July 25, 2020

Um filme sobre... luz



The Sunlit Nigh
Uma pintora no início de carreira, filha de pais artistas, desassossegada e à procura de inspiração que lhe abra um caminho, a viver em NY num espaço exíguo (um apartamento Mondrian, como ela diz) no meio de uma família agitada, vai para o Norte da Noruega, para uma ilha, trabalhar como assistente de um artista que tem uma obra para acabar - um celeiro que quer pintar todo em tons de amarelo, por dentro e por fora.
A rapariga traduz tudo o que vê em paletas de cor, figuras e texturas de pinturas conhecidas. É assim que vê uma mulher que trabalha no supermercado lá do sítio e se sente inspirada para pintá-la - lembra-lhe os anjos renascentistas. 
O cenário do filme são aquelas paisagens enormes, cheias de força e, ao mesmo tempo, silêncio, dos sítios muito a Norte, onde não mora quase ninguém. Uma simplicidade e um despojamento inspiradores, contrastante com as emoções humanas. 
Tem cenas belíssimas. Quando a rapariga do supermercado entra dentro da caravana onde ela dorme e pinta nas horas vagas e se despe. O corpo dela extravasa aquele espaço exíguo e um bocado caótico, é radiante e real e parece, só por si mesmo, uma pintura. Há uma frase no filme em que ela diz que quando olhamos para a natureza percebemos que não lhe acrescentamos nada. Só temos que estar aí. Outra cena belíssima é quando o celeiro fica acabado e tiram os plásticos e ela está dentro do celeiro e parece estar-se num dia de sol quente e radioso no sul da Europa e não naquela paisagem sempre parda, por causa da reflexão da luz que entra pelos interstícios da madeira e se projecta nos tons amarelos.
Um filme sobre encontrar sentido, encontrar um olhar próprio, ver as pessoas na sua naturalidade, ultrapassar o desassossego da dispersão, da confusão, sobre encontrar paz. Um filme sobre a luz que irradia das coisas e das pessoas.
Um daqueles filmes que, tal como uma pintura ou uma poesia, pode ver-se muitas vezes sem nos cansarmos.

(o trailer não mostra nada do filme)

25 de Julho - dia do aniversário de Dom Afonso Henriques, dia da batalha de Ourique e dia de São Tiago 'matamouros'



Uma data que liga intimamente três acontecimentos de maior importância para Portugal: o dia da festa litúrgica de de Santiago Matamouros*, o dia do nascimento do fundador do Reino de Portugal, essa figura mítica de Dom Afonso Henriques agigantado em lendas; e o dia da batalha de Ourique onde Dom Afonso Henriques, com um contigente menor derrotou os exércitos mouros, comandados por Ali Ibn Yusuf (1084-1143) e marcou o início da independência do Reino de Portugal.


Segundo a tradição, São Tiago veio evangelizar a Península Ibérica. Tendo fracassado, voltou a Jerusalém, onde foi martirizado. Diz a tradição que foi por isso que os seus restos mortais foram transportados para a Galiza e sepultados em Compostela, onde permanecem na Catedral de Santiago de Compostela, atraindo peregrinos de todo o mundo para fazer o famoso Caminho de São Tiago. Segundo um relato da ordem do mito, também, São Tiago teve uma intervenção fundamental na Reconquista da Península Ibérica, tendo sido declarado protector dos seus reinos: é a história de Santiago Matamoros.


Um dos episódios da mitologia de Santiago Matamoros ocorreu em 1139 na batalha de Ourique, que até aos dias de hoje ninguém sabe ao certo onde foi: Vila de Ourique no Baixo Alentejo? Campo de Ourique em Campolide, Lisboa? Vila Chã de Ourique, no Cartaxo? Chão de Ourique, em Penela, Coimbra? Campo de Ourique, no concelho de Leiria? Enfim, nessa data em que Dom Afonso Henriques derrotou os exércitos mouros, em muito maior núermo, comandados por Ali Ibn Yusuf, diz a tradição que a vitória terá tido a intervenção divina de Cristo que apareceu ao futuro rei, justamente no dia da festa litúrgica de Santiago Matamouros.


