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September 18, 2026

Este artigo sobre a diferença de alianças dos EUA e da China é interessante mas passa ao lado do principal


Por que razão a China continua a resistir a alianças formais

Geosec Insights

À primeira vista, a política externa da China apresenta um paradoxo. Pequim é a única potência com dimensão económica, capacidade industrial, modernização militar e alcance diplomático suficientes para desafiar os Estados Unidos enquanto rival sistémico. No entanto, ao contrário de Washington, não construiu uma rede global de alianças militares vinculativas.

Washington tem operado através de tratados formais de defesa, bases militares avançadas, estruturas de comando de alianças, inter-operabilidade e garantias de segurança de longo prazo. Pequim, pelo contrário, escolheu uma abordagem diferente para expandir a sua influência. Esta inclui uma combinação de parcerias estratégicas, projectos de infraestruturas, coordenação política, dependência económica e comercial, exercícios militares e fóruns multilaterais, mas não compromissos jurídicos que obrigariam a China a defender outro Estado em caso de guerra. Por outras palavras, a China tem evitado alianças como a NATO e, em particular, cláusulas como o artigo 5.º da NATO.

Esta é uma escolha estratégica deliberada. Pequim não quer reproduzir o sistema de alianças americano porque não o vê apenas como uma fonte de força, mas também como uma estrutura de obrigações, exposição e potencial envolvimento involuntário em conflitos. A China quer parceiros, não aliados no sentido jurídico estrito; influência sem compromissos automáticos; poder de pressão sem obrigações partilhadas; acesso sem dependência. Acima de tudo, quer liberdade de acção.

(...)

O modelo de alianças dos EUA e a lógica diferente da China

Um dos pilares da predominância global americana é a arquitectura de alianças do país. A NATO, provavelmente a aliança militar mais bem-sucedida da história e uma das principais alianças de Washington, continua a ser apenas uma parte de um sistema mais vasto. Washington mantém tratados de aliança com a Austrália, o Japão, a Coreia do Sul, a Tailândia e as Filipinas, além de outras parcerias de segurança na Europa, no Indo-Pacífico e no Médio Oriente. Este sistema proporciona a Washington acesso, redes de informações, legitimidade, inter-operabilidade militar, influência política e económica e capacidade de projecção militar avançada.

Washington encara as alianças como multiplicadores do seu poder, permitindo-lhe ultrapassar as limitações impostas pela geografia. Através das suas alianças, as forças americanas mantêm uma presença contínua na Europa, no Pacífico, no Médio Oriente e na Ásia Oriental, muito para além dos Estados Unidos continentais. Este sistema alargado de alianças e parcerias permitiu aos EUA moldar os equilíbrios regionais de acordo com os seus interesses nacionais e impedir que as crises se transformassem em ameaças directas.

No entanto, este sistema também criou expectativas políticas, uma vez que os aliados americanos dependem fortemente da proteção dos EUA, enquanto os próprios EUA dependem da cooperação e do alinhamento dos seus aliados. A recente guerra no Médio Oriente demonstrou os limites da dependência, tanto para os Estados Unidos como para os seus aliados.

A China, por seu lado, encara o sistema de alianças de forma diferente. Para os decisores políticos chineses, as alianças americanas não são meros acordos de segurança neutros, mas instrumentos de contenção, sobretudo na Ásia Oriental. Neste sentido, as forças americanas na Coreia do Sul e no Japão, a aliança entre os EUA e as Filipinas, o AUKUS, o QUAD e os Five Eyes são vistos como partes de um sistema mais amplo destinado a conter a expansão chinesa, especialmente no perímetro marítimo de Pequim.

(...)

A China tem parceiros, não um verdadeiro sistema de alianças

A ausência de alianças formais não significa que a China não mantenha relações estreitas com outras potências. Em primeiro lugar, Pequim mantém uma parceria próxima com Moscovo. Além disso, a China mantém uma relação estreita com o Paquistão, profundos laços económicos em todo o Sul Global, influência crescente em algumas regiões de África e do Médio Oriente e um papel institucional em fóruns como a Organização de Cooperação de Xangai e os BRICS. Por fim, a China tem apenas um tratado formal de defesa, herdado da Guerra Fria, com a Coreia do Norte.

Nenhuma das parcerias acima mencionadas é, de forma alguma, equivalente à NATO ou à aliança entre os EUA e o Japão: Não criam um sistema de comando unificado;
Não obrigam automaticamente a China a defender vários parceiros;
Não exigem que Pequim mantenha grandes forças permanentes estacionadas em território aliado;
Não inserem a política de segurança chinesa numa estrutura de aliança partilhada.

