Alunos a fazer exames com uma temperatura em Setúbal de 40º. Bárbaro.
Alunos a fazer exames com uma temperatura em Setúbal de 40º. Bárbaro.
Vi uma parte das desculpas explicações do ME na AR e estou a ver agora uma discussão na CNN. Sem desprimor para os outros intervenientes na discussão, Cristina Mota da Missão Escola Pública e Alberto Veronesi falam muito bem. Ela vai sempre direita ao ponto material que interessa. E entre todos não deixam escapar nenhum ponto que importe. É bom que a comunicação social não seja dominada pelas narrativas manipuladoras dos governos. Chamo a isto oposição responsável e esclarecida.
Quando um ministro (podia ser outra figura política) é promovido nos círculos internos políticos e da administração pública, a génio da lâmpada, cria-se uma aura à sua volta que funciona como bloqueio dos factos, por mais óbvios que sejam e lhes batam na cara. Esses círculos onde essas pessoas vivem em circuito fechado impermeável à realidade, alimentam o ego umas das outras de tal modo que o seu discurso, que antes, quando estavam na oposição era lúcido, vira-se do avesso e passa a atribuir os falhanços a críticas maldosas, a desinformação, má fé, imprensa negativa, povo burro, etc.
Costa, antes de promover alguém desconhecido a ministro ou SE mandava publicar no jornal do costume um artigo de página inteira a fazer a apologia da genialidade dessa pessoa, para que se criasse uma aura em volta dela, amortecedora dos estragos que viesse a fazer. Uma espécie de Jesus revestido de luz que encandeia os olhos.
O problema dessa estratégia está em que as pessoas comuns vivem na realidade das consequências das decisões políticas onde nenhuma aura resplandecente resiste aos estragos derivados da incompetência. Mas como essas pessoas vivem em círculos que escapam à realidade, as consequências das más decisões passam-lhes ao lado. Têm sempre o posto dourado, o cargo na Europa, o lugar de administrador não executivo, etc. (é por isso que também não partilho da opinião de que os políticos ganham mal)
Este ME tem essa aura dentro do governo e satélites, talvez por ter um doutoramento feito em Inglaterra que é algo que impressiona sempre os nativos. A narrativa sobre a sua genialidade é de tal ordem que ninguém acredita, nem face aos factos mais óbvios, que ele possa ter agido mal e uns dizem que é invenção, outros exagero, outros chegam ao ponto de falar em sabotagem.
Apesar de saberem desde o início, calculo, que o ME é uma pessoa sem nenhum crédito na educação e que a sua formação e interesses são na economia e macroeconomia. Não obstante esse facto, como fazem parte da maioria que assume que quem é bom numa coisa é bom nas outras, depositaram nele fé cega. Dado ele ver que tem a fé e boa opinião de tantos que ocupam cargos importantes, naturalmente também se há-de pensar melhor que os outros em tudo, mesmo naquilo de que não sabe.
De cada vez que o ouço falar de questões pedagógicas reforço mais esta opinião. A última vez que o ouvi repetia que estas classificações são mais objectivas (quando na verdade só são mais uniformes - a uniformidade não a mesma coisa que a objectividade) e dizia com orgulho, à laia de exemplo, que agora há muitas classificações de 9,3 e 9,4 porque os professores já não têm acesso à totalidade do exame. É assim que vemos que ele não percebe de questões pedagógicas escolares.
Vemos perfeitamente que no seu entendimento de leigo, um professor que sobe uma nota de 9,4 para 9,5 (para o aluno poder passar) é subjectivo e agora que o professor não tem acesso à nota final do aluno (uma vez que classifica apenas um item) não pode subir essa décima e isso é uma prova de independência e objectividade. Não é. É antes uma demonstração de falta de compreensão básica do carácter pedagógico da avaliação.
Os professores subirem uma nota de 9,4 ou 9,3 para 9,5 (o número é arredondado para 10 e permite ao aluno passar) abona a favor da inteligência pedagógica do professor.
Nenhuma classificação é absolutamente objectiva. Nenhuma. Nem mesmo em disciplinas como a matemática. Há sempre uma margem para interpretação que é subjectiva. Na Filosofia leccionamos a Lógica Proposicional (que até há uma dezena de anos era trabalhada na Matemática). Temos a noção ainda mais clara de que, mesmo nessa matéria onde os problemas são abordados em linguagem formal e resolvidos com recurso a fórmulas (ex: p →q; ¬q ∴¬p) há sempre lugar a interpretação, embora muito menor que nas respostas escritas, abertas, de argumentação informal. Qualquer professor sabe que não existe isso da nota ser objectiva e absolutamente 9,4 e, nessa medida, não vai estupidamente defender o 9,4 em duelo mortal quando o que está em causa não é uma nota entre muitas outras com as quais vai fazer média, mas uma nota final que decide a passagem ou reprovação do aluno. Isto é ser pedagógico e é óbvio para qualquer professor. Não é é para o ME.
