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February 09, 2026

February 08, 2026

Aqui vai uma opinião impopular

 


Nunca vi a série, The Handmaid's Tale. Vi o trailer e percebi que se tratava de uma série sobre uma sociedade patriarcal teocrática onde as mulheres são obrigadas a ser bonecas sexuais dos homens. Dado que não é uma situação futurista, nem imaginária mas muito real, ainda em funcionamento em tantos de países do mundo, pareceu-me logo uma ideia estúpida, pois em vez de servir de aviso, pareceu-me que seria um manancial de ideias (e ideais) para todos os machos teocráticos -ou não- e incels que continuam com esse sonho de escravizar sexualmente as mulheres - desde logo as sociedades islâmicas que ainda mantêm escravas sexuais que raptam, vendem e compram e matam como lhes aprouver. As sociedades em geral têm um problema gravíssimo de violência masculina sobre as mulheres -estamos a falar na ordem do bilião- e em vez de lidar com essa violência alguém resolver dar-lhes mais ideias de violência.

🎯 O direito à violência? Não é um direito humano

 


🎯 O direito à violência? Não é um direito humano

 


🎯 O direito à violência? Não é um direito humano

 

🎯 O direito à violência? Não é um direito humano

 


January 10, 2026

Safo, acerca dos homens

 

Some men say an army of horse and some men say an army on foot and some men say an army of ships is the most beautiful thing on the black earth. But I say it is
      what you love.

Sappho, fragment 16

(os homens -no sentido particular e não universal do termo- acham os exército belos porque amam a violência e a guerra)

June 17, 2025

Tirem-nos das redes sociais

 


Responsabilizem as plataformas digitais que têm esses conteúdos. Em França, as duas maiores plataformas de pornografia fecharam porque se recusam a pedir a idade aos utilizadores e impedirem os menores de entrar. As plataformas têm de ser responsabilizadas; a seguir os pais que são os educadores primários. Têm de proibir a frequência de redes sociais até uma certa idade porque é aí que os miúdos se radicalizam, não é na rua. É fechados nos seus quartos com um telemóvel ou um tablet na mão.


Milícia neonazi planeou invadir Parlamento. PJ preocupada com “ódio” “crescente” em “camadas cada vez mais jovens”



Investigadora defende criação de centro de prevenção. “Esta onda já estava a chegar a Portugal, era uma questão de tempo”. Milícia tinha planeado invadir o Parlamento. 



June 11, 2025

Subscrevo - "Que tal aproveitar a maioria de direita para aumentar penas de crimes sexuais?"

 


Nas últimas semanas tivemos duas boas surpresas vindas dos tribunais. Uma: o assassino afegão que matou duas mulheres no Centro Ismaili em Lisboa (e tentou matar uma terceira, com sorte salva pela rapidíssima intervenção da polícia) foi condenado a 25 anos de prisão, tendo a juíza presidente considerado que o criminoso era imputável — o que percebia qualquer observador. Afinal, a causa das mortes foi a raiva do assassino porque nenhuma das mulheres que matou aceitava ir para sua casa tratar-lhe dos filhos e resolver-lhe as necessidades sexuais (o que no seu país é para o que servem as mulheres). A escolha das vítimas foi criteriosa e premeditada. Muito bem o tribunal constatar (e punir justamente) a realidade. (A triste figura do Ministério Público defendendo a tese de o assassino criterioso ser maluquinho é outra conversa.)

Duas: o assassino que matou a ex-namorada atropelando-a repetidamente em Matosinhos no ano passado também foi condenado a 25 anos de prisão. (Anteriormente havia estado preso meros 10 anos por matar outra namorada. Ressalve-se que no crime mais recente a mulher assassinada era brasileira; as mulheres imigrantes são sempre alvos particularmente vulneráveis para a violência.)

Digo surpresas porque estamos habituados a penas ofensivamente baixas para crimes violentos contra mulheres e crianças. Usualmente, por cá, crimes de violência doméstica, violação e abuso sexual (incluindo de menores) são punidos (ou, quiçá, premiados) com penas de prisão suspensas.

Estas penas não acontecem por acaso. Ocorrem pelo descaso e desvalor que tanto tribunais como legisladores dão aos crimes de violência doméstica e de violência sexual. Segundo a CIG, em 2021, 80% das vítimas de violência doméstica são mulheres; para a violência sexual, 87% das vítimas são mulheres e raparigas. Como as mulheres são tradicionalmente vistas como tendo menos valor e dignidade do que a parte masculina da população, os crimes que as afetam em maioria esmagadora também não valem a pena punir com severidade, que um crime à propriedade de um homem é muito mais grave.

