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September 25, 2025

No SNS já pouco nos devia surpreender




Médico deu alta por abandono a doente que estava “esquecido” numa maca

Enfermeiros especialistas vão assumir vigilância das grávidas sem médico de família


Aqui estão duas notícias que gritam a decadência dos nossos serviços de saúde públicos, que funcionam como se estivéssemos em guerra e não em paz. Na primeira, doentes vulneráveis entram nos hospitais e ficam sozinhos, esquecidos e abandonados em macas num qualquer canto e depois saem para morrer, sem terem sido vistos por um médico; na segunda, as grávidas perdem o direito a serem vistas e acompanhadas por médicos - toma lá um enfermeiro e é se queres. Outro dia li que só este ano -que ainda não acabou-, já nasceram mais de 40 bebés em ambulâncias, alguns a mais de 100 km de um hospital, outros com os bombeiros como parteiros e, quase uma dezena na via pública. Na via pública, no chão de uma rua... um perigo para os bebés e as mães e uma grande indignidade. No SNS já pouco nos devia surpreender mas a situação é tão má e degradante que continua a surpreender.

"Afinal, quem nos governa? "




Na passada semana, a ministra da Saúde fez uma declaração que não mereceu a devida atenção, pelo que revela do papel actual de alguns governantes, meras testas de ferro daqueles que efectivamente definem as políticas públicas em áreas cruciais da governação. Transcrevo de forma extensa as declarações colhidas e transcritas pela SIC Notícias:

“Aprendi que nada nos garante que aquilo que nos garantem que vai acontecer, acontece. A situação que se vive na península de Setúbal é muito preocupante. Acreditei no plano que me foi apresentado e confiei nas equipas. Foi muito penalizador para mim ter assumido politicamente uma solução que me foi garantida e vê-la desfeita sem sequer perceber porquê (…)”

Estas declarações são especialmente preocupantes, não apenas pela realidade que retratam, até porque quem vive na região conhece a crescente disfuncionalidade do SNS, mas pelo modo como a ministra revela o processo de tomada de decisões e o seu papel de mera comunicadora pública de soluções que a transcendem e nem sequer parece compreender.

No fundo, ela considera-se penalizada porque assumiu politicamente uma solução que lhe garantiram que funcionaria e nem percebe porque foi “desfeita”. A afirmação de que “nada nos garante que aquilo que nos garantem que vai acontecer, acontece” é um auto-atestado de incompetência acerca da área que tutela, porque revela que foi incapaz de avaliar se o que lhe foi apresentado era credível ou realizável. Apenas acreditou que sim, porque alguém lhe garantiu que funcionaria. Mas quem lhe garantiu isso? E, já agora, para que serve uma governante, se o seu papel é apenas o de “assumir politicamente” o que outros definiram?

De certo modo é como com a Educação, sem as consequências letais de curto prazo, para a Saúde Pública. Alguém convenceu o ministro a assumir uma “solução” que levaria à colocação de professores em 98-99% das escolas, o que é algo que só alguém com um enorme desconhecimento do terreno pode tomar como verdadeiro. Será que acha que é por acelerar o processo de contratação de professores que eles brotam onde não existem? Do mesmo modo, foi convencido a assumir uma “reforma” da orgânica do ministério que outros delinearam e cujas consequências práticas ele dá toda a sensação de desconhecer. A seu favor tem algo que a ministra da Saúde não tem… a relativa acalmia causada pela recuperação do tempo de serviço, mas, no essencial, é outr@ governante que assumiu “soluções” que lhe foram apresentadas como garantidas e não o são.

Claro que a questão que se coloca é… afinal, quem é que anda a vender “soluções” a estes governantes? E a segunda questão é… porque temos governantes que “assumem soluções” em vez de tomarem decisões com base nos seus conhecimentos, na sua competência técnica e na sua capacidade política? Ou, resumindo, quem é que, afinal, nos anda a (des)governar?

Paulo Guinote in DN

September 11, 2025

A medicina não olha as mulheres da mesma maneira que olha homens

 

É sabido que até 1993, as pesquisas clínicas de novos medicamentos não contavam com a participação de mulheres. Alguns faziam alguns testes por conta defeitos possíveis na gravidez, mas não muitos. Ficou tristemente célebre o caso das grávidas a quem os médicos receitavam talidomida para os enjoos e que acabaram por ter bebés sem braços e sem pernas ou com esses membros muito atrofiados. Ninguém se tinha dado ao trabalho de incluir mulheres nos testes para saber dos efeitos do medicamento na gravidez. Só recentemente é obrigatório incluir as mulheres nos testes.Até 1993 eram feitos para o organismo dos homens e ninguém queria saber em como os medicamentos afectavam as mulheres, seja nos seus ingredientes como nas dosagens. 

A medicina, por ter sido praticada exclusivamente por homens para homens, durante tanto tempo, ainda hoje desvaloriza a saúde das mulheres. Veja-se como desenvolveram o viagra em 1998, preocupados com o sintomas e consequências do declínio do seu corpo, mas ainda hoje os médicos dizem às mulheres que certos sintomas e consequências do declínio do seu corpo devem ser aceites com estoicismo. Imensas queixas de mulheres, que depois se descobre que eram doenças, são recebidas com cepticismo devido às mulheres serem 'histéricas' e 'exageradas', quando é do conhecimento comum que as mulheres aguentam doses de sofrimento físico muito grandes.

Enfim, vem isto a propósito de uma rapariga nova, perto dos 30 anos, que conheço, ter começado a sentir-se mal e frequentemente com falta de ar e ter ido a vários médicos e todos lhe dizerem que não era nada, que era da sua cabeça e tal. Um fez-lhe uma TAC, disse que não tinha nada, mesmo sabendo que uma TAC não tem a mesma precisão que uma ressonância magnética. Enfim, a certa altura, como não lhe passavam os sintomas foi a um médico de medicina interna que a mandou fazer uma ressonância. Ligaram-lhe nesse Domingo a dizer para ir com a máxima urgência ao hospital porque estava com uma embolia pulmonar...

