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August 16, 2026

A escolha do título e não saber fazer perguntas


Nesta entrevista com o presidente da Deco, em vez de escolherem para título a questão -que apenas aflorou- do conflito de interesses do seu presidente, tema por demais importante no nosso país cheio de casos de corrupção justamente por isso, escolhe para título uma frase dele que não tem que ver com a pergunta que lhe fazem mas que tem a ver com a linha editorial do jornal: a vitimização das pessoas, divididas em oprimidos e opressores.
À pergunta sobre a reforma da habitação no que respeita aos despejos de quem não paga a renda, o presidente da Deco responde que as pessoas que não estão a pagar a renda não são bandidos ou delinquentes. Que tem isso que ver com o assunto? Por ventura a pessoa que compra uma casa, com sacrifício, usando as suas poupanças, para arrendar e ter um complemento de reforma, tem obrigação de alojar pessoas de borla só porque não são bandidos e nunca mataram ninguém? Os senhorios são o Estado e têm obrigação de fazer de Segurança Social dos outros cidadãos? 

“As pessoas que não pagam a renda não são bandidos”

Entrevista com João Nabais, presidente da Deco
Expresso

Receber dinheiro de empresas que a Deco pode ter de confrontar não cria um conflito?
Tem toda a razão, é um perigo. Eu posso ter uma parceria com uma grande empresa e ela até me paga porque estou a prestar-lhe um serviço. Mas é só isto. Não estou — e nunca o poderei fazer — a dizer “esta empresa tem os melhores produtos”. Se assim fosse, estaria a violar os meus princípios e os meus valores. A Deco é independente. Tenho que estar atento e não deixar que esta proximidade com empresas ou associações possa levar à perda de independência ou de objetividade da parte da Deco. Esta questão é uma questão central da nossa vida. Dou-lhe outro exemplo de formas de financiamento novas: nós fazemos a segmentação das queixas em função dos sectores de atividade. Tenho para oferecer a uma empresa um pacote com as queixas no seu sector ou relativamente à sua empresa. É um produto a vender, como é evidente. E parece-me legítimo, porque isto tem a ver com a minha atividade de proteção do consumidor. Se eu puder transmitir às empresas ou às associações este capital de queixa, também estou a proteger o consumidor, porque estou a contribuir para que a empresa preste um melhor serviço.

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No campo da habitação, a Deco reconhece como legítimo reduzir a morosidade dos processos de despejo, mas alerta que a reforma não pode limitar-se a responder ao incumprimento. Considera que o Governo está a proteger mais os proprietários do que os inquilinos?
Eu acho que está. Criou-se um mito: os poderes públicos estão a ser demasiadamente complacentes com quem prevarica e o grande prevaricador é o arrendatário. A Deco não escolhe lados nesta matéria. Há muita gente que, em dadas situações, não paga porque não pode mesmo pagar. Qual é a solução? É avançar para o despejo? É acelerar o despejo? Ou é criar condições para que essa pessoa venha a pagar ou arranje uma solução alternativa? De certeza que a solução não é acelerar os despejos. Nós não podemos admitir que as pessoas que não estão a pagar a renda são bandidos, ou são delinquentes.

 

Não ter entendimento para fazer perguntas pertinentes



Esta senhora pergunta, a propósito dos mais de 70 mil (não 60 mil como ela diz) rapazes e homens (não homens, mulheres e famílias, como ela diz, pois havia pouquíssimas mulheres e quase nenhuma família) marroquinos e de outras zonas da África, É errado, e deve ser castigado, o desejo de um povo a procurar lugares onde possa ter um futuro digno? Isto é não saber fazer perguntas, pois a pergunta que interessa é: temos obrigação de receber e acolher dezenas de milhar de imigrantes ilegais que não sabemos quem são nem ao que vêm e que no passado têm causado grande perturbação e fractura nas sociedades europeias? Não, não temos. Vejamos, se eu dissesse que a China tem o direito de preservar a sua cultura e ter cuidado com quem deixa entrar no país, todos concordariam. Porém, se dissermos que a Europa tem o direito de querer preservar a sua cultura e valores que tanto custaram a construir, isso é considerado pela nova-esquerda, racismo, intolerância, impiedade, etc. 