Ora é aqui que uma maioria de direita no Parlamento pode endireitar esta perversão da justiça portuguesa. O PSD já tentou em legislaturas passadas aumentar penas para os crimes de violência contra mulheres. O Chega tem as suas ideias punitivas medievais de prisão perpétua e castração química. Não é conveniente passarmos do oito para o oitenta, mas há um meio-termo que poderá ser encontrado à direita que efetivamente puna crimes sexuais e violentos contra mulheres e crianças. Para que pelo menos se cumpram penas de prisão efetivas.

O atual estado das coisas, neste particular de punir crimes sexuais e de violência doméstica, deve-se a três razões. A primeira é a benevolência e a pouca importância que juízes (e magistrados do Ministério Público) dão a crimes sexuais e de violência doméstica. Esta é uma mudança cultural, que demora tempo. Porém, as duas outras razões podem ser alteradas e determinar a ação de juízes e MP.

A segunda é a disposição, vinda dos tempos de Sócrates, de suspender todas as penas de prisão até 5 anos. Esta medida foi tomada para poupar despesa pública, não com qualquer motivação de atribuir penas justas, e é uma grande responsável pela impunidade generalizada de crimes contra mulheres.

Algo que o recém-estreado Parlamento podia fazer seria impedir a suspensão de penas em se tratando de crimes sexuais e de crimes violentos de toda a espécie (incluindo os crimes violentos que cabem na violência doméstica). Alguém partilha um ficheiro com pornografia infantil? Pois que passe um ano e meio num estabelecimento prisional, só lhe faz bem. Costumava dar uns estalos na namorada quando se zangava e obrigava-a a ter relações sexuais? Bom, dois anos de pena de prisão efetiva são mais do que necessários face ao trauma que causou à sua vítima e, assim, talvez não repita os crimes numa próxima relação.

A terceira razão pode ser lida no Código Penal. Violência doméstica é punida com um a cinco anos de prisão; cai sempre, portanto, numa pena de prisão suspensa. Se com ofensa à integridade física grave, recebe pena de 2 a 8 anos de prisão (quem diria que é "grave"). Se com morte, de 3 a 10 anos.

Uma violação tem pena entre 1 e 6 anos; quase sempre vai para pena suspensa, portanto. Se com violência (como se uma violação não fosse violência em si mesma), é punida com prisão entre 3 e 10 anos. O abuso sexual de crianças pune-se com prisão entre 1 e 8 anos! Existindo atos penetrativos, a pena é entre 3 (!) e 10 anos de prisão. Importunação de menores (apalpões, exibicionismo e por aí): até 3 anos.

Coação sexual: até 5 anos; se com violência ou ameaça grave ou vítima inconsciente, de 1 a 8 anos. Atos sexuais com adolescentes, se abusando da inexperiência (como se existisse outra possibilidade; os nossos legisladores acreditam em Lolitas): até 2 anos; se com penetração, até 3 anos. Recurso a prostituição de menores entre 14 e 18 anos — o que é sempre uma violação; evidentemente um menor não tem maturidade para "escolher" prostituir-se — é punido com penas de prisão até 2 anos; se com penetração, até 3 anos. Ler estas molduras penais dá para hiperventilar de fúria, impotência e incredulidade.

E por aí em diante nos restantes crimes sexuais. As agravações não compensam as penas ridículas, desenhadas para nenhum agressor sexual, ou muito poucos, ser de facto maçado com prisão efetiva. O desprezo e o desvalor das consequências destes crimes em mulheres e crianças são escandalosos. A dispensa de justiça deve estar centrada na vítima, não no criminoso.

Uma das maiores iniquidades dos governos de Costa foi a recusa em aumentar as penas destes crimes, numa insensibilidade arrepiante para com as vítimas só igualada pela despudorada benevolência com criminosos. Posição imoral embrulhada, claro, em soberba, moralismo e alegado combate ao populismo (enquanto o inflamava).

Temos agora um Parlamento de direita, pelo que é pôr mãos à obra. AD e Chega serão também julgados por isto. Se quiserem poupar o défice orçamental, podem substituir penas de prisão de crimes de trânsito sem vítimas por multas, ou por indemnizações às vítimas nos crimes financeiros menos graves. Poupar tostões à conta da saúde física e mental de mulheres e crianças é que não está no ar do tempo. E bem.

May 06, 2025

Lisboa - imagens chocantes

 


Isto passa-se em Lisboa. É o que afirma o o autor do post. De facto, vê-se o logotipo da CP na plataforma. Ignorando os comentários nacionalistas dos autores do post, ficam os factos: imagens chocantes de agressões. A primeira, uma agressão a uma mulher, em plena via pública, o que mostra o sentimento de impunidade de quem agride. 


