This Drag Queen has no idea why ANY parent would want their child anywhere near people like them !
— Leah Rain ✝️🇺🇸🎸🏝️ (@LeahRain77) August 30, 2026
He lays it all out … pic.twitter.com/3kzy1GDGZu
This Drag Queen has no idea why ANY parent would want their child anywhere near people like them !
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Ter posto os filhos contra os pais, os pais contra os professores e os professores contra os pais, os homens contra as mulheres, as mulheres contra os direitos das mulheres e a impossibilidade de bom senso, com ideologias agressivas e totalitárias. Que sociedade sobrevive a este abismo que se abriu entre ambos?
Tenho colegas que defendem -há mais de 20 anos- esta ideia de que os pais deviam ser vedados de decidir sobre tudo o que respeite a educação dos seus filhos em detrimento dos professores. Já discuti com alguns colegas muitas vezes. Estão absolutamente convencidos da sua missão de engenheiros sociais no aperfeiçoamento de toda a gente segundo os seus ideais e ideologia particular, que assumem como universalmente incontestável e moralmente superiores. É com esta ideologia que nos EUA, no Canadá, na Inglaterra, tiram os filhos aos pais (e por vezes criminalizam os pais) depois de terem andado a inculcar-lhes às escondidas a ideia de precisarem de terapias hormonais e mutilações cirúrgicas e de os pais descobrirem e oporem-se. Em certas escolas nos EUA, o mero acto de um EE perguntar à escola onde vai pôr o seu filho de 4 anos se ensinam teoria de género basta para ser sinalizado na polícia. Este homem aqui a defender este totalitarismo ideológico de ter miúdos recém-formados (ou não) 'especialistas' a poder decidir por cima dos pais sobre o interesse dos filhos é um professor de Yale. As grandes universidades de referência do mundo transformaram-se em madrassas ideológicas, sobretudo as de Humanidades. Quem tem dinheiro e possa fundar universidades que se dediquem ao desenvolvimento do conhecimento, do engenho e do espírito humano, em vez de se esgotarem em activismos políticos totalitários de intenção de fractura social, que o faça antes que seja tarde demais.
A Yale law professor says the insane part out loud.
— The DarkHorse Podcast (@thedarkhorsepod) August 6, 2026
HEYING: "Let me just say that last line again. This is from Yale law professor Samuel Moyn.
'Part of our goal as a society is trying to make sure that children aren't the hostages of their parents as much as we rely on… pic.twitter.com/NbYjAaTK3U
Quando um ministro (podia ser outra figura política) é promovido nos círculos internos políticos e da administração pública, a génio da lâmpada, cria-se uma aura à sua volta que funciona como bloqueio dos factos, por mais óbvios que sejam e lhes batam na cara. Esses círculos onde essas pessoas vivem em circuito fechado impermeável à realidade, alimentam o ego umas das outras de tal modo que o seu discurso, que antes, quando estavam na oposição era lúcido, vira-se do avesso e passa a atribuir os falhanços a críticas maldosas, a desinformação, má fé, imprensa negativa, povo burro, etc.
Costa, antes de promover alguém desconhecido a ministro ou SE mandava publicar no jornal do costume um artigo de página inteira a fazer a apologia da genialidade dessa pessoa, para que se criasse uma aura em volta dela, amortecedora dos estragos que viesse a fazer. Uma espécie de Jesus revestido de luz que encandeia os olhos.
O problema dessa estratégia está em que as pessoas comuns vivem na realidade das consequências das decisões políticas onde nenhuma aura resplandecente resiste aos estragos derivados da incompetência. Mas como essas pessoas vivem em círculos que escapam à realidade, as consequências das más decisões passam-lhes ao lado. Têm sempre o posto dourado, o cargo na Europa, o lugar de administrador não executivo, etc. (é por isso que também não partilho da opinião de que os políticos ganham mal)
Este ME tem essa aura dentro do governo e satélites, talvez por ter um doutoramento feito em Inglaterra que é algo que impressiona sempre os nativos. A narrativa sobre a sua genialidade é de tal ordem que ninguém acredita, nem face aos factos mais óbvios, que ele possa ter agido mal e uns dizem que é invenção, outros exagero, outros chegam ao ponto de falar em sabotagem.
