Os sumários da discórdia
3) o ministério quer que registar um sumário no final de cada aula passe a ser um dever dos professores, consagrado no documento que enquadra a profissão;Público
Os sumários da discórdia
3) o ministério quer que registar um sumário no final de cada aula passe a ser um dever dos professores, consagrado no documento que enquadra a profissão;Público
Está em curso, supostamente, um processo de recuperação de uma parte pequena dos anos de tempo de serviço prestado, com todos os descontos e obrigações nos termos da lei, mas roubado aos professores. O ME tem uma página no site do IGEFE onde entramos com os dados da Autoridade Tributária (temos que entrar com o google, se utilizamos outros browser nem sequer conseguimos ter acesso) e vários separadores, cada um com informação do professor e das andanças da sua carreira. No fim, há um resumo onde nos dizem qualquer coisa que devemos validar - ou não.
No meu 'resumo' aparece uma mensagem a dizer que não tenho direito recuperar tempo de serviço porque faltam dados - contacte a escola. Já contactei. Há ali imensos dados que não percebo, mas a questão é que também não sei os critérios do lançamento da informação, não sei se os números que aparecem em cada coluna obedecem a algum critério ou se há ali erros. O que sei é que não tenho nenhum controlo sobre a minha própria situação, dada a porcaria e o caos que o ME tem feito nestas últimas décadas na carreira dos professores e nas escolas.
Ainda estou de férias (hoje enviei um email ao meu director que também está de férias -calculo-, mas que posso fazer se há o prazo de dia 29 próximo e se é ele que lança os dados...? - o ME fez de propósito para ver se as coisas saem engatadas e não tem que pagar a muitos milhares de professores?) e o que estou a ver é que vamos chegar ao fim do mês e não vou ter direto a recuperação do tempo de serviço e vai acontecer o que aconteceu com aquele ano e qualquer coisa que Costa mandou recuperar, que foi ter tudo engatado no meu caso durante tanto tempo que só o recuperei mais de 3 anos depois de toda a gente já o ter.
Com certeza, isto são estratégias do Ministro da Educação para motivar os professores e valorizar a carreira docente dada a situação catastrófica de falta de professores e das escolas - eu é que sou limitada e não estou a ver como.
Hoje estive com outros colegas na sala de suplentes dos exames do dia. Um colega, que anda a um par de anos dos 50, contou que há três ou quatro anos trabalhava em quatro escolas diferentes. Todas aqui no Concelho mas distantes o suficiente para não poder andar de umas para as outras de transportes públicos. Gastava uma data de dinheiro em gasolina e estacionamento e andava sempre numa correria porque tinha aulas e reuniões quase sobrepostas em escolas diferentes. Andava com uma mochila às costas com as coisas que precisava para todas as escolas porque a maior preocupação era acertar na escola do horário desse dia.
Foi nisto que transformaram a «carreira» dos professores. Portanto, as migalhas que agora dão (se derem!) são pouca coisa face à realidade e a realidade é que ninguém quer esta vida...
(...)
As negociações sobre a recuperação do tempo de serviço dos docentes arrancam esta sexta-feira com bastante expectativa, mas também preocupação, por parte dos professores, depois de, na semana passada, o ministro das Finanças ter colocado em cima da mesa a possibilidade de a devolução desse tempo se iniciar apenas em 2025. Depois de terem recebido do ministro da Educação abertura para que a recuperação se iniciasse já este ano, os sindicatos do sector exigem que essa devolução comece o mais rápido possível. Se tal não acontecer, admitem voltar aos protestos.
professores-exigem-recuperacao-tempo-servico-comece-ano
Falaram-me neste vídeo da Porto Editora e vim ver do que se tratava. Estou em contra-corrente em relação ao tom dos elogios que ouvi, porque o vídeo não me parece um apreço dos professores. Alguém só se lembra da professora quando tem um filho e não sabe ajudá-lo a fazer os trabalhos de casa. É então que lhe liga na expectativa de que a professora faça de explicadora. Nem uma pergunta sequer sobre se está bem - passa logo ao assunto de dizer que está à rasca e a professora fica logo toda contente de ir fazer de explicadora do filhos do ex-aluno, que nunca se lembrou dela a não ser quando estava em dificuldade. Sei lá, podia ter-se lembrado dela no ano passado e no outro anterior quando os professores sairam para a rua a exigir ao ex-ministro que pelo menos os ouvisse e ao primeiro-ministro que tivesse a decência de negociar as dívidas dos governos para com os professores. Os professores são aquelas pessoas por quem não se dá um passo para apoiar a sua valorização, mas que se espera que estejam ao serviço, até morrer, se for preciso.
