Hoje fui ouvir a Grande Missa em Dó menor de Mozart. Gosto particularmente desta parte. Ouvida ao vivo com uma boa orquestra e um coro exclente é uma experiência de transcendência. A música sacra compensa muita malfeitoria da religião cristã.
Hoje fui ouvir a Grande Missa em Dó menor de Mozart. Gosto particularmente desta parte. Ouvida ao vivo com uma boa orquestra e um coro exclente é uma experiência de transcendência. A música sacra compensa muita malfeitoria da religião cristã.
Ontem fui ouvir o 1º acto das Valquírias de Wagner, um compositor que quanto mais de ouve mais se entranha. Este acto inicial das Valquírias é uma música delirante e cheia de drama humano. Vai da tempestade e ameaça de violência à doçura da descoberta do amor e tensão sexual. Absolutamente emocionante. Desde as notas iniciais daquele prelúdio tempestuoso até ao final dramático foi tudo bom e muitas coisas foram excepcionais.
As vozes dos três cantores foram excepcionais. Adaptam-se perfeitamente à música de Wagner, uns aos outros e à emoção das personagens que cantam. Sieglind, cantada pela soprano Marita Sølberg, uma grande voz cheia de brilho, capaz de ir da fragilidade à sensualidade; Siegmund, cantado por Stuart Skelton, um tenor heróico com uma voz poderosa e dramática, e Hunding, cantado por Mika Kares, um baixo muito expressivo e vibrante. Cantaram todos com muito verve e sentimento.Vivaldi, na voz de Eva Zaïcik.
Romanza de Salvador Bacarisse tocada por Álvaro Toscano.
"Fui viver para Inglaterra, mas os meus pais ficaram em Paris, no pequeno apartamento da Rue Cassette, 7, que ocuparam durante mais de trinta anos. Quando a minha mãe morreu, em 1976, treze anos depois do meu pai, retirei o apartamento da rue Cassette e levei todos os papéis e livros do meu pai para a Escócia.
A partir desse dia ficaram em segurança, e eu pensava que estavam esquecidos, até à data memorável em que Emilio Casares bateu à minha porta, vindo pedir-me autógrafos e outros materiais para uma exposição sobre “La música en la Generación del 27” que ele estava a organizar e que teve lugar em Granada em julho de 1986.
Essa exposição e o magnífico catálogo publicado pelo Ministério da Cultura foram o primeiro reconhecimento dos músicos esquecidos durante o regime de Franco, incluindo o meu pai.
Em Granada, durante a exposição e conversando com Rodolfo Halffter, que tinha vindo do México, e com outras pessoas, decidi fazer o que realmente sabia que tinha de fazer: enviar os manuscritos de Salvador Bacarisse para a sua terra natal, para Espanha.
Por muito que o meu pai fosse filho de um francês que emigrou para Espanha, nunca se sentiu senão espanhol. Viveu trinta anos em Paris, desenraizado e triste, "longe da sua querida Madrid".
- Salvador Bacarisse, filho
Venho de ouvir A Criação de Haydn na Gulbenkian. Muito bom. O único senão foi o tradutor. A peça foi cantada em inglês e a tradução das legendas era muito livre, digamos assim. Onde Deus transformou a desordem em ordem o tradutor escreveu que transformou a entropia em ordem. Entropia é um conceito que não tem nada a ver com um oratório do século XVIII; onde Deus criou coisas rastejantes o tradutor escreveu que criou répteis; uma hoste de insectos transformou-se numa tribo de insectos... uma tribo...? Enfim, estas e outras coisas semelhantes. Um bocadinho irritante mas mais para o cómico do que outra coisa. A Criação é uma daquelas obras que ouvida ao vivo é completamente diferente do que ouvida em disco. Ganha uma outra vida.
É evidente, a partir do final da primeira década de 2000.
ZAAAAADOOOOOOOK THE PRIIIIIIIESSSSSSTNão é possível ficar indiferente a este poder. Este hino é tão poderoso que qualquer pessoa pode usá-lo (ouvir bem alto) para fazer um reforço monumental ao seu estado de espírito.
Muda completamente o tom e a atmosfera da música para uma espécie de paz amorosa porque o violoncelo é um instrumento com um som/tom sensual.
A anterior interpretação acompanha bem a memória dos atentados de Setembro de 2001. Esta é um diálogo de amor.