April 26, 2026

Porque é que a Alemanha só agora acordou para a questão da defesa



KATJA HOYER

West German Chancellor Konrad Adenauer visiting for the first time the newly established Bundeswehr, January 1956. Img: Bundesarchiv, Bild 146-1998-006-34 / Wolf, Helmut J. / CC-BY-SA 3.0


Aconteceu algo notável esta semana: a Alemanha lançou a sua primeira estratégia militar desde a Segunda Guerra Mundial. A Bundeswehr, como é conhecido o exército alemão do pós-guerra, definiu quem é o seu principal adversário (a Rússia) e o que precisa de fazer para lhe fazer frente (construir o maior exército convencional da Europa). Isto é tão novo e ambicioso que não será exagero chamar-lhe “histórico”.

Há que em diga que ambos os Estados alemães do pós-guerra tiveram, em tempos, exércitos consideráveis e conscrição durante a Guerra Fria, e que os actuais esforços de rearmamento são uma restauração desse estatuto e não algo novo, mas não concordo. O que estamos a ver agora é fundamentalmente diferente em três aspectos-chave:

A) Nenhuma das Alemanhas do pós-guerra teve de pensar estrategicamente.
B) Não se esperava que as suas forças fossem destacadas, de forma séria, para grandes missões de combate.
C) Tendo perdido duas guerras mundiais e permanecendo profundamente marcadas pelos crimes associados à segunda, nem a Alemanha de Leste nem a de Oeste desenvolveram um ethos militar que celebrasse o serviço militar como acontece noutros países, incluindo os EUA, o Reino Unido, a França e a Rússia. Por razões históricas compreensíveis, a cultura alemã do pós-guerra tem sido cautelosa em relação a tudo o que é militar e até à própria ideia de patriotismo.

O actual esforço nacional de rearmamento — que prevê a criação de uma grande força militar de 460 000 pessoas, incluindo 200 000 reservistas, tudo isto baseado na primeira estratégia pós-guerra alguma vez concebida em Berlim — é totalmente novo. 

Para ter sucesso, exigirá uma revisão e reforma cuidadosas das atitudes estabelecidas em relação à guerra, ao serviço militar e ao país. Vale a pena examinar como os alemães se rearmaram após a Segunda Guerra Mundial para compreender as raízes da Bundeswehr actual.

Quando a Alemanha nazi perdeu a guerra em maio de 1945, o seu exército, a Wehrmacht, rendeu-se incondicionalmente e foi dissolvido pelos Aliados pouco depois. Na verdade, a desmilitarização foi um dos poucos princípios sobre o futuro da Alemanha em que todos concordaram.

Colourised image of Wehrmacht soldiers surrending in Bohemia, 1945. Img: Johannes Dorn - Collection Peter, CC BY-SA 4.0.

Isto significa que, quando a Alemanha de Leste e a Alemanha de Oeste foram criadas em 1949, não tinham forças militares próprias. Ambas acolhiam tropas dos países que continuavam a ocupá-las. Provavelmente teria permanecido assim durante mais tempo não fosse o surgimento da Guerra Fria, que levou sobretudo os EUA a reconsiderar a situação. Washington precisava da Alemanha Ocidental para reforçar a linha da frente europeia contra o comunismo.

Já em 1951, a Alemanha Ocidental começou a criar unidades policiais paramilitares para ajudar a guardar a fronteira inter-alemã (a longa linha no meio do país; o Muro de Berlim só seria construído uma década depois). 

Planos vagos de rearmamento estavam em curso desde 1947/48, mas este desenvolvimento específico resultou de um novo sentido de urgência provocado pela Guerra da Coreia, que prendeu os EUA e os confrontou com a expansão comunista por meios militares. Precisavam dos alemães ocidentais para manter a linha na Europa.

Independentemente das necessidades práticas, é surpreendente, em retrospectiva, a forma como este processo decorreu. No outono de 1950, teve lugar uma reunião na Abadia de Himmerod, onde antigos oficiais da Wehrmacht, encarregados pelo chanceler Konrad Adenauer, delinearam opções para o rearmamento.

