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March 30, 2026

Trump não se interessa pelo "equipamento americano"

 

Interessa-se por negócios com Putin e é por isso que não quer saber dos ataques iranianos a americanos com informação dos russos.

March 16, 2026

Mr. Nobody against Putin

 

Fui ver quem tinha ganho Oscars (por acaso não gostei do filme que ganhou o de melhor filme, mas percebo que nos tempos que correm o tenham escolhido) e, nomeadamente, quem tinha ganho o prémio de melhor documentário: mr. Nobody against Putin, foi quem o ganhou. ainda não o vi -vou ver esta semana- mas todos sabemos o que é: um professor do 1º ciclo começa a filmar a militarização das crianças e da vida às ordens de Putin que quer transformar todos os russos em invasores e assassinos dos países vizinhos. Este prémio amplifica a sua voz de aviso e, simultaneamente de resistência contra o fascismo. O discurso dele de aceitação do prémio é um aviso para a maneira como os fascismos crescem à sombra da nossa cumplicidade com pequenos actos de transgressão, aqueles que antecedem os grandes actos, difíceis de reverter. Como o prémio revela, todas as pessoas têm uma voz activa, por mais distante ou modesto que seja o seu lugar no mundo e aqueles que escolhem nunca falar, são cúmplices do estado de coisas.


February 18, 2026

Zelensky é o líder que a maioria gostava de ter

 

E não apenas nos EUA. Um aspecto notável da guerra da Rússia contra a Ucrânia decorre justamente do tipo de líder que cada um destes dois países tem e da sua evolução diametralmente oposta.

Enquanto Putin enterrou a Rússia, a cultura russa, a sua língua, as suas amizades diplomáticas e culturais, os seus laços políticos e económicos, a sua reputação de grande país com uma grande história, o seu poder de atrair massas, as suas medalhas pela vitória sobre os nazis, nas batalhas a leste e, deste modo, o seu futuro, com uma manobra de Putin de voltar atrás na História e permanecer petrificado num colonialismo imperialista desajustado aos tempos, Zelensky evoluiu no sentido diametralmente oposto.

Zelensky agarrou num país que era visto como satélite da Rússia, muito corrupto, desorganizado e um bocadinho provinciano e transformou a Ucrânia num país mundialmente respeitado pela sua inteligência, coragem, resiliência, imaginação, criatividade, abertura ao progresso, exigente na transparência dos seus líderes, forte na defesa dos valores europeus, capaz de se erguer contra a adversidade, leal aos seus parceiros, rápido a transformar-se numa potência militar e económica. 

Zelensky moldou um rosto de união e identidade à Ucrânia e trouxe-a para o século XXI. Putin destruiu o rosto da Rússia e arrastou-a para a Idade Média.

Zelensky vai pôr a Ucrânia como parceiro na UE (espera-se, pois isso é para nosso benefício também), Putin pôs a Rússia como vassalo da China.

Zelensky elevou e uniu o seu povo, Putin reduziu-o a zombies atomizados e medrosos.

Zelensky faz vir ao de cima o melhor do seu povo, Putin faz vir ao de cima o pior do pior do seu povo.

É claro que Zelensky é o líder que a muitos gostavam de ter: um indivíduo sério, cheio de energia, com sentido do dever, sem medo de enfrentar desafios, com um espírito democrático, uma grande capacidade de absorver estoicamente o sofrimento alheio dos que representa. 

Enfim, enquanto Zelensky se revelou um grande líder, Putin revelou o que é: um liliputiano criminoso que está no poder porque é mestre na dissimulação, no crime, na subjugação, na supressão da vitalidade do povo e um idiota que não sabe, nem gerir o país, nem tirar proveito de ter tido o segundo maior exército do mundo.

February 14, 2026

"Putin can’t imagine life without power, or after it"


February 11, 2026

E não só

 

Se Biden não tivesse deixado que a guerra se prolongasse a China não tinha entrado nela, mas como viu que os americanos toleravam Putin implicitamente, ganhou coragem.

February 04, 2026

Ele nasceu para recrutar espiões e planear sabotagens e alguém o pôs a fazer de presidente...

 

E isso está para além das capacidades dele. É um caso clássico de princípio de Peter: podes tirar o homem do KGB mas não tiras o KGB dele. 

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Ian Crouch

The New Yorker Daily 

Os serviços secretos militares russos estão a recrutar jovens online para atear incêndios criminosos e outros actos de sabotagem em toda a Europa. 
Na edição desta semana, Joshua Yaffa relata a campanha secreta do Kremlin para minar o apoio do Ocidente à Ucrânia — e detalha como «agentes descartáveis» estão a ser recrutados por todo o continente. Algumas das suas missões são pequenas — afixar cartazes ou recolher um pacote — enquanto outras envolvem ataques físicos, por exemplo, detonar explosivos e atear fogos. Em 2024, um jovem recebeu a missão, de um manipulador anónimo, de colocar um dispositivo incendiário dentro de uma loja IKEA em Vilnius, na Lituânia. Recentemente, conversei com Yaffa para saber mais sobre como esses jogos de espionagem estão a ser jogados.

Então, por que razão os serviços secretos russos queriam incendiar uma loja IKEA?

A princípio, parecia misterioso mas durante a minha reportagem, conversei com um funcionário da segurança nacional lituana que disse: “Um incêndio na IKEA é algo muito menor, nada mais do que um sinal táctico”. Significa que isso não vai mudar o rumo da guerra real com a Ucrânia, ou o que a Rússia vê como sua luta maior com o Ocidente mas esses tipos de actos somam-se para ter um efeito mais estratégico.

Na Lituânia, temos o incêndio da IKEA. Na Polónia, temos um centro comercial que, nesse mesmo ano, ardeu completamente no centro de Varsóvia. Temos um armazém a pegar fogo, uma linha ferroviária a ser sabotada. Temos alguns auto-colantes e graffitis anti-OTAN a aparecer pela cidade. Temos estes casos bizarros em França, com caixões a aparecerem na Torre Eiffel e alguém a vandalizar um memorial do Holocausto. Um investigador com quem conversei chama isso de «táctica de enxame». Somando tudo isso, você acaba com uma imagem de caos e fissuras na sociedade, em toda a Europa.

Quem são esses agentes? São pró-russos ou estão fazendo isso principalmente por dinheiro?

Fiquei impressionado com algo que ouvi de um funcionário dos serviços de segurança da Polónia, um dos países no epicentro desse tipo de ataque. Ele disse-me que, dos 62 agentes desse tipo que a Polónia prendeu nos últimos anos, apenas dois parecem ter sido motivados principalmente por razões ideológicas.

No geral, são pessoas que respondem a pedidos aparentemente aleatórios e muitas vezes inofensivos no serviço de mensagens Telegram para o que parecem ser trabalhos esporádicos. Muitas vezes, as pessoas que realizam esses trabalhos podem nem saber que os 
serviços secretos russos estão no final da cadeia. Porém, como me disse o agente de segurança polaco, a natureza desses pedidos devia ser clara acerca de quem pode estar a fazê-los. «É preciso usar a cabeça», disse ele.

