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November 05, 2026

Quem se lembra que no fim dos anos 70 tínhamos 30% de inflacção?

 

Quem diz que a vida então era fácil só conhece o presente e não sabe nada do passado. Só era fácil para o PCP (e satélites) que era o DDT. 


November 03, 2026

Erro judicial... deixa-me rir



Porque é que nunca ninguém é responsabilizado por estas enormes malfeitorias?


Notícia TVI: seis assaltantes brasileiros ligados ao PCC libertados devido a erro judicial
TVi

Os assaltantes que ameaçaram, agrediram e sequestraram clientes e funcionários de 15 dependências bancárias em Portugal saíram da prisão. Tudo porque o processo, de especial complexidade, é extenso, o que não permitiu ao juiz de instrução que tem em mãos o caso tomar uma decisão a tempo. Os assaltantes, considerados perigosos e organizados, estão agora em liberdade por causa de um erro da justiça.

November 02, 2026

Onde o Estado falhou foi nos serviços públicos

 

Os portugueses, infelizmente, nunca tiveram bons salários. Havia uma classe média a crescer rapidamente nos anos anteriores ao 25 de Abril mas o 25 de Abril retrocedeu essa trajectória. Uma revolução só não atinge os que se fixam no poder imediatamente a seguir. Atinge os outros todos. Não havia dinheiro, o PCP e outros partidos revolucionários rapidamente destruíram a agricultura, a indústria e os serviços. A inflação era brutal. Havia racionamento de comida. 

Como sabemos, em todos os países comunistas com economia revolucionária o povo é deixado na pobreza para não se poder revoltar contra a ditadura que impõem.

Andámos muitos anos, ao contrário do que diz esta geração, com grandes dificuldades em tudo. Tudo funcionava mal ou nem sequer funcionava. Ninguém no Estado aspirava à competência ou à justiça. Aspiravam ao poder total. Porém, como rejeitámos a ditadura dos comunistas e dos revolucionários, aos poucos as coisas foram melhorando e perto do passar do século, tínhamos serviços públicos a funcionar bem e a chegar a toda a gente. 

A importância dos serviços públicos está em que, mesmo que as pessoas não ganhem muito dinheiro de salário, os serviços essenciais não são impeditivos de se ter uma vida. Pode-se ter um filho sem ter que se endividar por um hospital particular para evitar ter o filho na rua e morrer um ou outro; pode pôr-se o filho na escola pública que há lá professores suficientes para as aulas, para apoios, para projectos, para aconselhamento, etc.; pode-se ir para a faculdade porque há bolsas de estudo e o curso não custa dinheiro em propinas; pode-se ficar doente que há hospitais que cuidam de nós quase gratuitamente com médicos suficientes e enfermeiros suficientes; pode-se ir comer fora porque há muita oferta barata, paralela à cara; se se tem um problema com as finanças, há lá funcionários para ajudar. Poupar dinheiro compensa. Os bancos não nos roubam à descarada.

Ou seja, pode-se arriscar alugar ou comprar uma casa com um empréstimo e ter um filho ou dois, porque o resto da vida não é cara, a não ser a quem queria ter luxos. 

Agora, todos os serviços básicos custam como luxos: a escola que já só funciona com explicadores porque não há professores; a saúde que mata porque não há médicos para atenderem, nem medicamentos e tem que ir-se a um hospital particular; não há bolsas de estudo; se se tem um problema com as finanças está-se tramado a não ser que se conheça alguém que conheça alguém ou que tenha dinheiro para um advogado. Etc.

O que sustenta as democracias são as instituições a funcionar segundo a lei e democraticamente e os serviços públicos a apoiarem as populações. Os políticos agindo com um mínimo de honestidade e honra. Nessa situação, ninguém fica à espera que o governo seja um papá que oferece a casa, o carro, etc., porque só não tem acesso aos serviços públicos quem não quer. Todos têm acesso a uma vida digna e quem quer mais que trabalhe para isso.