O memorando resultante propunha um exército de cerca de 500 000 homens — mais do que os planos actuais, apesar de uma população menor. Defendia também que a única forma de construir um novo exército alemão seria reabilitar o antigo, garantindo continuidade de pessoal e tradições. “As nações ocidentais”, exigiu o presidente da reunião, “devem tomar medidas públicas contra a ‘caracterização prejudicial’ dos antigos soldados alemães”.

Em janeiro de 1951, Dwight D. Eisenhower fez precisamente isso, afirmando que existia uma diferença real entre o soldado alemão e Hitler. Isto ajudou a criar o mito da “Wehrmacht limpa”, conceito que viria a ser contestado nos anos 1990 e 2000, quando uma famosa exposição da Wehrmacht, dividida em duas partes, a contestou ao centrar-se nos crimes cometidos pelas forças armadas regulares durante a guerra.

Nos anos 1950, esse mito abriu caminho ao rearmamento — mas com uma condição: a Alemanha não tomaria decisões estratégicas de forma autónoma. A integração europeia avançava e, em 1955, a Alemanha Ocidental aderiu à NATO. Isto aconteceu no início de Maio, ou seja, quase no mesmo dia, 10 anos após o fim da Segunda Guerra Mundial.

Ficou decidido: haveria uma nova força militar alemã — a Bundeswehr, fundada oficialmente a 12 de novembro de 1955. Mas isso viria a ser contido pelas decisões dos Aliados, sobretudo pelas dos EUA. Os planos de Adenauer para desenvolver armas nucleares para a Alemanha Ocidental foram também imediatamente abortados.

A Alemanha Oriental respondeu a este processo criando as suas próprias forças armadas, o Exército Popular Nacional, começando com unidades da polícia militar em 1952 e culminando na formação oficial do NVA a 18 de janeiro de 1956. Dez dias depois, aderiu à contraparte comunista da NATO, a Organização do Tratado de Varsóvia, frequentemente referida como o «Pacto de Varsóvia». Tanto a Bundeswehr como a NVA introduziram o serviço militar obrigatório para os homens e ambas receberam proporções comparativamente elevadas do PIB.

Em geral, os jovens (e, no caso da RDA, também as mulheres) que escolheram o serviço militar como carreira fizeram-no porque apreciavam a estabilidade e o espírito de camaradagem desse tipo de vida. Aqueles que foram obrigados a cumpri-lo durante algum tempo (especialmente no Leste, onde não havia alternativa civil ao serviço militar, ao contrário do que acontecia no Ocidente), muitas vezes ressentiam-se com a experiência. Mas ambos os grupos podiam contar com a possibilidade de evitar o combate activo.

Um exemplo que ilustra este ponto é a repressão da Primavera de Praga, um movimento de reforma na Checoslováquia sob a liderança do político eslovaco Alexander Dubček. Quando, na madrugada de 20 de Agosto de 1968, uma força de invasão de 500 000 soldados do Pacto de Varsóvia ameaçou esmagar qualquer resistência no país da Europa Oriental, as forças da NVA da RDA estavam entre as unidades de apoio. O líder da Alemanha Oriental, Walter Ulbricht, queria enviá-las em força para provar o valor do seu país aos soviéticos, mas mesmo eles foram cautelosos em não enviar soldados alemães para a Europa Oriental apenas uma geração após a Segunda Guerra Mundial. As tropas da NVA nunca chegaram a atravessar a fronteira para a Checoslováquia, embora estivessem a ajudar o comando soviético. Foi uma decisão tomada em Moscovo e não em Berlim, essa de não enviar tropas da NVA para combate aberto.

As implicações práticas e as relações eram diferentes, mas o princípio de seguir a grande estratégia definida pelos aliados era semelhante na Alemanha Ocidental. Após a reunificação, a Alemanha também não elaborou o seu próprio documento estratégico. 

Após a invasão russa em grande escala da Ucrânia, o então chanceler Olaf Scholz continuou a salientar que o seu país «não agiria sozinho» no que dizia respeito ao apoio à Ucrânia, mas aguardaria orientações dos EUA. Scholz também salientou que a Alemanha nunca seria uma «parte» nessa guerra.

