Showing posts with label rússia. Show all posts
Showing posts with label rússia. Show all posts

October 11, 2026

Quem é Paul Manafort? E porque é que os congressista republicanos permitem que Trump trabalhe para a Rússia contra os EUA?


(detesto ter razão em certas coisas - logo após a tomada de posse de Trump escrevi aqui várias vezes que Trump tinha um acordo prévio com Putin. Era óbvio pois assim que entrou na Casa Branca começou a reverter todas as medidas de apoio à Ucrânia de Biden e a fazer adiantar a agenda de Putin, muito descaradamente. Agora, aqui por este artigo, ficamos a saber que tinha mesmo um acordo prévio e que já vinha do seu primeiro mandato)
---------

Heather Cox Richardson from Letters from an American:


Depois de mais de uma década a fingir que não tem ligações à Rússia e que respeitaria a posição dos Estados Unidos em matéria de segurança nacional, apoiando a Ucrânia e os nossos aliados europeus, Trump apoia agora abertamente o presidente russo, Vladimir Putin.

Questionado hoje por um jornalista sobre as preocupações de que o levantamento das sanções ao petróleo russo, anunciado ontem, canalizasse dinheiro para a guerra de Putin contra a Ucrânia, Trump culpou o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, pelo prolongamento do conflito:

Zelensky poderia ter resolvido esta guerra muitas vezes. Muitas, muitas vezes», afirmou Trump. «E escolhe não o fazer.

Trump responsabilizou Zelensky pelo elevado preço do gasóleo, alegando que as forças ucranianas têm atacado refinarias de petróleo russas, embora, desde que o petróleo russo foi sujeito a sanções, o verdadeiro estrangulamento que condiciona os preços do gasóleo seja o estreito de Ormuz, praticamente encerrado devido à guerra de Trump contra o Irão.

Trump acusou Zelensky de querer criar problemas para o mundo. Quer criar problemas aos nossos agricultores, aos nossos criadores de gado, com o combustível diesel, porque a Rússia fornece uma grande parte do gasóleo utilizado em todo o mundo.

Os ucranianos têm atacado refinarias de petróleo russas para impedir que o dinheiro continue a entrar na Rússia, enquanto esta contorna as sanções e vende petróleo através da chamada frota-fantasma. A Rússia, pelo contrário, tem atacado alvos civis, violando as leis da guerra.

Trump prosseguiu com uma advertência a Zelensky, afirmando que é bom que pare de uma vez por todas.

A Ucrânia continua a lutar contra a Rússia porque esta invadiu o país e está a tentar ocupar a sua região industrial oriental, violando a Carta das Nações Unidas, que estabelece que nenhum país deve ameaçar outro ou recorrer à força contra a sua integridade territorial. 

Até Trump assumir a presidência, os Estados Unidos eram o principal garante deste princípio.

Os Estados Unidos opuseram-se às invasões russas da Ucrânia, em 2014 e 2022, não apenas por uma questão de princípio, no que respeita à soberania territorial, mas também devido às garantias de segurança que os Estados Unidos, juntamente com o Reino Unido e a Rússia, concederam à Ucrânia em 1994. 

Após o colapso da União Soviética, em 1991, a Ucrânia ficou na posse do terceiro maior arsenal de armas nucleares do mundo. Em troca de a Ucrânia renunciar a essas armas, os Estados Unidos, o Reino Unido e a Rússia concordaram em garantir as suas fronteiras. No Memorando de Budapeste sobre Garantias de Segurança, de 1994, comprometeram-se a não recorrer à força militar nem à coerção económica contra a Ucrânia.

O então dirigente russo, Vladimir Putin, procurou colocar a Ucrânia sob a influência dos oligarcas russos que ascenderam ao poder para substituir os dirigentes comunistas da região, monopolizando indústrias anteriormente detidas pelo Estado à medida que estas eram privatizadas. O jornalista norte-americano Paul Klebnikov, director da edição russa da revista Forbes, foi assassinado em 2004, depois de ter chamado a atenção para as atividades desses oligarcas.

Nesse mesmo ano, um político apoiado pela Rússia, Viktor Yanukovych, parecia ter sido eleito presidente da Ucrânia. Contudo, a eleição estava tão repleta de fraudes — incluindo o envenenamento de um dos principais adversários, que pretendia romper os laços com a Rússia e aproximar a Ucrânia da Europa — que o Governo anulou os resultados e convocou novas eleições.

Yanukovych precisava urgentemente de melhorar a sua imagem e, para isso, recorreu a um consultor político norte-americano conhecido por conseguir tornar figuras pouco recomendáveis mais aceitáveis aos olhos dos meios de comunicação social: Paul Manafort.

Durante dez anos, entre 2004 e 2014, Manafort trabalhou para Yanukovych e para o seu partido, tentando conferir credibilidade ao que o Departamento de Estado norte-americano descreveu como um partido de «criminosos e oligarcas». Enriqueceu graças às suas novas amizades.

Em 2010, Yanukovych acabou finalmente por conquistar a presidência com um programa que rejeitava a NATO, a Organização do Tratado do Atlântico Norte, através da qual os países europeus se uniram para se opor primeiro à URSS e, mais tarde, à crescente ameaça representada pela Rússia.

Yanukovych orientou imediatamente a Ucrânia para a Rússia. Depois, em 2014, após meses de protestos populares, os ucranianos afastaram-no do poder naquilo que ficou conhecido como a Revolução da Dignidade. Yanukovych fugiu para a Rússia.

Pouco depois da destituição de Yanukovych, a Rússia invadiu a Crimeia, território ucraniano, e anexou-a. Em resposta, os Estados Unidos e a União Europeia impuseram sanções económicas à própria Rússia e a empresas e oligarcas russos específicos, proibindo-os de fazer negócios nos Estados Unidos e nos seus territórios.

Estas sanções prejudicaram a Rússia e congelaram os activos de importantes oligarcas russos, incluindo os de Putin.

Agora privado da sua principal fonte de rendimento, Manafort devia cerca de 17 milhões de dólares a aliados de Yanukovych e Putin, em particular ao oligarca russo Oleg Deripaska.

Em 2016, o seu amigo de longa data e sócio Roger Stone já estava a aconselhar a campanha presidencial de Donald Trump, e Manafort mostrou-se disponível para ajudar. Não recebeu qualquer salário. Começou por trabalhar como conselheiro em março de 2016 e tornou-se diretor da campanha no final de junho, depois de se reunir, a 9 de junho, com Don Jr., Jared Kushner e operacionais russos.

Acontece que a Rússia procurava uma forma de apoderar-se do território ucraniano que pretendia sem ter de continuar a combater. O relatório de 2019 do procurador especial Robert Mueller sobre a interferência russa nas eleições presidenciais norte-americanas de 2016 explicou que Manafort e o seu parceiro, o operacional russo Konstantin Kilimnik, 
discutiram um plano para resolver os problemas políticos em curso na Ucrânia através da criação de uma república autónoma na sua região oriental, mais industrializada, do Donbass, e da eleição de [Viktor] Yanukovych, o presidente ucraniano apoiado pela Rússia e afastado do poder em 2014, para liderar essa república.
O relatório Mueller prosseguia: 
Manafort reconheceu mais tarde que esse plano constituía um meio indirecto de a Rússia controlar o leste da Ucrânia.
A região que Putin pretendia conquistar era o coração industrial do país. Estava a oferecer um plano de «paz» que amputaria uma grande parte da Ucrânia e a tornaria subserviente a si. Isto era precisamente o oposto da política norte-americana de apoio a uma Ucrânia livre e unida, e não havia qualquer hipótese de a antiga secretária de Estado Hillary Clinton, que concorria à presidência contra Trump, aceitar tal plano. Mas, se Trump fosse eleito, o cenário mudaria.

