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April 15, 2026

A Associação de Pais devia ser obrigada a fazer formações

 

E depois, deveriam ter que desenvolver acções de esclarecimento aos pais sobre a preparação dos filhos para a educação escolar. Seria o mínimo exigível para terem subvenções de milhões do Estado, caso contrário, se não prestam nenhum serviço útil aos pais, para que se lhes dá tanto dinheiro?

Como se vê pelo estudo citado no post anterior, aquilo que se permite às crianças e adolescentes fazer em casa -no que respeita à utilização pesada de ecrãs e de IA- tem efeitos nefastos que podem ser duradouros na sua inteligência e capacidade de aprendizagem. Dito de outro modo, podem ter estragado os filhos para a aprendizagem escolar. Podem ter agido de modo a atrofiar o potencial de actividade mental dos filhos, o que condiciona a sua capacidade de aprendizagem escolar: reter informação, relacionar informação, fazer inferências, resolver problemas, lidar com conceitos teóricos, diferenciar a informação subjectiva da objectiva, discorrer sobre uma ideia, etc.

Todos compreendem que, se alguém impedir a utilização das pernas a uma criança ou adolescente durante todos os anos de desenvolvimento, de modo a atrofiá-las, não pode depois esperar que seja capaz de fazer corridas, nem com os melhores treinadores do mundo e o mais certo é passar o resto da vida com grandes dificuldades de mobilidade. Se o apagão da actividade cerebral e atrofiamento das suas estruturas fosse visível do mesmo modo que o atrofio das pernas... mas como não é não se acredita e continua a deixar-se as crianças viciarem-se em delegar as suas tarefas mentais à máquina, viciarem-se em jogos, em pornografia e, em geral, em serem pessoas passivas, viciadas em entretenimento e prazer imediatos, sem competências sociais e sem recursos internos para se desenvolverem plenamente.

Porém, não é só de preparação cognitiva que falo, mas também de competência de socialização: cabe aos pais a socialização primária, a educação dos filhos para saberem ouvir e escutar, saberem respeitar os professores e outros adultos da comunidade escolar, saberem respeitar os colegas, saberem esperar a sua vez, saberem ser pontuais, assíduos, terem hábitos de cortesia, terem hábitos de cumprir indicações, saberem resistir às frustrações. Aos professores cabe reforçar todas essas aprendizagens, mas não nos cabe a nós essa socialização primária. Não podemos gastar o tempo de aprendizagem escolar a educar os alunos em competências de socialização primária, prévias a qualquer aprendizagem escolar. Nem a educação parental é o trabalho do professor.


Cá já é ao contrário

 

A aceitação da candidatura deve ser idêntica -22 minutos-, o que leva duas semanas a acontecer é o candidato decidir se quer mesmo dar ali aulas - depende, por exemplo, do horário ter direcções de turma (um grande número rejeita-o logo ali), de começar segunda-feira às 8 da manhã e acabar na sexta-feira às 6 da tarde, da quantidade de níveis de escolaridade que o horário tem, etc.

Ontem 

April 11, 2026

Educação - O sucesso da Estónia



Estou de acordo com a maioria do que a ministra da educação da Estónia diz, mas não com tudo. Nomeadamente a questão das redes sociais. Ela compara o tempo em que era miúda na URSS e tentava ultrapassar as proibições do regime, só que estas duas realidades não são comparáveis, porque a URSS censurava tudo o que vinha do Ocidente, era uma censura política, o que é diferente de censurar aplicações que causam vício, perda de memória, problemas de saúde, o atrofio do pensamento numa altura em que está em formação. é o mesmo que dizer que não se deve proibir o álcool, a cocaína, o tabaco, o vício da pronografia, etc., às crianças por causa da liberdade. E fala em culpa, quando isto não tem que ver com culpa.
Ela diz que tem que tirar-se os políticos da sala de aula, mas passa o tempo a dizer que impuseram uma política de todos ensinarem com IA... mais à frente diz que a formação inicial, para o desenvolvimento cognitivo e crítico profundos tem que fazer-se com caneta e papel...  muita contradição.

Receita para sucesso da Estónia: jardins-de-infância até aos sete anos e “políticos longe da sala de aula”

Kristina Kallas é a ministra da Educação de um país que se tem destacado pelos resultados que os seus alunos conseguem nas avaliações internacionais. A nova aposta é levar a IA às escolas secundárias.



Kristina Kallas, ministra da Educação na Estónia esteve esta semana em Portugal 
Rui Gaudêncio

Kristina Kallas é a ministra da Educação de um país que se tem destacado pelos resultados que os seus alunos conseguem nas avaliações internacionais. A nova aposta é levar a IA às escolas secundárias.

Se tivesse de escolher a peça mais importante na construção do sucesso escolar escolheria o jardim-de-infância. Mas nunca há só um factor. Há o contexto histórico do país. Há a forma como um professor é visto. A ministra da Educação da Estónia diz que tudo começa a correr mal quando os políticos se intrometem demasiado no trabalho dos professores.

Nos últimos anos, a Estónia chegou ao topo do PISA, o grande estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico que compara as competências dos alunos de 15 anos. A Matemática e a Ciências é o país da Europa com melhores resultados (e um dos melhores do mundo, competindo com Singapura, Japão ou Coreia do Sul, por exemplo).

É também pioneiro, desde há muito, no processo de digitalização das escolas, que começou ainda nos anos de 1990. E está a lançar uma estratégia nacional para a Inteligência Artificial (IA) no ensino secundário. Todos os professores, em todas as escolas, receberam formação nos últimos meses. Kristina Kallas esteve em Portugal esta semana, para participar no Oeiras Education Forum. Afirma que o poder disruptivo da IA é enorme e que, se nada for feito, a próxima geração terá "menos conhecimentos, menos capacidade de memória, menos capacidade de raciocínio, menos capacidade de avaliação crítica".

A Estónia é um país muito pequeno, com 1,3 milhões de habitantes. É esse o segredo do vosso sucesso?
Se olharmos para a Estónia apenas em termos de factos objectivos, todos nos dizem que este país não poderia ter um sistema educativo de primeira classe a nível mundial, porque é demasiado pequeno, o que significa que provavelmente não tem muito dinheiro.

Para além do mais, tem uma língua estranhíssima, que mais ninguém fala, à excepção de um milhão de pessoas — porque nem sequer os 1,3 milhões de habitantes da Estónia falam todos esta língua [há uma comunidade russa importante]. Se olharmos para Singapura, que tem [mais de] 5 milhões de habitantes, o seu sistema educativo é em inglês, o que significa que podem contratar professores talentosos de todo o mundo.

E, no entanto, estamos lá. Penso que há algo muito importante (e cabe aos portugueses decidirem se isso é relevante ou não para eles) que é a mentalidade em relação à educação. Na Estónia as pessoas sabem que a educação é um trabalho árduo, é suposto ser difícil, é suposto haver um currículo muito exigente. Professores, alunos, pais, todos estão preparados para o facto de requerer esforço.

