June 21, 2020
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Mais de 700 filmes raros totalement gratuitos, disponíveis graças ao site OpenCulture que luta pela educação e pela cultura de modo totalmente gratuito, na internet.
Há curtas e longas metragens, algumas verdadeiras raridades como as primeiras curtas-metragens de George Lucas, Wes Anderson, Stanley Kubrick, Jean Cocteau, Andy Warhol, Salvador Dali, Andreï Tarkovski, Christopher Nolan, David Lynch, Tim Burton, David Cronenberg, Sofia Coppola…enfim, para todos os gostos.
“Toda a história da física mostra que a coisa mais interessante é aquilo que não se espera”
Uma das coisas que faz esta vida valer a pena está em que, de vez em quando e muito inesperadamente, acontecem-nos coisas e pessoas extraordinárias. É certo que é preciso estar desperto e reconhecê-las porque há quem passe ao lado delas sem as ver ou valorizar. O que acho piada é que esse aspecto da vida, pelos vistos, também se estende à física. Pelo menos, é isso que diz o meu amigo Mário Pimenta, neste entrevista ao P
O CERN dedica-se à construção e operacionalização do conhecimento científico numa lógica de cooperação pacífica internacional. É preciso lembrar que a WWW, a internet, nasceu ali, justamente para que cientistas de todo o mundo pudessem compartilhar dados e, mais ainda, foi propositadamente deixada livre, para fomentar o conhecimento e a cooperação no planeta?
Mário Pimenta: “Toda a história da física mostra que a coisa mais interessante é aquilo que não se espera”
Delegado de Portugal ao Conselho do CERN e presidente do LIP — Laboratório de Instrumentação e Partículas, Mário Pimenta defende que a estratégia apresentada esta sexta-feira abre o caminho à exploração de novas fronteiras do conhecimento e vai manter a Europa na liderança da ciência e da tecnologia.
O físico português Mário Pimenta DR
Andrea Cunha Freitas -- 19 de Junho de 2020, 20:46
Em entrevista ao PÚBLICO, Mário Pimenta fala do que pode estar para lá do modelo-padrão que explica o Universo tal como o vemos e também do que Portugal já ganhou e ainda tem a ganhar com o CERN. Sobre o futuro, o professor catedrático no Instituto Superior Técnico lembra que “a ciência não pode ser angustiada”.
Há vários interessados em avançar para um novo grande acelerador de partículas de nova geração. Além do CERN há a China e o Japão. O que acha que vai acontecer?
O Japão tem nos seus projectos a possibilidade de fazer um acelerador linear [assente num colisor electrão-positrão como a fábrica de Higgs que a Europa quer fazer]. Mas ainda não está decidido, eles querem que haja muito dinheiro de fora, precisam de um grande consórcio internacional. A China corre no seu tabuleiro e também poderá fazer um grande acelerador, mas não tem a tecnologia para isso nesse momento. Se o CERN dissesse hoje que desistia deste projecto, a China deveria avançar mais depressa. O que é claro é que o CERN é o único laboratório que tem neste momento a densidade de gente e a tecnologia capaz de fazer estes aceleradores.
Não é uma estrutura demasiado grande e dispendiosa para avançarem os três?
Se o Japão avançar, a Europa vai encarar esse projecto como um esforço global e, com certeza, vai participar. O que não significa que na Europa não venha a fazer-se uma fábrica de Higgs. Mas esse é um debate que não é para fazer agora. O que se aprova hoje é um caminho e o começo dos estudos mais aprofundados sobre isso.
Ainda não está nada decidido então?
Não. O que está decidido é abrir o caminho para começar os estudos. E a primeira opção é a construção de um novo acelerador circular. Mas é possível que se chegue à conclusão, por uma razão qualquer, que não há condições técnicas, políticas ou financeira para avançar. Mas essa decisão só será tomada daqui a cinco anos.
Sobre Portugal, qual é o impacto que esta estratégia pode ter para o país?
