Tenho estado a ouvir o depoimento de Fiona Hill e David Holmes, em Novembro passado, no Congresso, a propósito do impeachment de Trump. Uma pessoa aprende muito a ouvir estas sessões quando quem testemunha são argutos especialistas que revelam o que se passa atrás de portas fechadas em certos círculos. Como as decisões são tomadas, o comportamento das pessoas, a consciência dos problemas, a perspectiva política real, quer dizer, não encenada para o público. Quem me impressiona é a mulher, Fiona Hill, uma americana nascida inglesa, filha de um mineiro, especialista em assuntos da Rússia e também da UE, que foi conselheira de Trump e, antes dele, de Bush e de Obama e, por isso mesmo, está por dentro dos 'segredos dos deuses'. A mulher não se deixa enervar por nenhuma provocação, nenhuma questão, por mais retorcida que seja. Inteligência e sangue-frio. Isto é melhor que uma formação em diplomacia, política, relações internacionais e retórica argumentativa.
June 12, 2020
Porque é que não querem legislar no sentido de preservar o ambiente? Não se percebe
Parlamento chumbou todas as propostas para travar a expansão de olival e amendoal superintensivos
Suspensão de novas plantações, licenciamento e avaliações de impacto ambiental obrigatórias para grandes plantações, distanciamento mínimo às habitações e proibição da colheita mecanizada noturna, foram algumas das propostas do Bloco que foram recusadas.
Trago no nome o meu país
Beatriz é um nome latino e cristão que vem de beatitude.
Jorge que é o outro nome próprio, vem do grego e significa agricultor.
Nos nomes próprios tenho a herança greco-latina.
Depois tenho um apelido Oliveira que, ao que se diz, é próprio dos cristãos-novos.
O penúltimo apelido é Fonseca. De origem toponímica, vem do latim fons sicca, que significa "fonte seca" e é comum entre os judeus sefarditas.
E por fim, o apelido Alcobia que também é um toponímia e vem do árabe al-qubbâ, que era a designação árabe de serra, montanha e talvez se referisse à serra do Caramulo porque o nome tem origem ali perto. Usado como apelido e como topónimo, JPM aventa também a origem pré-romana.
De modo que tenho no nome os gregos e os romanos, a mitologia grega e a cristã; os mouros - fomos habitados por cartagineses (hoje, tunisinos) que são negros e mestiços do Norte de África e ainda os judeus, os sefarditas e talvez os cristãos-novos. E gosto desta salganhada :)
Uma coisa que tenho notado nestes protestos contra o racismo:
- há muito protesto mas poucas ideias. Não vejo sugestões de solução do problema;
Não podemos, parece-me, reduzir os protestos às influências da cultura americana. Se em Portugal as pessoas protestam é porque sentem e vêem racismo. Sabemos que só 30% das queixas de racismo na polícia são investigadas. É pouco.
Quanto mais de esconde o problema mais as partes se extremizam e isso não resolve nada.
Também noto que racismo e escravatura existiram em toda a parte do mundo e ainda existem em alguns países e que o Ocidente foi o único a ter o mérito de desenvolver uma estrutura conceptual de suporte à abolição da escravatura. Isso não anula o facto de termos sido, até há bem pouco tempo, uma sociedade colonizadora com antecedentes de tráfico de escravos, mas ajuda a perceber que os problemas não podem ver-se, literalmente, a preto e branco.
Para se caminhar no sentido de resolver os problemas é preciso fazer sugestões, legislativas ou outras, mais do que gritar contra a polícia ou estragar estátuas - embora seja a favor de que se retirem do espaço público estátuas de pessoas que foram esclavagistas e traficantes de escravos, porque as estátuas não honram a história de um país mas a própria pessoa representada por ter contribuído, com as suas acções, para a honra do país. Ora, se a pessoa fez o oposto, não há razão para a honrar publicamente. Ponha-se a estátua num museu e explique-se as coisas aí.
A polícia, no seu todo não são um conjunto de privilegiados. Têm um trabalho difícil, fundamental numa democracia e mal pago. Precisam de melhor formação que os tire da lógica militar e os devolva à lógica civil, entre outras coisas.
É verdade que temos uma sociedade ainda racista e isso nota-se, até na linguagem, mas o que precisamos é de discussão e propostas de solução e não de violência. Nem de uma parte, nem de outra.
O que é o fascismo?
Agora que o conceito se usa a torto e a direito: os fascistas e os antifas (como lhes chamam os que querem troçar deles) recuperei aqui parte de um post do outro blog, escrito a propósito do projecto de museu do Salazar.
