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February 12, 2026

Restauro do tecto em estuque do século XVIII da capela de Nossa Senhora da Conceição, em Setúbal

 

Com a conclusão do restauro do tecto em estuque do século XVIII da capela de Nossa Senhora da Conceição e por ser esta de assinalável interesse cultural, foi aberta no domingo 1 de fevereiro, entre as três e as cinco da tarde, para poder ser visitada.
Houve lugar a uma apresentação da mesma, acompanhada de excertos dos responsórios das matinas que foram musicadas para este espaço por António do Nascimento e Oliveira, músico setubalense (+1888). (Padre Rui)

Uma perspectiva do tecto restaurado

um excerto do apontamento musical (não sei o nome dos músicos mas penso que são do coro Gulbenkian)



January 27, 2026

António Chainho (1938-2026)

 

Foi-se mais um poeta da guitarra portuguesa 💔 há qualquer coisa de alma portuguesa que se ouve no seu dedilhar.


January 26, 2026

Jean-François Millet - 'Des glaneuses' (1857)

 

Em português, "As Respigadoras". As respigadoras eram camponesas pobres que iam ao restolho que ficava no chão no fim da ceifa, apanhar, uma a uma, as espigas que tinham ficado no chão. Poucas, como se vê pelas suas mãos, mas melhor que nada. 

Millet põem-nas em primeiro plano para mostrar a realidade de uma vida curvada, a apanhar os restos. Atrás delas vê-se a colheita do proprietário. São molhos e molhos de trigo altíssimos numa enorme abundância, guardados por um capataz montado a cavalo. As Respigadoras não olham para trás, não invejam, não se revoltam. Fazem o que têm de fazer pela sobrevivência.


Esta pintura é de 1857. Depois da Revolução que aboliu a Monarquia houve várias revoluções, umas para a reinstalar e outras para manter a República. O ano de 1857 é uma época em que os conservadores conseguiram impor algumas políticas do Antigo Regime, nomeadamente na educação, na economia, na limitação do direito ao voto. É uma época de grande pobreza, nomeadamente entre os camponeses que uns poucos anos mais à frente hão-de emigrar para as cidades que se industrializam para tentar uma vida melhor. Repare-se como o chão que estas camponesas respigam é já quase só terra.

Um estudo de Millet para a obra - Louvre

Neste estudo que Millet fez para a obra  as camponesas estão ainda mais dobradas, curvadas sob o peso de uma vida dura, de migalhas. 

Vamos a caminho de passarem dois séculos sobre esta época e voltámos à situação de enormes desigualdades sociais. Já não da mesma maneira, é certo, porque temos apoios a quem vive na pobreza, inimagináveis em 1857, mas estamos a recuar e não a avançar enquanto sociedades democráticas que têm esse objectivo de justiça social.

Procuro informação significativa que explique a situação económica a que chegámos mas não encontro. Vivemos num tempo em que gastamos mais mais dinheiro na saúde, mas a saúde está pior. Gastamos mais dinheiro nos serviços e os serviços estão piores. Todo o dinheiro é para pagar dívidas e não sobra nada para investir. Pelo contrário, dizem-nos que temos de desinvestir para pagar a dívida por causa dos mercados, essas entidades abstractas a quem pedimos dinheiro, não para investir e melhorar o país, mas para pagar os juros do empréstimo.

À medida que a classe média desaparece, cresce o número de milionários (no nosso país) e de bilionários no mundo. 

Voltámos ao tempo da respiga e dizem-nos que temos de nos conformar com a curvatura das costas, que é mesmo assim, isso de nenhum governo querer resolver o problema da economia e da abissal injustiça social. Só que não tem de ser assim como era em 1857, onde um pequeno número de pessoas acumula espigas como um doente mental e a maioria vive de migalhas.

January 23, 2026

Uma coisa para alegrar o fim da semana

 

E não ser só desgraças.

January 22, 2026

A kind of peace





“Winter in the village,” by Ukrainian artist Viktor Zaretsky, 1980s



December 21, 2025

Mesmo no Inverno há luz

 

Joseph Farquharson, um pintor escocês, mestre da neve e da luz


December 10, 2025

Criatividade

 


Um presépio exposto na minha escola -aliás, vários- da autoria do José T., um colega de Artes que já se reformou. Como se vê, os pastores ou os reis magos -que importa- chegaram a Belém de motorizada. Muito criativo. Olhar para objectos, neste caso de metal e ver neles um presépio.



