Showing posts with label guerra. Show all posts
Showing posts with label guerra. Show all posts

June 25, 2026

É a guerra dos drones

 

E a Ucrânia parece ter as cartas de trunfo consigo.

April 26, 2026

Porque é que a Alemanha só agora acordou para a questão da defesa



KATJA HOYER

West German Chancellor Konrad Adenauer visiting for the first time the newly established Bundeswehr, January 1956. Img: Bundesarchiv, Bild 146-1998-006-34 / Wolf, Helmut J. / CC-BY-SA 3.0


Aconteceu algo notável esta semana: a Alemanha lançou a sua primeira estratégia militar desde a Segunda Guerra Mundial. A Bundeswehr, como é conhecido o exército alemão do pós-guerra, definiu quem é o seu principal adversário (a Rússia) e o que precisa de fazer para lhe fazer frente (construir o maior exército convencional da Europa). Isto é tão novo e ambicioso que não será exagero chamar-lhe “histórico”.

Há que em diga que ambos os Estados alemães do pós-guerra tiveram, em tempos, exércitos consideráveis e conscrição durante a Guerra Fria, e que os actuais esforços de rearmamento são uma restauração desse estatuto e não algo novo, mas não concordo. O que estamos a ver agora é fundamentalmente diferente em três aspectos-chave:

A) Nenhuma das Alemanhas do pós-guerra teve de pensar estrategicamente.
B) Não se esperava que as suas forças fossem destacadas, de forma séria, para grandes missões de combate.
C) Tendo perdido duas guerras mundiais e permanecendo profundamente marcadas pelos crimes associados à segunda, nem a Alemanha de Leste nem a de Oeste desenvolveram um ethos militar que celebrasse o serviço militar como acontece noutros países, incluindo os EUA, o Reino Unido, a França e a Rússia. Por razões históricas compreensíveis, a cultura alemã do pós-guerra tem sido cautelosa em relação a tudo o que é militar e até à própria ideia de patriotismo.

O actual esforço nacional de rearmamento — que prevê a criação de uma grande força militar de 460 000 pessoas, incluindo 200 000 reservistas, tudo isto baseado na primeira estratégia pós-guerra alguma vez concebida em Berlim — é totalmente novo. 

Para ter sucesso, exigirá uma revisão e reforma cuidadosas das atitudes estabelecidas em relação à guerra, ao serviço militar e ao país. Vale a pena examinar como os alemães se rearmaram após a Segunda Guerra Mundial para compreender as raízes da Bundeswehr actual.

Quando a Alemanha nazi perdeu a guerra em maio de 1945, o seu exército, a Wehrmacht, rendeu-se incondicionalmente e foi dissolvido pelos Aliados pouco depois. Na verdade, a desmilitarização foi um dos poucos princípios sobre o futuro da Alemanha em que todos concordaram.

Colourised image of Wehrmacht soldiers surrending in Bohemia, 1945. Img: Johannes Dorn - Collection Peter, CC BY-SA 4.0.

Isto significa que, quando a Alemanha de Leste e a Alemanha de Oeste foram criadas em 1949, não tinham forças militares próprias. Ambas acolhiam tropas dos países que continuavam a ocupá-las. Provavelmente teria permanecido assim durante mais tempo não fosse o surgimento da Guerra Fria, que levou sobretudo os EUA a reconsiderar a situação. Washington precisava da Alemanha Ocidental para reforçar a linha da frente europeia contra o comunismo.

Já em 1951, a Alemanha Ocidental começou a criar unidades policiais paramilitares para ajudar a guardar a fronteira inter-alemã (a longa linha no meio do país; o Muro de Berlim só seria construído uma década depois). 

Planos vagos de rearmamento estavam em curso desde 1947/48, mas este desenvolvimento específico resultou de um novo sentido de urgência provocado pela Guerra da Coreia, que prendeu os EUA e os confrontou com a expansão comunista por meios militares. Precisavam dos alemães ocidentais para manter a linha na Europa.

Independentemente das necessidades práticas, é surpreendente, em retrospectiva, a forma como este processo decorreu. No outono de 1950, teve lugar uma reunião na Abadia de Himmerod, onde antigos oficiais da Wehrmacht, encarregados pelo chanceler Konrad Adenauer, delinearam opções para o rearmamento.

