June 19, 2020

Determinismo-indeterminismo II


(passou-me o sono...)


Indeterminacy in Brain and Behavior

Paul W. Glimcher
Annual Review of Psychology
(tradução minha)

(continuação)

Cientistas sociais que trabalham em áreas como a Teoria dos Jogos começaram a argumentar que, para o comportamento ser eficiente sob certas circunstâncias, deve ser irredutivelmente incerto do ponto de vista de outros organismos e, portanto, deve ser estudado com as ferramentas da teoria da probabilidade. Em princípio, isso levanta problemas críticos para a teoria dos jogos. Por todas as razões que Popper identificou, quando a teoria dos jogos faz previsões probabilísticas, fá-lo de uma maneira que não pode ser falsificada. Obviamente, se Schrodinger estava correcto, a aparente indeterminação da teoria dos jogos apresenta apenas um impedimento temporário à investigação científica. Uma abordagem reducionista do comportamento humano durante jogos estratégicos acabaria revelando os mecanismos que dão origem a essa aparente indeterminação e, portanto, deveria, em última análise, produzir uma teoria determinada e falsificável do comportamento humano. Embora a teoria contemporânea dos jogos enfrente, assim, a indeterminação, a ciência empírica pode esperar resolver essa aparente indeterminação por redução. Curiosamente, no entanto, os psicólogos que trabalham com um nível de redução menor do que os cientistas sociais também começaram a encontrar evidências de aparente indeterminação nos sistemas que estudam (cf. Staddon & Cerruti 2003). Recentemente, os psicólogos começaram a análise de padrões aparentemente estocásticos de respostas individuais e foram capazes de demonstrar classes de comportamento individual que parecem ser tão completamente aleatórias quanto podem ser medidas. A indeterminação, nas mãos desses psicólogos, parece ser uma característica aparente do comportamento de humanos e animais individuais. Num nível ainda mais profundo de redução, os neurobiologistas também começaram a reunir evidências da existência de processos aparentemente indeterminados na arquitetura do cérebro dos mamíferos (cf. Schall 2004). Os padrões de potenciais de acção gerados por neurónios individuais, por exemplo, parecem altamente estocásticos por razões que ainda não são bem conhecidas.

Evidências crescentes de que processos aparentemente indeterminados operam nos níveis social, psicológico e até neurobiológico estão a obrigar os cientistas behavioristas a confrontar-se com os mesmos problemas filosóficos e científicos enfrentados, no século passado, por Popper, Heisenberg, Schrodinger e outros. Podem essas teorias ser científicas ou, chamar sinal neural ou comportamento a um processo aleatório, é apenas uma desculpa para a ignorância? Pode ser que os cientistas comportamentais escolham afirmar como um axioma que todos os fenómenos físicos que estudamos são fundamentalmente determinados para evitar esses problemas, mas, por outro lado, essa afirmação pode-nos forçar a negligenciar um corpo crescente de evidências convincentes.

A Maré Crescente da Indeterminação Aparente

Indeterminação nas ciências sociais
Tal como os estudiosos das ciências físicas, os cientistas sociais dos séculos XVIII e XIX enfatizaram fortemente uma abordagem científica determinada nos seus estudos do comportamento humano. A teoria económica clássica daquele período, por exemplo, baseava-se numa teoria de utilidade determinada, desenvolvida por Blaise Pascal (1670, Arnauld & Nicole 1662) e Daniel Bernoulli (1738). Essa teoria da utilidade argumentava que os seres humanos agem de maneira previsível para maximizar benefícios e minimizar custos, e que os custos e benefícios de qualquer ação podem ser computados com confiança.

