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April 25, 2026

Gostei do discurso de Seguro

 

Um discurso sobre a liberdade, a manutenção da liberdade, os cuidados a ter para não retroceder nas liberdades, individuais e comuns.


Maior falhanço da democracia: a manutenção de uma sociedade com uma grande multidão de pobres

 


Em Portugal, a distribuição da riqueza é caracterizada por uma desigualdade significativa, com uma elevada concentração de património no topo e uma percentagem considerável da população em risco de pobreza. 

Pobres e Risco de Pobreza (Dados de 2024-2025): Cerca de 15,4% a 16,4% da população residente em Portugal encontra-se em risco de pobreza monetária, o que corresponde a cerca de 1,7 a 2,1 milhões de pessoas.

Pobreza Extrema: A taxa de pobreza extrema situa-se em torno de 5,2% a 6,4%.

Privação Material: Cerca de 5,3% da população vive em situação de privação material e social severa.
Fundação Francisco Manuel dos Santos +3

Ricos e Concentração de Riqueza: 10% da população com maior património concentra mais de metade da riqueza nacional (cerca de 50% a 70% do património), enquanto os 20% mais pobres detêm apenas cerca de 0,1% da riqueza total.

Os 5% mais ricos: Quase metade da riqueza de Portugal pertence a apenas 5% da população.

Considerados "Ricos" (Finanças): O Ministério das Finanças considera que quem ganha acima de 80 mil euros brutos por ano faz parte dos 1% mais ricos em termos de rendimento.

Millonários: Portugal conta com cerca de 166 mil pessoas com uma fortuna superior a um milhão de euros.
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Resposta da IA

Blast from the past - 25 de Abril




(um texto que escrevi neste dia ainda no outro blog)



No dia do 25 de Abril é preciso reflectir sobre o exercício do poder que temos III

por beatriz j a, em 25.04.19

Há uma placa no Largo do Carmo a lembrar a acção de Salgueiro Maia no dia 25 de Abril de 1974. A placa não é dourada nem está numa parede com pompa a brilhar. Não. Está no chão, sem protecções, onde pode ser, e é, pisada por toda a gente que por ali passa. E é assim que está bem. Parece-me a mim que é uma grande metáfora do espírito do 25 de Abril e dos heróis desse dia, pessoas como Salgueiro Maia cuja noção do dever e coragem foram determinantes para o seu sucesso, pessoas que fizeram a revolução a pensar nos outros.

Como todos sabemos, Salgueiro Maia saiu para a Revolução às 3.30h da manhã com um pequeno e simples discurso acerca de já não ser possivel adiar a acção para acabar com o 'estado a que isto chegou' e voltou ao quartel nesse mesmo dia às 23.30h com a revolução feita como deve ser.

Como também sabemos, a caminho do Terreiro do Paço, foram passando por forças da segurança que não se manifestaram e deixaram-nos passar sem problemas até chegarem à Rua do Arsenal onde parecia que o movimento podia ser travado mas não foi, em parte pela sua coragem de manter-se firme e em parte pela recusa dos militares de dispararem contra si, como conta o próprio.

Mais tarde ao chegar ao Largo do Carmo, já contava com o apoio da populção, 
“Pelo meio dia e trinta cerquei o quartel da G.N.R. do Carmo. Foi bastante importante o apoio dado pela população no realizar destas operações pois que além de me indicarem todos os locais que dominavam o quartel e as portas de saída deste, abriram portas, varandas e acessos a telhados para que a nossa posição fosse mais dominante e eficaz. Também nesta altura começaram a surgir populares com alimentos e comida que distribuíram pelos soldados”
O 25 de Abril não é obra de uma só pessoa como nenhuma revolução o é mas, há pessoas que nos momentos decisivos em que os destinos se decidem, para o melhor ou para o pior, têm a coragem de manter-se fiéis aos seus princípios e ideais, por vezes com a coragem de pôr a vida em risco e, são esses que fazem a diferença. Salgueiro foi essa pessoa.

Como também sabemos Salgueiro Maia manteve-se fiel aos seus princípios e, mesmo em plena revolução, quando a História nos mostra ser vulgar a deriva para o excesso no exercício do poder, manteve-se sempre dentro dos limites da acção ética, no respeito pelos outros, mesmo por aqueles que se queria derrubar. A placa no Largo do Carmo, está no sítio exacto onde ele se dirigiu a Marcello Caetano e outros governantes sitiados no quartel e partir do qual escoltou Marcello Caetano, sempre com grande contenção de emoções e dignidade, em segurança, até ao avião que o levou do país.