 

Mais uma agressão em Lisboa, desta vez a um turista.


 

March 25, 2025

Alguém me explique isto como se tivesse três anos




Redes internacionais online cativam crianças e jovens para conteúdos neonazis e islamismo radical. E há menores a ganharem dinheiro com a distribuição de conteúdos hardcore. Estes são dados preliminares do Relatório Anual de Segurança Interna (RASI)

Existem casos identificados pelos serviços secretos e Polícia Judiciária de crianças e jovens portugueses a serem aliciados em grupos online internacionais por neonazis e também por radicais islâmicos.

O fenómeno é descrito no mais recente Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), ainda numa versão provisória, a que o Expresso teve acesso.

Segundo o documento, a propaganda jiadista difundida na Internet produz já conteúdos com recurso a ferramentas de Inteligência Artificial, disseminando-se em plataformas de gaming, especialmente vocacionadas para um público "muito jovem". As autoridades especificam mesmo que este modus operandi "concorre para a radicalização de indivíduos cada vez mais novos, incluindo pré-adolescentes, realidade também verificada em Portugal". As vítimas são igualmente "indivíduos vulneráveis".
(...)
De acordo com as autoridades, a propaganda online de "matriz terrorista", "assente no apelo explícito à violência", tem "conduzido à radicalização muito rápida de indivíduos cada vez mais jovens" e, "em alguns países europeus, à preparação" de ações violentas. Neste último item, não é o caso de Portugal.

Segundo a PJ, a presença online de "líderes carismáticos que atuam como verdadeiros influencers" que lideram "novos movimentos nacionalistas de extrema-direita" são mais apelativos aos jovens do que os tradicionais movimentos skinheads de supremacia branca e matriz neonazi.

A Judiciária alerta ainda que "as plataformas online têm sido o palco privilegiado de atuação dos movimentos descentralizados de extrema-direita de matriz aceleracionista e/ou satânica, onde, através de uma cultura de comunicação através de meme, recrutam e radicalizam indivíduos cada vez mais jovens, muitos deles com idades inferiores a 16 anos". E conclui: "A evolução deste fenómeno nos últimos anos impõe que a ameaça representada por eventuais atores solitários de extrema-direita, sobretudo menores de idade, não possa ser desprezada".

PORNOGRAFIA FEITA POR MENORES

O RASI destaca ainda outro fenómeno que envolve os mais jovens. O da criminalidade sexual, nomeadamente o abuso sexual de crianças cometido por ofensores menores, com idades entre os 12 e os 16 anos.

E refere também a presença de menores em crimes de pornografia com recurso a aplicações como o Discord e o WhatsApp, utilizadas para a partilha de ficheiros de cariz sexual e pornográfico. O documento frisa que estão referenciados grupos de WhatsApp criados por crianças entre os 10 e 13 anos em que se partilham conteúdos multimédia de pornografia e de violência extrema. Os casos foram já reportados aos Tribunais de Família e Menores.

O RASI salienta que em 2024 foi possível identificar uma "elevada prevalência" da distribuição de pornografia em canais e plataformas como o Instagram, Telegram ou YouTube, bem como "conteúdos de abuso e exploração sexual de crianças na Darknet". Nestes casos, os autores dos crimes são adultos. Existem casos identificados pelos serviços secretos e Polícia Judiciária de crianças e jovens portugueses a serem aliciados em grupos online internacionais por neonazis e também por radicais islâmicos.
 de abuso e exploração sexual de crianças na Darknet". Nestes casos, os autores dos crimes são adultos.