*O calendário litúrgico da Igreja Católica no dia 25 de julho celebra a festa São Tiago Maior, o apóstolo, filho de Zebedeu e irmão de São João, o evangelista. Foi um dos discípulos mais próximos de Jesus Cristo É o único apóstolo cujo martírio foi relatado na Bíblia, na qual é narrado que o rei Herodes Agripa I (10 AEC - 44 DEC) “mandou matar à espada Tiago, irmão de João”. 
A devoção a Santiago entende-se no contexto da invasão muçulmana da Península - "Na batalha de Clavijo, em 834, o rei Ramiro I, de Aragão, no momento mais difícil do combate, viu-se ajudado por um desconhecido ginete montado num cavalo branco que dava espadagadas na mourama. Sentiu que tinha a seu lado o Apóstolo, desde então transformado em Santiago Matamouros, aparição fundamental na vitória contra o emir Abderraban II."
A devoção a Santiago Matamouros pode ler-se aqui, muito bem contada e ilustrada. 
-------------
O acontecimento foi cantado por Luís de Camões nos Lusíadas (1572):

Mas já o Príncipe Afonso aparelhava
O Lusitano exército ditoso,
Contra o Mouro que as terras habitava
D’além do claro Tejo deleitoso;
Já no campo de Ourique se assentava
O arraial soberbo e belicoso,
Defronte do inimigo Sarraceno,
Posto que em força e gente tão pequeno.

"Em nenhuma outra cousa confiado,
Senão no sumo Deus, que o Céu regia,
Que tão pouco era o povo batizado,
Que para um só cem Mouros haveria.

(...)

"Cinco Reis Mouros são os inimigos,
Dos quais o principal Ismar se chama;
Todos exprimentados nos perigos
Da guerra, onde se alcança a ilustre fama.

(...)

"A matutina luz serena e fria,
As estrelas do Pólo já apartava,
Quando na Cruz o Filho de Maria,
Amostrando-se a Afonso, o animava.
Ele, adorando quem lhe aparecia,
Na Fé todo inflamado assim gritava:
— "Aos infiéis, Senhor, aos infiéis,
E não a mim, que creio o que podeis!"

"Com tal milagre os ânimos da gente
Portuguesa inflamados, levantavam
Por seu Rei natural este excelente
Príncipe, que do peito tanto amavam;
E diante do exército potente
Dos imigos, gritando o céu tocavam,
Dizendo em alta voz: — "Real, real,
Por Afonso alto Rei de Portugal."


A batalha de Ourique está representada nos azulejos, Dom Afonso Henriques na Batalha de Ourique (1933) de Jorge Colaço.



Melhor que ser político só mesmo ser amigalhaço de político



Costa Silva não tem dúvidas, no entanto, de que um dos problemas de Portugal é ter “muitos eus” e “poucos nós” e que isso é uma dificuldade na altura de fazer reformas.

Isto, dito por uma pessoa que não tem problemas em assumir sozinho substituir-se a 10 milhões de cidadãos com um governo gigantesco eleito, com uma administração pública cheia de especialistas e por aí fora... eu, eu, eu...


Esta entrevista é um desfiar de slogans e conversa de café, mais frases repetidas milhares de vezes pelos políticos, como num exercício de retórica eleitoralista, mas má:
 
Precisamos de uma visão estratégica, senão estamos sempre a reagir e é muito fácil sermos dirigidos pelos acontecimentos em vez de os dirigirmos. Há sempre aquele pensamento do filósofo Séneca: quando o navio não sabe o seu destino, todos os ventos podem ser favoráveis ou desfavoráveis.

Mas esse é um dos grandes problemas das nossas democracias, que não estão preparadas para desenvolver projetos a longo prazo: são baseadas nos ciclos eleitorais, têm de responder aos eleitorados, têm de se confrontar com os problemas quotidianos, têm a pressão imensa da galáxia dos meios de comunicação social, que faz bem o escrutínio. Temo que haja sempre uma reatividade ao presente e nunca um olhar para o futuro.
 Na opinião deste sujeito, um dos problemas da democracia é terem de prestar contas e resolver os problemas das pessoas. Isso para mim são virtudes da democracia, não problemas.
 