Na sua apresentação [no Oeiras Education Forum, na quarta-feira] disse que no final do século XIX eram uma das regiões mais letradas da Europa, 95% da população sabia ler. Em Portugal nos anos de 1920 tínhamos 60% de analfabetos. Isto faz toda a diferença, não?
Faz diferença. E faz diferença o facto de ter sido através da educação que a Estónia nasceu como nação. O sistema educativo da Estónia já existia antes da criação do Estado estónio. A educação está no centro da nossa identidade nacional. Penso que se trata de um elemento histórico único. Em segundo lugar, temos a herança da ocupação soviética. A União Soviética era um lugar horrível, mas as mulheres podiam trabalhar porque havia uma instituição onde as crianças ficavam durante o dia. Após a independência da Estónia [em 1991], herdámos um sistema de cuidados infantis e construímos [por cima disso] uma instituição educativa para crianças desde a mais tenra idade. A partir de um ano e meio de idade as crianças frequentam o pré-escolar. Oito horas por dia, cinco dias por semana.

Oito horas por dia?
Sim. Hoje, pais e mães deixam os filhos no jardim-de-infância e vão trabalhar. Depois do trabalho, vão buscá-los. Os jardins-de-infância têm professores licenciados e têm currículos definidos que não se centram na aprendizagem académica, mas nas competências socioemocionais, nas competências de auto-regulação. E isso é essencial para dar oportunidades iguais de aprendizagem a todas as crianças.

Porque as crianças vêm de meios socioeconómicos e culturais muito diferentes, têm posições de partida muito diferentes. Os jardins-de-infância são os locais onde nos certificamos de que todas as crianças têm o mesmo, onde nivelamos as crianças. Não em termos de [aprendizagens de] Matemática e Leitura, mas de auto-regulação.

A criança consegue compreender as instruções que o adulto está a dar? A criança consegue concentrar-se durante pelo menos 20 minutos? Consegue ter uma conversa com um adulto? Perguntar, responder? Brincar em grupo? Se sim, significa que as competências socioemocionais estão presentes. E também as competências físicas, motoras, o desenho, o recorte, a colagem, a compreensão das cores, todo este tipo de coisas que são essenciais, são as bases para a aprendizagem académica.

Por causa do trabalho que é feito com a primeira infância, os alunos têm um desempenho muito melhor quando chegam aos 15 anos e têm de fazer os testes PISA da OCDE.

Mas na Estónia, quando saem do jardim-de-infância com sete anos [em Portugal o pré-escolar vai dos três até aos cinco anos e a idade de entrada normal no 1.º ano é seis anos], a maior parte das crianças já sabe ler, não é verdade?
Não. Podem saber ler, mas não é isso que se espera. Espera-se que conheçam o alfabeto. Devem conhecer os sons e ser capazes de dizer os sons. De dizer isto é um "S", e um "T"... de ler duas letras juntas, "VA", etc... Devem conhecer os números.

Quando chegam à escola, no 1.º ano, a aprendizagem da leitura é muito rápida. Após os primeiros dois meses, basicamente já todos têm de ler. É como um acelerador. E a razão para isso é que o jardim-de-infância os preparou para a aprendizagem. Quando o meu primeiro filho foi para a escola, aprendeu a ler no primeiro mês. No segundo mês a professora deu um livro e disse que ele o tinha de ler em casa. E eu pensei: "Meu Deus, isto é muito rápido." Mas foi o que ele fez. Quer dizer, tive de me sentar um pouco com ele e forçar. Mas leu.

Se tivesse de escolher um único factor para que os alunos da Estónia se saiam tão bem quando comparados com os de outros países, o pré-escolar seria o principal?
Não acho que seja só uma coisa. Já falámos da [nossa] história da educação. E há muitos outros aspectos, como a autonomia das escolas. Mas se quiserem que escolha um, escolho o jardim-de-infância. Por causa do trabalho que é feito com a primeira infância, os alunos têm um desempenho muito melhor quando chegam aos 15 anos e têm de fazer os testes PISA da OCDE.

Em todo o mundo os alunos fazem esses testes aos 15 anos. Em alguns países as crianças já andam na escola há 10 anos, porque entraram aos cinco anos de idade no 1.º ano; noutros há nove, porque entraram aos seis; e no caso da Estónia, levam apenas oito anos de escola e estão a ter os melhores resultados. Portanto, não se trata de quão cedo se começa a aprendizagem académica, mas sim de como se está preparado para isso.

Costumo fazer esta brincadeira: sabem quais são os elementos que testam se a criança está pronta para ir para a escola? Nalguns países dizem que é quando sabem quanto é cinco mais cinco. E eu digo: "Estão preparados para a escola se conseguem explicar que horas são, se conhecem o relógio, em que estação do ano estão, como se vestir e como ir de casa para a escola e voltar sozinho." Na Estónia as crianças vão à escola sozinhas, não se espera que sejam os pais a conduzi-las.

Mas não quando têm um ano e meio, presumo.
Oh, não. Temos dois currículos separados no jardim-de-infância, um que vai do ano e meio aos quatro, e depois dos cinco aos sete anos. Estou a falar dos mais velhos. E se a criança é capaz de fazer tudo isso, significa que é capaz de aprender, porque há auto-regulação, há autoconsciência.

Há também uma grande diferença na forma como as escolas são geridas quando se compara Portugal e a Estónia. Na Estónia, as escolas podem contratar professores directamente. Podem despedir os professores se não estiverem satisfeitos com eles. Em Portugal, o sistema é centralizado. Qual é a importância de as escolas escolherem os seus próprios professores?
Bem, como ministra da Estónia digo: é importante que os directores das escolas tenham o direito de tomar decisões. Mas outros sistemas que são muito centralizados, como Singapura, funcionam muito bem. Acredito firmemente que o que importa é a autonomia que o professor tem na sala de aula para tomar decisões sobre a disciplina, as questões didácticas, as abordagens metodológicas. E até que ponto os professores da escola trabalham em equipa e existe um ambiente de trabalho colegial. Estas coisas são, por vezes, mais importantes do que o salário ou [o sistema de] contratação.

Muitos professores dizem que é impossível ter verdadeira autonomia quando os alunos têm tantos exames nacionais e tanta matéria que precisa ser ensinada...
Autonomia não significa que não se tenha de ensinar o que está no currículo. É sobre como se conduz o processo de aprendizagem, a forma como ensina, que ferramentas se utilizam. Esta liberdade é essencial, incluindo a forma como se disciplinam os miúdos. Não estou a falar de castigos corporais, mas se estamos a ensinar alguma coisa e precisamos de uma grande concentração na sala de aula e há dois miúdos que, naquele momento, por qualquer razão, estão a perturbar a aula, é preciso pedir a essas duas crianças que saiam, mandá-las para a biblioteca da escola, pedir ao bibliotecário da escola que trabalhe com elas, para que nos possamos concentrar no resto da turma e, mais tarde temos de trabalhar com essas duas crianças separadamente. Em muitos países os professores não estão autorizados a fazer isso. Na Estónia, têm total autonomia.

O ministério não tem de regulamentar nada relativamente às práticas de ensino e de aprendizagem. Os professores aprendem pedagogia, psicologia do desenvolvimento, psicologia cognitiva, didáctica... e depois pomo-los numa sala de aula e prescrevemos-lhes rigorosamente o que podem fazer e o que não podem fazer? Não faz sentido.