Apesar de saberem desde o início, calculo, que o ME é uma pessoa sem nenhum crédito na educação e que a sua formação e interesses são na economia e macroeconomia. Não obstante esse facto, como fazem parte da maioria que assume que quem é bom numa coisa é bom nas outras, depositaram nele fé cega. Dado ele ver que tem a fé e boa opinião de tantos que ocupam cargos importantes, naturalmente também se há-de pensar melhor que os outros em tudo, mesmo naquilo de que não sabe.
De cada vez que o ouço falar de questões pedagógicas reforço mais esta opinião. A última vez que o ouvi repetia que estas classificações são mais objectivas (quando na verdade só são mais uniformes - a uniformidade não a mesma coisa que a objectividade) e dizia com orgulho, à laia de exemplo, que agora há muitas classificações de 9,3 e 9,4 porque os professores já não têm acesso à totalidade do exame. É assim que vemos que ele não percebe de questões pedagógicas escolares.
Vemos perfeitamente que no seu entendimento de leigo, um professor que sobe uma nota de 9,4 para 9,5 (para o aluno poder passar) é subjectivo e agora que o professor não tem acesso à nota final do aluno (uma vez que classifica apenas um item) não pode subir essa décima e isso é uma prova de independência e objectividade. Não é. É antes uma demonstração de falta de compreensão básica do carácter pedagógico da avaliação.
Os professores subirem uma nota de 9,4 ou 9,3 para 9,5 (o número é arredondado para 10 e permite ao aluno passar) abona a favor da inteligência pedagógica do professor.
Nenhuma classificação é absolutamente objectiva. Nenhuma. Nem mesmo em disciplinas como a matemática. Há sempre uma margem para interpretação que é subjectiva. Na Filosofia leccionamos a Lógica Proposicional (que até há uma dezena de anos era trabalhada na Matemática). Temos a noção ainda mais clara de que, mesmo nessa matéria onde os problemas são abordados em linguagem formal e resolvidos com recurso a fórmulas (ex: p →q; ¬q ∴¬p) há sempre lugar a interpretação, embora muito menor que nas respostas escritas, abertas, de argumentação informal. Qualquer professor sabe que não existe isso da nota ser objectiva e absolutamente 9,4 e, nessa medida, não vai estupidamente defender o 9,4 em duelo mortal quando o que está em causa não é uma nota entre muitas outras com as quais vai fazer média, mas uma nota final que decide a passagem ou reprovação do aluno. Isto é ser pedagógico e é óbvio para qualquer professor. Não é é para o ME.
Quando as pessoas se movem em círculos onde todos têm uma opinião tão excelente de si e a reforçam continuamente, deixam de ser capazes de lidar com os próprios factos e a sua relação com eles.
Fora desses circuitos fechados, há os que entendem a política como um clube da bola que apoiam ou atacam desde a bancada. Colegas meus que são do PS, do PCP e do BE, desde que este ministro ocupou a pasta, falam dele como se fosse o demónio; os do PSD e mais à direita falam como se ele fosse o cúmulo da genialidade e não viram em toda esta incompetência dos exames mais que um erro ou outro exagerado.
É impressionante ver os factos crescerem a tamanhos de adamastor ou sumirem como fantasmas à medida da ideologia de cada um.
A dizer que garante que tudo está a correr às mil maravilhas. Vai pagar aos professores classificadores 1 euro por correcção o que significa um pagamento de 4 euros à hora, mais coisa menos coisa. Os professores estão doidos de alegria. É justíssimo e vale bem a pena perder dias de férias e encher-se de stress para arcar com as culpas da incompetência bárbara que foram os exames da 1ª fase.
Entretanto, professores reportam erros na 2.ª fase, ministério garante que não se confirmam. Portanto, ministro garante que é mentira e agora quer um tempo curto para as classificações de prova que é como quem diz: mete aí uma porcaria de uma nota para despachamos esta merde.