Foi isso que se destruiu. Primeiro com Sócrates, mas sobretudo nos anos da troika. Despediram-se pessoas e destruíram-se os serviços públicos como se não houvesse amanhã e nunca mais precisássemos deles outra vez. Depois Centeno/Costa aprofundaram a troika e foram além da troika com as cativações. Pararam o investimento. Mataram os serviços públicos. Estava tudo parado e morto. 

Comparo esses anos da troika e de Costacenteno à quimioterapia. A químio, como não distingue as más células das boas, para apanhar as células tumorais e impedir que se multipliquem à maluca, ataca a medula e atinge todas as células. Impede a divisão celular e a replicação do ADN, ou seja, fecha a fábrica das células que é o princípio da vida e atinge os tecidos saudáveis. Aos poucos e poucos o corpo volta a funcionar mas se o tratamento for demasiado agressivo ou agressivo e demasiado prolongado morre-se do tratamento.

Foi isso que fizeram ao país. Para travar a dívida fecharam o país e mataram os serviços públicos essenciais. Para compensar, distribuíram subsídios à vez a certos grupos e tiraram a outros, mas nunca puseram o país a funcionar de novo. Por exemplo, na educação, mandaram passar toda a gente para não terem de reinvestir a construir o que destruíram; na habitação para poderem não construir nenhuma casa, ou quase nenhuma, legislaram que os proprietários é que seriam a segurança social dos inquilinos, na saúde contrataram tarefeiros baratos  e por aí fora.

É preciso mudar a lei do trabalho em algumas situações pois de outro modo ninguém se arrisca a fazer contratos permanentes com os trabalhadores. É preciso voltar a introduzir uma cultura de esforço e de responsabilidade na educação. São precisas muito mais coisas, claro, mas acima de tudo, é preciso restaurar os serviços públicos a um nível de qualidade que dê às pessoas segurança para arriscarem viver, porque nos dias que correm, se investes numa casa já não podes investir num filho. Se investes num filho, não tens dinheiro para a casa. Se investes em ambos não tens dinheiro para a saúde.


October 31, 2026

October 27, 2026

Porque é que as reformas não saem do papel?

 

É assim: fazem-se grupos de trabalho sem os quais nada pode ser efectivado; depois, calculo, não podem nunca encontrar-se dado cada um ter os seus afazeres em agendas muito preenchidas; quando se encontram alguém levanta uma dificuldade qualquer e adia-se a reunião - e volta tudo ao princípio. A isto chama-se, entupir constantemente a vida activa e o empreendorismo com burocracias escusadas. Onde elas são necessárias, como nos concursos públicos de muitos milhões, prescinde-se delas.

October 25, 2026

October 14, 2026

Muito preocupante




A caixa negra dos dados e o silêncio português

Luís Vidigal

Governação eletrónica

No início deste ano, o sítio da Sociedade Civil perguntou se o Estado Português estava a preparar uma "caixa negra" de dados com a Palantir. A pergunta ficou até hoje sem resposta. Procurámos e não encontrámos nenhum contrato público, embora estas compras possam passar por integradores e subcontratados sem que a marca apareça.

O que nos preocupa não é o que já foi comprado. É a falta de regras orientadoras para a aquisição de uma futura plataforma de dados públicos.

Estas plataformas chegam normalmente através de consultoras parceiras. A Igeneris, de Madrid, é parceira oficial da Palantir e abriu um escritório em Lisboa em 2025. É uma atividade legítima e é assim que este mercado funciona.

Entretanto, vários países europeus mudaram de posição. Na Suíça, o Exército recusou a Palantir por receio de que o governo norte-americano pudesse aceder a dados militares sensíveis. Em França, a DGSI, os serviços de informações internos, decidiu substituí-la por uma solução francesa e a Alemanha fez o mesmo. Em Espanha, o Governo orientou as empresas em que o Estado participa a não celebrarem novos contratos com a Palantir.

Há, porém, uma lição comum. Em França a transição só termina em 2028 e em Espanha o contrato com as Forças Armadas manteve-se. Onde a plataforma já está profundamente integrada, sair é lento e muito caro.

