July 04, 2026
Todas as glórias são vãs como borbulhas na água
July 02, 2026
Canícula
Canícula
Quando até os pelos do corpo
me doem
e as horas derretem-se
em caldas de tempo
que não foi,
sei que poderia matar na praia
um árabe
ou aceitar a eternidade no inferno
gelado de Dante.
(...)
April 11, 2026
'That of the Tulip Pinke and Rose'
See how the Flow'rs, as at Parade,
Under their Colours stand displaid:
Each Regiment in order grows,
That of the Tulip Pinke and Rose.
But when the vigilant Patroul
Of Stars walks round about the Pole,
Their Leaves, that to the stalks are curl'd,
Seem to their Staves the Ensigns furl'd.
Then in some Flow'rs beloved Hut
Each Bee as Sentinel is shut;
And sleeps so too: but, if once stir'd,
She runs you through, or askes The Word.
March 29, 2026
Beba poesia sem moderação
@poesienbref Jean d’Ormesson lit un poème de Marguerite Yourcenar, lors de la présentation de son livre « Je dirai malgré tout que cette vie fut belle », en Février 2016 #Booktok #booktok #clubdeslecteur #livres #livresaddict #livresaddicts #books #litteraturefrancaise #litterature #booktokfrancais #poemes #poesiefrançaise #poesiecontemporaine #poesietiktok #citationdujour ♬ son original - poesienbref
March 24, 2026
Beba um trago de poesia a acompanhar o concerto duplo de Bach
Sou um guardador de rebanhos,
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.
Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.
Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto,
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz.
February 27, 2026
Beba poesia sem moderação
Intemporal
como a melancolia
e o crepúsculo
serei
a vontade de ser
tudo e nada
cotovia.
Escorial da verdade
que subleva
em mim a força
e o sonho,
intemporal, serei
morte e vida
Duarte Galvão, L. M. em 1953 (incompleto)
February 17, 2026
Faz hoje anos que Torga nos deixou
Torga está sepultado no cemitério de S. Martinho de Anta, em Sabrosa, Trás-os-Montes, numa campa rasa, com uma torga por perto. Um português de todos os séculos com uma poesia emocionalmente eruptiva como um vulcão, ao mesmo tempo violenta e profundamente terna. Telúrico como a urze das serras de quem vestiu o nome. Torga esteve preso e considerou fugir do país mas era um desses portugueses universais profundamente enraizados nas pedras e barros deste rectângulo e, como dizia, longe da sua terra seria "um cadáver a respirar".
A vida é feita de nadas:
De grandes serras paradas
À espera de movimento;
De searas onduladas
Pelo vento;
De casas de moradia
Caídas e com sinais
De ninhos que outrora havia
Nos beirais;
De poeira;
De sombra de uma figueira;
De ver esta maravilha:
Meu pai a erguer uma videira
Como uma mãe que faz a trança à filha.
January 07, 2026
Despontar
Despontar
Apesar do inverno deste Norte
Castigando a Natureza tão severo
A força do meu olhar é tão forte
Que entre folhas tocadas pela morte
Descubro em botão a primavera.
January 05, 2026
"And thus the heart will break, yet brokenly live on"
XXXII
They mourn, but smile at length; and smiling, mourn:
The tree will wither long before it fall;
The hull drives on, though mast and sail be torn;
The roof-tree sinks, but moulders on the hall
In massy hoariness; the ruin'd wall
Stands when its wind-worn battlements are gone;
The bars survive the captive they enthrall;
The day drags through though storms keep out the sun;
And thus the heart will break, yet brokenly live on:
XXXIII
Even as a broken mirror, which the glass
In every fragment multiplies; and makes
A thousand images of one that was,
The same, and still the more, the more it breaks;
And thus the heart will do which not forsakes,
Living in shatter'd guise, and still, and cold,
And bloodless, with its sleepless sorrow aches,
Yet withers on till all without is old,
Showing no visible sign, for such things are untold.
- Lord Byron's Childe Harold's Pilgrimage, Canto III, stanza 32, 33
December 26, 2025
Anatomy of Silence
Anatomy of Silence
In the city of
lashed tongues
gashed throats
bleeding ears
LED screens and projectors
wired to sound amplifiers
blare the Minister of Stolen Time’s
Independence Day speech
across empty streets
lashed tongues
gashed throats
bleeding ears
also known as a tourist paradise
In the dispossessed land,
it is the usual scenery:
soldiers guarding empty streets
a labyrinth
of checkpoints
razor wires
steel barricades
perpetually shifting
In the dispossessed land,
it is the usual scenery:
vertigo
Uzma Falak
December 22, 2025
Oh, enterrem-me, depois levantem-se / E quebrem as vossas pesadas correntes
Mighty Girl:
Darya Kozyreva, uma activista anti-guerra russa de 19 anos, enfrenta anos de prisão numa colónia penal por citar um poema ucraniano e chamar a guerra da Rússia de «monstruosa».