Quando as pessoas se movem em círculos onde todos têm uma opinião tão excelente de si e a reforçam continuamente, deixam de ser capazes de lidar com os próprios factos e a sua relação com eles.
Fora desses circuitos fechados, há os que entendem a política como um clube da bola que apoiam ou atacam desde a bancada. Colegas meus que são do PS, do PCP e do BE, desde que este ministro ocupou a pasta, falam dele como se fosse o demónio; os do PSD e mais à direita falam como se ele fosse o cúmulo da genialidade e não viram em toda esta incompetência dos exames mais que um erro ou outro exagerado.
É impressionante ver os factos crescerem a tamanhos de adamastor ou sumirem como fantasmas à medida da ideologia de cada um.
A dizer que garante que tudo está a correr às mil maravilhas. Vai pagar aos professores classificadores 1 euro por correcção o que significa um pagamento de 4 euros à hora, mais coisa menos coisa. Os professores estão doidos de alegria. É justíssimo e vale bem a pena perder dias de férias e encher-se de stress para arcar com as culpas da incompetência bárbara que foram os exames da 1ª fase.
Entretanto, professores reportam erros na 2.ª fase, ministério garante que não se confirmam. Portanto, ministro garante que é mentira e agora quer um tempo curto para as classificações de prova que é como quem diz: mete aí uma porcaria de uma nota para despachamos esta merde.
Tudo em nome do rigor, da qualidade e do interesse dos alunos, claro.
De facto, isto vai de vento em popa! Para o abismo.
Exames: professores reportam erros na 2.ª fase, ministério garante que não se confirmam
Na plataforma onde estão a ser avaliados os exames feitos pelos alunos na 2.ª fase das provas nacionais, que decorreu na semana passada, há docentes a reportar "falta de folhas de continuação" e "problemas na digitalização". Outros queixam-se de estar a receber novas levas de provas, quando lhes tinha sido prometido que desta vez saberiam com o que contar. "Neste momento é impossível dizermos que decorre normalmente, os problemas são muito semelhantes aos da 1.ª fase [dos exames nacionais], ainda que em menor número", diz Cristina Mota, porta-voz do movimento Missão Escola Pública.
Já a Federação Nacional de Professores (Fenprof) emitiu um comunicado indignando-se com as orientações que estão a ser recebidas por alguns docentes. "Depois de centenas de professores terem assegurado, em condições extremamente difíceis, a classificação da 1.ª fase, surgem agora orientações que determinam que, se um classificador não registar classificações num determinado período de tempo, as provas lhe sejam retiradas e redistribuídas."
www.publico.pt
Sociedade de Matemática identifica “erro formal” no exame da 2.ª fase
Escrevi isto a 19 de Julho:
Passe a 2ª fase para Setembro. Dá tempo aos alunos de descansar e poder estudar para a 2ª fase. Dá tempo às escolas para fazer o seu trabalho de matrículas, turmas e horários, talvez dê tempo para perceber e resolver algumas das questões que mais emperraram o processo nesta fase e não se põe a jeito de ser considerado a Inês de Medeiros do ME. Vale a pena correr o risco de transformar o alarme em derrocada sem volta atrás?
Acabei mesmo agora de ouvir dizer que vai haver uma época em Setembro para todos os alunos que foram à 2ª fase, ou seja, a 2ª fase vai passar para Setembro... Então porque é que não fizeram logo isso? Para quê estes dias de exames agora com a consequência de atraso no trabalho nas escolas? Para quê?
Porque não há bom senso?
Estou a ouvi-lo na CNN. Diz que houve alguns erros no processo dos exames, sim, mas nada de especial e o que problema foi a oposição empolar o assunto para ganhos políticos. A sério? Enviar notas às 9 e meia da noite, obrigar as escolas a estarem abertas para publicar notas à meia-noite e depois no sábado mais notas e no domingo mais um molhinho. Depois aparecerem de repente 1400 notas que não existiam. O governo está em total negação a empurrar a bola para os outros. Pacheco Pereira disse agora uma coisa importante. Há muito tempo, muito mesmo, os ministros tinham conselheiros das suas áreas, pessoas que estavam por dentro dos assuntos mas não estavam nos governos, como professores, por exemplo, que percebiam de políticas de educação. Agora tem a Deloitte.
Razões para não insistir na 2ª fase dos exames já daqui a 3 dias:
- a 1ª fase, não só ainda não está acabada, como está cheia de furúnculos que o ME não sabe resolver.
- foi anunciada uma auditoria, necessária para compreender o que correu mal. Ora, é impossível, nestes três dias de intervalo entre as duas fases, mesmo que os problemas da 1ª fase já estivessem resolvidos, o que não estão, fazer uma auditoria para evitar o arrastamento dos mesmíssimos problemas para a 2ª fase. O governo quer mesmo repetir este circo e as suas consequências para daqui a três dias?
Porque não há bom senso? Porque teriam de admitir que o processo foi mal conduzido e pensado desde o início.
Porque não feita uma auditoria o ano passado, logo após o exame de Filosofia ter evidenciado os problemas que vieram a acontecer este ano, mas com muito maior gravidade devido à quantidade de provas a digitalizar - mais de 2 milhões de folhas de 360 mil provas? Ou dar-se-á o caso de terem feito uma auditoria mas não terem aprendido nada?
Ficámos hoje a saber por declarações do JNE do ano passado à TV que tanto eles como o IAVE aconselharem o ministro a não alargar o processo a todos os exames já este ano. Porque é que o ministro insistiu? Talvez porque tinha pressa em desmantelar todos os serviços do ME: vinha com essa fisgada. Como se costuma dizer, 'atirou fora o bebé com a água do banho'.
Depois, acontece que os governantes e o pessoal do ensino superior, de onde ele vem, têm uma visão limitada e cristalizada da educação escolar e de tudo o que lhe diz respeito e assumem que são questões menores e simples de realizar. Dá jeito para desvalorizar o trabalho e poder empobrecê-lo. Nessa medida, todos desvalorizam a complexidade e dificuldade dos problemas e erram na avaliação das soluções.
Volto a perguntar, porque não há bom senso? O governo quer mesmo repetir este circo daqui a três dias só para não dar o braço a torcer agora? É que já está todo torcido e se o alarme com os problemas da 1ª fase já foram o que se está a ver, se se repetem na 2ª fase, o que é o mais provável, passa do nível de alarme para o nível de derrocada.SIC - Ministro deixa aviso a diretores caso não afixem pautasMinistro deixa aviso a diretores caso não afixem pautas: "São nomeados, não são funcionários das 9h às 17h
É preciso desfazer o anonimato porque os exames são classificados sem o nome dos alunos. Depois é preciso fazer o cálculo das médias entre a nota de exame e a nota interna. Depois fazem as pautas já com o nome dos alunos e a respectivas notas, interna, de exame e média final. Isto é um trabalho de muitas horas, a não ser em casos de escolas com 20 alunos a fazer exame. A esta hora já os serviços fecharam. Se só agora chegaram as informações com as classificações do JNE, alguém vai ficar a trabalhar hoje à noite ou no fim-de-semana para fazer isto tudo, para que as pautas possam ser afixadas na segunda-feira.
Hugo Soares está na TV a culpar os professores, "porque estão contra as mudanças e resistem à mudança." Não há classe profissional que se tenham adaptado a tantas mudanças nos últimos 30 anos como os professores.
E ainda diz que os professores classificadores estão muito satisfeitos com o processo de classificação digital. Isto é a mentira descarada. Quem é que pode estar satisfeito com esta barracada, o stress de estarem 24h por dia nas plataformas e no fim ouvi o PM e agora este a culpá-los.
Pensa que somos todos estúpidos.
Este indivíduo é um ignorante em relação a assuntos de educação e vai à TV fazer demagogia e normalizar a má decisão política. Se isto é contenção de danos, tem o efeito oposto. É ridículo o nível de disparates que diz. Quanto mais fala mais se enterra.
Agora está o ministro a dizer que a responsabilidade é dos directores.
Isto é miserável. Primeiro a culpa é dos professores dos agrupamentos de exame, depois dos professores classificadores e agora dos directores. É como se não houvesse ME e tivessem sido as escolas a decidir e gerir este processo totalmente incompetente.
E aposto que vão teimar em repetir esta barracada daqui a uns dias na 2ª fase.
Ouço o ministro dizer que tudo foi alarmista, que está tudo classificado, que tudo foi feito com rigor e muito bem, que a segunda fase vai ser excelente...