O memorando resultante propunha um exército de cerca de 500 000 homens — mais do que os planos actuais, apesar de uma população menor. Defendia também que a única forma de construir um novo exército alemão seria reabilitar o antigo, garantindo continuidade de pessoal e tradições. “As nações ocidentais”, exigiu o presidente da reunião, “devem tomar medidas públicas contra a ‘caracterização prejudicial’ dos antigos soldados alemães”.

Em janeiro de 1951, Dwight D. Eisenhower fez precisamente isso, afirmando que existia uma diferença real entre o soldado alemão e Hitler. Isto ajudou a criar o mito da “Wehrmacht limpa”, conceito que viria a ser contestado nos anos 1990 e 2000, quando uma famosa exposição da Wehrmacht, dividida em duas partes, a contestou ao centrar-se nos crimes cometidos pelas forças armadas regulares durante a guerra.

Nos anos 1950, esse mito abriu caminho ao rearmamento — mas com uma condição: a Alemanha não tomaria decisões estratégicas de forma autónoma. A integração europeia avançava e, em 1955, a Alemanha Ocidental aderiu à NATO. Isto aconteceu no início de Maio, ou seja, quase no mesmo dia, 10 anos após o fim da Segunda Guerra Mundial.

Ficou decidido: haveria uma nova força militar alemã — a Bundeswehr, fundada oficialmente a 12 de novembro de 1955. Mas isso viria a ser contido pelas decisões dos Aliados, sobretudo pelas dos EUA. Os planos de Adenauer para desenvolver armas nucleares para a Alemanha Ocidental foram também imediatamente abortados.

A Alemanha Oriental respondeu a este processo criando as suas próprias forças armadas, o Exército Popular Nacional, começando com unidades da polícia militar em 1952 e culminando na formação oficial do NVA a 18 de janeiro de 1956. Dez dias depois, aderiu à contraparte comunista da NATO, a Organização do Tratado de Varsóvia, frequentemente referida como o «Pacto de Varsóvia». Tanto a Bundeswehr como a NVA introduziram o serviço militar obrigatório para os homens e ambas receberam proporções comparativamente elevadas do PIB.

Em geral, os jovens (e, no caso da RDA, também as mulheres) que escolheram o serviço militar como carreira fizeram-no porque apreciavam a estabilidade e o espírito de camaradagem desse tipo de vida. Aqueles que foram obrigados a cumpri-lo durante algum tempo (especialmente no Leste, onde não havia alternativa civil ao serviço militar, ao contrário do que acontecia no Ocidente), muitas vezes ressentiam-se com a experiência. Mas ambos os grupos podiam contar com a possibilidade de evitar o combate activo.

Um exemplo que ilustra este ponto é a repressão da Primavera de Praga, um movimento de reforma na Checoslováquia sob a liderança do político eslovaco Alexander Dubček. Quando, na madrugada de 20 de Agosto de 1968, uma força de invasão de 500 000 soldados do Pacto de Varsóvia ameaçou esmagar qualquer resistência no país da Europa Oriental, as forças da NVA da RDA estavam entre as unidades de apoio. O líder da Alemanha Oriental, Walter Ulbricht, queria enviá-las em força para provar o valor do seu país aos soviéticos, mas mesmo eles foram cautelosos em não enviar soldados alemães para a Europa Oriental apenas uma geração após a Segunda Guerra Mundial. As tropas da NVA nunca chegaram a atravessar a fronteira para a Checoslováquia, embora estivessem a ajudar o comando soviético. Foi uma decisão tomada em Moscovo e não em Berlim, essa de não enviar tropas da NVA para combate aberto.

As implicações práticas e as relações eram diferentes, mas o princípio de seguir a grande estratégia definida pelos aliados era semelhante na Alemanha Ocidental. Após a reunificação, a Alemanha também não elaborou o seu próprio documento estratégico. 

Após a invasão russa em grande escala da Ucrânia, o então chanceler Olaf Scholz continuou a salientar que o seu país «não agiria sozinho» no que dizia respeito ao apoio à Ucrânia, mas aguardaria orientações dos EUA. Scholz também salientou que a Alemanha nunca seria uma «parte» nessa guerra.

Esses princípios fundadores do rearmamento alemão após a Segunda Guerra Mundial estão agora a mudar:

A) Ao desenvolver a sua própria estratégia militar abrangente, a Alemanha está a começar a pensar estrategicamente - pela primeira vez desde 1945.

