Showing posts with label exames. Show all posts
Showing posts with label exames. Show all posts

July 24, 2026

E vão 2

 

Sociedade de Matemática identifica “erro formal” no exame da 2.ª fase
Em causa está o enunciado da questão cinco do exame nacional de Matemática A, realizado na quarta-feira, que não é “compatível com os passos apresentados nos critérios específicos de classificação”.
Público


Exames: foram afinal 18 mil, e não cinco mil, as notas que mudaram por causa de erros 
Público


July 22, 2026

1º, cortar a eito; 2º, logo se vê



Este artigo diz coisas certeiras e óbvias. Outras coisas óbvias: talvez se não tivessem posto o ensino escolar e o ensino universitário mais a ciência, a tecnologia e a inovação tudo na mesma pessoa as coisas tivessem corrido melhor. Talvez seja areia demais para uma só camioneta. Pelo que sabemos houve prejuízo na ciência fundamental. Finalmente, talvez um economista não seja o melhor perfil para um ministério de educação. Tem escrito no seu perfil público, Os seus interesses de investigação incluem a macroeconomia, os mercados financeiros e o desenvolvimento da economia portuguesa. A sua dissertação de doutoramento é a dissertação sobre política monetária e mercados financeiros. Se calhar devia estar no ministério da economia. Segundo o princípio da identidade, A é A = Um economista é um economista: 1º, cortar a eito; 2º logo se vê.


Não há relatório?! Como não há relatório?!
Isabel Mendes Lopes
DN
Ontem ficámos a saber que o ministério não tem um relatório sobre como correu o teste-piloto do exame de Filosofia do ano passado… Como assim? O objetivo de um projeto-piloto é EXATAMENTE ter um relatório sobre o que correu bem, o que correu mal, aspetos a melhorar, riscos a ter em conta, aprendizagens, etc, etc. É para isso que os projetos-pilotos servem: para testar e avançar com mais confiança para o processo definitivo.

Como é que alguém decide avançar para todo um novo processo de classificação dos Exames Nacionais sem analisar ao pormenor o projeto-piloto de há um ano? Estamos a falar de quase 170.000 alunos e o sistema não pode falhar a nenhum deles. Quem planeia uma transição para a correção digital dos exames tem de ser absolutamente rigoroso – e até obsessivo – a garantir que o sistema é fiável e confiável. Mas não foi isso que aconteceu.

Pelos vistos, no que já tem sido hábito deste Governo em várias áreas, decidiu-se avançar sem uma análise de risco cuidada, sem um plano de contingência para o caso das coisas correrem mal, sem ter noção de todas as consequências de cada passo e sem a prudência de continuar a fazer o processo de digitalização de forma faseada e controlada.
(...)
(excerto)

July 21, 2026

Detesto ter razão em certas coisas

 

Escrevi isto a 19 de Julho:

Passe a 2ª fase para Setembro. Dá tempo aos alunos de descansar e poder estudar para a 2ª fase. Dá tempo às escolas para fazer o seu trabalho de matrículas, turmas e horários, talvez dê tempo para perceber e resolver algumas das questões que mais emperraram o processo nesta fase e não se põe a jeito de ser considerado a Inês de Medeiros do ME. Vale a pena correr o risco de transformar o alarme em derrocada sem volta atrás?

Acabei mesmo agora de ouvir dizer que vai haver uma época em Setembro para todos os alunos que foram à 2ª fase, ou seja, a 2ª fase vai passar para Setembro... Então porque é que não fizeram logo isso? Para quê estes dias de exames agora com a consequência de atraso no trabalho nas escolas? Para quê?

Porque não há bom senso?


July 20, 2026

Pedro Duarte está em negação da realidade

 

Estou a ouvi-lo na CNN. Diz que houve alguns erros no processo dos exames, sim, mas nada de especial e o que problema foi a oposição empolar o assunto para ganhos políticos. A sério? Enviar notas às 9 e meia da noite, obrigar as escolas a estarem abertas para publicar notas à meia-noite e depois no sábado mais notas e no domingo mais um molhinho. Depois aparecerem de repente 1400 notas que não existiam. O governo está em total negação a empurrar a bola para os outros. Pacheco Pereira disse agora uma coisa importante. Há muito tempo, muito mesmo, os ministros tinham conselheiros das suas áreas, pessoas que estavam por dentro dos assuntos mas não estavam nos governos, como professores, por exemplo, que percebiam de políticas de educação. Agora tem a Deloitte. 