Proponho que, quando há vários organismos envolvidos, haja um interlocutor único do Estado com as empresas. Uma espécie de loja do cidadão para as empresas. Se vamos ter os fundos e vamos manter este registo, uma administração pública que não responde na hora e está viciada em dar pareceres muito reativos e defensivos... É preciso mudar o paradigma em que nos movemos. Isso é decisivo para aplicar pelo menos alguns passos do plano.
Pois, venha daí um super-ministro com controlo total para as decisões não serem partilhadas e ser tudo, eu, eu, eu e como a administração pública não responde na hora, tira-se-lhe o tapete. Se calhar não responde na hora porque os gabinetes estão cheios de filhos do pai e da mãe mais pagamentos de votos em forma humana a substituir os funcionários de carreira que lá estavam.



Trabalhei muito de perto com o ministro do Ambiente, Matos Fernandes, e não há dúvida que tem uma visão importante para o futuro. Há muitos outros que podia citar, mas numa equipa é sempre como numa equipa de futebol: há os que defendem, os que atacam, os que visualizam o jogo, os que marcam golos... 

Mais conversa de café com bola à mistura. 

A única coisa que digo é que estou genuinamente preocupado. Olho para a economia portuguesa e é uma devastação impressionante, mas também uma grande capacidade de resposta
Mais conversa de café...

Não sou favorável a despejar dinheiro em cima dos problemas, mas temos certas empresas que são absolutamente estratégicas para o futuro, como a Efacec.
De repente a Efacec é o alfa e o omega do país... 

Sim, é importante termos uma empresa como a TAP. Mas o paradigma vai ter de mudar muito. 
Uma das coisas que me preocupa é que a UE prepara-se para proibir voos até 600 quilómetros e já se discute até 1000 quilómetros. Por isso defendo a alta velocidade entre Lisboa e Porto.
Mais conversa de café, aqui para defender o TGV.

Sim. O país pertence a todos, o PSD é um grande partido da democracia portuguesa... Todos têm de se envolver no projeto, discutir, pôr as suas ideias... Não me compete, mas acho que estes planos só funcionam se houver uma grande convergência nacional. O papel dos partidos é absolutamente indispensável. Amanhã os ciclos políticos alteram-se e uma das coisas muito graves é que de cada vez que há uma alteração do ciclo político recomeça-se quase do zero.

Deixa-me rir... isto dito por um fulano que se gaba de sozinho ter feiro 'o' plano estratégico do país e depois de feito é que foi ter umas conversas com uns ministros para não parecer mal.
 
Com questões como os incentivos às empresas, há margem para os partidos à esquerda também entrarem nessa convergência?
Isso é sempre a dificuldade da política... O que me foi pedido foi o que vamos fazer no day after, não como o vamos fazer. Essa parte compete ao Governo e aos partidos.

Portanto ele tem um plano desligado da realidade do país, nem quer saber disso para nada... meu deus...

Se daqui a dez anos pudermos dizer que construímos a rede ferroviária, ligá-la a Espanha e à Europa, apostámos nos nossos portos e digitalizámo-los, apostámos na requalificação das pessoas, fizemos a transição digital pelo menos na administração pública, continuámos a investir na ciência e tecnologia e ainda fizemos a reconversão industrial, penso que aí poderemos dizer que fizemos alguma coisa. Se daqui a dez anos continuarmos a discutir para onde vai o país, aí a nossa história é trágica e irresolúvel.
Repete os lugares comuns que outros já repetiram um milhão de vezes... Pergunta: este sujeito recebeu dinheiro por fazer este 'plano'? Se sim, quanto? Gostava de saber.

Chegou a reunir com Mário Centeno?

Estava previsto, mas infelizmente saiu do Governo. Mas tive já muitas interações com o novo ministro das Finanças.

Já teve interacções como o novo ministro? Interacções? Que quer isto dizer? Foram jogar ténis?  