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Um menor de 18 anos não pode comprar tabaco, não pode comprar álcool, não pode frequentar bares e discotecas com consumo de álcool, mas pode, logo a partir dos 8 ou 10 anos, com um telemóvel na mão, frequentar locais de criminosos, de terroristas, de pedófilos, de pornografia hardcore e violenta, de abusadores sexuais, de traficantes de toda a espécie de crimes violentos e terroristas? Alguém me explique isto como se tivesse três anos.
Outros estudos ocidentais mostram que a exposição repetida à violência nos media pode resultar na dessensibilização à violência no mundo real (Drabman & Thomas, citação 1974). A dessensibilização pode ser entendida como uma diminuição da resposta fisiológica, emocional e cognitiva à violência no mundo real e pensa-se que é um processo adaptativo para ajudar os indivíduos a lidar com a angústia resultante do confronto com a violência.
Nos EUA, 60 anos de estudos sobre a relação entre a violência na TV e a prática de violência com centenas de estudos de investigação e vários relatórios governamentais fornecem provas conclusivas de que a violência dos meios de comunicação social pode ter efeitos nocivos nos telespectadores, sobretudo nos mais novos.
As primeiras estimativas indicavam que uma criança ou adolescente americano médio via 1.000 homicídios, violações e agressões violentas por ano, só na televisão (Rothenberg, 1975). Uma revisão posterior da Associação Americana de Psicologia coloca esse número em 10.000 por ano - ou aproximadamente 200.000 na época em que a criança termina o ensino médio (Huston et al., 1992). 
A violência na TV é banalizada, higienizada e os que a praticam são por vezes, 'os bons dos da fita' que servem de modelo de comportamento para os jovens. A TV por cabo tem uma enorme percentagem de filmes e programas violentos e hardcore. 
Ora, as redes sociais são muito mais violentas e sem o mínimo do controlo que as TVs têm. Os adolescentes passam uma média de 6 a 8 horas por dia nas redes sociais. 
Que pais deixariam os seus filhos ir para um local cheio de violadores, pedófilos, decapitadores, assassinos, nazis, durante 6 a 8 horas por dia, todos os dias, para serem educados por esses indivíduos? É que é isso o que se passa com milhões de crianças e adolescentes no mundo de hoje. Já não são educadas pelos pais e têm mais afinidade com pessoas ou bots de IA online que com as suas próprias famílias.
Quando é que se proíbe a frequência de redes sociais até uma certa idade da mesma maneira que se proíbe o consumo de álcool ou drogas e se responsabilizam os pais das crianças e adolescentes que têm telemóveis com acesso a redes sociais?
Não há escola, nem estratégia educativa capaz de contrariar uma exposição sistemática, durante 6 a 8 horas por dia, ao conteúdo violento e estupidificante das redes sociais e não há sociedade capaz de controlar a violência de pessoas que desde os 8 ou 10 anos de idade são endoutrinadas para o crime e a extrema violência.
Isto não é um assunto urgente a tratar?
Ademais, penso que uma parte grande deste incitamento à violência nazi e islamita radical tem por detrás os suspeitos do costume que se usam das redes sociais para desagregar as sociedades europeias.

January 28, 2025

Violência na escola



Um jovem de 15 anos agrediu à chapada e ao pontapé um colega, de 14 anos, com perturbação do espetro do autismo, no recreio da Escola Básica 2 e 3 Fragata do Tejo, na Moita. O episódio de violência ocorreu perante o olhar de vários colegas, sem que ninguém interviesse. O agressor foi suspenso.

JN


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Não vou pôr aqui o vídeo, mas vi-o e é horrível de ver, um miúdo a ser agredido em frente dos colegas e ninguém fazer nada.
Sabemos que há pessoas violentas e que muitos alunos o são. Embora nem sempre, a maioria das vezes isso explica-se pelo contexto familiar. De maneira que não espanta que haja alunos violentos nas escolas. O que devia espantar é o facto do pátio estar sem vigilância e, acima de tudo, nenhum colega ter tido a iniciativa de ajudar um colega que vêem a ser espancado. Até filmam, como se fosse uma cena de entretenimento. Este comportamento de desinteresse e desresponsabilização deve-se muito à educação parental. Porém, se as escola não tivessem sido deixadas ao abandono tantos anos e se não tivessem apenas servido para controlo e manipulação de estatísticas, tinham-se construído mecanismos de prevenção de violência que diminuem muito as possibilidades de comportamentos agressivos. Muita coisa pode ser feita.
Estes miúdos que filmaram mas nada fizeram para ajudar um colega numa situação de ser agredido deviam ter uma sessão ou mais de reflexão acerca do seu comportamento.

December 11, 2024

Se a ONU actual comentasse este vídeo o que diria?

 


Que o arguido ter atacado a juíza não aconteceu num vácuo pois, afinal, ele vem de uma comunidade negra que há duzentos anos ainda era escravizada por brancos e a juíza é branca. 


October 27, 2024

Isto é muito difícil

 


No meio de uma multidão pró-Palestina, agressiva, como é hábito nesses manifestantes, um polícia está sozinho com outro e mantém-os afastados, com autoridade, mas sem violência. Conseguimos ver na sua expressão a tensão em que está, apesar de aparentar estar calmo. Isto é muito difícil de fazer e geralmente, o que acontece nestas situações é a polícia sentir-se insegura, ficar num excesso de tensão e responder com excesso de força, porque é preciso ter inteligência, muita experiência, muito-sangue frio e muito auto-controlo para se manter firme e com autoridade, sem violência, quando se está em minoria no meio de um ajuntamento de pessoas com comportamentos agressivos, sem saber se estão armados.

