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October 14, 2026

Muito preocupante




A caixa negra dos dados e o silêncio português

Luís Vidigal

Governação eletrónica

No início deste ano, o sítio da Sociedade Civil perguntou se o Estado Português estava a preparar uma "caixa negra" de dados com a Palantir. A pergunta ficou até hoje sem resposta. Procurámos e não encontrámos nenhum contrato público, embora estas compras possam passar por integradores e subcontratados sem que a marca apareça.

O que nos preocupa não é o que já foi comprado. É a falta de regras orientadoras para a aquisição de uma futura plataforma de dados públicos.

Estas plataformas chegam normalmente através de consultoras parceiras. A Igeneris, de Madrid, é parceira oficial da Palantir e abriu um escritório em Lisboa em 2025. É uma atividade legítima e é assim que este mercado funciona.

Entretanto, vários países europeus mudaram de posição. Na Suíça, o Exército recusou a Palantir por receio de que o governo norte-americano pudesse aceder a dados militares sensíveis. Em França, a DGSI, os serviços de informações internos, decidiu substituí-la por uma solução francesa e a Alemanha fez o mesmo. Em Espanha, o Governo orientou as empresas em que o Estado participa a não celebrarem novos contratos com a Palantir.

Há, porém, uma lição comum. Em França a transição só termina em 2028 e em Espanha o contrato com as Forças Armadas manteve-se. Onde a plataforma já está profundamente integrada, sair é lento e muito caro.

O Reino Unido mostra como se entra. A Palantir chegou ao NHS em 2020, em plena pandemia, com um contrato simbólico de uma libra. Hoje gere os dados clínicos do país num contrato de 330 milhões. Primeiro foi a emergência, depois o piloto e depois a infraestrutura.

A questão não é a qualidade técnica da ferramenta. É o lugar que ela ocupa, onde os dados fiscais, de Saúde e de Segurança Social passam a orientar prioridades e decisões. Quem desenha esse lugar influencia a forma como o Estado olha para os cidadãos. E se o fornecedor está sujeito à lei de outro país, a questão passa a ser também de soberania.

Importa, por isso, conhecer as ideias de quem dirige a empresa. Peter Thiel, cofundador e presidente do conselho de administração, não é apenas um investidor com opiniões. É mentor e principal financiador político do vice-presidente norte-americano J.D. Vance e a Palantir nasceu com apoio do braço de capital de risco da CIA. Escreveu que deixou de acreditar que liberdade e democracia são compatíveis e, nas conferências que tem dado em São Francisco, Paris e Roma, apresenta qualquer projeto de governação global, incluindo a regulação da Inteligência Artificial ou o combate às alterações climáticas, como obra do Anticristo.

Alex Karp, o presidente executivo da Palantir, defende que as democracias devem acelerar a tecnologia militar e distingue culturas que produziram maravilhas de outras que considera regressivas. Uma plataforma de dados nunca é neutra, porque traz consigo uma forma de organizar o que conta e o que tem prioridade. Quando uma empresa dirigida por quem vê nas regras democráticas uma ameaça e se propõe organizar os dados de um Estado europeu, a pergunta sobre quem controla essa camada deixa de ser técnica e passa a ser política.

Em Portugal, este debate ainda não começou. Não conhecemos orientações públicas, avaliações do CNCS, pareceres da CNPD ou discussão parlamentar sobre o tema.

É natural que os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde e a eSPap sejam contactados por fornecedores de plataformas de dados. Seria útil saber se houve já demonstrações ou propostas e com que critérios serão avaliadas.

O momento torna esta transparência mais importante. A SPMS vai concentrar-se na área digital e o país está a construir a infraestrutura europeia de dados de saúde. O número único de utente, que permite cruzar a informação de cada cidadão, é um ativo valioso que merece proteção.

Há também uma necessidade real. O Governo estima que cerca de 800 milhões de euros por ano se perdem em fraudes no SNS e a deteção de fraude é precisamente uma das utilizações mais comuns destas plataformas. É um objetivo legítimo e, por isso mesmo, convém definir as regras antes que a urgência as defina por nós.