B) O ministro da Defesa, Boris Pistorius, afirmou que quer que a Alemanha seja «kriegstüchtig» ou «pronta para a guerra», esperando claramente que os soldados estejam prontos para serem destacados.

C) Existem tentativas em pequena escala para valorizar mais o serviço militar, por exemplo, com o primeiro Dia dos Veteranos da Alemanha, celebrado no ano passado.

Esta é uma mudança enorme por inúmeras razões e terá de ser cuidadosamente ponderada e gerida. O lançamento da nova estratégia militar deveria, sem dúvida, ser uma notícia muito mais importante do que é, tendo em conta as vastas transformações culturais, políticas, económicas e sociais que terão de a sustentar.

Não há uma forma fácil de resolver este dilema. A Alemanha terá de encontrar um equilíbrio muito delicado ao tentar conciliar a necessidade de força militar com uma relutância profundamente enraizada em permitir que o militarismo volte a ganhar força.

March 17, 2026

Há vários níveis de guerra a decorrer no planeta

 

Há a guerra com bombas sobre a Ucrânia iniciada por Putin. Há a guerra no Médio Oriente iniciada pelos palestinianos do Hamas e os seus patrocinadores (Irão, Hezbollah, etc.), há a guerra no Irão iniciada com os ataques de Trump e depois há uma guerra sem bombas mas muito perigosa de homens poderosos contra as mulheres e essa está a alastrar por todo o lado e vai desde os islamitas aos cristão evangelistas misóginos, passando pelos trans homens biológicos.

Neste vídeo, este poderoso americano que pertence à Heritage Foundation, autora do Projeto 2025 de Trump, diz publicamente que deve vedar-se o acesso das mulheres a profissões como engenharia, medicina, Direito, etc. para se glorificar os homens. Esta é uma luta que tem de ser travada por todas as pessoas de bem e não apenas por mulheres, contra a educação misógina, contra o fanatismo religioso e contra a violência destes homens.

Há imensas mulheres, à esquerda e à direita que recusam ver os factos, umas porque os factos colidem com o seu anti-semitismo, outras porque colidem com o seu fanatismo religioso. Uma pessoa moderada começa a não ter em quem votar porque à esquerda validam os crimes islamitas e à direita validam os crimes dos fanáticos evangelistas.

Em França há uma organização feminista que também tem homens e é aberta a todos os que lutam pela igualdade de género e contra a toxicidade e espírito maléfico dos misóginos, com particular enfoque na imigração em massa de islamitas, porque representa um perigo para os direitos das mulheres na Europa. Chama-se Colectivo Nemesis. É claro que a comunicação social de esquerda chama-as extremistas da direita porque, lá está, estão aliados aos islamitas e recusam reconhecer a sua extrema misoginia.

Neste momento nem a direita nem a esquerda defendem os direitos das mulheres. Uns e outros atacam-nos abertamente, embora com motivos diferentes. Quem pensa que os direitos das mulheres na Europa são uma conquista do género, 'Fim da História', olhe para a História. 

São precisos movimentos públicos e activos que lutem contra esta tentativa de regressão de direitos por parte de homens maléficos e de cúmplices passivos.


 

March 06, 2026

Não levo a sério estes discursos porque não são sérios

 


Pese embora a Internet e os media livres não nos deixem esquecer a cronologia das coisas, de Kaja Kallas a Ursula von der Leyen, passando por Emmanuel Macron, Keir Starmer e Friedrich Merz, e incluindo, como é óbvio, Mark Rutte, há uma quase unanimidade na condenação seletiva dos abusos iranianos sem que qualquer palavra seja dada acerca da violação inicial do direito internacional por parte dos seus tradicionais aliados. Ao ignorar os factos, estamos a construir ativamente realidades alternativas sobre as quais pensamos, agimos e atuamos, produzindo novos contextos e linhas temporais que podem parecer inevitáveis, mas que são por nós construídas. Ou percebemos isto, ou vamos ter o grande privilégio de poder olhar para trás e dizer que tínhamos razão quando provocamos corridas armamentistas, guerras, distúrbio, desordem, radicalismos (externos e internos) e a derrocada das instituições e normas internacionais que têm pautado, gerido e moderado as nossas relações.

