Como mostrar a penetração do racismo nas camadas superficiais e subterrâneas da cultura, com grande inteligência e eficiência - nenhuma agressividade ou vitimização.
Como mostrar a penetração do racismo nas camadas superficiais e subterrâneas da cultura, com grande inteligência e eficiência - nenhuma agressividade ou vitimização.
A jornalista começa por dizer que acha que is cartazes são racistas, mas não apresenta uma única razão para essa afirmação, o que é estranho, dado afirmar tão convictamente que o são. Depois dá muitas razões que não têm que ver com os cartazes, como se o tivessem, para deixar essa impressão de que os professores são racistas.
Diz que as pessoas não sabem, porque não se ouviu na TV, mas alguém na assistência dirigiu expressões como 'preto' e monhé' ao primeiro-ministro. Ora, os cartazes e estas expressões que alguém diz ter ouvido são duas coisas completamente distintas, que esta jornalista cola a cuspo para dar a ideia de que os cartazes têm implícitas aquelas expressões racistas e, por isso, são racistas.
Mais à frente cita 1 pessoa, uma deputada municipal que lê racismo na sua conta de Twitter, como legitimação de que os portugueses,em geral, são racistas contra Costa, de onde fica sub-entendido que as manifestações contra Costa têm motivos racistas e, por isso, as manifestações dos professores são racistas.
Dá ideia que é aí que ela quer chegar. Parece-me uma generalização abusiva.
Eu também sou 1 pessoa e, se bem que não tenha a importância que ela atribui a deputados, sou professora e embora não me dê com os 150 mil professores do país, dou-me regularmente com muitas centenas e sigo blogs de professores com milhares de comentários e nunca ouvi nenhum colega chamar 'preto' e/ou monhé' ao primeiro-ministro.
Quer isto dizer que posso generalizar ao ponto de afirmar que nenhum professor é racista? Claro que não, isso seria uma improbabilidade que desafia a lógica. Porém, o facto de haver pessoas racistas no país e até, de haver professores que serão racistas, não permite concluir que todos os portugueses são racistas, que os professores em particular são racistas e que os cartazes do 10 de Junho são racistas e parece-me que esta jornalista distorce os factos para forçar esse ponto de vista. Chega ao ponto de dizer que o presidente da Frente Anti-Racista que não entendeu os cartazes como obviamente racistas, não percebe o que é o racismo...
The absolute best stand-up comedy set on “Reverse Racism”. pic.twitter.com/JlstFEvn56
— Walter Masterson (@waltermasterson) August 29, 2022
Esta ideia de que os europeus são racistas até à medula pela maneira como recebem os refugiados ucranianos e como receberam os refugiados da Síria faz-me lembrar aquela piada,
Na segunda-feira bebi quatro bagaços e uma Coca-Cola e acordei com dores de cabeça. Quarta-feira bebi três Brandys e três Coca-Colas e fiquei cheio de dores de cabeça. Sexta-feira bebi seis uísques e duas Coca-Colas e mais uma vez fiquei com dores de cabeça. É evidente que tenho de deixar de beber Coca-Cola senão nunca mais me livro das dores de cabeça.
O que fica evidente nesta piada, é a facilidade com que se raciocina pela superfície sem olhar a elementos não visíveis. E é exactamente o que se faz neste twitt: como os ucranianos são brancos e os sírios não, assume-se que esse foi o elemento diferenciador (a coca-cola) do tratamento dos refugiados desses países.
Acontece que há diferenças grandes entre os refugiados sírios e os ucranianos e não têm que ver com a cor da pele. Em primeiro lugar, os ucranianos que fogem da guerra são quase todos mulheres e crianças.
Não há, entre os ucranianos, uma percentagem de bombistas radicais que entram misturados para criar células de terroristas contra os europeus, homens que enchem as mesquitas de ódio e incitamento à violência contra os europeus. Os refugiados sírios -mas também afegãos e de outros países do Médio Oriente- são muçulmanos enquanto os ucranianos são cristãos. Esta é uma grande diferença, porque os muçulmanos trazem consigo um modelo cultural quase medieval que choca com o europeu: não valorizam sociedades laicas e por isso, não reconhecem a autoridade política como sendo superior à religiosa, logo, não respeitam os princípios organizadores das sociedades democráticas, da mesma maneira que não reconhecem as mulheres como cidadãs de pleno direito e como seres humanos dignos de respeito; não são capazes de revisão racional em questões sócio-culturais e por isso, também, proíbem ou restringem o contacto dos filhos, sobretudo as raparigas, com os europeus, por medo de revisão racional e afastamento da sua mundivisão. São culturas que não valorizam o conhecimento e a educação, não religiosa, dois grandes valores que definem os europeus.