A Estónia também costuma ser apontada como um país onde há menos desigualdade de desempenhos escolares relacionadas com o contexto socioeconómico das crianças.
Infelizmente, estão a aumentar. Antigamente, éramos um país onde não havia segregação residencial, ricos e os pobres viviam no mesmo bairro. E como os alunos frequentam as escolas da sua zona [de residência] não havia diferenças. Mas nos últimos anos temos vindo a ver uma segregação residencial cada vez maior. Uma coisa que estamos a tentar combater é que as escolas possam ter o direito de seleccionar crianças. Todas as crianças têm de ter acesso aos melhores professores e à mesma aprendizagem.

Estão a lançar um programa chamado AI Leap, para colocar a Inteligência Artificial (IA) ao serviço das escolas. Sei que está no início ainda. Mas o que está a mudar?
Bem, penso que a IA é um enorme factor de perturbação na educação. E é um risco para a educação. E se continuarmos a fazer o mesmo que temos vindo a fazer há 200 anos, o risco é que a nossa próxima geração seja cognitivamente mais desqualificada. Terão menos conhecimentos, menos capacidade de memória, menos capacidade de raciocínio, menos capacidade de avaliação crítica, porque estarão a deixar que a IA o faça por eles. É um enorme risco para a educação.

Na Estónia não queremos que a próxima geração tenha menos capacidades cognitivas. Queremos que tenham mais capacidades cognitivas, que sejam pensadores muito mais capazes. Porque a tecnologia obriga-nos a ser pensadores muito mais profundos, muito mais sistemáticos, capazes de analisar a informação muito rapidamente, de dar sentido à informação, de ligar as coisas, de pensar isto está certo, isto não está certo, isto é um facto, isto não é um facto. Caso contrário, a tecnologia assume o controlo.

Esta é a base fundamental da nossa abordagem à IA na escola. Ainda não sabemos exactamente qual é a melhor forma de utilizar a IA. Mas assinámos um acordo de cooperação com a OpenAI sobre o ChatGPT. Desenvolvemos com os nossos cientistas uma versão educativa específica do ChatGPT para as escolas da Estónia. Trata-se de uma plataforma de aprendizagem específica, parece um ChatGPT normal, mas é pensada para contexto educativo, e formámos os professores. Fomos a todas escolas secundárias (156) e todos os professores dessas escolas, 5000, receberam formação desde Agosto. Demos-lhes as licenças, têm estado a usar, a experimentar... Afirmam que os ajuda muito a poupar tempo na preparação das aulas e eu acredito nisso.

E os alunos?
Os alunos estão a receber formação desde Fevereiro. E os professores integrarão esta IA passo a passo no processo de aprendizagem, não importa se ensinam desporto, música, matemática, estónio ou inglês... Em todas as disciplinas, temos de mudar a forma como ensinamos.

O papel dos políticos é financiar o sistema educativo, garantir o currículo e assegurar que esse currículo seja posto em prática, com exames, inspecções, o que for. Não é interferir no trabalho dos professores ou prescrever os métodos, as abordagens, porque nós não fazemos ideia de quem são as crianças na sala de aula.

Acredita que os alunos utilizarão este ChatGPT e não os outros?

Não se trata do que os alunos utilizam ou não utilizam, trata-se da forma como os professores integram este ChatGPT nas tarefas. Temos de confiar que os professores sabem o que estão a fazer. Não estamos a dizer-lhes como usar, quando usar, quando não usar. Damos-lhes formação, damos-lhes formação ética e muitas outras competências, damos-lhes a ferramenta e eles tomarão decisões sobre o processo de aprendizagem.

Mas diz-se que devemos reduzir o uso de ecrãs e as escolas vão passar a usar mais ecrãs?
As crianças precisam de menos tempo de ecrã depois da escola porque, caso contrário, não dormem o suficiente, não praticam desporto o suficiente. Não se trata das quatro ou cinco horas por dia que passam na escola. Trata-se do resto das 12 horas em que não estão na escola.

Mas, uma vez mais, o professor é o responsável pela aprendizagem das crianças, certo? Ele concebe o processo de aprendizagem, sabe como é que as crianças estão a aprender quando o dispositivo está à sua frente e como é que as crianças estão a aprender quando há papel e caneta e como é que estão a aprender quando há trabalho de equipa, porque estes processos de aprendizagem são diferentes. Os professores sabem disso. Sabem que se quisermos realmente desenvolver a memória profunda, usamos papel e caneta. A aprendizagem profunda inicial da memorização não acontece no ecrã. Os professores sabem-no porque lhes damos formação neste domínio.

Na Suécia a discussão actual é que precisam de voltar ao papel e à canetaporque as escolas utilizaram demasiado materiais digitais e não resultou.
Não tenho a certeza de que seja culpa dos ecrãs. Acabei de ler um relatório da OCDE sobre a Suécia e um dos aspectos apontados é o problema da indisciplina e das distracções que ocorrem durante as aulas. Nalguns casos pode ser por causa da tecnologia, ou porque se exagera no uso da tecnologia, mas no essencial a culpa não é dos ecrãs.

Cresci numa União Soviética em que tudo era proibido. Sabem o que é que eu fazia aos 15 anos? Passava o tempo a pensar: como é que posso enganar o sistema e fazer as coisas que não são permitidas?

Um segundo aspecto é que colocar uma criança em frente ao ecrã não é ensinar. E a OCDE disse claramente que, no caso da Suécia, os professores precisam de receber mais formação.

Uma terceira coisa, e não estou a falar da Suécia neste momento, mas em muitos casos, o que começa a correr mal na educação é quando os políticos começam a dizer aos professores como devem ensinar. É nessa altura que as coisas começam a correr mal. Por isso, se os políticos começarem a dizer aos professores, usem ecrãs, aqui está o vosso ecrã, são obrigados a usá-lo, é aí que as coisas começam a correr mal.

É preciso manter os políticos longe da sala de aula. O papel dos políticos é financiar o sistema educativo, garantir o currículo e assegurar que esse currículo seja posto em prática.

Com exames?
Com exames, inspecções, o que for. Não é interferir no trabalho dos professores ou prescrever os métodos, as abordagens, porque nós não fazemos ideia de quem são as crianças na sala de aula.

Uma última pergunta. O Parlamento Europeu tem vindo a apelar aos Estados-membros para que proíbam as redes sociais aos menores de 16 anos. E vários [incluindo Portugal] vão fazê-lo. A Estónia já disse que não o fará. Porquê?
Porque acho que os miúdos não são culpados. Estamos a castigar as crianças por algo que nós, adultos, fazemos. Devemos começar a regular as grandes corporações e a sua responsabilidade no que diz respeito aos conteúdos que disponibilizam, aos vícios que promovem através dos algoritmos. Se o Parlamento Europeu entrar em guerra contra estas grandes empresas, estarei na linha da frente. Temos de ser muito severos e trabalhar em conjunto, em vez de punir as crianças, porque as redes sociais, sim, têm impactos negativos, mas há tantas coisas que ligam as crianças através das redes sociais.

A experiência australiana traz-nos sinais de alerta. Apesar da proibição, 70% das crianças ainda estão no Facebook, no TikTok e em todo o lado. Começaram a utilizar formas alternativas. Sabe: cresci numa União Soviética em que tudo era proibido. Sabe o que é que eu fazia aos 15 anos? Passava o tempo a pensar: "Como é que posso enganar o sistema e fazer as coisas que não são permitidas?" Com a proibição das redes sociais às crianças, é com essa mentalidade que vão crescer, como enganar o sistema.

