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December 29, 2025

Há nomes no boletim que não correspondem a candidatos elegíveis?

 

Presidenciais: Seguro contesta no Tribunal Constitucional boletins de voto com nomes excluídos. TC diz ter cumprido a lei

“Maior perplexidade” da candidatura de Seguro é que decisão tenha sido tomada com base no “divulgado em diversos órgãos de comunicação social”. TC lembra que impressão de boletins não é da sua competência.
DN/Lusa

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Quem são eles? E se votássemos todos nesses nomes para estar à altura desta palhaçada?


June 03, 2025

O candidato Gouveia e Melo

 

Na sua primeira entrevista depois das duas apresentações de candidatura em Lisboa e Porto, Henrique Gouveia e Melo afirmou ser “pró-vida” e contra a eutanásia, afirmando mesmo que quando a lei lhe for parar às mãos (no caso de ser eleito Presidente) a vai mandar para o Tribunal Constitucional.
(...) Sobre o aborto, considerou que “o problema já está resolvido na sociedade portuguesa”
Quando foi confrontado com o que faria se estivesse no lugar de Marcelo Rebelo de Sousa no momento da demissão de António Costa em Novembro de 2023, Gouveia e Melo discordou da posição do Presidente da República. Se fosse chefe de Estado, Gouveia e Melo não teria dissolvido a Assembleia da República e daria posse a Mário Centeno como primeiro-ministro, como foi sugerido pelo PS. “Não está escrito na Constituição que as eleições são para eleger o primeiro-ministro”, disse o candidato. 
 (...) Gouveia e Melo manifestou “grande admiração” pelo seu mandatário nacional, Rui Rio, e a sua “afinidade e objectivos políticos
Público (excertos)


Como todos sabemos, a maioria dos jornais e uma enormidade de estudos universitários e científicos são, nos dias de hoje, armas de destruição maciça nas mãos de políticos e organizações vorazes de poder e daí o seu descrédito geral.

Este artigo está 'wepanigzado' como dizem os anglo-saxões, de uma maneira óbvia para manipular a opinião pública. Escolhem 3 ou 4 frases de Gouveia e Melo e reduzem-no a elas.

Mesmo levando isso em conta, as posições das pessoas sobre temas políticos e sociais e as razões que apresentam para as sustentar dizem-nos muito sobre o seu modo de decidir e a sua orgânica mental.

Compreendo que Gouveia e Melo, sendo um homem conservador de uma certa idade seja contra a eutanásia e contra a IVG. Porém, um homem, mesmo que conservador, candidato a Presidente, um cargo para o qual se é eleito por todos os portugueses, tem que levar em conta o sentimento geral dos portugueses nessas questões e não pensar taxativamente que vai agir em nome pessoal a partir das suas convicções pessoais.

Em segundo lugar, as pessoas por quem tem admiração também dizem muito sobre ele. Ter grande admiração por Rui Rio, em meu entender é um demérito porque indica que não viu bem quem é este personagem e tudo o que não fez, para além de se armar em vítima.

Adiante... Depois de dizer que as eleições não são para eleger pessoas [mas partidos políticos] diz que teria nomeado Centeno, um homem que ninguém elegeu para coisa alguma e que nem sequer pertence a um partido político, os tais que são os objectos de eleições. Ademais, escolher Centeno, diz muito sobre este militar: é alguém que admira homens de pulso forte que tomam decisões sem ouvir ninguém a não ser as suas convicções pessoais, tão crentes estão na sua superioridade e verdade.

A democracia é o lugar da argumentação, da troca de ideias, da apresentação de razões v´lidas para as decisões e onde isso está ausente sobra o autoritarismo.

Gouveia e Melo parece ser uma pessoa honesta e séria, qualidades excelentes para um Presidente. Também deve ser um excelente comandante militar. Uma pessoa habituada e competente na organização de tropas e na execução de tarefas complexas. Isso foi óbvio na questão das vacinas que resolveu com uma limpeza olímpica.  Porém, estas características de executor e de homem conservador de pulso fores, não são, quanto a mim, bons indicadores de um Presidente que tem de saber conduzir e inspirar sem executar e  tem de ser capaz de ponderação. Rodear-se de pessoas sérias. Rui Rio não é um bom sinal.

Para eleger um militar para este cargo civil, teria de ser uma pessoa excepcional, não de um ponto de vista militar ou executivo, mas de um ponto de vista político. Um visionário. Claro que vou ouvir o que ele tem a dizer de si na campanha, mas...

Quanto a outros candidatos, Sócrates apoia vivamente Vitorino e está tudo dito.