Tudo em nome do rigor, da qualidade e do interesse dos alunos, claro.
De facto, isto vai de vento em popa! Para o abismo.
Exames: professores reportam erros na 2.ª fase, ministério garante que não se confirmam
Na plataforma onde estão a ser avaliados os exames feitos pelos alunos na 2.ª fase das provas nacionais, que decorreu na semana passada, há docentes a reportar "falta de folhas de continuação" e "problemas na digitalização". Outros queixam-se de estar a receber novas levas de provas, quando lhes tinha sido prometido que desta vez saberiam com o que contar. "Neste momento é impossível dizermos que decorre normalmente, os problemas são muito semelhantes aos da 1.ª fase [dos exames nacionais], ainda que em menor número", diz Cristina Mota, porta-voz do movimento Missão Escola Pública.
Já a Federação Nacional de Professores (Fenprof) emitiu um comunicado indignando-se com as orientações que estão a ser recebidas por alguns docentes. "Depois de centenas de professores terem assegurado, em condições extremamente difíceis, a classificação da 1.ª fase, surgem agora orientações que determinam que, se um classificador não registar classificações num determinado período de tempo, as provas lhe sejam retiradas e redistribuídas."
www.publico.pt
Procuro activamente vídeos de professores que por esse mundo fora desenvolveram estratégias didácticas que resultam e estratégias pedagógicas eficazes para lidar com o mau comportamento de alunos. Quase sempre me surpreendo pela negativa em relação a estes últimos.
Há muitos professores com vídeos a criticar outros professores e métodos e a falar como se fossem diferentes, não sendo. O que dizem não passa de conversa inconsequente.
Este aqui do vídeo responde a uma pergunta sobre como recompensa e pune alunos que cumprem, ou não, a ordem de guardar os telemóveis num sítio qualquer combinado durante a aula. Ele começa por dizer que não pune alunos e acaba a dizer, com um ar de quem evoluiu para um patamar acima dos outros, que os professores devem motivar os alunos em vez de punir - aliás é o título do vídeo.
A seguir diz o que faz quando há alunos que se recusam a guardar o telemóvel no sítio ou mentem dizendo que o fizeram sem tê-lo feito.
Primeiro, diz ele, dá o exemplo e ele mesmo guarda o seu telemóvel - isso é o básico e todos o fazem...- depois convida os alunos a irem lá pôr o telemóvel. Se não forem, ele mostra que esse comportamento tem consequências. Como? Liga aos pais e reportar o sucedido. !! Hello?? O que é isso senão uma punição? É óbvio que ele sabe que um professor ligar aos pais a fazer queixa é entendido pelo aluno como uma punição, porque é isso mesmo e na maior parte das vezes esse aluno vai ser punido pelos pais. Portanto, quando ele diz que não pune alunos, o que ele quer dizer é que transfere a responsabilidade da punição para outros, neste caso os pais.
E o que acontece se os pais responderem que o professor é que está errado e que o filho tem o direito de ter o telemóvel consigo? Nos dias de hoje isso acontece muito. O que faz ele? Não diz. Nem considera a possibilidade.
Isto, ou é falta de entendimento ou falta de honestidade intelectual.
Dos milhares de vídeos que vejo, há imensos professores com contas nas redes sociais que adoptam este tom de superioridade de quem descobriu a pólvora ou alguma fórmula mágica que os outros ainda não encontraram, e até criticam os outros professores, mas depois quando vamos ver a sua alternativa, é a mesma coisa só que dito de outra maneira para parecer diferente.
No entanto, estes vídeos, sendo vistos por muita gente que não é professor mas é encarregado de educação ou é alguém define políticas de educação mas não sabe pensar e não sabe nada de educação escolar, leva a que muitos tenham opinião de que há professores que descobriram a pólvora dos alunos, uma espécie de chave universal de lidar com todos os alunos e que isso é possível. Não é.
