Trump quer que os EUA liderem uma organização substituta da ONU, chamada Board of Peace. Criou-a para Gaza mas o seu intuito é que alastre ao mundo nestes termos: o Presidente dos EUA ou alguém por ele nomeado é o presidente do clube; o clube é formado por países escolhidos pelos EUA (naturalmente aqueles que são submissos e têm força para obrigar os outros); o presidente dos EUA é quem decide das decisões de paz e guerra do clube (é difícil chamar-lhe organização) depois impostas ao mundo. Já a criou para Gaza e nomeou-se a si mesmo, ao genro Kushner (o rapace), Marco Rubio (o vendido a Trump por poder) e a Tony Blair (Blair vendido a Trump...) como membros do Board. Para já, os membros têm de pagar mil milhões de dólares para fazer parte dele. Espero que nenhum país da UE entre nesta palhaçada que tem como intuito principal desmantelar e esvaziar de sentido as NU e as suas resoluções. Napoleão dizia, 'o Estado sou eu', Trump diz, 'o mundo sou eu'.
Guterres é muito culpado desta vulnerabilidade da ONU e espero que o próximo SG seja alguém com uma cabeça decente e sem fanatismo ideológico-religioso.
Trump tem a veleidade de anunciar que quer ser o dono do mundo. Por enquanto a Constituição americana impede-o de muitas iniciativas fascistas que ele quer e anuncia sem pejo, mas ele está a tratar disso internamente. Ele sabe, como sabem todos os criminosos que o sustentam (os das milícias que andam na rua a matar pessoas, os milionários que andam a fazer negócio com a sua ladroagem, os que andam a perseguir opositores às suas ordens, etc.), que no dia em que ele sair do poder, vão todos parar à prisão. Portanto, ele está a trabalhar para não haver eleições ou, haver à moda de Putin, com vencedor determinado à partida. Portanto, quando internamente tiver calado toda a oposição, de uma maneira ou de outra, vai querer ser o dono do mundo: atacar quem quiser, roubar quem quiser, esmagar quem quiser... à maneira de Putin.
Ao contrário do que dizem Trump, Vance, Musk e grande parte da esquerda europeia que é contra a democracia liberal e trabalha para a destruição dos seus próprios países, a Europa não está em decadência. Pelo contrário, a Europa esteve parada e virada para dentro de si durante umas décadas -pôs o valor da paz e da prosperidade acima de tudo e esqueceu-se que elas têm de ser defendidas e que ninguém defende a nossa casa por nós- mas saiu desse template e está a evoluir para uma união mais forte, mais coesa e assertiva. Também essa união se deve à Ucrânia que foi o motor dessa mudança.
A Europa não regrediu, como os EUA, a uma matriz religiosa meio-medieval nos costumes e até na educação; à negação da ciência, da medicina; a uma visão paroquial de si mesmo e de provincianismo nas relações entre Estados, muito parecida com a da Rússia.
Onde a Europa errou foi em copiar os EUA no aprofundamento das desigualdades sociais com a obrigação de todos os sistemas e instituições serem geridos como empresas onde só o lucro interessa, em deixarem os EUA passarem à frente no investimento da tecnologia digital e imporem a sua narrativa. Mas isso corrige-se se houver líderes conscientes, independentes e fortes, como agora há.
A Ucrânia deve estar apreensiva com esta escalada entre os EUA e a Europa, provocada pela ganância e provincianismo de Trump sobre a Gronalândia, mas a Europa não pode ceder ao bullying e ao fascismo de Trump. Se o fizer fica refém dele e deixará de poder ajudar a Ucrânia. A Europa é o único parceiro certo da Ucrânia. Os EUA podem ser um parceiro com mais armas mas é são um parceiro desleal, incerto e rapace.
A Europa tem de recriar a sua narrativa própria de continente que continua apostado na evolução do diálogo dentro dos princípios da Carta das Nações Unidas.
É urgente lidar com o islamofascismo que está a destruir por dentro a nossa história e o nosso futuro de países laicos, progressistas, tolerantes e onde os direitos das pessoas não são ditados por homens que usam a religião para impor ditaduras e miséria a todos. Veja-se o que são os países islâmicos: ditaduras onde meia-dúzia de homens gozam de liberdade riqueza e poder e todos os outros vivem na opressão, na miséria e no medo. Onde as execuções de opositores e a escravatura das mulheres e infiéis são impostas pelo Estado. Há cidades importantes em muitos países europeus onde 25% a 50% dos jovens são islamitas que querem impor a sharia. Esses jovens, daqui a 20 anos ou 30, são a esmagadora maioria dos cidadãos. Muito desses jovens são imigrantes hostis aos países que os acolhem e os seus Imans dizem abertamente nas mesquitas que querem destruir a civilização europeia e substitui-la por uma teocracia islamita. As grandes universidades europeias estão cheias destas células tumorais e em vez de centros de investigação e do conhecimento, são centros de pseudo-moralismo islâmico.