Joana Ricarte in Condenar os EUA sem apoiar o Irãopublico.pt/
------------

Estas pessoas que dizem (só agora) que condenam o regime iraniano mas que pensam que não se devia fazer nada a não ser protestos que sabem ser inócuos por causa da violação do Direito Internacional e da Carta das Nações Unidas, estavam onde quando o Irão violava todos os dias o Direito Internacional ao financiar terroristas para fazer a guerra a Israel? Ou o seu argumento é: se for a Israel não faz mal e fechamos os olhos às atrocidades? 
Estavam onde quando o Irão, todos os dias violava barbaramente os Direitos Humanos da Carta das Nações Unidas que assinou, mandando violar, torturar e assassinar o seu povo? 
Estavam onde quando os mesmos iranianos foram escolhidos para presidir ao Conselho dos Direitos Humanos na ONU?
Estavam onde quando Putin invadiu a Ucrânia em grosseira violação do Direito Internacional?
Estavam onde quando tantas pessoas da esquerda disseram que Putin tinha razão porque talvez Zelensky fosse nazi?
Estavam onde quando Putin raptou milhares de crianças ao pais em grosseira violação da Carta das Nações Unidas?
Onde estavam quando a Rússia, no Conselho de Segurança das Nações Unidas pervertia todo o Direito Internacional e a Carta das Nações Unidas?

De que «factos» fala esta senhora? Ela escolhe a dedo os factos que lhe interessam e ignora os outros, como fazem tantos que dizem que criticam o Irão mas não se pode fazer nada a não ser apelar à diplomacia. Diplomacia com quem? O Irão não é uma ditadura como era a de Salazar. O Irão é uma teocracia apocalíptica liderada por criminosos irracionais.

Aliás, o argumento desta senhora contra o ataque dos EUA ao Irão não tem que ver com factos e violações do Direito Internacional mas com o medo (que partilho) da corrida ao armamento e do caos internacional:Ou percebemos isto, ou vamos ter o grande privilégio de poder olhar para trás e dizer que tínhamos razão quando provocamos corridas armamentistas, guerras, distúrbio, desordem, radicalismos (externos e internos)
Este era o argumento de Salazar para não deixar mudar o país: estávamos na ordem (podre, mas ordem) e não se podia arriscar a mudança com medo do caos. Esta comentadora usa o mesmo argumento. Não fazer nada com medo do caos.

Porém, escolher não agir é ainda uma acção. E quando a escolha de não agir se faz perante ditadores irracionais, terroristas ou totalitários ela é entendida como permissão tácita com o status quo. É o que acontecido.

Não estou a defender o ataque de Trump ao Irão. Penso que foi mais um impulso daquela horda de cowboys mafiosos que governa os EUA neste momento. Porém, vejo que a situação é muito complexa porque desde há uns anos que não é possível agir no quadro das Nações Unidas ou fazer pressão para os Estados totalitários baixarem o seu nível de agressão porque Guterres comprometeu as Nações Unidas.

Neste momento, se um grupo alargado de nações quiser intervir no sentido de pressionar e obrigar os países em clara violação do Direito Internacional a recuarem, como o podem fazer se a única instituição que tinham -a ONU- passou a apoiar esses mesmos países violadores do Direito Internacional?

E onde estava esta senhora e todos os outros que estão com ela enquanto Guterres destruia a ONU e promovia países violadores do Direito Internacional? Ou estes factos de ter à frente do Conselho de Segurança da ONU e do Conselho dos direitos humanos os países que mais violam o Direito Internacional e a Carta dos Direitos Humanos não são factos que levam à destruição da Ordem Internacional?

É por isso que não levo a sério estes discursos: não são sérios, são hipócritas, não consideram todos os factos -escolhem a dedo os que interessam- e propõem como solução a continuação do status quo, ou seja, a destruição da Ordem Internacional, desde que não seja com bombas e não se veja. Estão dispostos a que outros povos paguem o preço da sua escolha de não agir, não fazem ondas para não perturbar as nossas vidas.

March 05, 2026

Antes e depois

 

Navios perto do Estreito de Ormuz antes e depois do início dos ataques.