Talvez seja possível enquanto são crianças, se não tiverem nenhum problema ou patologia - talvez este professor trabalhe com alunos de 10 ou 12 anos, ainda muito editáveis.
Há sempre alunos que saem da norma e nenhum vêm com uma etiqueta com a composição pormenorizada e instruções particulares de gestão e a composição da própria turma tem uma grande influência no seu comportamento geral. (no nosso país, o DT tem uma importância capital no comportamento da turma.)
Normalmente as turmas vêm com um par de alunos ou um trio com comportamentos problemáticos que resolvemos de vários modos, mas por vezes não são dois ou três mas dez ou doze e isso torna o problema muito complicado de resolver, não só pelo número de alunos mas também porque entre esses dez ou doze, há situações diferentes.
Até podem ser apenas dois alunos numa turma, mas nesses dois, um tem um transtorno de impulsividade explosiva e outro é um delinquente com cadastro na polícia por crimes cometidos. Não são pessoas que se possam controlar com telefonemas aos pais - que às vezes são como eles - ou com motivação de convidá-los a fazer isto e aquilo.
Alguns alunos, aos 15 ou 16 anos têm já o (mau)carácter formado (isso vê-se nas atitudes e comportamentos) e só conseguimos geri-los, mais ou menos, porque são muito novos e ainda lhes falta a experiência de vida para saberem disfarçar, ainda são transparentes aos olhos de um adulto com treino, mas dificilmente são já editáveis. Talvez um dia se lhes acontecer qualquer coisa com um tremendo impacto na sua vida que os abale internamente. Outros nem mesmo assim porque vêm com transtornos mentais permanentes ou desenvolvem-nos diante dos nossos olhos, por essas idades dos 15, 16 e 17 anos e no processo de os desenvolverem causam grandes problemas na turma.
Por conseguinte, não há uma fórmula mágica de lidar com alunos e turmas problemáticas. Temos estratégias que desenvolvemos ao longo dos anos, mas que depois têm de ser ajustadas a cada situação particular e mesmo se não somos a favor de educar por punições, há alunos que só respondem com a punição de fazer queixa aos pais ou de ter um processo disciplinar, por causa da reação dos pais.
Certos vídeos supostamente diferentes na abordagem pedagógica são muita conversa e pouca seriedade.
Ouvi há pouco nas notícias um excerto da entrevista que o ME deu ontem a um canal de TV, a que não assisti. Ouvi-o dizer que a digitalização dos exames vai trazer grandes benefícios ao processo educativo e ser muito melhor para os alunos e que aliás estão a seguir o que se faz em outros países.
O ME continua a proferir estas máximas sem nunca as fundamentar e calculo que o entrevistador não lhe pediu para explicar que benefícios pedagógicos para os alunos e para o processo educativo são esses que declara como se fossem axiomas. E também, desde quando estar a seguir outros é um argumento a favor seja do que for, nomeadamente no que respeita à educação que está numa crise muito grave em todo o mundo ocidental?
Ninguém é contra a digitalização de certos processos no ensino -dependendo que como são pensados e executados- mas também ninguém, a não ser mesmo quem está por de fora do que são os processos educativos, diz deste modo taxativo e dogmático sem lugar a discussão, que a digitalização é um benefício pedagógico para os alunos.
Pessoalmente não reconheço seriedade neste modo de apresentar soluções, nem vontade de tirar a educação da crise em que se encontra, na medida em que recusa a discussão das bases de um projecto que a afecta. Tudo na educação leva muito tempo a dar frutos: o que se faz hoje só daqui a 20 anos dará resultado, que pode ser positivo ou negativo. É por isso que é necessário ter muito cuidado com as reformas que se fazem. O ME nem sequer é um especialista em educação, é um especialista em economia e macroeconomia. De onde lhe vêem estas certezas absolutas sobre os processos educativos, sobre a pedagogia educativa? (passe o pleonasmo)
Há comentadores que andam por aí a difundir a ideia de que houve uma greve às avaliações. Pois houve... em 2018. Já lá vão 8 anos. E antes disso houve uma em 2008. Querem dar a entender que o problema são meia dúzia de professores quem é responsável por este circo dos exames.