Não há nenhum professor que dê aulas há muitos anos que não tenha já tido experiência desta situação, mais do que uma vez: ter delinquentes dentro da sala de aula, geralmente com dois ou três apoiantes (às vezes indivíduos grandes, com dezasseis ou dezassete anos) ser provocado com agressividade e ter de manter o sangue-frio e a autoridade sem perder a racionalidade - com os outros 26 alunos a observar a cena para saberem o que podem fazer dali para a frente. É muito difícil manter-se calmo e muito fácil perder a racionalidade.

Se o nosso país não tivesse tantos problemas de justiça social, de desinvestimento nos serviços públicos, no ordenamento do território urbano e na cultura, talvez tivesse menos bairros problemáticos com pessoas problemáticas. Porém, mesmo nesse caso e tendo uma polícia bem formada, nada resulta se a polícia estiver em minoria e se sentir insegura no que respeita à sua integridade física.


October 18, 2024

O problema das agressões a professores não se resolve porque as autoridades tratam-nos como coitadinhos




Há alunos que vão para a escola fazer bullying a colegas e professores e quando os levam a tribunal os juízes tratam-nos como coitadinhos. Os pais tratam-nos como vítimas, embora na maioria dos casos haja uma responsabilidade que nunca é, sequer, abordada. As próprias direcções de muitas escolas tratam-nos como coitadinhos. Alunos violentos que agridem professores não têm lugar nas escolas. Têm de ir para outros sítios ser tratados por especialistas. Depois de tratados, então voltam à escola. Um aluno destes estraga turmas inteiras.


Professora agredida na sala-de-aula por aluna em Abrantes

Uma professora foi agredida, ao final da manhã desta quinta-feira, 17 de Outubro, por uma aluna do sexto ano da Escola Básica e Secundária Dr. Solano de Abreu, em Abrantes. Ao que O MIRANTE apurou a agressão ocorreu dentro da sala-de-aula, pouco depois das 12h00, não tendo a agressão causado ferimentos graves na docente.

Contactada pelo nosso jornal a directora do Agrupamento de Escolas Número 1 de Abrantes, Ana Rico, confirma e lamenta o episódio de agressão, adiantando que estão a ser tomados os procedimentos habituais neste tipo de casos. O encarregado de educação da aluna em causa, afiançou, já foi contactado pela direcção.

Segundo Ana Rico não são recorrentes episódios de agressão de alunos a professores no agrupamento que dirige, recordando-se apenas de uma situação que terá mais de sete anos.

A vereadora com o pelouro da Educação, também contactada por O MIRANTE, refere que já tinha tomado conhecimento do sucedido através da direcção do agrupamento, na qual, vincou, confia plenamente para gerir a situação. Celeste Simão afirmou ainda que espera que o caso tenha sido, como é de esperar, reportado às entidades competentes, nomeadamente a Polícia de Segurança Pública, Comissão de Protecção de Crianças e Jovens e Ministério Público.

September 25, 2024

Perturbador

 


Há pouco tempo fui dar com uma série na TV que nunca tinha visto, mas que pelos vistos já dura há 25 anos. Chama-se Lei e Ordem: SVU e é sobre um unidade da polícia dedicada a crimes sexuais. Depois de descobrir a série fui ver os primeiros episódios e vou vendo paralelamente os episódios antigos e os novos. A série é bastante boa. A série começou nos anos 90 quando violar mulheres era considerado um favor sexual que se lhes fazia, sobretudo se não eram bonitas - mesmo que os homens fossem nojentos. A semana passada li uma entrevista com a actriz principal. Ela diz que quando começou a série sabia muito pouco de crimes sexuais e que as vinte e cinco temporadas da série têm sido uma benção e uma maldição. Uma maldição porque todos os episódios são de histórias que aconteceram, embora ficcionadas para efeitos de serem filmes de TV. O que vemos na série, episódio, após episódio é uma educação dos rapazes virada para a violência sobre as mulheres. Vemos a sociedade ser cúmplice da violência contra as mulheres. Se começamos a ver isto com regularidade e sem distanciamento e relativização mudamos a ideia geral sobre os rapazes e os homens. Poe exemplo, no episódio de hoje, uma congregação religiosa do Kansas vai a NY a umas palestras e uma das raparigas é violada. O reverendo aparece a dizer que não tem importância porque as raparigas têm que ser virgens para agradar a Deus, mas se um rapaz vê que ela está em perigo de ser desviada por uma amiga homossexual, pode violá-la porque Deus considera que é um coito curativo: cura-lhe a alma. Os pais da rapariga apoiam isto, o violador diz que lhe fez um favor porque lhe salvou a alma. No fim, vem a saber-se que o reverendo foi quem o mandou violar a rapaiga, como penitência de ele ser homossexual. Estas pessoas das religiões são obcecado por sexo e por virgens, gente com graves problemas mentais. E são encarregues de educar os jovens. Estas histórias não são ficção, são escritas a partir de casos que aconteceram. A educação dos homens precisa de grandes mudanças. Grandes mudanças.