July 19, 2026

Exames: porque não há bom senso?

 

Razões para não insistir na 2ª fase dos exames já daqui a 3 dias:

- a 1ª fase, não só ainda não está acabada, como está cheia de furúnculos que o ME não sabe resolver.

- foi anunciada uma auditoria, necessária para compreender o que correu mal. Ora, é impossível, nestes três dias de intervalo entre as duas fases, mesmo que os problemas da 1ª fase já estivessem resolvidos, o que não estão, fazer uma auditoria para evitar o arrastamento dos mesmíssimos problemas para a 2ª fase. O governo quer mesmo repetir este circo e as suas consequências para daqui a três dias?

Porque não há bom senso? Porque teriam de admitir que o processo foi mal conduzido e pensado desde o início.

Porque não feita uma auditoria o ano passado, logo após o exame de Filosofia ter evidenciado os problemas que vieram a acontecer este ano, mas com muito maior gravidade devido à quantidade de provas a digitalizar - mais de 2 milhões de folhas de 360 mil provas? Ou dar-se-á o caso de terem feito uma auditoria mas não terem aprendido nada?

Ficámos hoje a saber por declarações do JNE do ano passado à TV que tanto eles como o IAVE aconselharem o ministro a não alargar o processo a todos os exames já este ano. Porque é que o ministro insistiu? Talvez porque tinha pressa em desmantelar todos os serviços do ME: vinha com essa fisgada. Como se costuma dizer, 'atirou fora o bebé com a água do banho'.

Depois, acontece que os governantes e o pessoal do ensino superior, de onde ele vem, têm uma visão limitada e cristalizada da educação escolar e de tudo o que lhe diz respeito e assumem que são questões menores e simples de realizar. Dá jeito para desvalorizar o trabalho e poder empobrecê-lo. Nessa medida, todos desvalorizam a complexidade e dificuldade dos problemas e erram na avaliação das soluções.

Volto a perguntar, porque não há bom senso? O governo quer mesmo repetir este circo daqui a três dias só para não dar o braço a torcer agora? É que já está todo torcido e se o alarme com os problemas da 1ª fase já foram o que se está a ver, se se repetem na 2ª fase, o que é o mais provável, passa do nível de alarme para o nível de derrocada. 

Não cuidar de levar a sério o problema passa uma imagem de falta de consciência da seriedade da situação, de falta de consideração pelas pessoas que os problemas atingem e preocupação exclusiva com a sua imagem. 

Passe a 2ª fase para Setembro. Dá tempo aos alunos de descansar e poder estudar para a 2ª fase. Dá tempo às escolas para fazer o seu trabalho de matrículas, turmas e horários, talvez dê tempo para perceber e resolver algumas das questões que mais emperraram o processo nesta fase e não se põe a jeito de ser considerado a Inês de Medeiros do ME. Vale a pena correr o risco de transformar o alarme em derrocada sem volta atrás?

July 18, 2026

Amazon já tem à venda folhas de continuação perdidas

 

Encomende já a sua.


Acho que este argumento de responsabilidade se aplica, em primeiro lugar, a si, não?




SIC - Ministro deixa aviso a diretores caso não afixem pautas

Ministro deixa aviso a diretores caso não afixem pautas: "São nomeados, não são funcionários das 9h às 17h

Espero que as escolas enviem ao ministro a conta das horas extraordinárias porque as escolas têm um horário de funcionamento e os funcionários também. Para que as notas saiam à noite ou no sábado é preciso estarem lá, não apenas o director, mas outros professores, que são quem faz o trabalho de receber o ficheiro, descarregar as notas, fazer as pautas e isso, alguém da secretaria e funcionários auxiliares, uns de apoio aos professores e direcção e, pelo menos um para guardar a porta de entrada na escola e dar informações aos alunos e pais que aparecem. Trabalhar à noite e/ou ao fim-de-semana não faz parte do horário de trabalho dos, 'não nomeados'.
Que circo...

July 17, 2026

As TVs falam como se as notas chegassem à escola já preparadas para afixar

 

É preciso desfazer o anonimato porque os exames são classificados sem o nome dos alunos. Depois é preciso fazer o cálculo das médias entre a nota de exame e a nota interna. Depois fazem as pautas já com o nome dos alunos e a respectivas notas, interna, de exame e média final. Isto é um trabalho de muitas horas, a não ser em casos de escolas com 20 alunos a fazer exame.  A esta hora já os serviços fecharam. Se só agora chegaram as informações com as classificações do JNE, alguém vai ficar a trabalhar hoje à noite ou no fim-de-semana para fazer isto tudo, para que as pautas possam ser afixadas na segunda-feira. 

