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October 11, 2026

EUA - um aluno de 6 anos dá um tiro na professora e chama palavrões a outra

 

A mãe diz que é por causa do défice de atenção, o pai diz que a culpa é da professora ser branca. É racismo. Estes pais deviam ir presos e o filho internado numa instituição que o educasse a ser um ser humano decente, antes de poder voltar a frequentar uma escola.

Ser professor é, cada vez mais, uma profissão de risco, físico e mental. Nos EUA também não há professores. Quem quer lidar com os filhos destes pais, arriscar-se a ir parar ao hospital ou à morgue ou a consultas de psiquiatria para o resto da vida?

Isto é consequência da desconstrução do saber, das destruição das autoridades epistémicas, da autoridade dos professores às mãos de governos e pedabobos, como dizia o saudoso Santana Castilho, da ascensão ao poder de pessoas ignorantes, incompetentes e insignificantes.

October 09, 2026

Lamento mas os pais também são culpados desta situação



Alunos dispersos por vários anos, turmas de 30 alunos, diretores a dar aulas: escolas do 1º ciclo sem professores improvisam soluções

Pais estão preocupados e alertam para desigualdades

Expresso

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Não sei porque é que os pais, depois de 20 anos a dinamitar professores de todas as maneiras e feitios, em tudo quanto é sítio, desde as escolas aos jornais e TVs, esperavam que houvesse muita gente a querer ser professor. 


October 02, 2026

Toda a gente desapoia os professores

 

As escolas existem para a formação e instrução dos alunos em processos de aprendizagem. Quem desenvolve esse trabalho com os aluno são os professores. Por essa razão, tudo o que se faz nas escolas deve convergir para apoiar os professores nesse objectivo de formar e instruir os alunos em processos de aprendizagem. Exigir responsabilidade aos professores, mas perceber que o trabalho é apoiar os professores no seu trabalho com os alunos e não miná-lo.

Ora, o que acontece é que toda a gente desapoia os professores: o ministério da tutela, os políticos em geral, a comunicação social, os pseudo-pedagogos das universidades de pedagogia que nunca puseram um pé numa escola a não ser como visitante ocasionais, as empresas privadas que querem canalizar os processos de instrução e aprendizagem, os opinadores de jornal e TV. 

E dentro das escolas é igual: apoiam-se por esta ordem, os alunos, o que está certo (com excepções como as que se vêem em França), os pais (por medo), os funcionários auxiliares e os funcionários administrativos. Os professores são desapoiados e todos interferem no seu trabalho e, dessa maneira, sabotam o seu trabalho: pais, pessoas em cargos das escolas, funcionários auxiliares e administrativos, o ME... os professores nem aparecem na lista dos apoiados: são vigiados, controlados, às vezes vilipendiados e por regra, desapoiados pra dar prioridade ao apoio a outros funcionários.

Um erro fatal e óbvio para quem trabalha nas escolas, que começou com a Lurdes Rodrigues e nunca mais foi travado.

Uma pessoa que trabalha há 40 anos como professora e vê as escolas falharem nos seus objectivos por falta de clareza e acção consequente quanto a esses objectivos e prioridades, não se espanta dos resultados do PISA serem sempre a descer. 

Não por acaso, as escola públicas estão em decadência e as privadas, não: nas privadas, onde também toda a gente interfere e sabia o trabalho dos professores, os alunos têm pais com dinheiro para suprir a falta de investimento (é por isso que essas escolas os escolhem) e contratam professores para aulas privadas, o que chamam explicações. E não interferem nessas aulas privadas. Pagam e esperam os resultados. E aí o mercado funciona: os explicadores que conseguem sempre ajudar os alunos a subir as notas, têm sempre mais explicandos, os outros desaparecem por falta de sucesso evidente.

Nas escolas o sucesso é quase impossível e, por isso, o fabricam nas estatísticas. As condições de trabalho já são más: excesso de alunos na maioria das turmas, excesso de turmas para a maioria de professores, excesso de burocracia, populações empobrecidas, populações estudantis de 10 países diferentes, falta de investimento, etc. Se juntamos a isto a quantidade de interferências e sabotagem do trabalho dos professores e o efeito catastrófico que esse desapoio tem no trabalho deles, só por milagre se têm bons resultados.


Quem quer ser professor?

 

Os alunos em França protestam... roubando lojas.


Está contratado!

 



Despedimento coletivo disfarçado de reforma pedagógica humanista





A paranoia das fusões no ministério: a alquimia de somar dois desastres

João Conde

Hoje, graças à gloriosa AI2, exige-se a um investigador que estuda os padrões migratórios do lince-ibérico que apresente um plano de negócios robusto e uma demonstração de retorno comercial a três anos para garantir financiamento. O desastre desta fusão não foi um acidente de percurso. É o corolário lógico de quem acha que juntar a fome à vontade de comer produz, por decreto, um banquete farto. Para gáudio das grandes consultoras, que faturavam milhões a traduzir aborrecidos relatórios de biologia molecular para a vibrante novilíngua do empreendedorismo, espera-se que o próximo passo seja extinguir as defesas de tese. No novo modelo abençoado pela AI2, o doutorando terá de provar o mérito da sua investigação num pitch de três minutos no palco principal do Web Summit, competindo por fundos públicos com uma start-up que acabou de inventar uma coleira com Wi-Fi para iguanas.
(...)
Não temos docentes suficientes para a estrutura atual, logo redefinimos a estrutura [a junção do 1º e 2º ciclos-parêntesis meu] para fingir que a escassez é uma “otimização de recursos partilhados”. É a gestão da miséria elevada à categoria de arte abstrata. Neste modelo maravilhoso de “escola do futuro”, as crianças do 1º ciclo, que precisam de estabilidade e de um professor titular de referência, passam a ser peões num gigantesco tetris de horários escolares.

