August 10, 2020

Amanhecer devagar

 

the Hartz Mountains National Park taken from near Cygnet. 

📷: @ryanyip_photography via Instagram

August 09, 2020

Movie lines




Ser-se humano no meio de outros humanos

 

“To be a human being among people and to remain one forever, no matter in what circumstances, not to grow despondent and not to lose heart — that’s what life is all about, that’s its task.” (Dostoievsky)


 Dostoievsky teve uma grande vantagem sobre muitos outros escritores: aos 20 e tal anos foi preso por fazer parte de uma sociedade que publicava livros contra o czar. Foi condenado, com outros, a ser executado na praça pública como exemplo dissuasório. Já os executantes estavam no lugar com as armas destravadas e em posição de atirar e já lhe tinham dado a cruz a beijar quando, nos últimos segundos, chegou uma missiva a informar do perdão do czar. Dostoievsky passou uns anos na Sibéria mas sobreviveu. Quem mais tem uma experiência destas na sua formação? Não por acaso as suas obras são substanciais. 
Tenho andado a tentar voltar a ler literatura, romances, mas depois de ler muita filosofia, ensaios científicos e coisas do género, a literatura aparece toda um bocadinho insignificante, irrelevante, sem substância. Muito longe das obras de Dostoievsky.


No dia 1 deste mês assinala-se o dia do cancro do pulmão

 


Quando leio que durante a pandemia não se fizeram diagnósticos, que os exames médicos foram atrasados meses, até sinto um nó no estômago pela angústia de toda essa gente que espera por resultados de exames ou por vaga para os fazer, sabendo que está numa corrida contra o tempo e que o atraso de uma semana significa a diferença entre a vida e a morte, ainda para mais porque é um cancro que poucas vezes se detecta cedo.

O pior nesta doença, a certa altura, nem é o abstrairmo-nos das dores ou da tortura dos tratamentos ou exames médicos frequentes, mas abstrairmo-nos das estatísticas brutais.

Sabermos que muitas pessoas morrem escusadamente por falta de dinheiro na saúde para médicos, técnicos e exames médicos e tratamentos, é revoltante, sabendo nós que o dinheiro existe mas está reservado para o esbanjamento de políticos e banqueiros.

PCP e o dinheiro que canta mais alto


Podíamos dizer muita coisa acerca do PCP fazer-se de vítima, como se alguém andasse a tentar calá-los ou sobre como eles tantas vezes tentam calar as vozes incómodas ou até o ridículo de dizerem que o povo sabe do seu sentido de responsabilidade em todos os momentos da história... já se esqueceram do ano do PREC... enfim, tudo isso é secundário pois o que salta à vista é o voragem do dinheirinho.
O PCP podia fazer uma festa do Avante, simbólica, se quisesse não interromper a tradição mas, ao mesmo tempo, dar um exemplo de civismo e respeito pelos outros: convidava ou sorteava ou o que fosse um número de lugares fixo de acordo com as medidas de segurança. Mas não: eles querem mesmo lá as 100 mil pessoas a pagar o dinheirinho que isso conta mais que toda a ideologia junta... and that is the material point!


Festa do Avante

Cancelar o evento seria “soçobrar a uma ofensiva reacionária que, tendo êxito, cedo passaria para outros patamares de limitação de liberdade e direitos”, refere o PCP. E logo de seguida cita a nota de Marcelo sobre o diploma que limita os espetáculos e concertos. “O próprio Presidente da República afirmou que ‘se uma entidade promotora qualificar como iniciativa política, religiosa, social o que poderia, de outra perspetiva, ser encarado como festival ou espetáculo de natureza análoga’, deixa de se aplicar a proibição específica prevista no presente diploma”, dizem os comunistas.

O PCP não cita, porém, a restante mensagem do Presidente, que impõe aos responsáveis a fixação de “lugares marcados” assim como o respeito pela “lotação e o distanciamento físico” dos participantes. Opta, antes, por dizer que “o povo português sabe que pode contar com o PCP e o seu sentido de responsabilidade em todos os momentos da história. Irresponsabilidade não é realizar a Festa do “Avante!” com todas as regras de segurança em articulação com as entidades competentes”.

