June 14, 2020

Wow what a vision!



Uma pessoa tem uma experiência de vida de um país meio mediterrânico onde tudo é mais ou menos ameno e doce (a única coisa que temos vagamente parecida com isto são algumas ondas da Nazaré) e de repente vê isto e dá-se conta de que está num planeta, uma rocha gigantesca, que a vida é uma improbabilidade e uma graça e que a única liberdade que temos é metafísica - a força da vontade. 

Isto tem imensa piada




Os ingleses estão malucos...



"On the day 72 people lost their lives in the Grenfell fire our prime minister decides to spend the day visiting the largest shopping complex in the UK. A fitting metaphor for what he values most."

Os americanos estão malucos...




As coisas que saem de gavetas que já não abria há mais de 10 anos



... e que ando a limpar de papéis velhos. Um exemplar da República do dia 25 de Abril




um jornal diário do ano de 82/83. já me entretive a ler umas coisas. Tem piada, porque uma pessoa passados muitos anos esquece-se de muita coisa da vida quotidiana.
Os textos do ano propedêutico, aquele ano que inventaram para atrasar a entrada das pessoas para a faculdade e onde não havia aulas em escolas. O ME vendia a matéria em folhas e cada um que  as estudasse como quisesse e no fim do ano ia a exame a todas as disciplinas. Estes eram os textos de Filosofia e foi a estudá-los que me descobri na Filosofia e resolvi que tinha de ir estudá-la. Havia umas aulas na TV às 8 da manhã, mas quem via aquilo...? Pela minha parte resolvi, nesse ano (foi o ano em que o pai morreu) ir trabalhar e estudar coisas que me interessavam e outras que poderia precisar. Tirei dois cursos de 3 meses (hoje em dia chamam-se formações especializadas), um de desenho, para aprender a ver. Trabalhei numa loja a empalhar cadeiras daquelas de palhinha e a vender livros em 2ª mão. Depois, lá para Abril, fechei-me em casa com um plano de estudo (vê-se aí nas folhas parte dele lol) e estudei sozinha, aí umas 8 horas por dia, para fazer os seis exames em Junho. Inglês nem estudei, aquilo era demasiado fácil. O mais difícil de estudar foi a Filosofia. Percebia pouco, como se vê nas anotações das folhas.



Ainda descobri o meu filho, aí à direita, num jornal :)




Como ainda vou na 1ª gaveta e ainda faltam duas, o que mais irei descobrir?

"Bail out the planet not the oil companies"



COVID-19 é uma doença mas é também um sintoma da má condição de saúde do planeta à conta da relação disfuncional do ser humano com ele. Não vale a pena tratar uma doença sem tratar a outra porque estão ligadas.

TIME

#FreeAssange - no meio desta confusão de COVID e BLM este homem está injustamente esquecido na solitária de uma prisão



E nenhum jornalista se interessa por ele.

"Why can’t #JulianAssange get some simple bloodwork done to help diagnose a chronic lung infection? Because he’s being slowly tortured to death for embarrassing powerful people, that’s why."

Hard times



Trump administration eases restrictions on killing bear cubs and wolf pups in their dens in Alaska. (@CBSNews)

"Evil comic books villains are running our country. Not a joke."

O regresso às aulas fez duplicar o número de infectados. A minha pergunta é: o que está o governo a pensar fazer para o ano que vem?



... ou não está a pensar nada de tão preocupado que está em pôr o fugitivo no tacho e o ano que vem é o caos?


Crianças infetadas pela Covid-19 duplicaram desde maio


Desde a reabertura de creches, a 1 de junho, já foram confirmados 224 casos de Covid-19 em crianças entre os 0 e 9 anos. E um em cada três jovens entre os 10 e 19 anos foi infetado desde o dia em que regressaram as aulas presenciais do ensino secundário.

