August 11, 2020

Que nojo!

 

Quando tinha 16 e 17 anos ia muito para as praias de Cascais e do Tamariz. Quem as viu e quem as vê... onde anda a ASAE das praias?


Completamente de acordo

 


Dias de praia espectaculares

 

Há meia dúzia de anos que a 'minha' praia andava descaracterizada: água fria, toda cheia de algas. O sapal todo sujo que já nem caranguejos se viam. E não havendo caranguejos também não há garças, tarambolas, maçaricos, cegonhas, pernilongos e outros. Pois o sapal está cheio de peixe e caranguejos-bebé aos milhares e aves de bico longo.

A praia com água limpíssima e quente. Hoje andei uma hora inteirinha a nadar, sobretudo de costas como me mandou o fisioterapeuta, mas também outros estilos. O braço já nem me dói e já está praticamente todo solto. O meu fôlego é que ainda não está em forma. Pessoas nenhumas, à hora que vou à praia que é a hora dos bebés. Enfim, era, porque à hora que me venho embora que é quando as pessoas começam todas a chegar, vêem-se famílias a caminho da praia com bebés de meses... não se percebe.

Enfim, tirei umas fotografias a caminho da praia, com o telefone. Estava assim:









Qual a razão para os organismos públicos não serem obrigados a publicar as suas decisões ruinosas?



A questão é a do costume: quem são as pessoas que estão no Infarmed, quem as nomeou e porquê? E com autorização de quem é que não especialistas numa questão técnica e não política se substituem ao conhecimento de especialistas? São comissários políticos? É mais um negócio de primos?  

Peritos chumbaram o ventilador Atena, mas Infarmed “aprovou-o” na mesma

 
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Infelizmente, o Atena é, apenas, mais um exemplo de que algo está mal. Foi desenvolvido por uma equipa alargada de engenheiros e clínicos, acompanhados por docentes universitários. Foi testado em animais por médicos de várias especialidades, tendo obtido avaliações extremamente positivas. Os peritos que o Infarmed reuniu para a sua avaliação pronunciaram-se sobre este equipamento sem nunca o terem visto. Esses peritos foram selecionados com base nas áreas de especialidade relevantes para um projeto deste tipo, mas nenhum terá experiência no desenvolvimento de ventiladores invasivos. Aliás, um dos membros desse painel tem vindo a avaliar projetos numa grande diversidade de áreas e, reiteradamente, a fazer considerações descabidas e reveladoras de grande desconhecimento das situações em causa.

As agências têm de fazer avaliações fundamentadas com base em parecer de especialistas, mas importa garantir que não ficam reféns das suas próprias teias… e que não continuamos a dar tiros no pé.
António M. Cunha

O bloco central que nos arruina

 


No país dos corruptos e da impunidade

Chega a ser pornográfico perceber que centenas de organismos que teriam como função servir o Estado – logo, o bem comum – apenas se preocupam em distribuir comissões nas compras de largos milhões. Qual a razão para o Estado – incluindo as câmaras – e os bancos não serem obrigados a detalhar todos os seus negócios ruinosos?
Vítor Rainho
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O problema da quantidade de corruptos está ligado ao problema da impunidade, porque o primeiro é incentivado pelo segundo.

Que país é este em que vivemos?



Olavo Bilac: “Devo uma explicação a toda a gente. Percebo que errei. Nunca pretendi apoiar o Chega”

Olavo Bilac pede desculpas aos fãs e aos seus “pares da indústria”, assumindo que foi “atuar profissionalmente a um jantar privado” do Chega mas que, enquanto cidadão, defende “valores bem diferentes daqueles apregoados por este partido”. Leia o comunicado do artista, motivado por uma selfie partilhada por André Ventura.
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Então um artista já não pode trabalhar? Se for contratado para actuar num partido de direita tem de pedir desculpa à esquerda e se for actuar num partido de esquerda tem de pedir desculpa à direita? E o serviço de catering? Deve recusar um cliente se for do Chega? E o médico? Deve recusar tratá-lo? E o professor? Deve recusar ensinar o filho dele? E o hotel? Deve recusar a marcação dele? E a companhia aérea? Deve recusar-lhe um lugar? E o restaurante? Deve recusar servi-lo? E na praia? O concessionário deve recusar-lhe um chapéu de sol?

Vivemos num país que não apoia as artes e a cultura. Os artistas estão numa situação desesperada e um homem já não pode ir trabalhar para ganhar sustento sem ter que pedir desculpa? Isto não é a mesma coisa que as Bioncés irem aos comícios de campanha política apoiar o seu candidato. Isto é um homem a tentar sustentar-se, fazendo o seu trabalho. 