O Reino Unido mostra como se entra. A Palantir chegou ao NHS em 2020, em plena pandemia, com um contrato simbólico de uma libra. Hoje gere os dados clínicos do país num contrato de 330 milhões. Primeiro foi a emergência, depois o piloto e depois a infraestrutura.

A questão não é a qualidade técnica da ferramenta. É o lugar que ela ocupa, onde os dados fiscais, de Saúde e de Segurança Social passam a orientar prioridades e decisões. Quem desenha esse lugar influencia a forma como o Estado olha para os cidadãos. E se o fornecedor está sujeito à lei de outro país, a questão passa a ser também de soberania.

Importa, por isso, conhecer as ideias de quem dirige a empresa. Peter Thiel, cofundador e presidente do conselho de administração, não é apenas um investidor com opiniões. É mentor e principal financiador político do vice-presidente norte-americano J.D. Vance e a Palantir nasceu com apoio do braço de capital de risco da CIA. Escreveu que deixou de acreditar que liberdade e democracia são compatíveis e, nas conferências que tem dado em São Francisco, Paris e Roma, apresenta qualquer projeto de governação global, incluindo a regulação da Inteligência Artificial ou o combate às alterações climáticas, como obra do Anticristo.

Alex Karp, o presidente executivo da Palantir, defende que as democracias devem acelerar a tecnologia militar e distingue culturas que produziram maravilhas de outras que considera regressivas. Uma plataforma de dados nunca é neutra, porque traz consigo uma forma de organizar o que conta e o que tem prioridade. Quando uma empresa dirigida por quem vê nas regras democráticas uma ameaça e se propõe organizar os dados de um Estado europeu, a pergunta sobre quem controla essa camada deixa de ser técnica e passa a ser política.

Em Portugal, este debate ainda não começou. Não conhecemos orientações públicas, avaliações do CNCS, pareceres da CNPD ou discussão parlamentar sobre o tema.

É natural que os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde e a eSPap sejam contactados por fornecedores de plataformas de dados. Seria útil saber se houve já demonstrações ou propostas e com que critérios serão avaliadas.

O momento torna esta transparência mais importante. A SPMS vai concentrar-se na área digital e o país está a construir a infraestrutura europeia de dados de saúde. O número único de utente, que permite cruzar a informação de cada cidadão, é um ativo valioso que merece proteção.

Há também uma necessidade real. O Governo estima que cerca de 800 milhões de euros por ano se perdem em fraudes no SNS e a deteção de fraude é precisamente uma das utilizações mais comuns destas plataformas. É um objetivo legítimo e, por isso mesmo, convém definir as regras antes que a urgência as defina por nós.

Essa prudência ganha peso quando o Governo propõe que o Tribunal de Contas deixe de fiscalizar previamente mais de 90% dos contratos públicos. Por isso, menos controlo prévio exige regras mais claras.

Propomos quatro medidas simples. Transparência sobre os contactos da SPMS e da eSPap com fornecedores destas plataformas; parecer prévio do CNCS e da CNPD sempre que se cruzem bases de dados de vários organismos; cláusulas de saída definidas antes de assinar; e uma orientação clara que valorize soluções europeias e competências internas nas funções de soberania.

A boa burocracia protege direitos antes de os reparar e este é um desses momentos. Tanto quanto sabemos, ainda não há caixa negra da Palantir no Estado português, por isso propomos apenas que as regras sejam decididas agora, enquanto é fácil, porque a eficiência e a soberania dos dados não se podem comprar a qualquer preço.

DN

October 11, 2026

Os deputados legislam para as pessoas das cidades

 

E os governos estão desligados do povo que anda nos campos a trabalhar. O campo é só para irem de férias.

September 24, 2026

Mariana Pinheiro e Jorge Silva, campeões do mundo

 

Mariana Pinheiro e Jorge Silva, do Acro Clube da Maia, sagraram-se Campeões do Mundo de ginástica acrobática de juniores, depois de terem terminado a fase de qualificação na primeira posição da classificação all-around. Na final, a dupla confirmou o resultado e conquistou o título mundial, em Pesaro, Itália com uma rotina ao som de James Bond.