Esses princípios fundadores do rearmamento alemão após a Segunda Guerra Mundial estão agora a mudar:

A) Ao desenvolver a sua própria estratégia militar abrangente, a Alemanha está a começar a pensar estrategicamente - pela primeira vez desde 1945.

B) O ministro da Defesa, Boris Pistorius, afirmou que quer que a Alemanha seja «kriegstüchtig» ou «pronta para a guerra», esperando claramente que os soldados estejam prontos para serem destacados.

C) Existem tentativas em pequena escala para valorizar mais o serviço militar, por exemplo, com o primeiro Dia dos Veteranos da Alemanha, celebrado no ano passado.

Esta é uma mudança enorme por inúmeras razões e terá de ser cuidadosamente ponderada e gerida. O lançamento da nova estratégia militar deveria, sem dúvida, ser uma notícia muito mais importante do que é, tendo em conta as vastas transformações culturais, políticas, económicas e sociais que terão de a sustentar.

Não há uma forma fácil de resolver este dilema. A Alemanha terá de encontrar um equilíbrio muito delicado ao tentar conciliar a necessidade de força militar com uma relutância profundamente enraizada em permitir que o militarismo volte a ganhar força.

“Acordem”

 


A UE enfrenta ‘momento único’ para crescer em respeito - Macron em Atenas, numa conversa pública com o primeiro-ministro grego

A UE prepara um “manual” de defesa depois de “nada ter sido feito” durante uma década…

Os líderes dos 27 Estados-membros da União Europeia decidiram na sexta-feira exigir a criação de um “manual” de defesa na cimeira do Conselho Europeu realizada em Nicósia, perante dúvidas quanto ao compromisso dos EUA com a aliança militar da NATO.

As preocupações com as críticas do Presidente Donald Trump à NATO por não apoiar a guerra com o Irão, bem como as suas ameaças no início deste ano de tomar a Gronelândia à aliada Dinamarca, aumentaram a urgência de definir as disposições de assistência mútua da UE.

O Presidente do Chipre, Nikos Christodoulides, afirmou que os líderes da UE concordaram, na cimeira em Nicósia, que era altura de desenvolver o pacto previsto no Artigo 42.º, n.º 7 do tratado fundamental do bloco.

O Artigo 42.º, n.º 7 do Tratado da União Europeia estabelece que “se um Estado-membro for vítima de agressão armada no seu território, os outros Estados-membros têm para com ele uma obrigação de ajuda e assistência por todos os meios ao seu alcance”.

Ao contrário do Artigo 5.º da NATO — considerado a pedra angular da segurança europeia — a cláusula de assistência mútua da UE não é apoiada por planos operacionais detalhados nem por estruturas militares.

O Artigo 42.º, n.º 7 foi activado apenas uma vez, pela França, após ataques islamistas terem morto 130 pessoas em Paris, em 2015. Outros Estados-membros da UE contribuíram então para missões militares internacionais, permitindo à França reposicionar tropas no seu território.

Embora o Serviço Europeu para a Ação Externa tenha publicado, em 2022, um documento de “lições aprendidas” com o objectivo de reforçar e formalizar a infraestrutura de defesa mútua da UE, fontes do governo cipriota lamentaram que “nada tenha sido feito” na década desde a única ativação da cláusula.

Macron: “Acordem”…

Com os líderes dos EUA, da Rússia e da China todos “contra” a Europa, o continente enfrenta um “momento único” em que precisa de “ganhar confiança” para ser respeitado, afirmou Macron perante uma audiência em Atenas, numa discussão sobre a Europa ao lado do primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis.

“Não devemos subestimar que este é um momento único em que um presidente dos EUA, um presidente russo e um presidente chinês estão claramente contra os europeus. Este é o momento certo para nós. Acordem”, disse Macron.

Mitsotakis: “Precisamos de assumir mais responsabilidade na defesa”

Numa discussão abrangente, ambos os líderes sublinharam a necessidade de a União Europeia desenvolver a sua capacidade estratégica para garantir a prosperidade e segurança do bloco de 27 países.

Reconhecendo preocupações quanto à capacidade da UE de reagir a “placas geotectónicas em mudança”, Mitsotakis afirmou que a União deve reforçar a sua economia estratégica, destacando o acordo de defesa entre Grécia e França.