Este assunto também serve para perceber que a ideia dos trans serem mulheres biológicas por escolha, desafia a medicina. As mulheres têm um organismo diferente dos homens, o sexo é diferente e vem acompanhado de cromossomas, hormonas, anatomia e genética adequados a essa diferença. Um homem biológico até pode ir ao ponto de tirar o pénis e construir uma falsa vagina e tomar hormonas em doses correspondentes às das mulheres, mas isso não leva a que lhe apareça um útero, ovários e todo um organismo feminino, que é diferente, desde o coração à estrutura óssea, como mostra a história da medicina que fazia testes médicos apenas a homens e prejudicava a saúde das mulheres.

Se um dia entrar num consultório e o médico me disser que não sabe se sou biologicamente uma mulher e que acredita que ser mulher é apenas um sentimento, saio de lá a correr e nunca mais lá volto. Um trans é alguém que nasceu num certo corpo biológico mas que psicologicamente não se sente bem nesse corpo - mas isso não lhe modifica magicamente o corpo biológico e os cromossomas.

Quando Simone de Beauvoir disse, "não se nasce mulher, torna-se mulher", quis dizer que os comportamentos que a sociedade atribui como normais às mulheres -ser sorridente, maternal, anular-se face aos homens, gostar de se embonecar, etc.- não vêm inscritos nos cromossomas, mas antes são fruto da socialização/enculturação. Não quis dizer que nascemos indiferenciados quanto ao sexo biológico.


July 25, 2025

Era mais complexo de que parecia à 1ª vista (como quase sempre)

 


Reforço da atividade cirúrgica foi decidido pela administração em 2020 para aumentar o financiamento do Estado ao hospital


Vera Lúcia Arreigoso
expresso.pt

As cirurgias que renderam milhares de euros à Dermatologia do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, foram pedidas aos médicos pela administração. A exigência de atividade cirúrgica remonta a 2020 e foi feita para aumentar o financiamento do Estado ao hospital. Documentos a que o Expresso teve acesso mostram ainda que os próprios dermatologistas alertaram os gestores para os valores muito elevados de alguns atos, a reverter tanto para as equipas como para o hospital.

As ‘cirurgias milionárias’ foram um ‘efeito secundário’ de uma estratégia dos administradores para melhorar a gestão do Santa Maria. Os dermatologistas faziam as cirurgias durante as consultas e eram contabilizadas como exames. Ou seja, o hospital recebia do Estado, através do financiamento do SNS, o pagamento de um exame e não de uma operação, mais cara. Já os médicos só recebiam o salário.

Em setembro de 2020, a administração, presidida então por Daniel Ferro, decidiu fazer o registo correto da produção, exigindo às equipas que codificassem as operações como cirurgias de ambulatório, para assim gerarem um valor a cobrar (GDH) ao SNS — que revertia somente para o orçamento do hospital. “Na sequência das diretivas do Conselho de Administração em dar início ao procedimento e consequente registo de determinados atos no Serviço de Dermatologia em ‘cirurgia de ambulatório’, venho solicitar a criação de um centro de custos”, era então pedido aos serviços de gestão.

“A decisão surgiu como uma tentativa de espelhar a atividade do hospital no financiamento, porque os atos cirúrgicos da Dermatologia não eram pagos como cirurgias”, explica Daniel Ferro. O gestor não se recorda dos ganhos, mas é taxativo: “Faz sempre diferença, porque o valor da cirurgia, por mais simples que seja, é muito díspar da consulta ou do exame.”

O antigo administrador refere ainda que os dermatologistas foram ‘empurrados’ para o bloco operatório pela própria lei. “O antecessor da Administração Central do Sistema de Saúde exigia que as cirurgias de ambulatório [as únicas pagas ao hospital] fossem feitas no bloco e, assim, os dermatologistas passaram a fazer o mais simples na consulta, como até aí, e o mais complexo no bloco.” Ou seja, o hospital garantia que recebia pelas intervenções mais caras.

Menos de um ano depois, foi pedido aos dermatologistas que começassem a fazer cirurgias fora do horário normal para reduzir as listas de espera. O Governo dava incentivos, desta vez também a favor dos profissionais: 53% para a equipa e o restante para a unidade. Em junho de 2021, o então diretor da Dermatologia, Paulo Filipe, informava o diretor clínico à data, Luís Pinheiro, de que seria dada prioridade aos doentes com maior demora, de 2019. Isto é, que os casos graves seriam operados durante a semana e os da lista de espera ‘fora de horas’, prevendo-se 20 procedimentos por sessão, “dois sábados por mês”, num total de “320 cirurgias em produção adicional” até ao final desse ano.

O hospital só tinha uma questão. Tudo tinha de ser codificado para posterior pagamento: “Destacamos que esta atividade deve, forçosamente, gerar GDH”, um preço a cobrar. Era ainda referido que estavam “previstas 660 intervenções” no total, pelo que, era necessário “cumprir na cirurgia da base cerca de 340”. Os objetivos foram cumpridos, mas as cirurgias ‘fora de horas’ aumentaram e os alarmes soaram.

Os atos adicionais chegaram a 35% do total, dez pontos percentuais acima do limite imposto. Mas, perante o aumento, os gestores não limitaram a atividade adicional, bem paga para todos. Ao invés, pediram aos médicos para durante a semana registarem mais dez operações, isto é, para faturarem. “O registo como cirurgia de ambulatório implica uma logística complexa, por exemplo ter mais um enfermeiro no bloco, e não fazíamos isso em todos os atos na atividade semanal”, explica um dermatologista do Santa Maria.