Estas declarações, ou têm uma intenção de falsidade ou são uma negação total da realidade demonstrando uma incapacidade de a ler e, seja um caso ou outro, como é possível manter a confiança neste ME? Não vejo como uma pessoa com uma destas características pode resolver os complexos problemas da educação e das escolas.
Aliás, os professores classificadores que se cuidem porque esta situação só não vai cair para cima deles porque a dimensão da incompetência foi de tal ordem que tornou-se um assunto nacional. Porém, se as barracadas tivessem afectado apenas uns 50 professores, por exemplo, crucificavam esses professores para desviar de si as responsabilidades. Assim como assim o ME e, sobretudo o PM, tentaram transferir as suas incapacidades para os professores.
Exames nacionais: Ministro diz que “há risco" de as notas não serem publicadas amanhã.Expresso
Luís Montenegro reconhece que o processo de digitalização e posterior correção é complexo e difícil, mas diz que há professores que estão contra esta mudança e estão a criar todo este clima que está a perturbar o processo.
Que versão foi respondida pelo alunos? À beira do fim do prazo, escolas recebem novo pedido de informação
“Nós já tínhamos detectado este ano que, por lapso, no início do caderno de respostas dos alunos não aparecia um sítio para se identificar qual a versão a que estava a ser respondida. Para corrigir esse lapso, foi enviado um documento que os alunos deviam preencher com essa indicação”, diz Cristina Mota. “Essa folha devia seguir juntamente com o caderno para digitalização.” Não terá acontecido.
https://www.publico.pt/
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Todos nós que estivemos a vigiar exames ficámos a olhar para o caderno de resposta dos alunos à procura do sítio onde escrever a versão da prova. Não havia e deram uma folha à parte para cada aluno escrever a versão da sua prova, cheia de porcarias de círculos que nós, professores, temos de andar a pintar a azul ou preto (calculo que a porcaria do programa não leia números e só leia bolas pintadas). Logo ali, percebemos que ia haver barraca com centenas de milhar de provas com folhas soltas lá dentro a indicar a versão da prova em vez dessa indicação vir no próprio caderno de respostas e ninguém percebeu a lógica desse procedimento.
Está explicado, quem mandou fazer ou desenhou os cadernos de resposta não sabe que têm versões.
De cada vez que se sabe mais uma cena dos exames as coisas ficam um bocadinho piores.
(...)
A história desta crise não começou este ano.
Em 2025, o exame de Filosofia serviu de projeto-piloto para a classificação digital. Os professores classificadores relataram inúmeros problemas: itens trocados, folhas de continuação desaparecidas, digitalizações incorretas, respostas que apareciam e desapareciam do ecrã e outras anomalias difíceis de compreender num sistema destinado a suportar um processo crítico. A principal conclusão parecia evidente: antes de generalizar o modelo, seria necessário um extenso trabalho de correção, validação e teste.
Importa também desfazer um equívoco que marcou o debate público.
O problema não foi político. Foi técnico.
A tecnologia falha. Sempre falhou e continuará a falhar.
(...)
Apesar de tudo, continuo otimista.
Portugal dispõe de excelentes engenheiros, excelentes especialistas em avaliação educacional e excelentes professores. Não falta competência ao país; faltou, desta vez, a capacidade de a mobilizar no momento certo. Os cargos distribuídos pelos boys do sistema pagam-se caro, sobretudo nos momentos de crise.João Marôco, https://www.publico.pt/
A plataforma não tem possibilidade de fazer uma busca. Um professor quer rever a classificação de três respostas já classificadas (uma situação que acontece sempre por diversas razões) e não tem maneira de ir directo a essas respostas. Tem que andar a ver todas as respostas e às vezes, tendo perdido nisso mais de uma hora, não as encontra.
As respostas chegam tão espaçadas no tempo -com dias de intervalo- que a ideia da correcção ser mais objectiva por o professor classificar as respostas no mesmo modo cai completamente por terra.
As respostas chegarem a 3 ou 4 dias do fim do prazo na ordem de centenas tira qualquer possibilidade de cuidadoso rigor na correcção.
Deviam adiar a 2ª fase para Setembro. Já agora o trabalho de turmas, horários e matrículas está atrasado com estes atrasos causados pelos problemas dos exames. Não podendo resolver esta catadupa de problemas até lá, voltar ao teste em papel até tudo estar resolvido. Senão, transferem para a 2ª fase os problemas da 1ª fase.
Levem o ano que vem a preparar como deve ser a próxima época de exames.
As notícias de andarem pessoas alheias e estranhas aos exames a 'visitar' os pacotes abertos de exames é grave.