“Precisamos de assumir mais responsabilidade na defesa, aumentando o investimento e fazendo-o à escala”, afirmou.

Mitsotakis reiterou a posição de longa data de Atenas sobre a necessidade de activar de forma mais eficaz o Artigo 42.º, n.º 7 do Tratado da União Europeia.

Acrescentou que a UE deve levar mais a sério a cláusula de assistência mútua, tal como a Grécia fez ao apoiar recentemente o Chipre após este ter sido alvo de ataques com mísseis durante o conflito no Médio Oriente.

O apoio ao Chipre por vários países europeus, incluindo a Grécia, “marcou a primeira prova tangível de que a Europa pode defender os seus Estados-membros mesmo sem o envolvimento directo de terceiros”.

O apoio da Grécia ao Chipre foi “uma declaração política de que não dependemos apenas da NATO”, afirmou.

Perante aplausos, o presidente francês declarou que a ajuda da França pode ser tida como garantida caso a Grécia enfrente uma ameaça revisionista por parte da Turquia:

“Estaremos aqui. A aliança franco-grega — é isto”, concluiu.

South East Med Energy & Defense

'Os Jogos da Fome' tornados reais

 

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) acaba de adjudicar à Palantir um contrato de 300 milhões de dólares, sem concurso público, para consolidar os dados agrícolas americanos numa única plataforma. 

O acordo, baseado numa iniciativa denominada «Um Agricultor, Um Ficheiro», proporcionará à Palentir um perfil digital unificado de todos os agricultores do país, das suas terras, dos seus subsídios e das suas cadeias de abastecimento, tudo isto através da mesma plataforma Foundry que já sustenta as deportações do ICE e a identificação de alvos militares.

Desde que Trump assumiu o cargo, os contratos federais da Palantir «quase-duplicaram», abrangendo a Defesa, a Segurança Interna, o ICE, o Tesouro, a Justiça, o HHS e, agora, o USDA.   

O USDA é apenas a mais recente porta a abrir-se, e esta conduz diretamente ao abastecimento alimentar.   

A empresa por trás de tudo isto foi co-fundada por Peter Thiel, o bilionário assustador, um homem cujo biógrafo descreveu as suas ideias políticas como essencialmente um anseio por um ditador, que lançou a Palantir com «capital inicial da CIA», financiou a candidatura de JD Vance ao Senado com 15 milhões de dólares e escreveu uma vez que a democracia está em declínio desde que o sufrágio feminino tornou a «democracia capitalista» um oxímoro.   

A gerir as operações do dia-a-dia está o CEO Alex Karp, que afirmou aos investidores que a empresa existe para «assustar os inimigos e, ocasionalmente, matá-los», advertiu o público de que «algumas pessoas vão ter a cabeça decepada» e fantasiou com a ideia de aspergir analistas de Wall Street com urina misturada com fentanil.

Ex-funcionários condenaram publicamente a sua retórica cada vez mais violenta, e um manifesto que a empresa publicou recentemente online foi descrito por todo o espectro político como caricaturalmente fascista. 
 
Portanto, quando a administração Trump atribui a esta empresa em particular um contrato sem concurso público relativo à infraestrutura agrícola americana, isso não é um pormenor.

Colocar a arquitetura de vigilância do Estado de segurança americano a cargo do abastecimento alimentar, sem qualquer concurso público e com um debate público mínimo, deveria preocupar muito mais pessoas do que preocupa actualmente!  

earthchangesandcomingpoleshift (Threads)

Também na China andam a desaparecer investigadores de ponta

 

Uma série de mortes e desaparecimentos inexplicáveis entre cientistas de elite americanos que levou a uma investigação do FBI e reportagens da Newsweek, revelam agora que a China enfrenta o seu próprio conjunto de, pelo menos, nove mortes misteriosas nas áreas da inteligência artificial (IA) militar, armas hipersónicas e defesa espacial.

O total combinado de cerca de 20 investigadores, 11 nos Estados Unidos e nove na China, levanta questões sobre se o seu trabalho será o fio condutor.