Hugo Soares está na TV a culpar os professores, "porque estão contra as mudanças e resistem à mudança." Não há classe profissional que se tenham adaptado a tantas mudanças nos últimos 30 anos como os professores. 

E ainda diz que os professores classificadores estão muito satisfeitos com o processo de classificação digital. Isto é a mentira descarada. Quem é que pode estar satisfeito com esta barracada, o stress de estarem 24h por dia nas plataformas e no fim ouvi o PM e agora este a culpá-los.

Pensa que somos todos estúpidos.

Este indivíduo é um ignorante em relação a assuntos de educação e vai à TV fazer demagogia e normalizar a má decisão política. Se isto é contenção de danos, tem o efeito oposto. É ridículo o nível de disparates que diz. Quanto mais fala mais se enterra.

Agora está o ministro a dizer que a responsabilidade é dos directores.

Isto é miserável. Primeiro a culpa é dos professores dos agrupamentos de exame, depois dos professores classificadores e agora dos directores. É como se não houvesse ME e tivessem sido as escolas a decidir e gerir este processo totalmente incompetente.

E aposto que vão teimar em repetir esta barracada daqui a uns dias na 2ª fase.


Como é possível manter a confiança neste ME?

 

Ouço o ministro dizer que tudo foi alarmista, que está tudo classificado, que tudo foi feito com rigor e muito bem, que a segunda fase vai ser excelente... 

Estas declarações, ou têm uma intenção de falsidade ou são uma negação total da realidade demonstrando uma incapacidade de a ler e, seja um caso ou outro, como é possível manter a confiança neste ME? Não vejo como uma pessoa com uma destas características pode resolver os complexos problemas da educação e das escolas.

Aliás, os professores classificadores que se cuidem porque esta situação só não vai cair para cima deles porque a dimensão da incompetência foi de tal ordem que tornou-se um assunto nacional. Porém, se as barracadas tivessem afectado apenas uns 50 professores, por exemplo, crucificavam esses professores para desviar de si as responsabilidades. Assim como assim o ME e, sobretudo o PM, tentaram transferir as suas incapacidades para os professores.


July 16, 2026

Em busca da folha de continuação perdida

 


roubado no FB


Já sabíamos, era óbvio

 

Exames nacionais: Ministro diz que “há risco" de as notas não serem publicadas amanhã.

Expresso

Só não entendo porque é que, assim que os problemas se avolumaram em qualidade e quantidade, não anunciaram logo que havia problemas, que tinham sido feitas opções que resultaram mal e que iam conter os danos o melhor possível e depois perceber o que foi mal feito e rectificar os procedimentos para o futuro. 

Era só isto e tinham evitado todo o alarido que se criou à volta do tema devido a tentarem esconder os factos e manipular as narrativas.

July 15, 2026

Senhor PM, continue assim que vai bem...

 

Luís Montenegro reconhece que o processo de digitalização e posterior correção é complexo e difícil, mas diz que há professores que estão contra esta mudança e estão a criar todo este clima que está a perturbar o processo.

-------

Montenegro acusa os professores de serem responsáveis pelas barracas dos exames. O ME e o governo não têm nenhuma responsabilidade. Estavam calmamente a lidar com um processo complexo e os professores tomaram estas decisões todas contra o processo: contrataram as firmas, desenharam a plataforma, receberam os 8 milhões, esconderam as folhas de continuação, engataram a plataforma, mandaram digitalizar mal os exames, mandaram o ME dar desculpas esfarrapadas, etc., etc.,  etc.,  etc.,  etc.,  etc.,  etc.,  etc.,  etc.,  etc.,  etc.,  etc.,  etc.,  etc., etc.,  etc....

O PM e o ME anunciam que o processo é complexo e difícil. Jura? Se tivesse perguntado aos professores eles tinham-lhe dito. Ah, compreendo! Nunca pensaram que o processo fosse tão complexo porque afinal os professores das escolas, essa gente menor, fazia aquilo sem espinhas. 

Já temos pouca confiança nas instituições e o PM quer cavar um bocadinho mais esse fosso. 

