com 1 chinês, um paquistanês, um senegalês, um russo, um ucraniano, um estoniano, um venezuelano, um bielorrusso, um uzbequistanês, onde nenhum fala português e alguns nem inglês falam, e esperar que ambas as turmas tenham o mesmo desempenho. Agora é normal ter meia-dúzia de alunos estrangeiros numa turma.
As turmas cheias de imigrantes que não falam português ou o arranham mal a um nível primário, são turmas onde passamos o tempo a colmatar essa incapacidade. Não há alternativa, a não ser que os professores, para manterem o nível de aprendizagens dos alunos, finjam que eles não estão lá. E o volume de trabalho em excesso que representam esses alunos para o professor prejudica o trabalho.
Isto é o óbvio ululante e nenhuma demagogia de partidos completamente alienados da realidade muda a nossa realidade nas escolas.
Não admira, também, que nestes anos haja mais alunos do que é costume sem lugar nas escolas. Estão a abarrotar.
Só lamento que este ministro vá piorar a situação com o aumento de mais alunos por turma.
DÊEM-ME PESSOAS COM OS PÉS NA TERRA SFF
September 15, 2026
Sr. Ministro, não minta! Só serve para erodir a confiança em si que já está em baixa
Fernando Alexandre: "Evidência cientifica diz que até aos 30 alunos a qualidade do ensino não sai prejudicada"
O ministro da Educação confirmou esta terça-feira, 15 de outubro, que a solução encontrada para a colocação de alunos que estavam por colocar passa pelo "alargamento de turmas, aumento de turmas e aumento de turnos".
Fernando Alexandre garante que a qualidade do ensino não sairá prejudicada. "Isso está previsto na lei, faz-se excecionalmente e tem a aprovação do Conselho Pedagógico, mas acontece muitas vezes. Se uma turma puder passar para 28 ou 29 alunos, não se vai criar uma turma nova", afirmou o governante em Porto de Mós, onde inaugura obras de requalificação e ampliação de uma escola secundária.
"A evidência cientifica diz que até aos 30 alunos a qualidade do ensino não sai prejudicada", reforçou.DN
September 14, 2026
Há um problema de gestão de sala de aula?
Não. Há um problema de educação parental laxista que nunca diz não aos filhos, há um problema de desregulação de comportamento por ausência de limites, há um problema de educação pelos telemóveis, redes sociais, violência e pornografia, há um problema de doenças mentais (ansiedade, bulimia, depressão) e uma exigência de que sejam os professores a gerir e corrigir todos estes problemas em 90 minutos de aula, 2 vezes por semana com 30 alunos dentro da sala, com o «desapoio» do ministério da educação. Loucura, não? Sim, completamente.
O que pode ser feito para regular estes comportamentos que são cada vez mais comuns? Regras de comportamento inegociáveis e consistência no cumprimento das regras por parte de toda a comunidade escolar.
De vez em quando temos turmas de comportamento péssimo, do género delinquentes sinalizados na polícia, ladrões, fraudulentos e etc. Claro que entre esses alunos há ali gente que vem de famílias problemáticas, com violência, completamente desreguladas, etc. Como não foram logo ajudados logo desde a entrada na escola primária (imensas vezes os pais não deixam que se ajude os filhos) vão alargando e refinando o seu mau comportamento e quando chegam ao 10º ano, já com idade e força física, são muito difíceis de controlar e intimidam os colegas e por vezes, os professores. Alguns são violentos e habituados a essa táctica. A única maneira de os re-educar é com regras de comportamento inegociáveis e consistência no cumprimento das regras por parte de toda a comunidade escolar.
September 13, 2026
No ano passado tive um aluno chinês numa turma do 10º ano
No ano passado tive um aluno chinês numa turma do 10º ano que não falava português, inglês ou outra língua que não a sua. Entrou em Portugal em Julho e em Setembro estava nas aulas. Calculo que isso também seja culpa dos professores.
September 11, 2026
O que é que Portugal ganha em fundir 1.º e 2.º ciclos?
O que é que Portugal ganha em fundir 1.º e 2.º ciclos? Esta é a resposta do ministro:
September 10, 2026
"Como ensinar alunos, quando temos decisores tão lentos nas aprendizagens?"
‘PISA 2025’: o descalabro anunciado
Paulo Guinote
O balanço da última década é catastrófico e não vale a pena usar argumentos como os efeitos da pandemia ou de parte das perdas estarem em linha com o que aconteceu na maioria dos países da OCDE. Isso apenas revela que se replicaram políticas erradas, porque “lá fora é assim que se faz”. Aliás, o mesmo argumento que os actuais governantes estão a usar para medidas como a fusão dos primeiros seis anos de escolaridade num único ciclo.
As políticas do período “costista” na Educação traduziram-se num rotundo fracasso, sendo inútil relativizar os factos com as alegadas boas intenções de uma produção legislativa coerente, apenas na ambição de produzir sucesso a qualquer preço. O desempenho dos alunos piorou de forma consistente, com a base (low performers) a não melhorar e o topo (high performers) a reduzir-se de forma significativa: em Leitura e Matemática os valores ficaram em metade ou menos do que eram em 2018.
Quando se analisam os dados desde o início da participação portuguesa nestes testes, percebe-se que são espúrias as tentativas para branquear este ou aquele ciclo político. As quebras são claras desde os PISA 2018 (coorte de alunos que iniciaram a escolaridade em 2009/10) e já nos testes de 2012 tinha existido um declínio dos resultados. Os bons resultados de 2015 (coorte de 2006/07) começam, numa perspectiva de média-longa duração, a surgir cada vez mais como conjunturais.
