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January 02, 2026

Como ler um livro por semana - ou até dois

 

Não há nenhuma fórmula mágica. É uma questão de criar uma rotina adaptada à vida pessoal. 

Há um pressuposto que é, obviamente, o querer ler. Posto isso, aqui vão algumas normas:

1. Ter livros. Se não tem livros para ler em casa, quando tem um tempo livre, não lê. Então, deve-se ter livros para ler. Tem-se sempre uns livros a mais do que se consegue ler, para ter escolha.

2. Ter livros variados e não apenas um tipo de livros, para poder pousar (ou pausar) um que esteja numa parte aborrecida ou cansativa e pegar em outro. Não se obrigar a ler livros que não lhe interessam - a não ser quando são trabalho obrigatório.

3. Procurar experimentar novas categorias de literatura que serão novos filões de leitura. Há muitos tipos de livros: ensaios, policiais, romances históricos, ficção científica, fantasia, biografias e auto-biografias, história, política, arte, etc. Em livros mais densos, de informação faço sempre anotações para pegar o fio da meada quando volto a pegar no livro depois de uma pausa.

4. Andar sempre com livros, sejam de papel ou digitais. Descarregue um leitor digital e armazene no telemóvel ou no tablet vários livros. Há muitas plataformas com livros gratuitos que se podem descarregar, de todos os estilos e categorias, desde clássicos a contemporâneos. Ainda hoje li sobre um serviço de livros gratuitos ligados às bibliotecas públicas. A intenção é ler sempre que tem um tempo livre: a caminho do trabalho, enquanto toma o pequeno-almoço, numa pausa do trabalho, numa fila de espera no médico ou num serviço público, etc., em vez de perder tempo a fixar o telemóvel. Pode ouvir-se livros (áudio-livros descarregados para o telemóvel) em situações que seja difícil ler, como por exemplo, num transporte público em que vá em pé.

5. Criar uma rotina adaptada à sua vida. Por exemplo, hoje-em-dia leio muito de madrugada -porque acordo muito cedo- ou a meio da tarde. Dantes lia pela noite dentro, mas agora já não consigo. O objectivo é ter uma meta de páginas por dia, digamos, umas 40 - ou, se de início isso for muito, umas 25. Não interessa o número certo de páginas, o que interessa é ter essa rotina e cumpri-la ao longo do dia. É claro, se temos tempo livre a sério, podemos ler um livro num dia, como fiz ontem com a biografia de Erasmo. Se lemos (ou ouvimos) 40 páginas por dia, numa semana lemos um livro de 280 páginas. Se não é um leitor lento e consegue ler mais do 40 páginas (ou se tem dias mais livres em que lê 100 páginas) lê dois livros por semana - por exemplo, um livro maior e outro mais pequeno.

6. Escolhe-se o livro para o momento - por isso é que é importante ter vários livros diferentes em casa. Em momentos mais longos e calmos ler aquele livros que requerem reflexão e digestão lenta, em momentos mais curtos ler livros mais leves e de fácil absorção.

7. Quando encontra um autor que gosta, explore-o. Nos livros que dão prazer a ler, facilmente se ultrapassam as 40 páginas sem dar por isso.

8. Fundamental: desligar as notificações do telemóvel, pô-lo no silêncio e, até, de preferência, deixá-lo em outro sítio. Minimizar as distracções. Eu guardo o telemóvel numa gaveta ou deixo-o numa outra divisão da casa. Também fecho o portátil e ponho-o longe. Ponho música a tocar baixo. Tenho uma cadeira muito confortável onde só me sento para ler e já a associei a leitura, de maneira que quando me sento lá leio durante muito tempo.

9. Perder algum tempo a pesquisar livros interessantes para ler, seja na internet, seja nas livrarias. Falar com outros leitores que respeite e saber o que andam a ler.

10. Quando experimenta um livro sobre um tema novo, explore o tema, porque isso leva a outros interesses e outros livros. Por exemplo, quando reli, 'Guerra e Paz' fiquei curiosa com os trajes militares e de festa que descreve em pormenor de maneira que depois andei a ler sobre moda e vestuário civil e militar da Europa dessa época napoleónica e andei a investigar o tema. Depois interessei-me pelo mobiliário estilo Império, que me levou a outros interesses.