No entanto, as parcerias chinesas são úteis porque são politicamente abrangentes e juridicamente limitadas: Permitem à China cooperar com a Rússia sem assumir todos os riscos russos.
Permitem-lhe apoiar o Paquistão sem ficar presa a todas as crises entre a Índia e o Paquistão.
Permitem-lhe relacionar-se com o Irão, a Arábia Saudita, Israel, os palestinianos e os Estados do Golfo sem escolher formalmente um dos lados em todos os conflitos regionais.
Permitem à China apresentar-se como mediadora quando isso lhe é conveniente e como contrapeso de uma grande potência quando necessário.

Este é o núcleo do modelo chinês: máximo espaço diplomático com um mínimo de obrigações formais.

A lição histórica: a cisão sino-soviética

Uma das razões que explicam a abordagem chinesa é histórica. Mais especificamente, a aliança da China com a União Soviética, nas primeiras fases da Guerra Fria, começou como uma parceria ideológica entre as duas potências comunistas. Rapidamente, porém, transformou-se numa lição sobre dependência, desconfiança e hierarquia.

A cisão posterior indicou aos dirigentes chineses que o alinhamento ideológico não é suficiente para manter uma aliança, sobretudo quando uma das partes é tratada como um parceiro inferior — neste caso, a União Soviética tratava a China como não sendo um parceiro em pé de igualdade. Consequentemente, a relação sino-soviética deteriorou-se até se transformar em hostilidade, incluindo confrontos militares ao longo das fronteiras.

Esta experiência teve um impacto profundo no pensamento estratégico chinês, reforçando a suspeita de que as alianças formais podem limitar a liberdade de ação e, consequentemente, reduzir a soberania. O aliado poderoso pode transformar-se num patrono, numa limitação e, por fim, numa ameaça.

(...)

Soberania e controlo

Outro aspecto importante da estratégia chinesa de não estabelecer alianças está relacionado com a obsessão do Partido Comunista Chinês (PCC) pelo controlo. A interpretação que o PCC faz da história moderna da China é moldada pelo «Século da Humilhação», que teria resultado da intervenção estrangeira, dos tratados desiguais, da fragmentação territorial e da pressão externa. Quer se aceite ou não esta narrativa na sua totalidade, ela continua a ser central para a forma como Pequim explica o seu comportamento em matéria de segurança.

As alianças formais exigem normalmente coordenação, partilha de informações, interoperabilidade, planeamento conjunto e acesso militar estrangeiro. Para os EUA, isto faz parte da gestão normal de uma aliança; para a China, cria desconforto. Pequim não quer forças militares estrangeiras integradas na sua arquitetura de segurança, nem parceiros externos a influenciar o seu processo de tomada de decisões. Naturalmente, também não quer que as suas próprias forças armadas dependam do consenso dos aliados.

(...)

Conclusão

A China não evita alianças formais por ser fraca, mas porque encara as alianças rígidas como um risco. A cisão sino-soviética ensinou a Pequim que até parceiros ideológicos podem transformar-se em constrangimentos. A observação de Washington ensinou-lhe que as alianças ampliam o poder, mas também criam obrigações, testes de credibilidade e riscos de envolvimento em conflitos.
(...)

 Em vez disso, a China constrói uma ampla rede de parcerias flexíveis que apoia a sua ascensão, complica a estratégia dos EUA e preserva a sua liberdade de ação.

O problema das alianças da China, em última análise, não diz respeito tanto à doutrina como ao tipo de grande potência que Pequim pretende ser. Os EUA construíram uma ordem assente em aliados, enquanto a China está a construir a sua influência em torno da autonomia. Saber se esse modelo resistirá a uma grande crise é uma das questões decisivas desta década.
https://www.geosecinsights.com/

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O artigo refere que a China tem alianças que não implicam a partilha de informação militar e estratégica, a um comando militar unificado e também não a obrigam a entrar em conflitos que não escolheu, como acontece com o artigo 5º da NATO, mantendo a sua independência e liberdade de acção - ao contrário dos EUA que têm um sistema alargado de alianças e parcerias que lhes permitiu moldar os equilíbrios regionais de acordo com os seus interesses nacionais e impedir que as crises se transformassem em ameaças directas. 

Esta análise é interessante mas passa ao lado do principal: os EUA eram (ainda são de algum modo) uma democracia e a China é uma ditadura e tudo o resto decorre desse facto. 

E a China é uma ditadura de um país grande - em território, em número de pessoas e em estrutura militar. Isto é importante, porque uma ditadura de um país pequeno (pense-se em Portugal de Salazar) só é uma ameaça para o próprio povo e, por isso, necessita de alianças com países mais fortes para se defender de outros fortes. Mas uma ditadura num país enorme, em território, em número de pessoas e em estrutura militar, não tem necessidade de alianças. Ninguém os ameaça e eles é que são intimidantes para os países vizinhos na sua esfera geográfica, logo em risco de serem seus subalternos, de uma maneira ou de outra. Veja-se o caso da Rússia. 