Perturbam imenso as escolas com exigências de abandono do princípio do laicismo e de respeito pelos dogmas do islão: ora as raparigas têm que sentar-se atrás para não perturbar a educação dos rapazes, ora as professoras não podem vir de saias, ora não podem ralhar com os rapazes por serem mulheres ou exigem que as raparigas sejam separadas dos rapazes nas aulas de educação física ou da natação, ora querem proibir que os professores critiquem a religião do Profeta e os seus líderes religiosos... há um ano um aluno decapitou um professor, em França, por os pais acharem que o professor tinha criticado o islão. Em França, os professores têm medo dos alunos muçulmanos. Nós, europeus, valorizamos a discussão e a crítica, os muçulmanos valorizam a obediência e ainda praticam a justiça de Talião.
São pessoas que têm dificuldade em integrar-se na cultura ocidental e criam imensos problemas sociais e culturais como temos visto que o fazem, na Alemanha, na França, na Suíça, etc., sobretudo quando as comunidades são muito grandes, como em Marselha, por exemplo. Por conseguinte, se calhar não é a cor da pele o elemento diferenciador, mas outras considerações sociais e culturais.
Aqui na Europa levámos séculos a estabelecer sociedades laicas, democráticas, com valores de respeito universal pela dignidade humana e de direitos sociais. É um trabalho que custou muitas vidas humanas e que ainda não está acabado. Os refugiados muçulmanos, os homens, sobretudo, ao contrário dos ucranianos, são estressores culturais porque trazem consigo um modelo quase medieval de sociedade e cultura: teocrático, teocêntrico, violento na justiça, desigual nas oportunidades, sem respeito pela dignidade humana - não por causa de um líder despótico que, de vez em quando, sobe ao poder, mas pela própria estrutura organizacional teocrática e ditatorial das suas sociedades. Daí a resistência em receber refugiados sírios e de outros países muçulmanos. Não quero dizer com isto que não há racismo na Europa, que o há, mas a Europa não se reduz a racismo, não é o que a define. Temos muitos valores positivos de hospitalismo. Há muita auto-crítica, há vontade de melhorar, há uma constante revisão racional, valores que os refugiados ucranianos também partilham e respeitam e os muçulmanos em geral não, sejam sírios, afegãos, sauditas ou de outro país qualquer.
também publicado no blog delito de opinião
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Ana Peleteiro respondeu aos comentários com uma citação onde aponta à inveja dos muitos críticos. Atleta tem criticado abertamente o racismo e os partidos que o incitam.
Nos EUA, no rescaldo dos crimes racistas recentes e do movimento, BLM, está a haver uma guerra sobre como ensinar nas escolas a história racista dos EUA. Alguns extremistas não querem que se fale, sequer, nos assuntos. A maioria quer que o assunto seja abordado mas não se põem de acordo sobre a maneira de o fazer.
Há um movimento que advoga o ensino da Teoria Crítica da Raça (TCR). Esta teoria que vem dos anos 60 do século passado é baseada na Teoria Crítica da escola de Frankfurt de Horkheimer, Marcuse e outros, de inspiração marxista (dos anos 30 do século XX) que defendem que a estrutura social é mais forte que o indivíduo, portanto, os problemas sociais são influenciados pela cultura e pelas estruturas de poder mais do que por factores individuais das pessoas individuais.
A TCR transfere essa ideia para o racismo americano e defende que as leis que 'garantem' a igualdade de direitos por si só não chegam, já que as estruturas de poder efectivo perpetuam o racismo nas suas práticas e na sua cultura. Os críticos da TCR dizem que ensinar que os direitos garantidos na lei não têm relevância é muito perigoso, digamos assim, de maneira simplista.
Alguns legisladores conservadores que pensam mais em si que nos alunos (isto é universal...), para impedir que a TCR seja ensinada, sem que sejam acusados de racistas, entenderam legislar da seguinte maneira:
- ou seja, porque ensinar aos alunos que os avós dos avós, os avós e os pais foram racistas ao ponto do crime indiscriminado ou da cumplicidade com esse crime (porque estava embutido na cultura das estruturas do país) pode pôr os alunos brancos desconfortáveis, legislaram de uma maneira que impede que se fale seja do que for. Até das notícias do dia.
Este não é um problema simples de resolver. Já foi um problema na Alemanha do pós-guerra. É um problema porque implica interiorizar a ideia de que o racismo não foi um erro de uns quantos fanáticos mas uma prática embutida na própria cultura americana, aceite e apoiada pela esmagadora maioria.
A universidade de Nova York vai organizar residências segregadas no campus a pedido de um grupo de 1.105 estudantes negros -os Black Violets- , uma pequena percentagem dos estudantes negros da universidade, porque não estão para ter que educar os colegas acerca do que é o racismo e então querem ter um espaço onde não tenham que aturar outras raças.
Pelos vistos estas petições já aconteceram em outras universidades do país.
Muhammad Ali on race in the US...and wondering why Tarzan, the “King of the Jungle” in Africa, was white. Guy was a national treasure. #BlackLivesMatter pic.twitter.com/bXjWWV6q1R— Christian Christensen (@ChrChristensen) June 11, 2020