Segundo a Comissão de Informações do Senado, dominada pelos republicanos, Kilimnik escreveu:
Tudo o que é necessário para iniciar o processo é um pequeno “piscar de olho” (ou um ligeiro empurrão) de D[onald] T[rump], dizendo que “quer a paz na Ucrânia e o regresso do Donbass à Ucrânia”, e a decisão de nomear um “representante especial” para gerir este processo.
Kilimnik sugeriu ainda que Manafort 
poderia dar início ao processo e, no espaço de dez dias, visitar a Rússia ([Yanukovych] garante-lhe uma recepção ao mais alto nível, ultrapassando toda a conversa fiada e passando diretamente aos negócios), a Ucrânia e as principais capitais da UE.
Acrescentou que, 
assim que o então presidente ucraniano, Petro Poroshenko, compreendesse esta “mensagem” dos Estados Unidos, o processo avançaria muito rapidamente e DT poderia alcançar a paz na Ucrânia basicamente no espaço de alguns meses após a tomada de posse.
Segundo a Comissão de Informações do Senado, os dois homens continuaram a trabalhar no que designavam por «Plano de Mariupol» pelo menos até 2018.

Trump não conseguiu concretizar o plano durante o seu primeiro mandato, embora os seus operacionais tenham passado bastante tempo a envolver-se em manobras na Ucrânia e a tentar desacreditar, a partir daquele país, o candidato democrata à presidência, Joe Biden. Depois de Biden assumir a presidência, Putin voltou a invadir a Ucrânia, em 2022.

Como escreveu Jim Rutenberg na sua análise do Plano de Mariupol, publicada na New York Times Magazine, depois de as suas tropas entrarem na Ucrânia, Putin declarou ter anexado Donetsk, Luhansk, Zaporizhzhia e Kherson, duas das quais eram especificamente mencionadas no Plano de Mariupol. Impôs a lei marcial nesses territórios, alegando que as populações locais tinham votado a favor da adesão à Rússia.

Biden reuniu países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), juntamente com outros aliados e parceiros, para travar o ataque russo e apoiar os esforços heroicos da Ucrânia para repelir a invasão. Entretanto, as tropas russas cometeram atrocidades e atacaram civis. O Tribunal Penal Internacional (TPI) acusou formalmente vários responsáveis e comandantes russos, incluindo o próprio Putin, de crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

No entanto, Trump, assim que regressou à presidência, em 2025, tentou imediatamente fazer com que os Estados Unidos passassem a apoiar a Rússia. Os seus nomeados insistiram em que a verdadeira história da campanha eleitoral de 2016 não era o apoio russo a Trump, mas sim uma conspiração democrata destinada a divulgar a história das ligações entre a campanha de Trump e a Rússia.

Repetidamente, Trump ameaçou Zelensky e tentou pressioná-lo a entregar os territórios que a Rússia pretende conquistar.

Depois da acusação formal do TPI, Trump recebeu Putin em território norte-americano, no Alasca, em Agosto de 2025, ordenando a soldados norte-americanos que estendessem uma passadeira vermelha para o receber. Convidou também Putin para uma reunião do Grupo dos 20 (G20), que reúne as principais economias mundiais, a realizar em Mar-a-Lago, em Dezembro.

Ontem, os Estados Unidos anunciaram sanções contra o próprio TPI, e o secretário de Estado, Marco Rubio, prometeu desmantelar a organização "tijolo a tijolo".

Entretanto, Putin tem-se comportado como alguém que detém uma posição de força sobre Trump. Em Agosto de 2025, o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergey Lavrov, compareceu à reunião no Alasca envergando uma camisola com as letras cirílicas «CCCP», que correspondem à sigla da URSS em russo, sugerindo que, afinal, a União Soviética tinha vencido a Guerra Fria.

Na sexta-feira, apesar de a Rússia apoiar o Irão, cujo exército está a matar soldados norte-americanos, Trump anunciou orgulhosamente que iria levantar as sanções para permitir à Rússia vender o seu petróleo nos mercados mundiais.

Os ataques ucranianos reduziram a produção russa, pelo que a quantidade de petróleo que a Rússia tem disponível para ajudar a aliviar a escassez de gasóleo nos Estados Unidos é insignificante. Contudo, a possibilidade de arrecadar dinheiro enquanto a atual escassez mundial de petróleo faz subir os preços tem um valor inestimável para Putin, que procura desesperadamente financiar o seu esforço de guerra.

Ainda ontem, Trump pediu ao Supremo Tribunal que se pronunciasse sobre um processo judicial relativo às eleições de 2016, que instaurou em 2022 contra Hillary Clinton e antigos membros do Departamento de Justiça, incluindo o antigo diretor do FBI, James Comey, o responsável pela campanha de Clinton e um conjunto de outras pessoas. Trump acusou-os de conspirarem para o associar à Rússia, com o objectivo de prejudicar a sua campanha eleitoral.

Como noticiou ontem John Fritze, da CNN, um tribunal federal rejeitou o processo, classificando-o como «frívolo», e decidiu que os advogados de Trump eram responsáveis pelo pagamento de quase um milhão de dólares em sanções pecuniárias. No ano passado, o Tribunal de Recurso do 11.º Circuito dos Estados Unidos confirmou a maior parte dessa decisão.

Donald Middlebrooks, juiz do Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Sul da Florida, escreveu, 
Este processo nunca deveria ter sido instaurado. A sua falta de fundamento jurídico era evidente desde o início. Nenhum advogado razoável o teria apresentado.
Agora, Trump recorre para o Supremo Tribunal.

Mas, chegados aqui, de que mais provas precisamos para concluir que Trump comprometeu a segurança nacional dos Estados Unidos e está a trabalhar para a Rússia? E durante quanto mais tempo continuarão os republicanos no Congresso a protegê-lo enquanto o faz?

--------

Notes:

https://www.icc-cpi.int/news/situation-ukraine-icc-judges-issue-arrest-warrants-against-sergei-kuzhugetovich-shoigu-and

https://www.icc-cpi.int/news/situation-ukraine-icc-judges-issue-arrest-warrants-against-vladimir-vladimirovich-putin-and

https://www.jurist.org/news/2026/07/us-to-seek-dismantling-of-international-criminal-court-rubio-announces/

https://foreignpolicy.com/2025/08/15/lavrov-ussr-russia-trump-putin-ukraine-summit-alaska/

https://www.cnn.com/2022/03/24/politics/trump-sues-hillary-clinton

​​https://www.cnn.com/2026/10/09/politics/trump-supreme-court-hillary-clinton-lawsuit

https://apnews.com/article/ukraine-war-russia-sanctions-trump-congress-b322eec6b33610ebf4048daa5d621483

https://ia903105.us.archive.org/10/items/mueller-report/mueller-report.pdf

https://www.intelligence.senate.gov/wp-content/uploads/2024/08/sites-default-files-documents-report-volume5.pdf, pp. 99 and following

https://www.politico.com/news/2026/09/23/trump-putin-g20-miami-01089850

https://www.nytimes.com/2022/11/02/magazine/russiagate-paul-manafort-ukraine-war.html?searchResultPosition=111

https://www.sfgate.com/news/article/U-S-journalist-author-shot-to-death-in-Russia-2742901.php

Bluesky:

thesauruswrecks.bsky.social/post/3mxjxyzk4ec27

ssiderod.bsky.social/post/3lwje6wb7gc2n

anne.sheshed.rocks/post/3lwjrlxxals22

Trump’s Truth:

statuses/42215

September 08, 2026

A China tem muito em comum com a Rússia

 


July 28, 2026

A mentalidade imperialista não percebendo os custos do imperialismo

 

July 14, 2026

Por que razão os alemães comuns escolheram Hitler? E o que faria você?