Porém, as democracias não operam na base da intimidação militar e da ocupação territorial pela força. Respeitam-se umas às outras enquanto Estados de direito e, por isso, confiam umas nas outras, em muitos assuntos e partilham informação estratégica que as ditaduras, que não respeitam leis internacionais e o Estado de direito, nunca partilhariam. A NATO é uma aliança de defesa e não de ataque. Ao contrário das ditaduras, as democracias precisam de alianças pois o seu poder de influência é diplomático, político e económico e o poder militar é uma reserva de defesa, não um argumento na mesa de negociações. 

Repare-se na UE. De cada vez que um candidato pró-ditadura vai a eleições, a primeira coisa que diz é que quer ser independente da NATO e da própria UE. Quer autonomia total, não ter que partilhar nada, etc. Veja-se Farage e o Brexit, veja-se a Hungria de Orban (o seu ministro dos negócios estrangeiros Szijjártó, agora trabalha para a China), veja-se a líder do AfD, a Le Pen, os bloquistas e comunistas portugueses. 

Este artigo vê a questão do ponto de vista da China e dos EUA -o que cada um quer- mas esquece-se que as alianças são voluntárias e não forçadas. Ninguém quereria uma aliança do género da NATO com a China ou com a Rússia, sabendo que essa aliança implica ficar dependente de uma ditadura feroz. Bem, agora a Rússia talvez quisesse -temporariamente-porque está com a corda no pescoço.

Todos queriam, em tempos, ter alianças com os EUA, mas repare-se como as alianças dos EUA da América estão a morrer, por afastamento dos aliados, desde o momento em que os EUA se transformaram numa oligarquia intimidante que usa o poder militar como argumento. De repente, as democracias europeias, o Canadá, o México e outros países pelo mundo fora, começaram a desligar-se deles: primeiro na partilha de informação secreta, depois militar, depois económica, agora digital. Muitos já estão à procura de outras alianças para os substituir.

Portanto, a grande diferença que a China tinha relativamente aos EUA em termos de estilo de alianças, fundava-se no facto de a China ser uma ditadura num país enorme. Neste momento em que Trump ameaça invadir aliados, tarifar aliados, apoiar inimigos dos seus aliados e afirma não querer ter laços que os prendam a acções de outros países, cada vez tem menos diferenças com a China - ou com a Rússia.

É intimidante, argumenta com a força militar e quer colónias e países que se subalternizem, em vez de aliados. E isto acontece porque já não são uma democracia séria, são uma oligarquia ainda com instituições democráticas mas já muito deterioradas que não inspiram confiança.

Portanto, a principal diferença entre a China e os EUA era a primeira ser uma ditadura e a segunda uma democracia e daí decorriam os estilos de alianças diferentes. Agora já não são tão diferentes assim.


September 17, 2026

A China é uma ditadura. Não permite crítica e muito menos oposição




Um preso político português. Montenegro calado

Portugal e a China obrigam-se a respeitar os direitos fundamentais em Macau. O julgamento de Au Kam San, que começou ontem, expõe o silêncio de Lisboa perante a repressão de um cidadão português.

Jorge Menezes

Portugal e a China obrigam-se a respeitar os direitos fundamentais em Macau. O julgamento de Au Kam San, que começou ontem, expõe o silêncio de Lisboa perante a repressão de um cidadão português.

Juízes, procurador e advogado de defesa escolhidos a dedo, com imprensa e público trancados do lado de fora. É nesta escuridão que decorrerá, em Macau, o primeiro julgamento por violação da lei de defesa da segurança do Estado, montado sobre um conjunto mal-amanhado de actos banais convertidos em crime de subversão. Com um propósito claro: espalhar o medo e silenciar uma comunidade.

Au Kam San, cidadão português e activista pró-democracia, foi durante 20 anos deputado à Assembleia Legislativa de Macau, eleito por sufrágio directo. Foi detido pela Polícia Judiciária há pouco mais de um ano, e logo preso preventivamente, acusado de ter posto em risco a segurança nacional de um país de 1,4 mil milhões de habitantes. Nunca mais saiu da cela. Deixara de ser deputado em 2021, e este professor do ensino secundário teria começado a dedicar-se a derrubar o sistema político do país com a segunda maior economia e as mais numerosas forças armadas do mundo.

Os factos de que o acusam, mesmo que fossem verdadeiros, são, todos eles, inofensivos. Num Estado de direito, que Macau diz ser, nenhum constituiria crime. Au é vítima de dois males: uma acusação falseada e uma lei injusta, propositadamente vaga e feita para escolher quem prender.

