August 02, 2026

EUA - a política sem ética é só negócio


Marko Mihkelson

Se os EUA 🇺🇸 hesitarem em prestar ajuda militar à Ucrânia 🇺🇦, acabarão por ser os mais prejudicados. A Ucrânia sofrerá, mas continuará a lutar — e vencerá. Os Estados Unidos, no entanto, correm o risco de perder a confiança e a credibilidade que unem o mundo livre. Ainda não é tarde demais para fazer uma escolha diferente.


Os EUA já perderam credibilidade. Ninguém acredita na palavra dada porque voltam sempre atrás. E os argumentos que usam são desculpas. O último é que deixar os ucranianos fabricar armas é perigoso porque um dia podem voltar-se contra eles. Nunca, nem uma vez em toda a existência da Ucrânia agiram contra os EUA, ao contrário da Rússia que há mais de um século age sempre contra os EUA. De maneira que são desculpas. Leio muitas teorias sobre as razões de Trump e a sua administração darem sempre um passo à frente e dois atrás mas a explicação é simples: há ali muita gente a pagamento de uma maneira ou de outra. É gente com uma enorme ganância de poder (entre tolos e bestas) e muito corrupta.


A título de exemplo:

- Em Novembro de 2025, a Suíça ofereceu uma barra de ouro e um relógio de mesa Rolex, garantindo uma redução dos direitos aduaneiros de 39% para 15%.

- Em Outubro de 2025, a Coreia do Sul ofereceu uma coroa de ouro e uma medalha, com os direitos aduaneiros reduzidos de 25% para 15%.

- Em Agosto de 2025, Tim «Apple» ofereceu uma escultura de ouro e um suborno de 1 milhão de dólares, obtendo uma isenção dos direitos aduaneiros sobre semi-condutores.

- Entre Maio e Julho de 2025, o Vietname ofereceu a Trump um projecto de campo de golfe, reduzindo os direitos aduaneiros de 46% para 20%.

- O Qatar ofereceu-lhe um avião, garantindo acordos comerciais de grande envergadura.

- Em 2017, a China ofereceu marcas registadas, jóias e malas a Ivanka Trump, e Trump retirou a promessa de classificar a China como manipuladora cambial.

- Em 2018, a China investiu 500 milhões de dólares num projecto de resort de Trump na Indonésia, e Trump prometeu «ajudar a ZTE a recuperar», revogando a proibição de exportação.

- Entre 2025 e 2026, os Emirados Árabes Unidos pagaram a Trump um suborno de 187 milhões de dólares e obtiveram acesso a chips informáticos avançados.

- Em julho de 2026, comerciantes de diamantes belgas ofereceram a Trump um anel de diamantes e garantiram uma isenção dos direitos aduaneiros sobre diamantes.

- Dezenas de governos gastam milhões em hotéis de Trump, obtendo todo o tipo de favores, e ainda nem sequer começámos a analisar a corrupção decorrente das criptomoedas fraudulentas de Trump.

 -Quintus Poppaedius Silo

Como dizia Maya Angelou, Quando as pessoas te mostrarem quem são, acredita.

Porque é que a Ucrânia não está já na NATO? Não é certo que os EUA apareçam, um dia que precisemos, mas a Ucrânia de certeza que aparece pronta. Por que raio é que a Ucrânia não está já na NATO?


Quando não houver petróleo não há bombas

 


E depois há a Callas

 

Se a voz humana fosse uma casa de vários andares com lados virados a todos os pontos cardeais, há vozes que enchem um andar, outras que exploram bem a cave, outras cantam o vento Norte, outras andam no telhado, etc. A voz de Callas explora, conhece e mostra todos os cantos e recantos da casa com a mesma mestria e à vontade. Passeia-se por todas as notas, com um total domínio, vindo de uma técnica extraordinária. E por todas as emoções também. Umas vezes a voz aparece cheia de sol, outras muito sombria, outras dramática e sofredora, outras louca e destravada, outras nostálgica, outras esvoaçante, outras ameaçadora, outras doce e suave...  Com este timbre de quem está à beira do abismo que nos entra pelos poros da pele adentro.

