Sociedade de Matemática identifica “erro formal” no exame da 2.ª fase
Público
Exames: foram afinal 18 mil, e não cinco mil, as notas que mudaram por causa de erros
Sociedade de Matemática identifica “erro formal” no exame da 2.ª fase
Escrevi isto a 19 de Julho:
Passe a 2ª fase para Setembro. Dá tempo aos alunos de descansar e poder estudar para a 2ª fase. Dá tempo às escolas para fazer o seu trabalho de matrículas, turmas e horários, talvez dê tempo para perceber e resolver algumas das questões que mais emperraram o processo nesta fase e não se põe a jeito de ser considerado a Inês de Medeiros do ME. Vale a pena correr o risco de transformar o alarme em derrocada sem volta atrás?
Acabei mesmo agora de ouvir dizer que vai haver uma época em Setembro para todos os alunos que foram à 2ª fase, ou seja, a 2ª fase vai passar para Setembro... Então porque é que não fizeram logo isso? Para quê estes dias de exames agora com a consequência de atraso no trabalho nas escolas? Para quê?
Porque não há bom senso?
Estou a ouvi-lo na CNN. Diz que houve alguns erros no processo dos exames, sim, mas nada de especial e o que problema foi a oposição empolar o assunto para ganhos políticos. A sério? Enviar notas às 9 e meia da noite, obrigar as escolas a estarem abertas para publicar notas à meia-noite e depois no sábado mais notas e no domingo mais um molhinho. Depois aparecerem de repente 1400 notas que não existiam. O governo está em total negação a empurrar a bola para os outros. Pacheco Pereira disse agora uma coisa importante. Há muito tempo, muito mesmo, os ministros tinham conselheiros das suas áreas, pessoas que estavam por dentro dos assuntos mas não estavam nos governos, como professores, por exemplo, que percebiam de políticas de educação. Agora tem a Deloitte.
Razões para não insistir na 2ª fase dos exames já daqui a 3 dias:
- a 1ª fase, não só ainda não está acabada, como está cheia de furúnculos que o ME não sabe resolver.
- foi anunciada uma auditoria, necessária para compreender o que correu mal. Ora, é impossível, nestes três dias de intervalo entre as duas fases, mesmo que os problemas da 1ª fase já estivessem resolvidos, o que não estão, fazer uma auditoria para evitar o arrastamento dos mesmíssimos problemas para a 2ª fase. O governo quer mesmo repetir este circo e as suas consequências para daqui a três dias?
Porque não há bom senso? Porque teriam de admitir que o processo foi mal conduzido e pensado desde o início.
Porque não feita uma auditoria o ano passado, logo após o exame de Filosofia ter evidenciado os problemas que vieram a acontecer este ano, mas com muito maior gravidade devido à quantidade de provas a digitalizar - mais de 2 milhões de folhas de 360 mil provas? Ou dar-se-á o caso de terem feito uma auditoria mas não terem aprendido nada?
Ficámos hoje a saber por declarações do JNE do ano passado à TV que tanto eles como o IAVE aconselharem o ministro a não alargar o processo a todos os exames já este ano. Porque é que o ministro insistiu? Talvez porque tinha pressa em desmantelar todos os serviços do ME: vinha com essa fisgada. Como se costuma dizer, 'atirou fora o bebé com a água do banho'.
Depois, acontece que os governantes e o pessoal do ensino superior, de onde ele vem, têm uma visão limitada e cristalizada da educação escolar e de tudo o que lhe diz respeito e assumem que são questões menores e simples de realizar. Dá jeito para desvalorizar o trabalho e poder empobrecê-lo. Nessa medida, todos desvalorizam a complexidade e dificuldade dos problemas e erram na avaliação das soluções.
Volto a perguntar, porque não há bom senso? O governo quer mesmo repetir este circo daqui a três dias só para não dar o braço a torcer agora? É que já está todo torcido e se o alarme com os problemas da 1ª fase já foram o que se está a ver, se se repetem na 2ª fase, o que é o mais provável, passa do nível de alarme para o nível de derrocada.SIC - Ministro deixa aviso a diretores caso não afixem pautasMinistro deixa aviso a diretores caso não afixem pautas: "São nomeados, não são funcionários das 9h às 17h
É preciso desfazer o anonimato porque os exames são classificados sem o nome dos alunos. Depois é preciso fazer o cálculo das médias entre a nota de exame e a nota interna. Depois fazem as pautas já com o nome dos alunos e a respectivas notas, interna, de exame e média final. Isto é um trabalho de muitas horas, a não ser em casos de escolas com 20 alunos a fazer exame. A esta hora já os serviços fecharam. Se só agora chegaram as informações com as classificações do JNE, alguém vai ficar a trabalhar hoje à noite ou no fim-de-semana para fazer isto tudo, para que as pautas possam ser afixadas na segunda-feira.
