August 31, 2020

Estou a ver a SIC notícias

 


Está um indivíduo a falar sobre o ano lectivo, que não sabemos quem é porque não o identificam... em baixo uma faixa de texto fala em alguém da India... enfim, o senhor, que deve ser um director de uma escola, diz que as escolas pouco podem fazer para além de desinfectar os espaços e ver se os alunos têm máscara; há escolas com poucos alunos e outras com muitos e sem espaço; a vigilância das regras de segurança está a cargo das próprias escolas, diz ele... (é a desresponsabilização total das entidades superiores). A entrevistadora: 'então é positivo as escolas decidirem, cada uma, o que fazer?' Hã... ?? Que diabo... depois, o senhor apela a que o ME e autarquias apoiem as escolas nas medidas que tiverem que tomar. A entrevistadora não lhe passa pela cabeça perguntar que apoio têm tido, que respostas têm do ME... nada. No passa nada, segundo ela. E assim se despede do senhor e ficamos sem saber quem é...  um lindo serviço. É por isto que não vejo isto e só fui ver porque uma colega me disse que estavam a falar das escolas  na SIC.


Rir é o melhor remédio 😁 'a ofensiva contra o PCP'

 


"A dimensão da ofensiva contra o PCP exige resposta. Uma resposta que deve ser assumida por cada um dos membros do Partido e de todos aqueles que prezam os valores democráticos, desde logo marcando presença na Festa e em particular no Comício de Domingo", diz PCP em comunicado.



LOL, o PCP pensa que ninguém percebe a táctica de se armarem em vítimas e desafiarem todos para a festa, mas todos percebemos:

Preço do bilhete - 35.00€
Nº de visitantes: 33.000
35€ x 33.0000= 1.155.000€.
Custos com trabalhadores: 0€ (12mil voluntários)
Custos com impostos diretos: 0€ (isenção de IVA)

O ministro do Ambiente ainda existe?

 


Está no defeso?? Quem diz o Algarve, diz o Alentejo.


Seca: nada fazer é condenar o Algarve

Cristovão Norte

Para os atuais patamares de consumo as reservas existentes garantem o abastecimento até ao fim do ano. As pessoas estão assustadas.


Almoço? Umas sardinhas bem regadas 😁

 