O cenário promete ser um glorioso estudo de sobrevivência darwiniana, com pré-adolescentes de 12 anos, imersos nos primeiros picos hormonais, a partilharem o mesmo exíguo ecossistema com crianças de 6 anos acabadas de chegar do jardim de infância. Tudo sob o pretexto de uma maravilhosa “verticalidade da articulação curricular” que, traduzida para português corrente, significa entregar aos raros assistentes operacionais sobreviventes a missão de atuarem como capacetes azuis da ONU para evitar que o recreio se transforme numa adaptação livre de “O Senhor das Moscas”.

Claro que, para o génio ministerial, isto é um detalhe. Se hoje os grupos de Português e Inglês do 2º ciclo já só conseguem assegurar a substituição de 37% dos pedidos das escolas, a solução é esticar os parcos sobreviventes para cobrir os dois ciclos. Os professores do 2º ciclo, já exaustos por carreiras congeladas e quotas de avaliação humilhantes, tornam-se tarefeiros polivalentes, prontos a tapar buracos onde quer que o algoritmo de contratação falhe.

Ao aniquilar as fronteiras do saber em nome dos famigerados “projetos transdisciplinares flexíveis”, o ministério não está a inovar, está a oficializar o desespero. O docente ideal desta “nova era fundida” deixou de ser um especialista para se metamorfosear num animador sociocultural em burnout crónico. Espera-se que lecione frações de manhã, debata a queda do Império Romano à tarde, preencha grelhas de avaliação socioemocional com 80 parâmetros intangíveis e, se possível, organize um peddy-paper com os pais para angariar fundos para o papel higiénico da escola. No fundo, o ministério descobriu o Santo Graal da administração pública. O segredo para resolver a falta de professores é passar a precisar legalmente de menos professores, operando um despedimento coletivo disfarçado de reforma pedagógica humanista.

A tutela parece acreditar que a matemática da administração pública funciona ao contrário da matemática real. Para o ministério, a soma de duas instituições disfuncionais ou de dois ciclos deficitários não resulta num problema a dobrar. Resulta numa “sinergia”. Num país onde apenas 32 professores se formaram em Ensino de Física e Química no espaço de cinco anos, a grande “inovação” do MECI é garantir que, em breve, a disciplina será lecionada pelo professor de Educação Física porque tinha duas horas livres no horário e demonstrou muita “disponibilidade”.

Se a Agência para a Investigação e Inovação provou que juntar a FCT e a ANI serviu sobretudo para paralisar a ciência, afogar os doutorados num mar de redundâncias, a fusão dos ciclos letivos provará que a falta de professores também não se resolve com a obliteração da pedagogia.

Estamos entregues a uma máquina ministerial que desistiu de governar e passou a dedicar-se à arquitetura de fachadas. A este ritmo de fusões compulsivas para mascarar a falência dos serviços públicos, já só falta o derradeiro golpe de génio. Fundir o Ministério da Educação com o Ministério das Finanças, extinguir os recintos escolares para rentabilizar património imobiliário e passar a emitir os diplomas de final de curso diretamente na repartição de Finanças mais próxima. Ao menos poupava-se na hipocrisia.


Breve história da erosão do ensino público em Portugal



Ensaio: A erosão do ensino público em Portugal

Paulo Guinote
https://visao.pt/


Para além dos epifenómenos e das conjunturas particulares, até porque em Educação as tendências não se compadecem com visões de curta duração, talvez seja tempo de fazer um balanço, nem que seja parcial, da evolução das políticas educativas nas últimas duas décadas, de forma a compreendermos o ponto a que chegámos de desagregação e desconfiança no sistema educativo.

O olhar não pretende ser neutro, mas, pelo menos, não procura esconder um maior ou menor compromisso com um determinado ciclo político. Por isso, não pretende distribuir perdões ou penitências, tão ao estilo nacional da desresponsabilização coletiva e individual pelo que não corre bem, brandindo promessas de avaliação que nunca são efetivamente concretizadas.

Ao contrário do que possa transparecer das disputas políticas em torno de questões periféricas, as políticas educativas das últimas décadas foram bastante consistentes nas suas opções estruturantes, independentemente do tom com que foram envernizadas para a opinião pública. Existiu mais consenso do que divergência em aspetos como a pressão para a produção de sucesso estatístico na avaliação interna dos alunos, a burocratização da docência, a domesticação profissional e material da classe docente, a uniformização do modelo de gestão escolar ou a defesa de uma “descentralização” de competências na Educação. Existiu uma evidente convergência na apresentação destas opções como as únicas possíveis, eficazes e eticamente aceitáveis, alegando-se a sua inspiração em boas práticas internacionais, com o beneplácito da OCDE, enquanto se ocultavam ou truncavam as evidências de que várias dessas experiências estavam a correr mal e a ser abandonadas em países com capacidade para fazer autocrítica e ter um pensamento político autónomo das modas.

Apesar desse consenso, é claro que existiram matizes e prioridades diferentes em cada momento, acabando por se verificar um processo evolutivo gradual em que cada fase beneficiou do que foi total ou parcialmente conseguido nas anteriores. Não é por acaso que existe quem sublinhe a continuidade das políticas entre 2005 e 2015, assim como existem áreas em que, entre 2015 e o presente, não se verificou qualquer inflexão e muito menos reversão.

