Um octavista é um cantor de coro masculino que possui uma voz extremamente grave, capaz de cantar uma oitava abaixo da secção normal dos baixos e abaixo do baixo profundo. Ivan Rebroff, que aqui ouvimos cantar foi um octavista mas com uma extensão vocal impressionante numa voz com grande projecção e sonoridade.
Apesar do nome artístico (Ivan Rebroff) e da imagem de cossaco, o seu nome de baptismo era Hans-Rolf Rippert, nascido em Berlim. Rebroff estudou canto de forma clássica na Alemanha e construiu uma carreira fenomenal baseada na música popular da Europa de Leste, hinos religiosos e ópera.
A grande marca de Ivan Rebroff era a sua versatilidade elástica: conseguia cantar notas viscerais na região do basso profondo (chegando ao registo de um octavista) e, logo a seguir, subir recorrendo a um falsete impecável até à região das notas agudas de um soprano.
Some melodies are so beautiful that they make you think of heaven. Ennio Morricone wrote one such melody for “Once Upon a Time in the West.” Through Patricia Janečková’s voice, the music becomes even more moving. pic.twitter.com/kAPPUfG6jF
Dolly Parton, de férias na Irlanda, entra num pub no condado de Kerry e pedem-lhe para cantar uma canção. O tipo que toca guitarra é o Steve Cooney, a canção é Coat of Many Colors. Acho que foi em 1990.
Etérea, celestial. Se calhar a harmonia das esferas funciona ao contrário: em vez do movimento dos corpos celestes criar uma harmonia sonora baseada em proporções numéricas, é a música que cria a harmonia do movimento das esferas.
Este rapazinho que se apresenta com o nome (artístico?) de Ransom Riffs tem 4 anos e compôs uma série de músicas sobre cores, como verde garrafa ou céu cinza - que é esta. Toca com virtuosismo peças complexas. É tão inacreditável que quando vi pensei que fosse uma criação de IA e fui pesquisar. Pois, antes de mim, todos os outros que o descobriram pensaram o mesmo. Os pais têm vídeos no seu website e página de Instagram a interagir com ele para provar que ele é um humano de carne e osso, se bem que muito diferente dos outros miúdos vulgares. Um prodígio. Um Mozart actual?
Morreu ontem Ileana Cotrubaş, uma grande soprano operática, nascida na Roménia. Conhecida pela sua voz doce, muito pura e expressiva e pela sua sensibilidade dramática.
Ms. Cotrubas in 1981 in her costume as Violetta in Verdi’s “La Traviata,” the role for which she was best known. Credit...Jack Mitchell/Getty Images (do NYT)
Cotrubaş nasceu numa família musical -o pai era tenor- e começou a carreira aos 9 anos de idade num concurso da rádio.
Ouvi-a cantar em Lisboa com Alfredo Kraus, o tenor espanhol com quem tantas vezes fazia par - mas não nesta ópera do excerto que se segue - infelizmente.
Este excerto é de uma representação de um Rigoletto de Verdi, com Alfredo Kraus e outros, em Lisboa, no São Carlos, em Março de 1975. (infelizmente, ouve-se demais o ponto, mas o som é bastante bom).
Porque é que há pouca gente nos dias de hoje a gostar de ópera e de música clássica? Falta de educação. Educação escolar pouco exigente e falta de educação musical. Nenhum interesse das instituições do Estado em preservar e desenvolver a cultura em geral. Basta ver o descuido pela estética dos espaços públicos. Umas gerações educadas para o superficial, o emocionalismo imediato, a repulsa ao esforço por perceber, saber e educar os sentimentos e o gosto. Educar o ouvido e a atenção. A ideia de que todos os sentimentos são válidos e sem nenhuma necessidade de educação. A incapacidade de ouvir, a ignorância e desinteresse por tudo o que existiu antes do FB, do Tik Tok e outros filtros de cultura instantânea e empacotada.
Com uma diva, o guitarrista Pablo Sainz-Villegas. Depois de tocar o Concerto e antes de um encore entrou no palco, sentou-se, tirou uma lima do bolso e pôs-se a limar as unhas... 'nunca tal houvera visto' como diz a música popular. Enfim, gostei. Achei a afinação da guitarra num tom muito baixo e fazia umas pausas demasiado grandes em certas passagens - para o meu gosto claro - mas foi bom, evidentemente e teve momentos muito emocionantes. O que ele tocou de um modo extraordinário foi o encore: a 'Jota Aragonesa'. Absolutamente extraordinário. Há uma altura em que faz um efeito a dedilhar as cordas que parece o rufar de tambores. Muito bom. O concerto foi filmado pela RTP e passou em directo no site da Gulbenkian.