O hospital não limitou a atividade ‘fora de horas’ porque iria sair ainda mais caro. Aliás, foram os médicos que deram o alerta. Num e-mail enviado a Luís Pinheiro, em maio de 2022, Paulo Filipe explicava os riscos de limitar a produção extra: “Se o hospital for obrigado a emitir vale cirúrgico aos mais de mil doentes em espera, em que o GDH mínimo é de mais de €600 e alguns chegam aos vários milhares de euros, será certamente calamitoso”, uma “despesa incomensurável em pagamento a instituições externas”.

Paulo Filipe explicava ainda na missiva por que se conseguia operar mais ao sábado do que durante a semana. “Destruir queratoses actínicas com laser ou remover um nevo atípico milimétrico demora muito menos do que remover do rosto um carcinoma com cinco centímetros, com necessidade de grandes retalhos ou enxertos.” E lembrava: “Por ocasião do início da cirurgia adicional, dei a garantia de que não era nossa intenção, de todo, transferir cirurgias habituais [mais complexas] para SIGIC [programa para reduzir as listas de espera].”

Santa Maria teria “uma despesa incomensurável” se os doentes fossem transferidos para cirurgias no privado

Em resumo, a administração do Santa Maria estava informada sobre os valores da cirurgia adicional desde o seu início na Dermatologia. “Nessa altura o valor já era enorme, €20 mil por mês em adicional, mas foi multiplicado várias vezes desde então e surgiram aberrações, mesmo que na base esteja o próprio funcionamento do sistema”, diz Daniel Ferro.

O objetivo tem sido operar cada vez mais doentes. Ainda em março do ano passado, o atual presidente do Santa Maria agradeceu a Paulo Filipe, que recentemente se demitiu, o desempenho da equipa. “Não posso deixar de felicitar o Serviço pelos resultados (...) a Dermatologia está em 2º lugar, com 13% do total da atividade cirúrgica, e teve um crescimento de 145%” em janeiro e fevereiro do ano passado face a 2023, escreveu Carlos Martins. Ao Expresso, o administrador explica que não conhecia os valores que tinham sido pagos aos sete médicos por esse reforço.

Os restantes envolvidos estão em silêncio e o caso continua a ser investigado. A Inspeção da Saúde, o MP e o Parlamento ainda não fecharam os seus inquéritos. Por exemplo, os deputados ainda não ouviram a ministra da Saúde. Ana Paula Martins esteve à frente do Santa Maria entre 2023 e o início de 2024. Já ouvido, o diretor executivo do SNS, Álvaro Almeida, afirmou que “é perfeitamente possível” um “médico que trabalhe muito” ganhar €400 mil num ano em cirurgias adicionais.

Ao Expresso, Carlos Martins reconhece que das várias auditorias e inquéritos internos não resultou, “até hoje, nenhuma prova de fraude ou cirurgias a doentes ou a doenças que não existiram”

July 17, 2025

Pôr o ónus na doente...

 


A doente não interrompeu o seu tratamento, o hospital é que lhe interrompeu o tratamento. Apesar de, segundo o Infarmed, não ter nenhuma notícia "de constrangimentos da parte dos hospitais”.

Portanto, será um caso de negligência? Alguém que deve repor os stocks não viu que estavam no fim e não pediu mais?

Ontem li que, no caso de legionela que matou 10 pessoas e deixou outras mal, o hospital em questão disse que fez tudo by the book. Porém, a torre de arrefecimento que tem de ser limpa de 4 em 4 anos, em 12 anos nunca tinha sido limpa, havia lamas, aberturas por onde entravam animais que deixavam dejectos e sei lá mais o quê.

Há muita gente nos trabalhos que não sabe o que anda lá a fazer.


Doente oncológica interrompe tratamento por “rutura de stock” de medicamento

Sol

A ULSSJ garante que o medicamento em causa continua a ser disponibilizado aos doentes oncológicos, “eventualmente em quantitativo inferior ao habitual”, tendo em conta a limitação de `stock´ existente.

“A ULS São José já reforçou junto do laboratório fornecedor a necessidade de entrega do fármaco, aguardando que a mesma se concretize nos próximos dias”, referiu ainda a mesma fonte.

Contactada pela agência Lusa, a Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed) adiantou que “não existe rutura” do fármaco e que não tem “reporte de constrangimentos da parte dos hospitais”.

July 05, 2025

A maneira como se tratam as grávidas neste país é completamente inaceitável



Só de ler a notícia e perceber o que esta mulher passou deixa-nos angustiadas. Inimaginável, estar quase no termo da gravidez, ter uma hemorragia e andar de bolandas de um hospital para outro durante 5 horas até poderem entrar num hospital e chegar lá com o filho já morto.

“Uma grávida de 32 semanas a sangrar é algo grave. Quem está do outro lado da linha tem de perceber isso”


DN

Como o DN noticiou na manhã desta sexta-feira, dia 4, o caso chegou ao conhecimento público por uma denúncia da Federação Nacional dos Médicos (Fnam), que o considera “trágico”. “Não podíamos calar esta situação", disse ao DN a presidente da estrutura, Joana Bordalo e Sá. Isto, "independentemente de, agora, as justificações dadas por todos os organismos da Saúde, sobre os tempos de resposta, virem justificar que esta teve acesso aos cuidados, mas a verdade é que uma grávida não pode ser sujeita a este sofrimento. Entre o ter ligado para a Linha SNS24 e para o INEM e o ser recebida numa unidade passaram cinco horas”, insiste a sindicalista. “Isto não pode acontecer”, reforça.

Para o presidente da Sociedade Portuguesa de Obstetrícia e Medicina Saúde Materno-Fetal (SPOMMF), Nuno Clode, o tempo de espera desta grávida "não faz qualquer sentido. Não estamos propriamente no meio do deserto do Sahara. Estamos em Portugal, onde há vias rápidas para todo o lado. Portanto, não percebo como é que se demora mais de quatro horas a tomar uma decisão e a saber para onde se deve levar uma mulher grávida de 32 semanas a sangrar”.