Guardo conversas extraordinárias, umas muito boas, outras menos boas. O que vos posso dizer é que vivemos num país que é pequeno mas muito complicado. Somos um país de muitos eus e pouco nós. E temos eus muito insuflados, sabe? Se as pessoas fossem mais modestas, humildes e colaborativas, podíamos mudar completamente a nossa história. Somos excecionais na anormalidade e medíocres na normalidade. Quando a crise passar, cada um vai ficar nas suas torres de marfim e vai-se dialogar pouco. Assim não vamos a lado nenhum.

Este excerto até assusta. Um sujeito, porque fez dinheiro a gerir empresa de petróleo, acha que está, sozinho, capacitado para resolver os problemas do país, mas diz que os outros é que são pouco humildes e insuflados e não colaboram...? Isto é uma conversa da treta com frases sem significado nenhum como dizer que Somos excecionais na anormalidade e medíocres na normalidade. Que parvoíce de frase inconsequente...

Há dois tipos de pessoas no nosso país: as que estão apaixonadas pelo nosso país, que não desistem, e depois as que estão extremamente amargas.
Mais conversa de treta... se calhar as amargas são o povo todo que come com as vossas políticas financeiras e económicas desastrosas, cujos lucros encaixam e os custos endossam ao povo.

Onde fica o PM nessa escala?
... é o nosso referencial.
'O nosso...?' Ainda agora começou a falar publicamente e já fala por todos nós? 

Acredita que é possível sair desta fase sem austeridade?
A palavra austeridade está um bocado inquinada no debate político em Portugal. Se for no sentido de termos contas públicas absolutamente controladas, eficiência nos gastos, redução de gorduras e más aplicações de dinheiros públicos, sermos absolutamente inflexíveis no seu controlo... se isso é austeridade, é necessária austeridade.
Mais conversa de café, para não dizer que é uma conversa podre e que cheira mal, já defendida pelo Pedro Passos Coelho, pelo Vitor Gaspar e pelo Costascenteno. O grande plano dele, no fim, vai dar ao esmo que os outros: austeridade para o povo.


"Já teremos percebido realmente que o que nos salvou no turismo não foi o preço nem os aeroportos, mas um território ainda minimamente preservado?"



Plano Costa + Silva e milhões europeus: para que país?
Daniel Deusdado


... quando aterramos no Plano de António Costa e Silva, apresentado esta semana, percebe-se como este futuro não assenta numa base mais realista do Portugal que permanece desconhecido, pouco formado e sem ferramentas básicas para ir mais longe.

Um pequeno exemplo do Plano Costa e Silva: vamos finalmente usar a limpeza dos matos para alimentar a produção de energia por biomassa, diz-se no documento. Bom, ótimo. Há 20 anos que existe essa ideia. Mas recorde-se que as centrais de biomassa se tornaram num embuste gigantesco de uso de subsídios baseados em "energia verde" que, na verdade, passaram a aumentar o problema da floresta. Ou seja, a destinar madeira (dos incêndios, por exemplo, e não o mato) para os fornos de produção elétrica.


Qualquer pessoa que conheça a floresta sabe que é pouco rentável andar a limpar mato para o vender, porque a mão-de-obra é cara e o mato gera um enorme volume (e não peso) que torna o transporte dispendioso. Resultado: incentivar centrais de biomassa de árvores estimula mais incêndios criminosos.

Outra questão difícil deste novo plano: alta velocidade. Estive em Sevilha em 1992 aquando da chegada dos primeiros comboios de Alta Velocidade entre Madrid e a capital da Andaluzia. Portugal perdeu absurdamente 30 anos face a Espanha e 50 face a França. Acrescento que nos últimos 20 anos escrevi sempre a favor de ligações ferroviárias rápidas entre Lisboa-Porto ou, idealmente, entre Braga-Faro e sobretudo numa bitola europeia onde pudessem existir comboios de mercadorias. Mas neste momento, olhando para a crise do TGV em França, pergunto: que comboio queremos para essas linhas de bitola europeia? Não pode ser nada de parecido. Há inúmeras tecnologias a surgir. Ainda fará sentido quando estiver concluído, em 2030?

Anedoticamente, ainda não conseguimos ter uma rede fiável, de voz e de dados, no comboio Alfa entre as duas maiores cidades.