Por que razão os alemães comuns escolheram Hitler é o título de um excelente ensaio de Celina101. O artigo é enorme. Vou fazer aqui uma suma porque o paralelismo entre a época que ela analisa e nossa é gritante. 

Diz ela:

A queda da República de Weimar é, geralmente, reduzida a uma narrativa simplista sobre como um louco hipnotizou uma população racional, através de propaganda e carisma. Estas explicações não resistem ao escrutínio histórico e infantilizam o eleitorado da época. Encarar a ascensão do Terceiro Reich apenas como um triunfo do ódio, do fanatismo ou da ilusão colectiva obscurece deliberadamente a realidade contingente do período entre guerras.
 
Segundo a autora, milhões de cidadãos comuns apoiaram ou aceitaram o Partido Nazi porque acreditavam que a Alemanha enfrentava uma crise existencial, viam-se entalados entre duas alternativas perigosas e más e escolheram a direita como a menos má. O nacional-socialismo foi apoiado, tolerado ou passivamente aceite por milhões de alemães comuns e racionais porque acreditavam que a sua nação se encontrava à beira de um colapso existencial. 

De um lado a esquerda radical com a revolta marxista-leninista revolucionária, destrutora da propriedade, activamente dirigida por uma potência exterior aos interesses dos alemães: Moscovo; do outro, a direita radical com um movimento militante e nacionalista que, apesar da sua violência bruta, prometia ordem e salvação nacional.

A ascensão de Hitler dependeu, em grande parte, de uma crise histórica multi-facetada: a derrota traumática na Primeira Guerra Mundial com a humilhação do Tratado de Versalhes, ciclos devastadores de ruína económica, a normalização da violência para-militar e a paralisia das instituições democráticas liberais. 

A República de Weimar tinha falhado redondamente em proporcionar segurança básica, prosperidade económica ou dignidade nacional. A democracia liberal era amplamente vista como um sistema fraco e estranho, imposto pelas potências conquistadoras, um sistema incapaz de proteger a nação da ameaça muito real de uma revolução bolchevique.

Neste clima de intensa polarização, o NSDAP era cada vez mais visto como uma força contra-revolucionária necessária, como um movimento implacável, mas restaurador, capaz de impor a ordem e defender a civilização europeia tradicional da dissolução comunista.

Quando a Alemanha se rendeu, ainda ocupava uma parte grande da França, Bélgica e Europa Oriental. A repentina capitulação, aliada ao colapso da monarquia dos Hohenzollern e à abdicação do Kaiser Guilherme II, foi um choque. Tendo sido alvo de uma enorme propaganda que prometia uma vitória iminente, a população estava totalmente impreparada para a derrota.

Criou-se o mito da "facada nas costas": difundiu-se a ideia de que o exército alemão não tinha sido derrotado militarmente, mas traído por políticos democratas, socialistas, comunistas e judeus corruptos, o que enfraqueceu desde o início a legitimidade da democracia.

O sentimento de traição estava ligado ao Tratado de Versalhes, entendido como uma vingança. A Alemanha foi desmembrada, privada de 13% do seu território europeu, incluindo a Alsácia-Lorena — de vital importância industrial — e o Corredor Polaco, uma perda que separou completamente a Prússia Oriental do resto do Estado alemão. Foram confiscadas todas as colónias ultramarinas, um abalo da «mentalidade imperial» pré-guerra, de proeza global e destino económico que tinha sido fundamental para a identidade da classe média alemã desde o final do século XIX. O exército ficou limitado a 100,000 homens, não podiam ter aviação, artilharia pesada ou submarinos. Foram esmagados económica e psicologicamente.

Mais do que um Estado derrotado, era uma sociedade desonrada, traída e degradada, onde milhões de veteranos desmobilizados regressavam a uma pátria fragmentada, alimentando ressentimentos insolúveis. A república democrática nasceu à sombra sufocante desta derrota, o que fez com que tivesse dificuldade em conquistar a lealdade patriótica das elites conservadoras, dos funcionários públicos e da classe média em geral, que associavam fundamentalmente a democracia à fraqueza nacional e à humilhação internacional.

A República de Weimar passou a ser associada à rendição e à humilhação nacionais.

O medo do comunismo: a Revolução Russa e as tentativas de revolução comunista na Alemanha criaram um profundo receio entre a classe média, os agricultores, os empresários e os conservadores. Muitos acreditavam que um governo comunista significaria expropriações, violência e destruição da ordem social. [e tinham muita razão]

Os alemães leram com horror sobre o extermínio da família Romanov, as execuções sumárias de inimigos de classe levadas a cabo pela Cheka e a expropriação total e sem remorsos da propriedade privada, das terras agrícolas e das empresas. Além disso, o anti-clericalismo militante do regime soviético, que resultou na destruição generalizada de igrejas e no assassinato de padres, aterrorizou profundamente as populações cristãs devotas da Alemanha, tanto católicas como protestantes. Muitos defendem que a polarização da sociedade entre-guerras se deveu ao perigo da ameaça agressiva do totalitarismo bolchevique. O nacional-socialismo e outros movimentos fascistas tiveram um impulso fundamental devido à genuína ameaça do totalitarismo da revolução marxista-leninista. 

Fundamentalmente, o bolchevismo era radical e militantemente internacionalista. Lenin e Trotsky consideravam o Estado russo, ainda atrasado, como o palco inicial para uma revolta operária global, sendo o Estado alemão — altamente industrializado e politicamente instável — o prémio necessário para a sobrevivência da revolução global. A criação da Internacional Comunista (Comintern) em 1919 sinalizou claramente a intenção de Moscovo de financiar activamente e exportar a revolução para o Ocidente.

Para o Mittelstand alemão (classe média), funcionários públicos, lojistas e agricultores independentes, uma vitória comunista não significava uma melhoria de vida. Significava «deskulakização», coletivização forçada, a perda de todos os bens pessoais e familiares e a potencial liquidação física por serem definidos como «inimigos de classe». Este medo criou um ambiente em que qualquer força política que prometesse esmagar impiedosamente a ameaça marxista era vista como um potencial salvador da civilização europeia tradicional, independentemente dos seus outros atributos extremos.

Por todo o país, mas sobretudo a sul, cidades alemãs espelhavam o sistema soviético, desafiando directamente o establishment de uma democracia parlamentar liberal e ameaçando contornar por completo a autoridade estatal tradicional.

O recém-formado Partido Comunista da Alemanha (KPD) tentou uma insurreição armada para derrubar o governo provisório social-democrata (SPD). Privado de um exército nacional fiável na sequência da desmobilização, o governo do SPD tomou a decisão de se aliar aos Freikorps, unidades para-militares de direita fortemente armadas, compostas por veteranos de guerra amargurados e por anti-republicanos.

Os Freikorps esmagaram a revolta nas ruas de Berlim, executando sumariamente Rosa Luxemburg e Liebknecht sem julgamento, um acontecimento que envenenou de forma permanente as relações entre o SPD moderado e o KPD radical, fracturando fatalmente a esquerda alemã.