[ai... esta teoria é de Pascal? Não é de Mill? Bem, agora não continuo sem investigar isto]

Filmes - Cairo Time



Descobri este filme, por acaso, a vaguear por aí pela rede universal. É de uma realizadora canadiana. Não é que o filme seja uma coisa extraordinária. É um filme sobre uma mulher que vai ter com o marido, que trabalha para a ONU, ao Egipto, o marido atrasa-se em Gaza e um amigo dele, que também trabalhou para a ONU, acaba por andar a fazer de cicerone dela. E é claro, sendo o Cairo e o Egipto sítios de encantar é difícil uma pessoa ficar indiferente a tudo o que lá existe.
O filme é delicado e encantador, mas vale a pena, em primeiro lugar, pelas imagens do Cairo, sobretudo para quem já lá esteve. É uma reminiscência dos sons, da música, das cores, da vibração da cidade, dos cafés e ruas antigas, do correr vagaroso do Nilo, das chamadas para a oração que se ouvem em toda a cidade com os seus mil minaretes e, claro, da visão imponente das pirâmides que impressiona mais que qualquer arranha-céus. Fez-me voltar à viagem ao Egipto e quem lá esteve percebe muito bem a facilidade com que nos deixamos embriagar por aquela atmosfera e vi o filme meio a suspirar. Hei-de vê-los umas poucas de vezes para matar saudades dessa viagem.

Bem, entretanto pus-me à conversa com o filho e passaram duas horas desde que escrevi isto e esqueci de publicar.


June 18, 2020

Uma fila de desempregados nos EUA




Coisas encanitantes



Uma pessoa vai ao YouTube ver um tutorial para fazer uma cena no PC. Um procedimento simples de três minutos. O vídeo a explicar tem 12 minutos. O indivíduo começa a explicar no Adão e Eva e aos 5 minutos ainda não chegou à Idade Média. Sou só eu que acho isto mesmo encanitante?

Quando os alunos já me deitam pelos cabelos kkkkk



Fui encontrar isto dentro de um dos livros que me caíram na cabeça. Tem mais de 15 anos, de certeza, porque ainda se falava no Bachelard a propósito da filosofia da ciência. lol Não sei que turma era esta mas já estava farta de mim :)))


This speek volumes!



The mask from 9 to 5?




Documentar os últimos exemplares de espécies em extinção. Triste...



Silvery Gibbon . . . . Joel Sartore
Joel founded Photo Ark, a groundbreaking effort to document species before they disappear and getting people to care while they are still here.

Is everything perspective?




Antonio Bueno - The Painter and the Model (1952)

Desfazendo preconceitos - quando as pessoas se comportam como seres humanos decentes, é bonito de ver




'Hungover' -não sei se isto é verdade mas tem piada












Maks Viktor Antiquarian Books

O que acontece no cérebro quando lemos? Uma perspectiva interessante



WHAT HAPPENS TO OUR BRAINS WHEN WE READ?



O cérebro humano é a coisa mais estranha e fascinante deste mundo. O mero facto de a nossa espécie ter evoluído e sobrevivido até agora, contra a natureza e contra os outros, é absurdo. É ainda mais estranho quando percebemos que muitas coisas que afirmamos diferenciarem-nos das outras espécies animais são, em vários sentidos, não-naturais, como o ler.
Durante séculos a leitura e a escrita foram apontadas como características da nossa superioridade. Mas, até que ponto lemos bem? A resposta está nos traços evolutivos do nosso cérebro.

Segundo Maryanne Wolf (Proust and the Squid), o cérebro não foi feito para ler. Nós é que o forçámos durante a evolução da linguagem e da comunicação por sinais, mas esse traço não foi adquirido como um traço evolutivo, como a capacidade de falar e aprender a língua nativa. Em vez disso, temos que ensinar cada geração a conectar, de novo, as sinapses próprias e o cérebro tem que dar grandes voltas até ser capaz de compreender perfeitamente as palavras numa página. Os estudos de Wolf mostram, até, que aquilo que chamamos, 'dificuldades de leitura' são a norma; o facto de podermos ler e aprender a ler de acordo com a idade, essa é a real mutação.

Ler é um processo cognitivo não natural. Tem que ser ensinado activamente e de modo diferenciado da linguagem. A linguagem é um processo natural para a maior parte dos humanos, mas a leitura não vem naturalmente para a maioria das pessoas e é profundamente influenciada pela condição social e respectivas capacidades de leitura.

