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December 18, 2025

"We are not puppets of great powers" -Merz

 

December 12, 2025

Palavras certeiras, venham os actos correspondentes

 


Não é só Trump que nos ameaça:
Sete estudantes de jornalismo alemães rastrearam cargueiros com tripulação russa que se escondiam ao largo da costa holandesa e alemã e relacionaram-os com enxames de drones sobre bases militares.

November 04, 2025

🇺🇦💪💙 Os ucranianos são impressionantes

 

Andam a fazer reformas no país de maneira a cumprirem os critérios de entrada na UE, no meio de uma guerra brutal em que lutam contra os ataques da Rússia, da China, da Coreia do Norte e do Irão. Estão numa batalha dificílima pelo controlo de Pokrovsk e nem mesmo assim páram as reformas políticas necessárias.
Sabemos que muito disto tudo se deve à personalidade, tenacidade e inteligência de Zelensky, mas o povo acompanha-o nessa resistência à adversidade.
Estamos já tão habituados ao heroísmo dos ucranianos que nem nos apercebemos deste feito excepcional. A Ucrânia é uma mais-valia para a vida, defesa, combatividade e futuro da UE.


October 16, 2025

A UE não precisa de mais cavalos de Tróia

 


September 10, 2025

Estive a ouvir o discurso do estado da União por von der Leyen

 

Foi um discurso forte e abrangente, não sem alguns truques de retórica... mas isso não tem mal. Incomodou-me a maneira como sempre fala de Gaza como se tivessem sido os israelitas a escolher começar esta guerra, a escolher o modo brutal e bárbaro do seu começo, como se os palestinianos, alguma vez, tivessem aceite a solução dos 2 Estados e como se os 500 milhões de árabes que cercam Israel no Médio Oriente e Norte de África, estivessem todos a ajudar os palestinianos e Israel estivesse a impedir essa ajuda. Reparei que quando falou da Ucrânia recebeu palmas mas quando falou de Gaza foram estrondosas - a Europa está cheia de anti-semitas.


September 06, 2025

"Actualmente, não conseguimos exercer pressão suficiente sobre Putin para pôr fim a esta guerra"


Pois, isso acontece porque andaram três anos a evitar lidar com a realidade e a confiar que os americanos resolvessem a situação sem grandes prejuízos para os europeus. A questão que importa é: agora que estão acordados e vêem a realidade vão agir com rapidez e eficiência? Para já, podem sempre endurecer as sanções, capturar o dinheiro russo congelado e usá-lo para a defesa da Ucrânia, enviar Tauros e outras armas aos ucranianos e pôr os aviões a fechar os céus da Ucrânia.


August 27, 2025

O que estão à espera para bloquear este indivíduo?


A Hungria entrou com uma ação no Tribunal de Justiça Europeu contra o Conselho da União Europeia sobre o uso dos juros dos activos russos congelados para apoiar a Ucrânia, — Suspilne.

É óbvio que isto foi uma ordem de Trump em obediência a Purtin. Façam qualquer coisa!

Hoje tivemos a confirmação de que os EUA estão a tentar activamente tomar território da Dinamarca, um aliado democrático e, por outro lado, dar terras da Ucrânia democrática à Rússia terrorista.

Que mais é preciso saber? Quando é que a Europa age decisivamente?

August 24, 2025

Os esclarecimentos de Von der Leyen




Há uma campanha a correr contra ela na UE, não apenas por parte de machistas, mas sobretudo por parte de putineiros que gostariam de ver a UE deslaçar-se, virar as costas à Ucrânia e voltar à amizade com Putin. Os admiradores de machos fortes. No que me diz respeito penso que ela ficará para a história da UE como uma grande estadista, uma pessoa com visão, cabeça lúcida, capacidade de decisão e de compromisso e agregadora de vontades positivas. Antes dela tivemos vários líderes que fomentavam a divisão entre os países europeus, cediam a lobbies e instigavam conflitos permanentemente. Na sequência do que diz Draghi, nestes tempos conturbados em que vivemos, onde tentam desagregar-nos de várias frentes, temos que pensar e agir como se fôssemos um só Estado com uma só voz.



