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November 05, 2026

Como cativar professores para o ensino?


Agredir professores.


Dois feridos por explosão e jovem com AVC alarmam escola

Arremesso de engenho pirotécnico contra janela da Escola Secundária da Baixa da Banheira, Moita, feriu professor e aluna. Jovem de 16 anos hospitalizado, noutra ocorrência.

A Escola Secundária da Baixa da Banheira, situada no Vale da Amoreira, Moita, viveu momentos de alarme ao final da manhã desta quarta-feira. O rebentamento de um engenho pirotécnico causou ferimentos num professor e numa aluna. Noutra ocorrência distinta, um jovem de 16 anos, aluno do mesmo estabelecimento de ensino, teve de ser transportado de urgência para o Hospital do Barreiro, com sintomas de um Acidente Vascular Cerebral (AVC).

As duas situações tiveram lugar quase em simultâneo. PSP, e meios dos bombeiros do Sul e Sueste, Barreiro, foram mobilizados para a escola depois de um grupo de alunos do oitavo ano terem arremessado o engenho pirotécnico contra a janela de uma sala. O ataque fez com que os vidros das janelas estilhaçassem. Um professor sofreu ferimentos numa mão, e uma aluna de 16 anos, por queixas nas costas e ouvidos (estava sentada junto à janela), teve também de receber apoio médico. Ambos seguiram para o Hospital do Barreiro.
O corpo de bombeiros do Barreiro destacado para a situação, teve de empenhar uma terceira ambulância. Desta feita, noutro ponto da escola, foi necessário dar apoio a um rapaz de 16 anos, aluno, que tinha sintomas de AVC. Foi para a mesma unidade hospitalar, a inspirar alguns cuidados.

Devido às ocorrências, a escola teve de encerrar durante a tarde.

CM

Isto não é mentira

 


«O objetivo não é ter mais informação, mas sim compreender melhor.» — Arthur C. Clarke




Ao contrário do que pensam os alunos, a maioria dos pais e os governantes, o acesso das crianças e jovens à internet não tornou os alunos mais inteligentes e tornou o ensino extremamente difícil. E não falo apenas dos malefícios psicológicos e relacionais das redes sociais, nem dos efeitos devastadores do consumo de pornografia ou da dependência de estarem sempre entretidos com excesso de imagens em velocidade e sons ruidosos. Falo do acesso a catadupas de informação errada.

Antes dos telemóveis com as redes sociais invadirem as vidas e as mentes de todos, os alunos vinham menos informados. Para terem acesso a informação sobre os avanços espaciais e a dinâmica dos planetas, por exemplo, teriam de chegar ao secundário ou, até, à universidade. Agora já viram imagens simuladas do funcionamento da mecânica e dinâmica celestes aos 5 anos de idade. 

O efeito perverso desse tsunami de informação que se abate sobre eles desde que lhes põem um telemóvel ou um tablet nas mãos, que é quase desde que nascem, com acesso à internet, está em que têm a sua caixa de correio mental atafulhada de falsas informações que carregam como verdade insofismáveis. E como os pais também confundem o excesso de informação com sabedoria e inteligência, constantemente reforçam essa ideia de que não precisam de autoridades epistémicas, nomeadamente professores, porque têm acesso a todo o conhecimento "à distância de um clique."

Entre dois males é preferível um aluno chegar com ignorância do que chegar com falsos conhecimentos já sedimentados. Porque a ignorância não é um mal em si e resolve-se com aprendizagem, mas os falsos conhecimentos já sedimentados são extremamente difíceis de desincrustar e é isso que tem de fazer-se antes de se poder construir seja o que for. Não só é extremamente difícil como eles resistem a abrir mão desses falsos conhecimentos. E chegam às aulas atafulhados de absurdidades e excesso de auto-confiança na certeza desses absurdos.

Para além de não pensarem, não saberem pensar e não saberem que não sabem pensar, vivem imersos no mundo da materialidade consumista. Vêem-se, não como produtores de cultura e de mundo, mas como consumidores do mundo e, desde logo, como consumidores de direitos. Como consumidores de direitos que pensam ser, vêem-se como clientes e aos outros todos como servidores dos seus direitos.

Uma frase que agora dizem muito é: 'não pedi para nascer e obrigam-me a vir à escola e eu venho mas não tenho que fazer nada. Os professores é que têm de tornar as aulas divertidas, fazer com que eu me interesse pelas matérias e explicar-me tudo o que não sei."

A maioria dos alunos actuais não tem respeito nem valoriza o conhecimento pela razão de o pensarem como algo que está ali à sua disposição, na internet, sem custos. Se não custa dinheiro é porque não tem valor. 

Uma, cada vez maior, percentagem de alunos, não percebe porque tem de ir à escola, a não ser para disciplinas como a matemática ou a física que não conseguem perceber sozinhos. Tudo o resto, pensam que já têm em quantidade suficiente e de fácil acesso na internet. "Mas eu vi na internet" é agora a resposta mais comum sempre que lhes dizemos, a propósito de qualquer absurdo que dizem, "isso é falso." Ou então, a propósito de algo que dizemos, 'já sabia isso, vi numa janela que se abriu no Tik Tok.'

O objectivo da aprendizagem, do conhecimento, não é ter mais informação per si, mas sim compreender melhor. Porém, cada vez mais alunos, quando chegam às minhas aulas já vêem adulterados com excesso de informação inútil e falsa que processaram como conhecimentos.

O conhecimento não é um direito. O acesso ao conhecimento, sim, é um direito. Daí a escola. No entanto, o acesso ao conhecimento não é uma garantia de conhecimento porque os conhecimentos não se 'dão', constroem-se. Exigem do aluno curiosidade, disponibilidade mental para caminhar em novos sentidos que requerem esforço mental, perseverança, capacidade de lidar com obstáculos, disciplina, respeito pelo conhecimento. Quem pensa que já sabe tudo não vai aprender nada.