Pequeno-almoço com Mondrian na minha mesa

 


August 10, 2020

Paleta das flores e frutos

 

Em Junho passado as 14 aguarelas de ilustração botânica que Jean Schneider, um editor suíço encomendou a Dali em 1969, foram vendidas por 1 milhão e 200 mil dólares

Dali tomou as dez imagens de Pierre-Antoine Poiteau, recueil des plus beaux fruits cultivés en France e mais três de, Traité des arbres et arbustes que l’on cultive en France by Duhamel du Monceau, de Pierre-Jean Redouté e pintou sobre e à volta delas, usando um elemento do original como ponto de partida para as suas visões estranhas, sexuais, humorísticas e surreais da realidade.

Como disse mais tarde, 'vejo a forma humana nas árvores, nas folhas, nos animais, nos vegetais. A minha arte na pintura, diamantes, rubis, esmeraldas, ouro, mostra a metamorfose que teve lugar; os seres humanos criam e mudam. Quando dormem mudam totalmente em flores, plantas, árvores. (citado in Dalí Jewels: A Collection of the Gala-Salvador Dalí Foundation, Milan, 1999, p. 36).

Schneider publicou as pinturas em litografias numa série conhecida como, As Frutas de Dali que tiveram imenso sucesso, mas escondeu as aguarelas originais no cofre de um banco. Com excepção de uma exposição em 2000 as aguarelas nunca tinham sido vistas.









Paleta humana



Inicialmente, no Japão medieval, usavam-se as tatuagens para marcar os criminosos. Durante o período Edo os gangs e foras-da-lei de Yakuza tatuavam o corpo todo como símbolo de coragem já que as tatuagens eram dolorosas de fazer.
Como ficaram associadas a esses gangs não são nada bem vistas na sociedade e há sítios onde não deixam entrar pessoas com tinta no corpo.
tattoo_museum/chinese_japanese

Banhos públicos de Yakuza - Japão, 1947

📸 Horace Bristol

Paleta das aves

 

 Paul Hollingworth


E se eu chagasse às aulas com uma máscara destas? 😁

 


O drama estende-se da Terra aos Céus

 


Comet NEOWISE and the Drama Mask of Andromeda - Theater in Sicily, Italy on July 23, 2020.
© #TWAN_Guest: Dario Giannobile


Bom dia com um pé na filosofia

 

Pitágoras, pormenor da Escola de Atenas de Rafael


Pitágoras de Samos (570aec-495aec), o grande matemático e filósofo pré-socrático racionalista que fundou uma escola de estudos matemáticos e místicos para conciliar a religião e a razão e cujos teoremas da geometria lançaram sementes para a ideia de prova científica, influenciou Platão, Copérnico, Galileu, Descartes, Kepler, Newton e Einstein. Tomou a decisão inédita de abrir a sua escola a mulheres, uma das quais seria, séculos mais tarde, a primeira matemática-astrónoma, Hipátia de Alexandria.

Atribui-se a Pitágoras a cunhagem do termo filósofo. Segundo reza a história, recontada por Séneca uns séculos mais tarde, Pitágoras, tendo ido a Phlionte, discutiu largamente com o tirano Léon. Este, cheio de admiração pela sua inteligência e eloquência, perguntou-lhe a que ciência devia ele tais conhecimentos. Respondeu-lhe Pitágoras  que não cultivava nenhuma ciência em particular, mas que era um filósofo. Espantado por um termo que não conhecia, Léon perguntou-lhe quem eram os filósofos e o que os distinguia dos outros homens.

Pitágoras respondeu que a vida dos homens assemelhava-se aos jogos que se celebram com muita pompa e circunstância graças à participação de toda a Gécia [os jogos olímpicos]. Nesses jogos, uns exercitam o corpo para a glória e nobreza de uma coroa; outros, conduzidos pelo desejo do lucro, vão para comprar e vender; enquanto isso uma certa espécie de pessoas, mais notáveis, não vão para buscar aplausos nem benefícios, mas simplesmente para observar: observam com interesse o que se passa e o modo como se passa. 
Assim é com a vida, onde uns se consagram à glória e outros ao dinheiro. Alguns, muito raros, aplicam-se a perscrutar a natureza não ligando importância às outras coisas. São esses que se chamam os amantes da sabedoria, quer dizer, os filósofos [philo+sophos]. E assim como nos jogos os mais nobres vão observar sem a mira do lucro, também na vida, a contemplação e o conhecimento das realidades superam em muito todas as outras ocupações.

Amanhecer devagar

 

the Hartz Mountains National Park taken from near Cygnet. 