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O fascismo é uma forma de extrema-direita, pois como todas as extrema-direitas exige, no interior, uma regeneração da comunidade entendida como uma unidade orgânica e, no exterior, uma mudança na ordem geopolítica. Mas o fascismo participa da extrema-direita radical que quer ir mais longe até à criação de um 'homem novo', liberto de todos os traços da sociedade liberal forjada no séc. XIX.
Ultra-direita não tem nenhuma mais-valia ideológica. É um termo de origem policial que indica que se trata de um grupo de extrema-direita que utiliza a violência.
Direita-dura é um vocábulo não-histórico que se refere a uma direita radicalizada mas que não apresenta os dois pontos da extrema-direita citados.
Direita radical é uma expressão usada por investigadores que pensavam a expressão extrema-direita como demasiado polémica.
Nacional-populismo começou por qualificar os regimes latino-americanos mas depois abriu-se. Essa corrente que o abre pensa que o país está em decadência por causa das elites e vê o regime regenerado por um salvador em contacto directo com o povo através de referendos.
Nacional-populismo não é sinónimo de extrema-direita, pois no campo político como em outros há muitos projectos de Estado: realistas, totalitários, etc. É uma corrente da extrema-direita. É diferente de neopopulismo, termo que aparece na sequência do 11 de Setembro de 2001 e que afirma ser precisa uma governança autoritária, num quadro constitucional constante para preservar as liberdades dos europeus contra o novo fascismo que seria o islamismo.
Há várias correntes populistas. A comparação entre o fascismo e, mais ainda, o nazismo e os islamitas, é polémica porque os dois fenómenos não são racionalmente assimiláveis entre eles.
De onde vem a confusão?
Há dois níveis de resposta, um histórico e outro político. Historicamente, a extrema-direita aparece no século XIX que é o da edificação dos Estados-nação mas, também, das revoluções industriais, impérios coloniais e da primeira globalização económica. A extrema-direita é uma reacção a essas transformações, procurando construir uma sociedade homogénea a cada etapa da globalização. Essas dinâmicas do século XIX tornam difíceis a gestão das massas e o vocábulo extrema-direita enriquece-se de termos nesse período: nacionalismo (1798), nacionalidade(1825), imigração(1876), anti-semitismo(1879), racismo(1892), etnia(1896), xenofobia(1901), islamofobia(1910), europeísmo(1915)...
Nacional-populismo nasce da guerra de 1870, fascismo da guerra de 14-18, neopopulismo do 11 de Setembro de 2001, etc. Como o processo é complexo e a memória actual remonta, no máximo, até à 2ª Guerra mundial, tudo é esquecido e reduzido à equação, extrema-direita = regimes de extrema-direita dos anos 30-40 e, é aqui que surge o nível político.
Os 'pró' e os 'anti', extrema-direita, têm interesse em reduzi-la aos Estados fascistas e aos seus balanços genocídas: os 'pró' afirmam, 'é evidente que não temos nada a ver com esses regimes' (entre os intelectuais reacionários é de bom tom fazer troça do anti-fascismo de opereta) e os 'anti' afirmam que a escolha é entre eles e Auschwitz.
A extrema-direita, não é redutível, nem ao fascismo nem à ultra-direita, etc., mas também não é um simples soberanismo. O projecto de Salvini ou de Le Pen não é o de um Estado soberanista mas o de uma sociedade regenerada segundo os seus princípios.
Nicolas Lebourg, membro CEPEL - Centro de Estudos Políticos Latino-americanos da Universidade de Monpellier (tradução minha de excertos da entrevista do autor à revista marianne, nº1172)
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Segundo a categorização deste autor, Salazar seria um político da Direita-dura (radical mas sem exigência de regeneração interior/orgânica e exterior/geo-política) e o que hoje chamamos de neopopulista, pois defendia uma governança autoritária, num quadro constitucional constante para preservar as liberdades contra os comunistas que via como totalizadores, inimigos dos valores europeus.
This world
(é melhor ver sem som.)
🌊🐬💙🌊🐬💙 pic.twitter.com/UAdCMZEkai
— Hayde Chacon (@HaydeChacon1) June 11, 2020
June 11, 2020
Dreams
"I was attracted by the curve—the liberated, sensual curve suggested by the possibilities of new technology yet so often recalled in venerable old baroque churches."
__Oscar Niemeyer (1907–2012
Já pararam as palmas e vão começar os castigos
Na educação até já iam retirar dinheiro mas depois descobriu-se e voltaram atrás. A vergonha é uma senhora que não conhecem.
Ordem dos Médicos pede para a saúde tantos milhões quantos os injectados na TAP
A recuperação da actividade devido à covid-19 exige pelo menos 1.250 milhões de euros, admite Miguel Guimarães
“O que vemos é que a economia já está a prevalecer sobre a saúde, como demonstra a verba de 1.200 milhões de euros prevista para a TAP”, disse.