Estive a ler por alto o novo documento da Educação Inclusiva. Em lado algum vi a palavra 'dever'. Só direitos. As obrigações são todas dos professores e da escola, algumas dos EE. Talvez as pessoas pensem que aquelas medida de inclusão se dirigem a alunos com problemas como autismo e outros problemas graves. Não, esses são 1 ou 2. 

Nos dias de hoje quase todos os alunos têm medidas de inclusão se quiserem e o número cresce tão depressa que há turmas do básico onde quase todos as têm. Há uma pressão muito grande da escola (há equipas para essas medidas a quem isso interessa) e dos pais para pôr os alunos com medidas de inclusão porque essas medidas resultam em os filhos terem condições especiais de facilidade. Assim, é muito comum alunos que não se interessam pelo estudo ou até que têm mau comportamento terem medidas de inclusão e, dessa maneira, terem interiorizado a ideia de que a escola lhes deve tudo e piorarem o seu comportamento de estudantes porque têm essa auto-desculpa de dizer que têm medidas e portanto, devemos ter uma paciência especial com eles.

Como diz aquele estudo da Universidade de Harvard, Leveled Reading, Leveled Lives: How Students' Reading Achievement Has Been Held Back and What We Can Do About It, diferenciar os alunos por baixo, na aprendizagem da língua, na prática, pô-los a aprender textos mais fáceis (medidas de inclusão baseadas na ideia de que cada aluno tem a sua maneira de aprender) tem prejudicado o desempenho em literacia nas escolas dos EUA ao longo de cinco décadas.

O documento da inclusão começa logo por dizer que todos os alunos têm capacidades de aprendizagem. Sim, é verdade, mas não é verdade que todos tenham as mesmas capacidades e que as tenham para tudo e que a equidade seja serem todos iguais. Porém, é isso que dão a entender no documento e é isso que os alunos e os pais absorvem. Não é a realidade. 

Nos extremos, há alunos com enorme talento natural para certas disciplinas, como a matemática ou a língua ou o desenho ou a atração e compreensão dos fenómenos da natureza ou o desporto ou a mecânica ou a filosofia, etc. e há alunos que não têm nenhum talento para uma dessa disciplinas ou várias. É claro que os alunos que não têm nenhum talento para uma certa área do saber e da vida também têm capacidade (maior ou menor) de aprendê-la, mas isso já não depende apenas do professor, da escola ou de medidas especiais, embora no início, na escola primária, dependa muito - daí a importância fundamental da qualidade dos professores primários. Vai depender do trabalho e esforço que o próprio aluno puser no desenvolvimento das suas capacidades à medida que cresce.

Ora, se desde sempre dizem aos alunos que todos podem ser tudo o que quiserem (aquela frase vazia que repetem à exaustão a Liberdade de Ser) e que a educação e o conhecimento são direitos sem nenhum dever ou esforço, é isso que eles interiorizam e depois exigem.

Apenas um exemplo ilustrativo. Há poucos anos um pai cujo filho tinha notas negativas e trabalhava zero para melhorar e até faltava aos apoios, no fim da reunião de EE do 3º período, veio ter comigo e disse, 'Bem, com estas notas (negativas em todas as disciplinas específicas e nas outras pouco melhor) se calhar é difícil o S. ir para medicina, não? É que ele queria muito'. Se fosse há uma dúzia de anos ficava sem palavras mas agora já me habituei a estas absurdidades. Disse-lhe que para ir para um curso de medicina é preciso ter médias de 18, pelo menos, e depois ir aos exames tirar 18, pelo menos. Resposta: 'Pois. Então se calhar terá de escolher uma engenharia'. Como se os cursos de engenharia fossem para alunos com negativa a matemática, física... Estamos nisto. E o que vejo é que vem aí mais do mesmo. 

Não tenho dúvida que a época áurea do conhecimento e do florescimento das ciências no Ocidente já passou. A ideia de que «o objetivo não é ter mais informação, mas sim compreender melhor» já passou.

November 03, 2026

Timothy Shanahan, «Leveled Reading»



Não só concordo com ele como me apraz verificar que o trabalho e o método que ele propõe (uma hermenêutica do texto) é o que pratico com os alunos há mais de 30 anos. E antes de o fazer faço uma propedêutica. Os alunos não gostam, ao início, porque vêm habituados a imagens, PPs, gamificação do ensino, vídeos que explicam para não terem que pensar, etc. e porque sentem reais dificuldades. Como diz, com piada, uma colega de francês, os alunos agora têm um português de sobrevivência - mas, na verdade, ainda é abaixo disso. Dado que não há pensamento sem linguagem, o pensamento deles é pobre, simplista e ilógico como a sua linguagem. No entanto, quando as turmas são, pelos menos, razoáveis, em termos de potencial, acabam por perceber que tiram proveito desse trabalho de agricultura do texto, do rigor da análise e da sua complexidade. Também estou de acordo em que a diferenciação dos alunos seja feita, não na aula -nem é possível, como todos os que são professores o sabem- mas nos apoios. Em tempos fazíamos isso com muito sucesso, mas depois o sr. Crato transformou os apoios lectivos em horas não lectivas para sobrecarregar os professores de trabalho ("façam mais com menos") e estragou completamente essa valência. O ideal seria ter em certas aulas de exercícios, um ou dois professores extra na sala de aula para fazerem esse apoio in loco, na hora. Agora nem há professores para apoios. A ideia de que cada aluno aprende de maneira diferente não corresponde às evidências. O que acontece é que cada aluno chega à turma numa situação diferente. Uns vêm muito bem preparados, são pessoas a quem desenvolveram a curiosidade e o sentido do esforço; entre esses e os que chegam ao 10º ano ao nível do 5º, há toda uma miríade de situações, porque a maioria nem sequer chega nas mesmas condições nas várias disciplinas. 
Enfim, a ideia deste livro é contra-intuitiva mas bate certo com aquilo que observo nas aulas. É preciso voltar a acreditar que os alunos são capazes de muito mais do que a comida de bebé que lhes dão os novos 'pedabobos', como dizia S. Castilho e voltar a valorizar o trabalho, o esforço e a responsabilidade.