Um novo capítulo no comércio transatlântico: forte, ainda que não perfeito


Ursula Von der Leyen

Diariamente, são mais de 4,6 mil milhões de euros de bens e serviços que atravessam o Atlântico, entre a União Europeia (UE) e os Estados Unidos da América (EUA). Com um total de 1,68 biliões de euros de comércio anual, a UE e os EUA têm a relação económica mais importante do planeta. Daí a importância do acordo alcançado no mês passado.

Muito se tem escrito sobre o acordo. Há aspetos que é importante abordar diretamente. Este acordo representa uma escolha deliberada: estabilidade e previsibilidade em vez de escalada e confronto. Imaginemos, por exemplo, que as duas maiores potências económicas do mundo democrático não tinham conseguido chegar a um acordo e iniciavam uma guerra comercial, os únicos a celebrar teriam sido Moscovo e Pequim.

Em vez disso, chegámos a um acordo. Um acordo forte, ainda que não perfeito.

Acreditamos que os direitos aduaneiros são impostos aplicados aos consumidores e às empresas. Aumentam os custos, reduzem as possibilidades de escolha e tornam as economias menos competitivas. Se tivéssemos retaliado com direitos aduaneiros do nosso lado, corríamos o risco de desencadear uma guerra comercial dispendiosa, com consequências negativas para os nossos trabalhadores, consumidores e indústrias. E em qualquer cenário de escalada, uma realidade permaneceria inalterada: os EUA continuariam a manter o seu regime pautal mais elevado e mais imprevisível.

O elemento mais importante do nosso acordo foi o facto de termos definido uma linha muito clara de 15% para a grande maioria dos produtos da UE, nomeadamente automóveis e produtos farmacêuticos. Ao estabelecer um limite máximo claro e global para os direitos aduaneiros, este acordo proporciona clareza e estabilidade aos milhões de europeus cuja subsistência depende do comércio com os EUA.

A taxa dos diretos aduaneiros para a UE é de 15% e é uma taxa global. A UE é o único parceiro económico que tem este teto pautal global: 15%, sem aumentos adicionais. Isto contrasta com os acordos dos EUA com outros países, em que as novas taxas de base acrescerão aos antigos direitos aduaneiros em vigor. Assim, as mercadorias europeias entrarão no mercado dos EUA em condições mais favoráveis, conferindo às empresas da UE uma vantagem distintiva.

Somos também os únicos parceiros que conseguiram uma garantia exclusiva sobre o limite pautal para os setores dos produtos farmacêuticos, dos semicondutores e da madeira. Além disso, temos um regime especial de direitos aduaneiros baixos para produtos estratégicos, tais como a cortiça, as peças de aeronaves e os produtos farmacêuticos genéricos. Não se trata de categorias abstratas; são fundamentais para a competitividade da Europa. Manter estes produtos isentos de direitos aduaneiros reforça tanto a UE como os EUA. E existe o compromisso claro de ambas as partes de continuarmos a trabalhar no sentido de alargar esta lista.

Ao mesmo tempo, a UE manteve-se firme nos seus princípios fundamentais. As nossas regras permanecem inalteradas. Cabe-nos decidir a melhor forma de proteger a segurança dos alimentos, salvaguardar a proteção digital dos cidadãos europeus e garantir a saúde e a segurança. Este acordo protege os nossos valores e promove os nossos interesses.

O acordo marca o fim de um capítulo, mas a história da prosperidade futura da Europa ainda está a ser escrita. A nossa relação económica com os EUA pode ser para nós a mais importante, mas é apenas uma parte de um panorama muito mais vasto. Os EUA são o principal destino do comércio europeu, mas representam apenas cerca de 20 % das exportações de mercadorias.

É por esta razão que a Europa continuará a reforçar e a diversificar os laços comerciais com os quatro cantos do mundo, a fim de gerar exportações, emprego e crescimento para a UE. É por esta razão que, nos últimos meses, celebrámos acordos comerciais com o México e o Mercosul e aprofundámos os laços com a Suíça e o Reino Unido. É por esta razão que concluímos as conversações com a Indonésia e pretendemos celebrar um acordo com a Índia até ao final do ano. Estas parcerias reforçam os nossos laços de confiança e cooperação e permitem-nos abordar desafios mundiais comuns, incluindo a modernização do sistema comercial baseado em regras.

Mais importante ainda, a Europa tem de reforçar a sua própria capacidade de agir num mundo mais volátil. Este reforço começa dentro de portas, completando o nosso mercado único. Como afirmou, acertadamente, Mario Draghi, “os elevados obstáculos internos e a fragmentação regulamentar são muito mais prejudiciais para o crescimento do que quaisquer direitos aduaneiros instituídos por um país terceiro”.