Um caso pior: novo aeroporto de Lisboa. A ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, disse algo que deve ter deixado o Governo de cabelos em pé: o aeroporto de Beja pode ser ligado a Lisboa por ferroviária rápida e assim evitar a construção do Montijo. Sensato.

Ora, como pode alguém do Governo ter dito algo tão desalinhado da versão oficial? Bom, na verdade, Ana Abrunhosa conhece bem o país e o custo do dinheiro. Foi presidente da Comissão de Coordenação da Região Centro, teve a responsabilidade do controlo de fundos comunitários aplicados em muitas indústrias essenciais para o país, e ainda teve de gerir algumas das ações dos pós-incêndios de Pedrogão/Castanheira de Pêra e do pinhal de Leiria (15 de Outubro de 2017). Só uma pessoa que percebe os dilemas do mundo real pode ter esta visão. Mas alguém quererá saber do que ela disse?

(...)

A apresentação da "Visão Estratégica para o Plano de Recuperação Económica de Portugal 2020-2030" aconteceu no mesmo dia que o primeiro-ministro conseguiu um resultado muito bom na cimeira de Bruxelas. Mas isto tem de ser apenas o princípio de uma visão. A tecnologia de "gastar o dinheiro comunitário" é a mesma de há 30 anos e só a super-elite dos fundos tem razões para celebrar. Para assim não ser, "Portugal 2030" tem de incluir gente de mais gerações, vozes das empresas do Norte e Centro que suportam as exportações portuguesas, mas também gente da filosofia ou da sociologia, por exemplo. Os engenheiros e economistas não podem ficar, de novo, sozinhos a desenhar o futuro.

O novo funcionamento dos partidos políticos



RIO ENVIA E-MAIL A JUSTIFICAR QUINZENAIS

Assinalando o fim da sessão legislativa, o líder do PSD enviou um e-mail aos seus deputados a defender a justeza do fim dos debates quinzenais e a elogiar a unidade da bancada. “Poderíamos descansar à sombra do politicamente correto, mas essa nunca foi a minha postura na política.” (Expresso)
----------------------------------------

Em apenas quatro linhas ficámos a saber tudo sobre o novo modo de funcionamento dos partidos políticos: o chefe decide sozinho, ou com alguns amigos, gente do dinheiro e das finanças, por exemplo e depois manda um recadinho aos deputados a instruir como devem votar - se o caso for muito polémico, junta duas linhas a dizer, usando o plural majestático, pese embora a decisão tenha sido unilateral, que ele é que sabe e que assim é melhor, porque não querem ser politicamente correctos. Faz lembrar aquele senhor que vem à TV explicar ao povo 'coisas' do coronavirus e que diz, 'vou explicar mas vocês não devem perceber porque é complicado, mas confiem em mim que eu percebo tudo'. 

Nocturna II






July 24, 2020

Nocturna






Picture this



  Este miúdo que nem chega com os pés aos pedais, a tocar desta maneira, fez-me lembrar umas palavras de Mary Midgley

"(..), any explanation [of human behavior] that invoked culture, however vague, abstract, far-fetched, infertile and implausible, tended to be readily accepted, while any explanation in terms of innate tendencies, however careful, rigorous, well-documented, limited and specific tended to be ignored.

In animal psychology, however, the opposite situation reigned. Here, what was taboo was the range of concepts that describes the conscious, cognitive side of experience.

The preferred, safe kind of explanation here derived from ideas of innate programming and mechanical conditioning. If anything cognitive was mentioned, standards of rigour at once soared into a stratosphere where few arguments could hope to follow."
 

Fungos





Indigo Milkcap (Lactarius indigo)
📷https://www.instagram.com/woodlandcravings/

O PS a putinizar-se



Elementos nomeados pelos partidos, claro está. Controlo soviético. Voltámos aos tempos do PREC onde havia sempre um controleiro do partido em todos os grupos para ir bufar ao grande líder para este controlar greves, saber de antemão o que se passava nas reuniões, saber quem era contra o grande líder , como se organizavam, enfim, impedir a vida dos grupos fora do controlo do grande líder... só que agora o grande líder é o senhor Costa. Estamos a ver onde isto iria dar: controleiros na Ordem dos Enfermeiros, nas associações de professores e a seguir na Ordem dos Advogados e... nos juízes.
É claro que a ideia não é da fulana. O PS está a ficar muito perigoso para a democracia, não só pelas tendência de autoritarismo e controlo total como por ser uma porta escancarada para que os descontentes se voltem para o Chega.
E o que fazem os partidos da oposição? Continuam a acarneirar-se?