11. Se por acaso calha não ter livros novos em casa, pegue num dicionário antigo ou melhor, num dicionário etimológico (há muitos online para quem não os tem em papel) e investigue palavras. A origem e evolução das palavras contam uma grande história sobre as pessoas, as ideias, os acontecimentos, a própria história. A questão é: não passe um dia sem ler, seja o que for.

12. Tenha livros de colectâneas de contos. São óptimos para quando queremos ler algo do princípio ao fim em pouco tempo. Todas as culturas têm a sua mitologia e há centenas de livros com as histórias das personagens e acontecimentos dessas mitologias, que quase sempre são fascinantes de ler e muito educativas.

Por fim, pegue aos filhos o gosto pela leitura. Leia e leia-lhes livros desde que nascem. Logo ali nos primeiros meses já há livros para explorar com eles e contar histórias.


December 09, 2025

As crianças precisam de aprender a ler bem e eficazmente

 

A ideia de que os professores são uma espécie de babysitters e que os miúdos aprendem só por estar na presença de livros e leituras continua a ser prevalecente.
Toda a aprendizagem académica depende das crianças aprenderem a ler correcta e eficazmente porque é com essa capacidade de ler que depois fazem todas as outras aprendizagens.
Alunos que vão progredindo sem saber ler correctamente e sem vocabulário (sem os conceitos que possibilitam compreender e trabalhar ideias) não estão preparados para, mais tarde, lidar com pensamentos/linguagem complexa, estruturas frásicas que ultrapassem o nível das informações ou ordens básicas, simples e curtas.
Os professores primários são extremamente importantes - da sua habilidade em ensinar a ler depende tanto... no entanto, a profissão de professor não é valorizada.
Aceita-se que qualquer pessoa possa ser professor, mesmo sem treino ou formação para ensinar, como se fossem meros babysitters e a aprendizagem académica fosse um instinto universal. Pressiona-se a progressão de todos os alunos independentemente da sua aprendizagem. Depois culpam-se os professores pelas incapacidades que os alunos revelam mais tarde.
Há pouco tempo foi notícia os estudantes universitários actuais não serem capazes de ler o primeiro parágrafo da obra de Dickens, Bleak House, com a pontuação correcta de maneira a que a frase tenha sentido e seja compreendida, algo que não há muito tempo fazia parte das leituras de crianças de 10 anos.
O deslumbramento pela tecnologia dos ecrãs a par da desvalorização dos professores está a formar uma sociedade de incapazes mentais - e convencidos que sabem muito, o que ainda é pior.


Portugal: não só há cada vez menos pessoas a quererem ser professores como já existem os que o querem ser mas desistem e abandonam a profissão. Também começa a haver bastantes casos de professores que não aceitam horários por terem DTs - há cada vez mais EE a fazer bullying aos DT. O que fazem os governos para atacar este problema? Nada. Em vez de atacar o problema, atacam os professores.

Um terço das vagas dos mestrados em ensino ficaram por preencher em 2023/24

Com mais docentes a abandonar a profissão e poucos jovens a entrar nos mestrados de ensino, o Estado da Educação 2024 alerta para “uma crise de atractividade”.

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20% dos professores admitem abandonar a docência. No grupo abaixo dos 30 são mais de metade
Conselho Nacional da Educação faz um retrato do sistema educativo. Destaca o problema da falta de docentes e alerta que a situação se está a alastrar para o Ensino Superior.

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Os professores universitários têm uma grande responsabilidade na crise da educação e da falta de professores nas escolas. Foram grandes promotores e amplificadores das calúnias e malfeitorias do governo Sócrates-Rodrigues. Desde esse tempo que avisamos que a destruição dos professores das escolas chegaria às universidades. Olha, já lá chegámos. Espero que estejam satisfeitos com o  trabalho que fizeram.