Regresso às escolas

 


Regresso às aulas. Como as escolas se estão a preparar

É como se a cada porta que se abre de cada espaço da escola — seja as salas de aula, a sala dos professores, o refeitório ou a secretaria — saltasse um conjunto de problemas para resolver e condicionalismos que é preciso ultrapassar ou, pelo menos, improvisar soluções que minimizem os riscos de transmissão do novo coronavírus.
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Ana Leal já consegue fazer um balanço aos problemas mais frequentes: “A maior dificuldade é a articulação dos horários e o número de alunos que frequentam cada escola. É complicado garantir o desfasamento entre os grupos e é muito difícil de cumprir o distanciamento físico nas salas de aula. Nas escolas mais pequenas é impossível esticar o espaço”, reconhece a responsável da câmara.
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“É um puzzle muito complicado e há circunstâncias que não estão nas nossas mãos. Não consigo resolver o problema da dimensão das salas de aula. Mas a tudo o que estiver ao nosso alcance tentaremos dar resposta. É esta a mensagem de confiança que queremos passar os pais.

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Neste artigo diz-se que em Lisboa estão a fazer uma vistoria às escolas para identificarem problemas de segurança pandémica no próximo ano lectivo, a começar já daqui a três semanas.

São muito claros. As escolas são pequenas, com muitos alunos, o que torna difícil desfasar horários, as salas de aulas são pequenas e com demasiados alunos, o que torna impossível o distanciamento físico, e nem sequer falamos dos dois metros recomendados pela OMS, os refeitórios pequenos e sem condições, as casas de banho...

Face a estes problemas o Estado faz zero. Em Portugal discute-se muito o facto de as escolas fecharem ou não, quando ninguém, a começar pelos professores, quer dar aulas em casa, mas não se discute o mais importante que é: como voltar em segurança. Penso que quem escreve esses artigos, quer ter um pretexto para dizer mal dos professores e chamar-nos nomes.

Todos os dias nos bate na cara a evidência da cobardia e desinteresse pela educação pública (excepto na parte da ideologia e endoutrinação para propósitos políticos) por parte de todos os governos: recusa em gastar dinheiro com a educação pública: as condições das escolas, o número de alunos por turma, a desconsideração da  profissão dos professores.

A escola usada para promover cartilhas ideológicas e para poupar dinheiro aos cofres do Estado pô-la nesta situação-limite, em tempos normais. Agora que estamos em tempos limite, não têm margem de manobra. Como a prioridade nas soluções para as escolas é não gastar dinheiro e, até, se possível, cortar mais dinheiro nas escolas, como o já o tentaram fazer em Junho, nenhuma solução é possível. É a história da cigarra e da formiga.
 
Podemos ter medíocres no poder em tempos normais porque as consequências dessa mediocridade não se notam, geralmente, a curto prazo, mas quando estamos em tempos de crise, a mediocridade das pessoas e das suas políticas fica toda à vista. Veja-se o caso de Trump. Aqui em Portugal essa mediocridade já nos custou Pedrogão e 25 mil milhões de euros enfiados em bancos.

Para quem continua a achar que isto é uma gripezinha sem importância, na Alemanha abriram e fecharam as escolas num instante Cierran los primeros colegios en Alemania por la Covid-19. As escolas na Alemanha têm melhores condições que as nossas...
A autoridade europeia diz que é incomum as escolas serem locais contagio, o que é uma mentira, pois no ano passado com pouquíssimos alunos e professores nas escolas houve casos de contágio em várias delas.

Sabemos que a maioria dos contágios se dão em casa: espaços fechados, partilha de objectos, nenhuma distância física e pessoas sem máscara. Ora, no trabalho nas salas de aula, a única condição que difere é o uso de máscara.