(A razão pela qual a Arábia Saudita não quer a destruição do fascismo islamita do Irão é o medo que lá se instale uma democracia laica e que depois os islamitas da sua, e outras sociedade islâmicas olhem para a liberdade dos iranianos e queiram o mesmo - é a mesma razão para a Rússia não querer uma Ucrânia democrática.)
Os países onde a implementação e ascensão do islamofascismo colonizou, nos últimos dois séculos, as culturas locais, fizeram-no com o acordo e cumplicidade da esquerda.
A esquerda europeia tem de fazer uma instrospecção séria ao seu papel de veículo de colonialismo islamofascista, em vez de se ficar por repetições de slogans pseudo-moralistas vácuos sem nenhuma honestidade intelectual.
A extrema-direita tem de abandonar a tentação de impor a todos o atavismo religioso e a reversão da sociedade a tempos de servidão de uns a outros.
A Europa é uma ideia de cultura de vocação universalista, não-agressiva já há quase dois séculos (com a excepção da Alemanha, por duas vezes, mas combatida pelos outros). É essa ideia que precisa de ser reavivada. Por muito que se invista na tecnologia e na ciência, o que é importante, evidentemente, se não investirmos na nossa cultura não conseguiremos manter-nos como uma força diferenciada e influenciadora do respeito à Lei e não à força nos processos diplomáticos no mundo.
Durante esta última década deixámos decair o conhecimento da nossa história, em quase todos os países, por polarização: os que defendem a nossa história heróica (como se fossemos heróis ao modo grego antigo) e os que defendem a nossa história como miserável opressora, como se as outras civilizações não tivessem também uma história de opressão. Ambos estes extremos são corrosivos e autofágicos. E são factores de divisão e não de união, e sabemos que precisamos de agir, pelo menos para fora, como se fossemos um só Estado.
Durante muitos anos interiorizámos a narrativa americana propagandeada, sobretudo em filmes. Precisamos de apostar na nossa cultura, no conhecimento objectivo da nossa história, da evolução das ideias num sentido positivo, nos nossos valores de diálogo, racionalidade, e respeito, na nossa educação. Uma educação forte e não mascarada para as estatísticas, com formação sólida na cultura, na história, na ciência e na tecnologia e no pensamento crítico, baseado em conhecimentos e não em ignorância.
É isso -a partilha de valores comuns- que nos vai manter fortes, unidos e permitir a nossa influência positiva num mundo a regredir ao medievalismo obscurantista, tanto nos costumes como na lógica dos feudos e senhores de guerra.
Trump quer ser líder de um mundo em retrocesso ao provincianismo medieval e fala muito, ele e os seus sicofantas, na decadência da Europa para parecer que deu passos em frente, mas na verdade deu passos atrás e calibrou-se pela retórica e MO russos, de Putin.
É preciso pormo-nos fora do tempo restrito e ver as situações no grande plano. Quando olhamos para as imagens e discursos de Hitler e de outros nazis, eles aparecem como assustadores na violência, mas também provincianos e ridículos nos grande gestos e poses, nos discursos em que se comparam com deuses da mitologia - parecem atrasados mentais, drogados com uma droga qualquer de alteração da realidade. Um dia no futuro, quando virem as imagens de Putin e de Trump (apesar de Trump ser um aprendiz de Putin ainda em crescimento) e seus apoiantes, hão-de aparecer como assustadoras pela intenção explícita de violência, mas também ridículas no provincianismo das suas projecções como deuses da mitologia, como ungidos por uma força superior, na sua jactância e gestos de auto-grandiosidade completamente desligada da realidade - parecem atrasados mentais, drogados com uma droga qualquer de alteração da realidade.
Não temos, nem podemos, submeter-nos à lógica destes lunáticos violentos. Temos de ser fortes e consistentes na nossa narrativa e matriz cultural, tanto contra Trump e Putin como contra o islamofascismo.
E precisamos da Ucrânia na UE e na nossa defesa, seja na NATO ou em outro modelo de defesa europeia.