Tem-se verificado uma tentativa para considerar que até 2015 existiu um conjunto de políticas viradas para um rigor na definição de metas de aprendizagem e na avaliação dos alunos, mas os dados matizam bastante esse tipo de narrativa. Os ganhos mais consistentes terminam em 2009 (coorte de 2000/01), com alunos que fizeram quase toda a sua escolaridade antes das profundas reformas que entraram em vigor a partir de 2007 e 2008. Afirmar o contrário é um esforço mais político e ideológico do que analítico, e depende de alguma tortura estatística e cronológica dos dados disponíveis.
Nada disso obsta a que existam duas conclusões muito claras: em primeiro lugar, que os alunos que iniciaram a sua escolaridade em 20013/14 e 2016/17 apresentam um desempenho que regride para valores de 2006, demonstrando a desadequação de políticas apresentadas como inclusivas e defensoras da equidade e da justiça social; em segundo, que, se as perdas acompanham tendências comuns à OCDE, isso significa que se adoptaram soluções desajustadas à realidade educativa nacional, apesar dos avisos a esse respeito.
Infelizmente, verifica-se que ninguém assume qualquer responsabilidade pelo sucedido e que, o que é mais grave, estão a ser tomadas medidas com base em argumentos semelhantes – de estarem em linha com as propostas de organismos como a OCDE – aos que nos levaram a esta triste situação. Como ensinar alunos, quando temos decisores tão lentos nas aprendizagens?.
September 09, 2026
Estes resultados só surpreendem quem não está nas escolas
Alunos da OCDE voltam a piorar e em Portugal regrediu-se 20 anos a Matemática e a Leitura
Após quebra sem paralelo na pandemia, novo PISA, o grande estudo da OCDE, mostra deterioração generalizada de competências, sobretudo a Leitura.
Andreia Sanches
Público
Em Portugal, também: de 2015 para cá houve mesmo um retrocesso, lê-se no relatório, e "reverteu-se completamente" o progresso que o país tinha alcançado. Estamos "perto do nível observado em 2006". Ou pior.
Portugal não desce apenas face à edição de 2022, ano em que se registou na generalidade dos países uma queda sem precedentes — culpou-se sobretudo a pandemia, mas a OCDE já então alertava para o facto de, em vários anos, a curva descendente ter começado desenhar-se bem antes, incluindo por cá.
Na verdade, no que diz respeito às competências de Leitura e Matemática, os resultados dos alunos portugueses de 15 anos são, em 2025, piores do que em 2006 (aliás, no caso da Leitura até são piores do que em 2000, ano do primeiro estudo).
Em Matemática, por exemplo, os alunos do Alentejo e da Península de Setúbal revelam competências que ficam 30 pontos ou mais abaixo da média nacional.
Na Leitura, os jovens de 15 anos que fizeram os testes do PISA obtiveram menos 25 pontos, no caso da Península de Setúbal, e menos 35 pontos, no caso do Alentejo, do que os colegas do resto do país. Nas Ciências o cenário não melhora (menos 28 e menos 34 pontos, respectivamente).
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A educação tem sempre consequências
Não deixam de acontecer só por não haver consciência delas.
September 07, 2026
Yes, why?
This Drag Queen has no idea why ANY parent would want their child anywhere near people like them !
— Leah Rain ✝️🇺🇸🎸🏝️ (@LeahRain77) August 30, 2026
He lays it all out … pic.twitter.com/3kzy1GDGZu
September 05, 2026
Uma pedrada no charco
E a declaração de responsabilidade?
Há uma pergunta incómoda que este gráfico não faz: “Quantos destes países chegaram aqui, pelo menos em parte, seguindo o receituário que a própria OCDE promoveu durante anos?”
João Marôco
Há uma pergunta incómoda que este gráfico não faz: “Quantos destes países chegaram aqui, pelo menos em parte, seguindo o receituário que a própria OCDE promoveu durante anos?”
A OCDE descobriu, finalmente, o declínio das aprendizagens.
E está tão preocupada que anda a espalhar este gráfico por todas as redes sociais:
Só se esqueceu de acrescentar uma coisa: a declaração de responsabilidade.
Porque há uma pergunta incómoda que este gráfico não faz: "Quantos destes países chegaram aqui, pelo menos em parte, seguindo o receituário que a própria OCDE promoveu durante anos?"
Em Portugal, não estamos a falar de uma relação meramente académica.
A própria OCDE avaliou o projeto-piloto de Autonomia e Flexibilidade Curricular. E o então ministro Tiago Brandão Rodrigues explicou publicamente, ao PÚBLICO, que as recomendações dessa avaliação contribuíram para o modelo que viria a ser generalizado.
Em Portugal, depois de uma longa trajetória de melhoria, a tendência inverte-se a partir de 2015. Em leitura e ciências, a queda já é visível em 2018, antes da pandemia. Em matemática, torna-se particularmente acentuada em 2022.
Não é uma prova de causalidade. A pandemia teve, certamente, um impacto importante. Mas não explica aquilo que aconteceu antes dela. E a inversão da tendência ocorre precisamente no período em que o novo paradigma curricular começa a ser generalizado — depois de o governo reconhecer a influência das recomendações da OCDE no seu desenho.