May 19, 2025

Outra conclusão destas eleições

 

O Chega está em todos os partidos como um alter-ego. Todos os partidos têm uma grande quantidade de potenciais votantes no Chega. É a fatia de pessoas que vota por despeito e por medo e que anseia por um homem forte que dê voz aos seus problemas. Quando as 'elites' políticas nos vêm dizer que em Portugal já é normal ter um salário de 3000 mil euros limpos, perguntamos qual a vantagem de ter representantes que vivem numa realidade alternativa, que nem sequer reconhecem a situação real das pessoas e que por isso não são confiáveis. O Chega alimenta-se dessa frustração das pessoas que está presente de modo igual em todas as forças políticas. É preciso lembrar que vivemos numa sociedade consumista e que as pessoas se vêem como clientes que pagam um serviço e querem ver resultados à sua medida. É por isso que o Chega tanto tem eleitores do PCP, como do BE, PS, CDS ou PSD. O Chega é um aviso aos políticos que confundem a ignorância do povo em termos políticos, com cegueira, incapacidade de perceber os problemas do país e estupidez popular e, baseados nesses preconceitos, mentem, aldrabam, 'compram' os meios de comunicação social para que manipulem as pessoas, etc. Só que essas estratégias embatem na vida real dos preços caros da alimentação, da falta de habitação, da falta de professores, da falta de médicos, da falta de creches, da falta de transportes públicos e por aí fora. A maneira de anular o Chega é fazer políticas e não politiquices, ser sério e resolver problemas - combater incessantemente a desinformação.


O que diz o voto dos portugueses? Antes votar Ventura que por o PS de novo no poder



Temos a novidade do JPP da Madeira eleger um deputado, continuamos com o PAN e temos um povo que “limpou” a falha ética de Luís Montenegro.

Quem volta a falar de Spinumviva, o motivo deste escrutínio? Ninguém, mas... e se o Ministério Público abrir um inquérito?... Ai!

Pedro Tadeu in dn.pt

Temos um povo que limpou a falha ética de Montenegro? Podia acrescentar: temos um povo que durante 20 anos (com um intervalo de 3) limpou as falhas éticas e os 350 casos de corrupção e o tráfico de influência dos governos PS. Tadeu queria que não se perdesse essa tradição de limpar as falhas e os abismos éticos dos governos PS. São pessoas como ele que desacreditam a comunicação social. São tão enviesados nas suas análises que é difícil dar-lhes crédito em qualquer coisa. Tadeu ainda não percebeu que o Chega subiu à conta das pessoas estarem fartas de 20 anos de falhas éticas do PS, ao ponto de preferirem votar no Ventura que pôr de novo o PS no poder. Não me lembro de o ouvir falhar da falha ética dos 70 mil euros escondidos nos gabinetes do PM ou na falha ética de contratar 300 pessoas para construirem perfis fraudulentos nas redes sociais a elogiar falsamente a governação de Costa.

May 18, 2025

Ja fui votar no mal menor

 


Sim, pertenço à categoria maioritária de portugueses normais que não queria eleições, o que queriam era que os políticos fizessem o seu trabalho com seriedade e competência. 

As salas de voto estavam movimentadas mas não tinham filas como da última vez. Não sei se isso quer dizer alguma coisa.


May 16, 2025

Agora já ouvi tudo 😅

 

Está um Gonçalo Ribeiro Telles na TV a dizer que é óbvio que este ministro das finanças da AD é muito inferior aos do PS, Centeno e Medina, porque os outros eram mais conservadores e este da AD é menos conservador, ou seja, é mais progressista. LOL Agora já ouvi tudo: defender-se que os ministros das finanças da esquerda são mais conservadores que os do centro e da direita.

Na realidade o que é óbvio é que tanto Centeno como Medina podiam ter sido ministros das finanças do PPC: escolheram empobrecer os portugueses para fazer brilharetes de não gastar dinheiro. Assim também eu sei fazer. Chamaram-lhes cativações de investimento. Entretanto, deixaram as profissões, nomeadamente as públicas de serviços fundamentais, à beira do colapso por teimarem em que era preciso empobrecer os professores, os enfermeiros, os médico, os polícias, etc., já que nós éramos a causa de todos os males do país.

Querem ter serviços públicos de qualidade como outras democracias europeias mas não querem pagar aos profissionais dos serviços públicos.

A minha questão é: quem é que quer ministros das finanças que são conservadores à custa de deixar os outros pobres e o país sem serviços públicos (exemptam-se a si mesmos e aos seus amigos desse destino)? Bem, PPC, JMT, António Costa, Centeno, Medina, Ventura e outros do género. Parecem pães diferentes mas é tudo farinha do mesmo saco.

No que me diz respeito, esse é um dos maiores argumentos para ir votar AD. Desde a bestiaga da Lurdes Rodrigues, este ME desta AD foi o primeiro que nos devolveu algum do dinheiro que os conservadores do PS mais o gémeo PPC nos roubaram. E é o único que fala com respeito dos professores. 

Não estou interessada em mais anos de conservadores do género do ordinário incompetente e burro do João Costa, nem dos Centenos que cativam o meu salário e a minha carreira para enriquecerem banqueiros, primos e amigos, Escárias e escórias e que depois de nos lixarem pulam para o FMI, para o Conselho Europeu, para o BdP, para 40 administrações de empresas, para cargos na ONU do amigo, etc. 

Temos isso há mais de 20 anos com um breve interregno de 3 que foi mais do mesmo para pior. Acredito no princípio da alternância democrática. Não sou putineira.