Na ciência é muito grande. A entrada de Portugal no CERN foi a entrada de Portugal na primeira organização científica internacional, numa iniciativa de José Mariano Gago em 1986 e teve um enorme impacto na ciência em Portugal. Felizmente, hoje em dia há muitas colaborações internacionais, mas o CERN continua a ser um caso de referência nas suas competências, ou seja, na física, na tecnologia, na formação e também na colaboração com a indústria. À nossa escala, claro. Nós representamos 1% do CERN, do ponto de vista financeiro da nossa quota, mas à nossa escala, quando se olha para os números, temos tido uma taxa de sucesso que é muito elevado e da qual nos devemos orgulhar. São oportunidades muito importantes para o nosso país. O trajecto do desenvolvimento científico em Portugal nos últimos 35 anos está muito ligado ao CERN.
O que é que Portugal tem a ganhar?
Dou-lhe apenas mais um exemplo, além da formação científica, que tem a ver com a indústria portuguesa participa no CERN desde o início. Tem havido grandes contratos entre o CERN e a indústria, com transferências tecnológicas imensas. Há vários exemplos, com o Instituto Português de Soldadura, com os tanques de hélio líquido, entre outros projectos que são hoje coordenados pela Agência Nacional de Inovação. Portanto, há um enorme benefício não só por contratos directos, mas sobretudo pelo salto tecnológico que muitas vezes as empresas dão com esta colaboração e com o selo de garantia e reputação do CERN. Temos hoje em dia pequenas startups de alta tecnologia, de electrónica, que estão ligadas ao CERN. Uma parte da contribuição portuguesa no projecto [do acelerador LHC] de alta-luminosidade do CERN é com a indústria portuguesa. Temos nichos de tecnologia de que nos podemos orgulhar.
Depois de terem sido encontradas as partículas previstas no modelo-padrão, o que é que ainda estamos à procura?
Toda a história da física mostra que a coisa mais interessante é aquilo que não se espera. As maiores descobertas são sempre aquelas que a tecnologia e os instrumentos permitem alcançar, mas não são aquelas que justificaram o pagamento desses objectos.
Mas o que podemos descobrir além do modelo-padrão?
Sabemos que o modelo-padrão funciona bem a uma determinada escala. O modelo-padrão está para o futuro como a mecânica de Newton esteve para a mecânica de Einstein. A mecânica de Newton não está errada, e eu continuo a ensiná-la aos meus alunos da universidade, mas é dentro de um determinado conjunto de aplicações. Se eu for trabalhar sobre velocidades perto da velocidade da luz, não funciona. Mas se eu quiser estudar as leis do futebol e o esférico a andar, não preciso de Einstein, só preciso de Newton. Se eu quiser estudar um GPS, já preciso de Einstein…
Vem aí um novo modelo?
São fronteiras que se abrem. Temos uma comunidade teórica que tem muita imaginação, que publica centenas de milhares de artigos a dizer quais são as hipóteses a seguir. Compete ao CERN a parte experimental. Não há verdades na ciência. A ciência nunca diz que uma teoria está certa. O que a ciência diz é que uma teoria ainda não está errada. A mecânica de Newton não esteve errada. Surgiu Einstein a dizer que era preciso mais qualquer coisa. A ciência avança assim. Uma teoria nunca está certa ao ponto de ser uma verdade absoluta: funciona. A ciência é operacional, explica o mundo. Temos uma teoria agora que explica aquilo que nós conseguimos medir. Precisamos de experimentar as novas hipóteses. Neste momento não há nenhuma evidência de que chegámos ao fim. Já houve duas pessoas – o lorde Thomson, no fim do século XIX, e o Stephen Hawking – que disseram que a física tinha acabado e as duas estavam erradas. Stephen Hawking chegou mesmo a escrever um livro chamado O Fim da Física. As pessoas têm a mania de achar que a determinada altura descobriram a teoria final. Isso até seria aborrecido. Na verdade, é uma quimera.