foto do FB

Acerca do 'enselvajamento' da sociedade



Em França, por estes dias, fala-se muito do enselvajamento da sociedade referindo-se ao aumento e endurecimento da violência nas cidades, particularmente em Paris, nas avenidas e quartiers de luxo como os Champs-Élysées. São sobretudo adolescentes que a polícia classifica de não-criminosos mas delinquentes, a maioria de baixa escolaridade e de meios socio-económicos desfavorecidos. Já no ano passado infiltravam-se nas manifestações dos Gilets Jaunes e aproveitavam para pilhar mas este ano, devido ao confinamento, pioraram: estão fora das escolas sem controlo, estão sem os empregos de Verão que costumam ter e lhes dão algum dinheiro, estão fora das colónias de férias que as municipalidades lhes costumam facultar, estão sem droga (pequenos traficantes) dada a escassez causada pelo confinamento e estão sem serviços sociais, dado o confinamento e a manutenção dos serviços em mínimos e sem contacto presencial.
Dito por outra palavras: a educação e as escolas servem, não para dar asas a estas populações, ferramentas que lhes permitam aceder a níveis de vida dignos e satisfatórios que diminuam o fosso das desigualdades, mas apenas para os manter ocupados fora das ruas e, à mínima perturbação desse equilíbrio tão precário, os adolescentes transformam-se em hordas de pilhantes - em França, fazem pequenos roubos: umas camisas para vestir, meia-dúzia de medicamentos, comida, algumas caixas de lojas. Sobretudo, vandalizam as grandes lojas de luxo das grandes avenidas.
É no que tem dado o desinvestimento na educação. Isto não é só em França. Em Inglaterra, estima-se que o nível de vida da população adolescente em idade escolar tenha caído mais de 40% e, como se lê aqui, headteachers talk of sidelining projects and making do with a fraction of what is required, os directores das escolas não têm dinheiro para fazer cumprir as regras de segurança sanitária.
Aqui em Portugal é a mesma coisa. O desinvestimento na educação tem sido de tal ordem (com a conivência activa de todos os partidos) que se vive sempre com a corda esticada no máximo e agora não há margem de manobra para regras de segurança mínima e mandam todos para a escola ao deus-dará, sem respeito pela saúde das pessoas. Nas escolas privadas todas as medidas de segurança são cumpridas. Mas a escola pública como sabemos, é o refugo da sociedade.
Hoje fui apresentar-me ao serviço e fiquei a saber que os alunos não vão ficar fechados nas salas de aula nos intervalos, o que já se previa pois é completamente impraticável. Dividiram-se ao meio e metade só lá está de manhã e a outra metade à tarde, mas como estamos a falar de 1500 alunos, são 750 em cada turno... misturados todos uns com os outros nos intervalos, no bar, nas casas de banho e nas salas de aula porque não há outra maneira, dadas as políticas que têm (des)orientado a escola pública.
Como a escola cada vez mais é um faz-de-conta para as estatísticas, cada vez menos cumpre o seu papel de elevador social o que induz revolta contra esta ordem injusta que aumenta o número de pobres ao mesmo tempo que aumenta a riqueza dos já ricos; dado este facto, talvez a revolução não venha num certo dia com grande estrondo, como se fazia noutros tempos, mas se dê ao longo de anos de pilhagens, de manifestações com violência, de um lento mas cada vez mais endurecido esboroamento dos pilares em que assentam as sociedades democráticas: o respeito pela ordem/lei, a justiça, a educação e a saúde.

Uma questão:

 


Os professores das escolas são os únicos trabalhadores que não têm direito a medicina do trabalho?

Isso é legal ou é mais uma excepção negativa aberta especialmente para professores das escolas?


Os jornais estão cada vez mais imbecis

 


... escritos por ignorantes com títulos bombásticos a apelar ao lado imbecil das pessoas.

Um artigo estúpido com um título ainda mais parvo. Em nenhum sítio do artigo se explica porque é que a Alemanha acha difícil amar Hegel. Aliás, nem se fala nisso. Depois, o artigo é quase todo uma síntese biográfica focada nos pontos que consideram o diminuem. 

Quer gostem ou não dele, a verdade é que Hegel foi um filósofo que influenciou, não só a filosofia, mas a política, o direito, o entendimento e construção da História, por exemplo. Nessa medida, influenciou-nos a todos, mesmo que não tenhamos consciência disso. Em vez de aproveitar esta data de 250 anos e um jornal de grande tiragem para fazer chegar essa consciência a um público mais vasto, o autor aproveita para diminuir Hegel, com o objectivo de...? Pois, não sei, não percebo esta maneira de pensar.

Alguém se admira que o jornalismo esteja em decadência? Quem quer ler imbecilidades vai às redes sociais, não precisa de comprar jornais e quem quer ler algo sério, já não o encontra nos jornais.


New books try to lighten up the intimidating reputation of Germany’s ‘most difficult’ philosopher


Original Artwork by Schlesinger. (Photo by Henry Guttmann/Getty Images)

Bertrand Russell described Hegel (above) as ‘the hardest to understand of the great philosophers. Portrait: Schlesinger.
Photograph: Henry Guttmann/Getty Images


A DGS publica as regras de funcionamento para todas as entidades excepto para o PCP, a quem entrega num envelope fechado

 


... e a medo, como se o PCP fosse, não um partido com responsabilidades públicas, mas uma seita que só obedece ao grande líder e faz tudo às escondidas. Ou o PCP tem direito a regras sanitárias especiais e pode ajuntar 30 mil pessoas em concertos de massas? E porque é que são especiais...? São uma espécie de igreja católica da política e têm concordatas secretas? São seres humanos de 1ª categorias e o resto do povo é de 2ª categoria? E, nesse caso, em que é que o PCP é diferente desses partidos demagogos que não respeitam o princípio de direitos iguais, deveres iguais das democracias? Pois, em nada.


