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October 25, 2026

🎼 Wolfgang Amadeus Mozart — Concerto para Clarinete em Lá maior, K. 622, II. Adagio

 

🎼 Wolfgang Amadeus Mozart — Concerto para Clarinete em Lá maior, K. 622, II. Adagio
Jack Brymer (clarinete) com Academy of St Martin in the Fields  
Maestro - Sir Neville Marriner 1973



Mozart terminou este concerto em Outubro de 1791. O seu último concerto. Dois meses depois morria.

Aquele foi um Outono avassalador. Acabara de estrear A Flauta Mágica, estava a trabalhar freneticamente numa encomenda misteriosa — o Requiem — e a sua saúde começava a deteriorar-se. No meio de tudo isso encontrou força mental e ânimo para compor este concerto para Anton Stadler, um brilhante clarinetista, seu amigo e companheiro maçom.

Stadler tocava o 'clarinete basset', capaz de atingir notas mais graves do que um clarinete comum. Uns anos antes Stadler e o fabricante de instrumentos vienense Theodor Loto tinham criado uma modificação no clarinete tradicional para estender os tons dos graves até ao Dó. Mozart ficou completamente apaixonado pela sonoridade rica deste novo clarinete e criou várias peças para ele. 

Mozart compôs este concerto para todo o seu registo: notas de gravidade sombria e notas agudas puras passando pelas notas sustentadas aveludadas. Este andamento lento é o cerne da obra: uma melodia longa e tranquila que parece flutuar em serenidade, como uma despedida sussurrada. O clarinete fala, os violinos respondem.

Depois de Mozart morrer Stadler fez digressões com o seu clarinete basset em que tocava este concerto. O instrumento era difícil de recriar e caro. Então, os músicos começaram a reescrever uma versão do concerto para o clarinete normal. Entretanto, o manuscrito original de Mozart desapareceu. Stadler disse que tinha sido roubado, mas como se sabe que ele andava sempre endividado, suspeita-se que o tenha vendido para pagar dívidas.

Durante um século e meio o concerto foi tocado numa versão que não era a original. Entretanto, a meio do século passado, musicólogos resolveram reconstruir a partitura original a partir de críticas de concertos da época e documentos da época. Nos anos de 1960-70 surgiram as primeiras réplicas modernas do clarinete basset e gravações pioneiras do concerto tal como se pensa que Mozart o concebeu. A maioria dos grandes clarinetistas mundiais, como Jack Brymer que aqui ouvimos, opta por tocar o concerto no clarinete basset para revelar toda a profundidade da música.

Dois séculos mais tarde, o filme Out of Africa tornaria este Adagio popular. Porém, a sua história é mais pungente: um compositor, doente e à beira do fim da vida, compõe um momento de pura paz para um amigo.

Admiráveis são, Mozart e outros como ele que se dedicaram a criar beleza e harmonia em vez de violência e subjugação.

March 14, 2026

Música na frequência 432hz

 

(sim, estou a precisar de uma sesta e não, não acredito nas teorias da conspiração da frequência 432hz)



January 24, 2026

Uma coisa boa que a religião cristã nos deu: música sacra

 

Hoje fui ouvir a Grande Missa em Dó menor de Mozart. Gosto particularmente desta parte. Ouvida ao vivo com uma boa orquestra e um coro exclente é uma experiência de transcendência. A música sacra compensa muita malfeitoria da religião cristã. 



October 11, 2025

Uma noite de encantamento

 

Ontem fui ouvir o 1º acto das Valquírias de Wagner, um compositor que quanto mais de ouve mais se entranha. Este acto inicial das Valquírias é uma música delirante e cheia de drama humano. Vai da tempestade e ameaça de violência à doçura da descoberta do amor e tensão sexual. Absolutamente emocionante. Desde as notas iniciais daquele prelúdio tempestuoso até ao final dramático foi tudo bom e muitas coisas foram excepcionais.  

As vozes dos três cantores foram excepcionais. Adaptam-se perfeitamente à música de Wagner, uns aos outros e à emoção das personagens que cantam. Sieglind, cantada pela soprano Marita Sølberg, uma grande voz cheia de brilho, capaz de ir da fragilidade à sensualidade; Siegmund, cantado por Stuart Skelton, um tenor heróico com uma voz poderosa e dramática, e Hunding, cantado por Mika Kares, um baixo muito expressivo e vibrante. Cantaram todos com muito verve e sentimento. 

Foram absolutamente emocionantes desde a primeira nota cantada pelo tenor. Na voz do baixo, que tem uma enorme claridade, conseguimos ouvir ameaça e promessa de violência, nas vozes de Sølberg e Skelton, a crescente excitação de cumplicidade e sensualidade. (Skelton está em cima dos sessenta anos. Nem imagino o que seja ouvir aquela voz com menos dez anos de idade.)

Foi uma experiência que vai durar muito tempo. Vou usar a memória dela durante muito tempo.

July 22, 2025

How people look and people stare



Ozzy (1948-2025)

Grande som! 




Killing Yourself To Live!

How people look and people stare
Well I don't think that I even care
You rot your life away and what do they give?
You're only killing yourself to live
Killing Yourself To Live!
Killing Yourself To Live!

Just take a look around you, what do you see?
Pain, suffering, and misery
It's not the way the world was planned
It's a pity you don't understand
Killing Yourself To Live!
Killing Yourself To Live!

I'm telling you!
Believe in me!

Nobody else will tell you
Open your eyes!
And see the lies!
Oh yeah!
Smoke it!
Get high!