Vale a pena o risco de apostar tantos recursos mesmo não sabendo ainda o que vamos encontrar?
Parece muito dinheiro, mas também é muito pouco. É conforme a escala. Se pensarmos no orçamento para a defesa, não tem nada a ver. Vale a pena investir. É isto que nos faz mexer. É aquilo que permite o melhor da humanidade que é o conhecimento. Um dos aspectos extraordinariamente importantes do CERN e foi para isso que ele foi fundado é a investigação pacífica, não militar, isso está nos estatutos do CERN: meter à volta da mesa a trabalhar gente de países que podem estar em guerra. Assisti a isso na altura da Guerra Fria, entre os russos e os americanos, assisti com os ingleses e os argentinos que estavam na Guerra da Malvinas e ao mesmo tempo a trabalhar juntos na mesma experiência, com os israelitas e os palestinianos… Ter um lugar onde isto pode acontecer, pelo conhecimento, tem um valor inestimável.
Por explorar há ainda questões que vão além do modelo-padrão, tudo o que está relacionado com a matéria escura, a energia escura…
Nós queremos saber onde estamos, para onde vamos, isso tudo. Mas a ciência não pode ser angustiada. A ciência aponta um caminho, qual é a estrada. E depois vai-se descobrindo. O CERN está a dar uma mensagem para a Europa do ponto de vista de valores, acreditar na comunidade internacional científica pacífica e não militada. Está a dar uma imagem da tecnologia, dizendo que queremos continuar a ter os melhores engenheiros e técnicos e dar-lhes desafios. Temos uma mensagem na ciência porque sem a ciência não há progresso.
Então, a física de partículas tem futuro…
A física de partículas é parte do futuro.
June 19, 2020
Vem aí um fim-de-semana de bom tempo
I'll be Back ☺️
Take care!
O milagres dos peixes ao contrário dos 'nuestros hermanos'
Governo espanhol anunciava zero mortos quando morriam 68 pessoas por dia em média
Os dados divulgados pelo ministério da Saúde de Espanha não coincidem com os números registados pelas regiões autónomas.
I love you dad. Please love me back. Please, please, please
.@DonaldJTrumpJr to President Trump: "When I look at your accomplishments -- they're incredible." pic.twitter.com/10QHSCWnGN— The Hill (@thehill) June 19, 2020
Polaroid do país que somos (com a acção de uns e o silêncio de outros)
O grupo internacional "EndCoronavirus.org", onde se reúnem mais de quatro mil cientistas, coloca Portugal na categoria dos países em alerta vermelho no combate à epidemia (na companhia, entre outros, do Reino Unido, Estados Unidos e Suécia). A Dinamarca, Áustria, Grécia, Bulgária, Chipre e Lituânia não aceitam turistas portugueses. Muitos outros países colocam-nos severas restrições e obrigações de quarentena. O bom aluno europeu parece estar a piorar a avaliação nos últimos testes, também à boleia daquele optimismo de Costa de que tanto Marcelo falava.
Amanhã começa o Verão, veremos que Verão.
Miguel Guedes (JN)
- Estamos já numa grande crise económica. Tão grande que o Centeno, passado um ano das eleições legislativas fugiu do governo para ir viver à grande no BDP. [desconfio que Centeno só tenha acedido fazer parte deste governo depois de muita insistência de Costa acerca da sua importância para ganhar as eleições e com promessa de poder sair pouco tempo depois para tacho de sonho]
- 20% da nossa receita depende do turismo - Lisboa e o Algarve são os grandes motores. O que fazem os portugueses nesses dois distritos? Vão para festas infectar-se, vulgo, 'cuspir no prato em que comem.' Depois hão-de queixar-se de não haver turistas no Algarve ou em Lisboa e de terem de fechar portas de negócios ou ter de pagar mais impostos ou de ficar desempregados, mas no que dependia dos seus comportamentos, trabalharam para agravar a crise.