Senhor PM, continue assim que vai bem. 

nota: sabe onde é que é proibido ser pessimista? Na China. Deve saber que as pessoas que criticam o governo e chamam a atenção para o que está mal são consideradas culpadas de pessimismo e castigadas. Não é um bom modelo de governança para se copiar.

July 14, 2026

Está explicado

 

Que versão foi respondida pelo alunos? À beira do fim do prazo, escolas recebem novo pedido de informação

“Nós já tínhamos detectado este ano que, por lapso, no início do caderno de respostas dos alunos não aparecia um sítio para se identificar qual a versão a que estava a ser respondida. Para corrigir esse lapso, foi enviado um documento que os alunos deviam preencher com essa indicação”, diz Cristina Mota. “Essa folha devia seguir juntamente com o caderno para digitalização.” Não terá acontecido.

https://www.publico.pt/

-------------

Todos nós que estivemos a vigiar exames ficámos a olhar para o caderno de resposta dos alunos à procura do sítio onde escrever a versão da prova. Não havia e deram uma folha à parte para cada aluno escrever a versão da sua prova, cheia de porcarias de círculos que nós, professores, temos de andar a pintar a azul ou preto (calculo que a porcaria do programa não leia números e só leia bolas pintadas). Logo ali, percebemos que ia haver barraca com centenas de milhar de provas com folhas soltas lá dentro a indicar a versão da prova em vez dessa indicação vir no próprio caderno de respostas e ninguém percebeu a lógica desse procedimento.

Está explicado, quem mandou fazer ou desenhou os cadernos de resposta não sabe que têm versões.

De cada vez que se sabe mais uma cena dos exames as coisas ficam um bocadinho piores.


Exames - O problema não foi técnico, foi político



(...) 
A história desta crise não começou este ano.

Em 2025, o exame de Filosofia serviu de projeto-piloto para a classificação digital. Os professores classificadores relataram inúmeros problemas: itens trocados, folhas de continuação desaparecidas, digitalizações incorretas, respostas que apareciam e desapareciam do ecrã e outras anomalias difíceis de compreender num sistema destinado a suportar um processo crítico. A principal conclusão parecia evidente: antes de generalizar o modelo, seria necessário um extenso trabalho de correção, validação e teste.

Importa também desfazer um equívoco que marcou o debate público.

O problema não foi político. Foi técnico.

A tecnologia falha. Sempre falhou e continuará a falhar.
(...)
Apesar de tudo, continuo otimista.

Portugal dispõe de excelentes engenheiros, excelentes especialistas em avaliação educacional e excelentes professores. Não falta competência ao país; faltou, desta vez, a capacidade de a mobilizar no momento certo. Os cargos distribuídos pelos boys do sistema pagam-se caro, sobretudo nos momentos de crise.

João Marôco, https://www.publico.pt/
-------------

O problema não foi técnico, foi político, como o próprio o diz: 

1º - Houve o recurso a uma empresa-boy amadora e sem referências neste tipo de trabalho, apesar de "Portugal dispor de excelentes engenheiros, excelentes especialistas em avaliação educacional e excelentes professores."

2º - Houve um teste piloto com os exames de Filosofia feito com um ano de antecedência onde tudo correu mal como agora (a propósito: ontem disseram-me que no ano passado as notas do exame de Filosofia foram todas redondas o que, a ser verdade, é uma coincidência tão grande que não parece ser coincidência) e, no entanto, o responsável do Ministério tomou a decisão política de manter tudo na mesma, sem sequer ter a prudência de pedir a "excelentes engenheiros, excelentes especialistas " que verificassem, independentemente, a causa de tantos problemas técnicos.

Isto já impressiona muito mal, mas pior que este desastre, anunciado há um ano, foram as explicações algo infantis do ministro, a fazer lembrar as desculpas dos alunos quando fazem as coisas mal: os professores agrafaram provas em cim do código; talvez não faltem folhas de continuação e o caso será os alunos não porem ponto final nas frases; os professores classificadores não foram bem escolhidos; os pais foram imprudentes e outras patetices do género.

Se tivesse havido a decisão política de averiguar quem é a firma escolhida por outro governo para o trabalho e se após os erros do ano passado tivesse havido a consciência de que não estavam à altura e a decisão política de ir buscar técnicos especialistas competentes, o ministro não estaria agora neste aperto.