DGS não vai divulgar parecer final com regras da Festa do Avante!

Autoridades de saúde justificam a demora na análise com a complexidade do evento e dizem que caberá ao PCP divulgar o documento.

August 30, 2020

Estranged

 


"A compreensão é uma atividade interminável, por meio da qual, em constante mudança e variação, aprendemos a lidar com nossa realidade, reconciliarmo-nos com ela, isto é, tentamos nos sentir em casa no mundo".
Hannah Arendt



Andrew Wyeth


Stargazing




The Heart of Night
by Bliss Carman

When all the stars are sown
Across the night-blue space,
With the immense unknown,
In silence face to face.

We stand in speechless awe
While Beauty marches by,
And wonder at the Law
Which wears such majesty.





directamente do fb


A Disney não inventou nada

 



A Draco Volans. 

Sobre a importância do Belo na paz e na preservação do ambiente

 



Há muitos anos, o zoólogo americano Gaylord Simpson rebateu aqueles que questionavam a realidade de um mundo exterior dizendo que o macaco que não reconhecia a representação correta do ramo para o qual pretendia pular não era um de nossos ancestrais. Hubert Markl observou acertadamente que aquele que não deseja perceber a realidade já falhou em fazê-lo. A qualificação da declaração um tanto provocativa de Beuys 'tudo é arte e todos são artistas' pode ser vista neste contexto. 

No prefácio do livro de Walter Schurin,  Pintura Austríaca após 1945, Hbert Ehalt escreveu: "Antigamente eram as aptidões artesanais que eram aprendidas e praticadas com muita perseverança; agora, há um fluxo constante de novas ideias e discursos sobre o que constitui a obra de arte. Desta maneira, as artes cada vez mais se separam das tradições e de critérios sólidos consensuais; tornaram-se mais intimamente ligadas ao contexto e ao tempo. Pode-se perguntar se, quando a ideia dessas obras relacionadas ao contexto estiver fora de moda, só restará um depósito de materiais e uma história intelectual de discursos.

Talvez haja mais qualquer coisa por detrás deste desenvolvimento. Apesar de em todas as épocas ter havido fraudes [na arte] que encontram um mercado, hoje em dia não é preciso grande esforço, basta ser um bocadinho esperto e desavergonhado. Pergunto-me se as mudanças no ambiente visual em que tanta gente cresce não desempenham um papel no gosto contemporâneo.

Poucas crianças hoje em dia passaram pela experiência de ver a maravilha de como as lagartas se transformam em borboletas, como as larvas da libelinha saem da água e sobem pelos juncos e como a libélula adulta emerge de suas costas. Raramente podem deitar-se de costas num campo de flores perfumado num dia ensolarado de início de Verão, quando os malmequeres e a sálvia estão em flor, para sonhar com as andorinhas que descrevem arcos no alto céu azul, ver os escaravelhos rastejar pelas arestas das folhas da erva, o enxame de insetos na extensão branca das flores e os zangões e outras abelhas na busca ansiosa do mel.

Não é possível que as pessoas que cresceram nos ambientes industriais artificiais das metrópoles modernas, que muitos considerariam feios, tenham sido alterados em resultado desses ambientes? E, sendo assim, isso não poderia, em parte, explicar a moda de montagens de objectos e materiais ignóbeis? Como consequência deste desenvolvimento o sentimento pelo belo da natureza diminui e é acompanhado por uma quebra de valores que ameaça a nossa relação com a natureza e, por arrasto, a preservação da comunidade de vida fundamental para a nossa sobrevivência.