Depois vieram as extinções das provas finais do 4.º e 6.º ano, as "Aprendizagens Essenciais", a autonomia e flexibilidade curricular, a redução do peso dos conteúdos e a mudança de paradigma curricular.
O então ministro da Educação não apresentava estas mudanças como experiências marginais. Dizia que a autonomia e flexibilidade curricular eram ferramentas para melhorar as aprendizagens, combater o insucesso escolar e aumentar a equidade. E garantia que as recomendações dos peritos da OCDE tinham contribuído para o modelo que estava a ser generalizado.
Tudo apresentado como modernização, inovação e resposta às exigências do século XXI.
Mas há uma pergunta que já não pode ser evitada: o novo paradigma produziu os resultados que prometia?
A OCDE pode ter muitas virtudes. Mas uma organização que influencia tão profundamente as políticas educativas não pode recomendar um caminho, acompanhar a sua implementação e, anos depois, limitar-se a publicar o gráfico do desastre sem fazer a pergunta mais importante: "Teremos recomendado mal?"
Se correr bem, será mérito das reformas. Se correr mal, será culpa dos telemóveis, da pandemia, dos professores, dos alunos ou da sociedade.
A OCDE pode ter muitas virtudes. Mas uma organização que influencia tão profundamente as políticas educativas — e um governo que transforma essas recomendações em política pública — não pode recomendar um caminho, acompanhar a sua implementação e, anos depois, limitar-se a publicar o gráfico do desastre sem fazer a pergunta mais importante: "Teremos recomendado mal?"
E, se as recomendações estavam certas, perceber por que razão os resultados não corresponderam às expectativas. Se estavam erradas, reconhecê-lo. E, se o problema esteve na forma como foram transformadas em política pública, assumi-lo — e, mais importante ainda, corrigi-lo.
Essa é a declaração de responsabilidade que falta.
Dia 8 saberemos.
August 18, 2026
De cada vez que um país passa para a frente tem por detrás um massivo investimento na educação
Porém, praticamente ninguém tira daí ilações e até acontece haver países que tendo um bom sistema de educação o destroem intencionalmente como aconteceu aqui no rectângulo.
China caça talento científico... e os EUA estão a dar uma ajuda
Li Yuan / "The New York Times" (traduzido pelo expresso.pt/)
Yang não tinha falta de oportunidades nos Estados Unidos quando concluiu o doutoramento na Carnegie Mellon, em 2019. Mas disse a Ruslan Salakhutdinov, professor de informática e orientador da sua tese de doutoramento, que estava determinado a criar uma empresa na China.
"Os EUA continuam a ter uma vantagem enorme. Temos as melhores pessoas", afirmou Salakhutdinov. “Mas a China tornar-se-á mais atrativa. No setor da IA, isso está a tornar-se muito evidente”.
A China também tem tido cada vez mais sucesso no recrutamento de cientistas académicos estrangeiros. Omar Yaghi, que partilhou o Prémio Nobel da Química do ano passado, deixou a Universidade da Califórnia, em Berkeley, para ingressar na Universidade de Tsinghua, onde irá dirigir um instituto que utiliza IA para acelerar a descoberta de novos materiais. Desde o ano passado, universidades da China continental e de Hong Kong recrutaram pelo menos oito matemáticos de renome provenientes de instituições ocidentais. Joshua Zahl, que colaborou com Hong Wang, uma das vencedoras da Fields Medal deste ano, aceitou um cargo de professor a tempo inteiro na Universidade de Nankai. Recusou-se a comentar a sua mudança.
São vitórias significativas para um país onde Tu Youyou foi a única cientista a trabalhar na China continental a receber um Prémio Nobel numa categoria científica.
A maior mudança na capacidade de recrutamento da China é o dinheiro, afirmou Dong Jielin, que investiga as políticas chinesas nas áreas da ciência e tecnologia. Há duas décadas, disse, esperava-se que os cientistas que regressavam do estrangeiro aceitassem sacrifícios financeiros em nome do serviço ao país. Atualmente, as universidades chinesas conseguem oferecer salários competitivos com os da Europa, além de generosos pacotes de apoio à mudança.
Ainda assim, depois de terem sido anunciados os vencedores da Fields Medal, uma questão surgiu na extensa cobertura dos meios de comunicação chineses e numa enorme onda de discussões online: será que o sistema académico chinês consegue dar a jovens investigadores ainda sem provas dadas a liberdade, a paciência e a tolerância ao fracasso de que necessitam para se tornarem excecionais?
Os dois vencedores nascidos na China, Wang e Yu Deng, ingressaram na Universidade de Pequim em 2007. Deng, medalhista de ouro na Olimpíada Internacional de Matemática, foi admitido diretamente no curso de Matemática da universidade. Depois do segundo ano, transferiu-se para o Massachusetts Institute of Technology, obteve o doutoramento em Princeton e tornou-se professor na Universidade de Chicago.
Disse que, naquela época, era comum entre os estudantes chineses de ciências fundamentais prosseguirem o doutoramento no estrangeiro. A matemática chinesa melhorou substancialmente desde então, afirmou, e as publicações de investigadores radicados na China nas principais revistas de matemática aumentaram significativamente.
A China consegue cada vez mais igualar o financiamento e as infraestruturas que atraem cientistas de renome. O que tem mais dificuldade em reproduzir são a liberdade, a confiança e a estabilidade institucional que permitem aos jovens talentos desenvolver todo o seu potencial. Essas continuam a ser algumas das maiores vantagens dos Estados Unidos — e precisamente as vantagens que as atuais políticas do país estão a pôr em risco.