Governo quer ver a sociedade civil representada na Ordem dos Médicos e desafia parlamento

Marta Temido sugere que seja alterado o estatuto da Ordem dos Médicos.

O governo desafia o parlamento a avançar com alterações ao estatuto da Ordem dos Médicos. A sugestão foi feita pela ministra da Saúde, esta quarta-feira no Parlamento. Marta Temido quer garantir uma melhor supervisão e pede que elementos da sociedade civil possam estar representados na Ordem dos Médicos.

Varoufakis - acerca do acordo europeu de fundos coronavirus




So, why is it that, although I endorse the idea of mutualised debt as a necessary condition for European unity, I believe that the EU’s latest decisionis another step in the direction of Europe’s disintegration? For three reasons.

First, the recovery fund is a distraction from the elephant in the room: massive austerity. According to the International Monetary Fund, the eurozone’s total 2020 income will fall by 10%, causing an average budget deficit of more than 11%, with weaker countries such as Italy and Greece facing a much larger drop.

That would not be catastrophic per se, if it were not for the determination of Berlin and other governments to push member states to balance their books by 2021 (as witnessed by the 11 June Eurogroup communique). Even if the nascent recovery brings down, for example, Italy’s budget deficit to, say, 9%, to balance its books Rome must impose a cruel level of austerity equal to a new 9% of GDP in cuts and taxes. Similarly with Greece. Given that even Germany will have to practise austerity to balance its budget, the whole continent will be treated to an intensification of the doom loop between austerity and recession.

Second, the recovery fund is (macroeconomically) puny. For it to defend the union, it should pack a fiscal boost comparable in magnitude to the austerity tsunami down the line. It does not. Take Italy and Greece again, countries that must face down immense austerity. How much of this shock can the recovery fund monies help absorb? Not a lot, is the answer.

To arrive at a precise answer, we must first ignore the new loans on offer from the recovery fund (since new debt has never helped the insolvent) and concentrate exclusively on net grants. Italy has been allocated around €80bn and Greece €23bn. However, every member state must take on part of the new €750bn EU debt. Italy, for example, is liable for just under 13% of this debt while poorer Greece is liable for 1.4%. Once we subtract these new debts, Italy’s and Greece’s net grants come to just over €30bn and €12bn respectively – or 0.6% and 2% of GDP on an annual basis between 2021 and 2023. Compared to the prospect of austerity equivalent to 9% of GDP, which will be required to balance their budgets, these are puny sums.

Third, the political conditions under which the funds will flow are a Eurosceptic’s dream. When a recession hits the UK, the government’s budget deficit rises automatically as benefits flow disproportionately towards the most affected regions. The beauty of such a proper fiscal union is that no politician can decide which region gets which transfer. Imagine the sheer awfulness if parliament had to debate how much would be transferred to Cumbria, to Norfolk or to north Wales from Surrey, Sussex and west London. Britain would be wrecked by divisions that make Brexit look like an amicable affair. And yet this divisiveness has been baked into the EU recovery fund, complete with country allocations drawn up even before we know the effects of the recession on each region. It is almost as if the whole thing were designed by a cunning Eurosceptic.

As if that were not enough, our great and good leaders also decided that each national government will have the right to freeze payments, for up to three months, to any other government while it scrutinises how the money is to be spent. Endless recriminations are guaranteed, as the Dutch lambast the Italian government’s pension payments and Rome returns the favour with reports on the Netherlands’ famous tax loopholes. Imagine the mood in the room when such a challenge is made to, say, Spain, by a prime minister whose government the EU bribed, in the form of Thatcher-like rebates, to get the recovery fund across the line.