“Apareceram na nossa casa, sem qualquer aviso, e levaram a minha mãe primeiro”, conta uma filha. “Depois começaram a recolher provas na nossa casa. E logo a seguir levaram o meu pai também. Foi um choque.” Nada como usar a mulher para coagir o marido.

O comunicado é leitura indispensável de literatura fantástica. Os crimes descritos oficialmente pela PJ incluem “recolha” de “notícias falsas ou grosseiramente deformadas”. Para a polícia política, a falsidade é recolhida nas ruas por activistas perigosos. Um caso sofisticado de ontologia da falsidade.

Acusam-no de ter mantido contactos com diversas entidades anti-China de fora de Macau, e de fornecer uma grande quantidade de falsas informações a meios de comunicação social estrangeiros, “com carácter provocador”, para exibição pública, “despertando assim o ódio” quer entre os residentes de Macau, quer “até mesmo entre pessoas de vários países que desconhecem a verdade em relação ao Governo Popular Central da RPC”. Terá assim “perturbado” a eleição para o chefe do executivo e “provocado” as forças anti-China – incluindo países estrangeiros – a tomarem acções hostis contra a República Popular da China, tudo em conluio com forças externas, “pondo seriamente em perigo a segurança do Estado”.
(excerto)


August 11, 2026

Eleições na Rússia...

 


August 08, 2026

A democracia não está gravada em pedra (para o melhor e para o pior)

 

Não existe nenhum manual que nos diga exatamente como tornar toda a gente próspera, segura e feliz este ano. A democracia faz experiências. Tenta uma coisa, depois outra, depois uma terceira. Algumas experiências resultam. Outras falham redondamente. 

As coisas que nos horrorizam são, muitas vezes, o resultado dessas experiências falhadas. Mas não estão gravadas em pedra. Ninguém tem de insistir que uma decisão insensata tenha de permanecer em vigor para sempre apenas porque o governante a tomou outrora.

Numa autocracia, no entanto, um líder pode cometer um erro catastrófico, iniciar uma guerra, desperdiçar um milhão de vidas e triliões de rublos — e depois, apesar do fracasso óbvio, continuar exactamente pelo mesmo caminho.

Desde o início, pode ser perfeitamente claro que as coisas só vão piorar. Mas quem o vai impedir? Quem lhe vai travar a mão? Quem tem autoridade para dizer: «basta»? Ninguém.

E assim ele continuará até ter destruído tudo.

Elvira Bary

June 05, 2026

5 de junho de 1989, Praça Tiananmen «Não fazia ideia de que tinham existido protestos numa escala tão gigantesca»

 



Apesar da censura, os jovens chineses estão a descobrir a verdade sobre a Praça Tiananmen

As autoridades têm sido, em grande medida, bem-sucedidas a apagar da memória coletiva o massacre dos manifestantes que lutavam por reformas democráticas, mas os factos continuam a emergir, muitas vezes de formas inesperadas.

Por Huiyee Chiew - washingtonpost.com/

Um homem bloqueia a passagem de uma coluna de tanques que segue para leste na Avenida Chang’an, em Pequim, perto da Praça Tiananmen, a 5 de junho de 1989. (Jeff Widener/AP)

TAIPÉ, Taiwan — As autoridades chinesas passaram décadas a apagar da memória nacional os detalhes das manifestações pró-democracia de 1989 na Praça Tiananmen. Mais recentemente, recorreram à inteligência artificial para eliminar qualquer vestígio do massacre da internet chinesa.

Mas, mesmo dentro dos limites cada vez mais apertados da Grande Muralha Digital da China, alguns jovens continuam a descobrir o que aconteceu — incluindo a repressão sangrenta levada a cabo pelo governo há 37 anos, numa quinta-feira — e frequentemente por vias inesperadas.

Em Fevereiro, quando a patinadora artística norte-americana Alysa Liu conquistou medalhas de ouro olímpicas em Milão, começou a circular na China uma discussão sobre o seu pai. Arthur Liu tinha participado nos protestos da Praça Tiananmen. Após a repressão, fugiu para os Estados Unidos, onde Alysa nasceu em 2005.

Quando ela venceu as provas individuais femininas e por equipas, alguns utilizadores das redes sociais chinesas chamaram-lhe traidor. Outros elogiaram-no como pai solteiro que conseguiu criar uma campeã.

Um utilizador da plataforma RedNote perguntou porque era Arthur Liu tão controverso. Anji, uma estudante universitária de 20 anos de Wuhan, que tinha aprendido sobre os protestos da Praça Tiananmen através de um professor de História, aconselhou os utilizadores a pesquisarem o passado dele.

Poucas horas depois, o seu comentário foi removido.