Isto não quer dizer que a arte deva representar apenas o que é belo. Goia, ao representar as atrocidades da guerra, segura um espelho diante de nós que acorda o horror. Os artistas experimentam e provocam. No entanto, o valor pedagógico e pacifista do Belo não deve, como resultado, desaparecer no esquecimento.

Somos uma espécie tremendamente bem sucedida que num século apenas, progrediu da era mecânica para a electrónica e fez as primeiras viagens no espaço. Hoje, com mais de seis mil milhões de pessoas, povoamos os últimos lugares inabitados da Terra; com as nossas técnicas actuais entrámos no processo de destruir o ambiente que é a base da nossa existência.

Temos de adotar um ethos de sobrevivência que leve em conta, não apenas o nosso futuro, mas o dos nossos netos. A necessidade de desenvolver esse ethos de sobrevivência -calcular as consequências, para as futuras gerações, das nossas acções presentes- é-nos óbvia a um nível racional mas a implementação prática deste conhecimento é emperrada pela tendência fatal de competição no aqui e agora.

Aqueles que não experienciaram a natureza em toda a sua beleza e, por isso, não desenvolveram em si sentimentos de respeito por ela, serão os mais tentados a seguir os seus interesses egoístas e de vistas-curtas, sob o principio de depois de nós o dilúvio sem consideração pela natureza ou pelos nosso netos. 

Irenäus Eibl-Eibesfeldt


~Liberdade

 

In Berlin today [ontem], thousands demonstrated for the right not to wear a mask; in Minsk, thousands demonstrated for the right to free and fair elections. Half of Europe has forgotten what liberty means, the other half is still fighting for it. 
~Lucien Kim


August 29, 2020

Estranged

 

“I” is another. Arthur Rimbaud.




Tuğran Yüce

Wild

 


Ilha das Fores - lagoa negra e lagoa comprida.



Blast from the past

 




Nocturna

 






Livros - Ernst Haeckel e ainda: este ano não vou à Feira

 


Hoje li este livro, "Formas artísticas na natureza" de Ernst Haeckel. O livro tem 30 páginas de Introdução e o resto -100 páginas- são imagens que se vêem e voltam a ver. O livro, que é grande com 25 cm de altura e todo soberbamente ilustrado, custou-me 5 libras em segunda mão, mas parece novo, cheira a novo e tudo. Uma pechincha porque a edição é muito boa e gostei da Introdução que tem 3 partes e onde se aborda a intenção de Haeckel com a obra, a novidade da obra, a influência da Arte na obra e a influência da obra na Arte posterior, bem como considerações científicas e filosóficas sobre a evolução filogenética.

Haeckel quis com a obra, ao mesmo tempo validar a teoria revista de Darwin quanto à filogénese e fazer um trabalho de divulgação científica usando o seu enorme talento de artista para apresentar as formas da natureza de uma maneira cativante e apelativa (por vezes apresentava as simetrias apenas nos lados que lhe convinha para a sua tese [é conhecida a fraude que fez de desenhos de embriões para provar a sua teoria de que a ontogénese repetia a filogénese]) que levasse as pessoas a interessarem-se pela ciência e pela evolução.


Este livro vendia-se novo por £16.99, o que não é caro, tendo em conta que das 130 páginas, 100 são ilustrações de muita boa qualidade. O tipo de livro que aqui custaria 70€. Ultimamente, perdi a vontade de ir à Feira do Livro. A maioria do espaço está tomado pela Leya e pela Porto que vendem meia dúzia de livros por um preço caro: se o livro custa 25€, o preço de feira é 22€... e isto são os livros vulgares porque se é uma coisa um bocadinho melhor vai logo para os 35€. Uma fortuna. Quando lá vou é para ir aos alfarrabistas e mais 5 ou seis editoras onde costumo descobrir coisa que gosto, mas como é tudo muito caro, acabo por não comprar quase nada e o que compro é mesmo para dizer que comprei alguma coisa.