Fica aqui a Gran Jota de Tárrega. A Jota é uma música popular que existe em todas as regiões de Espanha, sendo a Jota Aragonesa a mais conhecida e famosa. É cantada em zarzuelas. E na praça de touros de Valência, ao quinto touro, toda a gente a canta.
Em seu tempo era um compositor muito famoso, convidado pela corte russa, por Napoleão e outros notáveis.
Infelizmente para si, era contemporâneo de Rossini que estreou o seu Barbeiro pouco antes da morte de Paisiello, eclipsando o anterior e popular Barbeiro de Paisielli. Também foi contemporâneo de Mozart, que compôs As Bodas de Fígaro como uma sequela do Barbeiro de Paisiello. A música de Mozart é galante e elegante evocando amiúde Piasiello.
Por exemplo, no início deste quarteto para cordas ouve-se o Porgi Amor.
Paisiello compôs umas oitenta óperas, quarenta missas, sinfonias, concertos, quartetos e sei lá mais o quê. Hoje-em-dia é quase desconhecido e os poucos que o conhecem chamam-lhe «o outro Barbeiro»
Esta voz é de Clare Torry, uma vocalista e música que improvisou esta performance emocional sobre a impressão da morte, arrancada às suas entranhas, a pedido da banda, durante a gravação desta música, The Great Gig In The Sky, no famoso estúdio de Abbey Road.
O vídeo de animação é recente e é de um brasileiro, Bruno Mazzilli. Muito bom.
Carmina Burana significa, Canções de Beuern. Beuern é uma redução de Benediktbeuern, um município na Baviera. Carmina Burana é o título, em latim, de um manuscrito de 254 poemas e textos dramáticos dos séculos XI e XII, escritas por Goliardos. Os Goliardos eram monges egressos, itinerantes, que escreviam peças eróticas, irreverentes e satíricas, muito críticas do clero e da Igreja de Roma. Os poemas da Carmina Burana estão escritas em latim ou alemão medievais, com algumas partes macarrónicas, numa mistura de latim vernáculo com alemão ou francês. Os manuscritos refletem um movimento europeu 'internacional', com canções originária de Occitânia, França, Inglaterra, Escócia, Aragão, Castela e do Sacro Império. Os poemas dos Carmina Burana foram postos em música por muitos mas os mais famosos são os vinte e quatro que Carl Orff musicalizou em 1936, sobretudo o movimento de abertura e de fecho, O Fortuna.
Estou a revisitar a Carmina Burana e vai ser a minha música de fundo durante os próximos dias porque vou depois ouvi-la no fim-de-semana. Fica aqui uma versão pela Orquestra Sinfónica da Rádio de Colónia com o maestro Cristian Măcelaru.
O Concierto de Aranjuez para guitarra é uma experiência da vida do maestro Rodrigo. Joaquín Rodrigo ficou cego aos três anos de idade. Estudou música e conheceu em Paris a sua futura mulher, Victoria Kamhi, uma pianista. Perderam o filho à nascença e a sua mulher ficou muito doente. Nessa altura, numa inspiração sublime pergunta (com a sua guitarra) a Deus (a orquestra) porque é que o filho morreu, porquê tanta dor. A orquestra responde-lhe. O concerto é um diálogo entre um homem e o seu Deus.
Se fecharmos os olhos ouvimos a Espanha de Sevilha ao Alhambra.
Ana Vidovic, uma guitarrista clássica extraordinária
Concierto de Aranjuez (Adagio) 1939 - Joaquin Rodrigo
Claudio Constantini é um multi-instrumentista e compositor peruano actualmente radicado na Espanha. Eclético, abarca diversos géneros musicais.
Kuura, é o nome desta peça para bandoneon. O bandoneon é o principal instrumento do tango argentino, apesar de ser um instrumento musical criado na Alemanha no século XIX mas foi levado para a Argentina por emigrantes. É parecido com a concertina e também com o acordeão, embora menos porque não tem teclas.