No sul a violência ainda era pior. Em 1919, socialistas radicais e comunistas proclamaram a República Soviética da Baviera em Munique e começaram o seu terror vermelho. Capturaram propriedade privada e fizerem reféns entre a nobreza e figuras da direita. Quando as forças governamentais se aproximara da cidade, os revolucionários executaram reféns. Os Freikorps conquistaram Munique em Maio de 1919 com artilharia e lança-chamas, massacrando entre 600 e 1 200 comunistas, anarquistas e suspeitos de simpatizar com a esquerda.

A Baviera, tradicionalmente um bastião conservador e católico, virou-se drasticamente para a extrema-direita radical, encarando a breve república soviética como um terrível reinado de terror, escassez alimentar e ocupação estrangeira. Eis porque Munique se tornou um terreno fértil para o partido nazi de Hitler. Aliás, Hitler esteve presente em Munique durante estes eventos e aproveitou-os mais tarde nos seus discursos.

A violência política: durante a República de Weimar, nos anos 20 e 30, eram frequentes os confrontos armados entre comunistas e grupos para-militares de direita. Os governos sucediam-se uns aos outros. Esta instabilidade levou muitos cidadãos a concluir que apenas um governo forte conseguiria restaurar a ordem.

As fragilidades da República de Weimar: governos de coligação instáveis, sucessivas crises políticas e a utilização frequente de poderes de emergência sem escrutínio legal ou democrático fizeram muitos alemães perder a confiança na democracia parlamentar. A esquerda continuava aliada a Moscovo na tentativa de destruir a ordem democrática.

As crises económicas: a hiperinflação de 1923 destruiu as poupanças da classe média e a Grande Depressão provocou desemprego em massa e falências. Em vez de apoiar a economia com despesa pública, o governo impôs uma autoridade sufocante. Muitos passaram a considerar que os partidos tradicionais eram incapazes de resolver a situação. 

A estratégia política dos nazis: o NSDAP apresentou-se como um partido capaz de unir a nação, restaurar o orgulho nacional, combater o comunismo, criar emprego e revogar o Tratado de Versalhes. Adaptava a sua mensagem aos diferentes grupos sociais, prometendo soluções específicas para trabalhadores, agricultores, empresários e funcionários públicos.

Porque escolheram a extrema-direita e não a extrema-esquerda? 
A autora argumenta que, para muitos alemães, os nazis prometiam preservar a propriedade privada, a família, a religião e a identidade nacional, enquanto os comunistas eram vistos como uma ameaça revolucionária que destruiria essas instituições. A esquerda significava um perigo existencial, a direita um perigo conjuntural. 

Antes um extremismo temporário que ser uma colónia da Rússia.

Além disso, a divisão entre comunistas e sociais-democratas impediu uma frente comum contra Hitler.

O papel das elites conservadoras: Hitler não conquistou a maioria absoluta dos votos. Foi nomeado chanceler porque políticos conservadores e o presidente Hindenburg acreditavam que conseguiriam controlá-lo e utilizar a sua popularidade para estabilizar o país. Esse cálculo revelou-se desastroso.

A transformação em ditadura: depois de chegar legalmente ao poder, Hitler aproveitou o incêndio do Reichstag para suspender liberdades, prender opositores e obter poderes extraordinários, eliminando rapidamente a democracia.

Conclusão

O colapso da República de Weimar resultou da combinação de humilhação nacional, de crises económicas profundas, do medo do comunismo, da violência política e policial, da perda de confiança na democracia e suas instituições e dos erros das elites conservadoras. 

A autora defende que muitos alemães não viam a escolha entre democracia e ditadura, mas sim entre dois extremismos, considerando o nazismo o "mal menor" perante a ameaça de uma revolução comunista idêntica à da Rússia, da qual tinham tido uma amostra assustadora em várias cidades alemãs.

----------

É difícil não traçar um paralelismo entre esta situação e a nossa. Também hoje estamos desiludidos com o falhanço das instituições democráticas, as alianças  partidárias para formar governos são instáveis, a corrupção está generalizada, a justiça capturada, a cedência dos políticos a grupos canibais multinacionais, os poderes políticos que vivem e trabalham de costa voltadas para os 'soberanos' que somos nós, como diz a atriz alemã no vídeo do post anterior. Tomam decisões que prejudicam a maioria, desinvestem nos serviços públicos para fazer enriquecer boys e primos.

Quantos nos dias de hoje consideram que os partidos tradicionais não são capazes de resolver a situação de decadência das sociedades? O desinvestimento na educação em todo o mundo civilizado e a captura das universidades, seja por islamitas aliados à esquerda extrema, seja por bilionários aliados à direita radica, deu origem a extrema desconfiança das instituições que projectavam a nossa prosperidade e avanço no conhecimento. A saúde capturada por multi-nacionais vorazes, sem que os políticos intervenham. Por todo o lado a descrença e o medo.

Compreende-se que a seguir à Segunda Guerra as sociedades em geral tenham virado à esquerda, mas essa esquerda já não é esta esquerda que agora existe.

Esta nova esquerda está aliada a movimentos agressivos e alguns, como os islamistas radicais da IM (e não só), totalitários e extremamente violentos que querem impor a todos através da censura e da prisão a submissão ao seu ponto de vista. Tal como antes, usam o termo ódio como uma acusação de culpa e inventam fobias e ódios para calar a crítica. Os governos de esquerda, outrora vistos como bastiões da justiça social e da moralidade, agora mentem deliberadamente ao povo para poder impor ideologias devastadoras, não se separando em nada do MO da direita.

O islamismo radical é uma ameaça existencial ao nosso modo de vida, às nossas democracias, aos direitos humanos. E a esquerda, mesmo a moderada, está aliada a esse movimento e protege-o. Em Inglaterra já ninguém confia em nenhuma instituição, em França, na Bélgica, na Espanha, na Suécia... e aqui em Portugal estamos a caminho do caos de Inglaterra e pela mesma razão.

Na semana passada ouvi um governante belga, na Euronews, defender que estavam a ponderar pôr o exército a patrulhar as ruas porque já não controlam os imigrantes: só este ano houve mais de 100 tiroteios, fora os ataques com sabre e facas. Portanto, também entrámos na fase de ter grupo para-militares a necessitar da intervenção do exército nas ruas, onde dantes andávamos à vontade. São forças a tentar derrubar a os governos da democracia.

Para além do islamismo radical, temos o imperialismo russo, outra fonte de terrorismo apoiado pela esquerda radical e extremista. Ainda hoje li que os 60 bloquistas que abandonaram o partido o fizerem, em grande parte, por os dirigentes não apoiarem Putin contra Zelensky.

A esquerda radical, por toda a Europa, EUA, Austrália e Canadá aliou-se a movimentos que representam perigos existenciais para as democracias.

Tal como aconteceu na Alemanha, também nós que não nos revemos na esquerda radical ambiciosa de poder, apoiante de forças totalitárias, terroristas, nem na direita radical, apoiante de ditadores de fanatismo religioso e ganância de dinheiro, nos sentimos encurralados. 

Os poucos governos de centro que restam não estão a fazer o seu trabalho de fortalecer as democracias e suas instituições de maneira a afastar estes perigos que, uma vez instalados, como se vê nos países islâmicos, na Rússia e na China, são extremamente difíceis de desinstalar. Veja-se o sacrifico da Ucrânia. Ou o do povo iraniano. Ou o que aconteceu aos alemães depois de terem escolhido a direita e terem levado com o Hitler em cima. Porém, a questão é: nessa altura dos anos 30, que alternativa tinham? O terror vermelho com a obliteração de si mesmos?