May 10, 2025

Subscrevo quase inteiramente

 



Como nunca, nestes cinquenta anos, as eleições e a campanha do ano corrente foram tão dirigidas para o “chefe”, o “líder”, o “cabeça” e o “primeiro”. Quase nada se sabe sobre a equipa, os colaboradores e os grupos de apoio. Pouco se conhece sobre as instituições, empresas, associações e outros grupos que se sentem mobilizados e empenhados. Mal se percebem as ideias e os programas que cada um deseja ou diz desejar para o seu país. Apenas se sabe que querem o poder. Conquistar o poder. As arruadas são procissões tristonhas de gente, por vezes paga, que seguem o que vai à frente. Só ele (ou ela) conta, só ele (ou ela) se vê, só ele (ou ela) fala, só ele (ou ela) distribui brindes e só ele (ou ela) dá entrevista. Os comícios, cada vez menos, organizam-se à volta dele (ou dela) que, no fim, dá entrevista breve às televisões, geralmente rodeado de múmias sinistras e apagadas, mesmo quando se trata de deputados e ministros. Os principais “eventos” eleitorais são almoços e jantares de carne assada, antes dos quais ele (ou ela), rodeado de carantonhas ou fantoches, desfila uns rápidos lugares-comuns. Antes dessas romarias, crucial é o debate na televisão. Entre eles (ou elas), de modo automático e programado, parecem bonecos articulados. Porque, na verdade, o que interessa são as avaliações, com notas e tudo, de dezenas de comentadores que, quase sem excepção, favorecem os seus amigos com ar sabedor e arrasam os outros com ar de desprezo.

É verdade que a eleição política sempre foi, sempre será, um acto de reconhecimento e identificação, para o qual a personalidade e o carácter do “líder” são essenciais. Mas que, excepto quando se trata de um “herói”, mesmo assim exige uma equipa, um programa, uma energia especial, uma preocupação fundamental, umas ideias sobre o que importa fazer e umas certezas sobre grandes princípios.

Que pensam estes nossos partidos, candidatos a mandar em Portugal e em nós todos, do destino da Europa, periclitante como nunca, ameaçada pela Rússia, marginalizada pela América, cobiçada por África e pelo Islão e desprezada pela China?

António Barreto in Mais uma oportunidade perdida, Público (excertos)


April 30, 2025

Debate Montenegro - PNS

 


O programa nunca indica o nome dos jornalistas moderadores como se fossem mundialmente conhecidos, tipo o Silva dos Plásticos. Não percebo. Os moderadores causam muitas vezes impacto nos debates. Enfim...

O debate está a ser propagandístico e de ataque pessoal e não de apresentação de políticas para resolver problemas.

A jornalista que começou o debate e que não recordo o nome entrou extremamente agressiva contra Montenegro e depois mudou de voz e deu a PNS indicação, pela pergunta que lhe fez, para chamar incompetente a Montenegro. Uma falta de isenção que já outro dia mostrou com o debate entre Montenegro e Ventura. Calculo que seja do PS. Nem disfarça.

O segundo jornalista que falou -não sei quem é e também não nos informam- é mais equilibrado nas perguntas a ambos.

A terceira jornalista a entrar em cena foi incisiva mas equilibrada nas perguntas que fez a cada um e deixou-os falar.

Já me lembro do nome da primeira. É a Clara de Sousa. Não percebo porque razão os jornalistas entendem que para ser eficaz é necessário hostilizar os entrevistados. Quando foi a sua vez de falar de novo, foi escavar o caso das empresas de Montenegro (um assunto que já foi escavado até ao fim) e deu a palavra a PNS para que falasse  na "falta de ética" de Montenegro e ia dizendo que o assunto não está mais esclarecido do que estava. Esta jornalista está a pagamento do PS? Depois acusou Montenegro de deixar escorregar informações para a imprensa... Péssima. E estamos fartos desta porcaria deste assunto de lana-caprina. 

Agora não saem desta porcaria de conversa onde a jornalista os enfiou. Que raio isto interessa para resolver os problemas do país?

Fizeram-se 10 ou 15 debates e nem uma vez se falou da falta dramática de professores, dos resultados dos alunos a cair a pique em todos os índices, no caos da carreira de professor que afasta todos... nem uma única vez.

Na segunda vez que interveio a outra jornalista conseguiu pô-los a dizer as suas propostas para resolver a crise da habitação.

PNS não responde à pergunta sobre se viabiliza um governo AD se tiveram maioria de votos e acaba de dizer que espera para ver a configuração do Parlamento para decidir do modelo de governo. Portanto, faz uma nova geringonça. Livra! Vá de retro!

Montenegro não responde à mesma pergunta sobre se viabiliza um governo do PS no caso de ser este o partido com mais votos.

Agora estão na parte da demagogia: prometer tudo e mais um par de botas.


April 24, 2025

Debate BE-IL

 


Mariana Mortágua lançou slogans e repetiu as mesmas frases ad nauseam. Uma espécie de Ventura mais polida, mas o mesmo MO.

