August 02, 2020

"Philosophers once wrote to be understood, now they write to earn academic credentials..."



Writing for the sake of publication—instead of for the sake of being read—is academia’s version of “teaching to the test.” The result is papers few actually want to read. First, the writing is hypercomplex. Yes, the thinking is also complex, but the writing in professional journals regularly contains a layer of complexity beyond what is needed to make the point. It is not edited for style and readability. Most significantly of all, academic writing is obsessed with other academic writing—with finding a “gap in the literature” as opposed to answering a straightforwardly interesting or important question.
...
A few years ago, I happened to browse through back issues of a top journal (Ethics) from 1940-1950—not an easy decade for the world, or academia. I went in assuming those papers would be of much lower quality than what is being put out now. Keep in mind, this is a time when not only was publication not required for getting a job, even a Ph.D. was not required; there were far fewer philosophers, and getting a paper accepted at a journal was a vastly less competitive process.

In general, I would describe the papers from that decade as lacking something in terms of precision, clarity and “scholarliness,” but also as being more engaging and ambitious, more heterogeneous in tone and writing style, and better written. Perhaps some amount of academic competition is salutary, but the all-consuming competition of recent years, it appears, has been less productive of excellence than of homogeneity and stagnation. Because the most reliable mark of “quality” is familiarity, the machine incentivizes keeping innovation to a minimum—only at the margin, just enough to get published. It constricts the space of thought.

by Agnes Callard

"pitching above your head"



George Steiner a descrever a sua experiência quando tentou ler, pela primeira vez, O Ser o o Tempo de Heidegger e não passou da primeira frase, sequer. Como é importante não desistir de tentar entender o que não se entende (ele usa a expressão americana do baseball, 'pitching above your head', quando a bola é rápida demais para a perícia actual da pessoa) e do que se ganha com essa atitude. 
Isto fez-me lembrar duas situações. a primeira tem a ver com uma pergunta que às vezes me fazem sobre se já li os livros todos que tenho em casa -é claro que não, devo ter lido uns 80%- e porque compro mais livros antes de ter lido todos os que tenho para ler. Bem, é evidente que os compro porque quero lê-los e espero ter tempo e oportunidade. Há pouco tempo li um artigo, já não sei onde, onde se dizia que uma biblioteca revela o tipo de pessoa que se é, nomeadamente nos livros que estão por ler pois são prova do espírito de curiosidade e da consciência da própria ignorância e da necessidade de compreender e evoluir. Nunca tinha pensado nesse aspecto da questão.
Em segundo lugar, a expressão, pitching above your head, exemplifica muito bem uma das estratégias da leccionação que é lançar bolas sempre um bocadinho mais rápidas que a perícia dos alunos. Não demasiado rápidas para que não desistam de as atingir, mas suficientemente rápidas para que tenham de incomodar-se e esticar-se todos para as apanharem.
Esta experiência que Steiner conta acerca da leitura de Heidegger já todos a tivemos com um ou outro ou vários autores cujos livros deixámos a repousar até a mão ganhar perícia para os apanhar. Aliás, se não tivemos é mau sinal: é sinal de que nunca fomos além do que já sabíamos.


Bom dia, Portugal por aí






Fotografia: worldurbanplanning - instagram
Campo de Ourique, Lisboa
via Mar da Palha

August 01, 2020

Visions of earth



Brilliant scenes late in the evening at the Grand Prismatic geysers in Yellow Stone National Park. 

Photo by: Mark Stewart of Mountain Mark Photography

Também se aprende com quem se ensina



Uma amiga (ex-aluna) que já não vejo há um tempo mandou-me agora mesmo esta fotografia que tirou com um telescópio que tem na casa que era dos avós do companheiro e onde foram ficar um tempo enquanto estão em Portugal. Disse-me que pensa em mim muitas vezes. Eu também penso nela. Gosto dela e foi uma pessoa que me marcou. Acho que tenho sorte nisto dos alunos e ex-alunos. Levei tempo a perceber que esta profissão é essencialmente filosófica, se a levarmos a sério e, em parte, quem mo ensinou foram os alunos.