O médico começa por explicar que estes casos podem acontecer, e também pode acontecer não haver uma maternidade com unidade de prematuros na área da residência desta (Barreiro) e de outras utentes, e até não haver vagas em neonatologia nas unidades mais circundantes, mas “se o SNS funciona em rede, esta mulher deveria ter sido encaminhada de imediato para qualquer unidade. Uma grávida de 32 semanas a sangrar é definitivamente uma situação grave e tinha de ir para Lisboa, Coimbra ou Évora. Fosse onde fosse, que houve uma vaga para o bebé, porque a mãe não estava em risco de vida, que se saiba”.

Reforçando: “Ainda por cima, tudo aconteceu durante a noite, o que não me parece ser uma altura em que haja confusão em termos de trânsito. Uma ambulância do Barreiro a Cascais poderia levar meia hora ou três quartos de hora, não quatro horas”.

Nuno Clode recorda ao DN que “a área da obstetrícia sempre deu resposta, agora não consegue, mas, parte-se do princípio que, ainda por cima há instruções nesse sentido, se uma grávida liga para uma das linhas telefónicas que pretendem dar apoio, deve ser atendida”. Do que sabe do caso, o presidente da SPOMMF diz que a mulher “tinha uma hemorragia importante e isto significa que a probabilidade de se fazer nascer o bebé era alta. Portanto, era preciso descobrir-se rapidamente qual a maternidade que a poderia receber. Não me parece adequado que se levasse tanto tempo para uma decisão e para ter essa informação”.

Segundo relataram ao DN, a utente ligou a primeira vez para a Linha SNS Grávida pelas 23.30, não conseguiu atendimento, o que tanto os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) que gere a Linha SNS Grávida, não aconteceu. “Não há registo”, responderam. Só há registo do número indicado mais tarde e as chamadas foram desligadas.

O INEM justifica também o tempo decorrido com o facto de o quadro da grávida se agravar e haver necessidade da intervenção de uma equipa da VEMER, que fez o diagnóstico e tentou encaminhar a mulher para uma unidade com neonatologia, nomeadamente Santa Maria e Maternidade Alfredo da Costa, depois de passarem por Setúbal, que não tinham vagas para prematuros. Foi identificada a unidade Cascais, mas desde que o INEM recebeu a primeira chamada (1h:30m) até à chegada da utente a Cascais passaram duas horas e meia. A grávida chegou à urgência pelas 4:00 com “descolamento da placenta, hemorragia e o feto sem vida”.

O que, diz o obstetra e presidente da sociedade, “não parece ser uma situação adequada”, sublinhando que tal deve ter sido “um pesadelo para esta mulher. Não é aceitável. Tem de haver uma resposta do outro lado da linha e quem está desse lado tem que perceber que, seja a que horas for, tem de descobrir rapidamente qual é a maternidade que está operacional para levar uma grávida nesta situação”. Mais uma vez: “Quem está do outro lado da linha tem de perceber que às 32 semanas uma mulher a sangrar é definitivamente uma coisa grave”.

Para o bastonário dos médicos, este caso é reflexo de “uma grande desorganização” no SNS”. E declarações à Lusa, Carlos Cortes aponta ainda o dedo à Direção Executiva do SNS pela falta de coordenação nos cuidados “três maternidades encerradas é inconcebível”.

June 23, 2025

Estou a ver que este ano não tenho férias decentes

 


Estou aqui em jejum, a fazer tempo, para ir para o hospital fazer uma cirurgia a um olho. Depois tenho de esperar um mês até ele estar completamente recuperado. Depois faço outra cirurgia a outro olho e é mais um mês até recuperar. Entretanto, não posso posso ir à praia: forçar os olhos, areia, água, exercício físico, vento, estão proibidos. Enfim, quando isto estiver tudo acabado estamos na 3ª semana de Agosto e falta pouco para voltar à escola. Acho que vou ficar deprimida.


May 26, 2025

Uma afirmação que pode transferir-se para outras áreas

 

“Houve ministros a pensar que conseguiam resposta adequada do SNS virando costas aos médicos. Foi um erro”

Carlos Cortes, bastonário dos médicos- DN

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Também houve ministros da educação (quase todos desde a Lurdes Rodrigues) que pensaram que iam resolver o problema das escolas destruindo os professores. Espero que este novo governo de Montenegro não esteja a querer recuperar esse erro. Já aparecem pseudo-estudos nos jornais a lembrar a estratégia da Rodrigues e de Costa...


January 04, 2025

Somos um país intolerante e hostil para grávidas

 


Imagine-se estar grávida e ter receio de ir a um hospital e ser mandada embora; imagine-se estar em trabalho de parto, cheia de ansiedade, incertezas e dores e ter de andar de hospital em hospital a pedinchar que a deixem entrar; imagine-se ter de ter um filho na estrada; imagine-se ir a caminho do 3º hospital para onde a enviam a 100 km de distância naquela situação em que qualquer minúscula lomba causa dores imensas; imagine-se deixarem-na entrar no hospital mas não estar lá nenhum médico obstetra, nem enfermeira-parteira e não aparecer ninguém para ajudar. Agora imagine-se que é a primeira gravidez; imagine-se que não tem médico para acompanhar a gravidez; imagine-se que acabou de chegar ao país e não sabe para onde se virar; imagine-se que após o nascimento do filho, não tem meios para ir a um hospital ou centro de saúde ou tem mas não tem médico de família e não tem vaga.

Devia ter-se excesso de tolerância com as ansiedades e incertezas das grávidas e acolhê-las amistosamente e não o oposto: fechar-lhes as portas, mandá-las ir ter os filhos nas estradas, acusá-las de terem ansiedades e dúvidas excessivas e de estarem a incomodar o pessoal dos hospitais. 

Somos um país intolerante e hostil para grávidas. Como chegámos aqui? E qual é o propósito disto? Questões financeiras? Poupar dinheiro para ir fazer contratos de meio milhão de euros com primos, maridos, filhos e amigos?