Quando as pessoas no Ocidente forem chamadas a escolher entre a esquerda radical aliada às forças terroristas russas e islâmicas que dizem publicamente querer fazer desaparecer a cultura europeia e a direita radical, que diz ser a salvação desse perigo, quem vão as pessoas escolher? Quem escolheria você? Parece-me óbvio. Nos EUA já responderam a essa questão.
Os eleitores desesperados, considerando os partidos moderados do establishment como os arquitectos deliberados da sua ruína, acorreram aos milhões aos extremos políticos.

 

April 26, 2026

“Acordem”

 


A UE enfrenta ‘momento único’ para crescer em respeito - Macron em Atenas, numa conversa pública com o primeiro-ministro grego

A UE prepara um “manual” de defesa depois de “nada ter sido feito” durante uma década…

Os líderes dos 27 Estados-membros da União Europeia decidiram na sexta-feira exigir a criação de um “manual” de defesa na cimeira do Conselho Europeu realizada em Nicósia, perante dúvidas quanto ao compromisso dos EUA com a aliança militar da NATO.

As preocupações com as críticas do Presidente Donald Trump à NATO por não apoiar a guerra com o Irão, bem como as suas ameaças no início deste ano de tomar a Gronelândia à aliada Dinamarca, aumentaram a urgência de definir as disposições de assistência mútua da UE.

O Presidente do Chipre, Nikos Christodoulides, afirmou que os líderes da UE concordaram, na cimeira em Nicósia, que era altura de desenvolver o pacto previsto no Artigo 42.º, n.º 7 do tratado fundamental do bloco.

O Artigo 42.º, n.º 7 do Tratado da União Europeia estabelece que “se um Estado-membro for vítima de agressão armada no seu território, os outros Estados-membros têm para com ele uma obrigação de ajuda e assistência por todos os meios ao seu alcance”.

Ao contrário do Artigo 5.º da NATO — considerado a pedra angular da segurança europeia — a cláusula de assistência mútua da UE não é apoiada por planos operacionais detalhados nem por estruturas militares.

O Artigo 42.º, n.º 7 foi activado apenas uma vez, pela França, após ataques islamistas terem morto 130 pessoas em Paris, em 2015. Outros Estados-membros da UE contribuíram então para missões militares internacionais, permitindo à França reposicionar tropas no seu território.

Embora o Serviço Europeu para a Ação Externa tenha publicado, em 2022, um documento de “lições aprendidas” com o objectivo de reforçar e formalizar a infraestrutura de defesa mútua da UE, fontes do governo cipriota lamentaram que “nada tenha sido feito” na década desde a única ativação da cláusula.

Macron: “Acordem”…

Com os líderes dos EUA, da Rússia e da China todos “contra” a Europa, o continente enfrenta um “momento único” em que precisa de “ganhar confiança” para ser respeitado, afirmou Macron perante uma audiência em Atenas, numa discussão sobre a Europa ao lado do primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis.

“Não devemos subestimar que este é um momento único em que um presidente dos EUA, um presidente russo e um presidente chinês estão claramente contra os europeus. Este é o momento certo para nós. Acordem”, disse Macron.

Mitsotakis: “Precisamos de assumir mais responsabilidade na defesa”

Numa discussão abrangente, ambos os líderes sublinharam a necessidade de a União Europeia desenvolver a sua capacidade estratégica para garantir a prosperidade e segurança do bloco de 27 países.

Reconhecendo preocupações quanto à capacidade da UE de reagir a “placas geotectónicas em mudança”, Mitsotakis afirmou que a União deve reforçar a sua economia estratégica, destacando o acordo de defesa entre Grécia e França.

“Precisamos de assumir mais responsabilidade na defesa, aumentando o investimento e fazendo-o à escala”, afirmou.

Mitsotakis reiterou a posição de longa data de Atenas sobre a necessidade de activar de forma mais eficaz o Artigo 42.º, n.º 7 do Tratado da União Europeia.

Acrescentou que a UE deve levar mais a sério a cláusula de assistência mútua, tal como a Grécia fez ao apoiar recentemente o Chipre após este ter sido alvo de ataques com mísseis durante o conflito no Médio Oriente.

O apoio ao Chipre por vários países europeus, incluindo a Grécia, “marcou a primeira prova tangível de que a Europa pode defender os seus Estados-membros mesmo sem o envolvimento directo de terceiros”.

O apoio da Grécia ao Chipre foi “uma declaração política de que não dependemos apenas da NATO”, afirmou.

Perante aplausos, o presidente francês declarou que a ajuda da França pode ser tida como garantida caso a Grécia enfrente uma ameaça revisionista por parte da Turquia:

“Estaremos aqui. A aliança franco-grega — é isto”, concluiu.

South East Med Energy & Defense

March 03, 2026

Merz tem razão e põe o problema do Irão na perspectiva correcta



Independentemente do que levou Trump a atacar o Irão (afastar de si os ficheiros Epstein ou o impulsivismo de cowboy individualista que sonha com a glória militar) não é esta a altura de dar lições aos EUA e a Israel.

Não depois de vermos o terrorismo do Irão (e da Rússia) subir durante décadas a níveis de desumanidade obscena no maior desprezo pelo Direito Internacional e pela Carta das Nações Unidas. 

Os comentários de Merz, (...) representaram um afastamento dos seus predecessores alemães do pós-guerra, que viam o direito internacional como sagrado. Isto não é verdade. Aliás, é exactamente o oposto. Merz tem em mente que o Direito Internacional tem como fim impedir que novos Estados nazis desencadeiem guerras devastadoras e destabilizadoras da Ordem Internacional, que é o que o Irão e a Rússia estão a fazer e o que ele -e todos nós- constatamos é que as instituições que deviam ter reagido eficazmente a estes países predadores há dezenas de anos (as atrocidades do Irão e da Rússia não começaram este ano) evitando as catástrofes humanitárias que causam e o caos em que querem lançar o mundo, foram e são totalmente ineficazes.

Por conseguinte, apesar deste ataque ser mais um gesto duvidosos de Trump, temos aqui que escolher entre dois males, o mal menor e, neste caso, o mal menor é impedir o Irão de espalhar o caos e a barbárie - como já se devia ter feito à Rússia.

E aqueles que, como Sanchez, vêm criticar a violação do Direito Internacional por parte dos EUA, que expliquem antes como o seu silêncio relativamente às violações grosseiras do Direito Internacional e dos mais básicos direitos humanos por parte do Irão islâmico, cujas práticas fariam corar Béria, respeitam o Direito Internacional.

Merz ainda tem razão quando diz que Israel -e a Ucrânia- estão a fazer o trabalho sujo que nos cabia a nós todos fazer: acabar com o terrorismo islâmico (sendo o Irão o seu maior incentivador) que está a devastar, dividir e destruir a coesão social da Europa e com o terrorismo russo que está a destruir directamente a Ucrânia e indirectamente a Europa - terrorismo esse que também leva a marca do Irão, o grande fornecedor de mísseis à Rússia.

Parece-me claro que entre os dois males: os EUA e Israel tentarem acabar com o terrorismo internacional de um regime islâmico bárbaro e totalmente incivilizado ou deixar tudo andar como até aqui e ver esse regime (e o russo) destruirem o mundo, o primeiro é infinitamente menos mau que o segundo.