Perdoa-se muita coisa aos holandeses só por terem produzido um Bruegel



inverno
(o corvo à espreita)

a queda dos anjos rebeldes



patinadores

o tipo do dinheiro e os aduladores  - não vou dizer o que está escrito no rabo do homem    ahahah


a justiça (pormenor) - a fila de gente que veio ver os torturados a trabalhar...

Mais notícias que não queríamos ler



212 ativistas ambientais assassinados em 2019

Os números da Global Witness revelam um recorde relativamente aos anos anteriores. A ONG alerta ainda que, com o confinamento devido à pandemia, muitos ambientalistas ficaram desprotegidos face a quem os ameaça.

Pelo menos quatro ativistas da defesa do ambiente têm sido mortos a cada semana desde que foram assinados os acordos de Paris contra as alterações climáticas em 2015.

O grupo avisa, contudo, que estes dados pecam por defeito, uma vez que vários dos crimes não são documentados. E, para além disso não se consegue contar os “inúmeros outros” que “são silenciados por ataques violentos, detenções, ameaças de morte ou processos judiciais”.

Notícias - vidas que passam e deixam uma marca positiva. O que mais se pode querer?



Estou a ver nas notícias do FB que ontem morreu Alan Parker, com 76 anos, de doença prolongada, o que costuma querer dizer, cancro. O filme dele, O Expresso da Meia-Noite que vi com 18 anos, teve uma importância muito grande na minha vida. Vi-o duas vezes em dois dias seguidos e embora nunca mais o tenha visto, tenho quase todas as cenas do enorme filme gravadas na minha mente.




E como estas coisas vêm sempre aos pares, morreu Joaquim Veríssimo Serrão, historiador português que gostava muito de ler. Tinha a impressão que ele era uma pessoa que sentia a História.




Porque é que não pus uma porta pega-gordo à entrada da cozinha?






... como a dos monges de cister do Mosteiro de Alcobaça? Agora só entrava na cozinha quando coubesse na porta que, se não me engano, não chega a ter 40cm. Just saying...



July 30, 2020

Intermezzo - making memories



Como se faz uma party à cigano? (aka, a durar três dias😀 a começar na casa de um e acabar na de outro passando pela minha? Bem, em primeiro lugar fomos todos fazer o teste do covid!! Ah, pois! Está tudo covid free 😀 Espero que daqui a uns anos se lembrem de como se fazia uma festa à cigano em plena pandemia. Hoje é a minha vez. Como se vê pelo estado da cozinha, já tive dias mais inspirados 😁 mas eu estou muito bem disposta e não quero saber porque daqui até sábado its all party 😁


July 29, 2020

Poesia ao entardecer


O meu olhar é nítido como um girassol.

Tenho o costume de andar pelas estradas

Olhando para a direita e para a esquerda,

E de vez em quando olhando para trás...

E o que vejo a cada momento

É aquilo que nunca antes eu tinha visto,

E eu sei dar por isso muito bem...

Sei ter o pasmo essencial

Que tem uma criança se, ao nascer,

Reparasse que nascera deveras...

Sinto-me nascido a cada momento

Para a eterna novidade do Mundo...

 

Creio no Mundo como num malmequer,

Porque o vejo. Mas não penso nele

Porque pensar é não compreender...

O Mundo não se fez para pensarmos nele

(Pensar é estar doente dos olhos)


(...)


Alberto Caeiro



Rhodochrosite Stalactites 
Andalgalá, Capillitas, Catamarca, Argentina

Estamos oficialmente de férias!




Bielorrúsia - old habits die hard



Não é à toa que traz o nome da Rússia no nome. A Rússia Branca como é chamada. O presidente, um soviético convicto nos modos e propósitos, pela primeira vez em muito tempo (ocupa o cargo há 25 anos) está com medo da oposição e começa a notar-se. E porque é que está com medo da oposição? Porque, pela primeira vez, tem uma oposição que pode fazê-lo cair da cadeira - ver mais abaixo


Belarusian authorities claim Russian mercenaries plotting unrest ahead of elections

President Alexander Lukashenko has dismissed Belarusian opposition as puppets of foreign governments aiming to sow violence



 Svetlana Tikhanovskaya



Un défi féminin enflamme la présidentielle biélorusse

Presa, intimidada e excluída, a oposição bielorrussa foi agora encarnada, para surpresa de todos, numa mãe professora, tornada a maior ameaça à quinta reeleição de Alexander Lukashenko, no poder há 25 anos.