Essas acções dele deram a tónica ao que viria a ser a revolução: um movimento popular de liberdade e não de violência.

Há falsos heróis desse dia, há outros que foram vítimas da ditadura mas que usaram a revolução para se tornarem naquilo contra o qual lutaram e há os que não souberam, e não sabem, nem exercer o poder sem abusos, nem largá-lo.

Salgueiro Maia era um homem do povo mas foi um Senhor. Um herói da revolução popular que soube exercer o poder quando foi necessário (e perigoso) e largá-lo quando chegou o momento e foi necessário.

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Placa de memória a Salgueiro Maia no Largo do Carmo

salgueiro2carmo-1.jpgSalgueiro Maia no Largo do Carmo no dia 25 de Abril de 74

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Salgueiro Maia na Rua do Arsenal no dia 25 de Abril de 74 (não sei de quem é esta famosa fotografia)

A famosa fotografia dos carros de combate, mostra os carros de combate da Escola Pratica de Cavalaria, comandados por Salgueiro Maia, e os do Regimento de Cavalaria nº7, de Lisboa, comandados por um general, que ordenou fogo contra os de Salgueiro Maia, mas os subordinados não lhe obedeceram, evitando um confronto sangrento. (de um comentário ao post)

 

April 28, 2024

Hoje comprei o SOL de ontem

 

Claro que me chamou a atenção a caixa com a imagem da Catarina Eufémia e o título de que o PCP roubou o corpo dela à família, mas o jornal vem cheio de entrevistas e reportagens interessantes a propósito do 25 de Abril, o que é bom para variar. A revista com a reportagem sobre a Catarina Eufémia está muito boa. Não fala apenas no acontecimento do seu assassinato, mas abarca o contexto da greve que ela e as outras mulheres fizeram, da vida naquela zona do Alentejo e em geral nas condições de trabalho dos trabalhadores do campo antes do 25 de Abril. O PCP, já depois da revolução, capitalizou a morte dela à revelia dos direitos da família dela e fabricou uma memória a partir dela, coisa que o marido dela nunca lhes perdoou e que ainda hoje a filha, sobretudo, se ressente.




April 25, 2024

Ontem falámos do 25 de abril nas aulas

 


Ainda por cima vinha a propósito do tema dos valores. Os miúdos sabem que antes não havia liberdade e que podia acontecer ir-se preso por contestar o poder, mas quase nenhum sabe ao certo o que isso significava nas possibilidades de vida. Estivemos um pouco a falar das limitações tremendas na vida das raparigas e das mulheres tratadas como menores mentais -no trabalho, na escolha de um projecto de vida autónomo, nas decisões sobre o seu destino, o seu corpo, etc.- mas também dos rapazes e dos homens - a grande dificuldade de sair do enquadramento da sua classe social e até da profissão dos pais, a obrigação de ir trabalhar logo aos 10 ou 12 anos e de sustentar a família, a obrigação de ir combater numa guerra que não lhes dizia nada, etc. Falámos na necessidade de estar constantemente alerta para as tentativas de diminuir ou até reverter direitos, mesmo que já adquiridos. Dei muitos exemplos de situações  quotidianas que hoje nos parecem aberrantes.


Zero sentido de Estado

 

Na AR a Leitão cumprimenta toda a gente que não é do seu partido com cara de enjoo. E vamos ver as parvoíces e deselegâncias que o Presidente escolheu dizer hoje...

O CDS está a fazer um discurso forte e de confronto.

O Rui Tavares a fazer uma homilía populista... pensa que somos todos crianças manipuláveis...

O PCP faz um discurso assertivo e consensual. Parece-me.

A Mariana faz um discurso forte e de confronto.

A IL faz um discurso muito forte e de confronto directo e indisfarçável ao Presidente e não só: também aos Khameneis do rectângulo. Inesperado. São contra um 'Ministério da Verdade'. Eu também.

O Ventura no seu habitual discurso populista, construído com a exploração dos buracos do regime, cavados pela mediocridade dos políticos que temos tido. 