September 22, 2026

Acho que não sou só eu que penso isto

 

Se tivessem chamado o general Gouveia e Melo para liderar o processo de digitalização das provas dos exames tudo tinha corrido num brinquinho: nem falta de folhas, nem pautas sem notas, nem notas lançadas às dez da noite de sábado, nem testes desaparecidos, nem falta de respostas. 

Tenho muita pena que ele se tenha candidatado a Presidente porque há muitas áreas em que o seu nível de competência caía que nem ginjas. Na Administração Interna, por exemplo. Na extinção de organismos do ME sem pôr em causa os serviços que faziam, por exemplo. Em geral, tudo o que tem que ver com estratégias de organização, reordenação, planeamento e capacidade de mobilizar com eficiência o trabalho das pessoas.

Parece-me que ele é uma pessoa que tem muito para dar e, dado termos poucos governantes, assessores, SE e outras lideranças competentes, tê-lo numa prateleira é um grande desperdício.


September 20, 2026

September 03, 2026

Dantes a centralização dos serviços de educação era muito má


E este governo disse dela cobras e lagartos e era peremptoriamente contra tal erro, mas agora também centralizou, só que a nova centralização deste governo é descentralizada - ou será uma descentralização centralizada? Enfim, é novinha em folha e é boa. Hã...? 


A boa centralização

Paulo Guinote


August 22, 2026

Tudo neste país é deixado ao abandono

 

Como deixam o palácio Burney cair de podre? Um edifício lindo com jardins enormes. No vídeo diz-se que pertence à Universidade Técnica de Lisboa.  Costa disse em 2024 que o ia recuperar, mas é claro que, ao seu estilo, prometia mundos e fundos mas só para os votos. Se a Universidade não o reabilita, venda-o antes que seja só pedras ruídas e restos de arte roubada.


August 06, 2026

É difícil confiar nas instituições? Sim

 

"Efetivamente, o infeliz desfecho poderá enquadrar-se na noção de acidente obstétrico súbito e imprevisível", lê-se no relatório, que se apoia nas conclusões do Hospital de Santa Maria sobre o episódio.

A Inspeção-Geral de Atividades em Saúde (IGAS) (...) arquivou o processo de esclarecimento aberto ao caso da grávida que em 2025 perdeu o bebé após o parto, depois de assistida em cinco hospitais.

Com base nas conclusões de inquéritos internos dos cinco hospitais, abertos para averiguar a assistência prestada à grávida desde que primeiro recorreu às urgências do Hospital de Setúbal até ao dia do parto induzido, no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, que não concluíram por qualquer falha na assistência prestado, a IGAS decidiu arquivar o processo de esclarecimento aberto.

Entre este período, a grávida recorreu ainda ao Hospital do Barreiro, ao Hospital Garcia de Orta, em Almada, e ao Hospital de Cascais, onde foi tomada a decisão de a transferir para o Hospital de Santa Maria para internamento e indução do parto. 
https://expresso.pt/

Erro 404, decência básica não encontrada. 
Uma grávida vai à urgência de Setúbal e depois de ser recusada em 5 hospitais e ser transportada de ambulância centenas de quilómetros perdeu o bebé por acidente obstétrico súbito e imprevisível. 

August 04, 2026

Ainda hoje os espanhóis falam de Portugal como a Rússia fala da Ucrânia


Portugal é um país que existe como tal e mais ou menos com as mesmas fronteiras com Espanha desde 1143, com um intervalo de 60 anos, entre 1580 e 1640 em que a Espanha ocupou Portugal. Ocupou e roubou tudo o que pode. E o resto vendeu e perdeu ao desbarato. 

Pois este espanhol aqui do vídeo, para explicar que Ceuta nunca foi marroquina diz que Portugal conquistou Ceuta e que depois, "quando Portugal e Espanha estiveram unidos, no que se chama a União Ibérica e que, quando Portugal se separou da Espanha..." - como se tivesse tudo sido um processo voluntário e pacífico. 