2005-2010
Domesticação


Os anos de 2005-2010 foram os de uma agressiva domesticação do funcionamento das escolas, através do esforço por controlar a classe docente em termos materiais e simbólicos, enquanto se criava um modelo único de gestão escolar ultracentralizado. A par disso, desenvolveu-se uma hiperburocracia dos procedimentos administrativos, em especial nos relacionados com a avaliação dos alunos, deslocando-se quase toda a responsabilidade pelo insucesso para os docentes, obrigados a justificar todos os seus atos que não culminassem na transição/aprovação dos alunos.

Numa rápida sucessão, deu-se o primeiro congelamento nas progressões, a que se seguiu um novo Estatuto da Carreira Docente que instituiu uma divisão entre professores e professores titulares e um modelo de avaliação do desempenho docente destinado a legitimar a desaceleração das progressões. Seguiu-se o modelo de gestão unipessoal, baseado numa hierarquização rígida das lideranças em todo o sistema educativo, da coordenação de departamentos à dependência dos diretores em relação à tutela, que poderia destituí-los a qualquer momento.

Foram anos de enorme conflitualidade que se saldaram por uma domesticação parcial, só atenuada no mandato de Isabel Alçada. No entanto, na prática, só a divisão da carreira seria eliminada, mantendo-se tudo o resto, de acordo com as teorias da “nova governança pública”, importada dos anos 90 do mundo anglo-saxónico.

A médio prazo, estas medidas não se traduziram na melhoria do desempenho dos alunos, pois a coorte que iniciou o seu percurso durante estes anos foi a que protagonizou o início da estagnação ou do declínio dos resultados nacionais nos testes PISA 2018. E os danos causados na relação dos professores com a tutela seriam duradouros, minando qualquer tipo de confiança, em particular dos docentes, que não perderam a memória desses anos de chumbo.

2011-2015
Implosão racionalizadora


O período de 2011 a 2015, associado à presença da Troika em Portugal, foi o da tentativa de implosão racionalizadora da máquina administrativa e dos recursos humanos do sistema público de ensino, com o pretexto da crise financeira. Foi a época do “fazer mais com menos” que se traduziu numa progressiva incapacitação técnica de diversos serviços centrais e regionais do Ministério da Educação, dos quais não foi afastada a captura política, reforçando o seu papel de “braço administrativo” das políticas, contrariando o que o agora ministro Nuno Crato tinha criticado ao período anterior. Foi o momento da implementação da Prova de Avaliação de Conhecimentos e Competências, criada por Maria de Lurdes Rodrigues, alegando-se que perante uma oferta excessiva de candidatos à docência, seria possível escolher os “melhores”, através de uma simples prova escrita.

A consequência conjugada dessa e de outras medidas como a continuação do congelamento da carreira e a introdução de cortes salariais, de que agora sofremos os efeitos, foi o afastamento de muitos milhares de docentes profissionalizados e com prática letiva, que enveredaram por outras vias profissionais. Em termos curriculares e de avaliação dos alunos, foram introduzidas medidas de reforço da avaliação externa das aprendizagens, mas os esforços feitos para demonstrar os ganhos para os alunos permanecem muito frágeis. As esperanças iniciais num ministro crítico da manipulação política da Educação esfumaram-se e ficou apenas um aparelho administrativo sem autonomia técnica. A proletarização da docência iniciada nos anos anteriores não foi alterada, mantendo-se o modelo de gestão e uma versão simplificada da avaliação do desempenho docente.

2015-2024
Instrumentalização ideológica


Seguiram-se os mandatos de Tiago Brandão Rodrigues e João Costa, de finais de 2015 aos inícios de 2024, marcados pela forte instrumentalização ideológica da Educação, em nome de uma agenda enunciada como inclusiva que se traduziu numa maior fragmentação dos currículos, com os programas a serem reduzidos e a avaliação externa no Ensino Básico a ser revista de um modo que a tornou inócua.

As novas provas de aferição passaram a ser feitas em anos intermédios dos ciclos, mas com uma forma de classificação e um calendário de chegada dos resultados às escolas que tornaram inútil o seu uso para o trabalho com os alunos. Encurtaram-se programas, enquanto os tempos letivos de algumas disciplinas tidas como “tradicionais” foram reduzidos para acomodar a criação da disciplina de Cidadania e Desenvolvimento.

A agenda inclusiva, baseada na proclamação de um conjunto de boas intenções, serviu em parte para mistificar os problemas reais de integração dos alunos migrantes e/ou social e economicamente mais desfavorecidos. Mantiveram-se políticas como o modelo de gestão escolar, a avaliação do desempenho docente ou o congelamento das progressões dos professores, retomadas só em 2018, sem recuperação da maior parte do tempo congelado.

Continuou o processo de proletarização dos professores, a par das evidências de que, a breve prazo, seria problemático substituir os professores que chegavam à idade da aposentação. Quando ainda havia algum tempo para se fazer algo pela formação de novos professores ou pela atração dos que tinham saído, preferiu-se baixar os critérios de acesso à docência, reduzindo-os a uma dezena de créditos ligados à área disciplinar.

O fosso crescente entre o desempenho dos alunos do sector privado de topo e o da generalidade das escolas públicas agravou-se, apesar de medidas cosméticas para o combater. Legislou-se uma “equidade” ilusória, pois do portão das escolas para fora, as condições de vida de boa parte da população estagnaram, regrediram ou passaram a depender de apoios sociais extraordinários de validade temporária.

O problema da integração de um crescente número de alunos provenientes de um cada vez mais amplo número de países, não falantes de português, foi crescendo, à medida que se legislavam medidas de impacto prático muito escasso. Promoveram-se estratégias pedagógicas de valor duvidoso e a escola pública tornou-se uma espécie de albergue experimental, no pior dos sentidos, baseado na cosmética de um sucesso interno sem correspondência no desempenho dos alunos nos testes internacionais.