📷: @ryanyip_photography via Instagram

August 09, 2020

Movie lines




Ser-se humano no meio de outros humanos

 

“To be a human being among people and to remain one forever, no matter in what circumstances, not to grow despondent and not to lose heart — that’s what life is all about, that’s its task.” (Dostoievsky)


 Dostoievsky teve uma grande vantagem sobre muitos outros escritores: aos 20 e tal anos foi preso por fazer parte de uma sociedade que publicava livros contra o czar. Foi condenado, com outros, a ser executado na praça pública como exemplo dissuasório. Já os executantes estavam no lugar com as armas destravadas e em posição de atirar e já lhe tinham dado a cruz a beijar quando, nos últimos segundos, chegou uma missiva a informar do perdão do czar. Dostoievsky passou uns anos na Sibéria mas sobreviveu. Quem mais tem uma experiência destas na sua formação? Não por acaso as suas obras são substanciais. 
Tenho andado a tentar voltar a ler literatura, romances, mas depois de ler muita filosofia, ensaios científicos e coisas do género, a literatura aparece toda um bocadinho insignificante, irrelevante, sem substância. Muito longe das obras de Dostoievsky.


No dia 1 deste mês assinala-se o dia do cancro do pulmão

 


Quando leio que durante a pandemia não se fizeram diagnósticos, que os exames médicos foram atrasados meses, até sinto um nó no estômago pela angústia de toda essa gente que espera por resultados de exames ou por vaga para os fazer, sabendo que está numa corrida contra o tempo e que o atraso de uma semana significa a diferença entre a vida e a morte, ainda para mais porque é um cancro que poucas vezes se detecta cedo.

O pior nesta doença, a certa altura, nem é o abstrairmo-nos das dores ou da tortura dos tratamentos ou exames médicos frequentes, mas abstrairmo-nos das estatísticas brutais.

Sabermos que muitas pessoas morrem escusadamente por falta de dinheiro na saúde para médicos, técnicos e exames médicos e tratamentos, é revoltante, sabendo nós que o dinheiro existe mas está reservado para o esbanjamento de políticos e banqueiros.

PCP e o dinheiro que canta mais alto


Podíamos dizer muita coisa acerca do PCP fazer-se de vítima, como se alguém andasse a tentar calá-los ou sobre como eles tantas vezes tentam calar as vozes incómodas ou até o ridículo de dizerem que o povo sabe do seu sentido de responsabilidade em todos os momentos da história... já se esqueceram do ano do PREC... enfim, tudo isso é secundário pois o que salta à vista é o voragem do dinheirinho.
O PCP podia fazer uma festa do Avante, simbólica, se quisesse não interromper a tradição mas, ao mesmo tempo, dar um exemplo de civismo e respeito pelos outros: convidava ou sorteava ou o que fosse um número de lugares fixo de acordo com as medidas de segurança. Mas não: eles querem mesmo lá as 100 mil pessoas a pagar o dinheirinho que isso conta mais que toda a ideologia junta... and that is the material point!


Festa do Avante

Cancelar o evento seria “soçobrar a uma ofensiva reacionária que, tendo êxito, cedo passaria para outros patamares de limitação de liberdade e direitos”, refere o PCP. E logo de seguida cita a nota de Marcelo sobre o diploma que limita os espetáculos e concertos. “O próprio Presidente da República afirmou que ‘se uma entidade promotora qualificar como iniciativa política, religiosa, social o que poderia, de outra perspetiva, ser encarado como festival ou espetáculo de natureza análoga’, deixa de se aplicar a proibição específica prevista no presente diploma”, dizem os comunistas.

O PCP não cita, porém, a restante mensagem do Presidente, que impõe aos responsáveis a fixação de “lugares marcados” assim como o respeito pela “lotação e o distanciamento físico” dos participantes. Opta, antes, por dizer que “o povo português sabe que pode contar com o PCP e o seu sentido de responsabilidade em todos os momentos da história. Irresponsabilidade não é realizar a Festa do “Avante!” com todas as regras de segurança em articulação com as entidades competentes”.