«Inicialmente não pensei que fosse apagado, porque nem sequer mencionei diretamente o incidente de Quatro de Junho», disse Anji, que falou sob a condição de ser identificada apenas pelo seu pseudónimo, por receio de represálias governamentais.

Arthur Liu, ao centro, pai da patinadora olímpica Alysa Liu, nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026, em Milão. (Jean Catuffe/Getty Images)

Na rede social Threads, ligada ao Instagram, um utilizador chinês leu informações sobre Arthur Liu e começou a investigar por conta própria.

«Só posso dizer que fiquei chocado», escreveu. «Não fazia ideia de que tinham existido protestos numa escala tão gigantesca.»

Os analistas afirmam que o excesso de zelo na censura dos acontecimentos da Praça Tiananmen tem, por vezes, despertado ainda mais curiosidade sobre o que realmente aconteceu.

Liu Lipeng, antigo censor da gigante chinesa das redes sociais Weibo e actualmente analista do portal noticioso China Digital Times, sediado na Califórnia, afirmou que Pequim «já levou a vigilância baseada em tecnologia ao limite».

A partir desse ponto, acrescentou Liu, «a sua eficácia começa, na verdade, a diminuir».

As revelações involuntárias sobre Tiananmen surgem frequentemente através de conteúdos de entretenimento, explicou Margaret Roberts, cientista política da Universidade da Califórnia em San Diego.

A China é um caso notável, afirmou Roberts, porque mantém intensa interação com o resto do mundo e apresenta elevados níveis de utilização da internet, mas «continua a preservar um sistema altamente sofisticado de controlo da informação que molda significativamente a forma como os cidadãos comuns consomem informação».

Contudo, acrescentou, «quando a informação política e o entretenimento se cruzam, isso torna-se particularmente perigoso e difícil para os governos que procuram censurar».

Em abril de 1989, estudantes com diversas queixas contra o governo comunista chinês iniciaram manifestações pró-democracia na Praça Tiananmen, no centro de Pequim. Na noite de 3 de junho, as autoridades enviaram o exército. Os soldados abriram fogo e os tanques avançaram sobre as pessoas. No dia seguinte, o protesto tinha terminado.

O número de mortos permanece desconhecido. O total oficial divulgado nesse mês foi de 241 vítimas, incluindo 218 civis, 13 agentes da polícia e 10 soldados. Ativistas dos direitos humanos e académicos afirmam que o número real poderá ascender aos milhares.

Desde então, o governo chinês tem procurado apagar essa história. O tema está praticamente ausente das salas de aula. Quando é abordado, costuma ser apresentado como um período de «agitação política» provocado por forças anti-comunistas e por governos ocidentais.

As palavras e imagens que possam estar relacionadas com os protestos e com a repressão são filtradas e removidas da internet chinesa. Linhas vermelhas semelhantes regem actualmente os grandes modelos linguísticos desenvolvidos por empresas chinesas de inteligência artificial, como a DeepSeek, que, segundo a Administração do Ciberespaço da China, não devem violar os «valores socialistas fundamentais».

Quando confrontada com perguntas sobre os acontecimentos da Praça Tiananmen, a DeepSeek terá respondido que o tema está «fora do âmbito actual».

Hong Kong serviu durante muito tempo como um espaço seguro para discutir publicamente os acontecimentos. Contudo, a lei de segurança nacional imposta em 2020 para esmagar o movimento pró-democracia da cidade tornou essas discussões praticamente impossíveis.

Polícias concentram-se, a 4 de junho de 2025, junto ao Parque Victoria, em Hong Kong, onde tradicionalmente as pessoas se reuniam para homenagear as vítimas do massacre da Praça Tiananmen de 1989. (Peter Parks/AFP/Getty Images)

Um museu dedicado à memória do 4 de Junho foi encerrado, e a vigília anual realizada no Parque Victoria por ocasião do aniversário foi substituída por um «Mercado Patriótico das Terras de Origem».

Rowena He, historiadora e investigadora da Hoover Institution, afirmou que, quando ensinou sobre o massacre da Praça Tiananmen nos Estados Unidos e em Hong Kong, alguns estudantes chineses acusaram-na de colaborar com governos ocidentais.

«Quando os estudantes são ensinados a acreditar que vidas humanas podem ser sacrificadas em nome do crescimento económico e da ascensão da China», afirmou, «a opinião pública, especialmente entre os jovens chineses, acaba por ser distorcida por valores fundamentalmente incompatíveis com o mundo democrático.»

Dado o sucesso dos censores em ocultar esta parte da história, as pessoas que a descobrem por si próprias ficam frequentemente horrorizadas.

Uma estudante adolescente da província de Zhejiang estava a assistir a uma transmissão em direto de Li Jiaqi, em 3 de junho de 2022, quando o influenciador apresentou um bolo gelado em forma de tanque. A emissão foi interrompida abruptamente.