No seu artigo, você diz que alguns desses agentes são ucranianos.

Os refugiados ucranianos são frequentemente recrutados, principalmente porque são uma população vulnerável num novo país com uma nova língua e que muitas vezes enfrentam dificuldades financeiras. E muitos falam russo, o que torna as coisas ainda mais fáceis para os serviços secretos russos. Juntos, eles constituem um alvo de recrutamento atraente. E se os ucranianos forem apanhados a realizar essas acções, consegue-se desacreditar a imagem dos ucranianos aos olhos do povo polaco, por exemplo ou lituano, nos países que acolheram refugiados. É uma situação vantajosa para a Rússia.

O que estão os Estados Unidos a fazer em relação a este tipo de acção secreta?

O que realmente preocupou os EUA foi uma série de eventos semelhantes em 2024. Agentes descartáveis foram recrutados para colocar dispositivos dentro de pacotes e enviá-los via DHL para a Europa, Canadá e EUA. Alguns dos pacotes tinham dispositivos de rastreamento dentro deles para colectar informações mas outros pacotes continham dispositivos incendiários. Num incidente, um dos pacotes incendiou uma pista em Leipzig, na Alemanha, antes de ser carregado num avião. Houve um atraso na chegada de um avião e, se o voo tivesse descolado dentro do horário previsto, aquele pacote tinha provocado um incêndio no ar.

A ideia de aviões em chamas caindo do céu preocupou tanto o governo Biden que o conselheiro de segurança nacional e o diretor da CIA ligaram para os seus homólogos em Moscovo e, como relato no artigo, disseram, essencialmente, «Parem com isso».


January 31, 2026

Putin mencionado mais de 1.000 vezes nas gravações de Epstein.

 

January 17, 2026

A fascização gradual de uma escola russa, vista por dentro

 

Um professor russo filmou secretamente o seu próprio local de trabalho, que foi transformado numa máquina de propaganda de guerra. Essas imagens fazem agora parte de um documentário nomeado para um Óscar. 

January 15, 2026

O fascista da Rússia faz tudo para bloquear a paz e culpar os outros

 

 

January 05, 2026

Escrevi isto no ano passado depois de Trump ser eleito. Acho que não me enganei



"I Want To Be One Of The Greats"

"Quero ser um dos grandes" foi a frase de Timothee Chalamet, um actor americano, aquando da aceitação de um prémio, há uns dias. Talvez o tenha dito na excitação do momento ou porque é ainda muito novo e está afectado pela fama. Não sei, mas disse-o perante uma assembleia de actores, produtores, realizadores: trabalha para um legado de grandiosidade.

Quem também tem essa ambição é Trump e o seu parceiro Musk, embora cada um à sua maneira porque Musk usa-se de Trump por quer ter poder absoluto e está-se nas tintas para a MAGA mas Trump quer ser 'um dos grandes' da América, como ele diz, confundindo o seu país com todo o continente. Depois, são ambos sociopatas mas Musk está mesmo convencido que é um ser intelectualmente superior enquanto Trump é um narcisista vulnerável à lisonja por motivos de insegurança intelectual - o cargo de Presidente da 'América' funciona para a sua imagem e para a força que quer projectar, como um Viagra.

São pessoas racistas e misóginas, talvez pelo contexto da educação. Musk é um africânder e Trump é um cristão ideológico - um indivíduo que abraça a ideologia da religião no que respeita aos costumes, mas não o exercício do espírito religioso.

Trump, tal como Putin, pensa que o Ocidente caiu em desgraça desde que aceitou gays, mulheres no exército e políticas inclusivas que, em seu entender, efeminizaram os homens, a Política e a autoridade da 'América' no mundo. Ele quer uma 'América' de famílias cristãs, de homens fortes e temidos e mulheres de valores tradicionais. A administração dele está muito vinculada aos cristãos evangélicos que são fanáticos e extremistas como os islamitas.

Ele acredita mesmo, penso, na ideologia MAGA e foi muito influenciado pelas ideias de Bannon, para quem a 'América' só poderia voltar a ser grande se a Europa voltasse a ser pequena como aconteceu no pós-guerra, quando estava destruída e dependente da força dos EUA.

Enquanto a Europa não for reduzida, será um obstáculo à grandiosidade da América, o que o diminui a ele pessoalmente dado que dificulta a construção do seu legado e de uma 'América' orbanizada ou mesmo russificada. Além disso, uma Europa forte e ateia com valorização das políticas de inclusão sobrepõe a sua voz e diminui a força da América cristã tradicional.

Penso que ele partilha isto da decadência dos valores com Putin e pensa, por isso mesmo, que Putin o compreende e quer o mesmo que ele.

Trump tem uma visão do mundo influenciada pelo dogma nefasto de Kissinger acerca do poder e das áreas de influência. Como quer uma 'América' grandiosa, sendo ele o construtor desse legado, tem na ideia uma visão do mundo dividida por grandes potências dominadoras, cada uma com a sua área de influência: a Rússia com domínio sobre a Europa, os EUA com domínio sobre a América (continente) e talvez a China, com domínio sobre a Ásia. A África não lhe interessa. Ele não vê a África como uma potência que possa ameaçar alguém.

Não por acaso está a sair de todas as organizações internacionais que podem retirar poder à 'América'. Ele não é pessoa de negociar: ele dita as condições, compra com dinheiro e se for preciso usa a força do dinheiro para chantagem. Só cede ao poder e à força das circunstâncias, tal como Putin.

Diferentemente de Putin, Trump quer dominar o continente americano e ser uma grande potência, mas sem recurso ao poder das armas. Apenas com o poder do dinheiro. Já no 1º mandato ele propôs-se comprar a Gronelândia e disse mesmo que queria expandir o território dos EUA, mas nessa altura era mais inexperiente e menos descarado.

Ele quer ficar para a história como 'um dos grandes' através da expansão do território e do consequente aumento de riqueza do país e, obviamente, do poder. Para isso precisa que outros países, nomeadamente potências económicas, não intervenham e se tornem obstáculos. Daí a necessidade de dividir e destruir a UE. Este era um dos grandes objectivos declarados e defendidos do projecto de Bannon.

Penso que ele alinhavou uma espécie de Tratado de Tordesilhas com Putin: tu ficas com a Ucrânia e o que mais quiseres da Europa que nós não seremos obstáculo e nós vamos ficar com o Canadá e a Gronelândia e vocês não interferem na nossa vida mesmo que tenhamos um problema com a China. Putin terá dito que sim e ele acredita mesmo que Putin o respeita e que respeita um acordo com ele. Daí estar a promover russófilos e políticas de amizade e confiança com a Rússia. Ele pensa que uma aliança com a Rússia de Putin é mais forte e lhe traz mais riqueza e grandiosidade que uma aliança com a Europa, que está cheia de gente que nem sequer gosta dele ou respeita os seus valores - o que é verdade.

É claro que estou a especular porque não tenho acesso a informações secretas e o que penso é a partir do que leio e do que vejo cada uma das partes dizer e fazer. Porém, não percebo como é que Trump iria explorar minério na Ucrânia se os territórios ocupados ficassem com a Rússia...