Mortalidade infantil atinge máximo desde 2019. Gravidezes mal vigiadas podem explicar aumento


Em 2024, morreram 261 bebés abaixo de um ano de idade. Acesso desigual a cuidados de saúde, gravidezes mal vigiadas de mães estrangeiras e aumento da natalidade podem ajudar a enquadrar novos dados.
Público

October 21, 2024

Efeitos do retrocesso na saúde materna

 


Passaram já quase dois anos desde a revogação do direito federal ao aborto nos Estados Unidos. Durante os 750 dias que decorreram, vários estados aproveitaram para recuar nos direitos das mulheres. Não me refiro apenas sobre o acesso a cuidados de saúde relacionados com o aborto: a agenda conservadora pretende acima de tudo controlar os corpos das mulheres, pelo que, após a restrição da interrupção voluntária da gravidez (IVG), é a contraceção que começa a ser tema e alvo de ataques. De facto, registou-se uma redução no consumo de métodos contracetivos nos Estados que mais recuaram no acesso ao aborto.

Os efeitos destas políticas há muito que são conhecidos. As experiências feitas neste campo na Polónia, El Salvador e Nicarágua – únicos países a par dos Estados Unidos que recuaram nestes direitos – são inequívocas: o aborto não diminuiu, aumentou a mortalidade materna e o número de mulheres presas e humilhadas. O desespero e o abandono é tanto que, em El Salvador, o suicídio é a terceira maior causa de morte das mulheres grávidas.

É inaceitável e bárbaro quando um país, perante uma mulher que sofreu um aborto espontâneo, opta não por promover o acesso a cuidados de saúde mental, mas escolhe perseguir, julgar e condenar a penas efetivas de prisão. Revolta saber que, na Europa, há países onde uma mulher grávida e com doença oncológica vê o seu acesso a cuidados de saúde vedados, condenando-a a uma lenta e dolorosa morte, a não ser que seja rica e possa cruzar a fronteira para ter acesso a cuidados seguros. Estamos perante um recuo civilizacional enorme, quando na Europa voltam a morrer mulheres por não terem acesso a cuidados de saúde pós-IVG.
(...)
Assim, é sem surpresa que os estados onde se verificaram os maiores retrocessos de saúde sexual e reprodutiva sejam aqueles onde mais se observa a degradação dos indicadores de saúde materna e infantil. Também são estes estados que perderam mais médicos internos. O que demonstra que estas políticas conservadoras prejudicam a saúde de toda a sociedade, não apenas das mulheres.

Poderiam ser evitados, a nível mundial, 25% das mortes de mulheres na área da saúde materna, com melhor acesso a métodos de contraceção e aos cuidados de saúde relacionados com a IVG. Está na hora de se ser realmente pró-vida e salvar estas mulheres. Deixar de lado a ideologia e o fanatismo religioso e abraçar, de braços abertos, a ciência e o humanismo.

Perante as constantes propostas de regressão que os setores mais conservadores se entretêm a lançar no debate público, é importante relembrar que a lei portuguesa até é das mais restritivas a nível europeu. É indispensável contrapor que mesmo esta lei pequenina não é cumprida na totalidade, pois o serviço público de saúde não chega a todo lado nos exíguos prazos que são exigidos. É preciso afirmar que criminalizar nada resolve e que o que funciona, com provas dadas, é a melhoria das condições laborais, da escolaridade, da literacia em saúde, da condição socioeconómica, do acesso à saúde sexual e reprodutiva. Precisamos de progresso em todas estas áreas. Não nos tirem o futuro.

Mário André Macedo, Enfermeiro da Urgência Pediátrica e coordenador da Unidade de Saúde Pública Hospitalar do Hospital Fernando Fonseca


June 16, 2024

Isto é o resultado do trabalho do Costacenteno

 


Desvalorizaram a profissão e apostaram em tarefeiros e outsourcing. É o que estão agora a fazer à educação. O resultado vai ser idêntico, com a agravante que não há nenhuma fuga para privados ou para o estrangeiro. O que há é fuga da profissão.

Mapa prevê fecho de urgências em Lisboa, Centro e Norte nos próximos dias 

Lisboa e Vale do Tejo é a região com maiores constrangimentos, com o fecho total ou parcial nos próximos dias de urgências gerais, de obstetrícia/ginecologia e pediatria dos hospitais de São Bernardo (Setúbal), Garcia de Orta, São Francisco Xavier, Beatriz Ângelo, Nossa Senhora do Rosário (Arco Ribeirinho), Vila Franca de Xira e Rainha Santa Isabel (Torres Novas).

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Dez maternidades fechadas ou com limitações. “Isto não é aceitável num país europeu”

Ministra da Saúde visitou neste sábado de surpresa quatro hospitais e admitiu que pode haver erros no mapa das urgências, que a partir de agora será actualizado todos os dias.

February 26, 2024

O rastreio do cancro do pulmão está no OE de 2024 - resta ver se é mais uma iniciativa que fica por executar dado que não dá votos...




Em Portugal, já se fazem rastreios nacionais aos cancros da mama, do cólon e do colo do útero. No final de 2022, o ministro da Saúde, Manuel Pizarro, anunciou que em 2023 se avançaria com rastreios a mais três tipos de cancro: pulmão, próstata e estômago. Tal não aconteceu, mas no Orçamento do Estado para 2024 há verbas previstas para que a medida se concretize.

Ao DN, o diretor de Serviço de Oncologia Médica do Centro Hospitalar Universitário do Porto, dá a sua visão e lembra aos políticos, nomeadamente à tutela, que é preciso pensar “séria e rapidamente” na implementação do rastreio nacional ao cancro do pulmão, já que se está a falar do cancro mais comum no mundo, cuja incidência aumenta 0,5% ao ano. Em Portugal, todos os anos há mais de cinco mil novos casos e 4500 mortes. Aliás, no nosso país é a segunda causa de morte na doença oncológica.