Veronika Tsepkalo (à esq.) e Maria Kolesnikova rodeia Svetlana Tikhanovskaya, candidata atrás da qual a oposição faz barreira contra Alexandre Loukachenko. — © Vasily Fedosenko/Reuters

Uma troika feminina pretende minar a reeleição programada para 9 de Agosto, do presidente da Bielorrússia Alexander Lukashenko, 65 anos, que detém o poder desde 1994. Contra todas as expectativas neste país de nove milhões e meio de habitantes, a oposição reagrupou-se, a 16 de julho, atrás de Svetlana Tikhanovskaïa, 37 anos, uma professora e intérprete, completamente neófita na política. O único candidato independente que o regime concordou em registrar para a eleição presidencial.

A seu lado, numa fotografia histórica, Maria Kolesnikova, líder da campanha do candidato preso, Viktor Babariko (um banqueiro muito popular) e Veronika Tsepkalo, esposa de outro candidato desqualificado, ex-diplomata, Valeri Tsepkalo. O contraste é máximo com o de um presidente com posturas patriarcais na fronteira com o omnipresente. Alexander Lukashenko sugeriu de imediato uma revisão da Constituição, defendendo que o cargo de presidente deve ser reservado para indivíduos que tenham servido sob a bandeira. Em suma: homens.

A necessidade é a mãe de todo o engenho. O surgimento inesperado de Tikhanovskaya é o resultado de uma poda sistemática de qualquer candidatura ameaçadora para Alexander Lukashenko. O marido da candidata, Sergei Tikhanovsky, foi a primeira vítima. Um popular bloguista da oposição no YouTube, foi preso em 29 de Maio, pouco depois de se candidatar à presidência. Saltando imediatamente para o lugar de seu marido, Svetlana Tikhanovskaïa desafiou o poder reunindo mais de 100.000 assinaturas de apoio, uma formalidade obrigatória para qualquer candidato. Longas filas se formaram em todas as cidades do país, o que pela primeira vez consciencializou os bielorrussos da extensão do descontentamento, num contexto de total controle do regime sobre a televisão e da proibição de todas as sondagens políticas.

Enfrentando uma força policial reunida rapidamente para realizar prisões brutais, a troika feminina iniciou uma tourné de reuniões por todo o país. A primeiro foi realizada em Minsk, num domingo, reunindo entre 7.000 e 10.000 pessoas nos arredores da capital, um número descrito como, sem precedentes, pela oposição bielorrussa. A campanha agora é liderada por essa professora com habilidades oratórias limitadas e dirigida, por sua própria admissão, "pelo amor" de seu marido. Objetivo declarado se for eleita: organizar imediatamente novas eleições livres e democráticas. Como resume a jornalista Hanna Lioubakova: "Quem mais, senão Lukashenko?" "Bem, qualquer pessoa!"

Diante de Svetlana Tikhanovskaya, encontramos o aparato estatal da Bielorrússia que garantiu quatro reeleições esmagadoras para Alexander Lukashenko - sob condições descritas, de todas as vezes, pela OSCE como nem democráticas nem livres. O regime é suspeito de ter assassinado três oponentes em 1999. Hoje, três candidatos e sete bloguistas estão presos, várias dezenas de opositores estão sob supervisão judicial. Pelo menos 200 pessoas foram presas (incluindo 40 jornalistas) durante protestos. A perseguição aos dissidentes é realizada por um órgão que ainda é chamado de KGB(!) e tem uma forte capacidade de intimidação. Por isso, Svetlana Tikhanovskaya preferiu passar os seus filhos, às escondidas, para fora do país, depois das autoridades ameaçarem prendê-los se ela não encerrasse a sua campanha. É o que diz Natalia Radina, uma jornalista que afirma ter ajudado a candidata a passar os seus filhos para um "país da União Europeia".