Em geral, os presidentes americanos acreditam que os outros líderes ficam impressionados com a sua personalidade (dada a reverência subserviente que têm dentro do seu país), e com o peso de serem os líderes com mais poder no mundo - o que sendo verdade, não é, noutro ponto de vista.

Mas a questão é que Trump espera sempre que outros líderes fiquem esmagados de respeito pela sua presença dada a grandiosidade que ele pensa que a 'América' tem no mundo e na história do mundo.

Na verdade, neste momento os líderes dos valores religiosos machistas tradicionais e os autoritários estão a cerrar fileiras - veja-se Milei e veja-se como Israel votou com a Rússia contra a Ucrânia para agradar a Trump.

Parece-me que Ursula von der Leyen tem toda a razão quando urge a um plano para a defesa da Europa.

Para já, tudo o que nos faça ganhar tempo, obviamente que é bom. Pode ser que o rei inglês tenha a habilidade de atrasar o divórcio de Trump com a Europa, mas é difícil.

Não sei o que Zelensky pode fazer porque Trump não quer saber de ir negociar com um terrorista, um criminoso de guerra. Ele só vê em Putin poder e força, coisas que aprecia, confunde com respeito e quer muito possuir. Ter consigo a força decidida da Europa na defesa da Ucrânia, neste momento, parece ser o melhor argumento. É claro que para isso a Europa tem de ser, como diz aqui von der Leyen, rápida, unida e decidida.

Apaziguar Trump oferecendo concessões a Putin é um grande perigo. Dá uma imagem de fraqueza.


Os líderes europeus precisam de se libertar da ilusão de que os argumentos racionais terão algum efeito na Casa Branca MAGA. (Jessica Berlim)

March 04, 2025

December 30, 2025

Garantias de segurança de Trump? Que garantias?

 

Então, se neste momento em que Trump podia garantir a segurança da Ucrânia (bastava dar armas de longo alcance à Ucrânia ou simplesmente dizer aos russos, sozinho ou com a NATO: basta!) escolhe não o fazer, o que é já uma prova da não seriedade de se comprometer com as garantias de segurança que os EUA deram à Ucrânia, porque razão o fará depois de a Ucrânia ceder territórios e de Putin permanecer intocável? 

Trump nunca cumprirá nenhuma garantia. Ele é como Putin: assim como uma fronteira não passa de uma linha desenhada num mapa, uma assinatura não passa de letras desenhadas num papel. Nem uma nem outra os comprometem. São dois grandes predadores, um é um violador que gosta de abusar e humilhar raparigas e mulheres e o outro é um assassino que gosta de humilhar e destruir pessoas poderosas.

Dado que não podemos neutralizar um dos predadores, temos que neutralizar o outro, sob pena de ficarmos no meio de dois predadores (com o terceiro à espreita lá longe) e em vez de lutar apenas contra um termos de lutar contra dois. E há urgência nisto, porque a Ucrânia não é uma força imortal que resiste a tudo e porque o outro predador pode vir a aliar-se militarmente ao primeiro. Não percebo os europeus estarem a arrastar-se.


December 02, 2025

Big words. Desperate guy




Antes de receber proposta de paz, Putin diz estar preparado para combater a Europa

December 01, 2025

Porque se diz que Putin é um cancro

 

Na biologia, quando uma única célula deixa de seguir as leis do corpo e começa a danificar as células ao seu redor, isso é chamado de cancro.

Podemos considerar a organização dos países pelo direito internacional, o corpo e Putin o cancro. Putin tem destruído tudo à sua volta. 


A Rússia não é um país com Estados originais, é uma federação de países/povos colonizados que só pela força se mantêm unidos. 

Putin não foi capaz de desenvolver a Rússia e torná-la num país moderno e democrático quando chegou ao poder. Para isso são precisas mais do que competências de KGB e ademais Putin tem muita ganância de poder, o que é incompatível com a alternância de poder de um país moderno e democrático. Portanto, Putin não se pode dar ao luxo de não ser agressivo com todos à sua volta, porque no dia em que Putin colapsar, que razões têm esses países colonizados para se manterem federados à Rússia, um país atrasado? 

Voltando à analogia, a melhor maneira de erradicar um cancro é detectá-lo cedo e, sendo possível, lidar logo com ele, antes que cresça e se espalhe. A Europa e os EUA falharam em detectar o cancro-Putin cedo e, mesmo depois de o terem detectado, comportaram-se como aquelas pessoas que fingem não ver para não terem que lidar com os problemas.

Há 3 modos de lidar com um cancro. Tirar o tumor, se for possível; tratá-lo com quimio/radiação/imunoterapia (antes ou depois do o tirar); ou, não podendo tirá-lo, encapsulá-lo de maneira a que não tenha modo de escapar. Neste último caso, usam-se os químicos/radiação até que o tumor fique encapsulado numa massa de células mortas sem vasos sanguíneos que sirvam de caminho de saída das células que, por ventura, lá restarem. 

Putin devia ter sido destruído em 2008, depois em 2014. Não só não foi destruído como foi alimentado. Tem estado a gerar metáteses: Orban e depois Trump. Agora é tarde e é mais difícil destruí-lo porque tem esses gânglios metastásicos a alimentá-lo.

Tem de ser atacado com doses massivas de quimio/rádio -destruir-lhe a economia de guerra, destruir-lhe as bases militares- até ficar encapsulado, incapaz de se mexer, impotente de movimentos, como um rei cercado no tabuleiro sem casas para escapar.

Orban pode ser encapsulado de maneira relativamente fácil. Trump, outro tumor maligno em pleno desenvolvimento, já passou a fase de poder ser destruído rapidamente e requer mais tempo e paciência. Esse é um trabalho que pode ser interior ou exterior. 

Interior pelos do seu partido, se não forem cobardes ou demasiado gananciosos (J. D. Vance e Rubio ainda podem ser destruídos). Basta legislar e obstaculizar as suas ambições ditatoriais e malignas. Criar-lhe empecilhos no Congresso e no Senado. Se a sua acção for impedida pelos legisladores, ele torna-se impotente. Porém, não parece que os republicanos tenham coluna vertebral para o fazer. Pelo menos, até agora. 

Exterior pela Europa, se não for medrosa e hesitante. Todos os acordos que Trump fizer sobre a segurança da Ucrânia e da Europa noutro Continente, num salão qualquer da Flórida valem zero se a Europa não os considerar como válidos ou aceitáveis sequer, se apoiar a Ucrânia e a armar até aos dentes e se não colaborar com ele. A certa altura ele e Putin ficam a falar sozinhos. A Europa pode até alimentar estas conversas fantasiosas e enquanto eles se entretêm a planear castelos de nuvens, o tempo passa e a Europa vai-se armando e fortalecendo. É preciso tornar Trump irrelevante para o destino da Europa para se poder lidar com Putin como deve ser.

É claro que nada disto conta se a Ucrânia continuar a ser destruída pelas bombas russas e se os europeus se limitarem a fazer declarações...