Leveled Reading, Leveled Lives: How Students' Reading Achievement Has Been Held Back and What We Can Do About It

Um livro escrito pelo especialista em literacia Timothy Shanahan e publicado pela Harvard Education Press. 
Ganhou o Prémio PROSE de 2026 na categoria de Teoria e Prática da Educação.

Premissa Central

• Crítica à Teoria do Nível de Instrução: Shanahan defende que atribuir aos alunos com dificuldades, textos abaixo do nível da sua série («leitura nivelada») tem, discretamente, prejudicado o desempenho em literacia nas escolas dos EUA ao longo de cinco décadas.

• Falhas fundamentais: Shanahan sintetiza estudos históricos e de investigação que demonstram que os critérios tradicionais para atribuir aos alunos, de forma estrita, os seus níveis de leitura «independentes» ou «de instrução» assentam em evidências fracas e sem fundamento.

• Ineficiência: Reduzir a dificuldade dos textos para os alunos que lêem abaixo do nível da sua série deixa-os ainda mais para trás, em vez de os ajudar a recuperar o atraso e a cada ano que passa o seu atraso cresce.

Solução proposta

• Ensino ao nível da série: Defende o ensino aos alunos utilizando textos adequados ao nível da série.

• Apoio estruturado: Fornece orientações práticas aos professores sobre como apoiar os alunos na leitura de materiais complexos.

• Componentes-chave: Enfatiza o ensino explícito da descodificação, a compreensão da linguagem e a manutenção da motivação dos alunos.

Exemplos de estratégias para a sala de aula:

• Utilize textos adequados ao nível escolar (ou até mais exigentes) para todos os alunos: em vez de segregar os alunos em livros de nível inferior, faça com que toda a turma se envolva com textos rigorosos, adequados ao nível escolar ou mesmo ligeiramente superiores (até dois anos acima do nível). Mude o foco de procurar livros «fáceis» para proporcionar um apoio pedagógico sólido.

• Aborde antecipadamente as dificuldades do texto (não o livro na íntegra): analise o texto com antecedência para identificar os principais obstáculos linguísticos, conceptuais ou de vocabulário. Ensine antecipadamente apenas as palavras ou conceitos essenciais desconhecidos que não sejam facilmente compreendidos pelo contexto, em vez de resumir ou ler o texto em voz alta para os alunos, para que estes não tenham de o fazer.

• Implemente a releitura com objetivos específicos: oriente os alunos através de várias leituras da mesma passagem complexa, com objectivos distintos e dependentes do texto em cada ocasião (por exemplo, a primeira leitura para captar o sentido geral ou mapear a estrutura; as leituras subsequentes para análise aprofundada, acompanhamento do raciocínio ou análise sintática).

• Proporcione prática prévia de fluência oral: para alunos cujo nível de leitura está vários anos abaixo do nível da turma, ofereça prática específica de fluência oral antes de iniciar o trabalho de compreensão com toda a turma. Isto reduz a dificuldade na leitura das palavras, para que possam lidar com sintaxe e ideias complexas.

• Analisar explicitamente a sintaxe e as frases complexas: em vez de atribuir estratégias genéricas de compreensão de leitura (como fazer previsões aleatórias ou visualizar), ensine os alunos a desvendar frases longas e complexas, orações densas e estruturas de discurso académico encontradas na literatura real e em textos informativos.

• Diferenciar através do apoio, não do currículo: mantenha o texto comum e de alto nível para todos e diferencie o nível de ajuda que presta. Ofereça orientação mais próxima e prática, intervenção em pequenos grupos ou questionamento orientado aos alunos que precisam de um apoio, ao mesmo tempo que se afasta gradualmente à medida que a competência deles aumenta.

• Reenquadre a dificuldade como um desafio alcançável: motive os alunos, apresentando textos difíceis como um quebra-cabeças ou um objectivo que podem conquistar com o apoio do professor, rejeitando a ideia de que o atrito cognitivo moderado ou a frustração devem ser evitados a todo o custo.

October 22, 2026

Provas de 4º e 6º ano com resultados assustadores no português



Educação para os mínimos, influência dos telemóveis no desenvolvimento da língua e do pensamento, vitimização dos alunos com o consequente mau comportamento, escolas sem professores e sem condições, milhares de alunos estrangeiros que mal falam o português.


Alunos do 4.º e 6.º ano com resultados "horríveis" na produção de textos

Resultados das Provas ModA revelam problemas graves a Português, na compreensão e na escrita. Professora fala em resultados "assustadores".
CM

Os alunos portugueses do 4.º e 6.º ano têm muitas dificuldades na compreensão e produção de textos em Português e também no raciocínio e resolução de problemas de Matemática, revelam os resultados da Provas de Monitorização da Aprendizagem (ModA) de 2026, realizadas em abril. 

Os piores resultados são na produção de textos dos alunos do 6.º ano, cuja média continua a ser negativa, apesar de ter subido de 45 para 47,9. Também na compreensão de textos a média é negativa, tendo descido de 51,4 para 49,5. No 4.º ano, a média na compreensão de textos desceu de 53,7 para 51,8 e a produção subiu de 47,4 para 50,0.