Por acaso se lhe aparecerem 30 imigrantes ilegais, marroquinos, sudaneses, etc., à porta de sua casa a pedir abrigo, comida e atenção, ela tem obrigação de os receber? Pelo seu discurso, teria que ter. Então, ofereça a sua casa a 20 ou 30 imigrantes ilegais arbitrários, quer dizer, terá de os receber, alimentar, vestir e providenciar dormida, sem saber se são criminosos, violadores ou vitoriosos com esperança. Deixe passar seis meses ou um ano e depois então, venha falar da sua experiência. Gostava que ela fosse morar por um ano ou dois para um desse enclaves europeus onde já vigora a sharia e as autoridades são todas islâmicas, constituídas por esses  vitoriosos, orgulhosos e cheios de esperança. E se tem filhas que as leve a morar consigo.

Agora, não atire essa experiência para cima de outros, sabendo que está a salvo, só para se sentir moralmente superior.

Os marroquinos vieram vitoriosos, orgulhosos e cheios de esperançaViemos para trabalhar, para construir uma nova vida. Em Marrocos não há trabalho? Vinte marroquinos, sudaneses, etc. disseram em frente das câmaras das TVs que vierem para trabalhar. Estava à espera que dissessem o quê? Viémos porque sabemos que nos dão casa, comida, um cheque por mês e ainda temos raparigas sozinhas a andar na rua? Sabe esta senhora que das poucas raparigas que viram alguns foram violadas no caminho? Que estes vitoriosos, orgulhosos e cheios de esperança já fizeram violações em Ceuta, destruíram lojas, roubaram, atacaram com facas - um dos crimes com facas está na internet e vê-se um dos vitoriosos, orgulhosos e cheios de esperança a degolar um transeunte?

Imaginei o interior de Portugal a compor-se com gente construindo empreendimentos em diversas ­áreas, a progredir economicamente, recorrendo aos recursos de cada zona. Há tantas aldeias abandonadas pelo interior do país. Se não fosse ridículo era só patético mas penso que o objectivo do discurso dela é aparecer como virtuosa cheia de amor humano pela humanidade por contraste aos outros todos xenófobos.

E chama a isto uma epopeia. Estas pessoas são os optimates do país...


A verdadeira epopeia dos marroquinos

Isabela Figueiredo
Escritora, vencedora do Prémio Urbano Tavares Rodrigues

É errado, e deve ser castigado, o desejo de um povo a procurar lugares onde possa ter um futuro digno?

No final de julho, quando os marroquinos, os tais 60 mil, chegaram em massa a Ceuta, vindos de Marrocos a nado e enfrentando perigos, alegrei-me. Os seus sorrisos ao sair do mar, cansados, mas caminhando assertivos pela praia, depois nas ruas, ainda capazes de correr, gritando “Espanha, Espanha”, vitoriosos, orgulhosos e cheios de esperança, contagiaram-me. Tanta juventude, coragem e motivação. Chegaram sozinhos ou com a família. Explicaram-se para as câmaras de televisão: “Viemos para trabalhar, para construir uma nova vida. Em Marrocos não há trabalho.”

Era um grande feito. Pensei que as suas razões contagiariam o mundo. O amor e a compaixão pelo outro venceriam. Qual amor, qual compaixão? Os habituais canais de televisão falavam em crise. Eu só via oportunidade. Homens e mulheres na força da idade, a maior parte muito jovens, clamando por mudança. Imaginei o interior de Portugal a compor-se com gente construindo empreendimentos em diversas ­áreas, a progredir economicamente, recorrendo aos recursos de cada zona. Há tantas aldeias abandonadas pelo interior do país.