December 31, 2024

Perguntas de fim de ano impossíveis de responder

 


Ainda agora me enviaram uma pergunta para porem a resposta num post de uma rede social: "qual o melhor livro que leste em 2024?" Não sei responder a isso! Como é que é possível lembrar-me de todos os livros que li? Só se tivesse anotado tudo o que li. Por exemplo, neste Natal deram-me estes livros: 

Comecei a ler O Homem que Gostava de Cães, que é sobre Trotsky e o seu assassino, Rámon Mercader, bem como os horrores da ditadura totalitária comunista-soviética. Também já li o primeiro conto das Histórias de Ted Chiang, Tower of Babylon, por sinal muito bom.

Hoje, dado que vou ficar por aqui porque não me apetece ir para lado nenhum para festas e muito menos oganizá-las, quero ler mais uma porção de, O Homem que Gostava de Cães e ainda A Origem da Ciência

Ontem reli estes dois livros, embora um deles não totalmente mas uns capítulos  que me interessavam -o de Karl Jaspers que é editado pela Hanna Arendt- porque ando a organizar ideias sobre um assunto e precisava de lembrar-me ao certo do racionalismo iluminista de Kant e das suas ideias acerca da história e do seu progresso.

A questão é que, se bem que haja dias em que leio pouco -dois ou três artigos literários, filosóficos ou científicos- na maioria dos dias leio muito.

Esperar que um leitor se lembre de todos os livros que leu num ano e qual o melhor deles é o mesmo que esperar que um cozinheiro se lembre de todas as comidas que comeu e qual a melhor ou esperar que um cinéfilo se lembre de todos os filmes que viu e qual o melhor, etc.

Enfim, se tivesse mesmo que responder escolhia um livro de um filósofo. Por exemplo, dois que li recentemente: este de Kant ou o Tratado da Natureza Humana de Hume que reli há um mês e tal por causa de uma formação - mas não sou capaz de dizer qual deles é o melhor. Ambos são o melhor. Todos os livros dos filósofos são, todos eles, o melhor e nisto não há contradição. Cada filosofia de cada filósofo é uma resposta a outra filosofia de outro filósofo e nesse diálogo contínuo em espiral, todos têm insights, respostas e soluções para os problemas humanos que não se anulam mutuamente, antes são todas, em parte, válidas e supra-temporais. 

December 23, 2024

Ler, ler, ler

 

Os alunos não precisam de telemóveis permanentemente ligados a redes sociais e sites de manipulação que promovem o radicalismo, a crendice, a superstição, o encolhimento do vocabulário, etc. Não precisam de um tutor digital que lhes diz o que pensar, em quem acreditar, como e quando, em quem votar, o que comer, etc. A internet não é uma ferramenta, como é vulgar dizer. É um tropos, um lugar, uma enorme cidade cheia de bairros de entertenimento fácil e duvidoso e de sites comerciais malévolos disfarçados de tutores, muitos dos quais cheios de precipícios, muitíssimo perigosos para se andar por lá desde muito novo, descuidadamente e sem protecção. Também tem lá ferramentas, sim, mas para usá-las é preciso saber evitar os precipícios e para isso é preciso orientação. 

Ler, que é uma maneira de parar e reflectir, ganhar vocabulário (cada palavra é uma ferramenta para compreender o mundo), desenvolver maleabilidade mental, complexidade de estruturas frásicas (o que permite compreender ideias complexas), conhecimentos sobre as ideias, as possibilidades e as experiências do mundo tem um efeito formador da mente, da sensibilidade, do mundo interno psíquico e constitui-se, por isso mesmo, como um instrumento de fortitude mental e desenvolvimento de espírito crítico e de resistência à voragem da internet. Não há espírito crítico sem conhecimentos.




September 04, 2024

Elogio da leitura



Crime e Castigo ilustra o funcionamento do processo criativo, os benefícios que a ficção proporciona à sociedade e a razão pela qual lemos romances (e vemos teatro e cinema) em primeiro lugar. Também expõe a ignorância cultural por detrás das tentativas de todo o espectro político de cancelar livros e autores pelas suas alegadas falhas ideológicas e morais. Estes ataques - especialmente chocantes quando vêm de leitores, colegas romancistas, departamentos de Inglês e outros que deveriam saber melhor - visam o valor central das Humanidades.