December 06, 2025

Do you sometimes feel the earth hunger?

 


Paul Gauguin The Queen’s Mill, 1881


I am an open air man—winged,
I am also an open water man—aquatic,
I want to get out, fly, swim.

How vast, how eligible, how joyful, how real, is a human being, himself or herself,
As boundless, joyous, and vital as nature itself—
These immense meadows, these interminable rivers, you are immense and interminable as they.
Do you sometimes feel the earth hunger? the desire for the dirt?
To get outdoors, into the woods, on the roads?
To roll in the grass, to cry out, to play tom fool with yourself in the free fields?
Nature, gently, by her living laws, would stimulate the mind to ever-fresh discoveries, and fresh inventions, which bring serene delight.
(...)
What is this separate nature so unnatural?
Long have we been absent,
As of the far-back days the poets tell, the Paradiso,
The straying thence, the separation long—
How long we were fooled!
But now the wandering done, the journey done,
Now we return, come home,
Abandon we ourselves to nature’s primal mode again.

Now delicious, transmuted, we swiftly escape, as nature escapes,
We are nature

      - WALT WHITMAN

December 01, 2025

Parrish blue

 

As telas de Maxfield Parrish estão cheias de céus mágicos de um azul etéreo e luminoso. São tão distintos, luminosos e oníricos que deram o seu nome a um tom de azul.


 Parrish usava a técnica de esmalte dos antigos mestres aplicando finas camadas de translúcidas de esmalte, óleo e verniz sobre uma pintura de fundo azul e branca. 


Esse método criou um tom de azul único e luminoso, sinónimo da sua arte idílica e fantástica. 

As camadas de verniz eram fundamentais, pois as resinas específicas que utilizou desenvolviam uma tonalidade verde-amarelada quando expostas à luz ultravioleta, que interagia com o esmalte azul para criar o efeito turquesa característico. 

Os azuis nocturnos são particularmente alquímicos.
Parrish começou a sua carreira como ilustrador de revistas, publicidade, posters de representações teatrais, etc. Tanto ilustrava anúncios da Colgate como "As Mil e Uma Noites".
Foi influenciado pela 'Art Nouveau', pelo Movimento Arts and Crafts e outros.

Um azul misterioso, infusor até da imaginação mais pobre.

Parrish pintava na confluência entre a mitologia e a magia. 
Esta pintura, Esctasy, por exemplo, evoca uma deusa antiga ou uma ninfa, em pose extasiada a olhar os céus numa paisagem clássica, mitológica de rochas lagos e cascatas.
The Lantern Bearers, 1908

Aqui, Parrish põe os Pierrots em contraste com o azul maravilhoso da noite, no meio de lanternas de cor âmbar (um tom que usa com um efeito extraordinário de luz) criando um efeito de magia infantil.
A partir de certa altura deixou de pintar figuras e passou a pintar apenas paisagens, como esta aqui, com o seu típico azul Parrish.

November 23, 2025

"nature is nature, you cannot improve upon it"

 


"Art is art, nature is nature, you cannot improve upon it . . . Pictures should be inspired by nature, but made in the soul of the artist; it is the soul of the individual that counts."    (Emily Carr, 1912)


Emily Carr - Auto-retrato


Além de ser uma artista pintora que trilhou o seu próprio caminho numa época em que o mundo da arte oferecia pouco espaço ou incentivo às criadoras, Carr também foi escritora e aventureira, com uma visão única e um profundo amor pelo mundo natural.


Foi inspirada pela cultura das Primeiras Nações e pelo ambiente costeiro da Colúmbia Britânica. As suas pinturas posteriores do vasto céu da Costa Oeste canadiana e das árvores monumentais, com as suas pinceladas amplas, demonstram o seu desejo contínuo de pintar de uma forma «grandiosa», que sentia estar em consonância com a expansividade do seu ambiente.



Nascida (1871) e criada em Victoria, na British Columbia, Canadá, cresceu com um sentido precoce de inquietação e curiosidade, qualidades que documenta vividamente na sua autobiografia Growing Pains: The Autobiography of Emily Carr

Nela, descreve a sua infância não convencional, a sua determinação em estudar arte apesar da resistência da família e os obstáculos financeiros e emocionais que enfrentou ao longo da vida. 