August 08, 2026

Depois de atacarem mulheres passaram ao ataque aos gays

 

Os trans e estamos a falar sobretudo de homens que dizem sentir-se mulheres, não admitem que alguém defenda os seus direitos perante o seu narcisismo agressivo. Toda a critica é ódio e transfobia. Nunca ninguém considerou os gays, por defenderem os seus direitos, heterofobos; ou humanofobos se defendem os direitos dos animais. Até aparecerem estes trans homens que em todo o lado assediam as mulheres e os gays e depois se fazem de vítimas de transfobia. Porque o fazem? Porque resulta junto da nova-esquerda unineuroral.

August 07, 2026

O maior triunfo dos inimigos das democracias e valores ocidentais?

 

Ter posto os filhos contra os pais, os pais contra os professores e os professores contra os pais, os homens contra as mulheres, as mulheres contra os direitos das mulheres e a impossibilidade de bom senso, com ideologias agressivas e totalitárias. Que sociedade sobrevive a este abismo que se abriu entre ambos?

Tenho colegas que defendem -há mais de 20 anos- esta ideia de que os pais deviam ser vedados de decidir sobre tudo o que respeite a educação dos seus filhos em detrimento dos professores. Já discuti com alguns colegas muitas vezes. Estão absolutamente convencidos da sua missão de engenheiros sociais no aperfeiçoamento de toda a gente segundo os seus ideais e ideologia particular, que assumem como universalmente incontestável e moralmente superiores. É com esta ideologia que nos EUA, no Canadá, na Inglaterra, tiram os filhos aos pais (e por vezes criminalizam os pais) depois de terem andado a inculcar-lhes às escondidas a ideia de precisarem de terapias hormonais e mutilações cirúrgicas e de os pais descobrirem e oporem-se. Em certas escolas nos EUA, o mero acto de um EE perguntar à escola onde vai pôr o seu filho de 4 anos se ensinam teoria de género basta para ser sinalizado na polícia. Este homem aqui a defender este totalitarismo ideológico de ter miúdos recém-formados (ou não) 'especialistas' a poder decidir por cima dos pais sobre o interesse dos filhos é um professor de Yale. As grandes universidades de referência do mundo transformaram-se em madrassas ideológicas, sobretudo as de Humanidades. Quem tem dinheiro e possa fundar universidades que se dediquem ao desenvolvimento do conhecimento, do engenho e do espírito humano, em vez de se esgotarem em activismos políticos totalitários de intenção de fractura social, que o faça antes que seja tarde demais.

August 06, 2026

Para a nova-esquerda unineuronal que vota a favor de burkas

 

Com o argumento de 'ser a escolha das mulheres'.


August 01, 2026

Porque será?

 


Porque sentem a sua existência ameaçada. A nova-esquerda está aliada aos islamitas radicais que querem a morte dos homossexuais e está aliada ao transfascismo dos homens que se dizem mulheres e lutam pelo fim dos gays porque os gays não os aceitam nos seus grupos, nomeadamente as mulheres e o que uma maioria desses homens mais quer é poder predar nos espaços das mulheres. As lésbicas não aceitam homens que se dizem mulheres porque... são homens e elas não gostam da sexualidade masculina. Os trans, homens que se dizem mulheres são grandes defensores de bloqueadores de puberdade precoces para que as crianças não possam vir a ser gays e são a favor da divulgação da sua ideologia desde a pré-primária para que as crianças se habituem à ideia de que não há gays, o que há é pessoas no copo errado. Por conseguinte, para os gays, cujas associações já se distanciaram em muitos países dos trans e etc., a questão é existencial e a direita aprece como um mal menor porque deixa que existam sem os ameaçar de extinção. Para as mulheres não unineuronais, a questão também é existencial e vamos ver a direita a crescer por conta do espírito ditatorial e anti-democrático da nova-esquerda.

July 29, 2026

O maior desastre de direitos humanos a acontecer no planeta?

 

A situação das raparigas e mulheres nos países do islão. Não se trata de uma violência contextual, resultado de uma guerra ou de uma catástrofe, por exemplo, mas de violência pensada e organizada pelo Estado. As raparigas e as mulheres são deliberadamente despojadas de quaisquer direitos, mesmo o de olhar e respirar e são mantidas em cativeiro sexual por toda a vida porque o islão manda que as mulheres sejam responsáveis e criminalizadas pelo comportamento lascivo dos rapazes, educados para a incontinência sexual e agressiva de todas as mulheres, sejam irmãs, mães ou estranhas. Isto é equivalente à ideologia nazi. Quem se diz progressista e feminista e compactua com isto mesmo que só pela passividade e silêncio é um/a impostor e não merece a confiança de ninguém, muito menos para estar em lugares públicos a decidir da vida dos outros.




🎯

 


O que esta mulher diz aqui é verdade: no dia em que estes islamitas com esta religião medieval guerreira que ainda defende e pratica a pedofilia, a escravatura das mulheres, a morte dos opositores e a destruição da sua cultura tiver lugares políticos significantes em número suficiente, destrói a nossa civilização de respeito pela livberdade e igualdade de direitos e impõe a todos a sua barbárie.

Como diz Lionel Shriver, o casamento entre a esquerda e o islão é absurdo e o pior é que a esquerda não parece aperceber-se disso. Apoiarem uma ideologia que defende a opressão das mulheres, a morte dos homossexuais e da liberdade de expressão, não parece incomodá-los nem um pouco. E ela pergunta-se o que poderão ter em comum estes dois movimentos aparentemente tão diferentes e chega à conclusão que é o ódio. Os islamitas têm ódio ao Ocidente, ódio aos judeus, ódio às mulheres independentes e é isso o que os motiva. As suas manifestações e lutas implicam sempre agressão, seja verbal (morte aos judeus, morte aos gays, morte aos países em que estão a viver), seja física, com actos de terrorismo e a nova-esquerda também hoje-em-dia tem manifestações de ódio aos judeus, ódio aos brancos, ódio ao Ocidente, ódio à direita, e actos de revolta que implicam partir vidros, ocupar casas, atirar tinta ou outra coisa qualquer às pessoas, roubar lojas.

A esquerda habituou-se a ser considerada um movimento superior porque progressivo e a favor da liberdade, dos direitos das mulheres e das minorias e ainda se vêem assim. Mas já não são assim: agora defendem a censura, o cancelamento, a prisão de pessoas que pensam de maneira diferente, o estabelecimento de plataformas para poderem acusar e destruir pessoas que pensam de modo diferente, o apagamento dos direitos das mulheres, a misoginia... enfim, o que une a nova-esquerda e os islamitas é o ódio.

E o pior é que a nova-esquerda com tiques ditatoriais já inclui o que até há pouco tempo era a esquerda moderada dos socialistas democratas. Cada vez menos democratas.

A nova-esquerda unineuronal

 


Neo-colonialistas e neo-racistas: os imigrantes são todos uns coitadinhos burrinhos incapazes, vamos ter empatia e oferecer-lhes uns supermercados com arroz e massa muito baratos. Entretanto, estragam o negócio a esses mesmos imigrantes e nem falam com eles porque lá está, são o Jesus que oferece o milagre dos pães aos pobrezinhos - e com esse dinheiro podiam era comparticipar medicamentos, por exemplo. Mas com esses gigantes da indústria não se metem eles. É o socialismo Rolex.
Zohran Mamdani acaba de ser processado pela própria comunidade de imigrantes que afirma «proteger».
A Multicultural Business Coalition (empresários migrantes da África, Ásia e Médio Oriente) acusa-o de ter criado cinco supermercados financiados pelo Estado, com dinheiro dos contribuintes, que vendem a preços 30% mais baratos, destruindo os pequenos negócios dos imigrantes que trabalham 16 horas por dia.
E o mais descarado de tudo: Mamdani nem sequer se dignou a sentar-se à mesa com eles.
Primeiro, aumenta-lhes os impostos; depois, cria concorrência desleal para eles com fundos públicos; e quando os imigrantes que constroem esta cidade se queixam, o «defensor do povo» bate-lhes com a porta na cara. Fox News