Conclusão: o mais importante não se faz. E o que é o mais importante? Garantir condições de segurança: E porque é que não se faz o mais importante? Porque o governo não quer gastar dinheiro com as escolas, mesmo recebendo milhões a fundo perdido.
Em vez disso discutem se as escolas fecham ou não, o que é indiferente, pois se houver surtos da doença nas escolas, elas fecham, quer as pessoas queiram ou não, como já está a acontecer na Alemanha e no Oriente.

Quando se diz que as crianças e os jovens precisam das escolas, esquecem-se que os alunos não aprendem sozinhos, precisam dos professores e que, se os professores adoecerem, de nada serve ter as escolas físicas abertas. Portanto, o objectivo é estarmos nas escolas em condições tais que o risco de contágio seja muito pequeno e não máximo como é o que estão a preparar.

Não se pode querer que as escolas sejam o depósito das consequências da incompetência dos que governam e gerem a pandemia: o ME, o governo, a DGS que nem colidir dados sabe, nem se importam com isso... Investigadores dizem que DGS lhes deu dados com “erros”. Homens “grávidos” é um deles, mas DGS desdramatiza

O título do artigo, 'como as escolas se estão a preparar' é uma ilusão para acalmar pais, como a própria confessa no artigo, porque no que mais importa para garantir a segurança de todos, pouco ou nada podem fazer, porque esbarram com a proibição do ME.

Good Morning

 


August 07, 2020

O dorso do dragão

 

(Foto di Catalin Mitrache)

Citação deste dia



Para os que só têm sentido para o próprio e particular, a vida é somente vida. A morte é, para eles, morte e nada mais. Na realidade, porém, o ser da vida é, ao mesmo tempo, morte. Tudo que começa a viver, já começa a morrer, a caminhar para a morte, de sorte que a morte é também vida.

–– Martin Heidegger. Introdução à Metafísica

"Meu tempo é quando."


De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.

A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.

Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem

Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
– Meu tempo é quando.


Vinicius de Moraes


Conjugação do verbo: ser. Primeira pessoa do singular

 

* Presente: eu sou - software bio-socio-psicológico mais os programas e os templates em uso, os de fábrica e os instalados posteriormente.

* Pretérito Perfeito: eu fui - o passado cartesiano. O que foi. Um arquivo, não morto mas, mal catalogado, com muitas pastas perdidas e outras fora do sítio.

* Pretérito Imperfeito: eu era - inclui o devir e a consciência do devir. Se tiver implícito um juízo do presente, também pode incluir nostalgia, frustração ou, pelo contrário, alivio ou, ainda, negação. Se tiver nostalgia ou frustração envenena o presente.

* Pretérito Mais-Que-Perfeito: eu fora - é um passado do passado. Sem presente nem futuro.

* Futuro: eu serei - há pretérito no futuro. O presente é um futuro do futuro.  

* Condicional Presente: eu seria - há passado perfeito ou imperfeito neste tempo.

Pretérito Imperfeito do Conjuntivo: se eu fosse - há introspecção neste tempo.

* Pretérito do Condicional: eu teria sido - aqui há um futuro do pretérito. Uma projecção de multiverso.


Talvez a satisfação na vida requeira a eliminação dos tempos imperfeitos. São cismantes sem utilidade.

Li há pouco tempo que a satisfação também se obtém de 'coisas' e não apenas de experiências, na medida em que as coisas -seja um gadget, um carro, uma roupa, um livro ou outra coisa qualquer- embora proporcionando uma experiência de felicidade menos intensa e duradoura que uma vivência significativa, proporcionam entradas de satisfação periódicas e duráveis: pequenos prazeres diários, alimento diário imediato. Claro que, se temos experiências significativas frequentes, não necessitamos de 'coisas', mas se não as temos as 'coisas' ocupam o seu lugar. Daí as voragens consumistas.