 Maria do Carmo Oliveira, da Associação de Professores de Português, classifica os resultados como "horríveis" e "absolutamente assustadores".

"Isto é o resultado de uma política de ensino em que os alunos são educados com documentos orientadores minimalistas, as Aprendizagens Essenciais, e sofrem uma influência crescente das tecnologias, o que lhes retira competências para aprendizagens mais tradicionais, pelo que percebem pior e produzem pior", analisa Maria do Carmo Oliveira, da Associação de Professores de Português, que acrescenta ao problema "a influência de muitos alunos brasileiros e dos Palop, para quem a escola é muito castigadora, que têm de fazer as mesmas provas e não conseguem compreender como os alunos portugueses".

A docente não vê perspetivas de melhorias. “A compreensão de textos é essencial para a cidadania ativa, para não serem manipulados. Mas se não conseguem aos 11 anos acha que vão conseguir aos 17? Os resultados do PISA já mostraram que os alunos têm um atraso de um ano e meio em competências de leitura. Isto não vai melhorar porque as escolas não têm recursos, não encontram soluções, e os alunos estão perdidos”, destaca Maria do Carmo Oliveira, acrescentando: “Estas aprendizagens têm que se trabalhar também em casa, na escola está muito difícil. Os alunos são muito complicados, a capacidade de foco e atenção é limitadíssima, não querem fazer porque o que os rege é o hedonismo, o prazer, não se querem sacrificar”.


October 11, 2026

EUA - um aluno de 6 anos dá um tiro na professora e chama palavrões a outra

 

A mãe diz que é por causa do défice de atenção, o pai diz que a culpa é da professora ser branca. É racismo. Estes pais deviam ir presos e o filho internado numa instituição que o educasse a ser um ser humano decente, antes de poder voltar a frequentar uma escola.

Ser professor é, cada vez mais, uma profissão de risco, físico e mental. Nos EUA também não há professores. Quem quer lidar com os filhos destes pais, arriscar-se a ir parar ao hospital ou à morgue ou a consultas de psiquiatria para o resto da vida?

Isto é consequência da desconstrução do saber, das destruição das autoridades epistémicas, da autoridade dos professores às mãos de governos e pedabobos, como dizia o saudoso Santana Castilho, da ascensão ao poder de pessoas ignorantes, incompetentes e insignificantes.

October 09, 2026

Lamento mas os pais também são culpados desta situação



Alunos dispersos por vários anos, turmas de 30 alunos, diretores a dar aulas: escolas do 1º ciclo sem professores improvisam soluções

Pais estão preocupados e alertam para desigualdades

Expresso

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Não sei porque é que os pais, depois de 20 anos a dinamitar professores de todas as maneiras e feitios, em tudo quanto é sítio, desde as escolas aos jornais e TVs, esperavam que houvesse muita gente a querer ser professor. 


October 02, 2026

Toda a gente desapoia os professores

 

As escolas existem para a formação e instrução dos alunos em processos de aprendizagem. Quem desenvolve esse trabalho com os aluno são os professores. Por essa razão, tudo o que se faz nas escolas deve convergir para apoiar os professores nesse objectivo de formar e instruir os alunos em processos de aprendizagem. Exigir responsabilidade aos professores, mas perceber que o trabalho é apoiar os professores no seu trabalho com os alunos e não miná-lo.

Ora, o que acontece é que toda a gente desapoia os professores: o ministério da tutela, os políticos em geral, a comunicação social, os pseudo-pedagogos das universidades de pedagogia que nunca puseram um pé numa escola a não ser como visitante ocasionais, as empresas privadas que querem canalizar os processos de instrução e aprendizagem, os opinadores de jornal e TV. 

E dentro das escolas é igual: apoiam-se por esta ordem, os alunos, o que está certo (com excepções como as que se vêem em França), os pais (por medo), os funcionários auxiliares e os funcionários administrativos. Os professores são desapoiados e todos interferem no seu trabalho e, dessa maneira, sabotam o seu trabalho: pais, pessoas em cargos das escolas, funcionários auxiliares e administrativos, o ME... os professores nem aparecem na lista dos apoiados: são vigiados, controlados, às vezes vilipendiados e por regra, desapoiados pra dar prioridade ao apoio a outros funcionários.

Um erro fatal e óbvio para quem trabalha nas escolas, que começou com a Lurdes Rodrigues e nunca mais foi travado.

Uma pessoa que trabalha há 40 anos como professora e vê as escolas falharem nos seus objectivos por falta de clareza e acção consequente quanto a esses objectivos e prioridades, não se espanta dos resultados do PISA serem sempre a descer. 

Não por acaso, as escola públicas estão em decadência e as privadas, não: nas privadas, onde também toda a gente interfere e sabia o trabalho dos professores, os alunos têm pais com dinheiro para suprir a falta de investimento (é por isso que essas escolas os escolhem) e contratam professores para aulas privadas, o que chamam explicações. E não interferem nessas aulas privadas. Pagam e esperam os resultados. E aí o mercado funciona: os explicadores que conseguem sempre ajudar os alunos a subir as notas, têm sempre mais explicandos, os outros desaparecem por falta de sucesso evidente.

Nas escolas o sucesso é quase impossível e, por isso, o fabricam nas estatísticas. As condições de trabalho já são más: excesso de alunos na maioria das turmas, excesso de turmas para a maioria de professores, excesso de burocracia, populações empobrecidas, populações estudantis de 10 países diferentes, falta de investimento, etc. Se juntamos a isto a quantidade de interferências e sabotagem do trabalho dos professores e o efeito catastrófico que esse desapoio tem no trabalho deles, só por milagre se têm bons resultados.


Quem quer ser professor?

 

Os alunos em França protestam... roubando lojas.


Está contratado!