A situação da impotência do Direito Internacional tem remédio? Tem, mas isso fica para outro post.

Merz: O Irão não deve ser protegido pelo direito internacional

Numa intervenção, o chanceler alemão manifestou receios de que as regras do Direito Internacional estejam a tornar-se redundantes num mundo em que Estados pária as violam impunemente e os aliados não as fazem cumprir. (...) Acrescentou que “agora não é o momento” para os europeus “darem lições” aos Estados Unidos e a Israel sobre legalidade.

Os comentários de Merz, posicionaram-no como o aliado mais próximo de Donald Trump na Europa e representaram um afastamento dos seus predecessores alemães do pós-guerra, que viam o direito internacional como sagrado.

“Apelos da Europa, incluindo da Alemanha, e condenações das violações iranianas do direito internacional, bem como extensas sanções, alcançaram pouco ao longo dos anos e das décadas”, afirmou o chanceler, atribuindo em parte à fraqueza europeia a falha em confrontar Teerão.

Disse que o governo alemão concluiu que, no que respeita ao Irão, “as avaliações jurídicas internacionais terão relativamente pouco efeito. Isto é tanto mais verdade se permanecerem em grande medida sem consequências… portanto, agora não é o momento de dar lições aos nossos parceiros e aliados”.

O seu discurso levou a especulações na Alemanha de que o chanceler vê o direito internacional como um resquício do século XX. O Süddeutsche Zeitung, diário alemão de centro-esquerda, caracterizou as suas declarações como uma “longa despedida do direito internacional”.

“A implicação é que, se [confrontar o Irão]… não puder ser feito em conformidade com o direito internacional, então terá de ser feito sem ele”, escreveu Wolfgang Janisch, colunista do jornal.

Stefan Kornelius, porta-voz de Merz, declarou na segunda-feira: “A Alemanha não questiona o direito internacional. Quero deixar isso absolutamente claro. Mas existe também um interesse de segurança que não é abrangido pelo direito internacional.

No seu discurso, Merz também repreendeu alemães e governos europeus, como o de Espanha, que criticaram a guerra. “Apesar das nossas dúvidas, partilhamos muitos dos seus objectivos, embora não sejamos capazes de os alcançar por nós próprios”, afirmou.

Merz deu voz ao que muitos líderes europeus temem há anos: que a ordem internacional baseada em regras, construída a partir das cinzas da Segunda Guerra Mundial, está a desmoronar-se.

Citou também a invasão em grande escala da Ucrânia como exemplo dessa desintegração: “O ataque de Moscovo a um vizinho pacífico é tão injustificável quanto a guerra de terror que Teerão tem travado contra Israel há anos”, afirmou.

O chanceler disse que a fraqueza e a relutância da Europa em enfrentar aqueles que violam o direito internacional se revelaram parte central do problema. Argumentou que isso significa que, quando outros Estados, como Israel, se levantam e agem contra o Irão, não devem ser recebidos com “lições” por parte dos seus aliados.

No domingo, Abbas Araghchi, ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, escreveu numa carta às Nações Unidas que a morte de Khamenei constituiu “uma violação grave e sem precedentes das normas mais fundamentais que regem as relações entre Estados”.

“Sem regras de empenhamento estúpidas, sem atoleiros de construção nacional, sem exercícios de construção da democracia, sem guerras politicamente corretas. Lutamos para vencer e não desperdiçamos tempo nem vidas”, declarou  Hegseth no Pentágono.

Trump, que se referiu à operação como uma “guerra” numa declaração em vídeo no sábado, disse ao The Telegraph estar “muito desapontado” com o Reino Unido e com Sir Keir Starmer por terem impedido as forças armadas norte-americanas de utilizar Diego Garcia para realizar ataques contra o Irão. Afirmou que a recusa inicial do primeiro-ministro em permitir o uso da base nas Ilhas Chagos era algo que nunca tinha “acontecido antes entre os nossos países”.

“Israel está a fazer o trabalho sujo por todos nós”, disse Merz sobre a guerra de 12 dias com o Irão em 2025, afastando perguntas de um entrevistador televisivo alemão sobre a escala da destruição nas cidades iranianas.

A Alemanha é também uma das vozes mais firmes na Europa contra as acusações de que Israel cometeu genocídio na Faixa de Gaza em retaliação pelos ataques do Hamas a 7 de outubro.

Na segunda-feira, o governo alemão esclareceu que não tinha intenção de se juntar à guerra contra o Irão, apesar de Merz lhe ter dado uma aprovação genérica – ainda que com algumas dúvidas quanto aos objetivos de longo prazo do Presidente Trump.

Johann Wadephul, ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, admitiu que, em qualquer caso, o exército do país carecia dos “recursos militares” para entrar em guerra com o Irão. 

James Rothwell in https://www.telegraph.co.uk/world

---------------


January 28, 2026

January 20, 2026

EUA - É difícil não estabelecer paralelos

 

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, revelou esta segunda-feira que o Presidente russo Vladimir Putin foi convidado pelo seu homólogo norte-americano para se juntar ao Conselho da Paz para Gaza. 

[entretanto, Trump já confirmou o convite a Putin]

A criação do conselho faz parte de um plano dos Estados Unidos que recebeu o apoio das Nações Unidas. Além de Putin, já houve uma série de chefes de governo e estado que também foram convidados por Trump para se juntar à conselho, incluindo Javier Milei (Argentina), Lula (Brasil), Erdogan (Turquia), Narendra Modi (Índia), Orban (Hungia), Meloni (Itália) Sissi (Egipto) e até líderes de pequenos países como o Chipre e a Albânia. O conselho inclui ainda o secretário de Estado dos EUA Marco Rubio, o antigo primeiro-ministro britânico Tony Blair, oenviado especial norte-americano Steve Witkoff, o genro do Presidente, Jared Kushner, e o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga. (https://expresso.pt/)

-----------

A maioria dos convidados citados na notícia são ditadores, aspirantes a ditadores, bilonários que semeiam pobreza e caos e gente do dinheiro, porque a intenção de Trump é usar o Clube para fazer negócio à conta da opressão e miséria alheia.

É difícil não estabelecer paralelos com a ascensão do nazismo nos anos 30 do século passado, na Alemanha. Também Hitler, quando começou a subir e a fazer declarações de violência e megalomania louca (a cena de Trump ameaçar invadir a Gronelândia por não lhe darem o prémio Nobel podia ser um sketch do Monty Python) teve a oposição dos outros partidos que integravam o Reichstag. Os partidos que fizeram o acordo para que ele fosse nomeado chanceler da Alemanha diziam entre si que ele era louco, violento, que não era de confiança, que os nazis eram assustadores mas, mesmo assim, revolveram apostar todas as suas fichas neles, como dizem os anglo-saxónicas. 

É o que está a passar-se no Congresso americano. Todos vêem que Trump é um homem destrambelhado da cabeça e violento que está a dinamitar todas as alianças de 250 anos de democracia e a própria democracia para satisfazer a sua ganância de dinheiro e poder. Pois, mesmo assim, apostam todas as suas fichas nele. Uns por cobardia, mas a maioria, provavelmente, por ganância. Devem estar a fazer muito dinheiro.

A esquerda americana, no entanto, está mais preocupada em legitimar islamitas e obrigar as mulheres a aceitarem que não existem enquanto sexo e que os homens podem agora ser mulheres do que a lutar contra a louca megalomania totalitária de Trump. Não se unem, não têm estratégia, não impedem o caos.