July 13, 2026

Exames - outras questões

 

A plataforma não tem possibilidade de fazer uma busca. Um professor quer rever a classificação de três respostas já classificadas (uma situação que acontece sempre por diversas razões) e não tem maneira de ir directo a essas respostas. Tem que andar a ver todas as respostas e às vezes, tendo perdido nisso mais de uma hora, não as encontra.

As respostas chegam tão espaçadas no tempo -com dias de intervalo- que a ideia da correcção ser mais objectiva por o professor classificar as respostas no mesmo modo cai completamente por terra. 

As respostas chegarem a 3 ou 4 dias do fim do prazo na ordem de centenas tira qualquer possibilidade de cuidadoso rigor na correcção.

Deviam adiar a 2ª fase para Setembro. Já agora o trabalho de turmas, horários e matrículas está atrasado com estes atrasos causados pelos problemas dos exames. Não podendo resolver esta catadupa de problemas até lá, voltar ao teste em papel até tudo estar resolvido. Senão, transferem para a 2ª fase os problemas da 1ª fase.

Levem o ano que vem a preparar como deve ser a próxima época de exames.

As notícias de andarem pessoas alheias e estranhas aos exames a 'visitar' os pacotes abertos de exames é grave.


July 10, 2026

Quando os jornais não sabem do que estão a falar deviam calar-se

 

Exames: respostas de alunos “em folhas erradas” são classificadas com “zero pontos”

Público
Isto não tem nada que ver com a perda das folhas de continuação ou com os erros da plataforma. 
Acontece que este ano os alunos não podem escrever as respostas em qualquer folha do caderno de respostas. Há uma folha destinada para a questão 1., outra para a 2. e assim por diante. No cabeçalho de cada folha está identificada qual é a resposta que pertence ali. Aliás, é por isso que são necessárias folhas de continuação. Se a folha em que o aluno deve responder à questão x não chegar, tem de acabar a resposta numa folha de continuação. Acontece que há folhas de continuação que já vêm com o caderno de respostas e outras que não e são dadas à parte e metidas depois no meio das outras folhas. É confuso? Sim e devem ter sido estas folhas soltas que se perderam, mas calculo que a intenção tenha sido facilitar o processo de digitalização, para os que fazem esse trabalho não terem de andar à procura das respostas. Então, se o aluno responde à questão 1. na folha da questão 2., por exemplo, tem zero pontos, porque eles são avisados que cada questão tem uma folha de resposta própria.
Quando os jornais não sabem do que estão a falar deviam calar-se para não confundir ainda mais.

Coisas óbvias

 

Este ano não estou a classificar exames mas se estivesse, em todos os casos de respostas em que faltassem folhas de continuação ou aparecessem folhas de continuação que não são obviamente daquele exame ou as respostas aparecessem numa imagem turva impossível de ler ou algo afim, não havendo indicação específica do JNE quanto ao que fazer, atribuía automaticamente a cotação máxima. Isto para mim é óbvio. Uma pessoa não vai prejudicar um aluno por erros que não são da sua responsabilidade. Isto é o que faço nos testes ao longo do ano quando acontece enganar-me em qualquer coisa numa questão que impossibilita o aluno de responder bem e cabalmente. Atribuo a cotação máxima, independentemente do que ele tenha respondido.


Exames: pôr as coisas em perspectiva



O primeiro contrato do ME/IAVE para a digitalização de exames foi celebrado com a Blatstudio – MAF Serviços, Lda. (actualmente denominada Blat – Creative Powerhouse). O acordo foi formalizado em 2017, pelo valor de cerca de 30 mil euros, marcando a génese da relação contratual com o Estado para o desenvolvimento de plataformas de suporte e gestão de provas. (IA)

Portanto, quem fez o contrato inicial com esta firma foi o ME do governo de Costa, Tiago Brandão, com João Costa como SE. Em 2022, já com João Costa como ME, o contrato continuou: a empresa foi contratada em 2023, durante o mandato de João Costa, para desenvolver a plataforma digital de apoio à avaliação externa. 

Portanto, o contrato com esta empresa não foi da autoria deste ministro, mas dos anteriores do governo de Costa. Como terá isto começado? Bem, sabendo nós o primismo que caracterizou o governo de Costa, calculo que terá sido algo do género:
- 'alguém sabe de quem possa fazer um programa para digitalizar exames?'

- sim, sim, sim! Tenho um primo que tem uma amiga que namora com fulano de tal que tem uma startup muito fixe - e são baratos'.