A chancela da OCDE exibiu-se como garantia de uma qualidade de políticas equivocadas que colapsaram durante o período da pandemia. A burocratização da vida escolar atingiu um novo patamar, fruto da quase obrigatoriedade da adoção de “projetos” como o chamado MAIA que apenas retirou tempo ao trabalho em sala de aula.

Arrancou uma equívoca “digitalização” da Educação, em regime low cost, apressadamente e sem um rumo claro, enquanto se apostavam milhões em projetos de paraciência e pensamento mágico.

2024-2026
Descredibilização


A mudança de ciclo político iniciada em 2024 e que em 2026 ainda vivemos pouco mudou além da retórica e de uma recuperação do tempo de serviço docente, integral apenas para parte dos docentes, acreditando-se que com isso se daria uma pacificação do ambiente nas escolas, não mudando praticamente mais nada.

Eliminou-se formalmente alguma da burocracia que se manteve com outras designações, assim como se alterou de novo o modelo de avaliação externa do Ensino Básico, mas, de novo, com um calendário desadequado.

De forma voluntária e consciente ou fruto de uma assinalável inépcia, entrámos numa fase avançada de descredibilização do ensino público e da sua cada vez maior abertura à entrada de agentes privados, não apenas como concorrentes, mas também como agentes no interior das escolas públicas, como se os professores e outros profissionais que lá estão sejam incapazes de desempenhar as suas funções. Perante a evidência da falta de docentes, optou-se por camuflar o problema, alegando a impossibilidade de o determinar com rigor. Sucederam-se críticas à qualidade dos serviços do ministério e promoveu-se a sua reorganização de acordo com um modelo macrocéfalo, concentrado em duas superagências.

Manteve-se a política anterior de baixar os critérios académicos de acesso à docência, assim como se prometeu cristalizar o modelo de gestão unipessoal das escolas e concretizou-se a municipalização da rede escolar pública, sem qualquer tipo de estudo que, para além de uma espécie de fé herdada do final século XX, demonstrasse com evidências as suas vantagens.

Ao fim de dois anos no cargo, o ministro Fernando Alexandre revelou uma enorme incapacidade para compreender os problemas decorrentes da implementação pouco previdente da digitalização da classificação dos exames do Ensino Secundário, oscilando entre a autodesresponsabilização e acusações pouco sensatas que apenas levaram ao descrédito da educação pública. Com um ministério reorganizado, que prometeu ser dos melhores do mundo, optou por externalizar a solução dos problemas, pagando por isso a empresas privadas montantes muito avultados pelo que deveria ser uma função básica do seu ministério: assegurar uma época de exames tranquila.

Iniciado o ano letivo de 2026-27, estão por se conhecer várias medidas anunciadas para entrar em vigor no dia 1 de setembro, assim como se continuou a optar por delegar em terceiros o que deveria ser um serviço público fundamental: apurar as necessidades de professores. O processo de descredibilização e desconfiança continua, como estratégia para justificar uma crescente presença de grupos de pressão privados no sistema público de ensino. Não se trata apenas de concorrência, mas de erosão a partir do interior. Sucedem-se summits, conferências e debates coreografados sobre temas que surgem como atrativos (modelos híbridos de ensino/aprendizagem, Inteligência Artificial), mas com fórmulas gastas e em processo de descrédito num número crescente de países. Especialistas apresentam estudos e propostas com base em estatísticas que o ministro considerou não serem credíveis. Apresentam-se ferramentas centralizadoras (Portal da Educação) como sendo mais eficazes e simples, enquanto se defende a bondade de soluções descentralizadas de gestão dos recursos financeiros e humanos.

Fica, a quem observa tudo isto há décadas, uma sensação de desorientação, na melhor das hipóteses, ou, na pior, de fase final de implosão da educação pública, para justificar a distribuição de uma parcela cada vez maior do seu orçamento aos interesses privados. Numa perspetiva que ultrapassa o episódico, percebe-se que se aproxima o fim de um ciclo destrutivo iniciado em 2005.

Há quem fale na necessidade de um “pacto de regime” para áreas da governação como a Educação. Mas, num vasto conjunto de matérias, esse pacto informal existe há mais de 20 anos: domesticação, implosão, instrumentalização, descredibilização… segue-se a privatização?

October 01, 2026

Em França os liceus estão a arder

 

A Europa desistiu da segurança dos seus cidadãos e cedeu ao discurso da extrema-esquerda para quem toda a autoridade é suspeita e tem de ser combatida. As redes sociais estão cheias de imagens de dezenas de liceus a serem vandalizados. Professores atacados, alunos atacados, polícias atacados por rapazes mascarados. A França Insubmissa foi uma das forças a incentivar este caos. A IM foi a outra. Em quase todas as imagens de violência há bandeiras da palestina. A esquerda só ficará satisfeita quando a Europa for El Salvador, antes de Bukele, após o que a direita aparecerá com os seus Bukeles. Na Europa reunem-se e falam muito, mas não arrasam com a Rússia, não põem ordem na imigração violenta, não investem na segurança, na educação e na saúde. 


September 30, 2026

Os professores não se queixam o suficiente

 

Uma grande quantidade de alunos é educada pelos pais para serem violentos e para serem mal-educados com os professores - como aliás esses pais o são.


A falta de professores é muito mais grave do que parece



Porque os professores que estão a ser contratados não têm formação especializada. 

A solidez dos sistemas educativos depende da qualidade dos seus professores. Por isso, a escassez generalizada de professores é preocupante.

Em alguns países, até 4 % dos postos de professor não estavam preenchidos no início do ano lectivo, de acordo com a última edição do Education at a Glance.