Pedro Nuno Santos faz um discurso assertivo e consensual. 

O PSD escolhe Ana Gabriela Cabilhas, uma mulher, jovem deputada, para o discurso. Espero que não tenha sido uma escolha populista, porque a deputada merece respeito. Fez um discurso de esperança e consenso. (afinal é uma cidadã independente. muito bem)

Aguiar-Branco faz um elogio bonito e merecido à coragem dos capitães de Abril e às últimas vítimas do regime da ditadura. Fez um discurso forte mas com grande dignidade a apelar à moderação e ao bom senso da casa a que preside.

Não há dúvida que Marcelo Rebelo de Sousa é um professor muito bom quando prepara a aula e mau quando resolve improvisar. Pena que não aprenda as suas próprias lições.

50 anos de 25 de Abril - não tenho grande entusiasmo para comemorações

 

Tirei esta fotografia de um corrimão da minha escola enfeitado para a evocação da data da revolução dos cravos, como é conhecida. 

Passados 50 anos do fim da ditadura, estamos numa crise tão profunda na educação, para não falar na justiça, na saúde, na habitação, no emprego, na igualdade salarial de género que não tenho grande entusiasmo para comemorações. Acabámos de eleger um governo que valoriza os homens e se esquece que metade do país são mulheres, sempre sub-representadas (o Presidente, antes de falar em pagar pela colonização de outros países devia lembrar-se que temos séculos de colonização das mulheres com enormes males, nunca reparados) que escolhe representantes sem nenhum currículo, sem pensar no interesse do país. Saímos de um governo que destruiu os serviços públicos para nomear primos e amigos, pessoas que roubam o fisco e escondem dinheiro em notas nos gabinetes. Temos uma justiça que deixa prescrever todos os crimes de notórios corruptos. Temos ex-governantes a defender o apartheid de género, uma re-colonização das mulheres. Francamente não tenho grande entusiasmo para comemorações.




April 25, 2023

Acabo de ouvir o Presidente da República inventar história

 

"O 25 de Abril existe porque os capitães de Abril não viam sentido na guerra e quiseram levar a cabo a descolonização." LOL

O 25 de Abril hoje faz-se nas escolas e tem a oposição do governo da esquerda

 


Fui à mercearia, à papelaria (comprar o jornal), ao talho (comprar um peito de frango - a C. disse-me que o produtor já a informou que a carne de porco e de frango sobem de preço na semana que vem para compensar o IVA. Obrigada senhor Costa) e à florista. Sou a favor de apoiar o pequeno comércio em vez de encher os grandes grupos do retalho que fazem lucros de 600 milhões a explorar toda a gente, desde o produtor ao consumidor e depois vão pagar os impostos fora do país. Disse-lhe que queria comprar um cravinho, ela disse-me que ainda tinha cravos grandes e abertos mas eu estava decidida a comprar cravos à medida deste 25 de Abril até onde estes políticos nos trouxeram: minguadinho e a desaparecer. 

O 25 de Abril neste momento faz-se nas escolas. É aí que se tem lutado pela democracia, pelo direito a uma educação pública digna e não uma educação para pobrezinhos. É aí que se tem lutado por professores que sejam agentes autónomos de avanço nos conhecimentos e não de avanço nas carreiras de ministros. 

A luta pela liberdade contra a ditadura dos burocratas é nas escolas que está a fazer-se e tem a oposição do governo da esquerda que vai para o Parlamento fazer discursos com slogans ocos em que, de qualquer maneira, já não acredita, porque está coisificado e vendido ao dinheiro.


49 anos de 25 abril

 

 


democracia? Murcha

desenvolvimento? em acelerado retrocesso

descolonização? estamos nós colonizados

O 25 de Abril transformou-se num mero slogan.


April 25, 2022

Bom dia, 25 de Abril 🥀

 


O que sobra dos três D's:

- Democracia? Doente.

nepotismo, partido quase único, deputados servis, desincentivo da participação política dos cidadãos.

- Desenvolvimento? Dívidas.

Desigualdade crescentes, baixa produtividade, baixos salários, pobreza em crescimento, falta de habitação.