"Os EUA costumavam ser uma espécie de escolha por defeito, uma opção óbvia", afirmou Terence Tao, um matemático nascido na Austrália e vencedor da Fields Medal, que é professor na Universidade da Califórnia, em Los Angeles, num vídeo.
No ano passado, a suspensão do financiamento federal à UCLA pela administração Trump afetou tanto a sua bolsa pessoal como um instituto que ajuda a dirigir. O financiamento foi reposto depois de uma ação judicial bem-sucedida. Mas Tao alertou que interrupções abruptas no financiamento podem fazer descarrilar projetos plurianuais e prejudicar a confiança dos investigadores no sistema. "Os melhores e mais brilhantes podem já não vir automaticamente para os EUA, como têm feito durante décadas", afirmou.
Os estudantes estrangeiros receberam quase 44% dos doutoramentos em áreas STEM atribuídos pelas universidades americanas em 2023. Estudantes provenientes da China obtiveram 17% de todos os doutoramentos americanos em ciência e engenharia em 2020, e cerca de 87% dos chineses que receberam esses doutoramentos entre 2005 e 2015 tencionavam permanecer nos Estados Unidos, segundo um estudo de 2023.
(excerto)
August 07, 2026
O maior triunfo dos inimigos das democracias e valores ocidentais?
Ter posto os filhos contra os pais, os pais contra os professores e os professores contra os pais, os homens contra as mulheres, as mulheres contra os direitos das mulheres e a impossibilidade de bom senso, com ideologias agressivas e totalitárias. Que sociedade sobrevive a este abismo que se abriu entre ambos?
Tenho colegas que defendem -há mais de 20 anos- esta ideia de que os pais deviam ser vedados de decidir sobre tudo o que respeite a educação dos seus filhos em detrimento dos professores. Já discuti com alguns colegas muitas vezes. Estão absolutamente convencidos da sua missão de engenheiros sociais no aperfeiçoamento de toda a gente segundo os seus ideais e ideologia particular, que assumem como universalmente incontestável e moralmente superiores. É com esta ideologia que nos EUA, no Canadá, na Inglaterra, tiram os filhos aos pais (e por vezes criminalizam os pais) depois de terem andado a inculcar-lhes às escondidas a ideia de precisarem de terapias hormonais e mutilações cirúrgicas e de os pais descobrirem e oporem-se. Em certas escolas nos EUA, o mero acto de um EE perguntar à escola onde vai pôr o seu filho de 4 anos se ensinam teoria de género basta para ser sinalizado na polícia. Este homem aqui a defender este totalitarismo ideológico de ter miúdos recém-formados (ou não) 'especialistas' a poder decidir por cima dos pais sobre o interesse dos filhos é um professor de Yale. As grandes universidades de referência do mundo transformaram-se em madrassas ideológicas, sobretudo as de Humanidades. Quem tem dinheiro e possa fundar universidades que se dediquem ao desenvolvimento do conhecimento, do engenho e do espírito humano, em vez de se esgotarem em activismos políticos totalitários de intenção de fractura social, que o faça antes que seja tarde demais.
A Yale law professor says the insane part out loud.
— The DarkHorse Podcast (@thedarkhorsepod) August 6, 2026
HEYING: "Let me just say that last line again. This is from Yale law professor Samuel Moyn.
'Part of our goal as a society is trying to make sure that children aren't the hostages of their parents as much as we rely on… pic.twitter.com/NbYjAaTK3U
August 05, 2026
A educação para os pobres
Este senhor relata muito bem os factos no que respeita à degradação da qualidade e exigência dos exames, nomeadamente nas Humanidades onde se substituiu o rigor objectivo dos conhecimento por opiniões de sentimentos sobre questões mundanas e dá exemplos das questões de exame, nos anos da passagem do milénio, relativamente às actuais. No entanto, falha no diagnóstico que relaciona com a com a formação sólida dos professores.
António Carlos Cortez
No debate sobre os exames, uma pergunta deveria ser feita: estamos a preparar bem os alunos do secundário para a universidade? A resposta é óbvia, mas dói ouvir.
Desde 2017 que a média nacional a Português vem descendo regular e consolidadamente. Literatura Portuguesa é a disciplina com a média mais baixa de todas. Neste ano de 2026, a média de negativas a Português foi de 29,7%. No caso de Literatura, tendo-se apresentado a exame nesta disciplina 900 alunos, a média é de 9,6 valores. Com efeito, se virmos igualmente as médias de outras disciplinas da área de Humanidades – Filosofia e História –, veremos que há, desde 2017, um padrão geral de abaixamento das competências de escrita e de leitura por parte dos alunos portugueses. Mesmo os melhores alunos portugueses de hoje, como confirmam o PIRLS e o PISA, têm problemas de literacia literária e, em bom rigor, não conseguiriam responder de forma proficiente a questionários dos exames destas disciplinas, e nomeadamente questionários de exames de Português, tais quais esses exames se apresentavam nos anos 90. Especialmente exigente era o Grupo III, o da dissertação.