Portugal não esteve unido a Espanha, esteve ocupado pela Espanha, um país que desde o século XII nos tenta invadir e subjugar como a Rússia fez aos bálticos; não houve União Ibérica, o que houve foi subjugação e Portugal não se separou da Espanha, expulsou daqui os espanhóis à força.

Já lá vão quase 400 anos e ainda não conseguem falar a verdade. É por isto que temos de desconfiar dos espanhóis, por muito amigos que agora possamos ser na UE. Não somos irmãos. Bem se diz que de Espanha, nem bom vento nem bom casamento.


July 23, 2026

Uma volta pelo passado

 

O Portão do Gradil


Há um muro em Mafra com 21 quilómetros de extensão e seis portões: Mafra, Paz, Murgeira, Codeçal, Gradil, Vermelha. No Gradil, hoje, quase ninguém repara: é só mais um nome numa parede antiga.
Foi erguido para fechar animais selvagens lá dentro, para que os reis tivessem sempre caça à mão, sem terem de a procurar léguas a fio. Nada nesta pedra deixava adivinhar o que, séculos depois, aconteceria a poucos metros desse mesmo portão.


A muralha nasceu de uma vontade só. A 18 de julho de 1744, D. João V, a tratar em Caldas da Rainha da paralisia que o afligia desde 1742, mandou demarcar essas terras para seu real serviço, para lenha que aquecesse o palácio, e para criar fauna destinada aos «reais prazeres venatórios». Três semanas depois, a 7 de agosto, Gregório Coelho e Felício Nunes foram contratados para a obra: um muro de pedra e cal a fechar, ao longo dos 21 quilómetros, mais de 800 hectares de mato e monte. O sítio oficial da Tapada diz que foi «criada em 1747»; o decreto e o contrato da muralha são de três anos antes.


A primeira caçada real de que há memória teve lugar a 5 e 6 de outubro de 1750: D. José I e a corte perseguiram, dentro dos seis portões, uma caça que já não tinha por onde fugir. Ao longo de um século e meio, quase todos os monarcas de Bragança lá caçaram, de D. Maria I a D. Fernando II, mas foi com D. Luís I e o filho, D. Carlos, entusiasta caçador que ali ia com a rainha D. Amélia, que a Tapada viveu o período dourado, já perto do fim da monarquia.
 

Por volta de 1890, D. Carlos mandou construir um pavilhão no Celebredo, erguido sobre um palacete anterior atribuído a D. Maria I. O edifício sobreviveria à coroa que o mandara erguer: desde 1910, ano em que a monarquia caiu, o pavilhão nunca mais recebeu uma caçada real, servindo desde então apenas para eventos protocolares.

Com a República, a terra mudou de nome, passando a chamar-se Tapada Nacional de Mafra. A parte agrícola já estava, desde 1828, sob administração militar, e só nos anos 70 do século passado a floresta e o antigo terreno de caça se abriram ao público. Nos seus limites erguem-se ainda fortes da segunda linha das Linhas de Torres Vedras, de 1810: a mesma terra que fechava caça guardou, um dia, um exército invasor lá fora. Em 2019, o conjunto do Real Edifício de Mafra, tapada incluída, entrou para o Património Mundial da UNESCO.


Para lá do portão do Gradil, a poucos metros do muro, numa propriedade à parte com vedação própria, o Grupo Lobo, associação portuguesa sem fins lucrativos fundada em 1985, criou em 1987 o Centro de Recuperação do Lobo Ibérico. Ali vivem, em cativeiro, lobos que já não podem viver em liberdade: vítimas de armadilhas, de cativeiro ilegal, ou vindos de outros parques zoológicos. Um ano depois de o centro abrir portas, Portugal protegeu por lei o lobo ibérico, proibindo abatê-lo, capturá-lo ou destruir-lhe o habitat. Foi em 1988, seis anos antes de a legislação europeia o exigir.