O padrão sugere esforços direcionados para travar programas rivais através da eliminação de inovadores-chave em tecnologias militares avançadas.

UK Times


Que países sabemos serem capazes de levar a cabo este tipo de iniciativas criminosas?


Bom dia

 


April 25, 2026

A produção ocidental continua presa ao modo de tempo de paz?

 

Quem são as pessoas responsáveis pela nossa defesa que não percebem que não há defesa sem armas eficazes e adequadas aos tempos?

 Volodymyr Zelenskyy fez um balanço na cimeira da UE:  
Os EUA 🇺🇲 produzem cerca de 60 a 65 mísseis interceptores PAC-3 por mês. O que parece muito no papel, ele descreve como «nada». A razão reside na extrema intensidade dos conflitos modernos.
Uma análise das recentes escaladas no Médio Oriente ilustra o problema: lá, foi consumida em apenas 24 horas uma quantidade de mísseis que a indústria levaria dois anos inteiros a produzir. 
Esta discrepância entre a capacidade industrial e a procura real é o maior perigo para a Ucrânia.
A mensagem de Zelenskyy é clara: a produção ocidental 
continua presa ao modo de tempo de paz.
Se a Europa 🇪🇺 e os EUA não aumentarem de forma massiva e imediata as suas capacidades, a defesa aérea tornar-se-á uma questão de pura sorte assim que os stocks se esgotarem. Uma constatação da realidade que dá que pensar, mas que é alarmante, para os chefes de Estado presentes.

A única coisa que evolui na campanha russa é o número de mortos

 

ONU - Isto não podia ser inventado


E só acontece porque Guterres exerce o cargo como um mestre de cerimónias em vez de defender a Carta dos Direitos Humanos e dos Direitos das Nações que é a razão de ser das Nações Unidas.

 

Quanto mais os EUA se tornam e aliam a ditadores mais a Europa deve fortalecer a democracia

 


Trump quer trazer de volta aos EUA os pelotões de fuzilamento e a cadeira eléctrica porque são métodos visualmente brutais, logo de atemorização. Quer ser temido como Putin e Xi. Quer ter a sua clique de ladrões rodeada de armaduras impenetráveis. Quanto mais os EUA se afastam da democracia para se aproximar das sociedades militarizadas da Rússia e China mais a Europa deve reforçar a sua determinação humanista e a sua recusa de todas as ideologias fascistas: os extremistas e radicais da política, da religião e da misoginia. Devemos querer que o avanço da tecnologia esteja ao serviço da nossa defesa e direitos humanos e não da ameaça a outros. 

Gostei do discurso de Seguro

 

Um discurso sobre a liberdade, a manutenção da liberdade, os cuidados a ter para não retroceder nas liberdades, individuais e comuns.


Aguiar-Branco e a bolha

 

Aguiar-Branco  está no Parlamento, no dia 25 de Abril, a fazer a apologia da vitimização dos políticos.

Está a dizer, a propósito da desconfiança dos portugueses em relação aos políticos, que a proibição de subir salários aos políticos, esquece que, para atrair os melhores ao serviço público, é preciso pagar-lhes bem.

O que Aguiar-Branco esquece que não são apenas os políticos que fazem serviço público: também os professores, os enfermeiros, os médicos, os polícias, os trabalhadores das câmaras, etc. 

Sendo que estas pessoas não podem legislar abonos e serventias que os políticos se atribuem a si mesmos, pela porta do cavalo.

E esquece completamente que a desconfiança em relação aos políticos advêm das dezenas e dezenas de casos de corrupção, desvio de fundos, compadrios, nomeação de familiares e amigos para cargos políticos e de gestão pública e todos os políticos que, não sendo eles mesmo prevaricadores, apoiam e defendem com unhas e dentes todos esses abusadores porque têm algo a ganhar com a sua manutenção no poder.

E quanto à rapariga de mérito que ele citou, não é por causa de ganharem mal que não entra na política, mas porque os políticos têm alergia a pessoas de mérito independentes nas suas fileiras. 

Ao falar contra o populismo dos que falam que os políticos vivem na bolha, mostrou que vive na bolha.