Em 2026, nesse mesmo Grupo III, pede-se, nesta 2.ª fase, o seguinte: que o estudante, depois de 12 anos de escolaridade obrigatória, “defenda uma perspectiva pessoal sobre o contributo das experiências pessoais e dos conhecimentos adquiridos na escola para o enriquecimento da visão que cada indivíduo constrói do mundo”. Trata-se, a meu ver, da prova mais cabal de incompetência científica por parte de quem concebe este exame. Neste Grupo III, o que está em causa é avaliar a capacidade de argumentação perante um tema ou problema e, ao mesmo tempo, medir a literacia de escrita. Com questões deste género, que convidam ao discurso mais subjectivo e impressionista, opinativo e acrítico, o que se avalia? Que leituras e que competência de discurso argumentativo têm os alunos do 12.º de ter, se o que lhes é perguntado é de um primarismo e de uma infantilidade ímpares?
Comparemos e analisemos agora o exame nacional de 1997 com a idiotice de exames nesta disciplina que, de há uns bons dez, 15 anos a esta parte, têm condicionado a prática e a qualidade das aulas de muitos professores, infantilizando e facilitando processos de ensino-aprendizagem. Uma pergunta prévia, no debate sobre os exames, no seu todo, deveria ser feita: estamos a preparar bem os alunos do secundário para a universidade? A resposta é óbvia, mas dói ouvir: o que temos vindo a formar é toda uma geração de estudantes que, no fundo, sabem que para terem acesso ao ensino superior nada têm de ter lido e não têm de escrever, de facto, com proficiência. Vejamos o exame de 1997, 1.ª fase, Português A.
Constava de um poema de Fernando Pessoa, o ortónimo – “Bóiam leves, desatentos” –, texto de forte sugestão poética, pelas metáforas (“Bóiam leves, desatentos,/ Meus pensamentos de mágoa,/ Como, no sono dos ventos,/ As algas, cabelos lentos/ Do corpo morto das águas” (1.ª estrofe) e pela compreensão exigida quanto a questões de estilo. Para além da melopeia dos versos e da correspondência pensamentos/cabelos (de possível raiz baudelaireana e remetendo para o mito de Ofélia, tão do agrado da estesia simbolista-decadentista que o moderno Pessoa aproveita), há neste poema – e isso pedia-se no questionário de 1997 – uma associação entre pensamentos-sono-corpo morto-algas (águas paradas) e a existência dos próprios pensamentos que, fora do sujeito, bóiam “como folhas mortas/ À tona de águas paradas”. O poema escolhido para avaliar a competência de leitura era, em 1997, indiscutivelmente mais complexo que qualquer texto que hoje os fazedores desta miséria de exames escolhem. Veja-se: é o “sono de ser”, é o nada como problema moderno para um “eu” a braços com os seus pensamentos “de mágoa”, o problema que o estudante tinha de compreender. Isso subentende-se no que era pedido no Grupo I: “Elabore um comentário global do texto que acabou de ler, focando os seguintes tópicos: a) marcas de objectividade/ subjectividade na expressão lírica do “eu”; b) campos semânticos da fragmentação e do negativismo; c) recursos estilísticos e sua expressividade; d) construção da musicalidade; e) marcas características da poesia ortónima pessoana.” Que aluno conseguiria, hoje, em 2026, fazer semelhante comentário crítico? Nenhum – digo-o com lamento, mas sem receio.
Para além do mais, não havia quaisquer constrangimentos de limitação mínima ou máxima de palavras no grupo seguinte. E muito menos se propunha uma avaliação com escolhas múltiplas e V/F. O que se avaliava (e classificava) era mesmo a literacia escrita, as competências do ler um texto complexo e do escrever crítica e analiticamente. Hoje, no exame de Português, à saída de 12 anos de escola, que poema se escolheu? Um poema de Eugénio de Andrade que comparece já no 3.º ano do ciclo primário! E que dizer do questionário de 2026? Perguntas sobre o que é que, por detrás das palavras de um poema de Eugénio de Andrade e de um outro poema de Caeiro, o leitor pode adivinhar quanto a estados de alma. O que hoje se pede aos alunos é que escrevam textos de cariz personalista, absolutamente subjectivos, com a agravante de terem de recorrer a 350 palavras. Todos sabemos: esta é uma geração com uma tal falta de linguagem e de capacidades de análise de texto literário (mas também de qualquer tipo de texto) que, se tivessem de escrever sem limite imposto, provavelmente arriscávamo-nos a não termos nenhuma redacção para ler. Ao menos assim, com a indicação de 350 palavras, os estudantes sabem que têm de fazer o esforço por encher de palha o Grupo III.
Estudantes, filhos da pandemia, do TikTok, de uma vida de que estão ausentes a curiosidade e a sede de saber, o mistério e a imaginação, os alunos portugueses oscilam, como digo há mais de uma década, entre a letargia e a raiva, entre o estado amorfo das suas faculdades cognitivas e a explosão instintiva de frases sem nexo, sem verbos (“posso água?”), sem qualquer construção lógica e sem quaisquer referências culturais
Ninguém, na verdade – se for professor honesto, se for um aluno com o mínimo de consciência crítica, se for um pai minimamente exigente – pode considerar que estes exames nacionais avaliam (falo de Português, mas o mesmo podemos dizer de exames de História, de Filosofia ou de Geografia) seja o que for de competências de leitura e de escrita. Não há verdade nestes exames de Português, bem como de outras disciplinas, quando em mais de 70% do exame o estudante se limita a exercícios de adivinhação. As médias baixíssimas a Português e a Literatura espelham as consequências de mais de 15, 20 anos de políticas que puseram de parte a importância das Humanidades. Mesmo os alunos de ciências têm hoje dificuldades reais de expressão escrita e de compreensão dos textos nas suas áreas específicas. Tudo porque lêem pouco ou nada e porque – e disto igualmente ninguém fala –, na prática didáctica, perdeu-se o hábito de analisar cientificamente um texto. Estudantes, filhos da pandemia, do TikTok, de uma vida de que estão ausentes a curiosidade e a sede de saber, o mistério e a imaginação, os alunos portugueses oscilam, como digo há mais de uma década, entre a letargia e a raiva, entre o estado amorfo das suas faculdades cognitivas e a explosão instintiva de frases sem nexo, sem verbos (“posso água?”), sem qualquer construção lógica e sem quaisquer referências culturais.