Atualmente, o comércio entre os Estados-Membros da UE representa menos de metade do volume de comércio entre os estados dos EUA. Se a Europa quer estar à altura do seu potencial, é este o nosso desafio mais urgente. Desde a redução da burocracia à promoção dos serviços transfronteiriços, sabemos o que é necessário fazer para desbloquear a competitividade europeia, e esta Comissão Europeia está profundamente empenhada em alcançar este objetivo.

A Europa mantém-se focada no longo prazo. Cabe-nos a nós completar o nosso mercado único, impulsionar a nossa competitividade e a sustentabilidade das indústrias de amanhã e garantir que a Europa continue a ser um pilar de estabilidade num mundo cada vez mais incerto. Se queremos uma Europa forte e independente, temos de ter a ambição e a unidade para lhe dar forma.

Expresso

August 18, 2025

Trump não é a NATO


A poucas horas do encontro em Washington, esta segunda-feira, com o Presidente ucraniano Volodymyr Zelensky e os aliados europeus, Donald Trump recorreu novamente à rede social Truth Social para se dissociar das exigências de Kiev. “Lembrem-se como isto começou. Não vai haver devolução da Crimeia entregue por Obama, há 12 anos, sem um único tiro disparado, e não vai haver entrada da Ucrânia na NATO”, escreveu o Presidente dos Estados Unidos, que colocou em Zelensky o ónus de alcançar a paz. (Público)


O que Trump diz às 3 horas da tarde não é o que diz às 4 horas da tarde. Em segundo lugar, Trump não é a NATO e a voz dele pode ser contrariada. Os países europeus têm de dar passos urgentes para uma defesa comum que possa ser independente dos EUA. Os EUA estão na NATO mas têm uma defesa própria paralela. É o que a Europa tem de fazer. A Ucrânia já fez mais pela sua defesa do que os países todos da Europa. Se queremos ter uma Europa democrática, com um Estado social forte temos que ser capazes de o defender porque ninguém vem defendê-lo por nós. E temos que desmantelar completamente a ideia da Rússia imperialista, colonialista. A Rússia é um país que decaiu de 2º mundo para 3º mundo, mas com armas de 1º mundo. Um perigo para todo o planeta.


July 29, 2025

O elefante no meio da sala

 

Li vários artigos à procura de informação sobre quanto pagam os EUA em tarifas depois do acordo e não encontro nada. Alguém pode dizer? Se nós pagamos 15%, eles pagam quanto? Também 15%? Ou ninguém diz porque eles pagam 0%? Só queria saber a dimensão do desastre que não compreendo a não ser como medo e cobardia da UE. Lembro-me de von ver Leyen dizer muitas vezes que se os EUA impusessem tarifas nós também imponhamos na mesma medida. Mas é como na oposição à Rússia e envio de armas à Ucrânia. Palavras, palavras e muito medo. Foi confrangedor ver von ver Leyen sentadinha, caladinha ao lado de Trump, como uma menina bem comportada, enquanto ele dizia mal da Europa e de tudo o que lhe apeteceu.


Depois do alívio, mercados começam a penalizar euro por acordo “desigual”

Incerteza das negociações gerou alívio, mas começa a ser substituída pela certeza de que a UE irá ter de suportar no mercado dos EUA tarifas bastante mais altas do que no passado.


July 24, 2025

Gostava que houvesse um canal de notícias oficial da União Europeia

 

Gostava que reportassem diariamente, o que estão a fazer relativamente à Ucrânia: já entregaram as armas? Já têm as sanções a funcionar? 

Já impediram Orban e Fico de ter acesso aos documentos europeus agora que fizeram um acordo formal com Putin contra a UE?

E outras notícias relativas a outros países europeus e às decisões que se tomam todos os dias na Europa.


June 03, 2025

A UE tem de dar o grito do Ipiranga na defesa

 

Lacrov e Rubio falam no dia a seguir à operação da Ucrânia em alvos militares russos:


O Departamento de Estado dos EUA, que observou que a chamada foi feita a pedido da Rússia, disse que Rubio reiterou o apelo do presidente dos EUA, Donald Trump, para continuar as negociações diretas entre a Rússia e a Ucrânia para alcançar “uma paz duradoura”.
O ministério também disse que, durante a conversa, Rubio expressou condolências pelas mortes que ocorreram quando duas pontes foram explodidas em regiões russas separadas que fazem fronteira com a Ucrânia.