 



Despedimento coletivo disfarçado de reforma pedagógica humanista





A paranoia das fusões no ministério: a alquimia de somar dois desastres

João Conde

Hoje, graças à gloriosa AI2, exige-se a um investigador que estuda os padrões migratórios do lince-ibérico que apresente um plano de negócios robusto e uma demonstração de retorno comercial a três anos para garantir financiamento. O desastre desta fusão não foi um acidente de percurso. É o corolário lógico de quem acha que juntar a fome à vontade de comer produz, por decreto, um banquete farto. Para gáudio das grandes consultoras, que faturavam milhões a traduzir aborrecidos relatórios de biologia molecular para a vibrante novilíngua do empreendedorismo, espera-se que o próximo passo seja extinguir as defesas de tese. No novo modelo abençoado pela AI2, o doutorando terá de provar o mérito da sua investigação num pitch de três minutos no palco principal do Web Summit, competindo por fundos públicos com uma start-up que acabou de inventar uma coleira com Wi-Fi para iguanas.
(...)
Não temos docentes suficientes para a estrutura atual, logo redefinimos a estrutura [a junção do 1º e 2º ciclos-parêntesis meu] para fingir que a escassez é uma “otimização de recursos partilhados”. É a gestão da miséria elevada à categoria de arte abstrata. Neste modelo maravilhoso de “escola do futuro”, as crianças do 1º ciclo, que precisam de estabilidade e de um professor titular de referência, passam a ser peões num gigantesco tetris de horários escolares.

O cenário promete ser um glorioso estudo de sobrevivência darwiniana, com pré-adolescentes de 12 anos, imersos nos primeiros picos hormonais, a partilharem o mesmo exíguo ecossistema com crianças de 6 anos acabadas de chegar do jardim de infância. Tudo sob o pretexto de uma maravilhosa “verticalidade da articulação curricular” que, traduzida para português corrente, significa entregar aos raros assistentes operacionais sobreviventes a missão de atuarem como capacetes azuis da ONU para evitar que o recreio se transforme numa adaptação livre de “O Senhor das Moscas”.

Claro que, para o génio ministerial, isto é um detalhe. Se hoje os grupos de Português e Inglês do 2º ciclo já só conseguem assegurar a substituição de 37% dos pedidos das escolas, a solução é esticar os parcos sobreviventes para cobrir os dois ciclos. Os professores do 2º ciclo, já exaustos por carreiras congeladas e quotas de avaliação humilhantes, tornam-se tarefeiros polivalentes, prontos a tapar buracos onde quer que o algoritmo de contratação falhe.

Ao aniquilar as fronteiras do saber em nome dos famigerados “projetos transdisciplinares flexíveis”, o ministério não está a inovar, está a oficializar o desespero. O docente ideal desta “nova era fundida” deixou de ser um especialista para se metamorfosear num animador sociocultural em burnout crónico. Espera-se que lecione frações de manhã, debata a queda do Império Romano à tarde, preencha grelhas de avaliação socioemocional com 80 parâmetros intangíveis e, se possível, organize um peddy-paper com os pais para angariar fundos para o papel higiénico da escola. No fundo, o ministério descobriu o Santo Graal da administração pública. O segredo para resolver a falta de professores é passar a precisar legalmente de menos professores, operando um despedimento coletivo disfarçado de reforma pedagógica humanista.

A tutela parece acreditar que a matemática da administração pública funciona ao contrário da matemática real. Para o ministério, a soma de duas instituições disfuncionais ou de dois ciclos deficitários não resulta num problema a dobrar. Resulta numa “sinergia”. Num país onde apenas 32 professores se formaram em Ensino de Física e Química no espaço de cinco anos, a grande “inovação” do MECI é garantir que, em breve, a disciplina será lecionada pelo professor de Educação Física porque tinha duas horas livres no horário e demonstrou muita “disponibilidade”.

Se a Agência para a Investigação e Inovação provou que juntar a FCT e a ANI serviu sobretudo para paralisar a ciência, afogar os doutorados num mar de redundâncias, a fusão dos ciclos letivos provará que a falta de professores também não se resolve com a obliteração da pedagogia.

Estamos entregues a uma máquina ministerial que desistiu de governar e passou a dedicar-se à arquitetura de fachadas. A este ritmo de fusões compulsivas para mascarar a falência dos serviços públicos, já só falta o derradeiro golpe de génio. Fundir o Ministério da Educação com o Ministério das Finanças, extinguir os recintos escolares para rentabilizar património imobiliário e passar a emitir os diplomas de final de curso diretamente na repartição de Finanças mais próxima. Ao menos poupava-se na hipocrisia.


Breve história da erosão do ensino público em Portugal



Ensaio: A erosão do ensino público em Portugal

Paulo Guinote
https://visao.pt/


Para além dos epifenómenos e das conjunturas particulares, até porque em Educação as tendências não se compadecem com visões de curta duração, talvez seja tempo de fazer um balanço, nem que seja parcial, da evolução das políticas educativas nas últimas duas décadas, de forma a compreendermos o ponto a que chegámos de desagregação e desconfiança no sistema educativo.

O olhar não pretende ser neutro, mas, pelo menos, não procura esconder um maior ou menor compromisso com um determinado ciclo político. Por isso, não pretende distribuir perdões ou penitências, tão ao estilo nacional da desresponsabilização coletiva e individual pelo que não corre bem, brandindo promessas de avaliação que nunca são efetivamente concretizadas.