As histórias levam-nos para fora de nós próprios para que nos possamos ver a nós mesmos. Quando reflectem as nossas vidas, trazem-nos conforto, lembrando-nos que não estamos sós. Quando tratam de assuntos difíceis, ajudam-nos a explorar os nossos medos e traumas passados a partir da distância segura de um espaço imaginado. Quando nos divertem e iluminam, enriquecem a nossa imaginação. Aprofundam a nossa compaixão pelos que não amamos e revelam as facetas ocultas da nossa natureza.

Quem poderia, por exemplo, planear matar outro ser humano? Ou continuar os seus vícios à custa do seu filho? Só monstros. Não pessoas como nós. No entanto, quanto mais lemos Crime e Castigo, mais sentimos o sofrimento do assassino, Raskolnikov e do bêbado, Marmeladov. As suas escolhas e comportamentos repugnam-nos, mas reconhecemos o medo, a culpa e a vergonha em nós próprios e perdoamo-los como queremos ser perdoados pelos nossos próprios pecados.

A empatia - a base das artes - assenta numa verdade evidente, ainda que fora de moda - que, por baixo da pele, todos partilhamos uma humanidade comum. Independentemente da nossa raça, género, orientação, idade ou outra diferença, cada um de nós já sentiu todas as emoções e conheceu a graça e o desespero. As nossas circunstâncias individuais e expressões culturais podem ser radicalmente diferentes, mas a experiência universal de sermos humanos é a forma como conseguimos relacionar-nos com personagens e histórias escritas através de continentes e séculos.

Para compreender os outros, temos de nos compreender a nós próprios. Para criar personagens credíveis e psicologicamente complexas - especialmente quando essas personagens são repelentes e quebram tabus sociais - é necessário um auto-exame implacável. Esta investigação manifesta as obsessões, os defeitos e a capacidade de fracasso moral do romancista. Por vezes, essa exposição é literal, outras vezes é indirecta.

Allan Stratton

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Em "Crime e Castigo", Dostoiévski explora o dilema psicológico entre a culpa e o arrependimento, um caos que ressoa nas profundezas da condição humana. Raskolnikov, um estudante que se vê imerso numa espiral de justificativas e racionalizações, encarna a tensão entre uma moralidade que se baseia nas suas teorias sobre o homem extraordinário e a realidade brutal das suas acções criminosas.

A culpa, nesse contexto, emerge como uma força que não apenas o condena, mas que o transforma em prisioneiro da sua própria consciência refletindo a incapacidade de Raskolnikov de reconciliar as suas crenças filosóficas com a gravidade dos seus actos.

Por outro lado, o arrependimento surge como uma forma de reconhecimento do erro, uma possibilidade de restaurar a unidade quebrada e evitar transformar os erros em preconceitos cegos. No entanto, para Raskolnikov, o arrependimento não é imediato; é uma construção gradual, um processo que se desenrola por intermédio das suas conversas com Sonia e outras personagens que simbolizam a compaixão e a redenção. 

O arrependimento, portanto, não é apenas uma resposta emocional, mas uma força que o impulsiona a uma jornada de auto-descoberta e transformação. Eventualmente, à busca de um perdão.

A tensão entre culpa e arrependimento leva Raskolnikov a um estado de paralisia existencial, onde a acção se torna impossível e a reflexão se transforma em tortura. Essa dualidade não é apenas uma luta interna; é uma representação do conflito humano universal entre razão e emoção, entre o desejo de se afirmar como um ser superior e a realidade de ser um ser falível. 

Dostoiévski, ao explorar essa dinâmica, não apenas cria um retrato vívido da psique de Raskolnikov, mas também oferece uma meditação sobre a condição humana, sobre como os indivíduos navegam nas complexidades da moralidade, da responsabilidade e da busca por significado no meio do desequilíbrio e d caos.

A obra de Dostoiévski convida-nos a refletir sobre a natureza do arrependimento como um caminho para a redenção, enquanto a culpa, se não confrontada, pode levar à auto-destruição. O dilema de Raskolnikov permanece relevante, pois ilustra a luta incessante que todos enfrentamos ao buscar um sentido nas nossas acções e as consequências que advêm das nossas escolhas. É um lembrete poderoso de que o caos da mente humana, repleto de incertezas e contradições, é uma parte complexa da experiência de viver.