July 28, 2026

Mais chiliques para o Mestre André




«Teria vergonha de ter escrito qualquer parte disto»: a tradutora da «Odisseia», Emily Wilson, critica o sucesso de bilheteira de Nolan

Emily Wilson, a classicista cuja tradução de 2017 da «Odisseia» de Homero foi citada por Christopher Nolan na publicidade inicial da sua adaptação de enorme sucesso do poema, criticou veementemente o filme, afirmando que «não tem nada de convincente a dizer» e que «carece de profundidade psicológica, emocional, política e ética».

Num ensaio mordaz publicado na London Review of Books, Wilson escreve: «Tinha esperança de que a afinidade de Nolan com estes temas homéricos o levasse a novos patamares criativos e lhe permitisse criar personagens mais credíveis. Mas A Odisseia apresenta a sua habitual combinação de grandiosidade e superficialidade… a visão do filme é demasiado confusa, as suas personagens pouco desenvolvidas para cumprir o que prometia, pelo menos em parte, em termos de grandes ideias — embora seja muito bom a retratar grandes explosões e gigantes imponentes.»

Wilson acrescenta: «A Odisseia de Nolan carece de muitos dos elementos que tornam o poema grandioso. Não tem nada de convincente a dizer sobre o tempo, a memória, a história, a guerra, nem sobre a relação entre o regresso glorioso de um guerreiro e as vidas da sua família, adversários, camaradas, amigos e vizinhos. Carece de profundidade psicológica, emocional, política e ética. A sua estrutura narrativa é artificiosa. A escrita é péssima. Nenhuma das personagens tem uma motivação convincente para as suas ações ou palavras. Não há cenas de sexo e toda a comida tem um aspeto horrível.»

Wilson também referiu a admiração de Nolan pela frase inicial da sua tradução da «Odisseia»: «Fala-me de um homem complicado» — mas acrescentou: «Teria vergonha de ter escrito qualquer parte deste guião.»

No entanto, Wilson reconheceu o impacto que o filme já está a ter na sensibilização cultural para a literatura grega antiga, bem como para o próprio cinema. Afirmando que «o lançamento de A Odisseia continua a ser um acontecimento a celebrar», ela sugere: «Este épico está a trazer o público de volta aos cinemas… as traduções da Odisseia, incluindo a minha, estão a esgotar-se rapidamente… [e] talvez o filme convença alguns responsáveis universitários a não encerrarem os seus departamentos de literatura, línguas e história.»

«Nolan», diz Wilson, «está a dar o seu melhor para que o público em geral volte a ler, e estou-lhe grata.»


July 27, 2026

A nova esquerda auto-designada moralmente superior

 

Fui dar com um par de vídeos deste homem, André Simões, professor universitário e auto-proclamado grande especialista na Odisseia de Homero (tem pelo menos mais um vídeo em que diz várias vezes que é um especialista e goza com os críticos ignorantes, muito abaixo da sua grandeza) a chamar racistas e pessoas de ódio aos críticos do filme de Nolan. 

Como se vê no vídeo, o senhor põe as mãos à cabeça e diz com um ar de superioridade paternalista, 'meu Deus são tão racistas e os conservadores ofendem-se com tanta facilidade' - bem, não são os conservadores que mandam censurar, cancelar, despedir e até prender todos os que têm o descaramento de não concordar com as suas opiniões e os reduzem a racistas, islamofóbicos, discursos de ódio, etc. Mas adiante.