Ao contrário do que possa transparecer das disputas políticas em torno de questões periféricas, as políticas educativas das últimas décadas foram bastante consistentes nas suas opções estruturantes, independentemente do tom com que foram envernizadas para a opinião pública. Existiu mais consenso do que divergência em aspetos como a pressão para a produção de sucesso estatístico na avaliação interna dos alunos, a burocratização da docência, a domesticação profissional e material da classe docente, a uniformização do modelo de gestão escolar ou a defesa de uma “descentralização” de competências na Educação. Existiu uma evidente convergência na apresentação destas opções como as únicas possíveis, eficazes e eticamente aceitáveis, alegando-se a sua inspiração em boas práticas internacionais, com o beneplácito da OCDE, enquanto se ocultavam ou truncavam as evidências de que várias dessas experiências estavam a correr mal e a ser abandonadas em países com capacidade para fazer autocrítica e ter um pensamento político autónomo das modas.

Apesar desse consenso, é claro que existiram matizes e prioridades diferentes em cada momento, acabando por se verificar um processo evolutivo gradual em que cada fase beneficiou do que foi total ou parcialmente conseguido nas anteriores. Não é por acaso que existe quem sublinhe a continuidade das políticas entre 2005 e 2015, assim como existem áreas em que, entre 2015 e o presente, não se verificou qualquer inflexão e muito menos reversão.

2005-2010
Domesticação


Os anos de 2005-2010 foram os de uma agressiva domesticação do funcionamento das escolas, através do esforço por controlar a classe docente em termos materiais e simbólicos, enquanto se criava um modelo único de gestão escolar ultracentralizado. A par disso, desenvolveu-se uma hiperburocracia dos procedimentos administrativos, em especial nos relacionados com a avaliação dos alunos, deslocando-se quase toda a responsabilidade pelo insucesso para os docentes, obrigados a justificar todos os seus atos que não culminassem na transição/aprovação dos alunos.

Numa rápida sucessão, deu-se o primeiro congelamento nas progressões, a que se seguiu um novo Estatuto da Carreira Docente que instituiu uma divisão entre professores e professores titulares e um modelo de avaliação do desempenho docente destinado a legitimar a desaceleração das progressões. Seguiu-se o modelo de gestão unipessoal, baseado numa hierarquização rígida das lideranças em todo o sistema educativo, da coordenação de departamentos à dependência dos diretores em relação à tutela, que poderia destituí-los a qualquer momento.

Foram anos de enorme conflitualidade que se saldaram por uma domesticação parcial, só atenuada no mandato de Isabel Alçada. No entanto, na prática, só a divisão da carreira seria eliminada, mantendo-se tudo o resto, de acordo com as teorias da “nova governança pública”, importada dos anos 90 do mundo anglo-saxónico.

A médio prazo, estas medidas não se traduziram na melhoria do desempenho dos alunos, pois a coorte que iniciou o seu percurso durante estes anos foi a que protagonizou o início da estagnação ou do declínio dos resultados nacionais nos testes PISA 2018. E os danos causados na relação dos professores com a tutela seriam duradouros, minando qualquer tipo de confiança, em particular dos docentes, que não perderam a memória desses anos de chumbo.

2011-2015
Implosão racionalizadora


O período de 2011 a 2015, associado à presença da Troika em Portugal, foi o da tentativa de implosão racionalizadora da máquina administrativa e dos recursos humanos do sistema público de ensino, com o pretexto da crise financeira. Foi a época do “fazer mais com menos” que se traduziu numa progressiva incapacitação técnica de diversos serviços centrais e regionais do Ministério da Educação, dos quais não foi afastada a captura política, reforçando o seu papel de “braço administrativo” das políticas, contrariando o que o agora ministro Nuno Crato tinha criticado ao período anterior. Foi o momento da implementação da Prova de Avaliação de Conhecimentos e Competências, criada por Maria de Lurdes Rodrigues, alegando-se que perante uma oferta excessiva de candidatos à docência, seria possível escolher os “melhores”, através de uma simples prova escrita.

A consequência conjugada dessa e de outras medidas como a continuação do congelamento da carreira e a introdução de cortes salariais, de que agora sofremos os efeitos, foi o afastamento de muitos milhares de docentes profissionalizados e com prática letiva, que enveredaram por outras vias profissionais. Em termos curriculares e de avaliação dos alunos, foram introduzidas medidas de reforço da avaliação externa das aprendizagens, mas os esforços feitos para demonstrar os ganhos para os alunos permanecem muito frágeis. As esperanças iniciais num ministro crítico da manipulação política da Educação esfumaram-se e ficou apenas um aparelho administrativo sem autonomia técnica. A proletarização da docência iniciada nos anos anteriores não foi alterada, mantendo-se o modelo de gestão e uma versão simplificada da avaliação do desempenho docente.

2015-2024
Instrumentalização ideológica


Seguiram-se os mandatos de Tiago Brandão Rodrigues e João Costa, de finais de 2015 aos inícios de 2024, marcados pela forte instrumentalização ideológica da Educação, em nome de uma agenda enunciada como inclusiva que se traduziu numa maior fragmentação dos currículos, com os programas a serem reduzidos e a avaliação externa no Ensino Básico a ser revista de um modo que a tornou inócua.

As novas provas de aferição passaram a ser feitas em anos intermédios dos ciclos, mas com uma forma de classificação e um calendário de chegada dos resultados às escolas que tornaram inútil o seu uso para o trabalho com os alunos. Encurtaram-se programas, enquanto os tempos letivos de algumas disciplinas tidas como “tradicionais” foram reduzidos para acomodar a criação da disciplina de Cidadania e Desenvolvimento.

A agenda inclusiva, baseada na proclamação de um conjunto de boas intenções, serviu em parte para mistificar os problemas reais de integração dos alunos migrantes e/ou social e economicamente mais desfavorecidos. Mantiveram-se políticas como o modelo de gestão escolar, a avaliação do desempenho docente ou o congelamento das progressões dos professores, retomadas só em 2018, sem recuperação da maior parte do tempo congelado.