February 13, 2024

"O que é que não funciona?" PNS

 


No cancro do pulmão estamos na estaca zero na luta contra o cancro do pulmão

O cancro do pulmão foi o mais comum, em todo o mundo, em 2022, sendo a principal causa de morte por doença oncológica, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).


Porque estamos na estaca zero? Porque o governo PS não faz e inviabiliza a possibilidade de outros fazerem 👇
No passado sábado, o presidente da associação dos centros de Responsabilidades Integrados (CRI), João Varandas, adiantou que o Governo, permitiu que se encerrasse, em 2023, a linha de financiamento europeia que permitia avançar com rastreios do cancro do pulmão.

“Tivemos conhecimento disso numa reunião que a associação teve a pedido da associação de rastreio do cancro do pulmão (…). Não se pode desperdiçar estas linhas de financiamento europeu” lamentou o responsável.

“Estamos a falar de um rastreio que tem uma eficácia de redução de 20% da mortalidade. Isto é muito significativo. Este ano temos duas situações que diminuem muito a nossa ação em termos de saúde pública neste contexto. Tivemos uma lei de alteração do tabaco que não chegou a ser aprovada. Foi uma lei que ficou parada dada a dissolução do parlamento. E o rastreio que não avança” explicou o presidente da SPP.

A lei do tabaco, para António Morais, “ia de encontro da prevenção do maior fator de risco do cancro do pulmão” e explica que “para se ter um programa nacional de rastreio, tem de haver uma avaliação, projetos-piloto, estudos e financiamento”.

“Nada disto está feito. E, pelo menos do nosso conhecimento, não há nenhuma comissão para tratar deste objetivo. E perdeu-se o financiamento para arrancarmos com projetos-piloto tendo em vista um programa nacional e neste momento temos um problema de saúde pública, mas não temos nada previsto”, criticou o responsável.

January 22, 2024

À atenção dos homens: vão ao médico, vacinem-se, façam rastreios



Homens são os principais causadores do cancro do colo do útero


Sónia Bento


Estima-se que um em cada três homens estão infetados com o vírus do papiloma humano (HPV), transmissível por via sexual e que provoca cancro do colo do útero nas mulheres. Especialistas alertam para a necessidade da vacinação, até porque o uso de preservativo não é solução.

Sabia que o cancro do colo do útero é a segunda causa de morte em Portugal nas mulheres com menos de 44 anos? Todos os anos são detetados cerca de mil casos, dos quais 379 acabam por ser fatais. Embora esta doença oncológica afete apenas mulheres, os dados epidemiológicos sugerem que os homens são os principais portadores e transmissores do vírus do papiloma humano (HPV) que está na origem deste tipo de cancro. Os tratamentos agressivos, como a radioterapia e a quimioterapia, têm graves consequências mutiladoras na qualidade de vida das mulheres, na função reprodutora ou alterações da bexiga ou do funcionamento renal.

November 01, 2023

O que a engenharia financeira faz aos hospitais




O que a engenharia financeira faz aos hospitais

By Joe Nocera and Bethany McLean

Os investidores pediram dinheiro emprestado para comprar instituições de saúde e ficarem mais ricos.

Riverton, Wyoming, uma cidade com cerca de 11.000 habitantes, situada no sopé da cadeia montanhosa Wind River, parece estar longe do mundo das grandes finanças. No entanto, tal como acontece em grande parte da América, Riverton está bem familiarizada com o negócio que mais simboliza a atual Wall Street: as participações privadas. 

Em 2018, o hospital local, SageWest, foi comprado pela Apollo Global Management no âmbito de um negócio de 5,6 mil milhões de dólares da gigantesca empresa de capital privado para comprar uma cadeia de hospitais chamada LifePoint Health. Mesmo antes de a Apollo se ter envolvido, a LifePoint tinha fundido o pequeno hospital de Riverton com o hospital situado a meia hora de distância, em Lander, a sede do condado. Vivian Watkins, uma residente de Riverton que já foi directora de desenvolvimento económico do Wyoming, disse-nos que a ideia parecia viável - no início. "Disseram-nos que a nova tendência nos hospitais são os 'centros de excelência', por isso, teremos cuidados de maternidade num sítio e, digamos, ortopedia noutro".

Mas, na era Apollo, Watkins e outros residentes de Riverton concluíram que, em vez de dividirem as especialidades entre os dois hospitais e reforçarem as que permaneciam em cada local, os gestores dos hospitais estavam simplesmente a retirar serviços essenciais à sua comunidade. A viagem até Lander não é difícil no Verão, mas no Inverno as estradas estão frequentemente fechadas.

Muitos mais pacientes precisavam ser transportados para fora do condado. De acordo com dados estaduais relatados pelo The Wall Street Journal, o número de voos de ambulância aérea para fora do condado de Fremont aumentou seis vezes de 2014 a 2019. 

"Fomos até o CEO local de ambos os hospitais e dissemos: 'Estamos bastante preocupados. O que é que podemos fazer para ajudar? Como é que podemos manter os serviços aqui?'" disse Watkins. "Para encurtar a história, a resposta foi: 'Não, não, não, não estão a perceber que não queremos fazer isso'". A Apollo remeteu todas as questões sobre o seu papel em Riverton para a LifePoint. Um porta-voz da LifePoint - que juntou Riverton, Lander e outros hospitais em uma nova empresa chamada ScionHealth em 2021 - disse num e-mail que a "nossa estrutura de propriedade não tinha nada a ver com a nossa abordagem a este mercado" e que "o investimento nas comunidades de Riverton e Lander aumentou após o investimento Apollo PE.