A estudante, hoje com 18 anos, ficou perplexa. Acabou por encontrar formas de contornar a Grande Muralha Digital para descobrir o que tinha acontecido.

«Quando rasguei o véu da verdade, o que vi não foram apenas o sangue e as lágrimas da história, mas também o colapso da visão do mundo que mantive durante mais de uma década», disse ao The Washington Post. Falou sob condição de anonimato por receio de represálias.

Actualmente, deseja abandonar a China.

Molly tomou conhecimento dos acontecimentos de Tiananmen durante o ensino secundário. Um professor de História fechou as portas da sala antes de partilhar os detalhes. Muitos alunos ouviam falar do assunto pela primeira vez.

Molly, agora com 25 anos, considera positivo que outros jovens estejam a descobrir os acontecimentos através da história de Alysa Liu.

«Não tenho a certeza de que reacção este tipo de exposição acidental à história irá produzir», afirmou. «Continuarão agarrados às opiniões que já têm ou mudarão a sua perspectiva? Seja como for, penso que este é um ponto de entrada muito inesperado e inteligente.»


June 04, 2026

O massacre de Tiananmen ou como as ditaduras resolvem os problemas do povo incómodo

 


 

September 28, 2025

Não podemos ser complacentes e ficar à espera que as ditaduras fracassem

 

Não podemos ser complacentes e simplesmente esperar que o fascismo fracasse, porque ele acarreta um custo humano terrível enquanto dura e ditaduras geracionais como a Coreia do Norte bem como monarquias e teocracias repressivas duradouras demonstram que os sistemas autoritários podem adaptar os seus métodos de controlo e sobreviver por décadas ou séculos. 
- The Peaceful Revolucionary 

 (é por isto que o fascismo russo e as teocracias islamitas têm de ser denunciadas e combatidas e não toleradas - e derrotar os fascismos (como o que se está a construir nos EUA enquanto ainda é possível)


September 20, 2025

250 anos a construir uma democracia para vê-la ir pelo cano abaixo em apenas 9 meses

 

Prosecutor resigns after declining to charge Trump’s political foes
“I want him out,” the president said about U.S. Attorney Erik S. Siebert, who had recently declined to prosecute New York Attorney General Letitia James and former FBI director James Comey.
By Salvador Rizzo, Perry Stein and Jeremy Roebuck

Vaccine panel that limited covid shot scrutinized after chaotic meetings
Members were unprepared, misunderstood or ignored key data and highlighted flawed or inconclusive research, said medical associations and experts who watched the meetings.
By David Ovalle, Rachel Roubein and Lena H. Sun

EPA tells scientists to stop publishing research, requires new review process, employees say
By Amudalat Ajasa and Hannah Natanson

O Serviço Nacional de Parque elimina exposições sobre escravatura, internamento japonês e alterações climáticas 

Trump acrescenta taxa de $100K aos vistos de trabalhadores qualificados de talento
Se forem mantidas, as medidas restringem drasticamente a imigração legal
By Cat Zakrzewski, Lauren Kaori Gurley and David Nakamura


Na ofensiva de Trump a Washington D.C. helicópteros sobrevoavam e vigiavam a cidade noite e dia


August 16, 2025

O efeito Putin estende-se ao planeta.

 

As delegações da agência Lusa, da RTP e da RDP foram expulsas da Guiné-Bissau e os seus representantes têm que deixar o país até terça-feira.

Guiné Bissau, uma ditadura em crescimento a assumir-se publicamente como tal. O efeito Putin estende-se ao planeta. 

February 26, 2025

As ditaduras tomam sempre conta dos meios de comunicação social




Bezos, um dos que foi lamber o rabo de Trump no Mar-A-Lago e oferecer milhões, acaba de destruir o Washington Post, um jornal com uma história de frontalidade aos poderes instituídos. Pois agora passa a ser um jornal sobre margaridas e abelhas. O editor, David Shipley, demitiu-se. Dantes os jornalistas deste jornal tinham a liberdade de dizer a sua opinião: o que há de mais ético que isso? Agora a ética é a liberdade da internet de Zuckerberg e Musk, os outros dois lambedores de rabos com excesso de dinheiro. Já fui dar baixa da assinatura deste jornal, que era o único jornal estrangeiro que assinava. Agora que ele tem a liberdade de oligarcas proto-ditadores russificados, vou procurar outro para assinar.

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Jeff Bezos

@JeffBezos

Partilhei esta nota com a equipa do Washington Post esta manhã:

Estou a escrever para vos informar de uma mudança que está a chegar às nossas páginas de opinião. 