As suas palavras desafiadoras ao tribunal antes da sentença? «Não tenho culpa, a minha consciência está limpa.»
Darya foi condenada a quase três anos numa colónia penal em Abril, após ser considerada culpada de «desacreditar» as forças armadas russas. O seu crime? Colocar um pedaço de papel com versos de «Meu Testamento», um poema do poeta ucraniano Taras Shevchenko, na sua estátua em São Petersburgo no segundo aniversário da invasão da Ucrânia pela Rússia; escrever uma publicação num blogue criticando a guerra; e dar uma entrevista à Rádio Europa Livre na qual chamou a guerra de «criminosa».
Após a sua prisão em 24 de fevereiro de 2024, Darya ficou em prisão preventiva por quase um ano antes de ser libertada para prisão domiciliar em Fevereiro deste ano. Na sua declaração final ao tribunal, a ex-estudante de medicina permaneceu sem se desculpar, dizendo ao juiz: «A Ucrânia é um país livre, uma nação livre, e decidirá o seu próprio destino».
Os promotores pediram uma pena de seis anos. Darya declarou-se inocente, descrevendo o caso como “uma grande invenção”. O caso contra esta jovem prisioneira política exemplifica o aprofundamento da repressão na Rússia, com as autoridades empregando “leis de censura de guerra” draconianas para silenciar qualquer expressão de dissidência.
A Memorial, organização de direitos humanos vencedora do Prémio Nobel, reconheceu Darya como prisioneira política, classificando as acusações contra ela como «absurdas». De acordo com a organização russa de direitos humanos OVD-Info, mais de 1.500 pessoas estão actualmente presas na Rússia por motivos políticos, com mais de 20.000 detidas por opiniões contra a guerra desde fevereiro de 2022.
A diretora da Amnistia Internacional na Rússia, Natalia Zviagina, observou: «Darya Kozyreva está a ser punida por citar um clássico da poesia ucraniana do século XIX, por se manifestar contra uma guerra injusta e por se recusar a ficar em silêncio.» O veredicto é «mais um lembrete assustador de até onde as autoridades russas estão dispostas a ir para silenciar a oposição pacífica à sua guerra na Ucrânia».
Darya completou 20 anos em Outubro enquanto estava presa numa colónia penal. Quanto às linhas que o governo russo considerou tão perigosas a ponto de prender uma jovem por anos por citá-las?
«Oh, enterrem-me, depois levantem-seE quebrem as vossas pesadas correntes
E reguem com o sangue dos tiranos
A liberdade que conquistaram.»
--> Pode enviar uma carta de apoio a Daria na prisão através de um formulário online gerido pelo grupo de direitos humanos OVD-Info em https://vestochka.io/en/p/daria-kozyreva
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Para vários livros excelentes sobre invasões russas passadas contadas através da experiência de meninas adolescentes, recomendamos vivamente “The Endless Steppe” para maiores de 10 anos (https://www.amightygirl.com/ the-endless-steppe), «Winterkill» para maiores de 10 anos (https://www.amightygirl.com/winterkill) e «Between Shades of Gray» para maiores de 13 anos (amightygirl.com/between-shades-of-gray).
Para leitores mais velhos, recomendamos «White Rose» para maiores de 13 anos (https://www.amightygirl.com/white-rose), “The Light in Hidden Places” para maiores de 13 anos (https://www.amightygirl.com/the-light-in-hidden-places) e “In the Time of the Butterflies” para maiores de 15 anos (https://www.amightygirl.com/in-the-time-of-the-butterflies)
Para inspirar crianças e adolescentes com histórias reais de meninas e mulheres que ousaram lutar por mudanças ao longo da história, visite a nossa publicação no blogue, «Dissent Is Patriotic: 50 Books About Women Who Fought for Change» (A dissidência é patriótica: 50 livros sobre mulheres que lutaram por mudanças), em amightygirl.com
Para se manter ligado à A Mighty Girl, pode inscrever-se na nossa newsletter gratuita por e-mail em www.amightygirl.com/forms/newsletter
https://www.amightygirl.com/blog
December 06, 2025
Do you sometimes feel the earth hunger?
I am an open air man—winged,
I am also an open water man—aquatic,
I want to get out, fly, swim.
How vast, how eligible, how joyful, how real, is a human being, himself or herself,
As boundless, joyous, and vital as nature itself—
These immense meadows, these interminable rivers, you are immense and interminable as they.