- Depois vem o ministro SS dizer coisas de quem entrou em delírio. Parece os suecos a dizerem que a estratégia deles de deixar morrer pessoas é que é bestial. Em vez de fazer ameaças tolas de não deixar entrar turistas, uma vez que precisamos deles, vá mas é fazer algo de útil para o país.
Para o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), liderado por Augusto Santos Silva, em causa estão decisões que "contrariam flagrantemente" o espírito da União Europeia (UE) e defende que o país está a ser prejudicado pelo sucesso da sua estratégia.
- Os hospitais de Lisboa já estão aflitos e a esgotar a capacidade de atender os doentes, como não estiveram durante o tempo pior da pandemia. O nosso grande sucesso na gestão da pandemia deu nisto.
Surto em Lisboa. Hospital Militar de Belém chamado a receber doentes
O aumento de casos de covid-19 na Grande Lisboa está a levar ao limite as capacidades de internamento e pelo menos duas unidades hospitalares pediram apoio à ARS.
-Os hospitais estão às portas da morte, trabalho do PPC e do Fugitivo. E tudo para engordar bancos e lobbies. Tem sido uma sangria de médicos por conta dos hospitais estarem sem pessoal, sem equipamentos e sem condições de trabalho.
Gostava que a ordem dos médicos e as universidades explicassem porque razão, dada a situação, não deixam abrir mais vagas de medicina, como foi noticiado nos jornais, esta semana. Sem explicações convincentes, fica uma vaga impressão de 'agenda', como dizem os anglo-saxónicos.
O Hospital de S. Bernardo está em risco de perder especialidades, se não receber investimento para renovar os equipamentos obsoletos e contratar especialistas.
Determinismo-indeterminismo II
(passou-me o sono...)
Indeterminacy in Brain and Behavior
Paul W. Glimcher
(tradução minha)
(continuação)
Cientistas sociais que trabalham em áreas como a Teoria dos Jogos começaram a argumentar que, para o comportamento ser eficiente sob certas circunstâncias, deve ser irredutivelmente incerto do ponto de vista de outros organismos e, portanto, deve ser estudado com as ferramentas da teoria da probabilidade. Em princípio, isso levanta problemas críticos para a teoria dos jogos. Por todas as razões que Popper identificou, quando a teoria dos jogos faz previsões probabilísticas, fá-lo de uma maneira que não pode ser falsificada. Obviamente, se Schrodinger estava correcto, a aparente indeterminação da teoria dos jogos apresenta apenas um impedimento temporário à investigação científica. Uma abordagem reducionista do comportamento humano durante jogos estratégicos acabaria revelando os mecanismos que dão origem a essa aparente indeterminação e, portanto, deveria, em última análise, produzir uma teoria determinada e falsificável do comportamento humano. Embora a teoria contemporânea dos jogos enfrente, assim, a indeterminação, a ciência empírica pode esperar resolver essa aparente indeterminação por redução. Curiosamente, no entanto, os psicólogos que trabalham com um nível de redução menor do que os cientistas sociais também começaram a encontrar evidências de aparente indeterminação nos sistemas que estudam (cf. Staddon & Cerruti 2003). Recentemente, os psicólogos começaram a análise de padrões aparentemente estocásticos de respostas individuais e foram capazes de demonstrar classes de comportamento individual que parecem ser tão completamente aleatórias quanto podem ser medidas. A indeterminação, nas mãos desses psicólogos, parece ser uma característica aparente do comportamento de humanos e animais individuais. Num nível ainda mais profundo de redução, os neurobiologistas também começaram a reunir evidências da existência de processos aparentemente indeterminados na arquitetura do cérebro dos mamíferos (cf. Schall 2004). Os padrões de potenciais de acção gerados por neurónios individuais, por exemplo, parecem altamente estocásticos por razões que ainda não são bem conhecidas.