As crianças têm um cérebro muito mais flexível que os adultos e podem fazer ligações neuronais mais rapidamente, assim como usam uma parte mais significativa dos cérebros, quando lêem. Há várias barreiras de proficiência que vão além de descodificar símbolos. O pensamento crítico e a compreensão do significado por detrás de uma palavra ou texto são frequentemente negligenciados nas crianças que aprendem a ler, especialmente se não têm dificuldade em descodificar os caracteres alfabéticos e fonéticos.

Segundo Wolf, muitas crianças desenvolvem, nessa altura, dificuldades de leitura que não as deixam ser leitores proficientes mais tarde. Não conseguem compreender os sentidos ocultos da linguagem, as alegorias ou, até, submergirem-se completamente na trama de uma narrativa mas, como são vistas como capazes no acto de ler, pois que descodificam os signos, não são levadas a desenvolver o seu 'cérebro leitor' mais longe - ficam com uma barreira entre o acto físico e o acto psicológico da leitura.

Se não somos influenciados pelos primeiros cuidadores ou professores a ir mais além nas capacidades de leitura, enquanto crianças, podemos ficar bloqueados. Ler, como muitas coisas na vida, desnvolve-se através do hábito. Se o leitor é uma amante da leitura ou se considera um leitor voraz, o mais certo é ter tido alguém que o ensinou, enquanto novo, a apreciá-la - alguém que lhe ensinou os muitos mundos que se escondem atrás das palavras.

Em, Reader Come Home, Wolf escreve em forma de cartas para os futuros leitores, cientistas e escritores, à maneira de Italo Calvino em Seis Propostas para o Próximo Milénio. Explora os desafios que os futuros leitores poderão encontrar devido ao volume de informação disponível no mundo digital. Especula acerca do futuro evolutivo no que respeita ao pensamento crítico e imaginação, sendo a concentração (ou a falta dela), o primeiro passo.

Se muitos mais governos e sistemas escolares se focassem em combinar a base científica à leitura e o pensamento filosófico ao seu ensino, teríamos uma sociedade com uma compreensão muito melhor da curva de aprendizagem de cada indivíduo.

(excertos - tradução minha)

O dia da parvoíce é às quintas-feiras



... ou vão dar ao pessoal dos hospitais o dinheiro do prémio e dos bilhetes?


Em Itália, há uns anos, chamava-se a isto, O Polvo



Vivem para se distribuirem uns aos outros por todos os cargos da administração pública e satélites e estarem sempre sentados à mesa, seja qual for o governo em funções. O fugitivo vai agora para o BDP com a cumplicidade de todos, mesmo daqueles, como o BE, que berram que são contra. E vai sem cativações no salário e privilégios, que isso de cativações é para os outros. E, pior que tudo, neste governo são todos grandes apoiantes activos de Sócrates e das suas manigâncias.



do blog http://doportugalprofundo.



A ex-ministra Maria de Lurdes Rodrigues e a amiga e colaboradora  doutora Luísa Araújo (esposa de António Costa Silva, o «engenheiro da recuperação») terão alegadamente visitado o ex-primeiro-ministro e amigo José Sócrates em Paris, nos anos de 2012-2013, quando aí se deslocaram (alegadamente, em trabalho) e ficado no seu luxuoso apartamento de seis assoalhadas, com 240 m2, da Av. Presidente Wilson, no Trocadero, na capital francesa. O apartamento de Sócrates de Paris, de seis assoalhadas e 240 m2, foi entretanto arrestado pela justiça portuguesa, no âmbito do processo Marquês. Maria de Lurdes Rodrigues era então presidente da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD), por nomeação de José Sócrates.

Prova de doutoramento de Maria Luísa Ferreira Araújo (esposa de António Costa Silva)
no ISCTE, em 18-11-2015 (foto do ISCTE - Luís Carneiro).
Ao lado de Luísa Araújo, a prof. doutora Maria de Lurdes Rodrigues, reitora do ISCTE desde fevereiro de 2018.

Luísa Ferreira, atual chefe de gabinete da reitora do ISCTE Maria de Lurdes Rodrigues (eleita em fevereiro de 2018), licenciada em Serviço Social pelo instituto homónimo de Lisboa, está reformada do Banco de Portugal, onde foi técnica superior de 1983 a 2007.