November 25, 2025

Quem beneficia do acordo secreto entre Witkoff e Dmitriev?



Cui Bono?

Quem beneficia dos acordos de Trump com os russos e os sauditas? Não nós.

Anne Applebaum

Steve Witkoff é um promotor imobiliário sem qualquer conhecimento histórico, geográfico ou cultural sobre a Rússia ou a Ucrânia. Kirill Dmitriev dirige o fundo soberano da Rússia, um trabalho que envolve negociar acordos financeiros destinados a beneficiar os oligarcas russos que controlam o Estado, incluindo Putin. Juntos, elaboraram um «plano de paz» de 28 pontos que surpreendeu os ucranianos, os europeus e, possivelmente, até mesmo o Departamento de Estado americano. 

O secretário do Exército, Dan Driscoll, que está intimamente ligado ao vice-presidente Vance, foi enviado a Kiev para dizer aos ucranianos que, se não concordarem com tudo isso até o Dia de Ação de Graças, os EUA deixarão de vender armas à Ucrânia.

O plano que criaram tem um nome errado, como escrevi esta manhã na Atlantic:

Não é um plano de paz. É uma proposta que enfraquece a Ucrânia e separa a América da Europa, preparando o caminho para uma guerra maior no futuro. Entretanto, beneficia investidores russos e americanos anónimos, à custa de todos os outros.

O plano exige que a Ucrânia não apenas ceda territórios ocupados à Rússia, mas também ceda territórios que a Rússia nem sequer controla. O plano também parece ter sido deliberadamente concebido para enfraquecer a Ucrânia, política e militarmente, de modo a que a Rússia tenha mais facilidade em invadi-la novamente daqui a 1 ou 10 anos.

Se os ucranianos concordarem, o que é politicamente improvável, sacrificarão terras fortemente fortificadas, deixando toda a região central da Ucrânia vulnerável a uma futura invasão. Em troca, recebem uma promessa vaga e irrealista de garantias de segurança, sem nenhum detalhe.

Embora o plano defenda a soberania ucraniana, impõe condições severas à Ucrânia e nenhuma condição à Rússia. A Ucrânia deve parar de falar sobre crimes de guerra, reduzir o tamanho do seu exército, prometer nunca aderir à OTAN, nunca convidar tropas europeias para o seu território e até mesmo realizar eleições dentro de 100 dias após a assinatura do acordo, uma exigência que não é feita à Rússia, uma ditadura que não realiza eleições livres há mais de duas décadas.

O mais preocupante, porém, são os acordos financeiros russo-americanos que parecem estar a ser negociados nos bastidores. Os EUA obteriam, de alguma forma, o controlo de 100 mil milhões de dólares em ativos russos congelados, atualmente mantidos em bancos europeus, e usariam esse dinheiro para obter lucros na Ucrânia. E há mais:

Os Estados Unidos e a Rússia «celebrariam um acordo de cooperação económica de longo prazo para o desenvolvimento mútuo nas áreas de energia, recursos naturais, infraestrutura, inteligência artificial, centros de dados, projetos de extração de metais raros no Ártico e outras oportunidades corporativas mutuamente benéficas», de acordo com o plano. Isso não é surpresa: Putin falou de «várias empresas» que se posicionam para retomar os laços comerciais entre seu país e os Estados Unidos.

Em março, o Financial Times noticiou uma dessas negociações. Mattias Warnig — um empresário alemão e ex-espião russo que tem ligações estreitas com Putin e está sob sanções dos EUA — tem procurado um canal secreto para a administração Trump por meio de investidores americanos que querem reabrir o gasoduto Nord Stream 2, parte do qual foi explodido por sabotadores ucranianos no início da guerra. Um americano familiarizado com o plano disse ao Financial Times que os investidores americanos estavam essencialmente a receber «dinheiro à mão cheia», o que é, obviamente, uma perspectiva atraente.

Esses detalhes ajudam a explicar as origens e o objectivo desse acordo, que de outra forma seria inexplicável. 

Superficialmente, ninguém parece se beneficiar. A Ucrânia ficará enfraquecida. Os europeus terão que se preparar para uma guerra mais ampla que Putin, encorajado pela sua nova aliança com Trump, há muito tempo diz querer. Os cidadãos americanos também não serão beneficiados. A nossa relação longa, estável e mutuamente benéfica com a Europa será destruída. A nossa reputação como aliado confiável será prejudicada em todo o mundo, com consequências de longo prazo para a nossa segurança e prosperidade.

Mas algumas pessoas podem beneficiar muito com esse acordo. Só que não sabemos quem. Não deveríamos ser informados?

Esse plano foi proposto, em nosso nome, como parte da política externa dos EUA. Mas ele não serviria aos nossos interesses económicos ou de segurança. Então, a quem serviria? Quais empresas americanas e quais oligarcas se beneficiariam? Os membros da família e apoiantes políticos de Trump estão entre eles? Os acordos propostos devem ser de conhecimento público antes de qualquer tipo de acordo ser assinado.

Pense na questão mais ampla que está em jogo. Quanto da política externa americana está realmente a ser conduzida em benefício dos americanos? Será que agora é apenas uma fonte de enriquecimento pessoal e benefício político para Trump, a sua família e os seus amigos empresários?

Outros detalhes das negociações comerciais realizadas por Witkoff e Dmitriev permanecem em segredo. Os ucranianos e europeus, que pagariam o preço militar e económico por este plano, merecem conhecê-los.

Há uma década que a Rússia procura dividir a Europa e a América, minar a NATO e enfraquecer a aliança transatlântica. Este plano de paz, se for aceite, alcançará esse objetivo. 

Há uma longa tradição de grandes potências na Europa a fazer acordos por cima das cabeças dos países mais pequenos, levando a um sofrimento terrível. O Pacto Molotov-Ribbentrop, com os seus protocolos secretos, trouxe-nos a Segunda Guerra Mundial. O acordo de Ialta deu-nos a Guerra Fria. O pacto Witkoff-Dmitriev, se se mantiver, encaixará perfeitamente nessa tradição.