Nota: Os horários apresentados estão no horário padrão do Irão. Alguns navios na região transmitem posições falsas e outros, por vezes, deixam de transmitir as suas localizações, pelo que podem não estar refletidos na animação. Os navios com dados de localização escassos são apresentados numa tonalidade mais clara. Fonte: Kpler. NYT

February 18, 2026

🎯 Esta é uma «guerra russo-europeia»



O general Vincent Desportes, proeminente estratega militar francês e ex-diretor da École de Guerre, falando na LCI, considera «aterrorizante» que um único CEO privado (Elon Musk) tenha o poder de alterar o rumo de uma guerra simplesmente «accionando um interruptor» numa rede de satélites.

«Ouça, em primeiro lugar, só podemos saudar isto. Imagina-se que Musk, desta vez, depois de ter ajudado os russos, disse a si mesmo: “Vamos parar de ajudá-los e facilitar as coisas para os ucranianos”. Por que razão exatamente? Não sei.

Mas o que é bastante assustador nesta questão é que temos um CEO que tem um impacto extremamente significativo na geopolítica e no futuro das nações, o que é totalmente aterrador.
E numa situação como esta, acredito que a Europa deve assumir as suas responsabilidades e finalmente prestar uma ajuda verdadeiramente séria aos ucranianos. Acredito que é hora de a Europa compreender que esta não é uma guerra russo-ucraniana, mas sim uma guerra russo-europeia, e que devemos comprometer-nos agora, uma vez que a América, como tal, não se está a comprometer.»
Isto destaca a vulnerabilidade da Europa. Se um indivíduo privado [Musk] ou um cenário político americano em mudança decidir retirar o apoio, a Europa tem poucas alternativas soberanas para a Internet de alta velocidade no campo de batalha.

A parte mais marcante da sua intervenção é o seu apelo para que a Europa pare de ver isto como um conflito local.

Ao chamá-la de «guerra russo-europeia», ele sugere que a queda da Ucrânia ameaçaria diretamente a segurança de todo o continente europeu, exigindo uma transição da «ajuda» para um compromisso mais direto e estratégico.


January 17, 2026

Todos os dias Zelensky tem de lembrar aos europeus e americanos que nos estão a defender

 

Continuo sem perceber porque não há tropas europeias na Ucrânia a organizar ajuda humanitária, para os libertar dessa tarefa e, sobretudo, porque não há defesa aérea. Não sei se estão no ,máximo das capacidades de produzir drones e mísseis que possam atingir Putin. Atingir o Kremlin. Se há usem-nas. Isto é uma guerra começada pela Rússia, não se responde a mísseis com palavras.

January 10, 2026

Safo, acerca dos homens

 

Some men say an army of horse and some men say an army on foot and some men say an army of ships is the most beautiful thing on the black earth. But I say it is
      what you love.

Sappho, fragment 16

(os homens -no sentido particular e não universal do termo- acham os exército belos porque amam a violência e a guerra)

August 23, 2025

As vagas são gigantes

 

... mas há quem as cavalgue com coragem e perícia.


July 25, 2025

Se tivessem apoiado a Ucrânia contra a Rússia há 3 anos, isto não tinha acontecido



Quando a Ucrânia derrotar a Rússia a maioria dos conflitos acaba misteriosamente.

Tailândia decreta lei marcial nos distritos fronteiriços: conflito com o Camboja já fez 16 mortos.

June 08, 2025

A guerra não se ganha com palavras nem com brilharetes em frente às câmaras



Presidente lituano acusa chanceler alemão Merz de indecisão.

🇩🇪🇱🇹“Friedrich Merz ameaçou Putin com sanções, mas estas nunca foram cumpridas...”: 

Nausėda criticou o seu homólogo e lembrou que, em Maio, durante uma visita a Kiev, Friedrich Merz e outros parceiros tinham prometido novas sanções em grande escala em caso de nova recusa de Moscovo.

“Isto é um problema. E não se trata apenas da credibilidade das nossas sanções, mas de toda a nossa política em relação à Rússia e do apoio à Ucrânia. Caso contrário, seremos vistos como fracos e isso confirmará que a Europa não está preparada para tomar decisões ousadas”, sublinhou o Presidente lituano.

NEXTA

May 08, 2025

8 de Maio de 1945 a Leste

 

Na Europa de Leste, a Segunda Guerra Mundial não terminou em 1945 - apenas mudaram os uniformes e a língua. (Kadi)





February 19, 2025

"All wars end, but how they end determines the shape of the peace that follows—and whether it will last" (Sanna Marin)




All wars end, but how they end determines the shape of the peace that follows—and whether it will last. Now, as America has taken the initiative on ending Russia’s war against Ukraine, European leaders must choose between showing strength as the process unfolds and facing the perils of relinquishing responsibility for their own security.
Russia has little reason to negotiate in good faith if it believes it can succeed militarily.
Now is the time for Europe to show strength, not division.