Muitos países estão a preencher as vagas com pessoal não qualificado ou não totalmente qualificado, o que mascara a real gravidade da situação. Quase um em cada dez professores na área da OCDE ainda não tinha concluído a sua formação no início do ano lectivo de 2024.

A escassez é mais grave nas zonas mais desfavorecidas e concentra-se em determinadas disciplinas, como a matemática e as ciências naturais, segundo a última edição do Education at a Glance, sendo esta a fonte de informação de referência sobre o estado da educação a nível mundial.

A edição deste ano dedica especial atenção à escassez de professores, analisando o seu impacto nos diferentes países e a forma como os sistemas educativos podem responder a esta situação.

Leia aqui: https://www.oecd.org/.../education-at-a-glance-2026...



OECD Education and Skills

September 20, 2026

Elementar bom senso que devíamos seguir

 

Mario Nawfal

Meloni anunciou que o uso de coberturas faciais, incluindo a burka e o niqab, será proibido nas escolas.

 Será estabelecido um limite máximo de alunos estrangeiros por sala de aula.

Os pais de crianças com dificuldades de integração também serão obrigados a aprender italiano.

Permitir que um grande número de alunos que não falam a língua local frequente a mesma turma não promove a integração; cria sociedades paralelas.

E a integração não é facilitada pelo uso de um véu facial.

Isto deveria ter sido uma política padrão em toda a Europa há uma década...



September 18, 2026

Como contrariar os resultados do PISA?

 

Não vou falar aqui de investimento na educação, em tornar a carreira de professor atractiva, na falta de técnicos especializados, no número de alunos por turma, etc. Vou falar apenas na parte da integração de alunos estrangeiros que são, no meu ponto de vista, uma parte importante para a elevação do nível dos resultados e fundamental para o futuro do país.

É preciso investir fortemente nos professores de Português Língua Não Materna (PLNM). Estes são professores que leccionam português a alunos estrangeiros nos vários níveis de proficiência em que se encontram quando entram nas escolas. Há pouquíssimo professores, não chegam para todos e, ainda por cima, estas turmas têm que ser muito reduzidas, pois misturam alunos de vários níveis, desde o que não fala uma palavra de português e vem de um país com uma língua de uma raíz não latina (o arábico, o mandarim, o hindu) ao que já cá está há dois ou três anos e já domina bem os fundamentos da língua mas precisa de desenvolver o vocabulário, a complexidade frásica, verbal, etc. Se não aprendem a língua não há integração e se não há professores para a ensinar não é possível que aprendam a língua, além do 'olá', 'bom dia' e pouco mais porque muitos destes alunos vivem fechados nas suas comunidades culturais por ordem dos pais. É necessário tirá-los dessas redomas.

É preciso haver um currículo diferenciado para estes alunos. Em vez de inscreverem-se em todas as disciplinas e estarem nas aulas sem perceber um boi (alunos nestas idades dependem muito do professor), inscreverem-se apenas a 3 disciplinas, vamos supor, a inglês, a educação física e a outra disciplina, mais prática do que teórica, mais para socializar e enturmarem-se e depois, terem todos os dias aulas de PLNM. Portanto, um curso intensivo de português e mais umas poucas disciplinas para começarem a sua integração. No ano seguinte já estariam em condições de poder matricular-se a todas as disciplinas e embora continuassem a ter PLNM em vez da disciplina de português da turma, já não teriam necessidade de tantas horas por semana.

Alunos que só falam a língua da sua família (mais alguma coisa de inglês), apesar de estarem cá, não vivem no nosso país, vivem no país e na cultura da sua língua materna (e em sites da internet) e serão sempre outsiders. 

Aqui há um par de anos propus à direcção da escola este plano de estudos para um aluno que caiu em Portugal de pára-quedas no início do ano, só falando a sua língua. Autorizaram-me mas quando o propus ao pai, ele não o quis, disse-me que o filho era inteligente. Embora lhe explicasse que isto não tem que ver com inteligência e que o ano iria ser uma enorme frustração para o filho com uma sensação de alienação devido às dificuldades de não perceber o que se passa à volta dele, ele não o quis. Uma pena e um desperdício de capacidades. 

Os pais não têm noção do que é a educação escolar e pensam que a aprendizagem é assim algo mágico e que mesmo estando completamente impreparado para aprender, aprende-se na mesma. É assim como alguém chegar à aula de escultura de mármore e não ter cinzéis, martelos, limas, etc. e o professor dizer que precisa de ter os instrumentos adequados que permitem fazer o trabalho e que seria melhor que ele dedicasse um ano a arranjar esses materiais e a aprender a usá-los e os pais responderem, 'não é preciso, o meu filho é inteligente e desenrasca-se já'. 


September 17, 2026

🎯



Há ainda outro elefante dentro da sala de aula, enquanto Carneiro se entretém a olhar para a cor do giz. Portugal mudou demograficamente a uma velocidade extraordinária. Entre 2021 e 2025, o número de residentes estrangeiros mais do que duplicou: aumentou em 849 mil, para quase 1,6 milhões, 14% da população. A concentração territorial, essa, é brutal: em 2024, Lisboa tinha 202 mil residentes estrangeiros e Sintra quase 97 mil; nove dos doze concelhos com maior número pertenciam à Área Metropolitana de Lisboa.

As escolas sentiram exactamente a mesma transformação. Em dez anos, os alunos estrangeiros nas escolas públicas aumentaram 251% e passaram de 4% para perto de 17% do total; na Grande Lisboa, Setúbal e Algarve rondavam já os 20%. Muitos chegaram sem dominar a língua portuguesa. O Conselho Nacional de Educação identifica falta de professores de Português Língua Não Materna, heterogeneidade linguística, entradas ao longo de todo o ano e dificuldades de organização das turmas. Isto não é uma acusação às crianças imigrantes. É uma acusação a quem recebe crianças sem preparar escolas. Não basta proclamar humanismo, para depois praticar laxismo.