Rui Rocha apresentou propostas, explicou-as e deu razões para as suas posições. Mesmo que não se concorde com ele, percebe-se o que quer fazer. Tem outro nível.


Debate Montenegro-Ventura

 

A entrevistadora foi péssima e na sua inactividade e falta de interesse em lançar temas para o debate influenciou muito negativamente a conversa. O tempo todo do debate só introduziu o tema da saúde e foi injectando provocações desinteressantes na conversa sempre no mesmo tema. 

O debate foi cansativo e desinteressante.


April 15, 2025

Um aparte

 


A maioria dos comentadores das TVs -tenho-os visto no tempo entre debates- são péssimos: zero objectividade. Cada um comenta no sentido de defender o candidato da sua preferência. Por vezes nem comentam o debate em si mesmo mas argumentam a favor dos argumentos dos seus candidatos preferidos - ainda agora vi Helena Matos fazer isso. Alguns são jornalistas, outros professores universitários... deviam ter u mínimo de objectividade nos juízos.


Ventura é um bombardeiro

 

E não perdoa. Vai a todos os 'casinhos' dos governos de Costa e como sabemos, tem muito pano para cortar porque aquilo foi um comboio que descarrilou muitas vezes. PNS bem tenta responder às perguntas mas é difícil. Está a ser uma carnificina. 

Apesar dos bombardeamentos PNS esteve calmo a aguentar o Ventura.


April 13, 2025

Debate entre Raimundo (CDU) e Mortágua (BE)

 


Pode ser visto aqui: Debate entre Paulo Raimundo (CDU) e Mariana Mortágua (BE)

Como não são opostos e não têm que acusar-se (ao ponto de ir acusar pessoas do anterior debate) a torto e direito estiveram a apresentar propostas. Foi esclarecedor. Percebe-se porque perdem votos em massa.

Na imigração Mortágua tem uma visão alienada da realidade. Para ela, o imigrante é uma abstracção, um ser inocente e de boa vontade com motivações unívocas e não considera que esses milhares de pessoas têm interesses e motivações muito diferentes de maneira que para ela as soluções são unívocas e indubitáveis. Não segue as notícias internacionais sobre o que se passa em países que tiveram imigração em massa nos últimos anos. Isto é o que chamo funcionar por ideologia: viver pelos princípios ideológicos, mesmo quando eles estão divorciados da realidade dos factos. Mortágua acusa Montenegro de falta de ética depois de andar a despedir grávidas e mães recentes... lol Em relação à defesa continua incapaz de perceber o que se passa no mundo. Só vê o mundinho. Faz contas de merceeiro: x tanques valem x reformas, como se pudéssemos viver em prosperidade cativos do imperialismo colonialista russo. Se vivesse no tempo de Segunda Guerra teria estado ao lado de Salazar, exactamente com os mesmo argumentos.

Raimundo acaba o debate à Guterres com slogans catastrofistas sobre o futuro. Raimundo tenta disfarçar o apoio a Putin, mas não consegue. Diz que o apoio a Putin do PCP é uma posição de coragem pela paz. LOL

April 12, 2025

Contra o Bloco Central

 


António Barreto escreve este artigo a prezar as virtudes do Bloco Central que governou o país entre 1982 e 1985, mas não leva em conta, nem a evolução do país, nem a evolução da ideologia dos partidos, nem as personalidades que se juntaram nele. 

O Bloco Central foi liderado por Mário Soares do PS. Mota Pinto era o nº 2. Nem poderia ser de outra maneira porque Soares nunca seria nº 2 de outro qualquer. Se se fizesse agora um Bloco Central, quem quereria ser o nº 2? Montenegro aceitaria ser o nº 2 de PNS? Não me parece. E PNS aceitaria ser o nº 2 de Montenegro? Não me parece.

Em segundo lugar, o PS e o PSD de então eram partidos muito diferentes e o facto de terem feito uma coligação para governar não os diluiu, mas nos dias que correm quando as ideologias do centro pouco se distinguem umas das outras e esses dois partidos têm práticas governativas tão idênticas, ao fim de um tempo associados no poder haviam de embrenhar-se um no outro e fazer uma só força hegemónica permanente e predadora do país. Há esse risco muito grande. Imagine-se um BC com Sócrates à cabeça e sem ninguém para se lhe opôr. Ou com PPC sem oposição.

Em terceiro lugar, em 1982 não estávamos na UE. As nossas condições eram sempre piores.

Dito isto, penso que devia haver acordos em certas áreas políticas entre esses dois partidos para que não se sabotassem constantemente prejudicando o país. Neste momento o Parlamento inglês está reunido para fazer um acordo entre os dois partidos que salve o aço inglês. Nós precisamos de acordos políticos entre os dois maiores partidos relativamente a certas áreas fundamentais do país - como aliás foi feito recentemente na questão da imigração - e para certos dossiers como o do aeroporto. Essa é uma responsabilidade desses partidos e a sociedade devia pressioná-los a dar passos nesse sentido. 


O mal-amado

O Governo do Bloco Central teve excelente e péssima actuação. No conjunto do seu mandato, foi mais útil do que prejudicial ao país.