November 24, 2025

O poder e a humilhação

 

«No meu estudo das sociedades comunistas, cheguei à conclusão de que o objectivo da propaganda comunista não era persuadir ou convencer, nem informar, mas humilhar; e, portanto, quanto menos correspondesse à realidade, melhor. Quando as pessoas são forçadas a permanecer em silêncio quando lhes são contadas as mentiras mais óbvias, ou pior ainda, quando são forçadas a repetir elas próprias essas mentiras, perdem de uma vez por todas o seu sentido de probidade. Concordar com mentiras óbvias é, de certa forma... tornar-se mau. A capacidade de resistir a qualquer coisa é assim corroída e até destruída. Uma sociedade de mentirosos castrados é fácil de controlar. Acho que, se analisarmos o politicamente correcto, ele tem o mesmo efeito e é essa a sua intenção.» - Theodore Dalrymple, Frontpage Magazine (31 de agosto de 2005) 

 *****

Há o poder e há a humilhação. O poder é a capacidade de forçar outros à sua vontade, não necessariamente de modo violento. A humilhação é violência e está ligada a uma necessidade de reconhecimento de status. Os revolucionários da revolução francesa compravam bilhetes para ir ver os nobres sem cabeleiras nem jóias, prostrados na «Viúva», como chamavam à guilhotina, serem separados das suas cabeças que eram mostradas à populaça e atiradas para um cesto, como se fossem restos de carne para cão. A execução era planeada, não para matar -embora matasse- mas para humilhar. Este excesso de violência grotesca e animalesca foi responsável por levar Napoleão ao poder, o primeiro ditador totalitário da história ocidental. 
Da mesma maneira, após a derrota da Alemanha em 1945, mais de 20 mil mulheres francesas que tinham namorado um alemão, foram publicamente humilhadas: as cabeças rapadas, para as desumanizarem, na maioria dos casos passeadas nuas dessa maneira para a multidão de homens (muitos deles colaboradores virados pseudo-patriotas) as humilharem. Tiraram-lhes fotografias e fizeram postais que venderam para a sua humilhação ser espalhada pelo país e pelo mundo e perdurar para sempre. São os inceis de todos os tempos. (via BORZOI)
Trump e Putin têm essa característica em comum. Ambos vêm de uma classe social baixa -apesar de Trump vir de uma família com dinheiro, era dinheiro novo, de imigrantes, sem nenhum estatuo social- e ambos necessitam de sentir que os outros lhes são inferiores em status
Trump tem as suas casas todas cheias de ouro porque pensa que isso lhe confere um estatuto próximo da majestade. Encheu a Casa Branca de dourado e está a fazer um salão de baile com mais ouro que Versalhes. Espera que o dourado que o rodeia se estenda à sua pessoa.  
Putin faz-se filmar a atravessar as salas e corredores dourados dos palácios dos imperadores russos, com uma multidão de vassalos a aplaudi-lo ao longo do seu percurso de apoteose. Faz-se fotografar vestido de Imperado russo.
Trump humilha: desde chamar piggy às mulheres, a rodear-se de mulheres que parecem ter saído de um filme porno (os Bezzos e outros bilionários misóginos também), até mandar prender os imigrantes de um modo degradante e humilhante, em frente dos filhos, no meio da rua, por tipos de cara tapada, atirados para um sítio qualquer, esquecidos e incomunicáveis. 
Putin pediu a Trump que humilhasse Zelensky naquela famosa ida à Casa Branca. Quer muito humilhar Zelensky e os ucranianos. Pediu-lhe para deixar entrar os jornalistas da Tass e pediu-lhe que o humilhasse em frente ao mundo - ponho as minhas mãos no fogo que o fez e que o outro acedeu contente pela expectativa e a crueldade de preparar a humilhação e destruir uma pessoa em frente ao mundo. Seria uma espécie de espectáculo de guilhotina online. Saiu-lhe mal. Nem Zelensky rastejou nem ninguém no mundo inteiro -fora da Rússia- gostou da armadilha de Trump-Putin. 
Ambos têm uma enorme necessidade de reconhecimento de superioridade de status e usam a crueldade e  humilhação para esse fim. 
Este plano de 28 pontos que Putin mandou Trump impor a Zelensky é para o humilhar a ele e à Ucrânia, que o trataram, não com o medo e reverência que se deve a um ser de status superior, mas como um criminoso, um bandido, um merdoso. É também por isso que Trump não gosta dos europeus.
Não se pode apaziguar este tipo de pessoas que se drogam com o medo dos outros, com a vassalagem dos outros, com a reverência dos outros, ao mesmo tempo que a desprezam, na sua insegurança de homenzinhos que querem muito estar à altura dos grandes homens.


November 23, 2025

Uma análise pormenorizada do plano dos 28 pontos da traição americana pelo ex-diretor dos serviços secretos da Estónia

 


@EerikNKross
(Ex-diretor dos serviços secretos da Estónia. Membro do Parlamento)


Passei o sábado a analisar o plano de 28 pontos. O resultado:

Se os EUA estiverem a considerar seriamente a aplicação deste plano, estarão a violar:

• 13 tratados vinculativos e instrumentos internacionais

• 23 compromissos políticos, declarações e resoluções autorizadas

• 35 artigos, cláusulas e princípios jurídicos explícitos

Total: 71 obrigações jurídicas ou políticas internacionais distintas.

Análise completa abaixo — e tenha em mente que mesmo esta lista está longe de ser exaustiva..........

Isto está estruturado por princípios. Sob cada princípio, primeiro apresento a regra central, depois listo os principais tratados/compromissos e mostro quais pontos do plano de 28 pontos de Witkoff-Dmitriev colidem com eles.

(As referências ao plano utilizam os números dos pontos.)

I. Não reconhecimento da aquisição territorial pela força e integridade territorial da Ucrânia

Ideia central: Nenhum Estado pode reconhecer como legítima qualquer alteração territorial alcançada por agressão; todos os Estados devem respeitar a integridade territorial da Ucrânia dentro das suas fronteiras internacionalmente reconhecidas.

Compromissos e instrumentos fundamentais aos quais os EUA estão vinculados ou que endossaram:

Carta das Nações Unidas

– Artigo 2.º, n.º 4: proibição da ameaça ou uso da força contra a integridade territorial ou independência política de qualquer Estado.

– Cria normas imperativas (jus cogens) e obrigações erga omnes de não reconhecer ou auxiliar violações graves.

Resoluções da Assembleia Geral da ONU sobre a integridade territorial da Ucrânia

– Resolução 68/262 (2014) “Integridade territorial da Ucrânia” (Crimeia).

– Resolução ES-11/1 (2022) «Agressão contra a Ucrânia».

– Resolução ES-11/4 (2022) «Integridade territorial da Ucrânia: defesa dos princípios da Carta das Nações Unidas», que:

• declara os referendos e a anexação de Donetsk, Kherson, Luhansk e Zaporizhzhia «inválidos» e «ilegais ao abrigo do direito internacional»;

• exorta todos os Estados a não reconhecerem estes territórios como parte da Rússia e exige a retirada total da Rússia.

Declaração sobre Relações Amigáveis (Resolução 2625 da AGNU, 1970)

– Afirma que nenhuma aquisição territorial resultante da ameaça ou uso da força será reconhecida como legal

Definição de agressão (Resolução 3314 da AGNU, 1974)

– Reitera que nenhuma aquisição territorial ou vantagem especial resultante de agressão é ou será reconhecida como legal.

Acta Final de Helsínquia da OSCE (1975) e Carta de Paris para uma Nova Europa (1990)

– Inviolabilidade das fronteiras; alterações territoriais apenas em conformidade com o direito internacional e por acordo pacífico, não pela força.

Resolução 2605 da PACE (junho de 2025) sobre os aspetos/consequências jurídicos e dos direitos humanos da agressão da Rússia

– Salienta que a inviolabilidade das fronteiras e o não reconhecimento das aquisições territoriais resultantes do uso da força são princípios fundamentais do direito internacional e da ordem baseada em regras.