Nota final: o que se pretendia no exame de 1997 no Grupo II, a 2.ª parte do dito momento de avaliação das competências? Isto: “Elabore uma dissertação em que aborde de forma desenvolvida e fundamentada as afirmações sobre a poesia de Cesário Verde aqui transcritas." E que texto era esse que o aluno de 1997 tinha de comentar? Este: “Na história da poesia da cidade, os poemas típicos de Cesário Verde são algo de inteiramente novo, pelo amor juvenil e constante à realidade concreta, vista com olhos de artista plástico, transposta em séries de instantâneos claros, exactos, flagrantes. Em 'Cristalizações', 'Num Bairro Moderno', 'O Sentimento dum Ocidental' descobrimos a figura integral de Lisboa.” Este ensaio de que livro era? Deste: Problemática da História Literária(Ática, 1961). Quem hoje é professor desta disciplina, saberá quem foi Jacinto do Prado Coelho? Leu e deu a ler a alunos seus ensaios desse grande professor e ensaísta maior da nossa cultura? Na formação de professores nesta área, conhece-se o essencial de A Educação do Sentimento Poético?
O grande debate sobre educação em Portugal está por fazer e prende-se com a formação sólida dos professores e sobre a real exigência dos exames de acesso. Esta reforma de Fernando Alexandre falha em toda a linha: desmantelou organismos do ministério; feriu de morte a fiabilidade e a justiça do processo de classificação; mecanizou e rebaixou os professores e estudantes à condição de animais mecânicos: uns a classificar, a etiquetar, outros a serem etiquetados. Exames perdidos, digitalização estupidificante, provincianismo e, conjuntamente com o seu secretário de Estado, Homem Cristo, um passa-culpas que revela a falta de honestidade de ambos. O essencial ficou por discutir: que estudantes temos hoje no superior, no secundário, no 3.º ciclo… Que Portugal teremos daqui a uns anos?
August 01, 2026
Uma lição tirada desta saga dos exames
Quando um ministro (podia ser outra figura política) é promovido nos círculos internos políticos e da administração pública, a génio da lâmpada, cria-se uma aura à sua volta que funciona como bloqueio dos factos, por mais óbvios que sejam e lhes batam na cara. Esses círculos onde essas pessoas vivem em circuito fechado impermeável à realidade, alimentam o ego umas das outras de tal modo que o seu discurso, que antes, quando estavam na oposição era lúcido, vira-se do avesso e passa a atribuir os falhanços a críticas maldosas, a desinformação, má fé, imprensa negativa, povo burro, etc.
Costa, antes de promover alguém desconhecido a ministro ou SE mandava publicar no jornal do costume um artigo de página inteira a fazer a apologia da genialidade dessa pessoa, para que se criasse uma aura em volta dela, amortecedora dos estragos que viesse a fazer. Uma espécie de Jesus revestido de luz que encandeia os olhos.
O problema dessa estratégia está em que as pessoas comuns vivem na realidade das consequências das decisões políticas onde nenhuma aura resplandecente resiste aos estragos derivados da incompetência. Mas como essas pessoas vivem em círculos que escapam à realidade, as consequências das más decisões passam-lhes ao lado. Têm sempre o posto dourado, o cargo na Europa, o lugar de administrador não executivo, etc. (é por isso que também não partilho da opinião de que os políticos ganham mal)
Este ME tem essa aura dentro do governo e satélites, talvez por ter um doutoramento feito em Inglaterra que é algo que impressiona sempre os nativos. A narrativa sobre a sua genialidade é de tal ordem que ninguém acredita, nem face aos factos mais óbvios, que ele possa ter agido mal e uns dizem que é invenção, outros exagero, outros chegam ao ponto de falar em sabotagem.
Apesar de saberem desde o início, calculo, que o ME é uma pessoa sem nenhum crédito na educação e que a sua formação e interesses são na economia e macroeconomia. Não obstante esse facto, como fazem parte da maioria que assume que quem é bom numa coisa é bom nas outras, depositaram nele fé cega. Dado ele ver que tem a fé e boa opinião de tantos que ocupam cargos importantes, naturalmente também se há-de pensar melhor que os outros em tudo, mesmo naquilo de que não sabe.
De cada vez que o ouço falar de questões pedagógicas reforço mais esta opinião. A última vez que o ouvi repetia que estas classificações são mais objectivas (quando na verdade só são mais uniformes - a uniformidade não a mesma coisa que a objectividade) e dizia com orgulho, à laia de exemplo, que agora há muitas classificações de 9,3 e 9,4 porque os professores já não têm acesso à totalidade do exame. É assim que vemos que ele não percebe de questões pedagógicas escolares.