Infelizmente caiu nas mãos do narcisista controlador que foi o Onassis e deu cabo da carreira e da voz por amor a essa besta. Uma coisa trágica ao modo grego, de quem parece ter vindo com um destino traçado. Uma pena.


Outra voz magnífica

 

Esta mulher nasceu para cantar Wagner. Uma voz enorme e selvagem que ela liberta como se fosse natural e fácil. Este foi um concerto onde ela não estava anunciada e apareceu de surpresa no fim. (inveja de quem lá esteve)


Mais um post para fanáticos de ópera com outra grande voz



Leontyne Price, em 1980, canta Pace pace mio Dio a aria of Leonora da ópera La Forza del Destino de Verdi. Já não há vozes destas como a dela e de Caballé e de outras do seu tempo. Se há não as conheço. Há muita gente a cantar muito bem, mas falta-lhes este poder e a carga emocional pura e elegante, sem cair no sentimentalismo. Leontyne Price ainda é viva com 99 anos. 

Post para fanáticos de ópera

 


Bom dia



What's in a name? That which we call a rose by any other name would smell as sweet" - Shakespeare


não sei de quem é esta imagem - encontrei-a na internet


August 01, 2026

Trump nunca fará nada de sério contra Putin

 

Desde que Laura Loomer anunciou o seu apoio à Ucrânia, Trump: 1) voltou atrás numa promessa de permitir que a Ucrânia fabricasse mísseis Patriot, 2) recusou um pedido ucraniano de 300 PAC-3, 3) tem protelado a libertação de 400 milhões de ajuda à Ucrânia aprovada pelo Congresso.

Phillips P. OBrien

Nem mesmo diante das evidências do Kremlin estar a ajudar o Irão a matar americanos ele se volta contra o Kremlin e o ogre que o ocupa. De maneira que tem de ser a Europa a fornecer armas à Ucrânia e apertar mais as sanções. 


🎯

 

Sánchez é o chefe de um governo atolado em corrupção até ao pescoço. É grande amigo do Irão e outros países islâmicos que vomitam milhões de islamitas, homens agressivos para Espanha, isto é, para o espaço Schengen. O Irão é um grande fornecedor da Rússia. Sánchez passa o tempo a pregar discursos de moral aos outros líderes e a chamar-lhes nomes por causa acerca dos imigrantes islamitas, mas agora ofende-se com a verdade? Há muitos anos que Sánchez e outros líderes da nova-esquerda trabalham para que a EU não controle as suas fronteiras e deixe que sejam os estrangeiros a controlá-las. Portanto, que não seja um espaço seguro para os seus habitantes. Que raio de líderes e de gente entrega a segurança do seu país a estrangeiros que trabalham para a sua destruição? É um Socas irresponsável que ali está em ponto grande. Hoje mesmo Sánchez estava na sua conta do Tik Tok a sugerir músicas de Verão... Como é que os espanhóis não o põem na rua? Quanto mais tempo lá estiver a estragar e a alimentar corruptos de alto coturno mais votos dá ao partido da direita radical.


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Zelenskyy's update - Façam sair os Patriots dos armazéns

 

As armas têm de estar onde são necessárias e agora são necessárias na Ucrânia, não no estacionamento a ganhar pó.

Ela foi ali defender que o Islão é uma religião de paz

 

Porque será?

 


Porque sentem a sua existência ameaçada. A nova-esquerda está aliada aos islamitas radicais que querem a morte dos homossexuais e está aliada ao transfascismo dos homens que se dizem mulheres e lutam pelo fim dos gays porque os gays não os aceitam nos seus grupos, nomeadamente as mulheres e o que uma maioria desses homens mais quer é poder predar nos espaços das mulheres. As lésbicas não aceitam homens que se dizem mulheres porque... são homens e elas não gostam da sexualidade masculina. Os trans, homens que se dizem mulheres são grandes defensores de bloqueadores de puberdade precoces para que as crianças não possam vir a ser gays e são a favor da divulgação da sua ideologia desde a pré-primária para que as crianças se habituem à ideia de que não há gays, o que há é pessoas no copo errado. Por conseguinte, para os gays, cujas associações já se distanciaram em muitos países dos trans e etc., a questão é existencial e a direita aprece como um mal menor porque deixa que existam sem os ameaçar de extinção. Para as mulheres não unineuronais, a questão também é existencial e vamos ver a direita a crescer por conta do espírito ditatorial e anti-democrático da nova-esquerda.