Para Miguel Guimarães, “a saúde só foi mais importante enquanto as pessoas estavam aflitas”.
O Governo anunciou na terça-feira um reforço adicional do orçamento do SNS de 500 milhões de euros, no âmbito do Orçamento Suplementar de 2020.
a reboque da necessidade de crescimento económico muita desregulação vai acontecer
La crisis abre la puerta a la desregulación ambiental y la especulación en el litoral andaluz
Al igual que otras administraciones autonómicas, el Gobierno andaluz ha tomado medidas de desregulación ambiental y urbanística amparándose en la necesidad de reconstrucción económica. Las organizaciones ecologistas y sociales temen una vuelta a la economía del ladrillo.
Muhammad Ali - Mudar o presente
... em vez de tentar corrigir o passado. O dia-a-dia está impregnado de uma visão racista (e sexista, porque o que ele diz do branco refere-se ao macho branco) da realidade, como muito bem via Muhammad Ali.
Muhammad Ali on race in the US...and wondering why Tarzan, the “King of the Jungle” in Africa, was white. Guy was a national treasure. #BlackLivesMatter pic.twitter.com/bXjWWV6q1R— Christian Christensen (@ChrChristensen) June 11, 2020
Falta de bom senso
Num comunicado hoje divulgado, a WarnerMedia, detida pela AT&T e que opera a HBO Max, classifica "E tudo o vento levou" como "um produto do seu tempo" que retrata preconceitos raciais.
De acordo com a empresa, quando "E tudo o vento levou" regressar à HBO Max, irá incluir "contexto histórico e uma denúncia dessas mesmas representações, mas será apresentado tal como foi criado, porque fazer o contrário seria o mesmo que alegar que esses preconceitos nunca existiram".
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De acordo com a empresa, quando "E tudo o vento levou" regressar à HBO Max, irá incluir "contexto histórico e uma denúncia dessas mesmas representações, mas será apresentado tal como foi criado, porque fazer o contrário seria o mesmo que alegar que esses preconceitos nunca existiram".
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Por esta ordem de ideias temos também que etiquetar todos os filmes que são preconceituosos contra as mulheres e proporcionam uma visão estereotipada delas (ou o racismo é mau mas o sexismo é bom?) que são praticamente todos e não são de outras épocas, são desta. Todos os dias abro a TV e se passo nos canais de filmes, está sempre a passar um filme onde as mulheres só aparecem na altura em que os personagens masculinos querem fazer sexo e então elas aparecem para se despirem e o realizador mais a equipa toda das filmagens poderem vê-las nuas a fazer sexo com um homem que está sempre vestido; ou então aparecem para dizer a um homem que os amam e ele são a melhor coisa do mundo, ou para desfilarem roupas, ou para fazer de esposas ou para darem gritinhos como histéricas ou para serem violadas e agredidas. Todos esses filmes que veiculam uma imagem das mulheres ofensiva e humilhante, até, têm que ser rotulados. Aliás, se levássemos isso avante tinha que proibir-se a maioria dos filmes onde as equipas, desde produtores a realizadores, passando por técnicos, são, sabemos-lo agora, um conjunto de homens desonestos (alguns mesmo porcos e criminosos) que abusam de mulheres e crianças.
Depois passamos aos livros e rotulamos os livros onde se descrevem personagens estereotipadas pelo racismo e pelo sexismo. Para já não falar nos livros como a Lolita, que falam da pedofilia como se fosse um amor romântico... são quase todos. Depois fazemos o mesmo aos filmes que veiculam imagens estereotipadas de homens e adolescentes como bestas que só pensam em abusar de mulheres e dar pancada a outros ou roubá-los. Acabavam-se os filmes todos de cowboys mais aqueles filmes para adolescentes rapazes que estão sempre a passar na TV. Os filmes franceses e italianos de até há pouco tempo iam todos à vida.
E temos que rotular as pessoas também: este realizador é convidado frequente do sheik tal e tal deste país que defende a escravatura e opressão das mulheres. Afinal, é pior ser um esclavagista e sexista hoje do que no tempo do filme 'E Tudo o Tempo Levou', não?
A única maneira de lidar com isto é dar espaço às pessoas não brancas para contarem a sua história e o seu ponto de vista da história, como se tem vindo a fazer: há realizadores de cinema e TV negros e asiáticos e de outras etnias, bem como mulheres que começam a mostrar a sua perspectiva. Nas universidades existem desde há tempos cadeiras e cursos que pretendem isso mesmo de mostrar como a história está escrita por esclavagistas e machistas que deturpam e mentem: é assim que a Mª Madalena ou a Cleópatra, uma mulher extraordinária como líder e muito culta passou para a história como uma prostituta.