Quer dizer, não têm uma palavra para os ucranianos acerca dos milhares de civis mortos intencionalmente pelos russos. Antes pelo contrário, chegam a culpar os ucranianos e fazem-lhes bullying na sala oval para o mundo ver e vão a correr prestar condolências aos russos quando morrem meia dúzia de pessoas como danos colaterais de uma operação gigantesca e complexa que conseguiu não matar civis, excepto esses.

A UE tem que tornar-se independente dos americanos em termos de defesa e juntar a Ucrânia a si mesma porque os EUA são grandes aliados da Rússia contra a Europa.

 

May 09, 2025

Leituras pela manhã - uma UE reformada num modelo de clusters?

 


A Europa precisa de uma nova forma de cooperar

Como preencher as lacunas criadas pelas deficiências da UE e da NATO

Sophia Besch e Richard Youngs

A Europa está a enfrentar um momento de transformação. Tanto a agressão russa como o antiliberalismo político e económico da administração Trump estão a ameaçar a coesão e a estabilidade do continente. Em resposta, a Europa está a considerar soluções rápidas, como reunir mais dinheiro para a defesa - através da despesa de cada país e de empréstimos da União Europeia - e formar coligações de Estados mais pequenas para reunir governos com ideias semelhantes. 

Estes remendos ajudarão a Europa a ultrapassar a turbulência imediata, mas não resolverão os desafios políticos e de segurança mais fundamentais do continente. Em vez disso, os governos europeus têm de conceber uma nova ordem regional através da qual possam alcançar uma Europa mais segura.

As duas principais alianças dos Estados europeus, a União Europeia e a NATO, estão demasiadas vezes paralisadas. A UE tem-se esforçado por implementar reformas muito necessárias e é prejudicada por divergências crescentes entre os seus Estados membros. A NATO, por seu lado, tem contado com os Estados Unidos para organizar a segurança europeia como o primeiro entre iguais da aliança. 

Uma política de segurança e defesa eficaz depende de um sentido partilhado de comunidade política, que uma série sucessiva de crises - incluindo a crise financeira da zona euro, o Brexit, a pandemia de COVID-19 e a invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia - esgotou. Sem o poder disciplinador da liderança dos EUA, os europeus têm de chegar a acordo entre si sobre o que estão exatamente a defender e porquê.

As soluções encontradas até à data não reflectem a profundidade e a complexidade dos ajustamentos necessários para salvaguardar a ordem europeia. Por um lado, há dirigentes estatais, decisores políticos e analistas que continuam a insistir que o continente só pode alcançar uma maior unidade através de uma maior integração na UE. Por outro lado, os governos europeus estão a tentar fazer avançar rapidamente os seus interesses de defesa e segurança através de coligações ad hoc de interessados, em que pequenos grupos de Estados se reúnem para enfrentar desafios políticos específicos - mais recentemente, para discutir soluções para o conflito na Ucrânia. 

Embora estas coligações possam contornar a falta de coesão política do bloco e oferecer rapidez e flexibilidade para enfrentar desafios urgentes, faltam-lhes responsabilidade, supervisão e acesso a orçamentos institucionais e planeamento integrado, o que limita o seu impacto.

Em vez disso, os governos europeus têm de adoptar uma ordem regional diferente. Sem uma mudança sistémica, o continente não será capaz de resistir às tempestades geopolíticas que têm perturbado muitos dos seus pressupostos estratégicos de longa data, incluindo a noção de que contará sempre com o apoio militar dos Estados Unidos. 

Para garantir a segurança da Europa a longo prazo e para enfrentar outros desafios políticos prementes, os governos europeus precisam de criar alianças mais fluidas e flexíveis. A criação de um novo sistema paralelo à UE, no qual diferentes grupos de Estados europeus possam cooperar em áreas políticas selecionadas, permitiria ultrapassar muitos dos actuais bloqueios burocráticos e ideológicos do bloco e permitiria aos europeus formar uma nova aliança, mais autossuficiente e democraticamente responsável, que protegesse melhor a ordem liberal da Europa.