(...)

E chegamos ao meu último ponto, que se tem discutido menos: planeamento. Este Verão descobrimos que a fotografia oficial do país estava desfocada. O INE reviu a população de 2024 de 10,75 para 11,39 milhões: mais 637 mil pessoas, um erro de 5,9%. O PS respondeu que os números da imigração já eram conhecidos. O que só lhes agrava a culpa. Se sabiam que o país tinha mudado desta maneira, onde estavam as escolas, professores, centros de saúde, casas e transportes necessários para recebê-lo?

Pedro Mota Soares defendeu, aqui no Expresso, a antecipação dos Censos de 2031 porque “sem números credíveis e desagregados” continuaremos a desenhar políticas públicas com uma fotografia desfocada do país. Tem razão. Portugal não é apenas diferente do que pensávamos. Lisboa não é Bragança, Sintra não é Viseu e uma escola com vinte nacionalidades não enfrenta os mesmos problemas de outra que perde alunos todos os anos. E isto só para falar de educação, que é o que nos traz aqui. O efeito da ignorância alastra-se por todos os domínios sectoriais. E, pelos visto, locais: o Largo do Rato parece sofrer acrescidamente disso. Para lá de outras coisas.
(excerto)
Expresso
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Até que enfim que alguém diz o óbvio. A população aumentar em quase 6% num par de anos por vias de imigração, propositadamente descontrolada, com parte dessa imigração a serem alunos que vão sobrecarregar escolas já sobrecarregadas faz imediatamente baixar o nível do ensino e, por consequência, dos seus resultados.
Não é possível ter turmas de portugueses falantes de português desde sempre e ter turmas com 1 chinês, um paquistanês, um senegalês, um russo, um ucraniano, um estoniano, um venezuelano, um bielorrusso, um uzbequistanês, onde nenhum fala português e alguns nem inglês falam, e esperar que ambas as turmas tenham o mesmo desempenho. Agora é normal ter meia-dúzia de alunos estrangeiros numa turma.
As turmas cheias de imigrantes que não falam português ou o arranham mal a um nível primário, são turmas onde passamos o tempo a colmatar essa incapacidade. Não há alternativa, a não ser que os professores, para manterem o nível de aprendizagens dos alunos, finjam que eles não estão lá. E o volume de trabalho em excesso que representam esses alunos para o professor prejudica o trabalho.
Isto é o óbvio ululante e nenhuma demagogia de partidos completamente alienados da realidade muda a nossa realidade nas escolas.
Não admira, também, que nestes anos haja mais alunos do que é costume sem lugar nas escolas. Estão a abarrotar.
Só lamento que este ministro vá piorar a situação com o aumento de mais alunos por turma.

DÊEM-ME PESSOAS COM OS PÉS NA TERRA SFF

September 15, 2026

Sr. Ministro, não minta! Só serve para erodir a confiança em si que já está em baixa


 

Fernando Alexandre: "Evidência cientifica diz que até aos 30 alunos a qualidade do ensino não sai prejudicada"

O ministro da Educação confirmou esta terça-feira, 15 de outubro, que a solução encontrada para a colocação de alunos que estavam por colocar passa pelo "alargamento de turmas, aumento de turmas e aumento de turnos".

Fernando Alexandre garante que a qualidade do ensino não sairá prejudicada. "Isso está previsto na lei, faz-se excecionalmente e tem a aprovação do Conselho Pedagógico, mas acontece muitas vezes. Se uma turma puder passar para 28 ou 29 alunos, não se vai criar uma turma nova", afirmou o governante em Porto de Mós, onde inaugura obras de requalificação e ampliação de uma escola secundária.

"A evidência cientifica diz que até aos 30 alunos a qualidade do ensino não sai prejudicada", reforçou.

DN
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Não há nenhuma evidência cientifica a dizer que até aos 30 alunos a qualidade do ensino não sai prejudicada, nem seria possível haver. O que há são declarações a dizer que nem sempre é prejudicada, pois há casos de turmas com 30 alunos excelentes ou muito bons. Como também acontece uma turma ter 15 alunos péssimos, em termos académicos e comportamentais e ter resultados péssimos, apesar de ser pequena.
No entanto, esses casos são excepções em número reduzidíssimo e, portanto, não são exemplares. 
É óbvio que quantos mais alunos tem uma turma, a partir de um certo número que, geralmente, se calcula entre os 16 e os 22, maior o prejuízo para a turma: menos tempo tem o professor para cada aluno, mais trabalho - teste e fichas de trabalho e apresentações orais para classificar. Mais EE com quem lidar, mais tempo de burocracia, etc. 
E, se acrescentarmos a estes factores, haver tantos professores já com excesso de turmas em horas extraordinárias, para suprir a falta de professores, mais 2 ou 3 alunos por turma, num horário com 9 turmas ou 10 turma, significa mais uma turma inteira.
Não é preciso ser muito inteligente para perceber isto. Portanto, não minta! Só serve para erodir a confiança em si que já está em baixa.
Ontem li que disse que há muitos professores de baixa. São perto de 2%. A profissão está extremamente envelhecida, justamente porque as políticas têm sido de encher os professores com turmas em vez de investir em novos professores, para poupar dinheiro. Esta profissão exige muita robustez física, não é para velhos, pessoas com doenças próprias de certas idades.
Não é por haver professores doentes que não há professores. É por terem expulsado professores e destruído a carreira de professor.
O senhor não sabe resolver o problema da falta de professores. É verdade que é um problema herdado e os dois ministros anteriores, dos governos de Costa, apesar de lá estarem 8 anos e meio, fizeram zero, porque a prioridade era destruir a carreira dos professores para poupar dinheiro e agravaram o problema.
Mas o senhor já lá está, vai para 3 anos e meio e parece que resolveu agora seguir também esse caminho de tentar destruir professores e direcções de escola em vez de resolver os assuntos. Mais vale tarde que nunca. Comece a fazer alguma coisa, agora já! Traga professores para as escolas. Carregar ainda mais os professores mais velhos com mais alunos por turma e mais turmas, prejudica os alunos e o trabalho dos professores. Logo: prejudica os alunos.