Essa prudência ganha peso quando o Governo propõe que o Tribunal de Contas deixe de fiscalizar previamente mais de 90% dos contratos públicos. Por isso, menos controlo prévio exige regras mais claras.

Propomos quatro medidas simples. Transparência sobre os contactos da SPMS e da eSPap com fornecedores destas plataformas; parecer prévio do CNCS e da CNPD sempre que se cruzem bases de dados de vários organismos; cláusulas de saída definidas antes de assinar; e uma orientação clara que valorize soluções europeias e competências internas nas funções de soberania.

A boa burocracia protege direitos antes de os reparar e este é um desses momentos. Tanto quanto sabemos, ainda não há caixa negra da Palantir no Estado português, por isso propomos apenas que as regras sejam decididas agora, enquanto é fácil, porque a eficiência e a soberania dos dados não se podem comprar a qualquer preço.

DN

April 26, 2026

'Os Jogos da Fome' tornados reais

 

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) acaba de adjudicar à Palantir um contrato de 300 milhões de dólares, sem concurso público, para consolidar os dados agrícolas americanos numa única plataforma. 

O acordo, baseado numa iniciativa denominada «Um Agricultor, Um Ficheiro», proporcionará à Palentir um perfil digital unificado de todos os agricultores do país, das suas terras, dos seus subsídios e das suas cadeias de abastecimento, tudo isto através da mesma plataforma Foundry que já sustenta as deportações do ICE e a identificação de alvos militares.

Desde que Trump assumiu o cargo, os contratos federais da Palantir «quase-duplicaram», abrangendo a Defesa, a Segurança Interna, o ICE, o Tesouro, a Justiça, o HHS e, agora, o USDA.   

O USDA é apenas a mais recente porta a abrir-se, e esta conduz diretamente ao abastecimento alimentar.   

A empresa por trás de tudo isto foi co-fundada por Peter Thiel, o bilionário assustador, um homem cujo biógrafo descreveu as suas ideias políticas como essencialmente um anseio por um ditador, que lançou a Palantir com «capital inicial da CIA», financiou a candidatura de JD Vance ao Senado com 15 milhões de dólares e escreveu uma vez que a democracia está em declínio desde que o sufrágio feminino tornou a «democracia capitalista» um oxímoro.   

A gerir as operações do dia-a-dia está o CEO Alex Karp, que afirmou aos investidores que a empresa existe para «assustar os inimigos e, ocasionalmente, matá-los», advertiu o público de que «algumas pessoas vão ter a cabeça decepada» e fantasiou com a ideia de aspergir analistas de Wall Street com urina misturada com fentanil.

Ex-funcionários condenaram publicamente a sua retórica cada vez mais violenta, e um manifesto que a empresa publicou recentemente online foi descrito por todo o espectro político como caricaturalmente fascista. 
 
Portanto, quando a administração Trump atribui a esta empresa em particular um contrato sem concurso público relativo à infraestrutura agrícola americana, isso não é um pormenor.

Colocar a arquitetura de vigilância do Estado de segurança americano a cargo do abastecimento alimentar, sem qualquer concurso público e com um debate público mínimo, deveria preocupar muito mais pessoas do que preocupa actualmente!  

earthchangesandcomingpoleshift (Threads)

March 13, 2026

Espero que nenhum país na UE dê dinheiro a este criminoso


Estes americanos bilionários são iguais aos islamitas. O mundo actual é governado por pedófilos, misóginos, javardos e religiosos terroristas. E os políticos extremistas, tantos os da direita como os da esquerda são os seus rebanhos.

January 25, 2026

Palantir

 


Finalmente percebe-se que o DOGE era um estratagema para roubar os dados pessoais de todas as agências governamentais para tornar o Palantir possível. Foi o maior roubo de dados da história. Na Geórgia os russos usam a tecnologia de reconhecimento de rosto para identificar os protestantes e depois aparecem-lhes em casa. A Palantir está no Reuno Unido e não sei em quantos mais países. A Europa fala de independência mas entrega a uma das empresas MAGA cujo dono é um fascista confesso os dados de todos os seus cidadãos.