Carr estudou inicialmente na California School of Design, em São Francisco, entre 1890 e 1893, e fez esboços na aldeia indígena de Ucluelet, na costa oeste da Ilha de Vancouver, em 1899. 

As suas visitas às aldeias das Primeiras Nações no início do século XX — realizadas numa época em que poucas mulheres colonas viajavam sozinhas — influenciaram profundamente o seu trabalho. Pintou totens, aldeias e ambientes selvagens com profundo respeito e desejo de preservar o que já estava ameaçado pelas políticas coloniais e pela repressão cultural.

Viajou para a Inglaterra em 1899, estudando em Londres e em St. Ives, na Cornualha. Regressou ao Canadá cinco anos depois, primeiro para Victoria e depois mudou-se para Vancouver para lecionar. Em 1907, viajou de navio para o Alasca e decidiu retratar as artes monumentais das Primeiras Nações da Costa Oeste.

Em busca de uma visão mais ampla da arte, foi para a França em 1910, onde conheceu o trabalho dos Fauves, artistas franceses apelidados de «feras selvagens» pelo uso ousado de cores vivas. 

Em 1912, Carr fez uma viagem de seis semanas para pintar em quinze aldeias das Primeiras Nações ao longo da costa da Colúmbia Britânica.  

Depois de expor os resultados em Vancouver, Carr estabeleceu-se em Victoria.

Apesar da sua visão original, Carr lutou durante anos para obter reconhecimento. Sustentava-se administrando uma pensão onde alugava quartos e cultivando frutas, criando cães e, mais tarde, fazendo cerâmica e tapetes decorados com desenhos indígenas para vender aos turistas.


Foi somente no final da década de 1920, quando os membros do «Grupo dos Sete» a encorajaram e defenderam o seu trabalho, que a sua carreira renasceu. 

Na década seguinte produziu as poderosas pinturas florestais pelas quais é mais conhecida.
Em 1927, Carr foi convidada a participar da «Exposição de Arte da Costa Oeste Canadiana», em Ottawa. 

A exposição incluiu trinta e uma das suas pinturas, além de cerâmicas e tapetes. 
Viajou para o leste para a inauguração e, em Toronto, conheceu membros do Grupo dos Sete, iniciando uma correspondência duradoura com Lawren Harris.
Após o sucesso desta viagem, Carr regressou a Victoria e iniciou o período mais prolífico da sua carreira. Pintou temas indígenas até 1931, passando depois a ter como temas principais as árvores e florestas da Colúmbia Britânica e os céus costeiros. 
Em 1937, sofreu um ataque cardíaco e dedicou grande parte do seu tempo à escrita. O seu primeiro livro, Klee Wyck (1941), recebeu o Prémio Governador-Geral de Literatura em 1942. Realizou exposições individuais em Vancouver, Toronto e Montreal antes da sua morte, em 1945.

November 07, 2025

Clitemnestra, de John Collier


Clitemnestra, de John Collier (óleo de1882) 
Guildhall Art Gallery, Londres, RU


Clitemnestra era uma princesa espartana, filha dos reis de Esparta, Tíndaro e Leda (aquela a quem Zeus apareceu na forma de um cisne, violou e engravidou.)

Clitemnestra tornou-se rainha de Micenas através do casamento com Agamenon (teve outros maridos) e teve com ele quatro filhos: Orestes, Electra, Ifigénia e Crisótemis.

Quando Agamenon se juntou às forças gregas no porto de Áulis para irem para Tróia resgatar Helena, raptada por Páris, não havia vento para navegar. Para terem ventos favoráveis, os deuses exigiam, segundo um padre profetizador, o sacrifício da sua própria filha, Ifigénia. Ele obedeceu. Com um falso pretexto pediu a Clitemnestra que lhe enviasse Ifigénia e quando ela chegou matou-a. 

Matou a sua própria filha para ter ventos favoráveis para ganhar uma guerra.

A Guerra de Tróia durou dez longos anos e nesses anos que governou sozinha, Clitemnestra transformou a sua dor em vingança. 

Quando Tróia finalmente caiu, ela esperou por Agamenon, não de braços abertos, mas com um machado.