September 14, 2026

Há um problema de gestão de sala de aula?

 

Não. Há um problema de educação parental laxista que nunca diz não aos filhos, há um problema de desregulação de comportamento por ausência de limites, há um problema de educação pelos telemóveis, redes sociais, violência e pornografia, há um problema de doenças mentais (ansiedade, bulimia, depressão) e uma exigência de que sejam os professores a gerir e corrigir todos estes problemas em 90 minutos de aula, 2 vezes por semana com 30 alunos dentro da sala, com o «desapoio» do ministério da educação. Loucura, não? Sim, completamente. 


O que pode ser feito para regular estes comportamentos que são cada vez mais comuns? Regras de comportamento inegociáveis e consistência no cumprimento das regras por parte de toda a comunidade escolar.

De vez em quando temos turmas de comportamento péssimo, do género delinquentes sinalizados na polícia, ladrões, fraudulentos e etc. Claro que entre esses alunos há ali gente que vem de famílias problemáticas, com violência, completamente desreguladas, etc. Como não foram logo ajudados logo desde a entrada na escola primária (imensas vezes os pais não deixam que se ajude os filhos) vão alargando e refinando o seu mau comportamento e quando chegam ao 10º ano, já com idade e força física, são muito difíceis de controlar e intimidam os colegas e por vezes, os professores. Alguns são violentos e habituados a essa táctica. A única maneira de os re-educar é com regras de comportamento inegociáveis e consistência no cumprimento das regras por parte de toda a comunidade escolar.


September 13, 2026

No ano passado tive um aluno chinês numa turma do 10º ano

 

No ano passado tive um aluno chinês numa turma do 10º ano que não falava português, inglês ou outra língua que não a sua. Entrou em Portugal em Julho e em Setembro estava nas aulas. Calculo que isso também seja culpa dos professores. 
É evidente que não conseguia acompanhar as aulas, mesmo podendo usar o telemóvel nas aulas para traduzir. Geralmente estes alunos falam ou percebem inglês e podemos dar-lhes outros materiais, mas não este. Calculo que isso também seja culpa dos professores. 
Não tinha nenhum assistente cultural a ajudá-lo nesta transição tão abrupta, apenas outros alunos chineses que já estão em Portugal há muito tempo. Calculo que isso também seja culpa dos professores. 
Alunos estrangeiros têm aulas de Português Língua Não Materna, duas ou três vezes por semana, de 90 minutos. Calculo que isso também seja culpa dos professores. 
Enfim, um dia pedi-lhe para fazer um trabalho escrito sobre as diferenças entre a China e Portugal em termos de valores e cultura para substituir o trabalho de discussão oral que a turma estava a fazer sobre esse tema. Escreveu que na China os alunos do secundário têm mais disciplinas do que cá e, portanto, mais tempo lectivo e que lá os professores nunca perdem tempo a explicar com paciência conteúdos ou conceitos ou técnicas ou seja o que for a alunos que não estudam e não trazem os trabalhos feitos. E mesmo aos que estudam, não páram as aulas para explicar a um aluno qualquer coisa mais que uma vez. O aluno no fim da aula que vá ter com um tutor da disciplina e peça explicação. O ensino é muito mais exigente. Não se atrasa a aprendizagem de todos por causa de um. Aqui, as políticas dos optimates ditam exactamente o oposto e os pais esperam exactamente isso. Calculo que isso também seja culpa dos professores. 
Há um par de anos uma mãe queixou-se do professor de matemática numa reunião de EEs. Disse que a filha já por duas vezes tinha saído da aula sem perceber a matéria e que o professor recusava-se a explicar. Como conheço o professor há mais de 30 anos sei perfeitamente que aquilo não é verdade e comecei a fazer perguntas até que a senhora disse que o professor estava a trabalhar uma matéria que precisava de conhecimentos do 7º e 8º anos que a filha não tinha, porque sempre passou com negativa a matemática. Mas que a culpa não é dela, os professores é que a passavam. -Então mas a senhora não via que ela tinha sempre negativas? Não fez nada? - Não, porque ela passava e pensou que is ser sempre assim até ao 12º ano. 
Expliquei à senhora o óbvio: um professor não pode parar a aula para explicar temas do 7º, 8º ou 9º ano (às vezes do 5º ano) a cada aluno que está num curso de matemática tendo tido sempre negativa a matemática. Ela já devia ter pedido apoio. Pois, isso nunca se tinha lembrado mas ia pedir agora. Só que agora é tarde, porque a falta de professores obrigou os professores que davam apoio a largá-lo para terem mais turmas. Estava revoltada porque tinha que pô-la numa explicação.
A culpa é dos professores que passam alunos com negativas recorrentes num currículo já de si facilitado? É e não é. Se um aluno não passa no básico, mesmo que só tenha negativas e mais de 300 faltas, faz queixa e vêm ordens encapotadas do ME para passar os alunos. 
Porque é que os alunos têm tantas dificuldades? Porque a ordem é de não-exigência. Validar muito os alunos e os seus sentimentos. Se um professor é minimamente exigente cai-lhe tudo em cima: os alunos queixam-se que o professor não é fofinho e não tem empatia pelo sofrimento em que ficam quando não passam (lembram-se dos alunos de medicina que puserem um processo ao reitor da faculdade por falta de empatia com o sofrimento de não entrarem onde queriam?), os pais queixam-se que o professor não ajuda nas médias para a faculdade, outros professores pressionam porque têm receio dos pais e do ME  ou porque engoliram as pedagogias miserabilistas da nova-esquerda...
Quem é que iniciou esta mediocridade e assédio aos professores exigindo submissão ao miserabilismo: João Costa, logo no tempo em que era SE. É só ir ver os documentos e decretos que esse indivíduo vomitava para as escolas e os artigos que escrevia e mandava (calculo) escrever nos jornais. 
Li algures numa entrevista, penso que no Expresso, mas já não tenho a certeza, que ele estava com uma grande depressão quando aceitou o cargo de SE. A ser verdade, significa que, sabendo disso ainda foi aceitar o cargo de Ministro da Educação. Portanto, tivemos uma pessoa com uma doença mental muito incapacitante e que altera a percepção do real no sentido do desequilíbrio (e sabe-se lá se a tomar certos medicamentos neurológicos), à frente das políticas educativas...
Calculo que isso também seja culpa dos professores. 