No ano passado descobri lá uns Lusíadas muito bonitos mas estragados, com a capa meio separada, manchas de humidade, etc, - como faço uma mini-colecção de Lusíadas, perguntei o preço: 50€... epá... deixei-o lá ficar, claro. 

Li a Divina Comédia de Dante numa edição bilingue italiana-francesa, com ilustrações, encadernada e gravada a ouro que comprei em Bruxelas quando lá morava. A edição não é antiga nem rara mas é especial, foi feita em homenagem ao grande tradutor de Dante, Andre Perate e é muito cuidada. São 3 volumes que custaram -ainda tem o preço escrito pela mão do livreiro no 1º volume- 1200 BEFs (francos belgas), que equivalem mais ou menos a 30€. E porquê? Porque no corte superior de dois dos volumes, que são dourados, há manchas de humidade visíveis, embora por dentro esteja impecável. 

Em Portugal todos se queixam que ninguém lê, mas os livros são caros para um leitor. Se comprasse livros cá ia à falência até porque o Estado não me deixa pô-los no IRS o que me parece um escândalo, um professor não ter benefícios fiscais por ler. Agora então que ando, de há uns meses para cá, numa enorme voracidade de leitura... faço caças a livros na internet para comprá-los por 2 libras, 5 dólares e por aí fora, porque neste país não se incentiva à leitura... enfim... é o país que temos. 

Se a Feira fosse como antigamente onde encontrava sempre coisas boas e muito baratas ainda me tentava a ir lá na pandemia mas arriscar-me para ter desilusões, não vale a pena.


Este livro é uma beleza ❤️





A introdução revela como Haeckel foi influenciado pela Arte Nova no desenho das formas da Natureza e como ele mesmo influenciou, com esta obra a arquitectura ornamental (imagem a seguir), a joalharia, o mobiliário, etc., o que mostra permeabilidade das áreas do saber e do fazer, umas às outras.


Algumas das suas formas podiam ser vistas no portão da Exposição Universal de Paris de 1900.


O livro é belíssimo e Haeckel tinha a fortuna de ter um enorme talento, tanto na ciência, como na arte do desenho e pintura:

















À atenção do senhor Costa e do senhor ministro das Finanças

 


Uma pergunta: agora, para além do Cartão de Cidadão também é obrigatório ter cartão MB Way? Fui à farmácia e aproveitei para levantar dinheiro, mas as 5 caixas de multibanco da zona só aceitam MB Way. Ontem que também tive de sair foi a mesma coisa e terça-feira que precisei ir à mercearia comprar fruta, a mesma coisa. Portanto, pelo menos desde 3ª feira que as caixas todas aqui da zona recusam dinheiro a quem não tem MB Way.

Isto é legal? Foram os senhores que autorizaram mais este abuso dos banqueiros? Não basta pagarmos os roubos de milhares de milhões?

Vim aqui à net e fui dar com um artigo da DECO a dizer que devemos queixar-nos desta situação: mas então, o governo autoriza a fraude e os prejudicados é que têm de queixar-se? E no entretanto estamos barrados de ter acesso a dinheiro?


Questões antecipadas sobre o regresso à escola

 


Vejo 30 alunos dentro de uma sala de aula com intervalos de 5 minutos entre cada aula e sem autorização para saírem e irem arejar e socializar como é costume e saudável. 

1º - vão todos pedir para ir à casa de banho no intervalo. Logo, os intervalos vão fazer-se na mesma mas nas casas de banho. É evidente que não vamos obrigá-los a ir um de cada vez e espaçadamente à casa de banho pois se o fizéssemos a aula seguinte (imaginemos uma escola com 1000 alunos e 6 casas de banho, 3 para as raparigas, 3 para rapazes) começava dali a duas horas.