COME TOGETHER

Durante as muitas crises das últimas duas décadas, os Estados-Membros da UE prometeram repetidamente reformar as elaboradas estruturas e procedimentos institucionais do bloco, incluindo os relacionados com a tomada de decisões, o orçamento e a participação dos cidadãos. No entanto, essas mudanças não se concretizaram. Embora todos os governos europeus acreditem que a UE precisa de reformas, não conseguem chegar a acordo sobre a natureza das mesmas. 

Alguns Estados-Membros beneficiam mais da actual configuração do que outros e, por isso, resistem a uma redistribuição do poder e dos recursos, e a maioria dos governos nacionais está relutante em ceder totalmente a sua soberania. Para além disso, as instituições da UE favorecem a gestão tecnocrática em detrimento de uma mudança disruptiva; a inércia burocrática e a complexidade jurídica bloqueiam esforços ambiciosos. Como resultado, o muito criticado status quo mantém-se.

Para contornar o facto de tanto a UE como a NATO terem dificuldade em responder ao tipo de desordem política que emana da segunda administração do Presidente dos EUA, Donald Trump, os governos europeus têm sido atraídos para a construção de coligações de interessados. Esta estratégia tem os seus atractivos: os líderes podem escolher quem querem consultar sobre qualquer questão específica e podem contornar processos institucionais lentos e burocráticos.

Um exemplo recente proeminente é a coligação centrada na Ucrânia, que começou com pequenas reuniões de líderes europeus organizadas pela França e pelo Reino Unido em março de 2025 para coordenar a ajuda militar, a formação e o planeamento pós-guerra para a Ucrânia fora dos quadros da UE ou da NATO. 

Este modelo é agora frequentemente discutido como uma solução milagrosa para contornar a paralisia estratégica da Europa. Mas, na realidade, as coligações de vontades são mais adequadas para as políticas do que para a acção.

As coligações restritas compostas por países que podem mobilizar recursos políticos e económicos significativos acabam muitas vezes por excluir os pequenos e médios Estados, deixando-os alienados e marginalizados. 

Foi precisamente o que aconteceu com o agrupamento da Ucrânia: após a resistência dos Estados excluídos, a coligação foi rapidamente alargada para incluir 31 países. Como resultado, inclui agora vários membros que não querem ou não podem contribuir significativamente, o que dilui a sua eficácia e ilustra como um mecanismo concebido para a rapidez e a coesão pode tornar-se tão pesado como as instituições que procura contornar.

Além disso, as coligações ad hoc são demasiado frágeis para organizar discussões políticas a longo prazo e não são capazes de gerir as sobreposições entre diferentes áreas políticas - por exemplo, entre as alterações climáticas e a segurança - porque tendem a abordar questões individuais isoladamente. 

As coligações também não beneficiam do tipo de partilha de informações a nível de bloco ou de estruturas de comando e controlo que são necessárias para coordenar destacamentos militares multilaterais. Também não têm acesso ao financiamento institucional da UE, essencial para o financiamento de objectivos fundamentais, incluindo o reforço da segurança. 

O que, no papel, pode parecer um avanço - os governos europeus organizam reuniões rapidamente - é, na realidade, mais um exemplo de problemas que resultam de deficiências sistémicas.

Nos últimos 75 anos, Washington não só forneceu a maior parte da dissuasão convencional e nuclear do continente, como também concebeu, através da OTAN, o consenso de segurança estratégica em torno do qual os Estados europeus se uniram. Agora, a Europa vê-se confrontada com um governo americano que, na melhor das hipóteses, é apático e, na pior, antagónico, e que parece decidido a transferir unilateralmente o ónus da segurança do continente para os seus aliados europeus, que têm de se reorganizar para preencher as lacunas. 

Concordaram em gastar mais dinheiro para reforçar as capacidades europeias e os depósitos de munições. Mas uma defesa verdadeiramente europeia exige coerência estratégica sobre a forma de organizar este esforço: onde, como e com que objectivos este dinheiro deve ser gasto. As recentes objecções de alguns Estados membros às propostas ReArm da UE para aumentar as despesas com a defesa - em particular, à marca agressiva da iniciativa e à ênfase no reforço militar convencional em detrimento de outras prioridades, como a defesa das fronteiras ou a cibersegurança - ilustram como a incapacidade de encontrar esse terreno comum pode prejudicar progressos importantes.