You think that I'm crazy and baby I know that it's true
Before that you know it I think that you'll go crazy too
I don't know if I'm up or down
Well the black and whites are blue and brown
The colors in my life are all different somehow
Little boy blue's a big girl now
So you think it's me who's strange
But you've never had to make the change
Never give your trust away
You'll end up in paying till your dying.

July 02, 2025

Uma Romanza espanhola

 

Romanza de Salvador Bacarisse tocada por Álvaro Toscano.




Uma Romanza é uma composição variante da música medieval espanhola, uma balada melódica com um ar terno e simples, para instrumento ou voz, uma ária que só quer transmitir sentimentos. Esta Romanza de Bacarisse será, talvez, a expressão da dor pela Espanha de que esteve exilado durante os anos de Franco.
"Fui viver para Inglaterra, mas os meus pais ficaram em Paris, no pequeno apartamento da Rue Cassette, 7, que ocuparam durante mais de trinta anos. Quando a minha mãe morreu, em 1976, treze anos depois do meu pai, retirei o apartamento da rue Cassette e levei todos os papéis e livros do meu pai para a Escócia.

A partir desse dia ficaram em segurança, e eu pensava que estavam esquecidos, até à data memorável em que Emilio Casares bateu à minha porta, vindo pedir-me autógrafos e outros materiais para uma exposição sobre “La música en la Generación del 27” que ele estava a organizar e que teve lugar em Granada em julho de 1986. 
Essa exposição e o magnífico catálogo publicado pelo Ministério da Cultura foram o primeiro reconhecimento dos músicos esquecidos durante o regime de Franco, incluindo o meu pai.
Em Granada, durante a exposição e conversando com Rodolfo Halffter, que tinha vindo do México, e com outras pessoas, decidi fazer o que realmente sabia que tinha de fazer: enviar os manuscritos de Salvador Bacarisse para a sua terra natal, para Espanha. 
Por muito que o meu pai fosse filho de um francês que emigrou para Espanha, nunca se sentiu senão espanhol. Viveu trinta anos em Paris, desenraizado e triste, "longe da sua querida Madrid".

- Salvador Bacarisse, filho 


Arquivo de Salvador Bacarisse legado/archivo-salvador-bacarisse

June 05, 2025

Dois minutos e picos com Gregor Piatigorsky

 


Gregor Piatigorsky foi um violoncelista ucraniano nascido na época soviética no tempo da Revolução bolchevique. Impedido pelos russos de viajar para o exterior para completar os estudos, fugiu para a Polónia num comboio de gado com um grupo de artistas. Depois foi para Berlim e Leipzig estudar. Visitou os EUA nos anos 20. 

Casou-se com a francesa Jacqueline de Rothschild, filha do banqueiro com o mesmo nome, uma jogadora de xadrez, tenista, autora, escultora, mecenas das artes e do xadrez. Radicou-se nos EUA com a família quando os nazis ocuparam a França.

Gravou com Arthur Rubinstein, Jascha Heifetz, Vladimir Horowitz e Nathan Milstein. 

Tinha dois violoncelos Stradivarius.  Um deles é o famoso, Batta Stradivarius, considerado um dos melhores violoncelos Stradivarius de sempre. Infelizmente, está exposto no MET, em NYC, em vez de estar nas mãos de um violoncelista de topo. 

São tão caros que os músicos não têm dinheiro para os comprar, de maneira que, ou os seus donos os deixam em herança a um músico de topo que admirem ou um mecenas compra-o e empresta-o a um músico desses. Quando nada disto acontece acabam a ganhar pó em museus. Uma enorme pena.

Quando um instrumento não é tocado durante longos períodos de tempo, pode ficar adormecido. Isto significa que, quando for tocado novamente, pode demorar bastante tempo até que acorde, 'aqueça” e atinja o seu som ideal. Dado que os Stradivarius têm um som muito próprio, é um 'crime' estarem guardados numa vitrine em vez de fazerem aquilo para que nasceram: libertar sons de encantamento. 

Piatigorsky  trabalhou no Curtis Institute of Music, em Filadélfia, e ensinou em Tanglewood, Universidade de Boston e na Universidade do Sul da Califórnia, onde permaneceu até à morte, em 1976.

Piatigorsky também gostava acompanhar a mulher no xadrez. Jacqueline Piatigorsky ganhou várias competições de xadrez pelos Estados Unidos. Juntos organizaram vários campeonatos de xadrez, nos quais participaram nomes famosos como Paul Keres, Tigran Petrosian e Boris Spassky.


 Aqui a tocar, O Cisne de Camille Saint-Saens




February 13, 2025

Uma noite de música

 


Venho de ouvir A Criação de Haydn na Gulbenkian. Muito bom. O único senão foi o tradutor. A peça foi cantada em inglês e a tradução das legendas era muito livre, digamos assim. Onde Deus transformou a desordem em ordem o tradutor escreveu que transformou a entropia em ordem. Entropia é um conceito que não tem nada a ver com um oratório do século XVIII; onde Deus criou coisas rastejantes o tradutor escreveu que criou répteis; uma hoste de insectos transformou-se numa tribo de insectos... uma tribo...? Enfim, estas e outras coisas semelhantes. Um bocadinho irritante mas mais para o cómico do que outra coisa. A Criação é uma daquelas obras que ouvida ao vivo é completamente diferente do que ouvida em disco. Ganha uma outra vida.


In Splendor Bright is Rising Now


November 20, 2024