António Barreto

Tem alcunha que ficou mal na história: o “Bloco Central”. Só houve um, com este nome, liderado por Mário Soares e Mota Pinto. PS e o PSD juntos!

Público

April 09, 2025

Liguei a TV e apanhei o debate de Tavares e Raimundo

 


Cada um despejou a sua cassete. O debate foi desinteressante. Slogans sobre tudo, alguns contraditórios com outros que defendem e nenhuma proposta de solução de problema algum. Curiosamente, mas sem surpresa, muitos dos desejos de Raimundo (temos que falar mais vezes com Putin, temos de acabar com isso de armar a Europa, etc.) são os que Trump defende.


March 24, 2025

Uma falsa dicotomia

 


O que pesará mais no resultado final da AD, os portugueses que avaliam positivamente a governação e estão-se a marimbar para eventuais desvios éticos ou os portugueses que, mesmo dando nota positiva ao governo, não acham aceitável o facilitismo? A falta de transparência foi, e vai continuar a ser, o principal foco de instabilidade. O resultado da Madeira mostra que o eleitorado privilegia a estabilidade

Paulo Baldaia in Expresso


*********

Baldaia põe a questão do votos dos portugueses de tal modo que parece haver apenas duas alternativas: ou os portugueses votam Montenegro porque se estão nas tintas para a ética ou os portugueses não votam Montenegro, mesmo pensando que fez um bom trabalho, porque dão importância à ética. Desta maneira rotula os portugueses que votarem no PSD como pessoas sem ética. Obviamente uma falsa dicotomia (talvez com intenção pouco ética). Uma terceira alternativa a estas duas será a dos portugueses pensarem que a alternativa ao voto no PSD é o voto no PS, um partido que governou o país quase desde o início do milénio com um breve interregno de três anos, quase sempre com as mesmas pessoas e quase sempre com enormes escândalos de corrupção, compadrio, tráfico de influências, roubos, casos de mortes por negligência, perseguição de pessoas pelos poderes públicos, tentativa de captura da justiça, distribuição de familiares, amigos e correligionários pelos cargos do poder... enfim, uma falta de ética tão grande que um dos governantes desses largos anos de PS no governo está a braços com dezenas de processo na justiça. Fora todos os outros. Portanto, usando a (má) lógica de Baldaia, podíamos dizer que quem vota no PS não quer saber da ética e do facilitismo que os governantes do PS têm evidenciado ao longo de tantos anos.

March 23, 2025

No que me diz respeito nunca votarei num governo de bloco central

 


E não voto no PS enquanto as pessoas ministeriáveis são estas dos governos de Sócrates e de Costa.


Moderado, responsável, em coligação

António Barreto

Não é absolutamente certo, mas a estabilidade política e governamental criada por uma coligação e um governo de centro é o grande trunfo pelas liberdades e pelo progresso.  - Público


February 20, 2025

Um artigo muito interessante sobre a candidatura de Gouveia e Melo




Penso que só falta ter feito uma observação: a popularidade de Gouveia e Melo vem justamente de ser pouco conhecido para além da competência e seriedade que mostrou durante a pandemia. Os outros candidatos, em geral, já as pessoas os conhecem de ginjeira e sabem o que são: gente ao serviço de partidos, uns e, de si mesmos, outros. De resto, uma análise muito bem feita.

Gouveia e Melo não é um perigo, é um aviso ao PSD e PS (e o risco que corre é outro)


David Dinis

Parece que o Almirante Gouveia e Melo decidiu largar a carreira militar e abraçar uma candidatura presidencial, já a partir de março. Parece que muitos políticos se assustaram com isso e que alguns comentadores ficaram mesmo preocupados com a ascensão de um militar ao Palácio de Belém, cerca de 40 anos depois de Eanes. Percebo o susto de uns e o pânico de outros, mas estou em crer que é excessivo: o risco de Gouveia e Melo na Presidência não é ele ser militar, é outro. E talvez nem seja um perigo, mas um aviso.

Neste Observatório da Minoria, tento explicar-lhe porquê.

É melhor começar por explicar o pânico de alguns, porque há razões históricas que o justificam. Experimente, por razões de conforto e rapidez na pesquisa, perguntar ao ChatGPT, quais são os riscos de um militar na Presidência e terá prontamente à mão uma lista de tópicos. Começo por estes:
Risco de militarização da política, com maior controlo do Governo pelas Forças Armadas (como tivemos com o Conselho da Revolução, até 1982); 
Polarização e instabilidade social, “especialmente se o militar tiver apoio das Forças Armadas, mas não da maioria da população”; 
Potencial para desrespeito aos direitos humanos, como “perseguições políticas, desaparecimentos forçados, tortura e repressão a grupos opositores”; 
Risco de autoritarismo, como restrição da liberdade de expressão, censura aos media, ou repressão de opositores políticos e enfraquecimento das garantias constitucionais – em nome da “ordem e a estabilidade”; 
Criação de um precedente perigoso, “encorajando outros militares a envolverem-se na política e desestabilizando a ordem constitucional”; 
Desconfiança internacional: a comunidade internacional, especialmente as organizações que defendem os direitos humanos e a democracia, “pode ver essa mudança como um retrocesso e isolar o país politicamente ou impor sanções”.