A urgência não era retórica. No início do século XX, o lobo distribuía-se por quase todo o território continental; hoje ocupa cerca de 20% dessa área, com uma população nacional de cerca de 300 exemplares, concentrados sobretudo a norte do Douro. O Livro Vermelho dos Mamíferos de Portugal, de 2023, classifica-o, a nível nacional, como «Em Perigo». Os lobos do Gradil não são uma alcateia solta na Tapada: são os que o país decidiu, por lei, que valia a pena manter vivos.


O portão do Gradil já não fecha nada. De um lado, uma muralha que um rei mandou erguer para nunca faltar um tiro. Do outro, uma cerca que um país escreveu numa lei para que a espécie não desaparecesse de todo. A pedra não mudou de ideias. Quem mudou foi o país que a construiu.

Portugal Esquecido · O que Portugal esqueceu


July 19, 2026

Os governos sucessivos têm sido uma sequência de Medeiros uns atrás dos outros




Investimento público em queda livre, degradação das infra-estruturas e serviços públicos, descuido com os dinheiro do PRR - que estão em fim de vida. 

Portugal terá de substituir PRR para travar efeitos negativos nos serviços públicos e produtividade


Mesmo para apenas estabilizar o stock de capital público, Portugal terá de manter depois do PRR um investimento equivalente ao que hoje realiza com fundos europeus.

Sérgio Anibal

Apenas substituindo nos próximos anos o investimento que agora está a ser feito com recurso ao Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) por investimentofinanciado pelo Orçamento do Estado é que Portugal poderá evitar um prolongamento da tendência de redução do stock de capital público que já dura há década e meia, com consequências negativas para a qualidade dos serviços públicos e a produtividade da economia.

O alerta tem vindo a ser repetido por economistas e entidades como o Fundo Monetário Internacional (FMI) ou o Banco de Portugal e ganha agora especial relevância numa altura em que se aproxima o fim do prazo para a execução das verbas do PRR.

O que está em causa na redução do stock de capital público é o risco de, por via por exemplo da degradação das infra-estruturas do Estado, se assistir, não só a uma contínua deterioração dos serviços públicos, como também a uma menor produtividade na economia.

Foi a partir de início da década anterior, quando o país começou a aplicar o programa de ajustamento da troika e as preocupações de equilíbrio orçamental passaram a ser centrais na definição da política económica, que o nível de investimento público anual caiu, passando de uma média entre 2000 e 2010 situada em 4,3% do PIB para apenas 2,3% entre 2011 e 2025.

A consequência foi uma diminuição progressiva do stock de capital público - que nas décadas anteriores tinha subido por via, principalmente, do investimento em infra-estruturas de transporte rodoviário - e que, de acordo com os cálculos do Banco de Portugal, passou de 60,6% do PIB nominal em 2010 para 41,5% do PIB em 2024. 





Na prática, o que aconteceu durante todo este período - com uma pequena interrupção durante a pandemia - foi que o investimento público realizado passou a não ser suficiente para compensar a depreciação do capital público já existente. As infra-estruturas, como estradas, hospitais ou escolas gastam-se com o tempo e isso é contabilizado no stock de capital público. Se o novo investimento realizado não chega para compensar essa depreciação, o stock vai diminuindo, isto é, a qualidade das infra-estruturas públicas existentes, vai diminuindo, com implicações negativas de diversas natureza.

Como afirma o Banco de Portugal na sua mais recente análise à economia portuguesa, “a persistência de níveis reduzidos de investimento público tem-se traduzido numa deterioração do stock de capital público, com implicações para a capacidade produtiva da economia no médio e longo prazo”.

Nos anos mais recentes, a execução do Plano de Recuperação e Resiliência contribuiu para que o nível de investimento recuperasse. De 2,4% do PIB em 2022 passou para 3% em 2025 e poderá vir a atingir os 3,6% este ano, o último de execução do PRR. São valores que ainda ficam abaixo da média da zona euro, mas que, em princípio, deverão permitir interromper, nem que seja momentaneamente, a trajectória descendente do stock de capital público em Portugal.