Sanna Marin 
economist.com/-sanna-marin

**********

Todas as guerras terminam, mas a forma como terminam determina a forma da paz que se segue - e se esta será duradoura. Agora que a América tomou a iniciativa de pôr fim à guerra da Rússia contra a Ucrânia, os líderes europeus têm de escolher entre mostrar força à medida que o processo se desenrola ou enfrentar os perigos de renunciar à responsabilidade pela sua própria segurança.
A Rússia tem poucas razões para negociar de boa fé se acredita que pode ter sucesso militarmente.
Chegou o momento de a Europa mostrar força, não divisão.



October 30, 2024

Numa guerra não se pode estar dos dois lados e muito menos escolher o lado do inimigo - é autofagia

 


Se pertences a um país não te juntas ao seu inimigo para destruir o teu próprio país. Na UE, os países que se estão a juntar à Rússia para destruir a Europa -um objectivo que Putin assume publicamente- não podem ter os mesmo direitos que os outros, nomeadamente têm de ficar de fora do espaço Schengen, das reuniões onde se passa informação que põe em risco a segurança de todos, etc. 


August 31, 2024

🇺🇦 Quem são os 'militares' ucranianos?




São engenheiros, chefes pasteleiros, jogadores de futebol, arquitectos paisagistas, etc. São pessoas como eu e tu e se a Ucrânia não tiver apoio suficiente para ganhar esta guerra, em breve, nos nosso países também os civis se terão de transformar em militares à pressa para sobreviver ao imperialismo colonialista russo. Por outro lado, se os EUA e a Alemanha ajudarem a Ucrânia a vencer esta guerra, muitas guerras e terrorismo do mundo vão desaparecer misteriosamente.


Пепел Клааса ᛞ

June 05, 2024

Não interpreto a situação da Europa desta maneira

 


A Europa está em transição de um “projecto de paz” para um “projecto de guerra? Vejamos, a Europa estava num caminho de paz, de repente tem uma guerra no seu âmago, o que deveria fazer? Fingir não ver e continuar na sua vidinha? Deixar os ucranianos ao 'Deus dará'? Desde quando um projecto de paz implica falta de solidariedade e conivência com países coloniais brutais? Aliás, o projecto de paz da Europa sempre foi um projecto de democracias contra ditaduras. Cumprir critérios democráticos é obrigatório para entrar na UE. Devia deixar a Rússia ir andando, andando, até à Porta de Brandemburgo?

Portanto, a Europa não se transformou num 'projecto de guerra'. A Europa está a lidar com a realidade e a realidade é que dentro dos EUA, os apoiantes de Trump são contra a NATO, contra a Ucrânia e a favor de Putin e Biden recua todos os dias um bocadinho com medo que o apoio à NATO e à Ucrânia lhe ponha em causa as eleições. A realidade é que os EUA se tornaram uma paródia com metade dos políticos a prestarem vassalagem a um indivíduo bronco, venal, criminoso e cheio de apetência pelo poder não-democrático. E a Europa está a lidar com essa realidade de ter de deixar de contar com o apoio do principal aliado e ter de se desvencilhar sozinha. E para isso precisa de ser independente e forte militarmente. Isso não é 'um projecto de guerra', é uma precaução, para podermos seguir em frente com o nosso projecto de paz e não ficarmos reféns de Putins, Trumps e Xis.

No passado, acreditávamos que podíamos transformar inimigos em amigos através de relações económicas próximas? Estávamos a ser enganados por Putin que desde que chegou ao poder, nunca teve intenção de ser um 'amigo'. Foi sempre um impostor. A primeira coisa que fez quando chegou ao Kremlin foi invadir a Geórgia à maneira soviética. Infelizmente a Europa não teve políticos de visão, nomeadamente na Alemanha, que percebessem o perigo da Rússia invadir a Ucrânia, logo em 2014 e apoiaram-no parvamente. Em 2022, lá perceberam, muito a custo. E os EUA a mesma coisa. Isso tem sido um parto a ferros.