O caminho a seguir deve ter algumas raízes nas instituições actuais. Por exemplo, as estruturas de comando e controlo da OTAN e os processos de planeamento da defesa constituem atualmente a espinha dorsal da defesa europeia, e as alavancas da política industrial de defesa da UE, tais como empréstimos e subsídios, são essenciais para organizar eficazmente o rearmamento europeu e ucraniano. Mas estes processos só podem levar a Europa até certo ponto. A NATO não funciona sem os Estados Unidos e os Estados membros da UE não confiam plenamente nas suas instituições em Bruxelas ou entre si. Em última análise, nenhuma das organizações está preparada para satisfazer as inúmeras necessidades da segurança europeia.

Além disso, uma defesa comum deve basear-se em valores e objectivos políticos partilhados. Actualmente, nem a adesão à UE nem à OTAN sugere o compromisso de um Estado com as noções básicas da ordem liberal. 

A UE debateu a questão de os seus membros não partilharem os mesmos valores fundamentais durante muitos anos e o custo da sua não resolução tornou-se agora prejudicialmente elevado. 

As acções do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, como o apoio às posições russas e a falta de cooperação com a Ucrânia, estão a tornar-se cada vez mais perturbadoras, não só para a democracia na Hungria, mas também para as normas fundamentais da ordem liberal europeia. A UE tem procurado, em vão, persuadir o Governo húngaro a corrigir a sua atuação. A prática emergente de os líderes da UE emitirem declarações em nome de 26 Estados - todo o bloco, excepto a Hungria - também não é uma solução duradoura. O Governo eslovaco está a seguir uma direção semelhante à da Hungria e outros Estados poderão fazê-lo no futuro. 

São necessárias formas mais radicais para afastar esses países de áreas de cooperação de importância vital.

Por outro lado, alguns membros que não pertencem à UE e à NATO deveriam estar mais próximos do centro da ordem europeia. A UE e o Reino Unido, por exemplo, beneficiariam com a mediação de uma nova aliança política e de segurança para colmatar urgentemente as clivagens causadas pelo Brexit. Houve momentos de cooperação, incluindo a mobilização de apoio militar, humanitário e económico para a Ucrânia e a imposição de sanções à Rússia. Está actualmente em preparação um pacto de segurança UE-Bretanha relativamente modesto. É também necessária uma melhor forma de incluir formalmente a Ucrânia na ordem europeia. 

A adesão à NATO está fora de alcance e a adesão à UE é demasiado lenta, incerta e burocrática para ser uma ajuda tangível para os imperativos de segurança imediatos da Ucrânia. Bruxelas comprometeu-se a reformar o processo de adesão para o tornar mais rápido e mais imediatamente benéfico, mas ainda não cumpriu essa promessa.

ACABAR COM O ANTIGO

Para garantir tanto a autonomia estratégica como a inclusão, a Europa precisa de uma ordem reformada centrada na cooperação baseada em tratados entre as democracias liberais do continente, incluindo tanto os membros como os não membros da UE. 

Deve ser construída em torno de uma estrutura institucional inovadora, na qual diferentes grupos de Estados participam, em graus variados, em todas as áreas políticas. Ao contrário das coligações ad hoc de vontades, este modelo seria ancorado por um núcleo institucional. 

Cada agrupamento estabeleceria os seus próprios mecanismos de governação liderados pelos governos dos Estados participantes e estaria sujeito a supervisão - talvez por um secretariado intergovernamental nomeado ou por um órgão parlamentar composto por representantes dos Estados membros do agrupamento. Os países adeririam a estes agrupamentos de forma voluntária - provavelmente através de acordos em determinadas áreas políticas - permitindo alguma sobreposição de adesões a diferentes agrupamentos. 

Os Estados nórdicos e mediterrânicos com perfis energéticos complementares poderiam unir-se num grupo climático, por exemplo. A Ucrânia poderia cooperar plenamente com os Estados europeus em matéria de política externa e de segurança sem ter de esperar pelo resultado das conversações formais de adesão à UE.

Não há necessidade de abandonar as instituições, a legislação e os processos da UE que funcionam bem em determinados domínios políticos. O organismo deve continuar a governar as políticas tecnológicas, digitais e comerciais do continente, por exemplo. 