April 10, 2026

“Já não mexo nas mesas. Limito-me a esperar.”

 

 Já não mexo nas secretárias. Limito-me a esperar. — Sra. Pulaski, professora de estudos sociais há 32 anos na Wheatfield High School,

DISTRITO ESCOLAR CONSOLIDADO DE KETTERING RIDGE — A Sra. Pulaski, professora de estudos sociais há 32 anos na Wheatfield High School, permaneceu imóvel na sua sala de aula na tarde de quinta-feira, no meio de uma disposição de mesas que descreveu como «o que quer que sejam neste momento», tendo recebido instruções formais de quatro administrações sucessivas para organizar os lugares dos alunos em filas (1994), grupos colaborativos (2003), em forma de U (2010), disposição flexível sem mesas (2016) e novamente em filas (2024). A parede atrás dela exibe certificados de cada época de desenvolvimento profissional correspondente, incluindo uma formação de 2004 intitulada «As filas matam a colaboração» e um workshop de 2024 intitulado «Repensar o poder das filas».

«Em 2003, um consultor disse-me que as filas eram “a arquitetura da opressão”», recordou a Sra. Pulaski, referindo que tinha passado um fim de semana inteiro a arrastar mesas para formarem grupos de quatro, apenas para ouvir, seis anos mais tarde, que os grupos «favoreciam comportamentos de desatenção» e que a disposição em ferradura era «a única configuração baseada em investigação». 

O atual diretor, o Sr. Yun, que estava no 7.º ano quando a Sra. Pulaski reorganizou as mesas pela primeira vez, enviou recentemente por e-mail ao pessoal um artigo intitulado «Por que as filas retas favorecem a aprendizagem concentrada», com o assunto «nova investigação empolgante», que a Sra. Pulaski confirmou reconhecer como o argumento exacto com base no qual foi contratada em 1994.

A Sra. Pulaski disse que já mudou a disposição das mesas cerca de 11 vezes e tenciona reformar-se antes que os «pods» voltem, o que prevê que aconteça em 2027.

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Não é só com as mesas que estas modas dos pseudo-pedagogos da educação que não têm experiência de trabalhar com alunos continuamente  (ou não têm mesmo nenhuma) e nunca se lembram de considerar a experiência de professores que trabalham com alunos há dezenas de anos como uma fonte extraordinária de informação acerca do que resulta e do que não resulta.

April 07, 2026

Acerca da educação escolar

 

Algumas turmas requerem que o professor trabalhe incansável e constantemente, com determinação, na imposição de regras de convivência comum e na gestão de expectativas, apenas para chegar a um  nível de comportamento mínimo aceitável de respeito (uns pelos outros e pelo professor) dentro da sala de aula (sem o qual nenhuma experiência de aprendizagem é possível), nível esse de que outras turmas partem naturalmente sem grande esforço.

Às vezes, nessas turmas completamente impreparadas para a aprendizagem académica, onde uma parte grande do tempo é passado a educar e regular as competências sociais dos alunos, têm lá um aluno excepcional, do ponto de vista académico e também pessoal. São alunos cujo potencial nunca será plenamente desenvolvido, nem de perto nem de longe, naquele contexto. Têm excelentes notas, sim, mas fazendo o mínimo pois estão numa turma onde se trabalha para conseguir chegar ao mínimo. Se estivessem em outra turma onde o mínimo dos mínimos é o máximo dos máximos da sua, teriam outro nível de aprendizagem e de oportunidades futuras. A injustiça dessa situação chega a causar maior stress que a gestão da turma com essas características descritas. 

Já quando entram no secundário, alunos que vêm com classificações de 5 a todas as disciplinas mostram, muitas vezes, falhas ao nível do pensamento analítico, organização conceptual, gestão de expectativas, etc. Quando falamos com os seus professores anteriores, dizem-nos, 'essa aluna/o estava numa turma tão má, com um comportamento tão mau, cheio de problemas disciplinares que nem sei como conseguiu manter-se focada apesar de tudo.' Como geralmente os alunos potencialmente excelentes não estão em turmas assim tão más, esse prejuízo nota-se menos, mas existe. Se depois entram numa turma de comportamento e preparação académicas normal, rapidamente ajustam as suas expectativas e progridem, mas se entram numa das outras turmas, estragam ali o potencial do seu futuro. Isto custa muito ver acontecer.

É por isto que hoje-em-dia muitos pais, podendo, tiram os filhos da escola pública. Não estão dispostos a que os filhos sejam cobaias em experiências sociais onde se junta tudo ao molho e à balda nas mesmas turmas com o pretexto ideológico da pseudo-inclusão.

O sistema educativo público existe, não apenas para introduzir as crianças e jovens na sociedade portuguesa (cultural, laboral, etc.) mas também para que possam evoluir nas suas potencialidades globais e interesses, enquanto pessoas. Queremos que a educação pública seja um canal de equidade social, onde os menos favorecidos social e economicamente possam ter acesso a uma aprendizagem que se traduza depois em oportunidades. Só que isso não é possível no modo como a escola está organizada, que é aritmeticamente: dividir o número de alunos por x turmas de x alunos cada, indiferenciadamente, incutir-lhes a ideia de que devem ir todos para a universidade, estudem ou não estudem, venham ou não às aulas, etc.

Uma maioria de alunos não gosta do estudo e não o pratica (aliás com o apoio dos pais que se queixam de ter de acompanhar os filhos no estudo). Tudo que tem que ver com estudar, com compreender conceitos abstractos, fundamentos teóricos, é um sacrifício enorme tirado a ferros. Sempre foi assim, só que agora piorou com as redes sociais e o mundo digital de um contínuo entretenimento como ideal de vida, que os forma como seres intelectualmente passivos, o que é oposto do que devem ser academicamente.

Portanto, estou de acordo em:

1º- Refazer os cursos profissionais. Muitos alunos que definham em cursos de prosseguimento de estudos e que irão engrossar o número dos nem-nem, prosperam em cursos profissionais. Temos falta de trabalhadores em muitas áreas, temos alunos que seriam bons num curso desses, mas dada a organização do sistema, estão em turmas de prosseguimento de estudos a fazer quase nada e, pior, a sabotar as oportunidades dos alunos que querem estudar;

2º - Os alunos deviam ser divididos, a partir de uma certa idade e consoante o seu percurso escolar até então, em alunos 'de desempenho Proficiente' e alunos 'de desempenho Avançado'¹. Esta classificação poria alunos em turmas de nível diferente, com expectativas diferentes quanto ao tipo de curso a seguir - resguardando sempre a possibilidade de um aluno num percurso poder passar do nível proficiente para o nível avançado se alterasse o seu nível de desempenho.

Esta prática permite não sacrificar os alunos com maior potencial de aprendizagem avançada no altar da inclusão fictícia, permite orientar alunos que nunca passarão do nível proficiente para cursos mais adequados às suas competências, permite que estes alunos sintam a escola como útil às suas aspirações de vida prática e, em geral, permite à própria educação pública cumprir o seu desígnio.