"É preciso menos alunos por turma para o regresso às aulas" - completamente de acordo e nem acrescento mais nada




É preciso menos alunos por turma para o regresso às aulas


... quem ler o Orçamento verá que o quadro plurianual de programação orçamental 2020-2023, acrescentado noutras rubricas, mantém inalterado o valor para o ensino básico e secundário e administração escolar em 5708 milhões, e nem mais um euro.

Segundo o Orçamento Suplementar, o próximo ano letivo será igual a todos os anteriores ou, pior, igual aos últimos meses. Ambas as ideias são trágicas. A primeira, porque não é concretizável face à pandemia e não fazer nada só agravará alguns problemas estruturais da escola pública. A segunda, porque se baseia na perigosa ilusão de que o sucesso do ensino à distância depende de equipar os alunos, os docentes e as escolas.


Sem equívocos, o programa de modernização digital é uma boa notícia que só peca por tardia, mas não resolve o problema essencial da educação em 2020/2021. As limitações do contacto educativo à distância não decorrem do acesso a computadores, mas do afastamento das crianças e jovens em relação à escola. Esse afastamento tem consequências pedagógicas e sociais e prejudica até direitos fundamentais das crianças e dos jovens.

Os danos do afastamento serão tão mais permanentes quanto o tempo que ele durar. O que devia estar no centro do debate não são apenas os instrumentos do ensino à distância, mas as condições para o regresso às escolas em tempos de pandemia. Há muitos fatores que têm de ser tidos em conta, mas há um ao qual não é possível escapar: a diminuição do número de alunos por turma e o acompanhamento dos alunos que ficaram para trás durante este período. Vai ser preciso contratar mais professores, mais assistentes operacionais, mais técnicos especializados.

Certamente que a adaptação das escolas à educação presencial em tempos de pandemia custa dinheiro. Mas quanto custará abdicar da igualdade social, da diminuição do abandono escolar, da elevação geral do povo pela educação, conquistas da escola pública? Tudo isto é demasiado importante para ficar resolvido por uma inexistência no Orçamento Suplementar.


entretanto:


Funcionária infetada com coronavírus encerra escola secundária em Faro

Estamos a falar de uma escola com meia dúzia de alunos e professores, que são os que agora têm aulas. Para o próximo ano, como será...?


💪🏽 💪🏽 💪🏽



Entre a fisioterapia, os elásticos e os halteres, vou acabar o mês cheia de músculo nos braços.


We'll Meet Again



Vera Lynn morreu hoje com 103 anos de idade. Ficou famosa com a música, We'll Meet Again (1943)


5%? Not even close. More like 0% minus a decade of frozen salaries




Uma biblioteca de sons



... para quem cria vídeos amadores. 10$.

Download Here: https://bit.ly/2LJKeYN


Rússia implementou o sistema de Orwell nas escolas - verdadeiramente assustador



Vão espiar os miúdos - os coitados já não podem dar um beijo às escondidas a ninguém sem que o país veja, em directo. E vão vigiar os professores, claro. Deixa ver se aquele demorou mais dois minutos na casa-de-banho do que devia.

Russia to Install ‘Orwell’ Facial Recognition Tech in Every School – Vedomosti


More than 43,000 Russian schools will be equipped with facial recognition cameras ominously named “Orwell,” the Vedomosti business daily reported Tuesday.

The state technology firm Rusnano’s Orwell platform is described as a image-recognition monitoring system that uses computer vision algorithms. It will be integrated with face recognition developed by NTechLab, a subsidiary of Russian President Vladimir Putin’s close associate Sergei Chemezov’s Rostec conglomerate.


The technology will ensure children’s safety by monitoring their movements and identifying outsiders on the premises, said Yevgeny Lapshev, a spokesman for Rusnano’s subsidiary Elvees Neotech.

In the future, the surveillance technology could be used to take attendance, monitor teachers’ working hours and be used for distance learning, an NTechLab spokesperson told Vedomosti.

So far, Vedomosti reports that “Orwell” has been installed at more than 1,608 schools in 12 Russian regions.