Beirute - Às vezes é difícil uma pessoa não sentir-se alienada deste mundo

 

Uma explosão num armazém com nitrato de amónio no meio do porto de Beirute foi ouvida em Chipre, matou imediatamente 100 pessoas e deixou 300 mil sem casa. Fora os que ficaram feridos e os que vão passar fome ou morrer por falta de medicamentos ou por terem perdido todos os seus pertences. Sabe-se agora que toda a gente que tem lugar nos cargos de poder sabia do perigo há muitos anos e ninguém fez nada. Isto foi um armazém. Quantos navios e submarinos andam aí pelos mares carregados de dispositivos nucleares? São 'armazéns' ambulantes que, se têm um acidente ou são alvo de um ataque, destroem, não um porto mas cidades inteiras. Matam, não 100 pessoas mas dezenas de milhar e deixam vastas áreas inabitáveis por décadas. No entanto, ninguém faz nada. Seria de supor que, quanto mais se conhece o poder maléfico das armas convencionais, biológicas e nucleares, mais cuidado se teria com elas, mas não é isso o que acontece. O que acontece é a voragem corrupta dos que estão no poder (não escol mas escória) aliar-se à voragem das grandes corporações e viverem para destruir o amanhã de todos nós e dos nossos filhos e dos filhos dos nossos filhos. Não há muito que uma pessoa possa fazer no seu raio limitado de acção e por vezes é muito difícil não nos sentirmos alienados deste mundo.


Warehouses storing medicines and vaccines in the port of Beirut were damaged in Tuesday’s monster blast. (AFP)

PARIS: With some 300,000 people left homeless by the massive explosion in Beirut, and fears of food and medicine shortages, MSF on Thursday likened the humanitarian fallout to that of Lebanon’s civil war.

Akiki said his group, along with other organizations such as SEAL and Life Lebanon, have set up Beirut Emergency Fund 2020, which will raise much-needed money and channel it to safe and reputable organizations in Lebanon.

EUA



Milícias fortemente armadas andam pelas ruas.


... an outspoken response to militias such as "The Boogaloo Boys" and "The Three Percenters", a newly formed black militia called the "Not Fuckin' Around Coalition", or NFAC, march through Stone Mountain, Georgia on July the 4th.

Humans Of Dystopia




Trump: se Biden for eleito vai magoar Deus ...




O problema fundamental do Médio Oriente é este



Isto não é um problema de vestuário ou de religião mas de controlo mental e repressão. 
Esta fotografia é igual às fotografias em que os homens aparecem com um pé em cima de uma presa morta, geralmente em África. Uma falta de respeito pelos direitos dos outros: a rapariga, se vai para dentro de água afoga-se com  aquela tenda grossa que a cobre e se não vai morre de sufoco com o calor. 
Um torturador tirou uma fotografia com a sua vítima.
É para defender os direitos humanos que existe a ONU.

Green window



The view from a secret spot on Tasmania's Great Western Tiers.
📷: Laurie Davison



August 06, 2020

A gente não tem remédio



Então já há 4 mil anos que emigravam daqui para a Inglaterra para a construção civil...? Isto é o fado, não há nada a fazer...


Stonehenge foi feito por antepassados de portugueses

Populações que viviam nos territórios hoje ocupados por Portugal e Espanha povoaram as ilhas britânicas no neolítico, em 4 mil A.C., avança novo estudo.
...
E a verdade é que, acrescenta Tom Booth, especialista do Museu de História Natural, "não encontramos qualquer registo evidente da presença genética dos caçadores-recoletores britânicos nos agricultores do neolítico depois da sua chegada". O que não quer dizer que não se tenham cruzado, apenas que a dimensão da população que já habitava as ilhas era tão pequena que não deixou qualquer legado genético.

Em Portugal, ser honesto é um demérito



Pelo menos aos olhos do PS socrático, que é o que temos actualmente. A senhora em questão tem o descaramento de investigar desvios de fundos europeus, golas que pegam fogo e.... o senhor Socas himself... logo, tramaram-na. Toda a gente sabe que quem se mete com o PS leva.


Procuradora "meteu-se" com PS. Levou um empurrão

Escolhida por um júri internacional para a procuradoria europeia, Ana Carla Almeida não foi nomeada pelo governo. A magistrada do Ministério Público está a investigar casos que envolvem ex-Secretários de Estado.


daí estas piadas: