July 11, 2020

Mr. B




Horizontes




Léon Spilliaert (Belge,1881 - 1946)

Almoço



Chegaram as compras do supermercado e vem um riesling - estava a apetecer-me. Eu sei que não é português e devia preferir vinhos portugueses, mas isso é o que normalmente faço e de vez em quando apetece-me outros vinhos. No tempo em que vivi em Bruxelas aprendi e habituei-me a apreciar outros vinhos e fiquei com esse gosto que alimento menos vezes do que gostava. No mês passado andei a beber um Luís Pato, agora é este. Uma garrafa dá-me para um mês inteiro.




Enfim, como hoje o almoço um bacalhau à Gomes de Sá, vamos ver se combinam :)


Lê-se e não se acredita



Peritos alertam para subida de casos três semanas após o início das aulas. Ministério promete reforçar cuidados intensivos e laboratórios e apostar em teleconsultas para doentes não-covid. Vacina da gripe será antecipada


Lemos este artigo que fala sobre medidas que vão ser tomadas na área da saúde e algumas delas, são estas dirigidas para as escolas, que se pensa ser o maior foco de surtos de COVID assim que o ano lectivo começar. E que medidas são essas? Nenhumas. Lê-se e não se acredita: ter mais pessoas ao telefone, mais laboratórios a testar e vacinar contra a gripe. O que tem a vacina da gripe a ver com o COVID? Nada, que saibamos. As outras medidas não são de prevenção, são de remediação. 

De facto, não é o ministério da saúde mas o da educação quem devia estar a preparar medidas de prevenção, o que não fez, até agora, muito antes pelo contrário.

Vejamos: o caso, por enquanto, ainda não é dramático. O terceiro período é geralmente muito pequeno (mês e meio), ao contrário dos outros dois, cada um com três meses inteiros de aulas. Portanto, não é um terço do ano, é menos de um quarto - este ano, dado que as aulas foram estendidas até final de junho por causa da pandemia, até foi maior que era para ser. E trabalhou-se, por pressão dos professores, porque o secretário de Estado começou por dizer que o terceiro período era para só para entreter alunos. É claro que foi um terceiro período atípico e negativo, relativamente ao que são as aulas presenciais, ao acompanhamento pelos professores e aos recursos que apesar de tudo existem nas escolas e não nas casas da maioria dos alunos.

No entanto, volto a dizer, foi um mês e meio de aulas presenciais que se perdeu, na totalidade do ano lectivo. Não é dramático. Agora, se o próximo ano não for preparado e se acabar com escolas fechadas por causa de surtos de COVID, com alunos e professores doentes e exaustos por um ano sem intervalos de aulas, sem férias e com trabalho extra, aí sim, será dramático, porque será um ano inteiro, não apenas perdido, como um hiato na continuidade da vida. Não, será um ano com acumulação de experiências negativas. E isso deixa outras marcas nas possibilidades dos alunos.

Porque razão o governo não se interessa pela educação e só vê as escolas como custos? Não sei, isso para mim é um enigma, mas não abona em seu favor.

Porque razão o ME e nomeadamente na pessoa do ministro não luta pelas escolas e já veio dizer que não vai fazer nada para as escolas poderem trabalhar com os alunos em condições de segurança, sabendo que essa falha vai cavar ainda mais o fosso entre pobres e ricos? Não sei, mas nós vemos que esse problema das desigualdades não é sentido nem abordado pelas nossas elites políticas, sendo que até dizem, algumas, que os portugueses têm que esquecer isso da equidade.

Porque razão o ME pensou o próximo ano lectivo mais como um castigo para alunos e professores que como uma possibilidade de resultados positivos? Não sei, mas desconfio que não atribuem importância suficiente à escola pública para gastar dinheiro com ela, como atribuem aos projectos faraónicos, aos banqueiros amigos, a terem muitos ministérios para distribuir camaradas, etc.

Os professores e os alunos não precisam de estar presos em salas apinhadas, sem intervalos como se fossem soldados que se enfiam em trincheiras sem ordem de sair até caírem por COVID ou exaustão total.

Os professores e os alunos precisam de condições de segurança para sentirem confiança e se carregarem de energia para se dedicarem ao trabalho no próximo ano, nas escolas, e o fazerem render ao máximo. 

Penso ter ficado claro, este ano, com a rapidez com que, numa semana e meia (e prescindindo das férias da Páscoa) os professores foram capazes de montar, sozinhos, sem a mais pequena ajuda do ME, um sistema de aulas à distância (com erros e falhas, sim, mas que no geral funcionou como remediação), que têm energia, vontade e boa disposição para o trabalho difícil do ano que vem. E ainda não terem medo de desafios. Agora, não podem esperar que o façam nas piores condições de segurança possível, pois isso é pedir-lhes que adoeçam para o ME e o governo não se incomodarem com o assunto.

Se as pessoas do ME não sabem ou não querem criar condições de segurança que ofereça confiança e, pelo contrário, só produzem obstáculos ao trabalho das escolas, por amor de deus, vão-se embora. Dêem lugar a quem saiba trabalhar. Os alunos e os professores não podem ser cobaias da vossa falta de competência para os cargos.

Outra coisa que tem ficado clara para todos é que a substituição de pessoas competentes por amigos, por moços de recados que não ofereçam resistência ou como pagamento de favores partidários, em tempos de crise, como a de agora, tem efeitos catastróficos. As pessoas não sabem trabalhar, não sabem pensar nos problemas, rodeiam-se de incompetentes iguais a eles e estragam tudo em que mexem, com consequências de restrição de futuro e, muitas vezes, de morte, como agora, na vida dos outros. Já tinha ficado claro com Pedrogão, agora entra pelos olhos adentro.

Sou só eu que me assusto com isto de o primeiro-ministro ter posto o país nas mãos de um homem



... um tipo da cepa da Lurdes Rodrigues que defende projectos faraónicos e fala em galinha de ovos de ouro? A galinha dos ovos de ouro é um conto infantil...

Objectos de desejo



O meu novo objecto de desejo é um livro com as obras de Bruegel que descobri há bocado na sequência de andar a explorar o significado deste estranho desenho onde se vêem figuras com rosto tapado com o mesmo vime das colmeias que parecem estar a roubar, dadas as suas poses furtivas. Um homem está pendurado num ramo de árvore, como se estivesse a esconder-se dos outros.
O mel, antes da descobertas das possibilidades da cana de açúcar, era um bem valioso e a cera das abelhas ainda mais. Sabendo nós que as obras de  Bruegel estão cheias de simbolismos e recados, nomeadamente acerca das guerras e conflitos que opunham católicos a protestantes, a tal ponto que pediu à mulher que destruísse muitas após a sua morte, é difícil olhar para esta obra tão estranha e não ficar a pensar o que quereria ele dizer com isto.
Enfim, para além disso, uma característica do desenho que me atrai é podermos 'ler' intenções humanas nas figuras, mesmo sem rosto, só pela posição e movimento aparente do corpo em interacção com o espaço físico e os objectos. O homem do meio parece estar muito tenso. Eles vêm protegidos com fatos especiais mas com as mãos ao ar, desprotegidas, o que é estranho. Não se percebe se os fatos são para se protegerem das abelhas, se para não serem reconhecidos. O que está na árvore está vestido normalmente. Estranho mas cativante, é difícil tirar os olhos dele. Descobri um estudo sobre esta obra que vou ler porque agora estou com curiosidade em saber sobre a obra.
A obra está num museu em Berlim ( Kupferstichkabinett) que é um museu de gravuras e desenhos. Nem me lembro de ter ouvido falar deste museu. Não estamos em tempos de poder ir passar um fim de semana a uma cidade qualquer para ir visitar um museu como fazíamos dantes, às vezes, o que é uma chatice.

Bruegel - The Beekeepers and the Birdnester

July 10, 2020

Mr. P




Sometimes things are that simple




© Tomás Air 

I wish things were that simple (e acerca da ironia)



Estava aqui a olhar para esta fotografia e lembrei-me do conceito de ironia de Hegel. A ironia é uma figura retórica pela qual se diz o oposto do que se diz- exactamente com as mesmas palavras. Dizemos 'A' quando queremos dizer, 'não-A'. A questão é que dizemos exactamente a mesma frase e quem ouve tem de decidir se a frase quer dizer o que diz ou se quer dizer o seu oposto. O que significa que a frase é ao mesmo tempo 'A', o que é efectivamente dito e, 'não-A', o oposto do que é efectivamente dito, com as mesmas exactas palavras. Como é possível uma frase significar uma coisa e o seu oposto, ao mesmo tempo, isto é, sendo contraditório e, no entanto, fazendo sentido? É possível porque a contradição faz parte do mundo e é por isso que ouvimos uma frase e lhe podemos dar o significado oposto do que ela diz: porque fazemos parte do mundo e a contradição vive em nós e no mundo. Ou seja, no mundo, tudo poder ser 'A' e 'não-A' ao mesmo tempo e essa contradição não é falsidade, é sentido. Isto é uma enorme revolução no pensamento pois temos como certo que onde há contradição não há verdade, não há sentido. Enfim, lembrei-me disto a olhar para a simetria desta fotografia.






photo by Mikko Lagerstedt

Porque é que o nosso governo segue a política de Trump no que respeita à abertura das escolas, sem nenhuma segurança, no ano que vem?



Estão as duas totós da saúde na TV a dizer que nas escolas se vai garantir o distanciamento físico usando máscaras e pondo as mesas numa certa disposição. Que eu saiba, as máscaras não aumentam o espaço físico, não dilatam as salas de aula... e as carteiras já estão como devem estar, na maioria dos casos, que é em fila para ficarem de costas uns para outros. Que eu saiba a disposição das mesas também não dilata as salas de aula. As paredes não se deslocam, de modo que, nas salas onde se punham 28 alunos, em 14 mesas, vão continuar a ser as mesmas salas, com os mesmos 28 alunos (se não forem 30) dispostos dois a dois, por mesa, sem nenhum distanciamento. Afinal o que muda? Afinal onde se garante o distanciamento físico? E porque é que vêm para a televisão tentar enganar as pessoas?

O governo, nas pessoas do ME está a seguir as ideias e políticas de Trump - este, quer abrir as escolas sem segurança nenhuma porque está-se nas tintas para a vida dos outros. A minha questão é: o nosso governo agora é um seguidor de Trump?

Peticionar pela redução do número de alunos por turma já no próximo ano lectivo. Se concordas, assina




A Ndrangheta portuguesa?