September 22, 2024

A violência contra as mulheres está a aumentar no mundo




Espanha pretende abolir a prostituição

País vizinho realizou o primeiro macro-estudo sobre esta realidade, e quer legislar

Joana Rei

Pelo menos 114 576 mulheres vivem em situação de prostituição em Espanha, 80% das quais - 92.496 - estão em risco de exploração sexual. Os dados são do primeiro macro-estudo sobre a prostituição feito no país, divulgado esta semana. “O que não se fala não existe. É necessário ter um número aproximado de uma população oculta e de difícil acesso como as mulheres vítimas de tráfico, exploração sexual e prostituição, para podermos conhecer a magnitude do problema e enfrentá-lo com políticas públicas”, afirmou Ana Redondo, ministra da Igualdade.

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A violência contra as mulheres está a aumentar no mundo com mais crimes e mais violentos e tentativas de cortar ou até abolir direitos fundamentais como o direito à IVG (os EUA estão a talibanizar-se em muitos Estados republicanos onde vigora a seita neo-calvinista evangélica) ou o direito ao trabalho (aqui no país houve, há pouco tempo, uma tentativa de inscrever na Constituição que o lugar das mulheres é em casa - subordinadas aos maridos). Nos países islâmicos onde houve uma grande evolução nos anos 70 e 80 e depois na Primavera Árabe, há agora uma regressão à escravatura - não metafórica. No Brasil e América Latina obrigam-se raparigas de 10 anos a ter filhos de incesto e mulheres a ter filhos de violadores. Há pouco tempo um adolescente matou várias raparigas que gostam de Taylor Swift. Os Incels perseguem e aterrorizam mulheres. Os crimes de violência doméstica são a causa de quase metade das mortes de mulheres na Europa.

Pessoalmente penso que a disseminação da pornografia e a banalização da prostituição estão ligadas a estes danos. A prostituição e a pornografia, que andam de mão dada e que são duas faces da mesma moeda de violência e subjugação de mulheres, que costumavam ser restritas a certos meios, idades, são agora um veículo de educação das crianças logo aos 10 ou 11 anos, o que significa que as crianças são educadas na ideia de que é normal exercer violência sobre as mulheres, que as mulheres são objectos para humilhar, para castigar com sevícias e subordinar e que a sexualidade é um domínio sobre as mulheres.

Na década de 1980 a escritora e activista Andrea Dworkin e a jurista Catharine MacKinnon pediram ao tribunal para criar uma causa de acção por danos sofridos devido à pornografia com a seguinte premissa: 

"As representações de subordinação tendem a perpetuar a subordinação. “

A pornografia afecta a forma como as pessoas vêem o mundo, os seus semelhantes e as relações sociais. Se a pornografia é, o que a pornografia faz, o mesmo acontece com outros discursos e práticas. Os discursos de Hitler afectaram a forma como alguns alemães viam os judeus. 

Alguém na República de Weimar, em 1930, que pensasse que Hitler e os nazis deviam ser encerrados porque o seu discurso era muito perigoso, estaria de facto correcto: Hitler e os nazis tornaram claro o mal que pretendiam fazer.

A pornografia e a prostituição, actividades que se exercem em contexto de violência, de crime, de tráfico sexual, de drogas e de miséria moral já mudaram os hábitos sociais. Nestes últimos 20 anos vimos as raparigas adoptarem as práticas da prostituição e da pornografia nos hábitos sexuais, na maneira de vestir e de calçar, sempre extremamente sexualizadas, no modo como são pressionadas a apresentam o corpo sem um único pelo a não ser na cabeça. 

Com os homens a serem educados na expectativas de as mulheres se comportarem como atrizes de pornografia e prostitutas, isto é, com submissão e subjugação, não admira que a violência contra as mulheres não pára de crescer.

Parece que a misoginia está em todo o lado e está a piorar: nos últimos cinco anos, em Inglaterra e no País de Gales, os crimes violentos contra mulheres e raparigas aumentaram 37%. Alona Ferber escreve  sobre o fluxo constante de histórias de abuso masculino contra mulheres.