Porém, o modelo de clusters oferece uma forma de quebrar os impasses persistentes noutras áreas políticas mais controversas, como a defesa ou a acção climática, permitindo que grupos de Estados europeus com ideias semelhantes cooperem mais profundamente sem o constrangimento da necessidade de unanimidade a nível da UE. 

Embora os núcleos principais - especialmente o centrado na segurança - exijam um compromisso firme com os valores democráticos liberais, a adesão dos outros poderia ser mais alargada. Fundamentalmente, a adesão não seria estática: os governos poderiam ser suspensos ou expulsos pelo grupo se violassem as normas fundamentais. E as decisões tomadas no seio de um agrupamento seriam vinculativas apenas para os membros desse agrupamento.

A flexibilidade deste modelo pode ajudar o continente a estabelecer obrigações claras e mecanismos de decisão comuns. 

Há muitos anos que os peritos europeus em segurança têm vindo a apelar a este tipo de integração. No entanto, na prática, os decisores políticos têm-se concentrado na protecção das suas próprias instituições, em vez de criarem um, tão necessário, novo modelo de ordem europeia. 

O choque da invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia levou os europeus a lançar um amplo esforço de rearmamento para defender o continente contra invasões militares. 

O choque do ataque ideológico da administração Trump contra os valores europeus - expresso de forma mais viva pelo Vice-Presidente JD Vance na Conferência de Segurança de Munique, em Fevereiro - convida os governos europeus a repensar os parâmetros básicos da sua ordem regional. 

É muito positivo que os líderes europeus pareçam estar a assumir mais responsabilidades, mas isso não é o mesmo que preparar a Europa de forma abrangente para uma nova era, mais exigente. Sem medidas importantes e concretas, o “novo começo europeu” que estes dirigentes anunciaram com tanta confiança revelar-se-á provavelmente mais um falso amanhecer.

May 05, 2025

Não percebo nada de economia mas...

 


Sermos inundados de produtos chineses via Orban, que se alinha com russos e chineses contra a UE não me parece a melhor estratégia para a nossa economia... quando é que suspendem a Hungria das decisões europeias, do espaço Schengen, das votações sobre a Ucrânia, etc.? Orban está alinhado com o maior inimigo da UE. Não percebo. O que andam a fazer em Bruxelas? Passam dias, semanas, meses e anos e só falam, falam. Não percebo. 




April 19, 2025

Porque é que há pressa

 


“The west as we knew it no longer exists. Europe is still a peace project. we don't have bros or oligarchs making the rules. we don't invade our neighbors, and we don't punish them."

              - Ursula von der Leyen ao Jornal Zeit

Rússia pede aos EUA para comprar jactos Boeing com activos congelados. Seria absolutamente escandaloso se os EUA concordassem com isto, em vez de entregarem os bens russos à Ucrânia como compensação. Espero sinceramente que isto nem sequer esteja a ser considerado.
bloomberg.com

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Há pressa porque daqui a 3 ou 4 anos não sabemos quem está à frente dos países da UE. Vimos como nos EUA Biden não fez o que devia ter feito e em um mês e meio Trump destruiu completamente a política externa americana e em mais dois meses destruiu a democracia americana. Em três meses tornou o país irreconhecível, tanto por dentro como por fora.

A Europa tem aqui uma oportunidade de se fortalecer, de se reinventar e de construir uma muralha de segurança relativamente à Rússia imperialista. Para o fazer precisa de apostar na Ucrânia e em si mesma. E há muita pressa, porque agora temos uma esmagadora maioria de líderes lúcidos e com a cabeça no lugar, mas a Europa é uma democracia e periodicamente há eleições e de repente tudo muda e não podemos correr o risco de uma meia-dúzia de Trumps ficarem à frente dos países a destruir tudo. 
Só aqui em Portugal temos 3 partidos Trump: o PCP, O BE e o Chega. Apoiam Putin com os mesmos falsos argumentos de Trump de não quererem guerras. 

Portanto, há muita pressa em dar passos concretos e não apenas fazer reuniões e falar. Os países que fazem parte da coligação dos que estão disposto a ajudar a Ucrânia tem de chamar os outros países para a coligação. Não nos podemos dar ao luxo de ter países alienados dos interesses da UE como se pudessem viver lá no seu cantinho a receber sem dar. Ora, a segurança é o bem mais importante que temos porque sem ela, não há UE que resista. 