O problema é que os fundos do PRR deixam de poder ser executados já no final do próximo mês de Agosto e, como alerta o Banco de Portugal, “a inversão da tendência descendente do stock de capital público em percentagem do PIB exige um aumento pronunciado do investimento público”.
Esforço orçamental elevado

A entidade liderada por Álvaro Santos Pereira fez cálculos sobre o que é preciso o país fazer para começar a recuperar o stock de capital público ou pelo menos estabilizar este indicador.

Num primeiro cenário, em que o stock de capital público estabilizaria em torno de 42% do PIB, o investimento público teria de se situar, no período entre 2029 e 2035, em 3% do PIB, um valor semelhante ao que se regista actualmente com a utilização do PRR e que está acima do que se vinha registando no país antes do PRR.

Isto é, Portugal teria, apenas para travar a queda do stock de capital público, de ser capaz de substituir o investimento que agora está a fazer com recurso às subvenções e os empréstimos do PRR por investimento financiado por outras fontes, seja de fundos europeus, seja do Orçamento do Estado, com a respectiva consequência no saldo orçamental.

Noutro cenário, em que a ambição fosse fazer subir o nível do stock de capital (para um valor ainda assim abaixo de 50% do PIB), já seria necessário aumentar o investimento público para um valor próximo de 4% do PIB no período entre 2029 e 2035.

O esforço orçamental necessário seria significativo neste cenário: "um crescimento médio do investimento público nominal de 6,6% ao ano, ao longo dos dez anos, o que compara com uma taxa de variação média em torno de 3% entre 1995 e 2025, e uma variação nula (-0,2%) entre 2010 e 2025", calcula o Banco de Portugal.

Estes números revelam a dimensão do desafio que Portugal enfrenta se quiser deixar de assistir a uma degradação progressiva do seu capital público, principalmente se se tiver em conta que há diversas outras fontes de pressão sobre as finanças públicas no horizonte. O envelhecimento da população, as alterações climáticas e a pressão para que os países europeus reforcem as suas capacidades de defesa são alguns dos factores que podem tornar o espaço de manobra orçamental de Portugal mais reduzido.


July 12, 2026

O que está a UE a fazer para combater a estratégia da IM?



Foreign Policy Research Institute
https://www.fpri.org › 2017/09


Um relatório histórico do Governo austríaco alerta para o activismo da Irmandade Muçulmana no país.
 
Para quem quiser ler o relatório que traça a história e a estratégia da irmandade Muçulmana na Europa e enuncia os perigos desta organização hostil às democracias ocidentais: https://ecrgroup.eu/files/Unmasking_the_Muslim_Brotherhood_%282%29.pdf

O documento é muito preciso quanto ao método da IM:

«Islamização a partir da base.» Formar ideologicamente os indivíduos. Inseri-los na vida cívica, nos serviços públicos. Deixá-los abrir caminho até às instituições que moldam a forma como uma sociedade pensa e se governa. O relatório descreve como a Irmandade Muçulmana cria organizações da sociedade civil e instituições de caridade aparentemente moderadas para se infiltrar nas sociedades europeias, actuando em rede como uma «face oculta» no seio das instituições democráticas. 

Este relatório dos serviços secretos austríacos é de 2019. Esteve escondido na gaveta até agora. O parlamento austríaco apresentou perguntou formalmente aos chefes dos serviços secretos se receberam ordens dos ministros de então para ocultar os resultados de vigilância sobre o islamismo político no país.

Porém, apesar de não ter sido divulgado, as autoridades austríacas e os serviços secretos não estiveram inactivos: 
- Em novembro de 2020, as autoridades lançaram a «Operação Luxor», realizando mais de 60 rusgas contra indivíduos e grupos suspeitos de terem ligações à Irmandade Muçulmana ou de a financiarem. 
- Em 2021, o Parlamento austríaco alargou a sua Lei dos Símbolos Extremistas para incluir oficialmente a Irmandade Muçulmana, tornando a exibição dos seus símbolos um crime. 
- Fiscalização contínua: embora o governo trate a Irmandade como uma grave ameaça à segurança nacional, alguns casos de grande visibilidade relacionados com terrorismo e financiamento do terrorismo, decorrentes das rusgas de 2020, enfrentaram contratempos jurídicos devido à enorme complexidade das provas documentais.