- Descolonização? Dos outros.

dependência externa, servilismo económico

July 25, 2021

Oportunidades meio perdidas

 


A revolução não acontece no dia da revolução. No dia do golpe, melhor dizendo. A revolução acontece -ou não- depois de se acalmarem os ânimos e as paixões de desordem e desconstrução que se seguem aos golpes revolucionários. A revolução propriamente dita acontece anos depois. Porém, depende do que as pessoas desses anos de desconstrução (as que conseguem o poder) fazem com o golpe revolucionário. Depende da sua visão, da sua generosidade, do seu espírito de construção pacífica e democrática. Da capacidade de escaparem à tentação da vingança ou do pensamento, 'chegou a nossa vez de nos servirmos'. Ainda, de conseguirem não atrair todos os medíocres chicos-espertos aos cargos de decisão. Desse ponto de vista, o 25 de Abril não foi totalmente bem sucedido. Foi bem sucedida a transição de um poder militarizado para um poder civil -houve pessoas que agiram para impedir que nos transformássemos numa Cuba-, foi mais ou menos bem sucedida na resistência à tentação de vingança: houve saneamentos à toa, ocupações e julgamentos à toa e alguns mortos, mas não foi a tendência maioritária e durou pouco tempo. Não foi bem sucedida na resistência à tentação do pensamento de, 'chegou a nossa vez de nos servirmos' e desde muito cedo os novos políticos e os novos altos-quadros militares criaram para si excepções de benesses e privilégios para se servirem. Começaram logo aí o trabalho de criar uma nova casta de privilegiados -absorvendo muito medíocres chicos-espertos- que hoje é notória e evidente.

Não me parece que fosse possível evitar a revolução. Àqueles que defendem que a revolução era desnecessária porque o Marcelismo aos poucos ia abrindo a sociedade e melhorando a economia -o que é verdade até certo ponto- contraponho que essa abertura de Marcelo Caetano veio tarde e foi pouco. Se não tivéssemos uma guerra em África a comer os filhos da Nação há mais de uma dezena de anos, sem fim à vista, talvez a revolução não tivesse acontecido e o país tivesse deixado que ele o modernizasse aos poucos. Mas tínhamos... e Marcelo Caetano não mostrou, imediatamente após ser nomeado, ter vontade e pulso para defrontar os poderes instituídos da ditadura que queriam muito a manutenção do status quo. Nem mostrou mudança política no sentido de abrir a sociedade a uma democracia que abraçasse as forças divergentes da oposição, nem acabou com a censura e o autoritarismo do Estado e, mais que tudo, não acabou com a guerra e aprofundou discórdias dentro das Forças Armadas que já estavam divididas, em grande parte por causa da guerra e de injustiças internas. Ele não foi inteligente o suficiente para perceber que já estávamos sobre um barril de pólvora e que era preciso ser determinado, rápido e decisivo na mudança. Devia ter mandado regressar ao país os exilados, chamado as forças da oposição, estabelecido diálogo, etc. e, mais que tudo, iniciar um processo de descolonização. Também ele é responsável pelo modo desastroso como foi feita a descolonização, pois esta foi feita em pleno período de desconstrução do país, quando o que reinava era o caos próprio que se segue aos golpes revolucionários. Podia e devia ter sido feita por Caetano dentro de um quadro de ordem institucional. Ele não soube ler a situação e agir em conformidade e portanto, quem no país esperava dele uma Primavera política e o princípio do fim da guerra, ficou rapidamente desiludido e a perceber que, em termos políticos, era mais do mesmo mas com mais suavidade e falinhas mansas. 

Enfim, não sabemos ao certo como as coisas se passariam nesse cenário, mas sabemos que podiam ter sido diferentes, se ele tivesse sido uma pessoa diferente Se tivesse sido uma espécie de Mandela ou de Gorbatchov. Menos preso ao passado. 


April 21, 2021

A tendência que as 'forças da esquerda' têm para a censura, é perturbadora




E um sinal muito negativo da ideia que têm de democracia.

IL impedida de descer a Avenida nas comemorações do 25 de Abril. Partido organiza desfile alternativo porque "liberdade não tem donos"


"A liberdade não tem donos." Após ver impedida a participação no desfile do 25 de Abril, segundo a comissão promotora devido à situação pandémica, a IL decidiu fazer uma comemoração em nome próprio.