Estamos às portas de um novo capítulo da história mundial que parece saído da Guerra das Estrelas.

Sa a Europa se determinar a acabar com a Rússia, toda a oposição e bullying de Trump à Europa, baixa imediatamente ao nível do quase zero. É nisso que têm de concentrar-se os europeus. Os EUA mudaram de amigos e parceiros. Querem muito ser iguais ao imperialismo russo, que tem uma história de terror e miséria, e os países com quem escolhem agora aliar-se são uma red flag monumental. E toda a gente vê e percebe. Mas dentro dos EUA ninguém se mexe a sério.

Nós temos que fixar fixados no nosso objectivo: destruir a ameaça russa, trazer a Ucrânia para dentro da UE e da nossa defesa. Travar o imperialismo islamofascista.

January 18, 2026

🎯

 

Ulrich Speck

Se os europeus tivessem prestado apoio adequado à Ucrânia, a guerra da Rússia já teria terminado há muito tempo. A Europa seria respeitada como um actor de segurança — até mesmo por Trump.
A falha em apoiar adequadamente a Ucrânia está no cerne do drama actual. Fez projectar uma imagem de fraqueza.

---------

Ainda estamos a tempo. 


October 05, 2025

China investe na guerra terrorista da Rússia que, por sua vez, lidera o contra-terrorismo na ONU

 

September 12, 2025

"Porquê levantar as sanções contra a Belavia? Quem precisa da Belavia?"

 

A Europa tem de interiorizar a ideia de que Trump nunca virá em seu auxílio.


June 12, 2025

Parece que hoje é o dia da Rússia. Definição da Rússia

 

País liderado por um mafioso terrorista onde as pessoas enviam os filhos [ou os maridos] para a guerra para que eles morram e depois possam usar o dinheiro da pensão de morte para trocar de carro.


May 08, 2025

"Segunda Guerra Mundial – 80 anos depois: foram as lições aprendidas?" - Maryna Mykhailenko





Segunda Guerra Mundial – 80 anos depois: foram as lições aprendidas?

Maryna Mykhailenko - Embaixadora da Ucrânia na República Portuguesa


Esta data não simboliza o triunfo dos vencedores, mas sim um alerta sobre uma catástrofe terrível, lembrando que não se podem resolver problemas internacionais complexos através de chantagens, ultimatos, agressões armadas ou anexações

No dia 8 de maio, a Ucrânia e o mundo assinalam o 80.º aniversário da vitória sobre o nazismo na Segunda Guerra Mundial – o maior e mais devastador conflito da história da humanidade. Esta guerra foi a mais sangrenta e brutal alguma vez travada: envolveram-se nela 80% da população mundial e morreram entre 50 e 85 milhões de pessoas. Como resultado, foi estabelecida a chamada ordem do pós-guerra, com a ONU no centro, a sua Carta e uma série de documentos internacionais destinados a prevenir guerras e manter a paz e a estabilidade. Assim viveram o mundo e a Europa durante décadas – não sem desafios, mas sem tragédias de grande escala com milhares de vítimas e destruição – até que a Federação Russa iniciou a sua agressão injustificada e não provocada contra a Ucrânia. Neste Dia de Memória das inúmeras vítimas da Segunda Guerra Mundial, é oportuno recordar algumas das principais lições que a humanidade deveria ter aprendido com essa tragédia.

A primeira lição – a política de apaziguamento do agressor nunca funciona. Todos recordamos as palavras do primeiro-ministro britânico Neville Chamberlain – “trago-vos a paz” – ditas após o seu regresso de Munique em 1938, onde foi assinado o vergonhoso Acordo de Munique. Muitos na Europa acreditaram que, ao ceder os Sudetas da Checoslováquia a Hitler, estariam a saciar o apetite do agressor e a evitar uma grande guerra no continente. Hitler, por sua vez, declarou que essa era a sua última reivindicação territorial. Mas os acontecimentos subsequentes mostraram que esse ato de apaziguamento foi em vão: as ambições expansionistas dos regimes totalitários nunca se saciam. Trazendo isto para o presente, todas as conversas sobre possíveis concessões territoriais por parte da Ucrânia não passam de uma analogia direta com esses eventos históricos. 

Nenhuma concessão ucraniana satisfará o regime russo. Esta guerra não se trata de território, nem de língua ou pessoas. Estamos perante uma guerra de natureza neocolonial, baseada no revisionismo histórico. Os objetivos desta agressão são muito mais amplos do que cinco regiões ucranianas: visam o desmantelamento da ordem mundial baseada em regras, a destruição da unidade das democracias e o regresso do mundo à era dos impérios e das zonas de influência.

Segunda lição – a vitória é sempre um esforço e uma responsabilidade coletiva. Ninguém na Europa alguma vez pôs em causa a contribuição da URSS para a vitória sobre o nazismo. No entanto, a propaganda soviética – e mais recentemente a russa – tentou constantemente apropriar-se dessa vitória, diminuindo o papel dos outros povos e aliados da coligação anti-Hitler. Essa manipulação começou com a própria definição da data de início da guerra – 1941 em vez de 1939 – de forma a evitar menções ao vergonhoso Pacto Molotov-Ribbentrop, segundo o qual a URSS e a Alemanha dividiram a Polónia. Os manuais de história também apresentavam de forma extremamente limitada o vasto teatro de guerra do Pacífico ou o papel crucial do programa de apoio militar e económico dos EUA à URSS – o lend-lease. 

Desde o início da agressão russa em grande escala contra a Ucrânia, a campanha de desinformação e revisionismo histórico intensificou-se. A liderança russa afirma que a República Socialista Federativa Soviética da Rússia sofreu as maiores perdas durante a Segunda Guerra Mundial e que a vitória foi alcançada graças aos seus recursos humanos e industriais – o que não corresponde à realidade. A vitória foi coletiva. E o papel da Ucrânia nela foi, sem exagero, decisivo. 

A Ucrânia foi um dos principais teatros de operações militares. Ao contrário da Rússia, o seu território foi completamente ocupado e sofreu um regime brutal de ocupação e exploração. Cerca de 2,4 milhões de ucranianos foram deportados para trabalhar no Reich. Entre 1939 e 1945, o número de civis mortos chegou a 5 milhões, entre os quais 1,5 milhões de judeus ucranianos e 20 mil ciganos assassinados pelos nazis. As perdas materiais da Ucrânia representaram 45% do total soviético. Mais de 6 milhões de ucranianos combateram nas fileiras do Exército Vermelho e centenas de milhares participaram em movimentos de resistência ou nas forças armadas dos Aliados. Nenhum país pode reivindicar para si o mérito exclusivo da vitória sobre o nazismo. 

A vitória foi o resultado dos esforços titânicos de dezenas de nações e centenas de povos. Do mesmo modo, é inadmissível usar o estatuto de “vencedor da Segunda Guerra Mundial” para justificar políticas agressivas no presente. 

Hoje, a Rússia instrumentaliza a história da Segunda Guerra Mundial para criar um “culto da vitória”, mobilizando ideologicamente os seus cidadãos e manipulando-os para apoiar uma guerra ilegal contra a Ucrânia. Não é por acaso que, uma das justificações declaradas pela liderança russa para esta guerra em grande escala – que já dura mais de três anos e custou milhares de vidas de civis ucranianos – é a chamada “desnazificação”, que, na prática, significa o genocídio da nação ucraniana. Esta atividade propagandística da Federação Russa foi condenada pelo Parlamento Europeu na sua Resolução 2024/2988 (RSP) de 23 de janeiro de 2025, sobre a desinformação e falsificação histórica da Rússia para justificar a sua guerra de agressão contra a Ucrânia.