Diz várias vezes que, "se não gostam do filme não vão vê-lo", quando é óbvio que, para se gostar ou desgostar do filme, é preciso primeiro vê-lo.

Digo já que não tenho opinião sobre o filme de Nolan, nem a favor nem contra porque ainda não o vi. Sei, no entanto, que há uma polémica sobre não haver actor nenhum grego entre as personagens do filme e também por Nolan ter contratado, um negro, um trans, um gay, etc. e ter feito do filme, segundo esses críticos, uma afirmação woke. Também não me vou pronunciar sobre isso porque, mais uma vez, ainda não vi o filme e não sei se essas críticas têm mérito. 

Até poderei estar de acordo com Nolan, mas nunca com os maus argumentos e nos termos pretensiosos de superioridade moral deste indivíduo ou de considerar que quem não concorda comigo é logo racista, inferior, odioso, etc. ao ponto de ter chiliques afectados.

Portanto, este post é apenas sobre este discurso de auto-proclamação de superioridade moral e intelectual deste senhor, tão ao jeito da nova-esquerda. E declaro já que não sou especialista na Grécia Antiga, nem na Odisseia, mas também não me considero uma completa ignorante e, embora não seja intelectual ou moralmente superior a ninguém, também não sou inferior e sei alguma coisa de avaliar a argumentação das pessoas.


Então vamos lá seguir o seu discurso:

Depois de se proclamar moralmente superior reduzindo todas as críticas a Nolan a puro racismo diz que as pessoas negras não eram desconhecidas na Grécia Clássica. Ora, as críticas que fazem a Nolan não dizem que os gregos não conheciam pessoas negras. O que dizem é que Helena de Tróia e os deuses do Olimpo não eram negros. Eram esculpidos na estatuária e desenhados em frescos e vasos, etc., com feições mediterrâneas, nomeadamente gregas, tendo os gregos um fenótipo com feições muito características: o nariz, os lábios. Sim, eram feições idealizadas, porque são heróis e deuses, mas eram as dos gregos. Portanto, ele não responde à crítica mas a outra questão paralela.

Diz que está-se nas tintas para a cor dos actores, se a personagem que interpretam não depende da cor. Então, dizer que pessoalmente não quer saber da cor dos actores também não responde às críticas que fazem a Nolan por ignorar a origem grega das personagens, é só mais uma maneira de se sentir e proclamar moralmente superior.

Depois diz que os críticos "estão a fazer cherry picking a um verso perdido que fala da brancura dos braços de Helena" e que isso não quer dizer nada porque era uma maneira de dizer que era da realeza e que aliás a obra é uma ficção com personagens da mitologia. Porém, se ser branco equivale, como diz, a ser da realeza e se Helena era da realeza, então... 

A seguir a falar em fazer cherry picking de um verso perdido sobre a brancura de Helena, o que faz ele? Cherry picking de um verso perdido no Livro XVI, na tradução de Frederico Lourenço onde se diz que Ulisses é negro. Faz exactamente o que critica os outros terem feito. O verso respectivo na tradução de FL diz: 
Assim disse; e logo com a vara dourada lhe tocou Atena.
Primeiro vestiu-lhe o peito com uma capa e uma túnica
bem lavada: aumentou-lhe a estatura e restitui-lhe a juventude.
De novo ficou de pele negra, encheram-se-lhe as faces e a barba escureceu em torno do queixo.
Depois de deixar implícito que é óbvio que Ulisses é negro, André Simões crítica as pessoas não terem criticado Nolan por ter posto um actor branco a representar o Ulisses negro (agora já não refere ser uma obra de ficção da mitologia, agora já é certo que Ulisses é negro) e daí deduz que é tudo uma cambada de racistas e faz um teatrinho afectado, 'deixem-me em paz, estou farto do ódio dos racistas'. Portanto, em seu entender, as pessoas fazerem uma crítica contra a sua opinião é ódio e guerra. Já ele tratar os que criticam Nolan como racistas é o quê... respeito? Amor ao próximo?