Oliver Harden

January 16, 2024

Desafios

 


Aquele meu amigo que esteve na origem de reler Guerra e Paz de Tolstói, em voz alta, e postar essa leitura aqui no blog anda a aliciar-me para ler outro livro, um clássico que (ele) não tenha lido e já me disse que preferia o, Em Busca do Tempo Perdido. Hesito. Em primeiro lugar, já li esses livros -há 40 anos, é certo- e preferia ler uma obra que ainda não tivesse lido. Em segundo lugar, porque a obra é o dobro, em extensão, de Guerra e Paz. Levaria quase dois anos ano a lê-la assim às 6 páginas por dia. A obra tem cerca de 4,300 páginas. Em terceiro lugar, porque tenho esta paresia da corda vocal e devo poupar a voz ou pelo menos não cansá-la - se bem que ler 15 ou 20 minutos por dia não fizesse mossa, acho eu. No entanto, sei que, se começar essa tarefa depois figo obcecada em não falhar um único dia e não me apetece ficar presa a uma tarefa dessas durante dois anos. Logo, hesito.

Lembrei-me disto porque agora mesmo fui dar com um artigo que lamenta vivermos numa sociedade em que não há tempo para ler, Em Busca do Tempo Perdido,

Just as everything about market society seems designed to get in the way of reading Proust, reading Proust gets in the way of participating in market society. As long as you buy it, Proust’s novel remains a commodity, but as long as you are reading it on paper — and reading yourself in the meantime — you are not generating further material profit. Indeed, while you are reading Proust you and your time are quite literally operating at a loss. In the grand scheme of things, regaining your time from the market may amount to a negligible act of resistance to it, but one could find a worse benchmark for what constitutes a free society. A free society will be one in which everyone, if they so choose, has the time to read In Search of Lost Time. ~Ryan Ruby in Reading and Time

 

March 07, 2023

Um vislumbre da superficialidade, sicofantsmo e falta de ética do mundo dos grandes homens de negócios





Elon Musk’s Texts Shatter the Myth of the Tech Genius


The world’s richest man has some embarrassing friends.
By Charlie Warzel


Este artigo já tem uns meses. Quando Elon Musk tentou recuar na compra do Twitter, o Tribunal de Delaware divulgou centenas de mensagens de texto e e-mails enviados por ele e para ele. O documento tem 151 páginas de mensagens que correspondem a uns meses da vida do homem mais rico do mundo e um raro vislumbre, não envernizado, dos mundos sobrepostos do Silicon Valley, dos media e da política. 

Os textos são suculentos, não por serem sensacionalistas ou ofensivos, mas por serem medíocres, sem imaginação e bajuladores. A quantidade de 'amigos' de Musk que lhe envia mensagens de glorificação, com textos infantis, ideias de projectos ridículos, sem nenhum pensamento de consequências, muitos a prometer-lhe centenas de milhões de dinheiros públicos, só para se aproximarem dele e do seu dinheiro/poder. E o modo completamente arrogante e superficial como ele responde, como se, de facto, ele e aqueles bajuladores, fossem resolver ali com aquelas 'ideias giras' os problemas do mundo. 
É assim que estes clubes de boys decidem dos nosso destinos e é assustador. A glorificação do dinheiro pelo dinheiro, leva à glorificação de gente medíocre.

February 23, 2023

Uma casa para ler

 



uma biblioteca pública na Índia

(já não sei onde encontrei esta imagem)


Leituras pela manhã - Não deite fora os seus livros em papel




Guarde os seus livros físicos

Temos de proteger a história cultural

Ben Sixsmith


Há uns anos enviei a minha colecção de livros de Inglaterra para a Polónia. Parte foi sentimentalismo, mas também tinha um instinto conservacionista. Os livros não são como outros objectos. Se um livro se perde, um texto pode perder-se.

Ok, não preciso de uma cópia de The Great Gatsby. Se eu tivesse um desejo repentino de ler o livro, poderia encomendar outro - ou encontrar um online. Mas e a autobiografia de Fred Trueman? E que tal uma defesa da astrologia? E que tal um livro de medicina dos anos 30? Nem sempre é possível encontrar outros exemplares de livros, em formato físico ou electrónico. Essa autobiografia de Fred Trueman tinha sido herdada de um velho tio-avô que tinha vivido numa casa grande que cheirava a fumo de cachimbo. 