- a sério? Ok, fala lá com o teu primo...
Claro que este ministro não devia ter confiado numa empresa (sobretudo tendo sido contratada por ajuste directo nesse governo) sem rever o contrato, o historial da empresa e os serviços efectivamente prestados, nomeadamente no exame de Filosofia do ano passado e, mais ainda, quando os problemas começaram, não devia ter tentado empurrar os problemas para a frente e responsabilizar os classificadores.

Era bom que de vez em quando algum político aprendesse a lição dos custos do primismo para o país.

---------------------
Fabian Figueiredo, https://www.publico.pt 
Terceiro: remunerar extraordinariamente os professores que vão carregar essa vaga de reapreciações por agosto adentro; no secundário, hoje, classificam de graça.

E um pedido final, em nome da escola pública: parem. Não espalhem mais confusão. O país tem um problema gravíssimo de falta de professores, que este ano voltou a agravar-se; julho é o mês das matrículas, das turmas, da preparação do ano letivo, tudo agora em risco na cascata dos adiamentos. Não é o momento de mais experimentalismos: a revisão da carreira à pressa, o estatuto do diretor, novos modelos de gestão e educação inclusiva. Quem não conseguiu garantir a correção dos exames devia ter a humildade de não mudar tudo ao mesmo tempo.

 

July 08, 2026

Exames - tudo parece amador e imprudente




Muitas empresas metidas no processo, sendo a principal uma micro-startup. Vão sendo chamadas empresas para corrigir erros de outras que foram chamadas anteriormente, que não foram capazes de lidar com o volume gargantuesco da missão. Como é possível garantir sigilo e rigor no meio desta confusão? Há muita coisa a corrigir neste processo. Muita mesmo. E convinha que isso fosse feito por alguém competente e interessado na qualidade da escola pública.


Plataforma de classificação dos exames foi escolhida em 2017: programadores “eram excepcionais e muito rápidos”

O nome Blat foi revelado pelo ministro. Foi quem fez uma das plataformas que têm dado problemas. Ex-presidente do Iave explica porque a escolheu em 2017. Lista de clientes retirada do site da empresa.

"Se nos dissessem que iríamos nascer num quarto da casa dos pais dos nossos fundadores, a trabalhar remotamente, e hoje em dia teríamos o nosso próprio estúdio, com uma equipa que duplicaria a cada ano e mais de 50 clientes, não teríamos acreditado. Mas reza a história que foi exactamente isso que aconteceu." Assim começava até esta terça-feira à tarde a apresentação da Blat Studio, no seu site. Trata-se de uma empresa que tem como propósito "reinventar as bases do marketing digital", que explicava que tem entre os seus clientes partidos políticos (PS e PSD), empresas como a Navigator ou o Santander, universidades, Parlamento Europeu e também o Instituto de Avaliação Educativa (Iave) — organismo que deu lugar no ano passado ao Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (Edqua), que coordena os exames nacionais. Ao final da tarde, esta informação tinha sido retirada do site.

A Blat foi uma de várias empresas que desenvolveram soluções ou forneceram serviços para a digitalização da classificação das provas do ensino básico e secundário — de que tanto se tem falado nas últimas semanas. Tal como o PÚBLICO noticiou no sábado, só desde 2023 foram publicados no Portal Base (que agrega informação sobre contratos públicos) 16 contratos relacionados com a avaliação digital, no valor de mais de sete milhões de euros, a que se soma mais um, publicado nesta segunda-feira, de 1,3 milhões.

Com a estreia, este ano, da classificação digital das provas do secundário, que também contam para o acesso ao ensino superior, e as falhas sucessivas que marcaram o início da classificação (que devia ter começado a 23 de Junho), o tema ganhou relevância. Mas o ministério de Fernando Alexandre foi sempre recusando responder às perguntas sobre que entidades estavam envolvidas no novo sistema e quais as falhas em concreto que levaram àquilo que tem sido descrito como "o caos nos exames".

E assim foi, até esta segunda-feira. Numa visita ao centro de digitalização, para a qual foram convidados jornalistas, o ministro Fernando Alexandre e o secretário de Estado Adjunto e da Educação Alexandre Homem Cristo explicaram, finalmente, que nos últimos dias se registaram problemas em duas plataformas distintas: uma do próprio Eduqa; e outra, desenvolvida por uma empresa que colabora com o ministério "desde 2018".