Evidências crescentes de que processos aparentemente indeterminados operam nos níveis social, psicológico e até neurobiológico estão a obrigar os cientistas behavioristas a confrontar-se com os mesmos problemas filosóficos e científicos enfrentados, no século passado, por Popper, Heisenberg, Schrodinger e outros. Podem essas teorias ser científicas ou, chamar sinal neural ou comportamento a um processo aleatório, é apenas uma desculpa para a ignorância? Pode ser que os cientistas comportamentais escolham afirmar como um axioma que todos os fenómenos físicos que estudamos são fundamentalmente determinados para evitar esses problemas, mas, por outro lado, essa afirmação pode-nos forçar a negligenciar um corpo crescente de evidências convincentes.
Indeterminação nas ciências sociais
Tal como os estudiosos das ciências físicas, os cientistas sociais dos séculos XVIII e XIX enfatizaram fortemente uma abordagem científica determinada nos seus estudos do comportamento humano. A teoria económica clássica daquele período, por exemplo, baseava-se numa teoria de utilidade determinada, desenvolvida por Blaise Pascal (1670, Arnauld & Nicole 1662) e Daniel Bernoulli (1738). Essa teoria da utilidade argumentava que os seres humanos agem de maneira previsível para maximizar benefícios e minimizar custos, e que os custos e benefícios de qualquer ação podem ser computados com confiança.
[ai... esta teoria é de Pascal? Não é de Mill? Bem, agora não continuo sem investigar isto]
Filmes - Cairo Time
Descobri este filme, por acaso, a vaguear por aí pela rede universal. É de uma realizadora canadiana. Não é que o filme seja uma coisa extraordinária. É um filme sobre uma mulher que vai ter com o marido, que trabalha para a ONU, ao Egipto, o marido atrasa-se em Gaza e um amigo dele, que também trabalhou para a ONU, acaba por andar a fazer de cicerone dela. E é claro, sendo o Cairo e o Egipto sítios de encantar é difícil uma pessoa ficar indiferente a tudo o que lá existe.
O filme é delicado e encantador, mas vale a pena, em primeiro lugar, pelas imagens do Cairo, sobretudo para quem já lá esteve. É uma reminiscência dos sons, da música, das cores, da vibração da cidade, dos cafés e ruas antigas, do correr vagaroso do Nilo, das chamadas para a oração que se ouvem em toda a cidade com os seus mil minaretes e, claro, da visão imponente das pirâmides que impressiona mais que qualquer arranha-céus. Fez-me voltar à viagem ao Egipto e quem lá esteve percebe muito bem a facilidade com que nos deixamos embriagar por aquela atmosfera e vi o filme meio a suspirar. Hei-de vê-los umas poucas de vezes para matar saudades dessa viagem.
Bem, entretanto pus-me à conversa com o filho e passaram duas horas desde que escrevi isto e esqueci de publicar.
June 18, 2020
Uma fila de desempregados nos EUA
"The state police said it will be an 8 hour wait from the back of the line to speak to a state employee about unemployment." pic.twitter.com/mB79BU2BbQ— Robert De Niro ᵖᵃʳᵒᵈʸ (@RobertDeNiroUS) June 17, 2020
Coisas encanitantes
Uma pessoa vai ao YouTube ver um tutorial para fazer uma cena no PC. Um procedimento simples de três minutos. O vídeo a explicar tem 12 minutos. O indivíduo começa a explicar no Adão e Eva e aos 5 minutos ainda não chegou à Idade Média. Sou só eu que acho isto mesmo encanitante?
Quando os alunos já me deitam pelos cabelos kkkkk
Fui encontrar isto dentro de um dos livros que me caíram na cabeça. Tem mais de 15 anos, de certeza, porque ainda se falava no Bachelard a propósito da filosofia da ciência. lol Não sei que turma era esta mas já estava farta de mim :)))
Documentar os últimos exemplares de espécies em extinção. Triste...
Silvery Gibbon . . . . Joel Sartore
Joel founded Photo Ark, a groundbreaking effort to document species before they disappear and getting people to care while they are still here.