Eu uso um Kindle. Afinal de contas, pode ser difícil ter acesso a livros em inglês a curto prazo na Polónia. Se alguém me pedir para rever um livro de 500 páginas ou o novo thriller de Hillary Clinton, não lhes vou pedir que esperem algumas semanas até que os livros cheguem.

Mas não podemos fingir que possuir um livro físico e "possuir" um livro electrónico significa a mesma coisa. Se descarregar o livro para o computador ou para um USB, já se está a aproximar mas se tiver os seus livros electrónicos na sua conta da Amazon e a empresa sair do negócio, eles desapareceram. A Amazon não tem sequer de desaparecer - podem simplesmente fechar a sua conta. A sua posse do texto dura de acordo com os caprichos de um proprietário que o pode vender ou expulsar.

Poderá comprar uma cópia de um livro que foi escrito há anos - ou um filme clássico e/ou uma série de televisão antiga - e descobrir que é muito diferente do que se lembrava. Ora, ninguém vai entrar sorrateiramente em sua casa, tirar os livros das prateleiras e começar a alterá-los. Mas os livros que estão a ser republicados hoje podem acabar por ser completamente alterados  [por políticas woke].

Ontem, o Telegraph mostrou como novas edições de livros infantis clássicos, de Roald Dahl, estão a ser publicadas após alterações substanciais feitas de acordo com os desejos de uma classe mórbida e absurda de pessoas conhecidas como 'leitores sensíveis'. O Telegraph relata:
A linguagem relacionada com o peso,  a saúde mental, a violência, o género e a raça foi cortada e reescrita. Lembra-se dos 'Homens-Nuvem' em James and the Giant Peach? Eles são agora o 'Povo das Nuvens'. As 'Raposas Pequenas' em Fantastic Mr Fox são agora do sexo feminino. Em Matilda, uma menção de Rudyard Kipling foi cortada e substituída por Jane Austen. É Roald Dahl, sim, mas diferente.
É importante esclarecer que estas mudanças não são apenas presunçosas e arrogantes, elas degradam claramente a qualidade do texto. Veja como o doce surrealismo cómico de Dahl dá lugar a um sermão sem graça:



Ninguém nega que Dahl era um escritor muito cru e até sádico, mas parte da diversão de o ler, quando criança, é entrar no lado escuro e começar a compreender as sombras que se vislumbram em todo o mundo. Estes vândalos artísticos de pequenas dimensões, estão a aplanar aquelas peculiaridades interessantes da literatura, por causa do medo paralisante de que alguém, algures, o possa ler e ficar ofendido.

Se Roald Dahl nem sequer pode dizer que a Sra. Trunchbull tem uma cara de cavalo - porque ninguém tem feições de facto, de cavalo, ou porque estamos proibidos de as notar - o que mais se pode mudar? Se livros como Matilda e filmes como E Tudo o Vento Levou estão a ser cortados aos pedaços, o que poderia acontecer a outros menos famosos e mais provocadores? Raios, vejam como os editores de Dahl decidiram que autores tão ilustres como Joseph Conrad e Rudyard Kipling - referidos em Matilda mas agora substituídos por Jane Austen e John Steinbeck - são demasiado perigosos para serem sequer mencionados em frente de crianças. O Coração das Trevas? Kim? Meu Deus, alguém pense nas crianças!

Precisamos de manter os livros físicos. Diabos, devemos até guardar os nossos DVDs. Quase me arrependo de me ter livrado dos meus VHSs - embora, sabe Deus que não teria maneira de os ver. Tal como queremos possuir terras que ninguém pode destruir, devemos querer possuir terras culturais com as quais ninguém se pode intrometer. 

Talvez seja cómico lutar ferozmente para que as crianças ainda tenham a oportunidade de ler sobre a cara de cavalo da Sra. Trunchbull, mas se não tomarmos uma posição, onde é que isto vai acabar? 


October 01, 2022

O sub-continente indiano

 


Ando aqui à procura de um livro que me dê uma visão cronológica em CinemaScope, por assim dizer, da história da Índia



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