A primeira plataforma é aquela que "recebe" as provas já digitalizadas, sendo estas "partidas" item a item (resposta a resposta). Esses itens são depois "carregados" para uma outra plataforma, na qual são distribuídos pelos professores classificadores e classificados.

Na plataforma que o ministério diz ser do Eduqa, houve "questões", como "provas mal digitalizadas". Na segunda, externa, houve “questões de programação”, acrescentaram ministro e secretário de Estado, quando questionados sobre os erros que continuavam a ser reportados, 13 dias passados desde o início do período de classificação das provas. Depois de alguma insistência, o ministro disse que a empresa que desenvolveu a segunda plataforma se chamava Blat. O secretário de Estado acrescentou: "Blat Studios. Acho que é assim o nome, pelo menos do ponto de vista formal dos seus registos."

Uma micro-empresa.

A primeira adjudicação é de 2017: segundo o Portal Base, o ajuste directo, no valor de 30.375 euros, foi assinado com a então Blatstudio — MAF Serviços, Lda. Objecto do contrato: "Construção do módulo de classificação de provas práticas e upgrade à classificação de respostas e administração do SCOI (Sistema de Classificação Online do Iave)". O primeiro teste-piloto da plataforma aconteceu em 2018, com uma amostra de provas de aferição feitas digitalmente por alunos do 8.º ano, recorda ao PÚBLICO Helder Sousa, ex-presidente do Iave, que saiu em 2019 do instituto. "Correu bem, o sistema foi muito apreciado pelos professores, foi sendo actualizado e chegou a ter uma versão 4."

"O SCOI era uma plataforma exclusivamente para classificação" de provas feitas pelos alunos digitalmente, continua Helder Sousa, que o PÚBLICO contactou com o objectivo de perceber, desde logo, se se trata da mesma plataforma em uso este ano.

O ex-presidente do Iave diz que, em rigor, não sabe, uma vez que há muito deixou o Iave. Além de que essa plataforma foi pensada para a classificação de provas digitais, e as do secundário são respondidas em papel e só posteriormente digitalizadas. "Mas a plataforma de classificação disponibiliza imagens das respostas, por isso deve aceitar imagens provindas quer de uma plataforma digital de testes, realizados nesse formato, ou de uma fonte que gere imagens digitalizadas a partir do papel."

Certo é que o ex-dirigente defende a escolha que o Iave fez na altura: "[A Blat] era uma micro-empresa, uma startup, com pessoas com muita qualidade, com programadores excepcionais, muito bons, muito rápidos e com grande capacidade de resposta." Além disso, prestavam serviços a um preço abaixo do praticado a nível internacional.

O SCOI previa uma série de funcionalidades, como saber em tempo real a percentagem de itens classificados, ou permitir que os supervisores dos classificadores pudessem comunicar com cada professor do seu grupo, como se lê no contrato então assinado pelo IAVE.

O sistema foi testado noutros projectos e teve sempre bom feedback de todos os envolvidos, diz Helder Sousa. "Os professores classificadores reduziram bastante o seu tempo de trabalho, não precisavam andar a preencher folhas Excel, os itens podiam ser reclassificados por outros professores e se houvesse uma grande disparidade de resultados podia entrar um terceiro professor. Uma vez classificados os itens desapareciam da área do professor, mas no dia seguinte podiam aparecer mais para classificar, os professores sabiam que tinham de ir monitorizando a sua área. É um pouco como um médico nas urgências — se está de serviço, pode ser chamado", explica. (não, não é. Um médico na urgência, quando chega a hora de sair, sai e não lhe enviam doentes para casa. Também não tem prazo fixo para entregar o serviço, digamos assim, tanto pode levar um dia a tratar um doente como dez e o doente até pode falecer. Depende do doente e da sua doença. Um classificador, supondo que trabalha das 9 da manhã até às 6 da tarde, quando sai do trabalho, não sabe que lhe enviaram mais mais 80 testes para classificar, dentro do prazo fixo de entrega, que não é alargado por causa desse acréscimo de trabalho. Logo, o ME dá como certo que o professor se mantém 24 horas por dia ao serviço, 7 dias por semana, não vá caírem mais umas dezenas de testes na véspera de ter de os entregar, avaliados e classificados)

"Há enormes vantagens no sistema de avaliação digital", defende. "Obviamente que é lamentável o que está a acontecer este ano, mas também acredito que são erros de crescimento e que vão servir para aprender e melhorar no futuro", diz Helder Sousa.
Salão de cabeleireiro e design gráfico

A Blatstudio — MAF Serviços, de 2017, que aparece como tendo um código de actividade económica que inclui áreas tão diversas como “salões de cabeleireiro, instituto de beleza e estética, serviços de design gráfico, edição de SIM,branding, desenvolvimento de produto” é a Blat Creative Powerhouse, Lda, com quem o Iave assinou, a 13 de Abril de 2023, um novo contrato para "actualização do sistema de classificação online do Iave — SCOI"? Nem a Blat Studio, nem o ministério deram respostas. Os números de identificação fiscal de uma e de outra empresa não são iguais.