Vamos passar a escrever todos os dias em apoio e defesa de dois pilares: liberdades pessoais e mercados livres. É claro que também abordaremos outros temas, mas os pontos de vista que se opõem a esses pilares serão deixados para serem publicados por outros. 

Houve um tempo em que um jornal, especialmente um que era um monopólio local, poderia ter visto como um serviço levar à porta do leitor, todas as manhãs, uma secção de opinião alargada que procurasse abranger todos os pontos de vista. Atualmente, a Internet faz esse trabalho.

A liberdade é ética - minimiza a coação - e prática - impulsiona a criatividade, a invenção e a prosperidade.

Ofereci a David Shipley, que muito admiro, a oportunidade de liderar este novo capítulo. David decidiu afastar-se. 

Estou confiante de que os mercados livres e as liberdades pessoais são corretos para a América. Também acredito que estes pontos de vista estão mal servidos no atual mercado de ideias e opiniões noticiosas. Estou entusiasmado por estarmos juntos a preencher esse vazio.

Jeff

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August 05, 2024

Quem disse que não é possível derrubar ditaduras?

 


Bangladesh - Mais uma ditadura que cai

 


October 06, 2022

Galeria dos horrores

 

Regimes que cortam 10, 20 ou mais anos de vida aos seus cidadãos por ganância de poder e deformação mental.


September 16, 2022

Um clube de ditadores




Putin ausentou-se do país numa altura em que se pede a sua demissão, numa altura em que se lhe fazem críticas acerca da condução da guerra e correm rumores de atentados, o que mostra a dificuldade em que está e o desespero com que necessita da ajuda de Xi. 
Cada vez fica mais claro que este é uma guerra entre os regimes onde os governantes respeitam os outros seres humanos e regimes onde os governantes não respeitam os outros seres humanos: democracias e ditaduras colonialistas.
Xi, que revogou as medidas da China pós-Mao de limitar os mandatos da liderança a dois, para evitar a tentação do poder absoluto com a consequente corrupção absoluta, diz que a China é uma inveja para todos os países socialistas porque evitou o destino da URSS que, nas suas palavras, já teve muito poder e hoje é uma sombra - os países depois da sua queda escolheram o caminho do capitalismo.
Aqui há duas questões: 
1. a URSS, como a China não são países socialistas por vontade do povo mas por imposição brutal - aliás nem são socialistas sequer, porque ao contrário do que diz Xi, a China não é, liderada pela classe trabalhadora e baseado na aliança operário-camponesa", assim com a Rússia também não o é. Um e outros são liderados por um ditador quasi-absoluto (embora a China ainda tenha um simulacro de liderança colectiva que Xi está a tentar destruir) que obriga a população a submeter-se ou a sujeitar-se à prisão, à tortura e à morte. 
2. A URSS não era uma «união» de países soviéticos socialistas, como diz a sigla (URSS), mas uma ditadura opressiva colonialista que obrigou países inteiros a submeter-se ou a sujeitar-se à fome, à prisão, à tortura e à morte.
Xi gaba-se dos países 'socialistas' estarem a crescer. O que ele quer dizer é que as ditaduras do tipo imperialista ou colonialista (externa ou interna) existem e têm admiradores entre os ditadores: veja-se o grupo que se juntou ali na fotografia.
Portanto, Xi, admira o poder que a URSS teve, da maneira como o teve e quer ter um poder igual.
De maneira que é claro que esta é uma luta de regimes que não reconhecem leis internacionais e querem o poder total a qualquer custo e regimes que querem um poder assente em leis internacionais. 
É evidente que, se a Ucrânia não vence esta guerra terrorista da Rússia, ficamos com um grave problema mundial com os regimes dos dois maiores países do mundo a invadir tudo à volta e a levar outros pelo mesmo caminho.
 Putin já disse que é essa a sua intenção e a China já invadiu o mar da China contra a ONU e ameaça constantemente Taiwan à qual chama, 'um problema interno da China', da mesma maneira que Putin chamava à Ucrânia um problema interno da Rússia. 
Nós queixamo-nos da demora em enviar armas para a Ucrânia e criticamos o Kanzler alemão pela sua cobardia, mas isso é a democracia a funcionar: não estamos em regimes que uma pessoa decide sozinha e faz como quer e os outros ou amocham ou caem das janelas ou morrem a beber chá. 
Os regimes que neste momento ameaçam as democracias são dos piores: têm governantes predadores que prendem e matam todos os que se atravessam no caminho -até o seu próprio povo-, sem o menor escrúpulo. 
A China tem aquele sistema de recompensas e pontos sociais negativos verdadeiramente assustador onde as pessoas são vigiadas noite e dia e objecto de bullying social. 
As democracias são regimes inclusivos e plurais e as ditaduras são regimes exclusivos e unilaterais: a única pessoa que têm valor é o ditador e os outros são todos descartáveis.
É preciso armar a Ucrânia e manter firme o apoio aos ucranianos.