A história de cada hospital em dificuldades é dolorosa à sua própria maneira, mas os problemas de Riverton são um instantâneo da agitação que tem envolvido o sector hospitalar nas quase três décadas desde que fundos de private equity - que usam dívida para comprar empresas com o objetivo ostensivo de melhorá-las - decidiram que o negócio hospitalar seria um bom investimento. Em 2011, sete das maiores cadeias com fins lucrativos eram de propriedade de empresas de private equity, de acordo com as pesquisadoras Eileen Appelbaum e Rosemary Batt, que escreveram vários artigos e relatórios sobre a influência do private equity na área de saúde.

De acordo com o discurso de vendas do private equity, o dinheiro que os investidores ganham deve vir do uso de sua habilidade financeira e operacional para tornar suas empresas do portfólio mais lucrativas - como trazendo novas tecnologias para empresas que não podem pagar atualizações necessárias por conta própria. Na realidade, os investidores podem prosperar mesmo quando o negócio subjacente fracassa.

Para obter ganhos, as empresas de private equity reduziram a equipa de enfermagem, cortaram serviços e até, em pelo menos um caso no início da pandemia, fizeram uma ameaça explícita de fechar uma instituição a menos que recebessem dinheiro dos contribuintes. Muitos hospitais adquiridos por empresas de private equity foram forçados a pagar taxas de consultoria a seus novos senhores para acessar sua brilhantia estratégica.

Longe de colocar hospitais problemáticos num caminho mais sustentável, as incursões dos investidores de private equity na área de saúde têm, na maioria das vezes, trazido dívidas para instituições essenciais - e miséria para pacientes e comunidades. Em muitos casos demonstraram grande ganância e completa indiferença às demandas de administrar um hospital. Como a pandemia destacou, os hospitais fazem parte da infraestrutura vital da América. No entanto, quando investidores assumem um hospital e reduzem serviços, vendem o seu imóvel e o sobrecarregam com pagamentos de aluguer por edifícios que costumavam ser de sua propriedade, as pessoas que dependem dessa instituição não têm voz no assunto.

Comunidades que dependem de hospitais de propriedade de private equity têm boas razões para temer uma erosão constante de serviços. A agência de classificação de crédito Moody's, observando a dívida muito alta da LifePoint, concluiu em 2021 que "a propriedade da LifePoint pela empresa de private equity Apollo Management resultará na implementação de políticas financeiras agressivas". De acordo com os seus demonstrativos financeiros mais recentemente disponíveis, para o ano encerrado em 2022, a empresa tinha quase US$ 6 bilhões em dívidas. Isso poderia "exigir que dediquemos uma parte substancial de nosso fluxo de caixa das operações ao pagamento de juros e à amortização de nossa dívida, reduzindo assim os fundos disponíveis para outros fins", escreveu a empresa.

A política governamental tem sido lenta em reconhecer o dano que as decisões das empresas de private equity podem causar ao sector hospitalar. Em Massachusetts, os reguladores estaduais aprovaram a aquisição de hospitais pela Cerberus Capital Management em 2010 com uma condição estrita: nenhuma recapitalização de dividendos por três anos. 
Não previram que a Cerberus extrairia dinheiro vendendo o imóvel para a MPT, porque essa táctica ainda não era generalizada. (No total, a Cerberus lucrou aproximadamente US$ 800 milhões no seu investimento nos hospitais que se tornaram o Steward Health Care, informou a Bloomberg.) 

Na Pensilvânia, onde o fecho de várias instituições por parte da Prospect Medical Holdings e outras cadeias apoiadas por private equity deixou grandes áreas de "desertos hospitalares", os legisladores propuseram, mas ainda não aprovaram, legislação para limitar recapitalizações de dividendos e transações de venda e arrendamento de volta. A senadora Elizabeth Warren de Massachusetts e um grupo de outros legisladores propuseram o Stop Wall Street Looting Act, que reformaria práticas de private equity de forma ampla, mas não avançou.

October 17, 2023

Não é só na saúde, na educação é igual



Na educação pode não haver mortes imediatas mas há a perpetuação da pobreza por gerações (em vez de elevador social) com as consequências que ela têm na expectativa de vida, não só individual, mas colectiva, pois também sabemos que a educação e o nível geral de um povo está ligado ao seu desenvolvimento e possibilidades de futuro. Não é imediatamente visível, como na saúde, mas está lá.



Médicos acusam ministro da Saúde de "empurrar o país para uma "tragédia anunciada"

O ministro da Saúde, "está a empurrar o país para uma tragédia anunciada onde podem acontecer mortes, onde podem acontecer outras tragédias", acusa a Fnam. A três dias de nova reunião com o Governo, o Sindicato Independente dos Médicos diz que "há ainda um oceano a separar as duas partes".


October 15, 2023

O estado do país

 


Hoje de madrugada lá morreu mais um bebé num hospital de Lisboa... disse-me o meu filho que passou o dia e a noite de ontem e a manhã hoje de um hospital para outro, do Alentejo para Lisboa com o afilhado dele que teve um acidente no motocross. Ouvia-se os pais do bebé desesperados, aos gritos. Isto agora é dia sim, dia não. 

O estado calamitoso dos hospitais: mais uma vitória da maioria absoluta socialista de Costa.

 

September 04, 2023

Em Portugal é tudo "em vez de"

 


Hoje ouvi 10 minutos de uma entrevista do Ministro da Saúde a uma estação de rádio. Quem o ouvisse sem ler os jornais e estar informado do que se passa (hospitais sem médicos, serviços fechados, grávidas e bebés que morrem, enfermeiros a fazer de médicos, falta de material, etc.) pensaria estarmos num país onde tudo funciona às mil maravilhas. Deve ter pedido instruções ao colega da educação acerca de como contar histórias irreais com a maior cara de pau e um sorriso de orelha a orelha. Por coincidência, também hoje, a falar com uma pessoa que trabalhou no INEM e cujo irmão é enfermeiro especializado de bloco operatório e também trabalha no INEM, fiquei a saber que em Portugal não há ambulâncias. O que há são carrinhas adaptadas. O MS compra carrinhas e depois manda-as ao sr. Cardoso, em Lisboa para que as adapte. Então, em vez de terem a maca a meio para equilibrar o peso da carrinha e poderem ter assistência de mais de um profissional de saúde, se for o caso, todas têm as macas  e o equipamento médico à esquerda, o que torna a condução perigosa quando vão em velocidade e têm que fazer curvas. Enfim, não fazia a mínima ideia que em Portugal, não se compravam ambulâncias, mas carrinhas que o senhor Cardoso, adapta, para depois irem à inspecção respectiva e term o ok para operarem. Em Portugal é tudo "em vez de": em vez de médicos, enfermeiros, em vez de professores curiosos, em vez de advogados, curiosos, em vez de ambulâncias, carrinhas adaptadas. E em vez de ministros competentes, amigos.