Continuou o processo de proletarização dos professores, a par das evidências de que, a breve prazo, seria problemático substituir os professores que chegavam à idade da aposentação. Quando ainda havia algum tempo para se fazer algo pela formação de novos professores ou pela atração dos que tinham saído, preferiu-se baixar os critérios de acesso à docência, reduzindo-os a uma dezena de créditos ligados à área disciplinar.

O fosso crescente entre o desempenho dos alunos do sector privado de topo e o da generalidade das escolas públicas agravou-se, apesar de medidas cosméticas para o combater. Legislou-se uma “equidade” ilusória, pois do portão das escolas para fora, as condições de vida de boa parte da população estagnaram, regrediram ou passaram a depender de apoios sociais extraordinários de validade temporária.

O problema da integração de um crescente número de alunos provenientes de um cada vez mais amplo número de países, não falantes de português, foi crescendo, à medida que se legislavam medidas de impacto prático muito escasso. Promoveram-se estratégias pedagógicas de valor duvidoso e a escola pública tornou-se uma espécie de albergue experimental, no pior dos sentidos, baseado na cosmética de um sucesso interno sem correspondência no desempenho dos alunos nos testes internacionais.

A chancela da OCDE exibiu-se como garantia de uma qualidade de políticas equivocadas que colapsaram durante o período da pandemia. A burocratização da vida escolar atingiu um novo patamar, fruto da quase obrigatoriedade da adoção de “projetos” como o chamado MAIA que apenas retirou tempo ao trabalho em sala de aula.

Arrancou uma equívoca “digitalização” da Educação, em regime low cost, apressadamente e sem um rumo claro, enquanto se apostavam milhões em projetos de paraciência e pensamento mágico.

2024-2026
Descredibilização


A mudança de ciclo político iniciada em 2024 e que em 2026 ainda vivemos pouco mudou além da retórica e de uma recuperação do tempo de serviço docente, integral apenas para parte dos docentes, acreditando-se que com isso se daria uma pacificação do ambiente nas escolas, não mudando praticamente mais nada.

Eliminou-se formalmente alguma da burocracia que se manteve com outras designações, assim como se alterou de novo o modelo de avaliação externa do Ensino Básico, mas, de novo, com um calendário desadequado.

De forma voluntária e consciente ou fruto de uma assinalável inépcia, entrámos numa fase avançada de descredibilização do ensino público e da sua cada vez maior abertura à entrada de agentes privados, não apenas como concorrentes, mas também como agentes no interior das escolas públicas, como se os professores e outros profissionais que lá estão sejam incapazes de desempenhar as suas funções. Perante a evidência da falta de docentes, optou-se por camuflar o problema, alegando a impossibilidade de o determinar com rigor. Sucederam-se críticas à qualidade dos serviços do ministério e promoveu-se a sua reorganização de acordo com um modelo macrocéfalo, concentrado em duas superagências.

Manteve-se a política anterior de baixar os critérios académicos de acesso à docência, assim como se prometeu cristalizar o modelo de gestão unipessoal das escolas e concretizou-se a municipalização da rede escolar pública, sem qualquer tipo de estudo que, para além de uma espécie de fé herdada do final século XX, demonstrasse com evidências as suas vantagens.

Ao fim de dois anos no cargo, o ministro Fernando Alexandre revelou uma enorme incapacidade para compreender os problemas decorrentes da implementação pouco previdente da digitalização da classificação dos exames do Ensino Secundário, oscilando entre a autodesresponsabilização e acusações pouco sensatas que apenas levaram ao descrédito da educação pública. Com um ministério reorganizado, que prometeu ser dos melhores do mundo, optou por externalizar a solução dos problemas, pagando por isso a empresas privadas montantes muito avultados pelo que deveria ser uma função básica do seu ministério: assegurar uma época de exames tranquila.

Iniciado o ano letivo de 2026-27, estão por se conhecer várias medidas anunciadas para entrar em vigor no dia 1 de setembro, assim como se continuou a optar por delegar em terceiros o que deveria ser um serviço público fundamental: apurar as necessidades de professores. O processo de descredibilização e desconfiança continua, como estratégia para justificar uma crescente presença de grupos de pressão privados no sistema público de ensino. Não se trata apenas de concorrência, mas de erosão a partir do interior. Sucedem-se summits, conferências e debates coreografados sobre temas que surgem como atrativos (modelos híbridos de ensino/aprendizagem, Inteligência Artificial), mas com fórmulas gastas e em processo de descrédito num número crescente de países. Especialistas apresentam estudos e propostas com base em estatísticas que o ministro considerou não serem credíveis. Apresentam-se ferramentas centralizadoras (Portal da Educação) como sendo mais eficazes e simples, enquanto se defende a bondade de soluções descentralizadas de gestão dos recursos financeiros e humanos.

Fica, a quem observa tudo isto há décadas, uma sensação de desorientação, na melhor das hipóteses, ou, na pior, de fase final de implosão da educação pública, para justificar a distribuição de uma parcela cada vez maior do seu orçamento aos interesses privados. Numa perspetiva que ultrapassa o episódico, percebe-se que se aproxima o fim de um ciclo destrutivo iniciado em 2005.

Há quem fale na necessidade de um “pacto de regime” para áreas da governação como a Educação. Mas, num vasto conjunto de matérias, esse pacto informal existe há mais de 20 anos: domesticação, implosão, instrumentalização, descredibilização… segue-se a privatização?