Por conseguinte, a Europa está a lidar com a realidade. Se tivessem apoiado a Ucrânia logo de início, a guerra estava acabada há muito, mas como os governantes de mais peso na Europa e nos EUA são, ou fascinados por ditadores e parecem, alguns, infantis a falar com ele, ou medrosos ou gananciosos, arrastou-se e agora é mais difícil. E quanto mais tempo levarmos a ajudar a Ucrânia e a tornarmo-nos independentes militarmente mais difícil será.

Nem me parece que haja uma crise de identidade na Europa. Pelo contrário, há muito tempo que a Europa não estava tão unida (tirando um breve tempo aquando do Covid) a favor de se defender, de parar Putin, de lidar com o amancebado de Putin que é Orban. 

A divisão de esquerda direita da Europa foi criada, há muito tempo, pela esquerda francesa para capitalizar votos dividindo a direita. Abriram o fosso, os outros foram atrás e agora não sabem fechá-lo, porque é fácil destruir, construir é que é difícil.

Mark Leonard: “A invasão da Ucrânia abriu uma crise de identidade na União Europeia”


A Europa está em transição de um “projecto de paz” para um “projecto de guerra”, acredita o director do European Council on Foreign Relations.


Escreveu recentemente que a UE está a atravessar um processo de transição de um “projecto de paz” para um “projecto de guerra”. O que quer dizer exactamente?

O que quero dizer é que, quando Putin lançou uma invasão em grande escala da Ucrânia, não abriu apenas uma crise de segurança, abriu uma crise de identidade, porque o núcleo central da identidade europeia foi posto em causa. A União Europeia era um projecto essencialmente de soft power e agora estamos a viver um processo de rearmamento maciço em curso em muitos países, incluindo na Alemanha, onde sempre houve um grande cepticismo sobre isso. Em segundo lugar, também mudou a forma como pensávamos a interdependência. No passado, acreditávamos que podíamos transformar inimigos em amigos através de relações económicas próximas. Percebemos agora que isso também nos cria vulnerabilidades, sem realmente alterar a natureza desses países. Essa compreensão provocou uma alteração psicológica importante.

O terceiro factor é sobre as fronteiras da Europa. No passado, pensávamos que as fronteiras tinham pouca importância e que o projecto europeu era acabar com elas. Hoje, tornaram-se uma questão existencial. Tínhamos a ideia de que havia a União, a Rússia e uma série de países entre ambas…

Uma zona cinzenta.
Sim. E hoje pensamos que definir fronteiras é realmente importante e que não podemos permitir-nos manter essa zona cinzenta. A questão passou a ser: ancoramos a Ucrânia ou a Moldova numa comunidade de segurança europeia ou não. Isto também faz parte desta transformação.


Creio que estamos a caminho de criar uma economia de guerra.

É isso que designa por “projecto de guerra”?
Sim, porque a força motriz da integração europeia passou a ser como respondemos à guerra na Ucrânia. É daí que vem grande parte da energia.


April 05, 2024

Três páginas da República de Platão que se aplicam perfeitamente à situação corrente

 


Platão, cuja infância decorreu no período da terrível guerra entre Atenas e Esparta e que viu a ganância que levou os atenienses a invadir Siracusa e a falência moral e material a que essa loucura levou a cidade de Atenas com a consequência do estabelecimento do governo dos trinta tiranos, adverte aqui, na República, contra a desunião dos cidadãos (uma cidade desunida e em clivagem, tantos entre classes como entre gerações nem sequer pode ser chamada de 'comunidade') e contra o desejo de querer crescer mais e mais. Existe uma proporção correcta para o tamanho/riqueza de uma cidade: se ficar aquém lutam uns com os outros pelos pouco que há, se for além criam excesso de individualismo que leva a grandes divisões entre ricos e pobres e dessa divisão vêm as outras. Sendo a desunião em assuntos fundamentais (justiça, tipo de governo, etc.) a pior característica que pode atingir os cidadãos de uma polis, o seu administrador deve cuidar que ela não cresça ao ponto de fomentar a desunião, que leva às guerras. As guerras, segundo Platão, são momentos e situações de baixeza moral generalizada.