Lição três – responsabilizar todos os culpados pela agressão, promover o arrependimento e a expiação é parte essencial para evitar a repetição de tragédias como a Segunda Guerra Mundial no futuro. No caso da Alemanha nazi, isso concretizou-se através do Tribunal de Nuremberga e de um longo e minucioso processo interno. Como resultado, a sociedade alemã conseguiu passar da repressão da memória e do silêncio sobre o passado para a análise dos crimes cometidos e da culpa coletiva, sendo este processo considerado um dos fatores-chave para a democratização do país. 

Pelo contrário, após o colapso da URSS, a abordagem crítica ao regime totalitário soviético — marcado por repressões em massa, Holodomores, deportações forçadas de povos inteiros e uma política ativa de russificação — foi rapidamente abandonada na Rússia contemporânea. Sem dúvida, esta omissão está entre as causas dos inúmeros crimes cometidos pelo exército russo em território ucraniano, incluindo a deportação forçada em massa de crianças. Por isso, uma paz justa e duradoura é impossível sem a responsabilização plena e abrangente de todos os envolvidos. O crime de agressão — que está na origem de todos os crimes de guerra, crimes contra a humanidade e do crime de genocídio cometidos pelas forças russas contra a Ucrânia e o povo ucraniano — deve ser punido. 

É precisamente para encontrar os mecanismos jurídicos necessários à criação de um Tribunal Especial sobre o crime de agressão contra a Ucrânia que cerca de quarenta países têm trabalhado ao longo dos últimos dois anos. Nos próximos dias, a Ucrânia e os seus parceiros internacionais tencionam anunciar decisões concretas quanto à criação deste Tribunal Especial. Assim, a principal lição a reter dos trágicos acontecimentos da Segunda Guerra Mundial deve ser a capacidade de valorizar a paz e defendê-la por todos os meios razoáveis.

Esta data não simboliza o triunfo dos vencedores, mas sim um alerta sobre uma catástrofe terrível, lembrando que não se podem resolver problemas internacionais complexos através de chantagens, ultimatos, agressões armadas ou anexações.

A Ucrânia presta homenagem e expressa a sua gratidão a todos os que combateram o nazismo, honra a sua memória sob o lema “Nunca Mais”, e espera que as duras lições da Segunda Guerra Mundial sejam finalmente aprendidas.


Expresso

April 18, 2025

A Alemanha não vai convidar a Rússia para a comemoração da Segunda Guerra Mundial

 


Acho bem. Seria uma palhaçada, falar contra o fascismo com um fascista imperialista colonialista na sala.
A Rússia, enquanto não abandonar o seu fascismo imperialista, sair da Ucrânia, devolver as crianças que roubou e pagar o que destruiu deve ser excluída da sociedade civilizada.

March 24, 2025

Os EUA começam a parecer muito a Rússia

 

Nos últimos dois meses, uma assessora de Biden na Casa Branca e uma advogada de Biden morreram, misteriosamente, com 28 e 43 anos de idade. A advogada investigava crimes russos e pôs alguns indivíduos na cadeia.

March 17, 2025

Que interessa o que a Rússia diz?

 


Anton Gerashchenko
@Gerashchenko_pt

Peskov disse que a Rússia é contra o envio de forças de manutenção da paz ocidentais para o território ucraniano.

********

A Ucrânia também é contra a Rússia estar no seu território, ter tropas norte-coreanas e talvez chinesas no seu território e armas iranianas a atacá-los. Por acaso Putin pediu autorização aso ucranianos ou aos europeus? Que interessa o que a Rússia diz?



January 21, 2025

Uma entrevista com Ben Hodges

 

Se os líderes europeus dizem que a China é a verdadeira preocupação, então, ajudarem a Ucrânia a derrotar a Rússia enviará uma forte mensagem de dissuasão à China” - Ben Hodges




00:02 - 01:08 Introduction 
01:11 - 03:08 The US strategies for resolving the conflict
03:09 - 04:50 Trump's approach to the war in Ukraine 
04:51 - 06:42 The best way to end the war for the US 
06:45 - 08:59 Nuclear status of Ukraine 
09:00 - 09:44 Potential reaction from the US and EU 
09:46 - 11:29 Alternative military bloc 
11:30 - 12:30 NATO Article 5 
12:31 - 13:54 The borders of post-war Ukraine 
13:55 - 14:59 Sanctions against Russia 
15:00 - 16:51 Defensive strategy of Ukraine 
16:52 - 19:04 The shadow of a new "iron curtain" hangs over Europe 
19:07 - 19:58 A deal behind Ukraine's back 
20:00 - 21:23 Russia after Putin 
21:29 - 23:13 Personal motivation for being on Ukraine's side 
23:20 - 25:15 About Westerners who are tired of helping Ukraine

January 19, 2025

O Problema da Rússia não vai desaparecer por milagre e é preciso lidar com ele

 


É melhor ser agora que estão por um fio que depois, se a deixarem fortalecer de novo.


January 09, 2025

Já repararam como em nenhuma análise da situação internacional a ONU de Guterres tem relevância?

 



No passado recente, a ONU, por muito que por vezes, na prática, tivesse dificuldade em conseguir o que queria, era ouvida e respeitada como um diapasão ético da Ordem Internacional. Um presidente, por muito poder que tivesse, não dizia publicamente que queria tomar à força países soberanos porque lhe dá jeito alargar o seu domínio competitivo. E, embora às vezes o fizesse, a ONU tomava imediatamente uma posição, lembrando os princípios da Carta das Nações Unidas e pressionando para que fossem respeitados. Hoje-em-dia a ONU está descredibilizada e Musk já disse várias vezes que quer retirar o financiamento dos EUA à ONU. Tudo isto é um desastre.

-------------------
As ambições de Trump em relação à Gronelândia tiveram eco junto de alguns comentadores russos. O comentador televisivo Sergey Mikheyev, por exemplo, disse que a proposta de Trump está de acordo com “a mentalidade americana” que os seus antecessores tentaram “disfarçar e esconder”. “Trump diz simplesmente de forma direta - nós somos tudo e vocês não são nada”, observou Mikheyev. “Isto é especialmente interessante porque abre uma brecha entre ele e a Europa, mina a arquitetura mundial e abre certas oportunidades para a nossa política externa”, acrescentou, argumentando que se Trump ‘quer realmente impedir a terceira guerra mundial, a saída é simples: dividir o mundo em esferas de influência’.

Stanislav Tkachenko, um académico influente da Universidade Estatal de São Petersburgo, também manifestou o seu apoio e disse que a Rússia devia “agradecer a Donald Trump, que nos está a ensinar uma nova linguagem diplomática. Isto é, dizer as coisas como elas são. Talvez não consigamos cortar o mundo como uma maçã, mas podemos certamente delinear as partes do mundo onde os nossos interesses não podem ser questionados”.

É claro que um mundo onde as nações mais fracas são tratadas como meros peões a serem “pacificamente” divididos entre as potências imperiais - assumindo que esta é a direção que estamos a seguir - dificilmente é o tipo de ordem multipolar que a maioria das pessoas imagina. Nem é a ordem que a Rússia e a China ostensivamente defendem, deixando em aberto a questão de como poderão responder às propostas de Trump.

Thomas Fazi in unheard (aviso à navegação: esta revista digital é putineira e contra a Ucrânia, em geral)