Vemos perfeitamente que no seu entendimento de leigo, um professor que sobe uma nota de 9,4 para 9,5 (para o aluno poder passar) é subjectivo e agora que o professor não tem acesso à nota final do aluno (uma vez que classifica apenas um item) não pode subir essa décima e isso é uma prova de independência e objectividade. Não é. É antes uma demonstração de falta de compreensão básica do carácter pedagógico da avaliação.
Os professores subirem uma nota de 9,4 ou 9,3 para 9,5 (o número é arredondado para 10 e permite ao aluno passar) abona a favor da inteligência pedagógica do professor.
Nenhuma classificação é absolutamente objectiva. Nenhuma. Nem mesmo em disciplinas como a matemática. Há sempre uma margem para interpretação que é subjectiva. Na Filosofia leccionamos a Lógica Proposicional (que até há uma dezena de anos era trabalhada na Matemática). Temos a noção ainda mais clara de que, mesmo nessa matéria onde os problemas são abordados em linguagem formal e resolvidos com recurso a fórmulas (ex: p →q; ¬q ∴¬p) há sempre lugar a interpretação, embora muito menor que nas respostas escritas, abertas, de argumentação informal. Qualquer professor sabe que não existe isso da nota ser objectiva e absolutamente 9,4 e, nessa medida, não vai estupidamente defender o 9,4 em duelo mortal quando o que está em causa não é uma nota entre muitas outras com as quais vai fazer média, mas uma nota final que decide a passagem ou reprovação do aluno. Isto é ser pedagógico e é óbvio para qualquer professor. Não é é para o ME.
Quando as pessoas se movem em círculos onde todos têm uma opinião tão excelente de si e a reforçam continuamente, deixam de ser capazes de lidar com os próprios factos e a sua relação com eles.
Fora desses circuitos fechados, há os que entendem a política como um clube da bola que apoiam ou atacam desde a bancada. Colegas meus que são do PS, do PCP e do BE, desde que este ministro ocupou a pasta, falam dele como se fosse o demónio; os do PSD e mais à direita falam como se ele fosse o cúmulo da genialidade e não viram em toda esta incompetência dos exames mais que um erro ou outro exagerado.
É impressionante ver os factos crescerem a tamanhos de adamastor ou sumirem como fantasmas à medida da ideologia de cada um.
July 31, 2026
Estou a ver o ME na TV
A dizer que garante que tudo está a correr às mil maravilhas. Vai pagar aos professores classificadores 1 euro por correcção o que significa um pagamento de 4 euros à hora, mais coisa menos coisa. Os professores estão doidos de alegria. É justíssimo e vale bem a pena perder dias de férias e encher-se de stress para arcar com as culpas da incompetência bárbara que foram os exames da 1ª fase.
Entretanto, professores reportam erros na 2.ª fase, ministério garante que não se confirmam. Portanto, ministro garante que é mentira e agora quer um tempo curto para as classificações de prova que é como quem diz: mete aí uma porcaria de uma nota para despachamos esta merde.
Tudo em nome do rigor, da qualidade e do interesse dos alunos, claro.
De facto, isto vai de vento em popa! Para o abismo.
Exames: professores reportam erros na 2.ª fase, ministério garante que não se confirmam
Na plataforma onde estão a ser avaliados os exames feitos pelos alunos na 2.ª fase das provas nacionais, que decorreu na semana passada, há docentes a reportar "falta de folhas de continuação" e "problemas na digitalização". Outros queixam-se de estar a receber novas levas de provas, quando lhes tinha sido prometido que desta vez saberiam com o que contar. "Neste momento é impossível dizermos que decorre normalmente, os problemas são muito semelhantes aos da 1.ª fase [dos exames nacionais], ainda que em menor número", diz Cristina Mota, porta-voz do movimento Missão Escola Pública.
Já a Federação Nacional de Professores (Fenprof) emitiu um comunicado indignando-se com as orientações que estão a ser recebidas por alguns docentes. "Depois de centenas de professores terem assegurado, em condições extremamente difíceis, a classificação da 1.ª fase, surgem agora orientações que determinam que, se um classificador não registar classificações num determinado período de tempo, as provas lhe sejam retiradas e redistribuídas."
www.publico.pt
July 30, 2026
Quase sempre surpreendida pela negativa
Procuro activamente vídeos de professores que por esse mundo fora desenvolveram estratégias didácticas que resultam e estratégias pedagógicas eficazes para lidar com o mau comportamento de alunos. Quase sempre me surpreendo pela negativa em relação a estes últimos.
Há muitos professores com vídeos a criticar outros professores e métodos e a falar como se fossem diferentes, não sendo. O que dizem não passa de conversa inconsequente.
Este aqui do vídeo responde a uma pergunta sobre como recompensa e pune alunos que cumprem, ou não, a ordem de guardar os telemóveis num sítio qualquer combinado durante a aula. Ele começa por dizer que não pune alunos e acaba a dizer, com um ar de quem evoluiu para um patamar acima dos outros, que os professores devem motivar os alunos em vez de punir - aliás é o título do vídeo.
A seguir diz o que faz quando há alunos que se recusam a guardar o telemóvel no sítio ou mentem dizendo que o fizeram sem tê-lo feito.