Optimists claim that, despite the clumsiness of the redistribution mechanism and its macroeconomic insignificance, the new common debt is creating facts on the ground; that it constitutes a decisive first step towards a proper federation. This is the familiar argument that Europe is moving in the right direction glacially until, when we least expect it, it leaps. Juxtaposed against this happy narrative is my hunch that we are moving in the opposite direction, toward disintegration.

Whether I am wrong (as I hope I am) or not will hinge on whether, by next year, a majority of Europeans feel that the recovery fund helped them recover. If they do, maybe the EU’s common debt can prove itself a harbinger of shared prosperity. For my part, however hard I try, I cannot see how this might be possible.

Acho que vou ter que fazer uma compota



com tanto tomate maduro...


Hummel / Czerny - Oberons Zauberhorn




 

 

Estou a gostar deste livro




O livro começa com um daqueles julgamentos populares da Revolução Cultural do Camarada Mao que metiam tortura e acabavam com os intelectuais mortos à pancada pela juventude revolucionária da Guarda Vermelha. No caso, o intelectual em questão é um físico e professor, pai da protagonista da história, uma astrofísica de formação. Ainda vou no princípio mas... so far so good :)




Como se explica o sucesso do Chega?




Citação deste dia



Reader, suppose you were an idiot. And suppose you were a member of Congress. But I repeat myself. [Mark Twain, c.1882]

(alargue-se o termo, 'congresso')

Prognósticos muito fáceis de fazer



... e que já fiz aqui várias vezes mas agora há uma sondagem que vem hoje na capa do Público a reforçar o óbvio.

O Chega está a roubar eleitores, não apenas ao CDS, mas também ao PSD e no futuro há-de roubá-los também ao PS. O BE anda há muito tempo a perder votos para o PS porque já não se distingue muito dele. Portanto, o PS beneficia da estupidez do BE e do suicídio do PSD com este líder.

Ao contrário do que dizem por aí, o Chega não é um partido dos fascistas e dos extremistas. É um partido dos descontentes -são legião- que já não suportam este bloco total - PS + parceiros de geringonça + PSD, convertido, com os outros, em acólitos do governo formam um bloco: o bloco dos pragmáticos do poder.

Vejamos, uma pessoa que queira votar num partido que mude o estado de coisas (nomeações políticas de amigos, familiares, alforrecas - contratação 'ágil' de incompetentes e corruptos - abusos de poder, desvio de fundos, etc., etc., etc.) e que não seja do PCP, não tem em quem votar:

- o PS é o campeão do socialismo esquemático e nomeação de boys e família. 
- o PSD é cada vez mais igual ao PS a ponto de se aliar a ele naquilo em que se lhe devia opor, sendo oposição. Rui Rio é um suicídio social-democrata.
- o BE em tempos já foi um partido que podia ir buscar votos ao PS e até ao PSD, naquela franja descontente com a virada direitista do partido que o PPC representou. No entanto, na actualidade o BE é um pragmático apoiante das políticas do governo PS e não há razão para os socialistas irem agora votar nele, muito menos os do PSD.
- o CDS sumiu-se a partir do momento em que, em vez de fazer oposição ao governo, faz oposição ao deputado do Chega. Pelo menos a Cristas fazia oposição ao governo e tinha a virtude de ser odiada por Costa e fazê-lo descair-se muitas vezes à conta dela. Actualmente acho que ninguém sabe sequer quem é o chefe do partido CDS. Aliás, isso é uma novidade porque esse partido sempre teve chefes fortes: Freitas, Monteiro, Portas, Cristas. Sendo um partido de franjas, tem que fazer barulho para dar nas vistas e não andar a dormir, como é o caso.

Portanto, neste momento, o Chega está a roubar votos a todos desde o centro à direita, não por grande mérito dele, embora o tenha -é uma espécie de Cristas da AR, onde todos os odeiam, só falam dele, sempre de modo crispado, discriminam-no muitas vezes (o FR é o campeão da estupidez nesse campo) e, de cada vez que isso acontece, é uma espécie de bling-bling-bling na sua máquina de contagem de votos- mas pela razão de todos os outros serem muito maus.