Do you sometimes feel the earth hunger? the desire for the dirt?
To get outdoors, into the woods, on the roads?
To roll in the grass, to cry out, to play tom fool with yourself in the free fields?
Nature, gently, by her living laws, would stimulate the mind to ever-fresh discoveries, and fresh inventions, which bring serene delight.
November 17, 2025
"todos os meus momentos passados podem existir algures"
"Relembro o que fiz e o que podia ter feito na vida.
[...] Se em certa altura
Mas não virei para o lado irreparavelmente perdido,
November 06, 2025
"Ah ! comme la neige a neigé !"
October 27, 2025
"September 1913" by Yeats
September 1913
by William Butler Yeats
But fumble in a greasy till
And add the halfpence to the pence
And prayer to shivering prayer, until
You have dried the marrow from the bone;
For men were born to pray and save:
Romantic Ireland’s dead and gone,
It’s with O’Leary in the grave.
Yet they were of a different kind,
The names that stilled your childish play,
They have gone about the world like wind,
But little time had they to pray
For whom the hangman’s rope was spun,
And what, God help us, could they save?
Romantic Ireland’s dead and gone,
It’s with O’Leary in the grave.
Was it for this the wild geese spread
The grey wing upon every tide;
For this that all that blood was shed,
For this Edward Fitzgerald died,
And Robert Emmet and Wolfe Tone,
All that delirium of the brave?
Romantic Ireland’s dead and gone,
It’s with O’Leary in the grave.
Yet could we turn the years again,
And call those exiles as they were
In all their loneliness and pain,
You’d cry, ‘Some woman’s yellow hair
Has maddened every mother’s son’:
They weighed so lightly what they gave.
But let them be, they’re dead and gone,
They’re with O’Leary in the grave.
October 06, 2025
Pessoas que têm poesia no olhar
Today I stood
— Yaroslava (@strategywoman) October 5, 2025
and watched the trees let their leaves go.
War made me more sensitive to beauty.
Don’t wait for war to see it –
just look around. pic.twitter.com/M54NgLJEOC
September 13, 2025
In Parenthesis
«Ele achou toda aquela violência desproporcional, considerando a nossa fragilidade.»
― David Jones, In Parenthesis
Coming sergeant.E depois, Jones muda de tom ao descrever os sons dos homens a moverem-se em formação.
Pick ’em up, pick ’em up—I’ll stalk within your chamber.
Private Leg. . . sick.
Private Ball. . . absent.
’01 Ball, ’01 Ball, Ball of No. 1.
Where’s Ball, 25201 Ball—you corporal, Ball of your section.”
«Com fortes solavancos e empurrões laterais, o ruído de líquido a ser agitado num pequeno recipiente por um movimento regular de corrida, um certo tilintar que termina num arrastar de pés de lado — tudo claro e distinto naquele silêncio peculiar aos campos de parada e refeitórios. O silêncio de alta ordem, cheio de perigo ao ser quebrado, como a chegada de John Ball ao desfile.wordpress.com
«Posiciona-se entre os números 4 e 5 da fila de trás. É tão ineficaz quanto a avestruz na areia. O capitão Gwynn não se vira, não se move nem dá qualquer sinal.
«Anote o nome desse homem, por favor, Sr. Jenkins.
Anote o nome desse homem, sargento Snell.
Anote o nome dele, cabo.
Anote o nome dele, anote o número dele, acuse-o, atraso no desfile, o batalhão está a desfilar para o exterior, avise-o para comparecer ao escritório da companhia.»
August 23, 2025
After the war
After the war—or should we call it
murder—we stitch the shrouds
you men wear now.
Little needle, glint and glide.
Lead this thread to heal and hide.
Never ask us to explain
why you left us here in pain
July 20, 2025
Buy a pup
Buy a pup and your money will buy
Love unflinching that cannot lie—
Perfect passion and worship fed
By a kick in the ribs or a pat on the head.
Nevertheless it is hardly fair
To risk your heart for a dog to tear.
July 06, 2025
'Lost' by David Wagoner
[what do I do when i'm lost in the forest?]
Are not lost. Wherever you are is called Here,
And you must treat it as a powerful stranger,
Must ask permission to know it and be known.
The forest breathes. Listen. It answers,
I have made this place around you.
If you leave it, you may come back again, saying Here.
No two trees are the same to Raven.
No two branches are the same to Wren.
If what a tree or a bush does is lost on you,
You are surely lost. Stand still. The forest knows
Where you are. You must let it find you.
-- Lost by David Wagoner
(1999)