Querem tanto dizer mal dos professores que vão buscar notícias antigas para confundir.
Outros dizem que houve 500 professores convocados que não classificaram nenhuma prova enquanto havia professores a querer classificar e ninguém os chamou. As pessoas não estão por dentro de nenhum procedimento mas não se coíbem de dizer disparates. No terceiro período escolar os agrupamentos pedem às escolas que enviem a lista de todos os docentes que estão em condições de poder classificar exames. A lista está ordenada segundo certos critérios: os que fizeram uma formação especial de dois anos por ordem do IAVE, os que nesse ano específico estão a leccionar anos de exame, etc. Depois, cabe aos agrupamentos de exame chamar o número de professores necessários face ao número de exames. Assim, podem ter sido postos na lista 60 professores de Literatura mas serem chamados apenas 20. Os outros mantêm-se como uma reserva e podem ser chamados, porque os primeiros da lista a serem chamados, podem não poder fazer o serviço, por diversas razões. Portanto, é falsa a ideia que querem fazer passar, segundo a qual 500 professores maus se recusaram a trabalhar e havias uns bons que queriam trabalhar.
Houve professores que se recusaram a classificar respostas a que faltavam as folhas de continuação porque sabem que isso não é um trabalho de rigor e redunda em prejuízo para os alunos em causa. Portanto, não é verdade que os professores resistam à tecnologia ou à reforma, o que é verdade é que resistiram a um trabalho aldrabado.
Querem tanto dizer mal dos professores que inventam as coisas mais estapafúrdias.
De facto, enterrar a escola pública é uma missão de muito que andam nos governos, nas universidades e em outras organizações. Têm poder ou estão ligados ao poder e têm tido sucesso.
Continuem assim que vão bem.
The past is becoming a foreign language pic.twitter.com/DrJQvKtiSG
— The War on Beauty (@thewaronbeauty) July 15, 2026
Luís Montenegro reconhece que o processo de digitalização e posterior correção é complexo e difícil, mas diz que há professores que estão contra esta mudança e estão a criar todo este clima que está a perturbar o processo.
Ensinemos a curiosidade
Pedro Norton
E a boa notícia é esta: a curiosidade não é um dom. Por mais extraordinários que pareçam ser (e foram) Plínio ou Diderot, o vírus da curiosidade não lhes foi inculcado à nascença. Não sei se o esforço foi deliberado ou se lhes bastou, como tantas vezes basta, sentir a alegria contagiosa da curiosidade de um pai, de um professor ou de um avô. Mas sei – até porque sei o muito que devo ao meu próprio pai – que a curiosidade de que fizeram prova terá sido fruto de um paciente ensinamento. Que é, aliás, o mais gratificante e o mais valioso de todos os ensinamentos. Precisamente porque abre caminho a todos os demais ensinamentos.
6. Numa altura em que a escola parece por vezes perdida num labirinto burocrático e processual, numa altura em que, malgrado os esforços bem-intencionados de muitos, parece bloqueada por forças contraditórias que se anulam e ameaçam fazer perder o sentido último do seu propósito, talvez não seja má ideia regressar a esta ideia simples: ensinemos a curiosidade.
(...)
A história desta crise não começou este ano.
Em 2025, o exame de Filosofia serviu de projeto-piloto para a classificação digital. Os professores classificadores relataram inúmeros problemas: itens trocados, folhas de continuação desaparecidas, digitalizações incorretas, respostas que apareciam e desapareciam do ecrã e outras anomalias difíceis de compreender num sistema destinado a suportar um processo crítico. A principal conclusão parecia evidente: antes de generalizar o modelo, seria necessário um extenso trabalho de correção, validação e teste.
Importa também desfazer um equívoco que marcou o debate público.
O problema não foi político. Foi técnico.
A tecnologia falha. Sempre falhou e continuará a falhar.
(...)
Apesar de tudo, continuo otimista.