A Blat Creative Powerhouse, Lda detém hoje a Blat Studio. Com sede em Lisboa, nasceu há seis anos, tem actividade económica nas áreas do "design, comunicação (gestão de redes sociais), desenvolvimento de actividades tecnológicas, produção áudio, produção vídeo, consultoria (em comunicação e desenvolvimento)". Emprega 14 pessoas. O valor do contrato com o Iave em 2023, por ajuste directo, e já com Luís Santos como presidente, é de 19.080 euros.

​Explicava o caderno de encargos de 2023: "Considerando a massificação da classificação das provas de aferição a realizar em 2023 e o piloto das provas finais é fundamental fazer uma actualização geral do SCOI a ser implementada em Abril de 2023."

"Revisão e actualização da utilização de certificados de segurança; ligação da autenticação à plataforma de classificação e supervisão do IAVE; ligação ao autenticação.gov", eram alguns dos requisitos técnicos a actualizar ou a acrescentar.
8 milhões de euros em três anos

A digitalização da avaliação externa foi uma das reformas previstas no âmbito do Programa de Recuperação e Resiliência (2021). Em 2023, quando João Costa era ministro da Educação, foram pela primeira vez realizadas provas de aferição no 2.º, 5.º e 8.º anos em formato digital.

Em 2024, as provas finais do 9.º ano — ​que, ao contrário das de aferição, valem 30% da nota final da disciplina — deveriam ter sido feitas também em formato digital. Mas o novo Governo decidiu adiar, por entender que não estavam reunidas as condições para que fossem feitas nesse formato. Em 2025, avançaram as provas digitais no 9.º e as provas Moda (que vieram substituir as de aferição) também digitais. Em 2026 avançou a classificação digital de 350 mil provas de mais de 160 mil alunos do 11.º e 12.º anos.

De 2023 até agora, o Iave assinou 17 contratos directamente ligados à avaliação externa, para serviços de consultadoria técnico-pedagógica; plataformas; serviços cloud; equipamentos digitalizadores, no montante de 8,4 milhões de euros (a que se soma ainda o IVA). O maior foi assinado com a empresa Axianseu II Digital Consulting SA, que pertence ao grupo francês Vinci, para que seja desenvolvida uma Plataforma de Gestão do Processo de Aplicação das Provas de Avaliação Externa do Ensino Básico e Secundário, chamada GAEBS, que deverá "substituir todas as plataformas de gestão das provas de avaliação externa actualmente existentes". Tem um valor de perto de 1,5 milhões de euros.

O mais recente foi publicado nesta segunda-feira, no valor de quase 1,3 milhões de euros. Após um concurso internacional foi adjudicado à FSAS Technologies S.L. — Portugal (empresa da multinacional japonesa Fujitsu) serviços que incluem uma "solução de segurança" que deve garantir "o sigilo total relativo às provas e restantes processos e documentos conexos" relacionados com a desmaterialização da avaliação externa.

Helder Sousa mantém-se um defensor da digitalização. Mas nota que uma coisa é classificar digitalmente provas que foram respondidas também digitalmente pelos alunos (era essa a ideia do SCOI); e outra é classificar digitalmente provas que foram feitas em papel. "Digitalizar milhares de provas em papel é kafkiano e aumenta a margem de erro. Mas acredito que se vai resolver. Foi boa a decisão do ministro anunciar ontem [segunda-feira] que os alunos poderão no final consultar as suas provas, é importante a transparência. E não vejo nenhuma razão para que haja alarme social. Se for preciso ajustar dois ou três dias o concurso nacional de acesso ao ensino superior para garantir que tudo está bem, não vejo drama nenhum."

Nem o ministério, nem o Eduqa, nem a Blat responderam às perguntas enviadas por escrito pelo PÚBLICO.