Porque é que o nosso PM não assinou a carta?

 

Esta é a carta que 22 dos 27 primeiros-ministros da UE (incluindo socialistas) enviaram ao Conselho Europeu na sequência da crise em Ceuta. Uma mensagem clara contra o Governo espanhol e a favor de uma política de migração mais segura, legal e ordenada.

Porque é que o nosso PM não assinou a carta?

Recebeu ordens do islamita Guterres?

Tem medo de Sánchez?

Tem medo de afrontar alguém? 

Que lástima. 


Os iranianos também lutam pelos nossos valores

 

Miúdos com 16 e 18 anos. A coragem do rapaz, a dignidade com que está ali sabendo-se a segundos de ir ser morto bárbara e injustamente. Que valor! Estas são as pessoas que inspiram respeito.


Os iranianos também lutam pelos nossos valores

 

Contra o islamofascismo e com imensa coragem.

Os iranianos também lutam pelos nossos valores

 

Contra o islamofascismo e com imensa coragem.


Sánchez soube com antecedência da invasão de Ceuta mas escolheu deixá-la acontecer

 

Quem organiza e quem paga isto e a quem? E com que fim?


Aqui vai uma opinião impopular

 

Esse senhor Fedorov queixou-se publicamente de ter saído do governo, disse mal do outro com quem não se dá bem e não concorda, disse mal, implicitamente, do seu Presidente, recusou todos os postos que Zelensky lhe ofereceu e agora é um muro de divisão dos ucranianos. Estes são os factos. A quem é que esta divisão aproveita?

Uma lição tirada desta saga dos exames

 

Quando um ministro (podia ser outra figura política) é promovido nos círculos internos políticos e da administração pública, a génio da lâmpada, cria-se uma aura à sua volta que funciona como bloqueio dos factos, por mais óbvios que sejam e lhes batam na cara. Esses círculos onde essas pessoas vivem em circuito fechado impermeável à realidade, alimentam o ego umas das outras de tal modo que o seu discurso, que antes, quando estavam na oposição era lúcido, vira-se do avesso e passa a atribuir os falhanços a críticas maldosas, a desinformação, má fé, imprensa negativa, povo burro, etc. 

Costa, antes de promover alguém desconhecido a ministro ou SE mandava publicar no jornal do costume um artigo de página inteira a fazer a apologia da genialidade dessa pessoa, para que se criasse uma aura em volta dela, amortecedora dos estragos que viesse a fazer. Uma espécie de Jesus revestido de luz que encandeia os olhos. 

O problema dessa estratégia está em que as pessoas comuns vivem na realidade das consequências das decisões políticas onde nenhuma aura resplandecente resiste aos estragos derivados da incompetência. Mas como essas pessoas vivem em círculos que escapam à realidade, as consequências das más decisões passam-lhes ao lado. Têm sempre o posto dourado, o cargo na Europa, o lugar de administrador não executivo, etc. (é por isso que também não partilho da opinião de que os políticos ganham mal)

Este ME tem essa aura dentro do governo e satélites, talvez por ter um doutoramento feito em Inglaterra que é algo que impressiona sempre os nativos. A narrativa sobre a sua genialidade é de tal ordem que ninguém acredita, nem face aos factos mais óbvios, que ele possa ter agido mal e uns dizem que é invenção, outros exagero, outros chegam ao ponto de falar em sabotagem. 

Apesar de saberem desde o início, calculo, que o ME é uma pessoa sem nenhum crédito na educação e que a sua formação e interesses são na economia e macroeconomia. Não obstante esse facto, como fazem parte da maioria que assume que quem é bom numa coisa é bom nas outras, depositaram nele fé cega. Dado ele ver que tem a fé e boa opinião de tantos que ocupam cargos importantes, naturalmente também se há-de pensar melhor que os outros em tudo, mesmo naquilo de que não sabe.

De cada vez que o ouço falar de questões pedagógicas reforço mais esta opinião. A última vez que o ouvi repetia que estas classificações são mais objectivas (quando na verdade só são mais uniformes - a uniformidade não a mesma coisa que a objectividade) e dizia com orgulho, à laia de exemplo, que agora há muitas classificações de 9,3 e 9,4 porque os professores já não têm acesso à totalidade do exame. É assim que vemos que ele não percebe de questões pedagógicas escolares. 

Vemos perfeitamente que no seu entendimento de leigo, um professor que sobe uma nota de 9,4 para 9,5 (para o aluno poder passar) é subjectivo e agora que o professor não tem acesso à nota final do aluno (uma vez que classifica apenas um item) não pode subir essa décima e isso é uma prova de independência e objectividade. Não é. É antes uma demonstração de falta de compreensão básica do carácter pedagógico da avaliação.

Os professores subirem uma nota de 9,4 ou 9,3 para 9,5 (o número é arredondado para 10 e permite ao aluno passar) abona a favor da inteligência pedagógica do professor. 

Nenhuma classificação é absolutamente objectiva. Nenhuma. Nem mesmo em disciplinas como a matemática. Há sempre uma margem para interpretação que é subjectiva. Na Filosofia leccionamos a Lógica Proposicional (que até há uma dezena de anos era trabalhada na Matemática). Temos a noção ainda mais clara de que, mesmo nessa matéria onde os problemas são abordados em linguagem formal e resolvidos com recurso a fórmulas (ex: p →q; ¬q ∴¬p) há sempre lugar a interpretação, embora muito menor que nas respostas escritas, abertas, de argumentação informal. Qualquer professor sabe que não existe isso da nota ser objectiva e absolutamente 9,4 e, nessa medida, não vai estupidamente defender o 9,4 em duelo mortal quando o que está em causa não é uma nota entre muitas outras com as quais vai fazer média, mas uma nota final que decide a passagem ou reprovação do aluno. Isto é ser pedagógico e é óbvio para qualquer professor. Não é é para o ME.

Quando as pessoas se movem em círculos onde todos têm uma opinião tão excelente de si e a reforçam continuamente, deixam de ser capazes de lidar com os próprios factos e a sua relação com eles.

Fora desses circuitos fechados, há os que entendem a política como um clube da bola que apoiam ou atacam desde a bancada. Colegas meus que são do PS, do PCP e do BE, desde que este ministro ocupou a pasta, falam dele como se fosse o demónio; os do PSD e mais à direita falam como se ele fosse o cúmulo da genialidade e não viram em toda esta incompetência dos exames mais que um erro ou outro exagerado. 

É impressionante ver os factos crescerem a tamanhos de adamastor ou sumirem como fantasmas à medida da ideologia de cada um.


Uma pedrada no charco

 


Os “teóricos” da educação também são a favor da inovação 

Carlos Ceia 
Professor Catedrático da FCSH da Universidade Nova de Lisboa

Esta ruidosa cortina de fumo tecnológica abafa convenientemente a falta de discussão sobre um problema estrutural muito mais corrosivo: a continuada deriva facilitista dos exames portugueses. Sempre que o poder político decide impor uma mudança tecnológica de cima para baixo no sistema educativo, o guião repete-se com uma previsibilidade confrangedora. De um lado, ergue-se o estandarte luminoso da “inovação”; do outro, atira-se para a fogueira mediática quem ouse questionar o ritmo ou a forma, rapidamente rotulado como Velho do Restelo ou, o insulto supremo nestas andanças, “teórico da educação”. Foi essa a estratégia de defesa do primeiro-ministro na crise da classificação digital dos exames, glosada pelo seu ministro da Educação. 

