Há ainda outro elefante dentro da sala de aula, enquanto Carneiro se entretém a olhar para a cor do giz. Portugal mudou demograficamente a uma velocidade extraordinária. Entre 2021 e 2025, o número de residentes estrangeiros mais do que duplicou: aumentou em 849 mil, para quase 1,6 milhões, 14% da população. A concentração territorial, essa, é brutal: em 2024, Lisboa tinha 202 mil residentes estrangeiros e Sintra quase 97 mil; nove dos doze concelhos com maior número pertenciam à Área Metropolitana de Lisboa.
As escolas sentiram exactamente a mesma transformação. Em dez anos, os alunos estrangeiros nas escolas públicas aumentaram 251% e passaram de 4% para perto de 17% do total; na Grande Lisboa, Setúbal e Algarve rondavam já os 20%. Muitos chegaram sem dominar a língua portuguesa. O Conselho Nacional de Educação identifica falta de professores de Português Língua Não Materna, heterogeneidade linguística, entradas ao longo de todo o ano e dificuldades de organização das turmas. Isto não é uma acusação às crianças imigrantes. É uma acusação a quem recebe crianças sem preparar escolas. Não basta proclamar humanismo, para depois praticar laxismo.
(...)
E chegamos ao meu último ponto, que se tem discutido menos: planeamento. Este Verão descobrimos que a fotografia oficial do país estava desfocada. O INE reviu a população de 2024 de 10,75 para 11,39 milhões: mais 637 mil pessoas, um erro de 5,9%. O PS respondeu que os números da imigração já eram conhecidos. O que só lhes agrava a culpa. Se sabiam que o país tinha mudado desta maneira, onde estavam as escolas, professores, centros de saúde, casas e transportes necessários para recebê-lo?
Pedro Mota Soares defendeu, aqui no Expresso, a antecipação dos Censos de 2031 porque “sem números credíveis e desagregados” continuaremos a desenhar políticas públicas com uma fotografia desfocada do país. Tem razão. Portugal não é apenas diferente do que pensávamos. Lisboa não é Bragança, Sintra não é Viseu e uma escola com vinte nacionalidades não enfrenta os mesmos problemas de outra que perde alunos todos os anos. E isto só para falar de educação, que é o que nos traz aqui. O efeito da ignorância alastra-se por todos os domínios sectoriais. E, pelos visto, locais: o Largo do Rato parece sofrer acrescidamente disso. Para lá de outras coisas.
-----------
Não é possível ter turmas de portugueses falantes de português desde sempre e ter turmas com 1 chinês, um paquistanês, um senegalês, um russo, um ucraniano, um estoniano, um venezuelano, um bielorrusso, um uzbequistanês, onde nenhum fala português e alguns nem inglês falam, e esperar que ambas as turmas tenham o mesmo desempenho. Agora é normal ter meia-dúzia de alunos estrangeiros numa turma.
As turmas cheias de imigrantes que não falam português ou o arranham mal a um nível primário, são turmas onde passamos o tempo a colmatar essa incapacidade. Não há alternativa, a não ser que os professores, para manterem o nível de aprendizagens dos alunos, finjam que eles não estão lá. E o volume de trabalho em excesso que representam esses alunos para o professor prejudica o trabalho.
Isto é o óbvio ululante e nenhuma demagogia de partidos completamente alienados da realidade muda a nossa realidade nas escolas.
Não admira, também, que nestes anos haja mais alunos do que é costume sem lugar nas escolas. Estão a abarrotar.
Só lamento que este ministro vá piorar a situação com o aumento de mais alunos por turma.
DÊEM-ME PESSOAS COM OS PÉS NA TERRA SFF
No comments:
Post a Comment