Bom dia




June 13, 2020

No dia de hoje nasceu o poeta Pessoa




da antologia da Aguillar

The dealer's eye



from Sotheby's - se tivesse dinheiro para comprar arte, comprava uma das pinturas no leilão que a casa vai fazer online a preços amigáveis.

from Sotheby'sfrforThe Dealer's Eye

Violência contra estátuas 'versus' violência contra pessoas



Este homem fala do assunto como se fosse uma questão estética, sabendo nós todos que não o é. Põem-se estátuas de pessoas nas ruas e praças públicas para homenageá-las no pressuposto que prestaram serviços à Pátria, que a honram. É um reconhecimento público como a medalha da Ordem do Infante ou algo do género. É por isso que não há estátuas de Hitler no espaço público, apesar de ele ter mandado fazer muitas e de bom gosto estético. Se uma pessoa praticou actos odiosos, criminosos, qual é a razão de o homenagearmos publicamente? Nenhuma. Dizer que as estátuas de pessoas que cometeram crimes odiosos devem ficar por terem valor estético é fingir que não se percebe o problema.

Este indivíduo, George Floyd, cuja morte filmada foi a gota de água, é constantemente citado por ter um passado de pequena delinquência, mas aquele rapaz branco que violou uma colega, há um ano e maio, aproveitando-se de ela estar embriagada e a deixou caída, inconsciente e meio nua atrás de um caixote do lixo, na universidade de Yale, se não me engano, levou 3 anos de pena suspensa porque o juiz considerou que era de boas famílias e tinha um futuro promissor. É um violador promissor, sim. Isto é o pão nosso de cada dia.

Que as pessoas revoltadas contra o racismo tenham deslocado a sua agressividade para as estátuas e não para outras pessoas parece-me um mal muito menor e é significativo que ao fim de menos de 15 dias de protestos onde se sujaram e estragaram meia dúzia de estátuas a sociedade já esteja pelos cabelos e faça como este senhor que chama acéfalos aos que protestam e os compara, a eles e não aos que matam, efectivamente, pessoas e não estátuas, ao Daesh. 

O cardeal Fernando Niño de Guevara, pintado por El Greco não está na praça pública, está dentro de um museu e se não há nenhuma placa a explicar quem ele foi e o contexto da obra, devia haver.

A questão é complexa. Há homens que não podiam estar em cima de estátuas, publicamente: foram criminosos, praticaram actos criminosos, traficaram escravos, foram cruéis esclavagistas. Já Descartes dizia que um dos problemas da humanidade está em que se educa os mais novos na veneração dos violentos da história e não nos bons exemplos. 

Depois há outros, como o Padre António Vieira que defendeu os índios mas também defendia a escravatura por questões económicas, embora nunca tenha tido escravos e não parece correcto condená-lo por crime de pensamentos.

No entanto, compreendo a revolta. Há um tipo que há um par de anos escreveu no Expresso que a sociedade, diga-se os homens, devia vedar o empregos às mulheres até elas produzirem, pelo menos, 2 filhos, como se faz noutro país qualquer, mas é claro que isso não se podia fazer, dizia ele, porque as feministas haviam de fazer um escândalo. Isto é defender a escravatura das mulheres. Imagine-se que ele dizia que a sociedade devia vedar o emprego a negros até eles produzirem não sei o quê. Que diriam? Que ele defende a escravatura. Pois, é a mesma coisa. Ele continua a escrever alegremente grandes barbaridades no mesmo jornal. Não defendo que lhe façam mal, pois seria condenar alguém por crimes de pensamento, mas que é revoltante e triste que o jornal dê emprego a um tipo que sonha com a degradação das mulheres a escravas procriadores dele e seus capangas, ah isso é.

Também Churchill defendia que os negros e outros são raças inferiores, mas isso é o que ele pensava e não o que fazia. E, na verdade, ele foi alguém que prestou grandes serviços à Pátria dele e não só.
Hoje li umas respostas de Spike Lee a actores e realizadores acerca deste assunto e a certa altura perguntaram-lhe onde viveria se não vivesse na América: em Brooklin, disse, porque não imagina viver noutro sítio senão naquele país que inventou a democracia e que é melhor que os outros e é excepcional, etc. Portanto, um indivíduo que se queixa, com razão, dos que assumem e agem no pressuposto de que a raça dele é inferior, é ele mesmo veículo de ideias de haver povos superiores e povos inferiores.

(um aparte - ontem ouvi umas duas ou três horas de entrevistas do congresso americano a umas pessoas por causa do impeachment e vários vezes falaram do excepcionalismo americano. Eles estão mesmo convencidos que são um povo superior...)