Muito são contra esta ideia alegando que no tempo de Salazar quem ia para essas escolas eram os alunos pobres e que agora iria acontecer o mesmo mas, na realidade, há imensos alunos com muito potencial entre os economicamente desfavorecidos cuja inclusão em turmas de alunos desinteressados no conhecimento e no estudo, são o maior obstáculo ao seu desenvolvimento e ao acesso a oportunidades que podiam ter. Alguns são alunos que nem sabem ainda o potencial que têm para o estudo, de tal maneira andaram sempre em turmas onde só se pode trabalhar para os mínimos. São sacrificados no ideal da igualdade, que não existe. 

As pessoas não são iguais. Existem num largo espectro de interesses e capacidades teóricos e/ou práticos. Qualquer professor que trabalhe com alunos numa escola, onde apanha de tudo, sabe isto perfeitamente e a ideia de que, se os professores forem bons todos os alunos passam a querem estudar e aprender é um mito de efeitos castradores para muitos alunos: os que se interessam pelos conhecimentos e não conseguem progredir em turmas de desinteressados e os desinteressados no estudo que não conseguem tirar utilidade da escola num curso prático para o qual estão vocacionados.

Porém, como a seguir ao 25 de Abril a esquerda rotulou os cursos profissionais como fascistas e descriminadores -o que se percebe, à época- esses cursos nunca mais se livraram do rótulo de cursos discriminatórios. É uma pena. Este ano tinha um aluno numa turma de prosseguimento de estudos a fazer nada, desinteressado de tudo. Ainda no 1º período mudou para um curso profissional. Está contentíssimo e com boas notas. O professor de matemática, que dá aulas a ambas as turmas, diz que ele nem parece o mesmo. Já tem um estágio acordado para o ano que vem e está entusiasmado.

Os alunos são pessoas reais, não são entidades abstractas, categorias de ideologias em disputa. Se queremos resolver os problemas temos que olhar os factos e partir daí. 

É claro que os cursos universitários também teriam de reorganizar-se. Neste momento, a maioria dos cursos universitários, por conta da mediocridade da escola pública e da degradação da própria universidade, já não serve o seu propósito de avançar o conhecimento para benefício de todos (veja-se o ataque à ciência fundamental²) e dedica-se apenas a treinar alunos a ter acesso a profissões onde possam fazer muito dinheiro. 

Não digo que estes cursos de ensinar a ganhar dinheiro devem acabar, mas digo que deve haver, nas universidades, uma divisão, a certa altura do percurso do alunos, entre os que querem esse tipo de curso e os que querem avançar o conhecimento porque uns e outros requerem estudantes diferentes, com interesses e perfis diferentes.

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¹- Na proposta das novas AE de Filosofia, distinguem-se, na avaliação, dois níveis de desempenho:  desempenho Proficiente, observa-se uma utilização adequada, consistente e segura dos conhecimentos e das competências em diferentes situações de trabalho escolar, o que possibilita a explicação de fenómenos ou processos, a interpretação de informação e a resolução de tarefas com base no que foi aprendido. Desempenho Avançado, os alunos demonstram uma mobilização mais autónoma, rigorosa e integrada desses conhecimentos e dessas competências. Analisam, interpretam e relacionam informação de forma crítica, utilizam conceitos com rigor e articulam diferentes saberes para explicar fenómenos ou processos de forma fundamentada, revelando maior capacidade de análise, de integração da informação e de aplicação das aprendizagens em diferentes contextos. Estou de acordo com esta divisão.

² - A visão constante dos políticos é a de que temos de investir apenas em tecnologia, apesar de termos uma ou outra universidade excelente na investigação de ciência fundamental (da qual depende a tecnologia), como podemos ler aqui nesta notícia do Público: Trabalho desenvolvido no Técnico premiado pela Sociedade Europeia de Física. “no panorama europeu, este historial coloca o IPFN, o IST e a Universidade de Lisboa em segundo lugar em número de distinguidos com este prémio, apenas atrás da Universidade de Oxford”, com a atribuição deste prémio a Pablo Bilbao a constituir “não só um reconhecimento individual de excelência, mas também um testemunho da força e continuidade da escola de física de plasmas em Portugal”.

🎯 Pensávamos que estávamos a dar às crianças acesso ao mundo

 

.Mas o que estávamos era a dar ao mundo acesso total às crianças.

April 03, 2026

Controlar a indisciplina na escola antes que a indisciplina controle a escola




Isto já é um processo em curso mas os decisores políticos estão capturados por lobbies das Big Tech

 


Nobel da Economia avisa para risco de “colapso do conhecimento” por causa da IA


Público


O que acontece na escola fica no RASI

 


Em relação a este tema e concordando com tudo o que diz este articulista, penso que a educação sexual devia ser obrigatória - há vários modelos possíveis de desenvolver esse tema nas escolas. Não tem que ser uma disciplina à parte, até porque tem de ser cruzada com uma educação da presença digital online. Os miúdos deviam ser proibidos de aceder a redes sociais e sites pornográficos até aos 15 ou 16 anos. Isso tem tido um efeito devastador nas crianças e adolescentes e não percebo porque é que os pais se recusam a ver a destruição psicológica dos filhos. Hoje em dia fala-se disso em todo o lado, de maneira que já não é ignorância. Também penso que a Psicologia devia ser obrigatória no 12º ano. Não se percebe como é que uma disciplina científica tão importante e impregnada em todas as áreas do desenvolvimento humano está completamente arredada da educação dos jovens. Todos os anos tenho alunos que querem ter Psicologia no 12º ano mas , exceptuando o caso das Humanidades, não a escolhem porque as duas disciplinas específicas da sua área de estudos têm mais importância no curso universitário que querem seguir.


O que acontece na escola fica no RASI

A desregulação e a incapacidade de controlo de conteúdos nas plataformas tecnológicas permitem que colegas partilhem conteúdos íntimos de outras colegas sem consentimento.

Pedro Candeias in Público

A desregulação e a incapacidade de controlo de conteúdos nas plataformas tecnológicas permitem que colegas partilhem conteúdos íntimos de outras colegas sem consentimento.

Na página 51 do último Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) redescobre-se esta realidade especialmente preocupante: a subida acentuada das ocorrências não criminais e a prevalência de “ilícitos de natureza sexual” em ambiente escolar.

No primeiro caso, e embora o RASI não especifique exactamente o que são essas tais “ocorrências” que não cabem na tipologia crime, não é difícil adivinhar que se referem a episódios de violência e de indisciplina traduzidos em incidentes que contribuem para a “percepção de insegurança”. Ameaças e insultos, algumas nódoas negras ou ossos rachados – e, claro, bullying.

São coisas graves, sim, mas incomparáveis aos abusos online descritos peloRASI. A desregulação e a incapacidade de controlo de conteúdos nas plataformas tecnológicas permitem que colegas partilhem conteúdos íntimos de outras colegas sem consentimento, que crianças consumam pornografia, que jovens sejam excluídas ou extorquidas – o RASI descreve os actos como “brutais” – depois de manipuladas, chantageadas e pressionadas para se exporem em fotos ou vídeos.

O género feminino aqui utilizado não é por acaso: são principalmente os rapazes que se impõem a raparigas nestes cenários.