Portugal dispõe de excelentes engenheiros, excelentes especialistas em avaliação educacional e excelentes professores. Não falta competência ao país; faltou, desta vez, a capacidade de a mobilizar no momento certo. Os cargos distribuídos pelos boys do sistema pagam-se caro, sobretudo nos momentos de crise.João Marôco, https://www.publico.pt/
E depois tentam atirar as culpas para cima de outros. É inútil porque as perguntas dos classificadores e as respostas dos supervisores estão gravadas e calculo que os classificadores, dada esta enorme barraca e tentativa de sacudir a água do capote, façam print screen de todas as trocas de mensagens.
EDUQA "COLOCOU EM CAUSA" A "CREDIBILIDADE" DE PROFESSORES
Na semana passada, tal como alertou o MEP, alguns docentes foram orientados a classificar respostas incompletas com as informações que tinham, caso não lhes fosse entregues as folhas de continuação até dia 14. Num fórum da plataforma, um supervisor pediu aos professores que aguardassem o envio das páginas em falta. Porém, acrescentou que, se isso não acontecesse até “ao fim do processo”, os docentes teriam de “classificar [as perguntas dos exames] com os dados" de que dispõem. Noutro caso, um supervisor deixou uma resposta idêntica, depois de um docente questionar, no fórum da plataforma, o que deveria fazer caso as folhas de continuação não aparecessem: "Deve aguardar a colocação da folha em falta. Se, por alguma razão, isso não acontecer, deverá classificá-la com os elementos que lá constam para poder concluir o processo".
Este sábado, o EduQa - Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação negou a denúncia feita pelo MEP, afirmando que "as orientações emitidas" pelo Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (Eduqa) e pelo Júri Nacional de Exames (JNE) "não contemplam a situação descrita" pelo movimento.
Consequentemente, o MEP decidiu responder às declarações do EduQa, este domingo, e tornar públicas as mensagens partilhadas pelos supervisores com os professores. De acordo com o movimento, o comunicado do EduQa evita responder à questão que esteve na origem da denúncia do MEP. “Porque motivo nada refere sobre as indicações transmitidas aos classificadores de que, caso as folhas de continuação não fossem disponibilizadas até ao final do processo de classificação, deveriam classificar os itens apenas com a informação disponível?”, aponta o documento partilhado com as redações.
De acordo com o comunicado do MEP, "ao permitir que fosse transmitida para a opinião pública a ideia de que a Missão Escola Pública divulgou informações falsas, quando existiam orientações escritas exatamente no sentido denunciado, o EduQa colocou injustamente em causa a credibilidade de um grupo de professores que, desde o primeiro dia, tem procurado contribuir para a transparência e para o rigor da avaliação externa".
O primeiro contrato do ME/IAVE para a digitalização de exames foi celebrado com a Blatstudio – MAF Serviços, Lda. (actualmente denominada Blat – Creative Powerhouse). O acordo foi formalizado em 2017, pelo valor de cerca de 30 mil euros, marcando a génese da relação contratual com o Estado para o desenvolvimento de plataformas de suporte e gestão de provas. (IA)
- 'alguém sabe de quem possa fazer um programa para digitalizar exames?'- sim, sim, sim! Tenho um primo que tem uma amiga que namora com fulano de tal que tem uma startup muito fixe - e são baratos'.- a sério? Ok, fala lá com o teu primo...
Fabian Figueiredo, https://www.publico.pt
Terceiro: remunerar extraordinariamente os professores que vão carregar essa vaga de reapreciações por agosto adentro; no secundário, hoje, classificam de graça.
E um pedido final, em nome da escola pública: parem. Não espalhem mais confusão. O país tem um problema gravíssimo de falta de professores, que este ano voltou a agravar-se; julho é o mês das matrículas, das turmas, da preparação do ano letivo, tudo agora em risco na cascata dos adiamentos. Não é o momento de mais experimentalismos: a revisão da carreira à pressa, o estatuto do diretor, novos modelos de gestão e educação inclusiva. Quem não conseguiu garantir a correção dos exames devia ter a humildade de não mudar tudo ao mesmo tempo.