Resolução ES-11/5 da AGNU (2022) sobre reparações e indemnizações para a Ucrânia

– Reafirma a soberania e a integridade territorial da Ucrânia e associa-as à responsabilização e às reparações.


Como o plano Witkoff-Dmitriev entra em conflito

– Ponto 21:

• «A Crimeia, Luhansk e Donetsk serão reconhecidas como territórios russos de facto, incluindo pelos Estados Unidos.»

• Kherson e Zaporizhzhia «congeladas ao longo da linha de contacto», o que equivale a um reconhecimento de facto.

• Parte da região de Donetsk que a Ucrânia controla atualmente será desocupada pela Ucrânia e a zona de retirada será «internacionalmente reconhecida como território pertencente à Federação Russa».

– Ponto 2: «Todas as ambiguidades dos últimos 30 anos serão consideradas resolvidas» – no contexto, isso significa resolver os ganhos territoriais ilegais da Rússia e encerrar o caso.

Ao concordar com isto, os EUA:

• contradiziam diretamente várias resoluções da AGNU que votaram a favor (68/262, ES-11/1, ES-11/4, ES-11/5);

• violar o princípio consuetudinário de não reconhecimento da aquisição territorial pela força;

• minar os compromissos da OSCE e a linha da PACE de que tais aquisições nunca devem ser reconhecidas.


II. Direito soberano dos Estados de escolher as suas próprias alianças e política externa (sem «esfera de influência»)

Ideia central: cada Estado soberano tem o direito de determinar os seus próprios acordos e alianças de segurança; nenhum outro Estado pode vetar essa escolha ou coagi-lo a mudar de orientação.

Compromissos fundamentais

Resolução 2625 da AGNU (Relações Amigáveis, 1970)

– Cada Estado tem o direito de «escolher os seus sistemas políticos, económicos, sociais e culturais e de determinar livremente a sua política externa».

– Nenhum Estado pode obrigar outro a subordinar as suas decisões soberanas.

OSCE Ata Final de Helsínquia (1975)

– Os Estados podem pertencer ou não a alianças e organizações; têm o direito à neutralidade e a escolher os seus próprios acordos de segurança.

OSCE Carta de Paris (1990)

– Afirma a liberdade dos Estados de escolherem os seus próprios acordos de segurança.

OSCE Declaração da Cimeira de Istambul (1999)

– «Cada Estado participante tem igual direito à segurança» e «o direito de escolher ou alterar os seus acordos de segurança, incluindo tratados de aliança».

– Nenhum Estado ou grupo de Estados pode reivindicar qualquer responsabilidade preeminente pela segurança de outros (rejeição direta das «esferas de influência»).

Declaração Comemorativa da OSCE em Astana (2010)

– Reafirma o direito inerente de escolher ou alterar acordos de segurança, incluindo alianças.

Como o plano entra em conflito

– Ponto 3: «A Rússia não invadirá países vizinhos e a OTAN não se expandirá ainda mais.»

– Ponto 7: A Ucrânia deve consagrar na sua Constituição que não aderirá à OTAN, e a OTAN deve alterar os seus próprios estatutos para excluir permanentemente a Ucrânia.

– Ponto 8: A OTAN concorda em nunca estacionar tropas na Ucrânia.

Isto iria:

• institucionalizar um veto russo sobre as escolhas de segurança da Ucrânia (e potencialmente de outros Estados);

• contradizer o acervo da OSCE (Helsínquia, Paris, Istambul, Astana), do qual os EUA são um Estado participante;

• contrariar a proibição da UNGA 2625 de obrigar um Estado a alterar a sua orientação de política externa.

Se os EUA patrocinassem ou aplicassem este acordo, estariam a agir de forma contrária aos seus próprios compromissos com estes princípios.

III. Proibição da agressão e dever de não recompensar ou estabilizar os seus resultados

Ideia central: A agressão é «o crime internacional supremo»; os Estados não devem ajudar ou colaborar na manutenção de situações criadas pela agressão e devem cooperar para pôr fim a tais violações.

Compromissos fundamentais

Carta de Nuremberga e Princípios de Nuremberga (ONU, 1950)

– A guerra agressiva é definida como um crime contra a paz.

– A agressão é «o crime internacional supremo» porque engloba todos os outros.

Carta das Nações Unidas e Resoluções ES-11/1 e ES-11/4 da Assembleia Geral das Nações Unidas

– A invasão da Rússia é caracterizada como agressão e violação da Carta; os Estados não devem reconhecer os resultados da agressão e devem exigir a retirada Resolução 3314 da Assembleia Geral das Nações Unidas (Definição de Agressão)

– A anexação ou ocupação de território pela força constitui agressão; nenhuma vantagem territorial resultante da agressão é legal.

Artigos da CDI sobre Responsabilidade do Estado (Art. 40–41)

– Para violações graves de normas imperativas (como agressão e aquisição territorial pela força):

• não reconhecimento da situação como legal;

• nenhuma ajuda ou assistência na manutenção dessa situação;

• obrigação de cooperar para pôr fim à violação.

PACE Resolução 2605 (junho de 2025)

– Qualifica a conduta da Rússia como agressão contínua e salienta que a inviolabilidade das fronteiras e o não reconhecimento das aquisições territoriais resultantes do uso da força são os fundamentos da ordem baseada em regras;

– apoia a criação de um tribunal especial para o crime de agressão e a responsabilização abrangente.

Como o plano entra em conflito

– Ponto 21 novamente: consolida os ganhos territoriais da agressão e exige o reconhecimento dos EUA.

– Ponto 13: rápida reintegração da Rússia na economia global, incluindo o retorno ao G8 e cooperação estratégica em grande escala, sem retirada prévia e responsabilização.

– Ponto 14: os fundos russos congelados restantes são parcialmente transformados num veículo de investimento conjunto entre os EUA e a Rússia, incentivando o status quo em vez da sua reversão.

Ao endossar tal acordo, os EUA estariam:

• a estabilizar e legitimar os principais frutos de um ato reconhecido de agressão;

• potencialmente a violar o dever de não reconhecer ou auxiliar violações graves de normas imperativas;

• contradizendo a orientação da PACE e da política ocidental mais ampla de insistir na responsabilização e no pleno respeito pela integridade territorial antes da normalização.

IV. Proibição da amnistia para crimes de guerra, crimes contra a humanidade e outros crimes internacionais graves

Ideia central: crimes internacionais graves devem ser investigados e julgados; amnistias gerais para tais crimes são incompatíveis com o direito internacional moderno.

Compromissos fundamentais

Convenções de Genebra (1949) – EUA signatário

– Artigo comum 1.º: obrigação de «respeitar e garantir o respeito» pelas Convenções.

– As violações graves (homicídio doloso, tortura, tratamento desumano, deportação ilegal, etc.) devem ser investigadas e julgadas (CG I, art. 49.º, CG II, art. 50.º, CG III, art. 129.º, CG IV, art. 146.º).

Direito internacional humanitário consuetudinário (Regra 158 do CICV)

– Os Estados devem investigar crimes de guerra alegadamente cometidos pelos seus nacionais ou no seu território e processar os suspeitos;

– Não é permitida qualquer amnistia para crimes de guerra.