O debate sobre a desmaterialização e classificação digital em massa dos exames nacionais em Portugal é o exemplo perfeito desta falsa dicotomia. Perante a pressa governativa em migrar um processo de avaliação colossal para plataformas digitais, surgiram vozes do meio académico, pedagógico, civil e sindical a pedir cautela. Não pediram a interrupção do progresso. Não exigiram o regresso à pena e ao tinteiro, nem a recusa cega da tecnologia. Pediram, pura e simplesmente, prudência. Uma prudência que, estranhamente, é logo tratada nos corredores do poder como uma heresia ao progresso. 

Mas que culpa tem a “modernidade” das invocações blasfemas que lhe dirigem? 

O que os apelidados “teóricos” defendem é nada mais do que o elementar bom senso. A classificação de exames nacionais não é um mero teste lúdico; é um processo de altíssima sensibilidade que define o acesso ao ensino superior e a justiça de todo o sistema para dezenas de milhares de jovens. Os países mais desenvolvidos que o fazem há anos não escolheram esse caminho de um dia para o outro. Avançar para uma transição digital abrupta e em massa sem testes de controlo rigorosos, sem a garantia prévia e testada da robustez do software e, sobretudo, sem um plano de contingência claro para o momento em que os servidores falharem, não é arrojo tecnológico, é jogar na roleta russa institucional. 
Os “teóricos” da educação conhecem precisamente estas lições. A investigação em avaliação educativa, em gestão da mudança organizacional e em tecnologias educativas demonstra, há décadas, que as reformas sustentáveis são aquelas que respeitam princípios de experimentação controlada, monitorização contínua e correcção progressiva dos problemas identificados. Ignorar este conhecimento acumulado não é um sinal de coragem política; é um desperdício de evidência científica. 

A transição digital da avaliação é um passo desejável no século XXI. A agilização logística, a segurança no transporte de provas e o cruzamento de dados são argumentos fortes. No entanto, em qualquer organização que leve a sério a sua integridade, uma alteração estrutural desta magnitude far-se-ia por etapas controladas e seguras. Começar-se-ia com projectos-piloto em disciplinas com menos alunos, avaliando a fiabilidade do sistema sob carga, a ergonomia do software para os milhares de professores classificadores e a invulnerabilidade dos dados. Corrigir-se-iam os bugs, afinar-se-iam as redundâncias de rede e os planos B. Só depois, com a segurança validada no terreno, se faria o avanço a nível nacional. Isso, sim, é mudança a pensar no futuro. 

Mais grave ainda, esta ruidosa cortina de fumo tecnológica abafa convenientemente a falta de discussão sobre um problema estrutural muito mais corrosivo: a continuada deriva facilitista dos exames portugueses. Tome-se o caso gritante do exame de Português, minado por critérios de classificação cientificamente discutíveis e por opções de tipologia de provas mais do que duvidosas, desenhadas para inflacionar estatísticas. Quando esta tempestade digital passar e os ecrãs se apagarem, será imperativo avaliar os estragos causados pela deliberada opção por exames que, na prática, nada avaliam. Ao nivelar a exigência por baixo para fabricar sucesso escolar, o sistema atira as suas falhas para a frente, empurrando para o ensino superior a responsabilidade de tentar cauterizar as muitas feridas e lacunas que este modelo produz na formação dos alunos à saída da escolaridade obrigatória. 

Em Portugal, padecemos frequentemente de uma febre de pseudomodernização. Há uma necessidade voraz, por parte de quem governa, de apresentar vitórias “modernas” e disruptivas para consumo imediato nos telejornais. A digitalização forçada e apressada dos exames serve perfeitamente este propósito: é uma medida de choque, reluzente, que permite reclamar a vanguarda da educação digital europeia em tempo de mandato. 

Defender que o Estado não use as provas de acesso à universidade como cobaia para testes beta de um software implementado à pressa, e que já tinha dado muitos erros no ano anterior na fase de piloto, não é ser reaccionário: é proteger a confiança das famílias nas instituições. Os “teóricos”, neste debate, são apenas os adultos na sala, a lembrar que construir uma casa pelo telhado, por muito que as telhas tenham ecrãs tácteis, continua a ser uma péssima ideia. A verdadeira modernização não se decreta por vaidade política; constrói-se com segurança, método e, acima de tudo, competência.

Público