@christogroze




Xi Jiping declarou que a chave para o sucesso da China foi a determinação do país em traçar o seu próprio curso e não seguir os modelos de governação de outros.
Presidente chinês, Xi Jinping, defendeu esta sexta-feira que o Partido Comunista Chinês (PCC) é agora o "porta-estandarte" do movimento socialista global e "deve aprender a autocorrigir-se constantemente", para evitar o destino da União Soviética.

(...) pedindo aos funcionários que mantenham o "espírito revolucionário" e estejam sempre prontos para autorreflexão e autocorreção.
Sem esse exercício, "mesmo o regime mais poderoso" entraria em colapso, advertiu Xi, observando que a queda repentina, na década de 1990, da União Soviética e do bloco comunista, levou a um período de dificuldades sem precedentes para o movimento socialista global.
Muitos países em desenvolvimento abandonaram o caminho socialista para copiarem o modelo ocidental, disse Xi.
Muitos países em desenvolvimento olham para a China com inveja e querem aprender sobre a nossa experiência de governação", considerou.
"O socialismo com características chinesas tornou-se o porta-estandarte do desenvolvimento socialista do século XXI", acrescentou.


"A União Soviética foi tão poderosa, e hoje é apenas uma memória longínqua", lembrou.

Constitucionalmente, a China define-se como "um estado socialista liderado pela classe trabalhadora e baseado na aliança operário-camponesa". O marxismo-leninismo continua a ser "um princípio cardial" do PCC.


August 20, 2022

Os regimes comunistas são isto

 


Um ditador mediocre, geralmente um ser humano desprezível e alucinado (muitas vezes um puro assassino) a obrigar o povo a adulá-lo como se fosse uma divindade. O povo infantilizado.


August 18, 2022

Pôr as coisas em perspectiva

 


A igreja católica não está a ser perseguida enquanto religião mas enquanto opositora política. Ortega é um ditador no poder desde 2007 ou 2008, não sei ao certo. A igreja católica tem subido o tom das críticas ao regime de Ortega. Onde antes era mediadora entre o ditador e as forças da oposição, agora é ela mesma a oposição. Ora, Ortega é um ditador que não suporta críticas e oposições, de maneira que agora trata a igreja católica da mesma maneira que trata todos os opositores. Portanto, os padres não estão a ser presos por serem religiosos, mas por serem opositores políticos e as missas são proibidas, não por falarem em Cristo ou na misericórdia, mas por serem ajuntamentos de política de oposição. É assim que Ortega as entende. Não estou a defender que os padres devem ficar calados nas ditaduras, só estou a dizer que que é por isso e não por serem religiosos que caíram em desgraça junto do ditador.
O mundo, parece-me ser claro para todos, está a resvalar para o autoritarismo e para a ditadura e nas ditaduras as oposições enfrentam a censura. Sempre foi assim e sempre será.


Igreja Católica de Nicarágua diz que padre foi detido conforme repressão aumenta


O governo fechou estações de rádio católicas e proibiu procissões religiosas. A Igreja Católica da Nicarágua já atuou anteriormente como mediadora entre o governo e adversários, mas as relações se deterioraram desde uma violenta repressão sobre os protestos contrários a Ortega em 2018, e as tensões escalaram nos últimos meses.

March 20, 2022

Solidariedade entre ditadores

 



Há 5 dias, Boris Johnson foi aos EAU e à Arábia Saudita fazer negócios. 
Boris Johnson que entendia a UE como uma prisão foi fazer negócios com ditadores assassinos e raptores.
Ontem foi a vez de Assad


March 08, 2022

O mundo está cheio de homens velhos, patéticos, mesquinhos, cheios de vaidade e vontade de poder total a mandar

 

E outros iguais a sustentá-los: Rússia, Bielorrússia, China, Ayatollahs do Médio Oriente, África (uma data deles), EUA até há pouco tempo, os clérigos da Curia Romana... Não há um país com uma mulher como líder que seja uma ditadura. 




Atualmente, segundo o relatório da Freedom House, o mundo conta com 49 ditaduras, sendo: 18 na África Subsaariana, 12 no Oriente Médio e Norte da África, 8 na Ásia-Pacífico, 7 na Eurásia, 3 nas Américas, e apenas 1 na Europa. fonte: politize.com

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Actualmente há 1085 prisioneiros políticos actualmente na Bielorrússia. Não os esqueçamos.

Hoje, Aleh Ardziuk, 23 anos, detido desde 15 de Setembro porque se atreveu... a participar numa manifestação em Agosto de 2020... Uma vida desfeita pela vaidade de um ditador - mais um velho patético com vontade de poder absoluto.