April 25, 2020

Diário da quarentena 41º dia - 25 de abril em confinamento



Nem pão, nem habitação, nem saúde nem educação. Só a paz. Os outros desidérios estão em ruptura de stock desde sempre e o 25 de Abril não os repôs, não teve pessoas à altura. Alguns -como a habitação- cada vez chegam a menos e outros, como a saúde e a educação, chegam mas em pobres condições.

Hoje vão os políticos para a AR, com muita pomposidade, celebrar com palavras uma data que não honram, depois de terem fomentado a divisão dos portugueses dizendo por aí que os portugueses são contra a liberdade se não concordam com eles, como se eles fossem os sacerdotes da liberdade e declarassem a verdade do que cada um sente e pensa. E porquê? Porque não foram capazes de fazer o que exigiram a todos os outros portugueses: manter isolamento e reinventar novas formas de fazer o seu trabalho. Não foram capazes nem tiveram essa decência.


E vou mais longe: se muito portugueses não se animam com o 25 de Abril é por causa do que fizeram as pessoas que o fizeram.

Tirando o Salgueiro Maia, outros desconhecidos e alguns que estiveram presos, exilados ou que morreram, os outros são responsáveis por minar constantemente o ideal que foi o 25 de Abril: saíram directamente da ditadura de Salazar para tentar impor a ditadura da URSS e começaram a perseguir portugueses e a roubá-los com o intuito de implementar aqui uma posto avançado da URSS, uma Cuba ibérica, com tudo o que isso implica de falta de liberdade, desprezo por direitos humanos, etc. O PCP de Cunhal e muitos outros partidos que tentaram que se passasse directamente de uma ditadura à seguinte. Pior, assim como os outros são saudosistas da ditadura de Salazar, este são saudosistas desses tempos de traição ao 25 de Abril de 74.

Outros, que lutaram contra essa tentativa de venda do país aos soviéticos, assim que se encontraram na cadeira do poder atraiçoaram todos os seus ideais de pão, habitação, saúde e educação para todos e e passaram ao egoísmo ético, pessoal e político, com o estabelecimento de modos do antigamente - privilégios para os amigos, amontoar de riqueza para os políticos e seus partidos, ocupação das cadeiras do poder por longas décadas, rapaces dos cofres do Estado: Mário Soares é o grande exemplo desse caminho de traficância política e corrupção que nos trouxe onde estamos.

Nesses tempos, a palavra de ordem dessas muitas pessoas que se alcandoraram nos cargos, e diziam-no em voz alta, era, 'chegou a nossa vez de enfartar. Lutámos, temos direitos a ter privilégios'. E foi assim que surgiram os auto-privilégios que os Alegres da AR acumulam.

Otelo Saraiva de Carvalho, um dos protagonistas do 25 de Abril, foi outro. Ninguém lhe retira o mérito do dia 25 de Abril, mas sabemos que a seguir, raivoso de não ter conseguido impor a sua ditadura, juntou-se a um bando de terroristas para o fazer à bomba, mostrando não ser um homem da liberdade.

E é por isso que muitos portugueses não gostam do 25 de Abril: porque as pessoas que o fizeram e deviam ter criado uma sociedade justa, assim que se apanharam no poder tornaram-se homens do poder: autoritários, indiferentes à falta de condições do povo, aproveitadores, abusadores do poder, comprometidos com açambarcadores da riqueza do Estado, etc.

Não são pessoas da liberdade, nem da justiça para todos. Como dizia o João Soares no tempo da prisão de Sócrates, 'um político deve ser intocável, a não ser por crimes de sangue e, mesmo assim, só se for apanhado em flagrante delito.'

Portanto, muitos portugueses não querem celebrar o 25 de Abril com estas pessoas que dividem os portugueses para tirar os dividendos, que se 'estão a cagar para o segredo de justiça', que impedem os representantes do povo de falar na casa do Parlamento, que se aproveitam do poder há dezenas de anos para instituir esquemas de enriquecimento, que vêem os cargos do Estado, não como serviços mas como poleiros para filhos, primos, amigos, irmão e amantes sugarem o dinheiro público, que estão nos cargos para favorecer os 'partisans', que têm enorme desprezo e desconhecimento pelo e, do povo, pelos trabalhadores e por todos que não lhe façam as vontades ou que os contrariem.

Querem responsáveis por muitos portugueses não se reverem no 25 de Abril?. São vocês que estão no poder há, praticamente, 40 anos. Olhem para si próprios e para o que têm feito.