Por conseguinte, as coisas são demasiado complexas para reduzir as pessoas a acéfalos ou bárbaros. Do lado dos que mandam e têm mais contas a prestar, há muita cegueira e recusa de ver o óbvio. O príncipe belga defendeu o Rei Leopoldo II, um ladrão e criminoso que fez coisas inomináveis, dizendo que ele nunca foi ao Congo e por isso não é responsável por nada do que lá se fez em seu nome. Isto é revoltante e a revolta de vez em quando transborda.
As pessoas não gostam de ver o transbordo e queixam-se mas nunca se queixam do transbordo dos outros, os que praticam a violência contra essa pessoas, dia após dia, ano após, ano, década, após década, século após século.

A sociedade funciona com o racismo, o etnocentrismo e o machismo em default. A máquina está programada para descriminar e tratar como cidadãos de segunda classe, os negros e outras etnias e as mulheres. Há excepções, sim, mas são isso mesmo, excepções.
Se se quer mudar este estado de coisas não se pode deixá-las correr por si, porque elas não se corrigem sozinhas, visto que os que estão no poder e têm vantagens não querem abdicar delas.
A quantidade brutal de homens incompetentes e intelectualmente menores que ocupam cargos só se percebe quando percebemos que o default da máquina social são eles. De modo que é preciso ir mexer nas configurações da máquina e assinalar todas as caixas e não apenas uma, como agora acontece.
E quem não vê isto e só vê um lado da questão, é cego e agrava os problemas.

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... a vandalização de monumentos que em algum momento passaram a ser vistos como símbolos nefastos por parte de determinadas dinâmicas políticas, sociais, religiosas, ou de defesa de um gosto preestabelecido.
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O tema é antigo e sempre perigosamente recorrente, mostrando à saciedade quão acéfalo é o pendor dos homens para a violência gratuita e quão frágeis para lhe resistir são as obras de arte e os monumentos da História
...Com máximo propósito, estas palavras ganham sentido face aos actos de violência contra obras de arte – os monumentos públicos, as estátuas e os memoriais – que, nos últimos dias, se têm multiplicado em várias cidades do nosso planeta, e também em Portugal, na onda dos sentidos protestos contra a repressão xenófoba nos EUA.
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O iconoclasma é sempre um acto inadmissível, e não se resume naturalmente aos atentados do Daesh, ou dos talibans, contra museus, monumentos e demais patrimónios da humanidade, pois se alarga às atrocidades dos senhores do mundo nas guerras de cobiça contra populações inteiras para pilhagem e controle dos seus recursos.
...
Pergunto: não aprendemos nós todos com a História? Parece que não sabemos, mas devíamos saber, que todas as obras de arte (independentemente da sua maior ou menor qualidade estética) são sempre trans-contextuais e, mais!, estão isentas de culpa pelos desmandos da cegueira humana. Vamos retirar de exposição pública no Metropolitan Museum de Nova Iorque o excepcional retrato do Cardeal Fernando Niño de Guevara, pintado por El Greco (c. 1600), porque o retratado é uma figura infame, responsável por inúmeras fogueiras inquisitoriais, coisa que aliás o próprio pintor bem sabia, deixando na tela a impressão da sua antipatia pelo modelo? 
...
Vitor Serrão


O problema do país é este II



As promessas só contam quando é para enfiar dinheiro nos bancos e nos amigos. Aí é ao segundo que se cumprem. Quanto ao resto do país, que se atrase.

Governo tinha prometido que ia acelerar pagamentos, mas derrapou. Empresários ficam com problemas de tesouraria.

Em plena pandemia, com muitas empresas a denunciar falta de dinheiro em caixa, o Estado aumentou a dívida aos fornecedores, contrariando uma promessa feita pelo Governo no dia 13 de março. A execução orçamental mostra que o stock de dívida cresceu 64 milhões entre março e abril, totalizando 1624 milhões. Dentro deste bolo, as dívidas a mais de 90 dias eram de 477 milhões em abril, mais 44 milhões do que no mês anterior. Reunir recursos para libertar liquidez para as empresas tem sido possível, já que o Estado vai gastar, por exemplo, 1100 milhões de euros em 2020 só com o lay-off.

O problema deste país



... é isto: todos os cargos são, praticamente, ganhos por cunha, por favores partidários, pagamento de favores e manter os do partido distribuídos pelos cargos que importam, em vez de serem ganhos por mérito.