Abrem-se, assim, infinitas possibilidades para crimes absurdos e emocionalmente violentíssimos, que deixam marcas profundas nas jovens que os sofrem. A isto somam-se os perigos crescentes de deepfakes gerados por IA, cada vez mais indiscerníveis da realidade, pelo que se pressente que estamos apenas no início desta história.

Portanto, por tudo isto, a atitude do Governo em querer discutir a semântica da palavra “sexualidade” na disciplina de Cidadania e Desenvolvimento no Verão passado foi inquietante, além de cientificamente questionável.

Se os especialistas que estudam os fenómenos de violência de género garantem que a educação sexual é um caminho para as resolver, talvez seja mais avisado abandonar as guerras culturais e concentrar todos os esforços para tentar resolver, por exemplo, o problema da falta de professores e do número de alunos sem aulas. Isso, sim, será reformista.

April 02, 2026

Os crimes nas escolas sobem na ordem dos 50%

 


O número de 35 crimes por dia sobe para 50 se se considerar todos os ilícitos. Porém, alguém quer convencer-nos de que a criminalidade grave está a baixar? É preciso mais polícia da Escola Segura - 800 polícias para uma população de um milhão e 200 mil pessoas é pouco. As escolas também precisam de seguranças que possam intervir em casos de crimes.






March 28, 2026

Estou de acordo com o ministro da educação


NÍVEIS DE NUMERACIA, LITERACIA E INGLÊS

A proposta do Governo prevê que para aceder tanto a um Curso Técnico Superior Profissional (de dois anos) como a uma licenciatura, os candidatos devem “possuir nível 3 de literacia e numeracia de acordo com os critérios do PIAAC [Programme for the International Assessment of Adult Competencies, um teste internacional conduzido pela OCDE e no qual Portugal participou na última edição, com resultados bastantes fracos], devendo as regras de acesso específicas assegurar a verificação deste requisito”.

O nível 3 corresponde às seguintes competências: "Capacidade de compreender textos densos ou extensos, identificar, interpretar e avaliar informação com diferentes níveis de inferência, construir significado a partir do texto, realizar operações em várias etapas e distinguir informação relevante de conteúdos concorrentes”.

No documento, a que o Expresso teve acesso, diz-se ainda que os candidatos “devem, preferencialmente, demonstrar conhecimentos de língua inglesa correspondentes ao nível B2 do QECR, que corresponde a utilizadores que são capazes de compreender as ideias principais de textos complexos sobre assuntos concretos e abstratos, incluindo discussões técnicas na sua área de especialidade, comunicando com um certo grau de espontaneidade com falantes nativos e exprimindo-se de modo claro e pormenorizado sobre uma grande variedade de temas.”

https://expresso.pt/ministerio-quer-aumentar-exigencia-no-acesso-ao-ensino-superio

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O nível de exigência na educação é tão pobre que os alunos chegam ao 10º ano sem saber ler, sem ser capaz de guardar na memória mais do que duas palavras numa frase que ouçam (isto é verdade). Não são capazes de compreender um texto simples, em linguagem vulgar (perguntam, por exemplo, o que é 'abundância') quanto mais um texto complexo com uma linguagem um bocadinho densa. São de uma ignorância atroz, não sabem pensar mas têm opiniões sobre tudo e estão convictos de que têm muitos conhecimentos porque vêem muitos pequenos vídeos no Insta ou no Tik Tok. Os critérios de entrada na universidade são ridículos na maior parte dos casos e querem acabar com todo e qualquer critério. Qualquer dia não temos mais de que uns 10% de trabalhadores capazes de fazer o trabalho medianamente.

Agora, se o ministro pensa que vai conseguir isso mantendo a mediocridade do ensino actual, vai ter uma grande desilusão. É preciso que faça grandes mudanças. 

Uma delas é valorizar a profissão para ter profissionais competentes; 

Outra é tirar os currículos da mediocridade em que os puseram com mínimos dos mínimos - os miúdos não são todos incapazes mas fazem deles uns incapazes; 

Outra é pôr ordem no caos de medidas de pseudo-inclusão inventadas pelo incompetente anterior; 

Outra é pôr os pais no seu lugar apoiando os professores: alunos agressivos e violentos, alunos que constantemente sabotam o trabalho a todos não podem estar na escola - encaminhem-nos para cursos práticos;

A judicialização da educação começada pela outra incompetente da Rodrigues tem tido resultados catastróficos. As escolas estão constantemente em instauração de processos a professores ou sob ameaça de processos por influência de pais que apoiam o mau comportamento e delinquência dos filhos contra os professores, como meio de conseguir notas altas sem trabalho e com mau comportamento. Isto é uma praga que quem está de fora nem calcula. A mediocridade é de tal modo o novo normal que todos que tentam elevar um bocadinho o nível dos alunos é logo alvo de queixas de pais medíocres que desprezam o estudo e passam esse desprezo aos filhos.

Nós até sabemos a 'receita' para o sucesso porque ela foi experimentada em meados dos anos 90 e deu grandes resultados positivos.

Agora, vai ter a oposição dos professores dos cursos politécnicos e universitários, que querem alunos de qualquer maneira.

March 24, 2026

Promover as explicações porque as condições da escola pública são miseráveis




Esta notícia é mais um sintoma do abandono da escola pública pelo governo. É um tragédia. Faz-se a apologia, não do investimento numa escola de qualidade, mas em explicações de qualidade. "Um professor para cada três alunos"; "aqui não há barulho". Professores que podiam estar nas escolas, preferem dar explicações: poucos alunos, salários altos, quem não quer aprender e não se interessa pelos estudos não tem lugar. Os serviços públicos vão sendo destruídos para dar lugar a uma sociedade autoritária de favorecidos e... outros. É evidente que os que sobram nos serviços públicos vão desistindo porque não é possível ter 7 turmas de 30 alunos, fora o resto do trabalho e fazer um bom trabalho, como se se tivesse 3 alunos aqui e mais 3 ali.

Os “miúdos invisíveis” quando têm explicações dão nas vistas

Centros de Estudo Gulbenkian arrancaram este ano em modo projecto-piloto em três bairros para levar explicações personalizadas a alunos que não as poderiam pagar. 

Um professor para cada três alunos. Português, Matemática, Inglês. Nalguns casos, mais do que isso. São quatro horas e meia por semana de apoio personalizado, depois da escola. 
Aqui "não há barulho, há calma", descreve Afonso, 11 anos — neste "centro de explicações", localizado num dos maiores bairros de realojamento social da Grande Lisboa, são muitos os que se queixam de que na escola há demasiado ruído nas salas de aulas, turmas muito grandes e às vezes "porrada" no intervalo, o que não é grande ambiente para se estudar.

 

March 21, 2026

Boa sorte com isso

 

Falta de professores: diretores escolares ligam a docentes para aceitarem ir dar aulas 

Escolas entram em contacto com antigos profissionais para tentarem atribuir horas. Alguns também fazem apelos nas redes sociais, promovendo horários a concurso nas suas escolas. DN

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Há falta de professores de um modo dramático, mas o governo faz alguma coisa para promover a carreira dos professores? Não. Faz o oposto.