É assim que as mulheres e a suas vidas e ações foram apagadas.
Há pouco tempo li um artigo sobre as raparigas e as mulheres que tinham bandas de rock na altura do Elvis e do nascimento do rock. Algumas foram percursoras dele e das outras bandas que vieram e tinham imenso sucesso localmente. A Fender vendia tantas guitarras a raparigas como a rapazes. Porque é que nunca se tornaram conhecidas para além das suas terras? Porque as rádios as censuravam. Parecia mal, isso de tocar numa banda, era coisa logo rotulada de prostitutas. E agora? Proíbem-se as rádios? Escreve-se uma placa à porta a dizer que em tempos foram muito sexistas e trataram mal as mulheres?
E a arte nos museus? Quase toda sexista, com uma visão pornográfica das mulheres e racista? Também se proíbe?
Quando passo um filme nas aulas, que é sempre escolhido cuidadosamente para ser usado a propósito de um tema, de vez em quando têm cenas sexistas (às vezes racistas mas esses passo de propósito para discutir e mostrar como essas ideias se põem subrepticiamente nas obras) porque é praticamente impossível encontrar um filme não machista, os meus alunos, hoje em dia, dão logo por elas e manifestam-se.
O que quero dizer é: temos que educar melhor: sem racismo, sem sexismo e dar espaço e voz para que outros, que não apenas os homens brancos contem a sua história e mostram a sua perspectiva dos factos, das ideias.
'E tudo o Vento Levou' é um filme que mostra como a escravatura era normal, porque o era, de facto. Escrever um texto a dizer que não estão de acordo com aquelas ideias é um bocado sem sentido. Ninguém está à espera que estejam. Tentem é passar outro tipo de filmes, também. E já agora, evitem os realizadores e produtores que têm e veiculam essas ideias, hoje! Em vez de tentar corrigir o passado, corrijam o presente, contribuam para que se escreva um novo presente e um novo futuro, livre de escravatura, de misógina, de homofobia e machismo. Por exemplo, não dêem milhões a séries como o Game of Thrones, que passa uma visão racista e sexista do mundo: são todos para brancos menos um e as mulheres são vistas como servas de homens, prostitutas ou seres manhosos por natureza. Sim, há duas personagens femininas diferentes... a sério? O os gays, que são três ou quatro e acabam todos mortos como castigo? Ou isso não interessa porque a série dá muito lucro?
June 10, 2020
Para onde vão os dinheiros que vêm aí da UE?
À BOLEIA da Pandemia, nos concursos públicos, está prevista a "faculdade de a entidade adjudicante proceder a uma adjudicação excecional acima do preço base, quando o concurso tenha ficado deserto". Ou seja, doravante os contraentes públicos poderão lançar concursos com valor abaixo do que é suposto; e depois, não havendo concorrentes, ADJUDICAR DIRECTAMENTE AOS AMIGOS. Está previsto no recém-publicado PEES (Programa de Estabilização Económica e Social apresentado pelo Governo), dizem que para "agilização dos procedimentos de contratação pública". "Agilização", que rima com Corrupção. Isto NÃO TEM "PEES" NEM CABEÇA!
O Grande Masturbador está de saída
Hoje, dia de Portugal, as primeiras páginas dos jornais fazem a apologia do Grande Masturbador e mais ninguém. Fizeram-na quando ele chegou ao cargo, durante todo o tempo que lá esteve e agora mandaram-nos fazer à sua saída. Um tipo que sugou os portugueses até ao tutano em impostos e empobreceu os serviços públicos no seguimento de PPC para enfiar o dinheiro em bancos e banqueiros incompetentes e pior; um tipo que deixou o país com um enorme fosso entre ricos e pobres, com um número insuportável de precários, o que faz de nós um dos países que, por causa disso, mais vai sofrer economicamente com a pandemia; um tipo que é um exemplo de governante com capelinhas (os da sua capelinha têm direito ao milagre, os outros que se lixem) e que se vai embora, quando vem aí a pior crise, para o BDP, para construir mais capelinhas, mas os jornais fazem-lhe um elogio como se nos tivesse salvo do icebergue. A última pessoa a quem fizeram tantos elogios públicos à saída foi ao Socas, o que diz muito do seu discernimento. Centeno sempre teve muitos elogios de pares, fora e dentro do país, daqueles tipos que são responsáveis pelo estado a que este país e a Europa chegaram. Temos que gramá-los a todos, a irem de uns cargos para outros.
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