João Rendeiro, ou a paradoxo do condenado que não vai preso


João Rendeiro, ex-presidente do Banco Privado Português – BPP – foi condenado a cinco anos e 8 meses de prisão efetiva, mas não irá para a cadeia se pagar 400 mil euros de “multa”.  Apesar de estar em parte incerta, será fácil para ele resolver essa questão com uma simples transferência bancária. Nada a que ele não esteja muito habituado a fazer.
O BPP era um banco especializado em gestão de fortunas. Só tinha clientes especiais, todos ricos. O banco geria fortunas de centenas de empresários e tinha vários políticos nos seus órgãos sociais e acionistas, como o ex-primeiro-ministro Francisco Pinto Balsemão, que era também presidente do Conselho Consultivo do banco, ou o advogado José Miguel Júdice que presidia à Assembleia Geral. Estavam acompanhados por figuras do PSD como João de Deus Pinheiro, António Nogueira Leite, Rui Machete ou Álvaro Barreto, mas também pelo ex-ministro socialista João Cravinho.
Quando o BPP colapsou, o Banco de Portugal deliberou revogar a autorização que concedera ao Banco Privado Português, S.A, para o exercício da atividade bancária, o que levou à  declaração de insolvência. Em conformidade com os dispositivos legais, o Banco de Portugal requereu no Tribunal de Comércio de Lisboa a liquidação da instituição e propôs a nomeação de uma Comissão Liquidatária. Em Portugal não existia memória da insolvência de um banco.
A liquidação do BPP deu origem a vários processos judiciais, quer do Estado quer de clientes, na tentativa de recuperar o dinheiro que lá tinham colocado e também para averiguar as circunstâncias que levaram à falência do BPP.
João Rendeiro foi, agora, considerado o autor do esquema que enganou clientes, auditores e a propria CMVM e até o Banco de Portugal. O tribunal deu como provado que Rendeiro deu ordens para mascarar a contabilidade do banco de modo a esconder prejuízos, fingir que o banco estava próspero e assim continuar a atrair clientes, leia-se milionário sem tempo para gerir as próprias fortunas.
Os arguidos nunca assumiram culpas nem remorsos, evidentemente, mas como são pessoas de bom trato e sem antecedentes criminais, o tribunal decidiu suspender as penas de prisão de todos os condenados, a saber: João Rendeiro, condenado a 5 anos e 8 meses e Paulo Guichard  condenado a 4 anos e 8 meses de prisão efetiva, embora as penas fiquem suspensas se os reús pagarem indemnizações mais ou menos simbólicas.
Nos três anos que antecederam a falência do BPP, foram distribuídos dividendos no valor de 30 milhões de euros a acionistas como Balsemão, Saviotti e Rendeiro. Os acionistas receberam metade do lucro do banco no ano anterior à descoberta da fraude. E a administração executiva viu o salário aumentado em 25,5% nesse ano de 2007. Em 2008, Rendeiro recebeu mais de 3 milhões de euros do BPP. A CMVM concluiu num inquérito em 2011 que os três administradores, dos quais dois foram agora condenados, terão desviado cerca de 100 milhões de euros para paraísos fiscais, através de complexos procedimentos bancários.
João Rendeiro vive em Cascais, num condomínio de luxo, a Quinta Patiño. Tem vizinhos como, por exemplo, o empresário Diogo Vaz Guedes, o último governador de Macau Vasco Rocha Vieira, o ex-ministro da Administração Interna Manuel Dias Loureiro, o empresário Nuno Vasconcellos, o hoteleiro Stefano Saviotti, o futebolista Simão Sabrosa, o ex-banqueiro José Maria Richiardi (BES), entre outros. Gente que não tem problemas com má vizinhança.

Em Portugal a pandemia passou à clandestinidade?



Se as reuniões entre o Infarmed, o Governo, o Presidente da República, os partidos e os parceiros sociais para os técnicos prestarem esclarecimentos sobre a evolução da covid-19 vão acabar, onde vai o governo buscar informações especializadas, quem o aconselha, como vamos agora saber da evolução da doença, das medidas que estão a ser tomadas, etc? Ou o Presidente, o governo e AR, os orgãos de soberania demitem-se das suas responsabilidades e deixam os portugueses, cada um por si, às escuras quanto à evolução da doença e à opinião de especialistas? Ou, daqui para a frente, o primeiro-ministro toma decisões políticas partidárias sem levar em conta a realidade da doença e depois manda um cientista qualquer amigo ir à TV com recadinhos ao povo? Ou é o SS que agora também tem nas mãos a questão do COVID? E porque se demitiu tanta gente na DGS? Tem alguma coisa que ver com esta passagem à clandestinidade?
Isto é muito preocupante. Só falta o primeiro-ministro seguir a opinião do ignorante do líder da oposição e deixar também de ir ao Parlamento responder a questões para isto virar um trumpismo.

Reflorestar




Visions of Earth





montanhas do Perú

July 09, 2020

Pátria, Nação - deambulação por conceitos



Abri a TV e fui dar com esta cena deste filme - acho que é a melhor cena da ideia de 'comunidade' que já vi filmada. A cena dos indivíduos empoleirados na estrutura de madeira do celeiro a colaborarem uns com os outros enquanto as mulheres colaboram umas com as outras a preparar o almoço, o vestuário deles e delas quase indistinto e a atmosfera de esforço colectivo positivo, sublinhada pela música extraordinária de Jarre, passam uma ideia de endogrupo extremamente coeso.