Perspectivas

 

Talvez cínicas mas reais.



Maior falhanço da democracia: a manutenção de uma sociedade com uma grande multidão de pobres

 


Em Portugal, a distribuição da riqueza é caracterizada por uma desigualdade significativa, com uma elevada concentração de património no topo e uma percentagem considerável da população em risco de pobreza. 

Pobres e Risco de Pobreza (Dados de 2024-2025): Cerca de 15,4% a 16,4% da população residente em Portugal encontra-se em risco de pobreza monetária, o que corresponde a cerca de 1,7 a 2,1 milhões de pessoas.

Pobreza Extrema: A taxa de pobreza extrema situa-se em torno de 5,2% a 6,4%.

Privação Material: Cerca de 5,3% da população vive em situação de privação material e social severa.
Fundação Francisco Manuel dos Santos +3

Ricos e Concentração de Riqueza: 10% da população com maior património concentra mais de metade da riqueza nacional (cerca de 50% a 70% do património), enquanto os 20% mais pobres detêm apenas cerca de 0,1% da riqueza total.

Os 5% mais ricos: Quase metade da riqueza de Portugal pertence a apenas 5% da população.

Considerados "Ricos" (Finanças): O Ministério das Finanças considera que quem ganha acima de 80 mil euros brutos por ano faz parte dos 1% mais ricos em termos de rendimento.

Millonários: Portugal conta com cerca de 166 mil pessoas com uma fortuna superior a um milhão de euros.
YouTube +3

Resposta da IA

Blast from the past - 25 de Abril




(um texto que escrevi neste dia ainda no outro blog)



No dia do 25 de Abril é preciso reflectir sobre o exercício do poder que temos III

por beatriz j a, em 25.04.19

Há uma placa no Largo do Carmo a lembrar a acção de Salgueiro Maia no dia 25 de Abril de 1974. A placa não é dourada nem está numa parede com pompa a brilhar. Não. Está no chão, sem protecções, onde pode ser, e é, pisada por toda a gente que por ali passa. E é assim que está bem. Parece-me a mim que é uma grande metáfora do espírito do 25 de Abril e dos heróis desse dia, pessoas como Salgueiro Maia cuja noção do dever e coragem foram determinantes para o seu sucesso, pessoas que fizeram a revolução a pensar nos outros.

Como todos sabemos, Salgueiro Maia saiu para a Revolução às 3.30h da manhã com um pequeno e simples discurso acerca de já não ser possivel adiar a acção para acabar com o 'estado a que isto chegou' e voltou ao quartel nesse mesmo dia às 23.30h com a revolução feita como deve ser.

Como também sabemos, a caminho do Terreiro do Paço, foram passando por forças da segurança que não se manifestaram e deixaram-nos passar sem problemas até chegarem à Rua do Arsenal onde parecia que o movimento podia ser travado mas não foi, em parte pela sua coragem de manter-se firme e em parte pela recusa dos militares de dispararem contra si, como conta o próprio.

Mais tarde ao chegar ao Largo do Carmo, já contava com o apoio da populção, 
“Pelo meio dia e trinta cerquei o quartel da G.N.R. do Carmo. Foi bastante importante o apoio dado pela população no realizar destas operações pois que além de me indicarem todos os locais que dominavam o quartel e as portas de saída deste, abriram portas, varandas e acessos a telhados para que a nossa posição fosse mais dominante e eficaz. Também nesta altura começaram a surgir populares com alimentos e comida que distribuíram pelos soldados”
O 25 de Abril não é obra de uma só pessoa como nenhuma revolução o é mas, há pessoas que nos momentos decisivos em que os destinos se decidem, para o melhor ou para o pior, têm a coragem de manter-se fiéis aos seus princípios e ideais, por vezes com a coragem de pôr a vida em risco e, são esses que fazem a diferença. Salgueiro foi essa pessoa.

Como também sabemos Salgueiro Maia manteve-se fiel aos seus princípios e, mesmo em plena revolução, quando a História nos mostra ser vulgar a deriva para o excesso no exercício do poder, manteve-se sempre dentro dos limites da acção ética, no respeito pelos outros, mesmo por aqueles que se queria derrubar. A placa no Largo do Carmo, está no sítio exacto onde ele se dirigiu a Marcello Caetano e outros governantes sitiados no quartel e partir do qual escoltou Marcello Caetano, sempre com grande contenção de emoções e dignidade, em segurança, até ao avião que o levou do país.