De qualquer modo a Áustria está mais avançada do que qualquer outro país europeu nesta matéria. Proibiu os símbolos da Irmandade, encerrou mesquitas radicais, expulsou imãs extremistas e publicou agora uma estratégia de combate abrangente que identifica alvos institucionais específicos.

E a UE, o que está a fazer para combater a estratégia destruidora da IM? Nada... está a tentar criminalizar os que criticam esta estratégia de assimilação reversa. E a escrever papéis contra os judeus.
 
Em Portugal sabemos que a esquerda se aliou a esta estratégia (ou talvez sejam só idiotas úteis) e exige que os muçulmanos entrem nos serviços públicos, que os senhorios e empregadores sejam criminalizados se não aceitarem estas pessoas que foram chamadas às centenas de milhar sem nenhum escrutínio e ainda exigem plataformas onde possam chamar islamofobas às pessoas que os criticam e enviá-las para a cadeia, como fazem na Inglaterra e na França. 

Enquanto a esquerda não fizer uma desintoxicação mental do vício de ideologias totalitárias destruidoras não se pode votar neles. 

Há pouco tempo li isto (já não sei onde) relativamente aos canadianos:
Quando confrontado com algo desconfortável, o primeiro instinto do cidadão canadiano comum já não é: ¿Será que isto é verdade, mas algo do género: Será aceitável dizer isto? Vou parecer ofensivo? As pessoas vão pensar que sou racista? Será que alguém importante ou popular já disse isto?
Aqui no país estamos tramados: à direita a adoração à ilusão de uma ordem cristã (e à ética dos evangélicos) e a um passado de submissão e opressão, à esquerda a adoração à ilusão de uma ordem anti-liberdade e anti-capitalista, a adoração aos islamitas e a um futuro de submissão e opressão. 

A única fuga a esta situação, não-não, é este governo de Montenegro melhorar a vida dos portugueses e fazê-lo com honestidade e transparência de maneira a evitar estes populistas da extrema-direita e da extrema-esquerda que estão aliados e submissos a poderosos grupos internacionais muito difíceis de combater, uma vez instalados. Aumentar a coluna do centro.

Porque é que movimentos como o comunismo, o islamismo e o nazismo são tão parecidos? As mesmas reivindicações de apagamento da individualidade, do pensamento crítico, do direito à livre expressão crítica, a mesma exigência de obediência e conformidade sociais. A mesma exigência de abdicarmos do nosso juízo moral individual com palavras-guilhotina, em forma de acusação: islamofobia, transfobia, ódio à religião, ódio à Pátria, ódio à Nação, ódio à família, etc. 

Enfim, neste vídeo, Maral Salmassi oferece uma explicação:

As someone who fled the Islamic Republic as a child, I hope you'll watch this until the end. Iran's story is not just history. It's a warning.

July 08, 2026

Penso que não devemos arranjar subterfúgios para proibir burkas, niqabs e mesmo hijabs

 

Sim, é uma questão de segurança, mas é mais do que isso. São modos de desumanizar as mulheres, calá-las, objectificá-las e persegui-las. Não tem nada que ver com tolerância de religião ou de costumes. Não é um costume, uma preferência de moda. É um cartaz e todos percebemos, quando vemos uma mulher com esses instrumentos de subjugação, que aquela mulher é uma pessoa com dono. É como permitir que se use uma coleira de escravo ao pescoço ou proibi-la por pôr em risco a saúde da pessoa, como medo de dizer o óbvio: não toleramos a escravidão nem os seus símbolos. Temos de assumir os nossos valores com clareza e assertividade e repudiar aqueles que são, não uma opção diferente mas a sua negação. Quem não gosta que as mulheres tenham direitos iguais, não venha para cá, escolha um país com essa cultura-ideologia-etno-religiosa de opressão e misoginia.