E na UE tem de haver uma comissão que trabalhe em emendas ao tratado de base da União que permita coerência e união de facto. Tornar claras as fronteiras do que se considera aceitável e inaceitável aos seus membros e as sanções aplicáveis: perda de voto, perda de acesso ao espaço Schengen, perda de ajudas, perda de acesso a documentos sensíveis. Conjugar esforços e estratégias na defesa. Podemos ter vários exércitos diferentes, o que é bom, porque os países têm forças adaptadas às suas realidades - nós precisamos de uma marinha porque temos muito mar, outros países precisam de outras especificidades- mas fazer com que trabalhem em conjugação e não cada um para seu lado. 

A Ucrânia já assinou um pré-acordo com os EUA, sem nenhuma contrapartida em termos de defesa. Zero. Todas as contrapartidas são para Putin. Se calhar pensa-se que daqui a 4 anos os EUA terão outra administração que cumprirá acordos e os EUA deixarão de ser o nº 2 do líder do mundo opressor e oprimido, como é agora com Trump. Deus queira que sim. Porém, é preciso contar com a possibilidade de Trump estar a destruir a independência do poder judicial americano e a sobrepor-se ao Congresso e à Constituição para ficar lá mais tempo. Imitar Putin. Até já tem uma milícia privada de criminosos que tirou da prisão e agora lhe são leais.

De maneira que há pressa. Há muita pressa. Tempos diferentes precisam de ritmos e soluções diferentes.

April 17, 2025

A Europa tem de deixar de falar com Trump, Rubio, Vance e quejandos sobre a Ucrânia

 


Tem é de chegar-se à frente e fazer o que é preciso sem mais demoras. Trump  não quer saber dos ucranianos e enquanto a Europa fala com essa gente os russos matam pessoas às dezenas. Têm que fazer em vez de falar e deixar de esperar pelas opiniões de Trump. Isto é enervante. Estão há 3 anos a falar...


March 27, 2025

Ucrânia update

 


Não se pode confiar na Rússia. Já violaram, só nos últimos 20 anos,190 acordos - Sky News


"Já passaram mais de duas semanas desde que a Ucrânia concordou com um cessar-fogo imediato de 30 dias. Essa proposta continua sem resposta. Já passou mais de uma semana desde que Putin concordou com um cessar-fogo energético e de infra-estruturas, mas desde então a Rússia atacou infra-estruturas energéticas em cidades de toda a Ucrânia. Aumentaram os bombardeamentos, disparando mais de 1000 drones de longo alcance contra o país, atingindo casas, escolas e hospitais ucranianos, com vítimas civis generalizadas.” -Keir Starmer


“Haverá definitivamente uma força na Ucrânia, uma coligação europeia co-pilotada com o primeiro-ministro britânico Keir Starmer. Não cabe à Rússia escolher o que acontece no território ucraniano. De uma forma muito concreta, acordámos que o Primeiro-Ministro britânico e eu próprio daremos um mandato aos nossos Chefes de Estado-Maior para enviar uma equipa franco-britânica à Ucrânia nos próximos dias para trabalhar em estreita colaboração com os nossos parceiros ucranianos, que também concordaram com este mecanismo para preparar o formato do futuro exército ucraniano em todas as áreas. 
O segundo elemento das garantias de segurança são as forças de tranquilização que poderíamos colocar no dia seguinte [após a assinatura do acordo de paz] na Ucrânia. Seriam forças dos poucos Estados-Membros presentes, porque não há unanimidade sobre este ponto. Estas forças estariam presentes em determinados locais estratégicos pré-identificados com os ucranianos e forneceriam apoio e garantias a longo prazo aos europeus e actuariam como dissuasores de uma potencial agressão russa.
Não está na altura de levantar as sanções à Rússia. A pressão económica vai manter-se, nomeadamente no que respeita aos navios fantasma e a algumas produções industriais. As sanções só serão levantadas depois de conseguida uma paz sólida.  - Emmanuel Macron


A manutenção da paz na Ucrânia não se limitará às tropas terrestres - as forças aéreas e navais aliadas também farão parte da missão. Espera-se que unidades britânicas e francesas estejam estacionadas nas principais cidades, portos e em torno de infra-estruturas críticas. O planeamento já está em curso - os países da NATO estão a preparar-se para a fase pós-guerra, com o objetivo de impedir novas agressões russas, mesmo após o fim dos combates activos.

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