Lendo isto, salta à vista que uma eleição de Gouveia e Melo é inofensiva para a nossa Democracia. Siga comigo: Portugal tem, há quase 50 anos, uma Constituição sólida, imune a retrocessos ou à militarização do Estado – sem que dois terços dos deputados abram esse espaço numa revisão futura; o papel do Presidente não é Executivo, pelo que as ameaças à liberdade de expressão não partem de Belém; não existe na estrutura militar qualquer tentação de subversão da ordem política; não é conhecida qualquer posição do Almirante contrária ao respeito dos direitos fundamentais; e, mais, sendo a eleição direta e unipessoal, Gouveia e Melo teria sempre o apoio da maioria dos votantes – pelo que o país estaria perfeitamente a salvo de tensões com os seus aliados.

Os manuais de história do século XX explicam que estes eram riscos muito sérios no auge da guerra fria. Mas o que os manuais de Ciência Política de hoje nos explicam é que os regimes autoritários já não se impõem, como antigamente, com tomadas de poder feitas pelas armas. Leia “A ditadura adaptada ao século XXI” e perceberá como “uma nova geração de políticos trocou as fardas militares pelos fatos de marca”, fazendo com que o que aconteceu no Chile e Uruguai em 1973, na Argentina em 1976 ou no Brasil em 1964 estejam hoje fora de causa (como prova a facilidade com que o golpe de Bolsonaro caiu por terra).

Sim, é verdade que a ameaça autoritária persiste e que vivemos tempos de visível regressão democrática. Só que, agora, os ditadores vestem-se de Prada, como dizem os autores daquele livro:

“Em vez de julgamentos que eram autênticos espetáculos ou brutais campos de detenção, estes novos ditadores controlam os cidadãos através da manipulação e de ações aparentemente democráticas, para construir a sua base de apoio.”

É por isto que os críticos de Gouveia e Melo estão a olhar para o lado errado da equação: o que nos deve preocupar não são os riscos da eleição de um militar para Belém, é o contexto em que essa eleição se revela possível em pleno século XXI.

Por outras palavras, a pergunta que nos devemos colocar é esta:
POR QUE É QUE GOUVEIA E MELO APARECE COMO FAVORITO?

A resposta a esta pergunta está na fragilidade das instituições democráticas, ou na crise institucional que enfraqueceu o sistema político. Há vários estudos que a atestam, mas veja por exemplo este, publicado pela OCDE há escassos meses:
    Em Portugal, só 32% confiam (ainda que moderadamente) no Governo central, abaixo dos 37% registados nos restantes países da organização;
    Os partidos políticos (18%) e o Parlamento (31%) são as instituições em que menos se confia em Portugal; 
    Apenas 43% dos portugueses estão satisfeitos com os serviços administrativos que utilizaram – um importante fator de confiança na função pública – em comparação com a média da OCDE de 66%. Neste campo, notam-se sobretudo níveis baixos de satisfação relativamente ao SNS, à justiça com são tratados os pedidos de apoio ao Estado e à (in)capacidade de proteger vidas em cenários de emergência; 
    Mais problemático ainda, todos os indicadores de confiança desceram nos últimos dois anos, como atesta o gráfico em baixo:

Tudo isto ajuda a explicar as más prestações nas sondagens dos potenciais candidatos vindos dos partidos: todos eles estão, justa ou injustamente, colados à perceção de que os políticos não têm resolvido os problemas quotidianos. Ao que se junta a ideia (muito visível nas comemorações do 25 de novembro esta semana), de que os políticos se entretêm em jogos de palavras, muitas vezes contribuindo ativamente para a má imagem que os cidadãos têm deles – com vergonha de subir os seus salários, quando trocam a disputa por ideias por acusações pessoais, quando falham na ética, na palavra, na proximidade.

O perfil público de Gouveia e Melo parece contrastar: o Almirante resolveu a distribuição das vacinas, no mais difícil dos momentos e contra a maioria das expectativas; e manteve-se visível à frente da Marinha, aproveitando a sua rara visibilidade para passar a mensagem da sua utilidade à frente desse ramo das Forças Armadas. Claro que, de caminho, foi abrindo o caminho para uma candidatura presidencial, conseguindo ótimos resultados nas sondagens.

A candidatura pré-anunciada serve, portanto, de aviso aos políticos e aos principais partidos. Mas será também um perigo?

Para não cair no erro de fazer juízos pré-concebidos, fui reler as várias entrevistas que ele deu à imprensa nos últimos anos. E percebi que o discurso que foi preparando, alinhando, testando, o coloca como um candidato muito forte nas eleições de janeiro de 2026. Repito o que lhe disse ainda há pouco: há um perigo, sim, mas não será aquele que eu próprio identificava como provável.

O QUE NOS FOI DIZENDO GOUVEIA E MELO, O PRÉ-CANDIDATO?