Regresso às escolas

 


Regresso às aulas. Como as escolas se estão a preparar

É como se a cada porta que se abre de cada espaço da escola — seja as salas de aula, a sala dos professores, o refeitório ou a secretaria — saltasse um conjunto de problemas para resolver e condicionalismos que é preciso ultrapassar ou, pelo menos, improvisar soluções que minimizem os riscos de transmissão do novo coronavírus.
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Ana Leal já consegue fazer um balanço aos problemas mais frequentes: “A maior dificuldade é a articulação dos horários e o número de alunos que frequentam cada escola. É complicado garantir o desfasamento entre os grupos e é muito difícil de cumprir o distanciamento físico nas salas de aula. Nas escolas mais pequenas é impossível esticar o espaço”, reconhece a responsável da câmara.
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“É um puzzle muito complicado e há circunstâncias que não estão nas nossas mãos. Não consigo resolver o problema da dimensão das salas de aula. Mas a tudo o que estiver ao nosso alcance tentaremos dar resposta. É esta a mensagem de confiança que queremos passar os pais.

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Neste artigo diz-se que em Lisboa estão a fazer uma vistoria às escolas para identificarem problemas de segurança pandémica no próximo ano lectivo, a começar já daqui a três semanas.

São muito claros. As escolas são pequenas, com muitos alunos, o que torna difícil desfasar horários, as salas de aulas são pequenas e com demasiados alunos, o que torna impossível o distanciamento físico, e nem sequer falamos dos dois metros recomendados pela OMS, os refeitórios pequenos e sem condições, as casas de banho...

Face a estes problemas o Estado faz zero. Em Portugal discute-se muito o facto de as escolas fecharem ou não, quando ninguém, a começar pelos professores, quer dar aulas em casa, mas não se discute o mais importante que é: como voltar em segurança. Penso que quem escreve esses artigos, quer ter um pretexto para dizer mal dos professores e chamar-nos nomes.

Todos os dias nos bate na cara a evidência da cobardia e desinteresse pela educação pública (excepto na parte da ideologia e endoutrinação para propósitos políticos) por parte de todos os governos: recusa em gastar dinheiro com a educação pública: as condições das escolas, o número de alunos por turma, a desconsideração da  profissão dos professores.

A escola usada para promover cartilhas ideológicas e para poupar dinheiro aos cofres do Estado pô-la nesta situação-limite, em tempos normais. Agora que estamos em tempos limite, não têm margem de manobra. Como a prioridade nas soluções para as escolas é não gastar dinheiro e, até, se possível, cortar mais dinheiro nas escolas, como o já o tentaram fazer em Junho, nenhuma solução é possível. É a história da cigarra e da formiga.
 
Podemos ter medíocres no poder em tempos normais porque as consequências dessa mediocridade não se notam, geralmente, a curto prazo, mas quando estamos em tempos de crise, a mediocridade das pessoas e das suas políticas fica toda à vista. Veja-se o caso de Trump. Aqui em Portugal essa mediocridade já nos custou Pedrogão e 25 mil milhões de euros enfiados em bancos.

Para quem continua a achar que isto é uma gripezinha sem importância, na Alemanha abriram e fecharam as escolas num instante Cierran los primeros colegios en Alemania por la Covid-19. As escolas na Alemanha têm melhores condições que as nossas...
A autoridade europeia diz que é incomum as escolas serem locais contagio, o que é uma mentira, pois no ano passado com pouquíssimos alunos e professores nas escolas houve casos de contágio em várias delas.

Sabemos que a maioria dos contágios se dão em casa: espaços fechados, partilha de objectos, nenhuma distância física e pessoas sem máscara. Ora, no trabalho nas salas de aula, a única condição que difere é o uso de máscara.

Conclusão: o mais importante não se faz. E o que é o mais importante? Garantir condições de segurança: E porque é que não se faz o mais importante? Porque o governo não quer gastar dinheiro com as escolas, mesmo recebendo milhões a fundo perdido.
Em vez disso discutem se as escolas fecham ou não, o que é indiferente, pois se houver surtos da doença nas escolas, elas fecham, quer as pessoas queiram ou não, como já está a acontecer na Alemanha e no Oriente.

Quando se diz que as crianças e os jovens precisam das escolas, esquecem-se que os alunos não aprendem sozinhos, precisam dos professores e que, se os professores adoecerem, de nada serve ter as escolas físicas abertas. Portanto, o objectivo é estarmos nas escolas em condições tais que o risco de contágio seja muito pequeno e não máximo como é o que estão a preparar.

Não se pode querer que as escolas sejam o depósito das consequências da incompetência dos que governam e gerem a pandemia: o ME, o governo, a DGS que nem colidir dados sabe, nem se importam com isso... Investigadores dizem que DGS lhes deu dados com “erros”. Homens “grávidos” é um deles, mas DGS desdramatiza

O título do artigo, 'como as escolas se estão a preparar' é uma ilusão para acalmar pais, como a própria confessa no artigo, porque no que mais importa para garantir a segurança de todos, pouco ou nada podem fazer, porque esbarram com a proibição do ME.

Good Morning