Convenção contra a Tortura (CAT, 1984) – Parte dos EUA

– Artigos 4–7: obrigação de investigar e processar a tortura; a anistia para a tortura é incompatível com esses deveres.

Carta e Princípios de Nuremberga

– Não há imunidade para funcionários (Artigo 7); não há defesa de “apenas seguir ordens” (Artigo 8); crimes de guerra e crimes contra a humanidade são crimes sob o direito internacional e não podem ser neutralizados por medidas internas ou acordos políticos.

Conselho de Segurança da ONU e prática do Secretário-Geral

– Declarações e políticas repetidas de que os acordos de paz endossados pela ONU devem rejeitar a anistia para genocídio, crimes de guerra, crimes contra a humanidade e violações graves dos direitos humanos.

Resolução 2605 da PACE (e textos anteriores da PACE)

– Apela à responsabilização total, apoia o tribunal especial para o crime de agressão e salienta que não pode haver impunidade para crimes graves cometidos na Ucrânia.

Como o plano entra em conflito


– Ponto 26:

• «Todas as partes envolvidas neste conflito receberão amnistia total pelas suas ações durante a guerra e concordam em não fazer quaisquer reclamações ou considerar quaisquer queixas no futuro.»

Trata-se de uma anistia geral e abrangente que cobre todas as partes e todos os actos durante a guerra, sem distinção entre conduta legal e ilegal.

Se os EUA patrocinassem e aplicassem tal cláusula, isso:

• contradiz as suas obrigações nos termos das Convenções de Genebra e da CAT de processar violações graves e tortura;

• contraria a proibição consuetudinária de amnistia para crimes de guerra e outros crimes graves;

• compromete o quadro anti-impunidade baseado em Nuremberga;

• entra em conflito direto com a pressão da PACE para a criação de um tribunal especial e com o esforço internacional mais amplo no sentido de responsabilizar os autores dos crimes cometidos na Ucrânia.

V. Direito das vítimas à reparação, indenização e justiça

Ideia central: As vítimas de violações graves dos direitos humanos e violações graves do DIH têm direito à verdade, à justiça e à reparação; os Estados não podem antecipar esses direitos por meio de acordos políticos ou cláusulas de “não reivindicação”.

Compromissos fundamentais

Princípios e Diretrizes Básicos das Nações Unidas sobre o Direito à Reparação e Indenização (2005)

– As vítimas de violações graves do direito internacional dos direitos humanos e de violações graves do DIH têm direito a:

• acesso igual e efetivo à justiça;

• reparação adequada, eficaz e rápida;

• acesso a informações relevantes sobre as violações.

AGNU ES-11/5 (2022) sobre reparações e indenizações para a Ucrânia

– Reafirma a necessidade de um mecanismo internacional de reparação por danos, perdas ou prejuízos decorrentes dos atos internacionalmente ilícitos da Rússia na Ucrânia. Registo de Danos do Conselho da Europa e textos da PACE.

– O Conselho da Europa e a PACE apoiam a criação de um Registo de Danos e mecanismos para a reparação total às vítimas ucranianas e ao Estado da Ucrânia.

Como o plano entra em conflito

– Ponto 26 (novamente):

• «Todas as partes... concordam em não fazer quaisquer reclamações ou considerar quaisquer queixas no futuro.»

– Isto extinguiria, por decreto político, as reivindicações das vítimas por justiça e reparações.

– Ponto 14:

• Os activos russos congelados são parcialmente reutilizados em empreendimentos de partilha de lucros entre os EUA e a Rússia, e os activos europeus congelados são descongelados, em vez de serem dedicados na totalidade a um mecanismo de reparação centrado nas vítimas, em conformidade com a ES-11/5 e a prática do Conselho da Europa.

O apoio dos EUA a tais disposições estaria em contradição com:

• o seu próprio voto a favor da ES-11/5;

• o quadro internacional emergente de reparações para a Ucrânia;

• o princípio geral da ONU de que os direitos das vítimas não podem ser negociados em acordos de paz.

VI. Compromissos colectivos sobre sanções, não normalização e responsabilização pela agressão

Ideia central: As sanções e o isolamento diplomático são ferramentas para fazer cumprir o respeito pelo direito internacional; os Estados comprometeram-se a mantê-los até que a agressão termine e a responsabilização seja assegurada.

Principais compromissos políticos e jurídicos

Várias resoluções da Assembleia Geral das Nações Unidas e práticas estatais sobre sanções e não reconhecimento das anexações da Rússia (2014-2024).

Resolução 2605 da PACE e textos anteriores da PACE

– Apelo à pressão sustentada e à responsabilização, incluindo um tribunal especial, até que a Rússia cesse a agressão, se retire e pague reparações; salientam que a normalização e o levantamento das sanções devem estar ligados ao cumprimento do direito internacional.

Declarações da OTAN, da UE e do G7 (que os EUA subscreveram)

– Compromissos de manter as sanções e o não reconhecimento político até que a integridade territorial da Ucrânia seja restaurada e a responsabilização assegurada.

Como o plano entra em conflito

– Ponto 13: reintegração faseada da Rússia na economia global, incluindo um novo acordo de cooperação económica a longo prazo entre os EUA e a Rússia e a readmissão no G8, sem vincular isso à retirada total, reparações e responsabilização.

– Ponto 14: utilização de ativos congelados de forma parcialmente alinhada com a reconstrução, mas significativamente direcionada para estruturas conjuntas de obtenção de lucros entre os EUA e a Rússia, e descongelamento de fundos europeus, contrariamente à abordagem emergente da UE/CoE de que os ativos congelados devem servir como alavanca para reparações e resultados conformes com a lei.

Ao apoiar tal pacote, os EUA estariam a minar a frente unificada de sanções e responsabilização que eles próprios ajudaram a construir e se comprometeram a manter.

Se os Estados Unidos apoiarem e aplicarem o plano de 28 pontos de Witkoff-Dmitriev na sua forma actual, isso seria contrário ou entraria em conflito direto com pelo menos seis grupos de compromissos internacionais:

- Não reconhecimento da aquisição territorial pela força e da integridade territorial da Ucrânia (Carta das Nações Unidas; UNGA 68/262, ES-11/1, ES-11/4, ES-11/5; OSCE; PACE 2605).

- Direito soberano dos Estados de escolher as suas alianças e política externa (UNGA 2625; documentos da OSCE de Helsínquia, Paris, Istambul e Astana).

- Proibição da agressão e o dever de não recompensar os seus frutos (Nuremberga, Carta das Nações Unidas, AGNU 3314, Artigos da CDI, PACE 2605).

- Proibição da amnistia para crimes de guerra e outros crimes internacionais graves (Convenções de Genebra, CAT, DIH consuetudinário, Nuremberga, prática da ONU e regional).

- Direito das vítimas à justiça e reparação (Princípios Básicos da ONU; UNGA ES-11/5; Registo de Danos do CoE; PACE).

- Compromissos coletivos sobre sanções, não normalização e responsabilização total pela agressão russa (declarações da PACE, NATO/UE/G7).