Nesta pintura de Collier vemos Clitemnestra logo após ter morto Agamenon, com o machado ainda a pingar sangue e as roupas manchadas, com um ar grave mas sem nenhum arrependimento.


October 09, 2025

Tudo munda e nada muda

 


Mariamne deixando o tribunal de Herodes (1887) por John William Waterhouse (pintor pré-rafaelita)
Óleo sobre tela - 259 x 180 cm 
Colecção da revista Forbes

Esta imagem é uma das pinturas mais dramáticas de Waterhouse.
Conta a história de Mariamne the Hasmoneu que viveu entre (54 a.C e 29 a.C). Teve a sua vida interrompida pela ordem de execução de Herodes.

Mariamne era considerada a favorita das dez esposas do rei Herodes e tinha fama de ser muito bonita.

Os hasmoneus eram rivais de Herodes e vários deles conspiraram contra a influência de  Mariamne em Herodes. Herodes achava-a tão bonita que estava convencido que se lhe acontecesse qualquer coisa ela casaria com outro, ideia que ele não suportava. Então, de cada vez que viajava, Herodes dava ordens para que ela fosse executada no caso de não voltar vivo e para que a irmã dela, Salomé, herdasse o trono.

Mariamne soube destas ordens e não o perdoou. Tornou-se fria e distante dele. Recusou deitar-se com ele. Salomé aproveitou a distância entre eles para conspirar contra ela e espalhar rumores da sua infidelidade. Herodes, que exigia respeito de todas as mulheres em forma de fidelidade, apesar de não ter respeito por nenhuma pois substituia umas por outras, acreditou nos rumores, acusou-a de adultério e condenou-a à morte.   

Esse é o tema desta pintura. Mariamne é aqui retratada vestida de branco, para indicar a sua inocência, com os braços amarrados e os punhos cerrados, de impotência, talvez, já a descer as escadas, em direcção ao seu destino. Vê-se, am baixo à direita, um arco com uma entrada escura que simboliza o seu trágico destino para o mundo subterrâneo, decidido por anciãos patriarcas, indiferentes aos destino dela e de todas as mulheres que olham como propriedade. 

Herodes, no entanto, baixa a cabeça com vergonha -sabe perfeitamente o que está a fazer- por não conseguir enfrentar o olhar dela que vira a cara para ele com uma expressão calma e fria de desprezo. Ela, que ocupa todo o centro da pintura, não pede clemência nem se emociona. Já esperava esta traição dele.

Tudo muda e nada muda.

Diz-se que por amor a ela, Herodes manteve o seu corpo preservado em mel durante sete anos. Josephus relata também que, após a morte de Mariamne, Herodes tentou esquecer a sua perda com caçadas e banquetes, mas que acabou por adoeceu e sucumbir em Samaria, onde tinha casado com Mariamne. 

A Torre Mariamne em Jerusalém, também chamada «Rainha», foi construída por Herodes e baptizada em sua homenagem.

Modelo de Jerusalém, Palácio de Herodes, o Grande, As três torres: Phasael, Hippicus, Mariamne, da esquerda para a direita

Para quem queira ler a história completa desta tragédia:

páginas 459 e segs. (abaixo)






October 04, 2025

Rachel Ruysch - Pintar uma sensação

 



Ruysch, pintada por Michiel van Musscher


Rachel Ruysch (1664-1750), uma pintora do Século de Ouro holandês e a primeira mulher a ser admitida na sociedade artística de Haia, foi uma grande inovadora que iluminou as maravilhas do mundo natural.

Os seus ramos de flores eram encantadoramente desordenados, impregnados de uma aparente casualidade que escondia a habilidade na sua execução, mas foi nos seus bouquets florais que o seu talento realmente brilhou. 

O seu conhecimento enciclopédico sobre flores revelava-se na forma como retratava a sua aparência e comportamento, capturando a textura das suas pétalas e estames e a maneira como desabrochavam e murchavam em composições magistrais que deixavam os seus concorrentes na sombra.

A inclusão de espécies exóticas diferenciava-a dos seus pares. Dos cerca de 12 vasos florais que pintou, ainda bastante nova, no final do século XVII, quatro focavam-se exclusivamente em espécies importadas das Américas, África e Ásia. 