O pressuposto mais frequente sobre o posicionamento do Almirante é de que se trata de um militar com tendências populistas. Mas não é verdade: apesar da tentativa de colagem de André Ventura, Gouveia e Melo não está nem perto do discurso do Chega. Trago-lhe alguns exemplos:
"Eu não tenho nada contra o poder político, acho que é uma coisa muito nobre” (Correio da Manhã em dezembro de 2021); 
“Os partidos são essenciais para a democracia, que não sobrevive sem partidos. Mais uma vez, esta ideia do ‘são todos corruptos’: se são todos corruptos, então somos todos corruptos, não são só os outros. Há gente muito boa nos partidos, e os partidos são a forma como conseguimos congregar ideias políticas. Demonizar a política é péssimo para a democracia” (Expresso, dezembro 2021); 
“Os negacionistas são gente que vive numa bolha de desinformação, que se autodiminuiu” (Noticias Magazine, dezembro 2021); 
"A maior ameaça está relacionada com as alterações climáticas. Não quero ser apocalíptico, mas quando penso nos meus filhos e netos, não posso deixar de estar preocupado” (Noticias Magazine, dezembro 2021); 
“O nosso país tem muitos problemas que tem de resolver. O que é perigoso é a simplificação de soluções. E haver certas forças políticas que advogam soluções muito simplificadas que podem ser perigosas em termos de execução” (Noticias Magazine, dezembro 2021).
Outra das críticas que lhe têm sido feitas é sobre a ausência de pensamento sobre o país. Quem o diz anota, ao mesmo tempo, que um militar não deve falar de política. Mas Gouveia e Melo, claro, não o evitou grandemente:
“Vamos imaginar que alguém é condenado ao fim de 10 anos? É Justiça? A Justiça tem de ser célere” (Correio da Manhã, abril de 2024); 
"Tem de haver uma classe média forte para afastar as pessoas dos extremismos” (Correio da Manhã, abril de 2024); 
“Tenho agora um conhecimento superior do SNS, das fragilidades e potencialidades. O SNS mostrou grande capacidade de organização e resiliência na pandemia”(Noticias Magazine, dezembro 2021); 
“O centro deve ser forte e deve encontrar soluções” (DN, maio 2024); 
“Estamos nesta ambição de distribuir a riqueza inexistente, que não produzimos. E um dia vamos acordar sem riqueza para distribuir. Temos de ter a ambição de produzir riqueza para poder distribuir”(Expresso, dezembro 2021); 
“Sou do centro pragmático. Umas coisas mais à esquerda, outras mais à direita. É preciso que as pessoas tenham fé no sistema: se trabalharem e produzirem, a distribuição não fica acumulada e também vem para elas. Temos de criar um sistema minimamente justo, para que isto aconteça” (Expresso, dezembro 2021).
sobre o mundo de hoje, o Almirante em nada destoa do mainstream político português:
“Dois dos pilares da nossa segurança e prosperidade, a NATO e a UE, poderão vir a ser submetidas às maiores provações e testes de stress” (DN, maio 2024); 
“Se a Europa for atacada e a NATO nos exigir, vamos morrer onde tivermos de morrer para a defender” (DN, maio 2024; 
“A guerra na Ucrânia vai fazer repensar muitos dos modelos atuais. A Europa vai ter de se defender” (DN, maio de 2023); 
"Sempre existiu a tentada de criar um pilar europeu dentro da NATO, mas é o mesmo que dizer que temos um clube de futebol e que querem criar mais dois dentro desse clube. Já temos um clube, chama-se NATO, e tem a vantagem de unir as duas partes do atlântico. Começarmos a pensar numa só parte pode fazer como que a outra parte ache que já não vale a pena estar tão unida a nós" (DN, maio de 2023); 
“Quem levou a Finlândia e a Suécia para a NATO foi o sr. Putin” (DN, maio de 2023);


Por fim, a mensagem política – mas não partidária: ambição, com um cheirinho a ‘ordem’, fazendo lembrar o de Cavaco Silva quando apareceu lá nos idos anos 80:

  • “A Saúde tem muitas coisas, todos os ministérios têm. Este país levava anos a endireitar” (Nascer do Sol, junho de 2021);
  • “Faltam-nos líderes com visão política, para definir objetivos, estratégias e encontrar recursos para os cumprir. Se defino objetivos irrealizáveis, por não ter recursos, o que vou fazer? Passar a vida a escrever papéis e a deixar as coisas a degradarem-se? Porque quero manter-me num pseudo-lugar com um pseudopoder? Isso revolta-me. A população deve ser ambiciosa”(Expresso, dezembro 2021);
  • “Acho que devíamos fazer uma revolução cultural e de atitude que nos libertasse dos pesos que há anos nos prendem ao chão” (Noticias Magazine, dezembro 2021);
    “A maioria das pessoas são pessoas do bem. Se calhar, faltava-lhe um bocadinho de ordem” (Noticias Magazine, dezembro 2021);
    “Não estou a ver que Portugal tenha de ser um país pobrezinho, um país de coitadinhos, um país periférico. Todos nós temos de lutar” (Nascer do Sol, agosto 2024).