VII. Conflito com o Tratado do Atlântico Norte (Tratado de Washington, 1949)

(Tratado que estabelece a OTAN)

O plano Witkoff-Dmitriev contradiz tanto a letra como os princípios fundamentais do Tratado do Atlântico Norte de 1949.

Os Estados Unidos, como membro fundador e depositário do Tratado, violariam as suas obrigações se apoiassem ou aplicassem tais disposições.

1. Violação do Artigo 10 – O Princípio da Porta Aberta

O Artigo 10 estabelece:

«As Partes podem, por acordo unânime, convidar qualquer outro Estado europeu... a aderir ao presente Tratado.»

Isto significa que:

A adesão à OTAN está aberta a qualquer democracia europeia capaz de contribuir para a segurança;

A escolha pertence aos membros da OTAN e ao Estado candidato;

Nenhum terceiro Estado (Rússia ou outro) pode vetar a adesão.

Conflitos com o plano

– Ponto 7: exige que a Ucrânia altere a sua Constituição para renunciar permanentemente à adesão à OTAN.

– Ponto 3: exige que a OTAN suspenda o alargamento.

– Ponto 7 (segunda parte): exige que a própria OTAN altere a sua Carta para excluir categoricamente a Ucrânia.

Apoiar estas disposições significaria:

- os EUA concordam em abolir o artigo 10.º na prática;

- os EUA aceitam um veto russo sobre a adesão à OTAN, contrariando o Tratado;

- os EUA repudiam a política de portas abertas da OTAN, juridicamente vinculativa.

Isto seria uma contradição direta do princípio defendido pelos EUA de que «cada Estado tem o direito de escolher ou alterar os seus acordos de segurança», consagrado no Tratado de 1949 e reafirmado em todas as principais declarações da cimeira da OTAN.

2. Violação do Artigo 1.º – Resolução pacífica e proibição da ameaça ou uso da força

O Artigo 1.º exige que as Partes:

«resolvam qualquer disputa internacional... por meios pacíficos» e

«se abstenham da ameaça ou uso da força de qualquer forma incompatível com os objetivos das Nações Unidas».

Conflitos com o plano

Apoiar um acordo que:

ratifique os ganhos territoriais obtidos através da agressão;

legitime a coerção russa sobre a orientação da política externa da Ucrânia;

imponha restrições de segurança à Ucrânia sob ameaça de retomada do uso da força;...

alinharia os Estados Unidos com um resultado produzido pelo uso ilegal da força, contrário ao espírito e ao objetivo do Artigo 1.

O quadro jurídico da OTAN não pode ser utilizado para validar as consequências da agressão.

3. Violação do Artigo 2.º – Reforço das instituições livres

O Artigo 2.º compromete os Aliados a:

«reforçar as suas instituições livres».

Impor um acordo constitucional forçado à Ucrânia — ditando as suas escolhas de aliança a partir do exterior — é incompatível com:

a autodeterminação democrática,

a soberania,

a independência das escolhas de política externa.

O apoio a tal disposição colocaria os EUA contra o princípio das instituições livres que o Tratado exige que promovam.

4. Violação das Declarações da Cimeira da OTAN (compromissos políticos vinculativos)

Embora não sejam direito formal do tratado, as Declarações da Cimeira da OTAN — de Londres (1990) a Madrid (2022) — são compromissos políticos vinculativos que interpretam o Tratado.

Todas reafirmam:

a política de portas abertas;

nenhum veto de países terceiros;

igualdade soberana dos parceiros;

apoio à soberania e integridade territorial da Ucrânia.

Apoiar o plano Witkoff-Dmitriev contradiria várias declarações claras do Conselho do Atlântico Norte.

5. Violação dos compromissos dos EUA como depositário do Tratado

Os Estados Unidos, como depositário do Tratado do Atlântico Norte, têm uma responsabilidade especial em defender:

a validade do Tratado,

a integridade do Artigo 10,

a independência do processo decisório da OTAN.

Concordar com restrições externas ao alargamento da OTAN seria incompatível com esse papel.

6. Resumo dos conflitos relacionados com a OTAN

Apoiar o plano Witkoff-Dmitriev colocaria os Estados Unidos em contradição ou tensão com:

o artigo 10.º – ao aceitar o veto russo e abolir a política de portas abertas da OTAN.

o artigo 1.º – ao legitimar os ganhos territoriais resultantes da agressão.

o artigo 2.º – ao imp

or restrições políticas/constitucionais às instituições livres da Ucrânia.


Décadas de acervo da OTAN – ao reverter princípios repetidamente reafirmados pelo Conselho do Atlântico Norte.

Obrigações dos EUA como depositário do Tratado – ao endossar restrições externas ao funcionamento do Tratado.

Em resumo:

O plano exige que os Estados Unidos violem os princípios fundamentais do Tratado do Atlântico Norte, especialmente a política de portas abertas, a igualdade soberana e a arquitetura de defesa coletiva.


November 22, 2025

Um aspecto a considerar nos acordos de Trump e Putin

 

Se a Ucrânia capitular, Putin avança, muito provavelmente para a Polónia ou um outro Estado báltico e quando o fizer, Trump abandonará esse Estado à sua sorte, como faz agora com a Ucrânia, com outro acordo com Putin, o único homem que ele nunca traiu, nem uma única vez.

Há anos que a Europa sabe que não pode contar com os EUA. Mesmo Biden mostrou claramente que não punha a Ucrânia e os valores democráticos à frente dos negócios com o petróleo, de todas as vezes que proibiu a Ucrânia de atingir refinarias russas. Com Trump isso é óbvio todos os dias e assim como o fez com a Ucrânia faria com outro país europeu.

Estamos atrasados 4 anos na independência militar. 


October 31, 2025

A história tem um modo de pôr a descoberto a realidade

 

Quem pode trabalha para fabricar uma verdade para a posteridade, mas a história tem um modo de pôr a descoberto a realidade.

Putin diz constantemente aos russos que a guerra na Ucrânia é uma guerra  pela existência da Rússia mas na verdade é uma guerra pela sua existência pessoal e pelo modo como vai aparecer nos livros de história.

Começou a guerra para ficar na história como um grande chefe glorioso que aumentou o império russo mas vai ficar na história como o outro, um terrorista lunático megalomaníaco. 

Um incompetente que não soube aproveitar e desenvolver um país enorme e riquíssimo e que teve medo da democracia e provocou guerras para ninguém perceber isso e o substituir por outro.


October 30, 2025

Trump a imitar Putin

 

Putin é um enorme perigo para o mundo inteiro. Trouxe de volta esta ameaça global.


Trump ameaça retomar testes com armas nucleares, minutos antes da reunião com Xi

Poucos minutos antes da reunião marcada com o presidente Xi Jinping, da China, o presidente ameaçou nas redes sociais retomar os testes nucleares pela primeira vez em 33 anos.
Trump escreveu que «devido aos programas de testes de outros países, instruí o Departamento de Guerra a iniciar os testes das nossas armas nucleares em igualdade de condições», afirmando que o processo teria início imediato.