O que acontece no cérebro quando lemos? Uma perspectiva interessante
WHAT HAPPENS TO OUR BRAINS WHEN WE READ?
Giovanna CentenoO cérebro humano é a coisa mais estranha e fascinante deste mundo. O mero facto de a nossa espécie ter evoluído e sobrevivido até agora, contra a natureza e contra os outros, é absurdo. É ainda mais estranho quando percebemos que muitas coisas que afirmamos diferenciarem-nos das outras espécies animais são, em vários sentidos, não-naturais, como o ler.
Durante séculos a leitura e a escrita foram apontadas como características da nossa superioridade. Mas, até que ponto lemos bem? A resposta está nos traços evolutivos do nosso cérebro.
Segundo Maryanne Wolf (Proust and the Squid), o cérebro não foi feito para ler. Nós é que o forçámos durante a evolução da linguagem e da comunicação por sinais, mas esse traço não foi adquirido como um traço evolutivo, como a capacidade de falar e aprender a língua nativa. Em vez disso, temos que ensinar cada geração a conectar, de novo, as sinapses próprias e o cérebro tem que dar grandes voltas até ser capaz de compreender perfeitamente as palavras numa página. Os estudos de Wolf mostram, até, que aquilo que chamamos, 'dificuldades de leitura' são a norma; o facto de podermos ler e aprender a ler de acordo com a idade, essa é a real mutação.
Ler é um processo cognitivo não natural. Tem que ser ensinado activamente e de modo diferenciado da linguagem. A linguagem é um processo natural para a maior parte dos humanos, mas a leitura não vem naturalmente para a maioria das pessoas e é profundamente influenciada pela condição social e respectivas capacidades de leitura.
As crianças têm um cérebro muito mais flexível que os adultos e podem fazer ligações neuronais mais rapidamente, assim como usam uma parte mais significativa dos cérebros, quando lêem. Há várias barreiras de proficiência que vão além de descodificar símbolos. O pensamento crítico e a compreensão do significado por detrás de uma palavra ou texto são frequentemente negligenciados nas crianças que aprendem a ler, especialmente se não têm dificuldade em descodificar os caracteres alfabéticos e fonéticos.
Segundo Wolf, muitas crianças desenvolvem, nessa altura, dificuldades de leitura que não as deixam ser leitores proficientes mais tarde. Não conseguem compreender os sentidos ocultos da linguagem, as alegorias ou, até, submergirem-se completamente na trama de uma narrativa mas, como são vistas como capazes no acto de ler, pois que descodificam os signos, não são levadas a desenvolver o seu 'cérebro leitor' mais longe - ficam com uma barreira entre o acto físico e o acto psicológico da leitura.
Se não somos influenciados pelos primeiros cuidadores ou professores a ir mais além nas capacidades de leitura, enquanto crianças, podemos ficar bloqueados. Ler, como muitas coisas na vida, desnvolve-se através do hábito. Se o leitor é uma amante da leitura ou se considera um leitor voraz, o mais certo é ter tido alguém que o ensinou, enquanto novo, a apreciá-la - alguém que lhe ensinou os muitos mundos que se escondem atrás das palavras.
Em, Reader Come Home, Wolf escreve em forma de cartas para os futuros leitores, cientistas e escritores, à maneira de Italo Calvino em Seis Propostas para o Próximo Milénio. Explora os desafios que os futuros leitores poderão encontrar devido ao volume de informação disponível no mundo digital. Especula acerca do futuro evolutivo no que respeita ao pensamento crítico e imaginação, sendo a concentração (ou a falta dela), o primeiro passo.
Se muitos mais governos e sistemas escolares se focassem em combinar a base científica à leitura e o pensamento filosófico ao seu ensino, teríamos uma sociedade com uma compreensão muito melhor da curva de aprendizagem de cada indivíduo.
(excertos - tradução minha)
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