Essas acções dele deram a tónica ao que viria a ser a revolução: um movimento popular de liberdade e não de violência.

Há falsos heróis desse dia, há outros que foram vítimas da ditadura mas que usaram a revolução para se tornarem naquilo contra o qual lutaram e há os que não souberam, e não sabem, nem exercer o poder sem abusos, nem largá-lo.

Salgueiro Maia era um homem do povo mas foi um Senhor. Um herói da revolução popular que soube exercer o poder quando foi necessário (e perigoso) e largá-lo quando chegou o momento e foi necessário.

largo-do-carmo-placa-chc3a3o-2.jpg

lxi-3012-01.jpg

Placa de memória a Salgueiro Maia no Largo do Carmo

salgueiro2carmo-1.jpgSalgueiro Maia no Largo do Carmo no dia 25 de Abril de 74

Salgueiro-Maia-na-Rua-do-Arsenal.jpg

Salgueiro Maia na Rua do Arsenal no dia 25 de Abril de 74 (não sei de quem é esta famosa fotografia)

A famosa fotografia dos carros de combate, mostra os carros de combate da Escola Pratica de Cavalaria, comandados por Salgueiro Maia, e os do Regimento de Cavalaria nº7, de Lisboa, comandados por um general, que ordenou fogo contra os de Salgueiro Maia, mas os subordinados não lhe obedeceram, evitando um confronto sangrento. (de um comentário ao post)

 

April 24, 2026

Parabéns a mim 🙂

 

Hoje faz 22 anos que deixei de fumar e nunca mais peguei num cigarro (nem no cachimbo, ou em cigarrilhas, etc.) Como deixei de fumar aí pela 1 e meia da tarde, a esta hora já andava stressada a embirrar com alguém. Foi muuito difícil (para mim e para quem tinha de conviver comigo) mas, O que seria da vida se não tivéssemos coragem de tentar nada? Ainda tenho dois maços fechados porque manter dois maços fez parte da mentalização para conseguir deixar de fumar assim abruptamente. Estão no fundo de uma gaveta, já nem sei ao certo qual.




'I dream my painting, and then I paint my dream' — Vincent van Gogh

 


«Sinto uma certa calma. Há segurança no meio do perigo. O que seria da vida se não tivéssemos coragem de tentar nada? Vai ser uma luta difícil para mim; a maré sobe alto, quase até aos lábios e talvez ainda mais, como posso saber? Mas vou travar a minha batalha, lutar com todas as minhas forças e tentar vencer e tirar o melhor partido disso.»

— Vincent van Gogh (1853–1890)

Isto tem remédio

 

E o remédio é os países avisarem já que não vão a nenhuma cimeira com a Rússia e não irem mesmo. Ficam os EUA a falar com a Rússia, a China, a Índia, e mais 3 ou 4 bandidos. Será muito útil... e mais deve avisar que, se o avião de Putin passar pelo espaço dos seus países prendem-no.


Casa Branca vai convidar Rússia para cimeira do G20 na Florida



Quando é que os estudantes universitários se tornaram tão burros e ignorantes?

 

O que é que a nova esquerda neo-racista e neo-colonialista anda a ensinar aos estudantes? Estou em desacordo com o discurso da rapariga que se diz pró-vida mas a outra é tão burra e ignorante que até a faz parecer inteligente e razoável.


 

Hegseth, cuja especialidade é vestir-se e pentear-se à moda e andar sempre apinocado

 

Os EUA pensam mesmo que são donos do mundo. 


EUA admitem suspender Espanha da NATO como 'castigo' pela falta de apoio à guerra no Irão, Sánchez diz que Madrid é “parceiro leal” (expresso)


Mil palavras

 

Uma fotografia com as campeãs do ténis feminino. Hã...? Onde estão elas...? Já vi! Foram escondidas atrás dos homens que não são capazes de ver uma mulher à frente deles.