Este filme retrata uma comunidade de mennonitas (amish), anabatistas da Velha Ordem, como lhe chamam, por serem os mais tradicionalistas, de origens suíça e alemã da Alsácia.
No filme -e esta cena é elucidativa- percebemos os Amish como uma nação cuja pátria não é o país em que vivem. Na realidade não têm pátria ou a sua pátria, se a têm, é imaginária e situa-se no domínio de um Elysium cristão. Eles vivem nos EUA, estes no Estado da Pensilvânia, mas não se reconhecem como americanos, não pagam impostos, não aceitam ajudas do Estado, não reconhecem a bandeira americana. São uma nação espiritual - estão ligados por uma ideia de vida, de objectivos religiosos e de lealdade aos princípios cristãos. São pacifistas e vivem pela lei do Amor como diapasão das relações humanas.No filme, parece idílico, mas não é: são uma comunidade rígida e não têm soluções para os membros que se desviem, nem que seja um milímetro, das regras. Expulsam-nos para que não possam pôr em causa a pureza do grupo.

O que quero dizer é: a comunidade funciona bem porque são educados para terem uma vida simples e para serem amistosos, mas os seus princípios doutrinários são exclusivos. Penso que é isso que mais marca a 'nação' - é uma ideia, um conjunto de preceitos e aspirações que une um conjunto de pessoas para além de qualquer territorialidade. É por isso que franceses nascidos em França vão para a Síria dar a vida, se for preciso, pela nação muçulmana: porque não têm uma ligação espiritual, emocional, ao povo do seu país de origem: a pátria francesa, neste caso.
O nacionalismo tem esta característica de imaterialidade, cosmopolitismo, por ser a adesão a uma ideia, a uma visão e essa visão não estar circunscrita a um território único. Nação, além disso, ja teve uma conotação com povo escolhido por deus ou algo do género.

Já a pátria, pelo menos na visão de Ortega y Gasset, é mais uma paisagem: uma paisagem material dos tons, cores, cheiros, ambientes do sítio em que nascemos e crescemos. É assim como eu sentir uma ligação especial a campos de sobreiros - é porque são a árvore da minha infância e estão emocionalmente ligados a memórias de campos com certos aromas, a experiências de vida, etc. O patriotismo são memórias episódicas, emocionais.

Mas então, se a pátria é essa paisagem e não tem a característica rígida da nação como grupo que é fiel a uma visão, uma ideia, uma aspiração, porque é que as pessoas vão morrer pela pátria?

Eu sei que estes termos são difíceis de definir, que por vezes se sobrepõem e que alguns, como nacionalismo, nasceram dos jacobinos e da luta contra o feudalismo e a monarquia. Já li algures que isso terá que ver com o facto de identificarmos a pátria com os pais. Pátria refere-se a pater e patris, os pais e os antepassados. A mãe-pátria, dizemos. Defender a pátria é como defender os pais e os avós.

Mas então o patriotismo é melhor que o nacionalismo? Bem, o patriotismo é exclusivo. Enquanto nos vemos como indivíduos de uma pátria, olhamos os outros como estranhos e impedimo-nos de os ver como patrícios, se entendermos os antepassados remotos como comuns a toda a humanidade e os outros seres humanos como nossos consanguíneos. É claro que, se se restringir o diâmetro do círculo, os outros são todos estranhos, como naquele poema da Sophia,

"Sou o único homem a bordo do meu barco.
Os outros são monstros que não falam,
Tigres e ursos que amarrei aos remos,
E o meu desprezo reina sobre o mar."