Hoje-em-dia é muito difícil ser professor. Os alunos chegam às aulas sem respeito pelo conhecimento, impreparados para uma educação escolar em resultado do uso excessivo de telemóveis e redes sociais, carregados de falsos conhecimentos que foram buscar às redes sociais e pensam ser a verdade e sabendo que não é necessário estudar para irem passando de ano e obter certificados. 

Porém, o pior de tudo são os pais. Porque dantes, se os alunos tivessem comportamentos inapropriados, violentos, de constante perturbação ou desrespeito, dizíamos aos pais e os pais colaboravam connosco mas agora os pais suportam esses comportamentos contra os professores e tornam o trabalho um inferno.

Aqui vai um exemplo para se ter um ideia do que é hoje-em-dia normal no comportamento nesse campo. Aqui há uns anos uma directora de turma chamou uma EE porque o filho ia para as aulas masturbar-se. A mãe apareceu na escola e perguntou à DT, 'o que queria saber é para onde a professora estava a olhar para perceber o que ele estava a fazer? Malandra!" Isto hoje-em-dia é típico.

Há pais cujos filhos são ordinários para os professores e colegas e em vez de os educarem aparecem com advogados para fazer bullying aos professores. Não por acaso, quando os candidatos aparecem nas escolas e vêem que o horário tem direcção de turma vão-se embora e não o aceitam.

A mim, quando me perguntam se ser professor vale a pena hoje-em-dia, digo que não - porque é a verdade. E explico: maus salários, más condições, nenhuma carreira séria, burocracias inúteis infernais, total falta de respeito do ME, políticas de sabotagem do nosso trabalho e um grande número de pais extremamente hostis.

O último factor mencionado é um dos que mais pesa. Todos os dias que entro na sala de directores de turma encontro colegas DT num enorme stress, por conta do comportamento de pais a propósito de maus comportamento de filhos. Situações aberrantes e extremamente desgastantes.

Dar aulas é muito desgastante. Entramos numa turma e temos ali 30 adolescentes, sendo que a maioria não quer estar ali e está à espera, ou de ser entretido com 'coisas giras' tipo imagens de vídeo ou de ser alimentado com resumos de resumos que não impliquem nenhum esforço da sua parte, muito menos estudo. E ali estamos nós a gerir o ambiente da sala de aula -para se poder desenvolver experiências de aprendizagem- e todos os comportamentos individuais desses 30 adolescentes. Ao mesmo tempo que desenvolvemos o trabalho, que asseguramos que os alunos estão a assimilar conteúdos e a desenvolver processos correctos de raciocínio, estamos continuamente a absorver toda a energia (positiva e negativa) que exsudam, carregada de problemas, medos, ansiedades, expectativas, jogos de poder, violência, frustrações, necessidades de confronto de autoridade, depressões, picos emocionais, etc. Tudo isto enquanto tomamos dezenas de micro-decisões relativamente a alunos particulares, em que pesamos instantaneamente os prós e os contras das decisões no progresso dos alunos e no impacto na turma. Sai-se de cada aula esgotado deste exercício de fazer de pára-choques dos problemas e da energia dos alunos e ao fim de uma manhã ou de uma tarde de aulas uma pessoa está completamente esgotada e só quer silêncio. E eis que aparece um EE a queixar-se da nota do filho (que não estuda nada), ou a fazer queixa do professor porque o filho é uma criança muito sensível e o EE quer vir assistir às aulas para fazer os trabalhos com o filho e o professor não deixa.

Há falta de professores e andam a ligar a professores para virem assumir turmas? Boa sorte com isso.

March 19, 2026

Sabes que o governo desistiu da educação pública em Portugal?

 

Sabes que o governo, mesmo tendo agora amplas evidências dos prejuízos que o uso da IA faz ao desenvolvimento cognitivo e social das crianças e jovens adolescentes vai impor uma [pseudo]educação com recurso à IA para não ter que gastar dinheiro ou chatear-se com investimento na educação, nomeadamente na contratação de professores formados e de técnicos especializados? Sabes que isso significa desistir da formação intelectual e humanista das crianças e adolescentes? Sabes que isso significa transformá-los em peças da máquina incapazes de pensar sobre a própria máquina?

'Tomem lá um assistente digital de IA, estupidifiquem-se com ele porque fiz um contrato com uma Big Tech que sai muito mais barato que andar a formar professores, enriquecer os currículos escolares, etc.'


March 13, 2026

Péssimas ideias na educação

 


Hoje disseram-em -não sei se é verdade- que um indivíduo no pelouro da educação na Câmara Municipal anda a pressionar as escolas para deixarem de ter avaliações trimestrais e passarem a ter semestrais porque isso lhe facilita a burocracia de distribuir funcionários pelas escolas.

Desde quando se tomam medidas relativas aos alunos -neste caso francamente prejudiciais e anti-pedagógicas- para facilitar a vida a burocratas??

Não conheço nenhum professor que defenda as avaliações semestrais. No primeiro semestre em que os alunos se estão adaptar à disciplina e/ou ao professor, os alunos em geral tiram notas baixas que depois compensam nos dois períodos seguintes, o que não poderão fazer se tiverem apenas duas avaliações.

Também acontece, dizem-me os colegas que trabalham com o básico, que os alunos, quando já conhecem a disciplina e o professor de anos anteriores, tiram boas notas no 1º semestre e depois, como sabem que a avaliação é continua e a nota do primeiro semestre faz média com o 2º nunca mais fazem nada e vão para as aulas sabotar.

Há universidades que põem a hipótese de passar as aulas de semestres a trimestres ou quadrimestres para os alunos terem mais avaliações e nas escolas, onde os alunos são muito mais imaturos, querem diminuir as avaliações prejudicando os alunos.

Espero que na minha escola -isso ainda não foi discutido em todos os grupos disciplinares- chumbem essa ideia perniciosa que prejudica os alunos e as aulas, independentemente de chatearem um burocrata.

Parece que o mesmo senhor também quer que as aulas passem de 90 minutos para 50 minutos. É não ter noção do que são os alunos actuais. Hoje tive duas turmas a fazerem uma ficha de trabalho, a propósito de um texto que analisámos na aula, com consulta do caderno de apontamentos e com duração de uma hora. Teoricamente, sobravam 30 minutos para avançar na matéria. Pois, não. Primeiro que se sentem e se preparem e que façam as mesmas perguntas 20 vezes sobre o que já foi devidamente explicado, passaram 20 minutos. Resultado: quando recolhi as respostas sobravam dez minutos. E isto sou eu que sou aquela pessoa que, assim que toca para entrar, aí vou eu. Chego à porta da sala um ou dois minutos depois do toque. Quando as aulas forem de cinquenta minutos. entre começar a aula, os tempos de quebra próprios de aulas com adolescentes, etc., no máximo aproveitam-se 30 minutos.

Na educação só vemos pioras. Sei que já não vou estar nisto muito mais anos, mas custa ver estragar tudo e saber que se prejudicam os alunos gratuitamente.


Qual a importância que o novo presidente dá à educação? Nenhuma. Zero.

 

Educação Zero

A única vez que me cruzei pessoalmente com o recém-empossado Presidente da República foi há muitos anos, mais de 15, quando ele presidia à Comissão de Educação do Parlamento. Eram os anos de chumbo na área da Educação, devido às políticas da dupla José Sócrates/Maria de Lurdes Rodrigues, e o ambiente estava longe de ser pacífico.