Então, sendo ele um, moralmente superior especialista iluminado, deve saber que a tradução de Frederico Lourenço não é a única no mundo e até é muito recente. É, pois, provável que a maioria das pessoas não a tenha lido, assim como a tradução, também recente, de Emily Wilson que também traduz este verso usando o termo, negro. Provavelmente "têm na cabeça" como ele diz ideias das traduções anteriores que eram diferentes. 

Na tradição das traduções de Homero anteriores, que eram e são ainda, estudadas nas escolas e universidades, este verso não era assim traduzido - como ele, do alto da sua superioridade intelectual, deve saber, até porque deve ter estudado por uma delas.

Por exemplo, na tradução de Robert Fagles de 1996 (a única que eu tinha até saírem estas recentes que agora também tenho e li), usada em muitos programas curriculares do ensino secundário americano e também em muitas escolas inglesas, o verso diz:
Athena stroked him with her golden wand. First she made the cloak and shirt on his body fresh and clean, then made him taller, supple, young, his ruddy tan came back, the cut of his jawline firmed and the dark beard clustered black around his chin.
Que pode traduzir-se para português, mais ou menos assim:
Atena acariciou-o/tocou-o com a sua varinha dourada. Primeiro, fez com que a capa e a camisa que lhe cobriam o corpo ficassem frescas e limpas; depois, tornou-o mais alto, mais ágil e mais jovem; o seu bronzeado saudável voltou a aparecer, o contorno do maxilar ficou mais definido e a barba escura aglomerou-se, negra, à volta do queixo.
A tradução de E.V. Rieu, mais antiga, que esteve em vigor desde 1946 até aos dias de hoje e, penso, que ainda é a tradução obrigatória nos exames ingleses, diz o seguinte:
Saying this, Athene touched him with her golden wand. She clothed him in a clean tunic and cloak, increased his stature, and restored his youthful complexion. His colour returned, his cheeks filled out, and his beard darkened. Then she departed, leaving Odysseus to return to the hut.
Que pode traduzir-se para português, mais ou menos assim:
Ao dizer isto, Atena tocou-o com a sua varinha dourada. Vestiu-o com uma túnica e um manto limpos, aumentou a sua estatura e devolveu-lhe a tez juvenil. A cor voltou-lhe ao rosto, as bochechas encheram-se e a barba escureceu. Depois, partiu, deixando Odisseu a regressar à cabana.
Por consequência, durante estes séculos de poucas traduções da Odisseia de Homero, nunca Ulisses apareceu negro nos versos ou Helena ou Atena ou outros deuses e heróis. Não é nada óbvio que as pessoas em geral saibam que agora se traduz Ulisses como sendo negro. Daí que seja normal as pessoas estranharem e que tenham uma ideia deles todos como mediterrâneos com feições e tez gregas. Como penso que os americanos estranhariam e criticariam se um japonês fizesse um filme sobre a Pocahontas e escolhesse uma actriz japonesa ou até um actor masculino que se apresenta como mulher, japonês, para a representar.

Aliás, na tradução de Frederico Lourenço podemos ler, no Canto 13, 430:

Assim falando, Atena tocou-lhe com a sua vara.
Engelhou a linda pela sobre os membros musculosos
e da cabeça destruiu os loiros cabelos; em todo o corpo
lhe pôs a pele de um ancião já muito idoso;

Portanto, Ulisses tinha cabelos loiros. O mestre André que tudo sabe, esqueceu-se de referir esta passagem.

Enfim, o que não acho normal, mas já me habituei porque é o padrão da nova-esquerda, é que um professor universitário não seja capaz de uma atitude de tentar compreender o ponto de vista da crítica, contrário ao seu, para ver se tem mérito, para depois responder à crítica, também com mérito, em vez de chamar nomes e ter chiliques do alto da sua superioridade moral. Mas isto sou eu que devo ser muito ignorante.