O patriotismo pode ser tão nefasto e corrosivo como o nacionalismo. Para aqueles patriotas para quem a mãe-pátria é uma validação identitária, uma ofensa à pátria é uma ofensa pessoal que os atinge na sua individualidade. 'Nós os portugueses vamos para qualquer parte do mundo e damo-nos bem com todos' -  'nós os ingleses somos British e resistimos a tudo, nada nos deita abaixo' - 'nós russos somos inexpugnáveis' - 'nós americanos somos livres', etc. Se as pessoas vão buscar a sua construção identitária a uma característica que alocam a um território, depois esse território é a sua força e se for preciso defendem-na até à morte.

Os americanos, por exemplo, falam constantemente nos princípios dos founding fathers como se eles fossem excepcionais por serem americanos e não por serem bons princípios. Os princípios da Carta das Nações Unidas são bons mas muitos povos dizem não os quererem por terem sido pensados por europeus, como se esse facto fosse uma ofensa à sua força identitária e reconhecê-los como bons uma submissão de uma nação a outra.

Por conseguinte, enquanto o patriotismo -que é diferente de usos e costumes culturais, apesar de os incluir- e o nacionalismo regerem as relações entre os povos, dificilmente conseguiremos consenso em torno de princípios universais.

Trump, um patriota e um nacionalista é a prova disso.

Esta Rita Rato não é aquela que disse nunca ter ouvido falar de Gulags nem se interessar em saber? Grande exemplo de cultura...



Quanto piores mais longe vão. É por causa destes amiguismos que o país está no estado em que está.


CDS pede mais informação sobre escolha para o Museu do Aljube e PCP defende Rita Rato

Jerónimo de Sousa defendeu a ex-deputada das críticas à sua escolha para a direcção do Museu do Aljube, em Lisboa.

Na reunião privada da CML em que estiveram presentes Fernando Medina, presidente da CML, e Catarina Vaz Pinto, vereadora da Cultura, Assunção Cristas pediu mais informação sobre um processo de recrutamento em que “constavam requisitos vários que claramente não correspondem ao perfil” de Rita Rato. “Não é licenciada em História política e cultural contemporânea, não é alguém com experiência em museologia ou na curadoria de exposições, nem em gestão de equipas. Tudo critérios que não têm a ver com o seu percurso.”


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Para a presidente do ICOM-Portugal, “formação na área, e perfil profissional são essenciais para o cargo de direção de um museu, que precisa de conhecer as condições do meio, e deter competências técnicas que vão fazer falta”.

“A pessoa selecionada [Rita Rato] não tem nenhuma experiência que a capacite nem formação adequada que a recomende para aquele lugar”, sublinhou Maria de Jesus Monge.

Ministra de quê...??



Que raio de país tem a sua língua está mãos do MNE? E uma ministra da cultura que não tem opinião sobre a língua que fala a não ser para dizer que ainda bem que outros decidem por si?


do blog https://olugardalinguaportuguesa

comunicado da FNE - estou de acordo e gostava ainda que me explicassem, como se tivesse três anos



Se os alunos podem ir para a escola, como o ministro quer, no ano que vem, sem distanciamento social, todos ao molho a respirar o mesmo ar, enfiados em salas onde nem 20cm poderão ter de distância uns dos outros, porque que raio os ladrões e outros bandidos foram soltos das cadeias e andam à solta?

E já agora, passa pela cabeça de alguém que políticos tomem decisões sobre a escola e a educação sem ouvir os especialistas, que são os professores?
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A Educação disse presente nos momentos difíceis. 
Agora é o tempo da valorização dos seus profissionais
O Secretariado Nacional da FNE, reunido em 8 de julho de 2020:

– discorda inteiramente do Ministério da Educação em relação ao calendário escolar determinado para o ano letivo de 2020/2021porque entende que não há qualquer efeito direto em termos de resultados escolares do aumento do número de dias letivos em relação aos anos anteriores, e porque desrespeita as pausas que são imprescindíveis, quer para Docentes, quer para Alunos, ao longo do ano letivo, estas sim com efeitos na melhoria do processo ensino-aprendizagem.