Improvisação e imprevisibilidade definem a atmosfera desta eleição presidencial sem precedentes. “O menos interessante nestas presidenciais da Bielorrússia é a pontuação final: entre 75 e 85% para Lukashenko. Mas, além desse número, ele não pode ter certeza de nada", disse o empresário da Internet Dmitri Navocha. “A saída da sociedade do coma, no início da campanha, foi abrupta e inesperada para todos. É a súbita percepção de que uma clara maioria quer mudar. "Todos os observadores citam dois catalisadores: a deterioração dos padrões de vida e a gestão desastrosa da pandemia por um presidente abertamente corona-cético. A Bielorrússia possui uma das maiores taxas de contaminação per capita da Europa, juntamente com a Suécia e o Luxemburgo.

Apesar da assimetria desproporcional de forças, o momento beneficia a oposição. "A campanha unida realiza um trabalho muito eficaz, apesar da baixa qualificação dos seus líderes e funcionários", observa Maryna Rakhlei, cientista política da Bielorrússia no Fundo Alemão Marshall dos Estados Unidos. Por outro lado, "a perda de sua popularidade e o apoio passivo da população deixam Lukashenko visivelmente nervoso". O presidente agora é apelidado de, "o 3%" em referência à sua suposta popularidade. O esforço para deslegitimar o regime pode dar frutos após o término da campanha? Para o investigador, "a politização e a mobilização atual de camadas muito amplas da sociedade podem realmente levar a uma divisão nas elites, no aparato político, militar e burocrático em torno de Lukashenko".

Emmanuel Grynszpan (traduzido por mim)

[entretanto, hoje mesmo soube-se que o presidente Lukashenko, que aconselhava a beber vodka para evitar o vírus, está infectado com o Covid-19]
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Hoje: This is absolutely nuts. A week and a half before Alexander Lukashenko’s biggest fight in 26 years to stay in power, Belarus accuses Russia of sending Wagner mercenaries to overthrow him! @maxseddon

Notícias da erdogânia



Turkish lawmakers passed legislation that would give the government sweeping new powers to regulate content on social media. It extends control over social media platforms like Facebook, Twitter and YouTube. 

The New York Times

SSDC (same shit different country)



... com a pequena diferença que por cá todos os partidos, uma vez no governo, seguem esta prática.

Os EUA atingem um novo record de crueldade



Recusam-se a libertar os imigrantes ilegais que passaram a fronteira. Há dois anos separaram-nos das crianças que enfiaram em centros de detenção, algumas com 1 ano de idade. Depois reuniram-nas com os pais. Agora querem que os pais escolham entre ficarem com eles naqueles infernos onde estão detidos ou que os entreguem a estranhos para serem educados fora das prisões. Nada muda debaixo do sol como dizia o outro...

'Family Separation 2.0.' Parents in ICE Detention Have To Decide Whether to Keep Their Children or Release Them To Sponsors

As COVID-19 cases continue to increase across the country, court orders from two different lawsuits have created a situation that lawyers and advocates are calling another form of family separation. In the first decision, a federal judge in California required ICE to release the roughly 120 children in U.S. immigration custody by Monday, July 27. In the second, a federal judge in Washington, D.C. decided on Wednesday to deny a motion to release all parents and children together. Now, parents in Immigration and Customs Enforcement(ICE) detention must decide whether or not to keep their children with them in custody, or to release them out to sponsors.

“We’ve been calling this ‘Family Separation 2.0,'” says Bridget Cambria, an immigration lawyer who represents families at the Berks County Residential Center in Pennsylvania, one of the three facilities that detains children. “It’s a Sophie’s Choice, either you stay in a burning building with your child or you give your child away…it’s a false option.”