2º - os adolescentes, pelo menos na idade em que os apanho, que vai dos 14/15 aos 19/20 anos comem que nem mulas: a cada intervalo engolem baguetes, batatas fritas, sumos e por aí fora. Ora, se não podem sair da sala nos intervalos, como vão comer? Ou vão passar fome? Ou deixamos-los sair para ir ao bar à molhada? Centenas de alunos concentrados? A minha escola tem 1500 alunos. Ou têm que trazer comida de casa e comem na sala de aula, no intervalo? Deixa ver: tiram todos as máscaras na sala onde estão há horas meio fechados (as janelas abertas, se as houver, porque há salas sem janelas em muitas escolas, não fazem circular o ar convenientemente numa sala cheia de alunos) a respirar e tossir para o mesmo ar e comem ali mesmo, uns em cima (e para cima) dos outros? 

3º Se não se deve usar uma máscara mais de 4 horas seguidas, e isto se não se tiver uma actividade que faça suar e encharcar a máscara, como é o caso de falar e estar fechado em salas sem ar condicionado a suar (na minha escola, até Novembro uma pessoa sua em bica dentro das salas) o que fazem os alunos ao fim dessas horas dentro de uma sala onde vão estar fechados mais duas? E as mesas onde puseram as mochilas e os cadernos e assentam as mãos, etc. são as mesmas onde vão pousar a comida? Ou as sala de aulas têm cada uma, desinfectante? E vêm pessoas desinfectar? Ou os alunos são prisioneiros que nos intervalos desinfectam as salas e não têm tempo, nem para comer, nem para arejar, nem nada? Se for assim ao fim de um mês estão todos a precisar de psiquiatra. E quem fica a vigiá-los no intervalo? Os professores? Também não têm intervalo, não podem ir à casa de banho, descansar, comer qualquer coisa? Professores incluídos no psiquiatra...


Já no primeiro dia de Setembro começam os exames da 2ª fase e os professores, em vez de estarem a preparar o ano lectivo, andam a fazer vigilâncias, corrigir exames e toda essa canseira, no início de um ano lectivo pandémico muito complicado, onde até para os alunos comerem se põem problemas complicados, mas o ME prefere olhar para o lado e fingir que não há problemas. E para quê? 

Para que se fizeram os exames em Julho e agora outra vez? Todos sabemos que foram uma fantochada com as notas de 19 e 20 a subirem 50%... o ME, em vez de preparar um ano que se prevê muito complicado e motivar os professores, com condições e instruções claras e uma organização atempada baseada na previsão de problemas manda-os fazer exames, que sabe que não são feitos com rigor nenhum, como se fosse um imperativo numa situação destas e de resto mantêm-se em silêncio sobre todos os problemas que se antevêem.

Os directores que se responsabilizem e depois se houver problemas que se lixem...?

Estamos a 15 dias de começar o ano lectivo e ainda não sei se vou trabalhar, se me mandam pôr baixa... não dizem nada, fingem que nós, professores de grupos de risco, não existimos... esperamos que os responsáveis tomem decisões mas não tomam. Isto de nos desvalorizarem a meras unidades de custo, motiva imenso... o discurso não dito é: professores, estamo-nos nas tintas para vocês, mas vocês têm que dar a vida por nós.

Porque é que não se tomou a decisão de fazer um ano misto, dividindo as turmas e fazendo com que se revezassem nas escolas: uma semana metade da turma está na escola e a outra metade participa nas aulas online, em directo e na semana seguinte trocam? Isto podia ser feito a partir de certos anos de escolaridade e reduzia-se para metade o número de pessoas nas escolas e evitavam-se muitos problemas.

Ahh, o ME era para distribuir computadores aos alunos e a professores e o não o fez? Era para fazer baixar o custo da internet de banda larga a alunos e professores para preços do resto da Europa? 1€ ou 2€ por mês, por exemplo, como em França e outros países, mas não o fez? Porque não o fez e em vez disso manda que se empate o início do ano com exames de fantochada? 

Não sabem resolver os problemas [alguns problemas, nem os vêem, de tal modo são estranhos a muitos assuntos da educação e das escolas] e/ou não têm coragem para tomar decisões em favor da educação e nós todos é que pagamos esta incompetência.