A hostilidade, em especial de certas parlamentares do Partido Socialista, para com as delegações de professores que iam apresentar as suas posições à Comissão, roçava a agressividade e, em diversas atitudes, transbordava para a descortesia, para não dizer pior. Constava entre os grupos de professores, que então se formavam e procuravam interlocutores na classe política, que António José Seguro era alguém que sabia ouvir. E eu confirmei que ouvia. Falar é que nem tanto, mas isso não é o que interessa agora.

O que interessa, pelo menos a mim, é saber qual é a atitude do novo Presidente em relação à Educação, atendendo a essa sua experiência e aparente interesse por esta área de governação. Por isso, li com atenção (estava em aulas, não pude ouvir) o seu discurso de posse, mais de 2800 palavras e de 18.000 caracteres, quando tudo transcrito para papel e incluindo as alongadas cortesias protocolares. E fui em busca de referências à Educação e à Escola Pública (ou privada).

Busquei e não encontrei. Contabilizei um punhado de referências à Saúde, o que se compreende. Gostei da evocação da Liberdade numas quantas passagens. Deparei com algumas menções à Justiça, algo que parece recorrente nestas alturas, mesmo que dê em nada ou ainda pior. Um par de referências à Habitação, assim como à Defesa e à Segurança. Falou no contexto internacional. Falou da “ciência, da inovação e da cultura, como motores da transformação social e da emancipação do ser humano”, e que “precisamos de mobilizar o talento das nossas universidades, dos cientistas, dos criadores culturais, dos empresários, dos trabalhadores, das instituições públicas”.

Achei que devia voltar a pesquisar, não me tivesse escapado alguma referência à Educação, ao Ensino, até de forma egoísta aos professores. Nada. Zero. Ao que parece, tudo deve estar bem no sector e o ministro da pasta é que tem razão em nem falar em números, porque, não se sabendo de nada ao certo, não se pode demonstrar que algo está mal. Estando em implementação diversas medidas alegadamente reformistas e em preparação ou negociação muitas outras, do currículo à carreira docente, não era de esperar tamanho apagão.

Enganados andam aqueles que pensam que a Educação deve ser a base da formação dos futuros cidadãos, a barreira para a proliferação dos discursos demagógicos ou a melhor maneira de, desde cedo, promover uma atitude de tolerância no debate sobre o que nos diferencia, mas não nos deve tornar necessariamente inimigos sem dó. Aliás, uma atitude que o novo Presidente da República sempre pareceu apoiar.

Mas as coisas são o que são. Há prioridades e há o resto. A Educação, em particular a não-superior, nem ficou para os restos do discurso. Não apareceu. Não teve direito a uma palavra. Zero.

Paulo Guinote in https://www.dn.pt/opiniao-dn/educao-zero

March 12, 2026

Tendências na educação

 

Aqui há uns anos o ex-ministro -na altura SE- João Costa mandou que se sistematizasse a ajuda aos alunos com problemas de vária ordem, como dislexias, autismo e outras. Essa ajuda já havia mas dependia dos esforços do DT em evidenciar o problema e encaminhá-lo para alguém competente. As novas medidas de ex-ministro sistematizaram essa ajuda. Há agora documentos que o Conselho de Turma preenche para anulos que precisem de medidas, que são depois encaminhados para uma equipa da escola que aloca os recursos (que não existem) para apoiar esses alunos. No papel parece tudo bem, na realidade, nem por isso.

No afã de dizerem que todos estão incluídos, não estando, os tais documentos são cada vez mais pormenorizados ao ponto de cobrirem, não apenas os alunos que têm problemas de aprendizagem (sendo a mais comum a dislexia) como todo e qualquer problema, tendo os tais documentos mais de 300 questões para cobrir toda a sorte de problemas, os que existem e os que não existem. Um aluno faltista e agressivo com toda a gente tem agora direito a medidas especiais  - chamadas «medidas universais» para se distinguirem das medidas específicas para problemas como autismo, cegueira, etc. (para estas, dado que não há recursos especializados nas escolas, o que continua a valer são os esforços do DT em encaminhar o aluno para alguém competente)

Ora, em que consistem essas medidas universais? Ter testes adaptados, mais fáceis, poder ter mais tempo para realizar trabalhos, ter ajuda para fazê-los etc. Evidentemente que estas medidas não têm nenhuma relação com a agressividade ou com o facto de um aluno ter andado desde o 5º ano até ao 9º sem estudar e a faltar às aulas. Porém, dado que não aprende, tem direito às medidas universais.

Então, para responder à questão do título do post, quais são as novas tendências da educação? Os pais irem à escola pedir ao DT para o seu filhos ter 'medidas universais' a matemática, por exemplo. A intenção é, obviamente, terem testes mais fáceis ou nem terem testes e passarem sem saber nada. 

Que tem isto que ver com inclusão, melhorar a educação, formar alunos mais capazes, com pensamento crítico e outras arengadas que esse senhor atirava para o ar para parecer que estava a fazer algo de mérito? Pois, nada.

Já tinha lido há tempos que esta situação se passava nas universidades americanas. Os alunos pedirem condições especiais alegando ter um problema qualquer para poderem ter facilidades especiais nos exames ou até terem direito a não fazer exames e passar de ano.

Calculo que o ex-ministro em questão tenha ido copiar estas ideias às universidades dos coitadinhos da esquerda americana, mas com elas importou também as fraudes que por lá grassam nas universidades e que por aqui começam a fazer o seu caminho nas escolas.

No futuro, que já é presente, os médicos que nos atenderem, os engenheiros que constroem os nosso edifícios, os informáticos que codificam a IA que organiza as nossas vidas, os políticos que decidem das nossas vidas, etc. serão, muitos, senão a maioria deles, «os licenciados das medidas universais.»


March 05, 2026

Pornografia, influenciadores pornógrafos, crianças e adolescentes

 

Esta audição deste vídeo é sobre pedofilia e passa-se nos EUA, mas sabemos que a internet da pornografia não tem fronteiras e que as crianças começam logo a vê-la aos 10 anos de idade. Não que a procurem, mas porque ela vem ter com eles, nas redes sociais - e por cá, até nas festas de estudantes nas escolas. 

Já se pensou bem nisto? Um rapaz, anos antes de beijar uma rapariga pela primeira vez, já viu outras como ela a serem espancadas, penetradas por gangs de homens, com sexo anal, estrangulamento, etc. Que tipo de relação vai ter com a sua namorada? O que pensa ser normal fazer-lhe? O que pensa que será normal ela prestar-se a fazer?

A Inglaterra acaba de proibir a pornografia extrema. Teve logo muitas vozes críticas a falar em liberdade de expressão. Ora, espancar raparigas e mulheres, violar, humilhar sexualmente, estrangular, etc., são crimes punidos por lei. Porém, se for na pornografia passam a ser arte e liberdade de expressão?

Por cá, há pais que pensam que não dar acesso aos filhos a redes sociais, onde este lixo todo aparece, é cortar-lhes a liberdade. Liberdade de quê? De verem pedofilia em forma de porno? Violações em forma de porno? Estrangulamentos sexuais?