A misoginia não é ódio contra as mulheres. A misóginia é desejo de poder e controlo sobre as mulheres. São os homens a querem voltar ao tempo em que tinham (pelo menos) uma mulher que dependia deles económica e socialmente e a quem podiam bater ou até matar porque tinham sobre elas poder absoluto. Não faz três séculos, via-se mulheres com freios de castigo que na prática eram uma gaiola de ferro que lhes enfiavam na cabeça com um freio com espigões na boca para não poderem falar. Podias ser passeadas pelas ruas, por ordem dos maridos, para serem mais humilhadas. As mulheres que tinham actividades de curandeiras ou outras que pudessem competir com homens eram acusadas de bruxaria e queimadas, para aprenderem que o seu lugar era sempre atrás dos homens. No século XX pais e maridos que entendiam que as filhas e mulheres tinham demasiadas opiniões mandavam fazer-lhes uma lobotomia - sendo o caso da filha dos Kennedys o mais famoso. Até há uma vintena de anos era legal um marido violar a mulher pois esta tinha de cumprir os votos do matrimónio que Deus mandava, sempre que ele quisesse. 

No Ocidente já não fazemos isto de cortar o nariz às mulheres adulteras, mas há muitos sítios do mundo onde ainda se faz isto e muito mais.

A misoginia é o desejo de voltar a estes tempos em que o planeta era dos homens e as mulheres estavam restringidas a certos espaços controlados pelos homens e lhes obedeciam. Eram tempos em que um tipo qualquer, fosse um preguiçoso, um bêbedo, um ordinário ou um porco violento tinha sempre acesso a uma mulher obediente pois o único modo de sobrevivência da maioria das mulheres era o casamento. Como ainda acontece em muitos países islâmicos.

A prostituição e a pornografia são dois meios de degradar as mulheres e disseminar a ideia de que é normal que as mulheres sejam subjugadas, dominadas, maltratadas, degradadas, compradas e vendidas, traficadas, exploradas, tudo feito pelos homens, dentro da lei.

Eu sei que não se acaba com a prostituição nem com a pornografia (nem sou a favor de proibir tout court), mas a legalização da violência contra as mulheres só tem gerado mais violência e é preciso fazer qualquer coisa. Pelo menos quanto à pornografia, pode-se tirá-la das mãos de crianças e adolescentes precoces, -proibir-lhes o acesso- e substituí-la por uma educação sexual, nas escolas. 


September 14, 2024

As “red flags” de Mazan

 


As “red flags” de Mazan


“É possível sentir a falta de um pai', pergunta Caroline Darian em Et j'ai cessé de t'appeler papa (JC Lattès, 2022). Nele, a filha de Dominique Pélicot, actualmente a ser julgado com outros 51 homens por violações, relata o terramoto devastador desencadeado pela revelação, em 2020, dos actos criminosos do seu pai. 

O seu relato lança uma luz muito diferente sobre o “homem fantástico” descrito por Gisèle Pélicot quando falou pela primeira vez. Na sua busca da verdade, Caroline Darian apercebe-se de que as suas recordações de família estão cheias de indícios de um controlo e de um vício que, a pouco e pouco, estrangula toda a família. 

Talvez o problema não seja tanto o facto de os criminosos se esconderem por detrás de de uma dupla personalidade, mas sim o facto de ignorarmos certas pistas em frente de nós.

O relato de Caroline Darian deveria ser lido como um manual de prevenção da violência doméstica. Está lá tudo. Vários anos antes da detenção de Dominique Pélicot, a sua mulher já estava completamente isolada. Tinha discutido e rompido com um amigo que conhecia há 20 anos por causa do comportamento inadequado e dos avanços que ele, alegadamente, lhe tinha feito. A sua vida social diminuiu consideravelmente. O marido aconselha-a a não ir às compras e nem sequer a deixava ir buscar o correio à caixa, de manhã, alegando que ela precisa de descansar. 

Caroline Darian menciona várias conversas telefónicas em que o pai se recusa a passar o telefone à mãe, por esta estar supostamente demasiado cansada. “Quanto mais aprendo sobre a vida dos meus pais, mais me apercebo do domínio que o meu pai exercia sobre ela, sem que ela pestanejasse”, conclui. Um domínio que ele tentou manter uma vez na prisão, tentando contactá-la ilegalmente.

Caroline Darian descreve também todo um clima de incesto que remonta ao avô paterno. Este casou em segundas núpcias com a sua filha adotiva, Lucile, uma mulher com deficiência mental e reduziu-a a uma situação de quase escravatura, humilhando-a regularmente. 

“Perguntei-me sempre porque é que os meus pais continuavam a mandar-nos para lá de férias. E porque é que eles não faziam nada para retirar a Lucile deste ambiente nocivo”, pergunta.  Foi só na adolescência que Caroline Darian exprimiu o desejo de nunca mais lá voltar a pôr os pés. 

Foi neste contexto que nasceu a dúvida insuportável que a atormenta. Entre todas as fotografias encontradas pela polícia nos discos rígidos do pai, há algumas dela, meio despida, mergulhada no que parece ser um sono. Há também fotografias das cunhadas, tiradas com um telemóvel escondido nos seus quartos e casas de banho. Todas foram publicadas na Internet pelo pai, acompanhadas de comentários degradantes e até de insultos.