Hugo Soares está na TV a culpar os professores, "porque estão contra as mudanças e resistem à mudança." Não há classe profissional que se tenham adaptado a tantas mudanças nos últimos 30 anos como os professores.
E ainda diz que os professores classificadores estão muito satisfeitos com o processo de classificação digital. Isto é a mentira descarada. Quem é que pode estar satisfeito com esta barracada, o stress de estarem 24h por dia nas plataformas e no fim ouvi o PM e agora este a culpá-los.
Pensa que somos todos estúpidos.
Este indivíduo é um ignorante em relação a assuntos de educação e vai à TV fazer demagogia e normalizar a má decisão política. Se isto é contenção de danos, tem o efeito oposto. É ridículo o nível de disparates que diz. Quanto mais fala mais se enterra.
Agora está o ministro a dizer que a responsabilidade é dos directores.
Isto é miserável. Primeiro a culpa é dos professores dos agrupamentos de exame, depois dos professores classificadores e agora dos directores. É como se não houvesse ME e tivessem sido as escolas a decidir e gerir este processo totalmente incompetente.
E aposto que vão teimar em repetir esta barracada daqui a uns dias na 2ª fase.
Ouço o ministro dizer que tudo foi alarmista, que está tudo classificado, que tudo foi feito com rigor e muito bem, que a segunda fase vai ser excelente...
Estas declarações, ou têm uma intenção de falsidade ou são uma negação total da realidade demonstrando uma incapacidade de a ler e, seja um caso ou outro, como é possível manter a confiança neste ME? Não vejo como uma pessoa com uma destas características pode resolver os complexos problemas da educação e das escolas.
Aliás, os professores classificadores que se cuidem porque esta situação só não vai cair para cima deles porque a dimensão da incompetência foi de tal ordem que tornou-se um assunto nacional. Porém, se as barracadas tivessem afectado apenas uns 50 professores, por exemplo, crucificavam esses professores para desviar de si as responsabilidades. Assim como assim o ME e, sobretudo o PM, tentaram transferir as suas incapacidades para os professores.
Exames nacionais: Ministro diz que “há risco" de as notas não serem publicadas amanhã.Expresso
Luís Montenegro reconhece que o processo de digitalização e posterior correção é complexo e difícil, mas diz que há professores que estão contra esta mudança e estão a criar todo este clima que está a perturbar o processo.
Que versão foi respondida pelo alunos? À beira do fim do prazo, escolas recebem novo pedido de informação
“Nós já tínhamos detectado este ano que, por lapso, no início do caderno de respostas dos alunos não aparecia um sítio para se identificar qual a versão a que estava a ser respondida. Para corrigir esse lapso, foi enviado um documento que os alunos deviam preencher com essa indicação”, diz Cristina Mota. “Essa folha devia seguir juntamente com o caderno para digitalização.” Não terá acontecido.
https://www.publico.pt/
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Todos nós que estivemos a vigiar exames ficámos a olhar para o caderno de resposta dos alunos à procura do sítio onde escrever a versão da prova. Não havia e deram uma folha à parte para cada aluno escrever a versão da sua prova, cheia de porcarias de círculos que nós, professores, temos de andar a pintar a azul ou preto (calculo que a porcaria do programa não leia números e só leia bolas pintadas). Logo ali, percebemos que ia haver barraca com centenas de milhar de provas com folhas soltas lá dentro a indicar a versão da prova em vez dessa indicação vir no próprio caderno de respostas e ninguém percebeu a lógica desse procedimento.
Está explicado, quem mandou fazer ou desenhou os cadernos de resposta não sabe que têm versões.
De cada vez que se sabe mais uma cena dos exames as coisas ficam um bocadinho piores.
(...)
A história desta crise não começou este ano.