Costa dá ordem para defender Centeno. Bloco será decisivo

Socialistas preparam obstáculos para evitar lei anti-Centeno na AR. E para lhe abrir caminho para o BdP. BE deixa em aberto.

O caminho de Mário Centeno para o Banco de Portugal terá um primeiro confronto no Parlamento já esta semana: de um lado, a direita quer travar a nomeação com uma nova lei (proposta pelo PAN e o PEV), do outro o PS conta com a esquerda para travar o impedimento. A ordem veio de cima, indicando que António Costa pode mesmo estar a pensar no nome do futuro ex-ministro para o cargo de governador do BdP.

Se os telemóveis entrassem dentro de portas



... como agora entram dentro de qualquer detenção policial com imagens de vários indivíduos negros a serem mortos pela polícia, o abalo seria tal que nem 10 anos de protestos chegavam.
Se entrassem pelas casas adentro para se ver os homens a espancarem e matarem mulheres e filhos (e nisto não há raça que faça pior ou melhor); pelos escritórios adentro para se ver chefes, patrões e outros em cargos de poder a assediarem e abusarem de raparigas e de mulheres, nem 10 anos de protestos chegavam. Vivemos numa cultura de assédio sexual. É essa a educação que os homens têm desde que nascem e tudo, desde o comportamento dos pais, à literatura, filmes e jogos, acabando na publicidade o reforça em vez de combater. 


A ex-estudante [de Harvard] publica nas redes sociais uma mensagem, desde então replicada milhares de vezes, com a proposta indecente que recebera de um professor quase oito anos antes. Num correio eletrónico datado de 21 de julho de 2012, Gary Urton, então diretor do Departamento de Antropologia, reputado especialista da época pré-colombiana, propunha “algo mais íntimo” do que um almoço para discutir a investigação da então aluna do doutoramento de Arqueologia Antropológica.

“E se fôssemos para um quarto de hotel com uma garrafa de vinho e passássemos toda uma tarde à conversa e em explorações?”, “sem qualquer pressão; apenas a possibilidade de algo potencialmente muito especial e único”, escrevia Urton...


Ao longo da extensa investigação do “Harvard Crimson”, 72 mulheres — a maioria alunas ou ex-alunas — denunciam os abusos a que foram submetidas por parte de altos responsáveis daquele Departamento, desde propostas indecentes a toques, beijos e mesmo pressões repetidas para manter relações sexuais “não consentidas”. (Expresso)

Know thy enemy



Know thy enemy

he does not care what colour you are

provided you work for him
and yet you do!

he does not care how much you earn
provided you earn more for him
and yet you do!

he does not care who lives in the room at the top
provided he owns the building
and yet you strive!

he will let you write against him
provided you do not act against him
and yet you write!

he sings the praises of humanity
but knows machines cost more than men.
Bargain with him, he laughs, and beats you at it;
challenge him, and he kills.

Sooner than lose the things he owns
he will destroy the world.
SMASH CAPITAL NOW!

But as you hasten to be free
And build your commonwealth
Do not forget the enemy
Who lies within yourself.

Christopher Logue

June 12, 2020

Porque é que Putin está sempre um passo à frente dos EUA?



Porque o presidente da CIA é um total atraso de vida e o outro é um ex-KGB. Até dói ouvir este tipo falar. 



Forças diversas em harmonia e conflito



"From the Lake". Georgia O'Keeffe. 1924.

Isto é melhor que uma formação



Tenho estado a ouvir o depoimento de Fiona Hill e David Holmes, em Novembro passado, no Congresso, a propósito do impeachment de Trump. Uma pessoa aprende muito a ouvir estas sessões quando quem testemunha são argutos especialistas que revelam o que se passa atrás de portas fechadas em certos círculos. Como as decisões são tomadas, o comportamento das pessoas, a consciência dos problemas, a perspectiva política real, quer dizer, não encenada para o público. Quem me impressiona é a mulher, Fiona Hill, uma americana nascida inglesa, filha de um mineiro, especialista em assuntos da Rússia e também da UE, que foi conselheira de Trump e, antes dele, de Bush e de Obama e, por isso mesmo, está por dentro dos 'segredos dos deuses'. A mulher não se deixa enervar por nenhuma provocação, nenhuma questão, por mais retorcida que seja. Inteligência e sangue-frio. Isto é melhor que uma formação em diplomacia, política, relações internacionais e retórica argumentativa.