September 11, 2026

O que é que Portugal ganha em fundir 1.º e 2.º ciclos?

 

O que é que Portugal ganha em fundir 1.º e 2.º ciclos? Esta é a resposta do ministro:


Estive a ver o vídeo. O ministro diz que tem muitos conselheiros que são a favor (os mesmo que o aconselharam nos exames?) e que é muito corajoso por tomar esta medida (portanto o benefício da medida está na sua coragem?) e que vai ser bom porque não há uma transição abrupta entre o 1º e o 2º ciclos. Não explica a fusão propriamente dita, não explica os benefícios a não este da transição não abrupta, não explica como vão funcionar o 5º e o 6º ano, se continuam a ter um único professor a ensinar da matemática ao português e da física ao desenho...
O que é que Portugal ganha em fundir 1.º e 2.º ciclos? Não disse. Pelo menos neste excerto.

September 10, 2026

"Como ensinar alunos, quando temos decisores tão lentos nas aprendizagens?"




‘PISA 2025’: o descalabro anunciado

Paulo Guinote

O desempenho dos alunos portugueses, apesar da cosmética das avaliações internas para produção de estatísticas de sucesso, está em acelerada (e prolongada) erosão. Os resultados dos testes PISA 2025 demonstram isso, com os valores obtidos em Leitura e Matemática a regredirem muitos anos e os de Ciências a estabilizar em perda.

O balanço da última década é catastrófico e não vale a pena usar argumentos como os efeitos da pandemia ou de parte das perdas estarem em linha com o que aconteceu na maioria dos países da OCDE. Isso apenas revela que se replicaram políticas erradas, porque “lá fora é assim que se faz”. Aliás, o mesmo argumento que os actuais governantes estão a usar para medidas como a fusão dos primeiros seis anos de escolaridade num único ciclo.

As políticas do período “costista” na Educação traduziram-se num rotundo fracasso, sendo inútil relativizar os factos com as alegadas boas intenções de uma produção legislativa coerente, apenas na ambição de produzir sucesso a qualquer preço. O desempenho dos alunos piorou de forma consistente, com a base (low performers) a não melhorar e o topo (high performers) a reduzir-se de forma significativa: em Leitura e Matemática os valores ficaram em metade ou menos do que eram em 2018.

Quando se analisam os dados desde o início da participação portuguesa nestes testes, percebe-se que são espúrias as tentativas para branquear este ou aquele ciclo político. As quebras são claras desde os PISA 2018 (coorte de alunos que iniciaram a escolaridade em 2009/10) e já nos testes de 2012 tinha existido um declínio dos resultados. Os bons resultados de 2015 (coorte de 2006/07) começam, numa perspectiva de média-longa duração, a surgir cada vez mais como conjunturais.

Tem-se verificado uma tentativa para considerar que até 2015 existiu um conjunto de políticas viradas para um rigor na definição de metas de aprendizagem e na avaliação dos alunos, mas os dados matizam bastante esse tipo de narrativa. Os ganhos mais consistentes terminam em 2009 (coorte de 2000/01), com alunos que fizeram quase toda a sua escolaridade antes das profundas reformas que entraram em vigor a partir de 2007 e 2008. Afirmar o contrário é um esforço mais político e ideológico do que analítico, e depende de alguma tortura estatística e cronológica dos dados disponíveis.

Nada disso obsta a que existam duas conclusões muito claras: em primeiro lugar, que os alunos que iniciaram a sua escolaridade em 20013/14 e 2016/17 apresentam um desempenho que regride para valores de 2006, demonstrando a desadequação de políticas apresentadas como inclusivas e defensoras da equidade e da justiça social; em segundo, que, se as perdas acompanham tendências comuns à OCDE, isso significa que se adoptaram soluções desajustadas à realidade educativa nacional, apesar dos avisos a esse respeito.

Infelizmente, verifica-se que ninguém assume qualquer responsabilidade pelo sucedido e que, o que é mais grave, estão a ser tomadas medidas com base em argumentos semelhantes – de estarem em linha com as propostas de organismos como a OCDE – aos que nos levaram a esta triste situação. Como ensinar alunos, quando temos decisores tão lentos nas aprendizagens?.

DN