O seu conhecimento e acesso a estas espécies devem-se provavelmente ao seu pai. Em 1685, ele tinha sido nomeado professor de plantas nativas no jardim botânico Hortus Medicus, em Amesterdão, e parece natural que a tivesse levado lá.

O Hortus Medicus foi um dos vários jardins, tanto públicos como privados, cujo surgimento coincidiu com a expansão do comércio colonial na segunda metade do século XVII e ofereceu acesso sem precedentes a novas espécies de plantas. Possuía uma das mais ricas coleções de plantas nativas e exóticas da Europa, bem como as maiores estufas da Holanda, dedicadas ao cultivo de espécies provenientes dos territórios coloniais.

Natureza morta com trombeta-do-diabo, um cacto, um ramo de figueira, madressilva e outras flores num vaso azul apoiado numa saliência (1690-95) - colecção privada

Esta pintura apresenta várias flores e espécimes de plantas que estavam a começar a ser cultivadas nas estufas holandesas. No centro está uma trombeta-do-diabo branca, uma planta que floresce à noite, originária do México e da Ásia. Ruysch foi uma das primeiros a retratar esta flor exótica e reproduz as suas pétalas brancas dobradas com detalhes requintados. É ladeada por uma capitaneja amarela, também do México, e pela videira-trombeta vermelha da América do Norte. No canto superior esquerdo, pode-se ver um cacto espinhoso, outro espécime mexicano que só chegou ao Hortus Medicus da colónia holandesa de Curaçao em 1890. (por Cath Pound)

Gostava muito de mergulhar nesta pintura ao vivo. É extremamente sensual e evocativa. Sempre que a olho, o primeiro impacto é o de uma sensualidade do fresco nocturno do Verão. Faz-me recuar a um tempo de há umas décadas em que ia passar dias a casa de amigos no litoral alentejano -quando aquilo era selvagem e deserto- e naquelas noites de Agosto atravessávamos a mata de pinheiros num passeio até à praia, onde desembocávamos logo à saída da mata com o mar prateado em frente. A sensação dos pés nus na areia fina e fresca da noite e a visão dos lírios brancos rasteiros que apareciam espectrais à luz da lua na mata. Até consigo sentir o cheiro desse fresco nocturno que exala da mata de pinho. 

Uma grande variedade de animais e insetos pode ser encontrada nas naturezas mortas de Ruysch — borboletas, besouros, gafanhotos, abelhas, vespas, formigas, libélulas e lagartos habitam as suas obras. 

Rachel Ruysch pintou mais de 250 obras (enquanto criava 10 filhos) e a sua reputação, em vida, estava ao mesmo nível que a dos outros grandes mestres holandeses. As suas pinturas tinham muita procura, sobretudo por todos os que se interessavam por botânica e entomologia do Novo Mundo. Teve sempre o apoio do pai e, mais tarde, do marido, também pintor.

Hoje-em-dia, como as Naturezas Mortas sairam de moda, digamos assim, há menos interesse pela sua obra mas eu, sendo uma fanática de Natureza Mortas, adoro as obras dela e gostava muito de estar em Boston, onde decorre uma retrospectiva das suas obras - li algures.

September 24, 2025

Tudo muda e nada muda

 

O rapto de Jemima Boone e das duas raparigas Callaway, filhas do coronel com o mesmo nome, aconteceu mesmo. Passou-se no Kentucky, durante a revolução americana, quando os Cherokees atacavam os assentamentos dos americanos pioneiros, num acto de resistência. Jemina Boone era filha de Daniel Boone. Boone organizou uma equipa de resgate e passados três dias resgataram as adolescentes. Os índios não fizeram mal às miúdas, mas iam usá-las como moeda de troca ou talvez como escudo e maneira de afugentar os colonos.

Hoje li que uns soldados russos entraram numa casa, mataram toda a família menos uma adolescente que levaram como escudo.

Tudo muda e nada muda.


The Abduction of Daniel Boone's Daughter by the Indians
by Charles Wimar (1853)

August 13, 2025

Renascimento do Renascimento

 

«O Homem Verde», 1200 d.C., Gótico Primitivo, Catedral de Bamberg, Alemanha (detalhe)

(O 'homem verde' simbolizava o renascimento anual da natureza. Tinha folhas e, por vezes, troncos a sair das orelhas e narinas)