October 01, 2026

Em França os liceus estão a arder

 

A Europa desistiu da segurança dos seus cidadãos e cedeu ao discurso da extrema-esquerda para quem toda a autoridade é suspeita e tem de ser combatida. As redes sociais estão cheias de imagens de dezenas de liceus a serem vandalizados. Professores atacados, alunos atacados, polícias atacados por rapazes mascarados. A França Insubmissa foi uma das forças a incentivar este caos. A IM foi a outra. Em quase todas as imagens de violência há bandeiras da palestina. A esquerda só ficará satisfeita quando a Europa for El Salvador, antes de Bukele, após o que a direita aparecerá com os seus Bukeles. Na Europa reunem-se e falam muito, mas não arrasam com a Rússia, não põem ordem na imigração violenta, não investem na segurança, na educação e na saúde. 


September 30, 2026

Os professores não se queixam o suficiente

 

Uma grande quantidade de alunos é educada pelos pais para serem violentos e para serem mal-educados com os professores - como aliás esses pais o são.


A falta de professores é muito mais grave do que parece



Porque os professores que estão a ser contratados não têm formação especializada. 

A solidez dos sistemas educativos depende da qualidade dos seus professores. Por isso, a escassez generalizada de professores é preocupante.

Em alguns países, até 4 % dos postos de professor não estavam preenchidos no início do ano lectivo, de acordo com a última edição do Education at a Glance.

Muitos países estão a preencher as vagas com pessoal não qualificado ou não totalmente qualificado, o que mascara a real gravidade da situação. Quase um em cada dez professores na área da OCDE ainda não tinha concluído a sua formação no início do ano lectivo de 2024.

A escassez é mais grave nas zonas mais desfavorecidas e concentra-se em determinadas disciplinas, como a matemática e as ciências naturais, segundo a última edição do Education at a Glance, sendo esta a fonte de informação de referência sobre o estado da educação a nível mundial.

A edição deste ano dedica especial atenção à escassez de professores, analisando o seu impacto nos diferentes países e a forma como os sistemas educativos podem responder a esta situação.

Leia aqui: https://www.oecd.org/.../education-at-a-glance-2026...



OECD Education and Skills

September 20, 2026

Elementar bom senso que devíamos seguir

 

Mario Nawfal

Meloni anunciou que o uso de coberturas faciais, incluindo a burka e o niqab, será proibido nas escolas.

 Será estabelecido um limite máximo de alunos estrangeiros por sala de aula.

Os pais de crianças com dificuldades de integração também serão obrigados a aprender italiano.

Permitir que um grande número de alunos que não falam a língua local frequente a mesma turma não promove a integração; cria sociedades paralelas.

E a integração não é facilitada pelo uso de um véu facial.

Isto deveria ter sido uma política padrão em toda a Europa há uma década...



September 18, 2026

Como contrariar os resultados do PISA?

 

Não vou falar aqui de investimento na educação, em tornar a carreira de professor atractiva, na falta de técnicos especializados, no número de alunos por turma, etc. Vou falar apenas na parte da integração de alunos estrangeiros que são, no meu ponto de vista, uma parte importante para a elevação do nível dos resultados e fundamental para o futuro do país.

É preciso investir fortemente nos professores de Português Língua Não Materna (PLNM). Estes são professores que leccionam português a alunos estrangeiros nos vários níveis de proficiência em que se encontram quando entram nas escolas. Há pouquíssimo professores, não chegam para todos e, ainda por cima, estas turmas têm que ser muito reduzidas, pois misturam alunos de vários níveis, desde o que não fala uma palavra de português e vem de um país com uma língua de uma raíz não latina (o arábico, o mandarim, o hindu) ao que já cá está há dois ou três anos e já domina bem os fundamentos da língua mas precisa de desenvolver o vocabulário, a complexidade frásica, verbal, etc. Se não aprendem a língua não há integração e se não há professores para a ensinar não é possível que aprendam a língua, além do 'olá', 'bom dia' e pouco mais porque muitos destes alunos vivem fechados nas suas comunidades culturais por ordem dos pais. É necessário tirá-los dessas redomas.

É preciso haver um currículo diferenciado para estes alunos. Em vez de inscreverem-se em todas as disciplinas e estarem nas aulas sem perceber um boi (alunos nestas idades dependem muito do professor), inscreverem-se apenas a 3 disciplinas, vamos supor, a inglês, a educação física e a outra disciplina, mais prática do que teórica, mais para socializar e enturmarem-se e depois, terem todos os dias aulas de PLNM. Portanto, um curso intensivo de português e mais umas poucas disciplinas para começarem a sua integração. No ano seguinte já estariam em condições de poder matricular-se a todas as disciplinas e embora continuassem a ter PLNM em vez da disciplina de português da turma, já não teriam necessidade de tantas horas por semana.

Alunos que só falam a língua da sua família (mais alguma coisa de inglês), apesar de estarem cá, não vivem no nosso país, vivem no país e na cultura da sua língua materna (e em sites da internet) e serão sempre outsiders. 

Aqui há um par de anos propus à direcção da escola este plano de estudos para um aluno que caiu em Portugal de pára-quedas no início do ano, só falando a sua língua. Autorizaram-me mas quando o propus ao pai, ele não o quis, disse-me que o filho era inteligente. Embora lhe explicasse que isto não tem que ver com inteligência e que o ano iria ser uma enorme frustração para o filho com uma sensação de alienação devido às dificuldades de não perceber o que se passa à volta dele, ele não o quis. Uma pena e um desperdício de capacidades. 

Os pais não têm noção do que é a educação escolar e pensam que a aprendizagem é assim algo mágico e que mesmo estando completamente impreparado para aprender, aprende-se na mesma. É assim como alguém chegar à aula de escultura de mármore e não ter cinzéis, martelos, limas, etc. e o professor dizer que precisa de ter os instrumentos adequados que permitem fazer o trabalho e que seria melhor que ele dedicasse um ano a arranjar esses materiais e a aprender a usá-los e os pais responderem, 'não é preciso, o meu filho é inteligente e desenrasca-se já'.