ISTO É UM AVISO AO PSD E PS
Por tudo isto, não admira que os políticos se assustem. É claro que Gouveia e Melo se posicionou, com tempo e método, como um forte candidato presidencial. Tem gravitas, tem discurso e posiciona-se onde os partidos têm tido mais dificuldades em afirmar-se, na concretização.

Henrique Gouveia e Melo será, por isto tudo, um candidato difícil de bater.

    As sondagens posicionam-no como favorito e a passagem à segunda volta parece bastante à mão;
    Terá uma longa campanha com forte exposição, provavelmente maior do que os adversários – sobretudo se PSD e PS insistirem em manter-se à margem do processo, sem apressar calendário – abdicando de ir à procura dos candidatos mais fortes e de garantir a unidade interna a partir daí;
    Pode ter ao lado vários candidatos, porque as direitas parecem insistir em marcar presença e as esquerdas mais ainda. Aliás, tendo em conta a vontade e os egos de muitos, até nos dois maiores partidos há riscos claros de haver sobreposições;
    Mais importante ainda, Gouveia e Melo tem um discurso tão longe da direita radical que será improvável que o partido que ficar de fora da segunda volta apele ao voto no candidato do adversário direto – seja o ligado ao PSD ou ao PS. Mais ainda quando é provável que, logo a seguir, venham eleições legislativas antecipadas.

    O VERDADEIRO RISCO DE GOUVEIA E MELO
Não tenho, portanto, ilusões. Gouveia e Melo tem hipóteses reais de chegar ao Palácio de Belém. O seu maior risco, creio, é um outro que ainda não vi referido: o almirante gosta de se apresentar como um “fazedor”, impaciente quando não vê as vontades alinhadas na direção em que quer, preparado para – como o método próprio de um militar capaz – meter as mãos na massa e resolver os problemas pessoalmente.

O azar é que se esteja a candidatar a um cargo onde não poderá fazer nada disso. Na Presidência da República pede-se alguém que conheça os protagonistas, que saiba trabalhar a fina arte da filigrana política, que consiga criar os incentivos para que os partidos se alinhem, na época mais turbulenta e perigosa da política nacional dos últimos 50 anos. Sempre de fora, sem qualquer poder Executivo.

Um Presidente é um influente, se for bem-sucedido. Se não o conseguir, não será nada – arriscando-se a prejudicar tudo.

Exato, é aí que quero chegar: se não tropeçar na campanha, onde terá de ir mais ao concreto em cada tema, Gouveia e Melo será um forte candidato. Mas será ele realmente um bom Presidente?

November 18, 2024

Se tivesse que aventar uma hipótese para Kamala Harris não ter sido eleita diria que foi por ser mulher

 


Sim, é verdade que na campanha não apresentou muitas ideias e no fim, às vezes, só dizia mal de Trump - mas ele fez o mesmo e insultou-a com frequência.

Sim, ela falou muito no tema dos direitos das mulheres - mas Trump desprezou o tema e isso devia ter funcionado contra ele e não a favor.

Kamala Harris, no debate que teve com Trump arrumou-o a um canto - mas em vez de isso jogar a seu favor parece ter jogado contra.

Kamala falou a favor dos pobres, dos que menos têm, das regiões com menos rendimentos, de dar apoios a quem precisa - mas isso parece ter funcionado contra ela. Trump, pelo contrário, falou contra os pobres, chamou-lhes loosers, falou contra os militares que morreram nas guerras, chamou-lhes loosers, prometeu cortar os apoios em vários sectores aos que mais precisam, prometeu expulsar imigrantes à toa - mas isso parece ter funcionado a seu favor contra Kamala.

Lembro-me de há uns anos, após Hillary ter perdido as eleições para Trump, apesar de ter tido mais votos que ele(!), terem-lhe feito uma campanha pública abjecta, de atribuição de culpas, por conta de, 'não ser emocional', 'ter demasiada inteligência' (os elogios que agora fazem a Musk), 'não falar como uma mulher', 'não se emocionar e chorar como uma mulher', 'ser muito cerebral', etc.

Portanto, se tivesse que aventar uma hipótese para Kamala Harris não ter sido eleita diria que foi por ser mulher.

E se penso que as pessoas votam baseadas nos seus preconceitos, com ignorância do programa e da história e práticas das pessoas que rodeiam os candidatos, por ressentimento contra qualquer coisa, por lealdades deslocadas e sem pensar nas consequências do voto? Sim, é exactamente isso que penso.

Um alemão pode dizer que se enganou a votar em Scholz, porque o homem não parecia ser um verme sem coluna vertebral. Agora, ninguém pode dizer que votou enganado em Trump e na sua pandilha porque eles não escondem quem são e ao que vêm.

Quando vejo pessoas como Ana Gomes defender terroristas, assassinos violadores que declaram publicamente que o fundamento da sua ideologia é a opressão e morte dos não-crentes e a escravatura sexual das mulheres, é exactamente isso que penso.