Hoje falava-se na impossibilidade de os alunos fazerem exames em formato digital com os computadores emprestados, como o ME quer. É que os alunos, quando mudam de escola, são obrigados a devolver os computadores. Na escola seguinte, voltam a pedir computadores. Acontece que, como já passaram uns anos desde que os computadores chegaram às escolas, quando esses alunos pedem um computador na nova escola, já só há computadores usados por outros e fora do prazo da garantia. Resultado: os pais recusam esses computadores, autênticos presentes envenenados. Portanto, o ME vai obrigar os alunos a receber computadores nestas condições? Não me parece que o possa fazer.
A meio da manhã entraram na sala de professores alguns homens da junta de freguesia, de um certo partido político. Vinham com cravos vermelhos e um marcador de livro com um poema que li por alto e que dizia algo como, 'mulheres, sejam livres mas humildes, o 25 de Abril e tal...'. Saí dali a correr antes que me entregassem flores e poemas a apelar a que seja humilde, para não dar uma resposta torta e dizerem que tenho mau feitio. É que apeteceu-me dizer, que passados 50 anos do 25 de Abril, ganhamos quase 250 euros a menos que os homens e que agradeço que me devolvam os 6 anos e meio que trabalhei, com um salário digno da importância da profissão. Eu depois trato de comprar as minhas flores.
( o tal concurso que obriga os professores a concorrer ao país e a ficarem efectivos onde forem calhar (numa zona em vez de uma escola) durante anos a fio e sem nenhum tipo de ajuda, ainda por cima) - isto deve fazer parte das estratégias do ME para atrair novos professores...)
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Cátia Oliveira, natural da aldeia de Bilhó, no concelho de Mondim de Basto, distrito de Vila Real, já deu aulas na Madeira, por amor à profissão, há 14 anos. Por motivos de saúde, regressou ao continente e tem conseguido, ainda que, muitas vezes, com horários incompletos, ficar próximo de casa. Andar com a casa às costas, de novo, não faz parte dos seus planos” e optou por recusar aquilo a que chama “um presente envenenado do ME”.
“Não é obrigando os professores a ficar longe de casa e das suas famílias, com custos demasiado acrescidos (aluguer de casa e deslocações) e sem qualquer tipo de apoio, que se vai atrair professores, como eu, mudando toda a sua vida para irem lecionar para Lisboa ou outras localidades ainda mais distantes. Não é assim que se vai combater a precariedade, muito pelo contrário. A Vinculação Dinâmica não vem ajudar na fixação de professores, mas sim contribuir para o aumento de professores a andar com a casa às costas e por tempo indeterminado. Não quero este presente envenenado. Não quero ser obrigada a concorrer para todo o país, contra a minha vontade”, salienta. Ficar longe, diz, significaria “voltar a pedir ajuda monetária aos pais, para poder continuar a exercer a profissão”. Cátia Oliveira acredita numa debandada de professores contratados, que “abandonarão a docência para procurar outras alternativas de vida mais estáveis” – e espera “não ser uma delas”
Arlindovsky, in “Não é assim que vão atrair novos professores”
Que o governo e o PS apostam em arrastar o assunto dos professores (professores nas mãos de diretores que estão nas mãos de câmaras, recuperação de tempo de serviço, reestruturação das carreiras e vinculação efectiva de contratados) à medida que vão pondo a sociedade contra os professores e publicam em jornais escolhidos que os professores querem ter privilégios sobre todos os outros trabalhadores. E ainda que andam a preparar um suborno para diretores se passarem para o lado deles como no tempo da Rodrigues. Pessoalmente acredito que o ministro da educação seja capaz disto tudo e muito mais, pois já se viu que é uma reprodução aprimorada da Lurdes Rodrigues. Li que hoje nem se deu ao trabalho de aparecer na reunião... Também acredito que o Medina é capaz disto e bem pior - uma pessoa que manda para Putin informações de vítimas é capaz de tudo... Porém, tenho dificuldade em acreditar que todos estejam de acordo com uma estratégia de pôr a sociedade contra os professores... é uma coisa miserável própria de gente miserável...
« Au-delà de l'Ukraine, Poutine est parti en croisade contre l'Occident. Si la Russie gagne, elle nous imposera un nouvel ordre mondial. On aura du mal à le supporter » Hélène Blanc, politologue
— C ce soir (@Ccesoir) January 17, 2023
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