Acerca das raízes do racismo em Portugal



O documento abaixo, uma mera folha de papel era o quanto bastava para que uma pessoa adquirisse a liberdade. E foi conhecido como Carta de Alforria.
Escrita de próprio punho pelo meu bisavô Guilherme Cândido Pinheiro em 1883.
Por trás desse acto de aparente bondade há interesses bem menos humanitários.
Em Portugal a história da escravidão só começa a ser estudada à sério após o 25 de Abril. Apesar do decreto do Marquês de Pombal de 1761 estabelecer o fim do trabalho escravo em território português somente em 1869 terminaria essa nódoa no passado da humanidade. A última pessoa escravizada em Portugal foi uma mulher centenária, figura muito conhecida aqui em Lisboa onde viveu entre o Poço dos Negros e o Bairro Alto e que faleceu em 1930 e que era vendedora ambulante de amendoim.
Transcrevo o texto que já conheço de cor e passo a citar:

Eu abaixo assinado pela presente declaro que concedo plena liberdade a meu escravo Tibúrcio, africano de 50 anos mais ou menos a fim de que dela goze como se de Ventre Livre nascera. E para constar mandei passar a presente que assino.

Ora bem, o pobre do Tibúrcio foi trazido algures de África e trabalhou uma vida toda sendo considerado propriedade de outrém. Com cerca de 50 anos iria fazer o quê? Quando eram jovens batiam a porta e iam à vida mas por medo e insegurança muitas vezes permaneciam em casa dos antigos senhores em troca de um salário irrisório.
O bisavô Guilherme, como já disse, tinha negócios na terra natal, Melgaço e no Rio de Janeiro.
Não era fazendeiro, tudo girava em torno do comércio e na sua casa brasileira possuía cinco escravos domésticos, cujas respectivas cartas de alforria estão em meu poder. Dois homens maduros, ambos africanos de nascença, o Tibúrcio e o António. E duas mulheres mais novas, ditas crioulas ou ladinas por já terem nascido numa sanzala no Brasil. E finalmente uma jovem, natural da antiga Província do Ceará e que fora comprada no Mercado do Valongo aos 14 anos de idade, descrita de forma brasileira como parda, o que quer dizer que era mestiça.
Primos meus que vieram em Angola contavam que geralmente a cozinha era comandada por homens. No Brasil era o contrário. Certamente o António e o Tibúrcio tinham entre seus ofícios cocheiro, jardineiro, encarregado das obras de manutenção da casa e do cuidado da horta caso houvesse. Se sobrasse tempo livre a legislação permitia que o senhor alugasse seu escravo ao dia para diferentes actividades e esses homens eram chamados de negros de ganho. O dinheiro que recebiam durante a jornada seria entregue ao seu senhor. Às duas mulheres cabia o trabalho interno, a cozinha, a limpeza de dentro, lavar, engomar e brunir a roupa. A rapariga novinha foi baptizada com o curioso nome de Syomara e imagino que a ela foi destinado o serviço menos pesado, servir a mesa, os trabalhos de costura e eventualmente de dama de companhia da bisavó Maricota.
E eis que em 1883 o Guilherme se levanta todo pimpão e bem disposto, roído de remorsos e pleno de graça cristã e decide que aquelas pessoas livres seriam.
Da mesma forma que o Coelhinho da Páscoa e o Pai Natal não existem crises de consciência nem sempre ocorrem de forma gratuita e espontânea.
É preciso rever o contexto histórico. O Segundo Império no Brasil sob a figura soberana de Dom Pedro II vive seus momentos de agonia e o seu fim se anuncia. A República é iminente e os Movimentos Abolicionistas pululam por todo lado. Prevendo o inevitável o Imperador reconhece que é preciso preparar terreno e suavizar o impacto no modelo económico do país na altura da transição.
Assim promove a emancipação da população escravizada em larga escala concedendo aos senhores títulos honoríficos em troca da liberdade de seus servos.
O bisavô Guilherme conquistou fama, dinheiro e poder e para coroar com êxito sua ascensão social só lhe faltava mesmo um título de Barão ou Visconde. E trata de alforriar toda gente e munido de muitos documentos troca imensa correspondência com a Corte onde solicita que o agraciem com um título de nobreza à medida de sua ambição e vaidade?
Mas conseguiria chegar lá?
Depois eu conto...

 

Carlos Pinheiro  
(publicado com autorização do autor)



Um português é um português? Ahah



Fui pago para fazer a canalização e não para mover pedras... kkkk



Regularidade e constância




'questo è un paese per giornalisti-impiegati'


 

Ernesto Mahieux e Libero De Rienzo, “Fortapàsc” (Marco Risi, 2009).

via paoloxl