June 22, 2023

É claro que os tempos de espera na nos privados é maior que no público


Mas isso não diz nada de positivo sobre o SNS, bem pelo contrário. O que isso diz é que o SNS está tão mau que todos fogem para os privados e estes, apesar de construírem hospitais e clínicas todos os dias, rebentam pelas costuras ao ponto de se darem ao luxo de recusarem doentes se não gostam do seu seguro de saúde, por exemplo. Logo, não espanta que o tempo de espera no privado seja superior ao do público.


Queixas dos tempos de espera na saúde são piores no privado


May 15, 2023

Relativamente ao post anterior: uma pergunta que advém de ligar duas notícias

 

Não sei se esta ligação é legítima mas ontem vi numa notícia a bastonária dos enfermeiros dizer que por conta da falta de médicos obstetras nos hospitais, tem sido prática comum serem os enfermeiros a assistir nos partos e que esta norma da DGS que transfere para os enfermeiros o trabalho dos obstetras só fixava o que na prática já se fazia, sendo a novidade estender aos enfermeiros o poder de decidir que casos de partos requerem internamento. 

Assim que ouvi esta informação, lembrei-me de uma outra notícia onde li que a taxa de mortalidade materna estava a aumentar, bem como a taxa de mortalidade infantil. Não faço ideia se uma das notícias (as grávidas serem assistidas no parto e, não sei se após o parto por enfermeiros em vez de médicos especialistas) está relacionada com a outra: o aumento da mortalidade infantil e materna... nem sei se há algum inquérito a decorrer acerca da causa do aumento da mortalidade referida, mas gostava de saber.

Seja como for, fui ver o que define um médico obstetra e não encontrei em lado algum, 'médico que assiste a mulher no parto em caso de um enfermeiro comunicar que há problemas'. Pelo contrário: 


Leio no site de um hospital que, 
A Obstetrícia garante o acompanhamento da mulher durante a gravidez, tendo como objetivo um parto bem-sucedido. 


Leio noutro site:

O obstetra é o médico especializado em obstetrícia, o ramo da medicina responsável pelo estudo da reprodução nas mulheres, incluindo tanto seu funcionamento quanto seus possíveis distúrbios.
Assim, esse profissional está preparado para acompanhar todos os aspectos de uma gestação e do desenvolvimento do feto. Suas funções começam no planejamento da gravidez, seguem por todo o curso da gestação até o parto e encerram-se ao fim do puerpério (período pós-parto). Saiba mais sobre o que faz o obstetra em cada uma dessas fases:

PLANEJAMENTO DA GRAVIDEZ


Em gestações planejadas, o obstetra avalia a saúde geral e reprodutiva da mulher e a orienta em relação aos cuidados antes da concepção, como a necessidade de fazer exames, tomar vacinas ou ingerir ácido fólico.

DURANTE A GRAVIDEZ (ACOMPANHAMENTO PRÉ-NATAL)


Dependendo do estágio da gravidez, o obstetra calcula a idade gestacional e a data provável do parto, avalia a saúde da mulher e o desenvolvimento do feto por meio do exame clínico e solicita exames de sangue e exames de ultrassom.Nessa etapa, esse médico é fundamental para identificar, controlar e tratar de forma precoce qualquer problema que possa elevar o risco da gravidez, como diabetes gestacional e pré-eclâmpsia.

PARTO

Com a aproximação da data provável do parto, o obstetra orienta a gestante sobre o melhor tipo (vaginal ou cesariana) considerando tanto o desejo da mulher quanto eventuais fatores de risco para cada caso.

Além disso, no momento do nascimento propriamente dito, o obstetra estará ao lado da paciente para realizar e coordenar todos os procedimentos necessários para que o parto seja seguro e o mais tranquilo possível.

PUERPÉRIO (PÓS-PARTO)


No puerpério, o obstetra acompanha a recuperação física e emocional da mulher, podendo identificar e tratar problemas como a depressão pós-parto.

Leio em outro:

É de responsabilidade do médico obstetra realizar o pré-natal, acompanhando a gestante com exames e checagens médicas que a ajudarão a ter uma gravidez tranquila.

Um médico obstetra pode solicitar testes como o da curva glicêmica, um exame de sangue que auxilia na detecção da diabetes gestacional, que poderia causar riscos para a mãe e para o bebê. O repasse de informações e a relação de confiança entre obstetra e gestantes são fatores determinantes para que o parto seja seguro e tranquilo.

O médico é peça fundamental em todo o processo.

Enfim, vi outros sites e em nenhum deles se diz que é indiferente para o sucesso do parto e para a saúde da mãe e do bebé o parto ser feito por um médico obstetra ou um enfermeiro. 
Mas claro, isto sou eu que não sou especialista no assunto e cujas preocupações são do lado do cliente, por assim dizer. Já passei por essa experiência de estar grávida e do parto. A ideia de chegar à hora H e em vez de lá estar o meu médico em quem tinha confiança e me conhecia, estar lá um enfermeiro qualquer seria de me pôr num estado de ansiedade e falta de confiança, não apenas no procedimento, mas também no médico. Um sentimento de abandono da minha pessoa, do género, 'lavo daí as minhas mãos', na hora mais importante.