Estava a ler isto e parece-me que se aplica perfeitamente à Rússia: um país que quer crescer ilimitadamente, em território e poder, que tem a sua sociedade profundamente dividida, governada por um tirano que fomenta a guerra e a baixeza moral. No entanto, a Ucrânia, que se defende da guerra (é a Siracusa de Atenas) conseguiu esse feito de se unir na defesa e de não ter deixado que a baixeza moral se dissemine por conta da guerra. Isto deve-se a quê?

Platão diria que isto se deve a um administrador justo. Porém, no caso, o administrador foi eleito democraticamente, o que contraria a inclinação de Platão, que depois de tudo o que assistiu durante a juventude -que culminou com a condenação e morte de Sócrates- nunca mais confiou no voto democrático do povo -ignorante e manipulável- e só no fim da vida veio a admitir que não se pode governar a cidade sem levar em conta a opinião dos cidadãos. Seja como for, Platão diria que as virtudes do governante são quem imprime uma dinâmica de contenção moral aos seus concidadãos e que a Rússia, sendo governada por um administrador sem virtudes e profundamente imoral, propaga com o seu exemplo e falta de sabedoria, a decadência, material e moral, do seu povo.

Também se aplica ao que se passa nos EUA e a perspectiva de Trump voltar a ser escolhido pelo povo para administrar com imoralidade, vício e demérito o país, levaria Platão a confirmar as suas ideias acerca do perigo que espreita constantemente as democracias.


da República de Platão da ed. Gulbenkian - acesso digital aberto neste link 





March 19, 2024

Citação deste dia

 

Guerra Hamas-Israel

"Basta pensar no absurdo que seria inverter a lógica dos escudos humanos: imaginem os israelitas a utilizar as suas próprias mulheres e crianças como escudos humanos contra o Hamas. Reconheçam como isto seria impensável, não só para os israelitas tratarem os seus próprios civis desta forma, mas também para esperarem que os seus inimigos pudessem ser dissuadidos por uma táctica destas, tendo em conta quem são os seus inimigos. [e o desprezo que têm pela vida de mulheres e crianças, até mesmo as suas]

Mais uma vez, tem sido fácil perder de vista a distância moral - o que é estranho. É como perder de vista o Grand Canyon quando se está mesmo à beira dele. 

Reserve um momento para fazer o trabalho cognitivo: imagine os judeus de Israel a usarem as suas próprias mulheres e crianças como escudos humanos. E depois imagine como reagiriam o Hamas, o Hezbollah, a Al-Qaeda, o ISIS ou qualquer outro grupo jihadista. A imagem que devem ter agora na vossa mente é uma obra-prima do surrealismo moral. É absurda. É um sketch dos Monty Python em que todos os judeus morrem.

Estão a ver o que significa esta assimetria? Vêem o quão profunda ela é? Vêem o que vos diz sobre a diferença ética entre estas duas culturas?" 

-Sam Harris \(audio is here)

Como é que nenhum país do mundo, excepto Israel, está a pedir ao Hamas que se renda, que deponha as armas e liberte os reféns? Essa é a forma mais simples de acabar com a guerra: acaba-se o Hamas, não há mais civis mortos, não há mais soldados das FDI mortos, os reféns podem ir para casa, e assim por diante. Não é complicado! (É claro que a forma de governar Gaza depois é complexa e incómoda, mas primeiro a guerra tem de acabar e com uma vitória para Israel).

E porque é que só Israel pede esta solução, uma vez que o Hamas é uma organização terrorista que jurou extirpar Israel e matar os judeus, uma vez que foi o Hamas que começou toda esta confusão, e uma vez que o Hamas está até a promover a morte de mais palestinianos, bem como de membros de ONGs, como táctica para aumentar a ira do mundo contra Israel? Como é que a ONU, a UE e outros governos ocidentais não estão a pressionar o Hamas? É apenas Israel que é pressionado - ao ponto de a América estar agora a dizer a Israel como conduzir a guerra, como conduzir as suas eleições e, por amor de Deus, não entrem em Rafah em circunstância alguma.


A resposta é simples: Biden quer ganhar as eleições e não pode apoiar explicitamente Israel.

by whyevolutionistrue

January 04, 2024

In the bleak mid-winter

 


In the bleak mid-winter
Frosty wind made moan;
Earth stood hard as iron,
Water like a stone;
Snow had fallen, snow on snow,
Snow on snow,
In the bleak mid-winter
Long ago.

In the Bleak Midwinter by Christina Rossetti (1872)


EPA,2022, Ucrânia BBC