Fernando Alexandre: "Evidência cientifica diz que até aos 30 alunos a qualidade do ensino não sai prejudicada"
O ministro da Educação confirmou esta terça-feira, 15 de outubro, que a solução encontrada para a colocação de alunos que estavam por colocar passa pelo "alargamento de turmas, aumento de turmas e aumento de turnos".
Fernando Alexandre garante que a qualidade do ensino não sairá prejudicada. "Isso está previsto na lei, faz-se excecionalmente e tem a aprovação do Conselho Pedagógico, mas acontece muitas vezes. Se uma turma puder passar para 28 ou 29 alunos, não se vai criar uma turma nova", afirmou o governante em Porto de Mós, onde inaugura obras de requalificação e ampliação de uma escola secundária.
"A evidência cientifica diz que até aos 30 alunos a qualidade do ensino não sai prejudicada", reforçou.DN
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Não há nenhuma evidência cientifica a dizer que até aos 30 alunos a qualidade do ensino não sai prejudicada, nem seria possível haver. O que há são declarações a dizer que nem sempre é prejudicada, pois há casos de turmas com 30 alunos excelentes ou muito bons. Como também acontece uma turma ter 15 alunos péssimos, em termos académicos e comportamentais e ter resultados péssimos, apesar de ser pequena.
No entanto, esses casos são excepções em número reduzidíssimo e, portanto, não são exemplares.
É óbvio que quantos mais alunos tem uma turma, a partir de um certo número que, geralmente, se calcula entre os 16 e os 22, maior o prejuízo para a turma: menos tempo tem o professor para cada aluno, mais trabalho - teste e fichas de trabalho e apresentações orais para classificar. Mais EE com quem lidar, mais tempo de burocracia, etc.
E, se acrescentarmos a estes factores, haver tantos professores já com excesso de turmas em horas extraordinárias, para suprir a falta de professores, mais 2 ou 3 alunos por turma, num horário com 9 turmas ou 10 turma, significa mais uma turma inteira.
Não é preciso ser muito inteligente para perceber isto. Portanto, não minta! Só serve para erodir a confiança em si que já está em baixa.
Ontem li que disse que há muitos professores de baixa. São perto de 2%. A profissão está extremamente envelhecida, justamente porque as políticas têm sido de encher os professores com turmas em vez de investir em novos professores, para poupar dinheiro. Esta profissão exige muita robustez física, não é para velhos, pessoas com doenças próprias de certas idades.
Não é por haver professores doentes que não há professores. É por terem expulsado professores e destruído a carreira de professor.
O senhor não sabe resolver o problema da falta de professores. É verdade que é um problema herdado e os dois ministros anteriores, dos governos de Costa, apesar de lá estarem 8 anos e meio, fizeram zero, porque a prioridade era destruir a carreira dos professores para poupar dinheiro e agravaram o problema.
Mas o senhor já lá está, vai para 3 anos e meio e parece que resolveu agora seguir também esse caminho de tentar destruir professores e direcções de escola em vez de resolver os assuntos. Mais vale tarde que nunca. Comece a fazer alguma coisa, agora já! Traga professores para as escolas. Carregar ainda mais os professores mais velhos com mais alunos por turma e mais turmas, prejudica os alunos e o trabalho dos professores. Logo: prejudica os alunos.
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