Em 2025, o exame de Filosofia serviu de projeto-piloto para a classificação digital. Os professores classificadores relataram inúmeros problemas: itens trocados, folhas de continuação desaparecidas, digitalizações incorretas, respostas que apareciam e desapareciam do ecrã e outras anomalias difíceis de compreender num sistema destinado a suportar um processo crítico. A principal conclusão parecia evidente: antes de generalizar o modelo, seria necessário um extenso trabalho de correção, validação e teste.
Importa também desfazer um equívoco que marcou o debate público.
O problema não foi político. Foi técnico.
A tecnologia falha. Sempre falhou e continuará a falhar.
(...)
Apesar de tudo, continuo otimista.
Portugal dispõe de excelentes engenheiros, excelentes especialistas em avaliação educacional e excelentes professores. Não falta competência ao país; faltou, desta vez, a capacidade de a mobilizar no momento certo. Os cargos distribuídos pelos boys do sistema pagam-se caro, sobretudo nos momentos de crise.João Marôco, https://www.publico.pt/
A plataforma não tem possibilidade de fazer uma busca. Um professor quer rever a classificação de três respostas já classificadas (uma situação que acontece sempre por diversas razões) e não tem maneira de ir directo a essas respostas. Tem que andar a ver todas as respostas e às vezes, tendo perdido nisso mais de uma hora, não as encontra.
As respostas chegam tão espaçadas no tempo -com dias de intervalo- que a ideia da correcção ser mais objectiva por o professor classificar as respostas no mesmo modo cai completamente por terra.
As respostas chegarem a 3 ou 4 dias do fim do prazo na ordem de centenas tira qualquer possibilidade de cuidadoso rigor na correcção.
Deviam adiar a 2ª fase para Setembro. Já agora o trabalho de turmas, horários e matrículas está atrasado com estes atrasos causados pelos problemas dos exames. Não podendo resolver esta catadupa de problemas até lá, voltar ao teste em papel até tudo estar resolvido. Senão, transferem para a 2ª fase os problemas da 1ª fase.
Levem o ano que vem a preparar como deve ser a próxima época de exames.
As notícias de andarem pessoas alheias e estranhas aos exames a 'visitar' os pacotes abertos de exames é grave.
Exames: respostas de alunos “em folhas erradas” são classificadas com “zero pontos”Isto não tem nada que ver com a perda das folhas de continuação ou com os erros da plataforma.
Público
Este ano não estou a classificar exames mas se estivesse, em todos os casos de respostas em que faltassem folhas de continuação ou aparecessem folhas de continuação que não são obviamente daquele exame ou as respostas aparecessem numa imagem turva impossível de ler ou algo afim, não havendo indicação específica do JNE quanto ao que fazer, atribuía automaticamente a cotação máxima. Isto para mim é óbvio. Uma pessoa não vai prejudicar um aluno por erros que não são da sua responsabilidade. Isto é o que faço nos testes ao longo do ano quando acontece enganar-me em qualquer coisa numa questão que impossibilita o aluno de responder bem e cabalmente. Atribuo a cotação máxima, independentemente do que ele tenha respondido.
O primeiro contrato do ME/IAVE para a digitalização de exames foi celebrado com a Blatstudio – MAF Serviços, Lda. (actualmente denominada Blat – Creative Powerhouse). O acordo foi formalizado em 2017, pelo valor de cerca de 30 mil euros, marcando a génese da relação contratual com o Estado para o desenvolvimento de plataformas de suporte e gestão de provas. (IA)
- 'alguém sabe de quem possa fazer um programa para digitalizar exames?'- sim, sim, sim! Tenho um primo que tem uma amiga que namora com fulano de tal que tem uma startup muito fixe - e são baratos'.- a sério? Ok, fala lá com o teu primo...
Fabian Figueiredo, https://www.publico.pt
Terceiro: remunerar extraordinariamente os professores que vão carregar essa vaga de reapreciações por agosto adentro; no secundário, hoje, classificam de graça.
E um pedido final, em nome da escola pública: parem. Não espalhem mais confusão. O país tem um problema gravíssimo de falta de professores, que este ano voltou a agravar-se; julho é o mês das matrículas, das turmas, da preparação do ano letivo, tudo agora em risco na cascata dos adiamentos. Não é o momento de mais experimentalismos: a revisão da carreira à pressa, o estatuto do diretor, novos modelos de gestão e educação inclusiva. Quem não conseguiu garantir a correção dos exames devia ter a humildade de não mudar tudo ao mesmo tempo.