Ainda veremos, nas próximas eleições, o Chega trocar de lugar com o CDS na AR e fazer concorrência aos partidos do bloco central. Para onde se vão virar a maioria dos eleitores que, não sendo comunistas, estão na situação de não saber em quem votar pelo facto do CDS se ter tornado um não-partido e de PS-PSD-BE se terem transformado numa trindade pragmática do poder...?




Ano lectivo 2020-2021




Organização Geral: Disposição da Sala de Aula

1. A sala de aula deve garantir uma maximização do espaço entre alunos e alunos/docentes, por forma a garantir o distanciamento físico de 1,5-2 metros;


Orientação no 024/2020 de 08/05/2020 atualizada a 20/07/2020 



Ainda:

No espaço escolar existem áreas que, devido à sua utilização por um maior número de pessoas, e, muitas vezes, por períodos de tempo mais prolongados, podem ser mais facilmente contaminadas e representar um eventual maior risco para a transmissão do vírus. Assim, algumas áreas devem ser alvo de medidas adicionais de cuidados de limpeza e desinfeção, sempre que estejam em utilização, nomeadamente:


a) Áreas de isolamento de casos suspeitos de COVID-19 na escola;


b) Refeitórios escolares;


c) Instalações sanitárias;


d) Salas de professores;


e) Salas de aulas;


f) Salas de informática;


g) Bibliotecas;


h) Laboratórios.


... ou seja, praticamente todos os espaços...

Incentivos aos profissionais de saúde



Enquanto isto o ministro da educação esbanja 350 mil euros numa firma para 'merdificarem' o processo das matrículas. Quantos profissionais são prejudicados nos seus direitos por causa destas 'agilizações'?
São as prioridades do governo.


Mais de 4000 profissionais de saúde infetados por coronavírus com corte no salário


Profissionais de baixa médica devido à Covid-19 levam para casa menos 30% do salário.

Não entendo como é que esta situação não incomoda ninguém



Que um indivíduo que se recomendou por ter trabalhado para os do petróleo e por ser, juntamente com a mulher, amigo da Rodrigues, tenha sido nomeado o decisor do futuro do país e, quanto mais o 'ouço' falar mais me preocupo: "temos um problema com a nossa administração pública: tem áreas que têm muita qualidade e outras que deixam muito a desejar." - ele diz isto baseado em quê? Tem algum estudo que mostre quais são as áreas de qualidade e porquê e quais são as outras e porquê? Ou é só um feeling e quer uma 'revolução' baseada em conversas de café?

"... é preciso fazer uma revolução na administração pública que permita que estes apoios cheguem de forma ágil à economia."?? Que quer isto dizer, 'forma ágil'? Que é a favor de não haver regras nem prestação de contas e ser tudo por ajustes directos, para que o dinheiro desapareça pelos buracos da tal administração pública substituída por filhos e primos em lugares-chave, que assegurem que os amigos beneficiem dos dinheiros públicos?

Como é que ninguém está preocupado com esta situação do primeiro-ministro chamar um amigo dos amigos do Socas para decidir de 40 mil milhões de euros que teremos todos que pagar? Isto tira-me o sono... saber que ainda hei-de pagar mais 5 ou 10 BESgates por causa de políticos incompetentes que não sabem rodear-se e escolher pessoas competentes. Que criam governos faraónicos com amigos, filhos e sobrinhos e depois ninguém esteja à altura das situações.


Costa Silva: A nossa administração pública está obsoleta

"Temos um problema com a nossa administração pública: tem áreas que têm muita qualidade e outras que deixam muito a desejar." Quem lança o alerta é António Costa Silva, consultor do governo para a recuperação económica e social no pós-pandemia, numa grande entrevista que pode ler no sábado no Dinheiro Vivo (nas bancas com o JN).

Preocupado com a forma como será aplicada a bazuca que foi aprovada nesta semana em Bruxelas - da qual cabem a Portugal cerca de 45,1 mil milhões de euros - incluindo 15,3 mil milhões em transferências a fundo perdido, no âmbito do programa para a recuperação, bem como 29,8 mil milhões em subsídios do orçamento da UE a longo prazo 2021-2027 - Costa Silva avisa que é preciso fazer uma revolução na administração pública que permita que estes apoios cheguem de forma ágil à economia.