– exprime também total discordância e preocupação sobre as orientações que a DGEstE publicitou para o próximo ano letivopor se resumirem, entre outros aspetos ao uso obrigatório da máscara nos recintos escolares, e registando negativamente que se assuma um distanciamento físico “sempre que possível” de apenas 1 metro, contrariando outras orientações que assumem um mínimo de 1,5 metros. De qualquer forma a generalidade das salas de aula das escolas portuguesas não suportará turmas com 24, 26, 30 alunos, mesmo com o distanciamento de 1 metro.

– acusa o Ministério da Educação de desrespeito pelo direito à participação dos parceiros sociais da área da Educação na informação, consulta e negociação das políticas educativas, ao ter determinado o enquadramento da organização do ano letivo de 2020/2021, sem a sua consulta adequada.
– assinala que as políticas para o setor da Educação deverão garantir às escolas e aos seus profissionais as condições e os meios que lhes permitam trabalhar com autonomia e flexibilidade, em termos de desenvolvimento do currículo e de organização pedagógica da escola, para que nenhum aluno fique para tráspelo que se manterá atento ao desenvolvimento do ano letivo, denunciando todas as circunstâncias em que a insuficiência ou inadequação de meios e recursos estejam a prejudicar os diferentes intervenientes.

– considera
 manifestamente insuficientes as verbas previstas no Orçamento Suplementar para as respostas na área da Educação para garantir as responsabilidades das escolas no próximo ano letivo, quer em termos de recursos humanos, quer em termos de recursos financeiros, não podendo haver constrangimentos de ordem orçamental para que todas as necessidades concretas estejam asseguradas.

– acusa o Ministério da Educação
 de continuar a não querer olhar para a dotação dos quadros das escolas, adequados às necessidades permanentes do sistema educativosublinhando que o resultado do concurso externo divulgado esta semana demonstra, por exemplo, que o número de vagas que permitiu a vinculação de 872 docentes para o próximo ano escolar, corresponde apenas a cerca de 10% do total da renovação dos contratos que as direções das escolas autorizaram, para o preenchimento das necessidades sentidas no presente ano escolar.

– reafirma a exigência feita ao Ministério da Educação, ao longo dos últimos anos, de
 alterar as regras da norma travão, uma vez que esta continua a não responder à necessidade de recursos docentes estáveisnos quadros das escolas, mantendo em precariedade, anualmente, milhares de docentes, para além de se manter uma regra geradora de injustiças entre os professores contratados.
–  reitera, por outro lado, a necessidade de que, para além das palavras, haja ações concretas de reconhecimento e valorização de todos quantos trabalham em Educação, através de políticas que tenham em conta as suas legítimas aspirações.
 

– em nome dos Educadores, Professores e Trabalhadores de Apoio Educativo (Não Docentes) de todos os Setores de ensino, considera indispensável que haja respostas para os problemas concretos sistematicamente identificados e que têm sido sucessivamente apresentados ao Governo, até agora sem qualquer disponibilidade para os resolver, em termos de carreiras, rejuvenescimento, precariedade, formação, qualidade de vida, saúde, aposentação.

A FNE não desiste desem deixar de respeitar as especiais e difíceis circunstâncias que o País vive, trabalhar no sentido da promoção de:
– carreiras dignificadas e atrativas, sem quaisquer perdas de tempo de serviço
– limites para o tempo de trabalho
– conciliação do tempo de trabalho com o tempo de vida pessoal e familiar
– proteção na saúde e segurança no trabalho
– aposentação digna
– formação contínua ajustada aos interesses e necessidades de cada um

O Secretariado Nacional da FNE considera inadiável que Educadores, Professores e Trabalhadores de Apoio Educativo, sejam reconhecidos e valorizados, para continuarmos a garantir um serviço público de Educação de qualidade.

Well, this is life too



soothing


Peder Mørk Mønsted (Danish, 1859-1941), "A Stream Through the Glen, Deer in the Distance" (1905)