Primeiro, diz ele, dá o exemplo e ele mesmo guarda o seu telemóvel - isso é o básico e todos o fazem...- depois convida os alunos a irem lá pôr o telemóvel. Se não forem, ele mostra que esse comportamento tem consequências. Como? Liga aos pais e reportar o sucedido. !! Hello?? O que é isso senão uma punição? É óbvio que ele sabe que um professor ligar aos pais a fazer queixa é entendido pelo aluno como uma punição, porque é isso mesmo e na maior parte das vezes esse aluno vai ser punido pelos pais. Portanto, quando ele diz que não pune alunos, o que ele quer dizer é que transfere a responsabilidade da punição para outros, neste caso os pais.
E o que acontece se os pais responderem que o professor é que está errado e que o filho tem o direito de ter o telemóvel consigo? Nos dias de hoje isso acontece muito. O que faz ele? Não diz. Nem considera a possibilidade.
Isto, ou é falta de entendimento ou falta de honestidade intelectual.
Dos milhares de vídeos que vejo, há imensos professores com contas nas redes sociais que adoptam este tom de superioridade de quem descobriu a pólvora ou alguma fórmula mágica que os outros ainda não encontraram, e até criticam os outros professores, mas depois quando vamos ver a sua alternativa, é a mesma coisa só que dito de outra maneira para parecer diferente.
No entanto, estes vídeos, sendo vistos por muita gente que não é professor mas é encarregado de educação ou é alguém define políticas de educação mas não sabe pensar e não sabe nada de educação escolar, leva a que muitos tenham opinião de que há professores que descobriram a pólvora dos alunos, uma espécie de chave universal de lidar com todos os alunos e que isso é possível. Não é.
Talvez seja possível enquanto são crianças, se não tiverem nenhum problema ou patologia - talvez este professor trabalhe com alunos de 10 ou 12 anos, ainda muito editáveis.
Há sempre alunos que saem da norma e nenhum vêm com uma etiqueta com a composição pormenorizada e instruções particulares de gestão e a composição da própria turma tem uma grande influência no seu comportamento geral. (no nosso país, o DT tem uma importância capital no comportamento da turma.)
Normalmente as turmas vêm com um par de alunos ou um trio com comportamentos problemáticos que resolvemos de vários modos, mas por vezes não são dois ou três mas dez ou doze e isso torna o problema muito complicado de resolver, não só pelo número de alunos mas também porque entre esses dez ou doze, há situações diferentes.
Até podem ser apenas dois alunos numa turma, mas nesses dois, um tem um transtorno de impulsividade explosiva e outro é um delinquente com cadastro na polícia por crimes cometidos. Não são pessoas que se possam controlar com telefonemas aos pais - que às vezes são como eles - ou com motivação de convidá-los a fazer isto e aquilo.
Alguns alunos, aos 15 ou 16 anos têm já o (mau)carácter formado (isso vê-se nas atitudes e comportamentos) e só conseguimos geri-los, mais ou menos, porque são muito novos e ainda lhes falta a experiência de vida para saberem disfarçar, ainda são transparentes aos olhos de um adulto com treino, mas dificilmente são já editáveis. Talvez um dia se lhes acontecer qualquer coisa com um tremendo impacto na sua vida que os abale internamente. Outros nem mesmo assim porque vêm com transtornos mentais permanentes ou desenvolvem-nos diante dos nossos olhos, por essas idades dos 15, 16 e 17 anos e no processo de os desenvolverem causam grandes problemas na turma.
Por conseguinte, não há uma fórmula mágica de lidar com alunos e turmas problemáticas. Temos estratégias que desenvolvemos ao longo dos anos, mas que depois têm de ser ajustadas a cada situação particular e mesmo se não somos a favor de educar por punições, há alunos que só respondem com a punição de fazer queixa aos pais ou de ter um processo disciplinar, por causa da reação dos pais.
Certos vídeos supostamente diferentes na abordagem pedagógica são muita conversa e pouca seriedade.
July 23, 2026
Não reconheço seriedade neste modo de apresentar soluções
Ouvi há pouco nas notícias um excerto da entrevista que o ME deu ontem a um canal de TV, a que não assisti. Ouvi-o dizer que a digitalização dos exames vai trazer grandes benefícios ao processo educativo e ser muito melhor para os alunos e que aliás estão a seguir o que se faz em outros países.
O ME continua a proferir estas máximas sem nunca as fundamentar e calculo que o entrevistador não lhe pediu para explicar que benefícios pedagógicos para os alunos e para o processo educativo são esses que declara como se fossem axiomas. E também, desde quando estar a seguir outros é um argumento a favor seja do que for, nomeadamente no que respeita à educação que está numa crise muito grave em todo o mundo ocidental?
Ninguém é contra a digitalização de certos processos no ensino -dependendo que como são pensados e executados- mas também ninguém, a não ser mesmo quem está por de fora do que são os processos educativos, diz deste modo taxativo e dogmático sem lugar a discussão, que a digitalização é um benefício pedagógico para os alunos.
Pessoalmente não reconheço seriedade neste modo de apresentar soluções, nem vontade de tirar a educação da crise em que se encontra, na medida em que recusa a discussão das bases de um projecto que a afecta. Tudo na educação leva muito tempo a dar frutos: o que se faz hoje só daqui a 20 anos dará resultado, que pode ser positivo ou negativo. É por isso que é necessário ter muito cuidado com as reformas que se fazem. O ME nem sequer é um especialista em educação, é um especialista em economia e macroeconomia. De onde lhe vêem estas certezas absolutas sobre os processos educativos, sobre a pedagogia educativa? (passe o pleonasmo)