Há uma expressão que se tornou quase excessivamente utilizada para descrever todas as pistas que Caroline Darian apanhou: bandeiras vermelhas. As bandeiras vermelhas referem-se a um conjunto de comportamentos que nos fazem sentir desconfortáveis, intimidados ou embaraçados, sem que consigamos sempre dizer exatamente porquê.

Por exemplo, o rapaz que não lhe faz perguntas no primeiro encontro e só fala de si próprio. Ou o tipo que minimiza todos os seus conseguimentos. Ou aquele que critica as suas escolhas de roupa - a lista continua e pode também ser usada no sentido feminino. 

O conceito de bandeira vermelha abraça a noção de um continuum de violência, traçando uma linha entre as micro-humilhações da vida quotidiana e a possibilidade de violência física. Afirma precisamente que as primeiras não são caprichos, explosões súbitas de raiva ou malícia, mas o prenúncio das segundas.

Como o comportamento que nos alarma vem por vezes de uma pessoa em posição de autoridade, estamos geralmente habituados a silenciar este instinto que, no entanto, nos diz que algo está errado.

Se este comportamentos provêm de uma pessoa de quem esperamos e por quem temos afeto, ou mesmo amor, por vezes minimizamos o rebaixamento ou mesmo a humilhação. E no entanto... 

Esta vozinha é um mecanismo de sobrevivência. Na verdade, é parte integrante do diálogo permanente connosco próprios que os manipuladores controladores tentam quebrar. Em Quelqu'un à qui parler. Une histoire de la voix intérieure (PUF, 2019), o psicólogo e antropólogo Victor Rosenthal observa que a presença desta voz interior e o diálogo que ela estabelece permitem a formação ética do sujeito e estabelecem a possibilidade de empatia.

Claro que pode tornar-se nociva, dizendo-nos repetidamente que não valemos nada mas, nesse caso, terá assumido a voz do carrasco e quando grita, em caso de perigo, deveria ter um altifalante, porque pode salvar vidas. Os testemunhos de Caroline Darian e de outras vítimas reforçam-no.

Victorine de Oliveira

September 10, 2024

Julgamento das violações de Mazan

 


Gisèle Pelicot falou no tribunal:

“A polícia salvou a minha vida ao investigar o computador", explica Gisèle Pelicot, calma e precisa, já não usando nunca a palavra, 'marido', de quem se está a divorciar. “Ver as imagens em que estou deitada inconsciente na minha cama, a ser violada. São cenas bárbaras. O meu mundo desmoronou-se, tudo o que construí ao longo de 50 anos. Eu achava que ele era um tipo impecável. Eles usam-me como se fosse uma boneca de trapos."

De todos os homens que a maltrataram, diz conhecer apenas um, que se deslocou a casa do casal em Mazan para falar de ciclismo com o marido: “Encontrava-o de vez em quando na padaria e cumprimentava-o - não fazia ideia de que ele tinha ido lá a casa para me violar. Sinto nojo."

Gisèle aborda a questão da submissão química, dos ansiolíticos que o marido a fazia engolir, sem o seu conhecimento, para depois a entregar aos homens que tinha aliciado. “Estou a falar em nome de todas as mulheres que são drogadas e não sabem, estou a fazê-lo em nome de todas as mulheres que talvez nunca saibam o que lhes fazem (...) para que nenhuma mulher tenha de continuar a sofrer de submissão química”.

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Na vila de Mazan onde a maior parte dos crimes aconteceram, estão ainda perto de 30 homens que participaram nas violações e aparecem nos vídeos (cerca de 400 vídeos e imagens) mas que a polícia ainda não foi buscar. Ninguém sabe quem eles são porque os vídeos não foram, nem vão ser, tornados públicos. A vida na vila é agora um cenário de horror. Para além da família de Gisèle Pelicot e das outras famílias que já descobriram que os seus maridos/pais/irmãos/tios são violadores abjectos, porcos e repugnantes, existem ainda todas as outras famílias que não sabem se os seus maridos/pais/irmãos/tios fazem parte dos 30 violadores que falta irem buscar. Não sabem se o seu familiar marido/pai/irmão/tio, é um dos 30 - se é aquele que propôs que violasse a sua filha ou a sua mãe. O ambiente de desconfiança já fez estragos em algumas famílias.

A prática de drogar as raparigas e as mulheres para as violar já não é uma situação excepcional, mais a mais com os sites da internet em que homens se incentivam uns aos outros a serem predadores. Se calhar está na altura de tomar medidas drásticas contra esses indivíduos.