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August 03, 2026

Exames

 

Vi uma parte das desculpas explicações do ME na AR e estou a ver agora uma discussão na CNN. Sem desprimor para os outros intervenientes na discussão, Cristina Mota da Missão Escola Pública e Alberto Veronesi falam muito bem. Ela vai sempre direita ao ponto material que interessa. E entre todos não deixam escapar nenhum ponto que importe. É bom que a comunicação social não seja dominada pelas narrativas manipuladoras dos governos. Chamo a isto oposição responsável e esclarecida.


August 01, 2026

Uma lição tirada desta saga dos exames

 

Quando um ministro (podia ser outra figura política) é promovido nos círculos internos políticos e da administração pública, a génio da lâmpada, cria-se uma aura à sua volta que funciona como bloqueio dos factos, por mais óbvios que sejam e lhes batam na cara. Esses círculos onde essas pessoas vivem em circuito fechado impermeável à realidade, alimentam o ego umas das outras de tal modo que o seu discurso, que antes, quando estavam na oposição era lúcido, vira-se do avesso e passa a atribuir os falhanços a críticas maldosas, a desinformação, má fé, imprensa negativa, povo burro, etc. 

Costa, antes de promover alguém desconhecido a ministro ou SE mandava publicar no jornal do costume um artigo de página inteira a fazer a apologia da genialidade dessa pessoa, para que se criasse uma aura em volta dela, amortecedora dos estragos que viesse a fazer. Uma espécie de Jesus revestido de luz que encandeia os olhos. 

O problema dessa estratégia está em que as pessoas comuns vivem na realidade das consequências das decisões políticas onde nenhuma aura resplandecente resiste aos estragos derivados da incompetência. Mas como essas pessoas vivem em círculos que escapam à realidade, as consequências das más decisões passam-lhes ao lado. Têm sempre o posto dourado, o cargo na Europa, o lugar de administrador não executivo, etc. (é por isso que também não partilho da opinião de que os políticos ganham mal)

Este ME tem essa aura dentro do governo e satélites, talvez por ter um doutoramento feito em Inglaterra que é algo que impressiona sempre os nativos. A narrativa sobre a sua genialidade é de tal ordem que ninguém acredita, nem face aos factos mais óbvios, que ele possa ter agido mal e uns dizem que é invenção, outros exagero, outros chegam ao ponto de falar em sabotagem. 

Apesar de saberem desde o início, calculo, que o ME é uma pessoa sem nenhum crédito na educação e que a sua formação e interesses são na economia e macroeconomia. Não obstante esse facto, como fazem parte da maioria que assume que quem é bom numa coisa é bom nas outras, depositaram nele fé cega. Dado ele ver que tem a fé e boa opinião de tantos que ocupam cargos importantes, naturalmente também se há-de pensar melhor que os outros em tudo, mesmo naquilo de que não sabe.

De cada vez que o ouço falar de questões pedagógicas reforço mais esta opinião. A última vez que o ouvi repetia que estas classificações são mais objectivas (quando na verdade só são mais uniformes - a uniformidade não a mesma coisa que a objectividade) e dizia com orgulho, à laia de exemplo, que agora há muitas classificações de 9,3 e 9,4 porque os professores já não têm acesso à totalidade do exame. É assim que vemos que ele não percebe de questões pedagógicas escolares. 

Vemos perfeitamente que no seu entendimento de leigo, um professor que sobe uma nota de 9,4 para 9,5 (para o aluno poder passar) é subjectivo e agora que o professor não tem acesso à nota final do aluno (uma vez que classifica apenas um item) não pode subir essa décima e isso é uma prova de independência e objectividade. Não é. É antes uma demonstração de falta de compreensão básica do carácter pedagógico da avaliação.

Os professores subirem uma nota de 9,4 ou 9,3 para 9,5 (o número é arredondado para 10 e permite ao aluno passar) abona a favor da inteligência pedagógica do professor. 

Nenhuma classificação é absolutamente objectiva. Nenhuma. Nem mesmo em disciplinas como a matemática. Há sempre uma margem para interpretação que é subjectiva. Na Filosofia leccionamos a Lógica Proposicional (que até há uma dezena de anos era trabalhada na Matemática). Temos a noção ainda mais clara de que, mesmo nessa matéria onde os problemas são abordados em linguagem formal e resolvidos com recurso a fórmulas (ex: p →q; ¬q ∴¬p) há sempre lugar a interpretação, embora muito menor que nas respostas escritas, abertas, de argumentação informal. Qualquer professor sabe que não existe isso da nota ser objectiva e absolutamente 9,4 e, nessa medida, não vai estupidamente defender o 9,4 em duelo mortal quando o que está em causa não é uma nota entre muitas outras com as quais vai fazer média, mas uma nota final que decide a passagem ou reprovação do aluno. Isto é ser pedagógico e é óbvio para qualquer professor. Não é é para o ME.

Quando as pessoas se movem em círculos onde todos têm uma opinião tão excelente de si e a reforçam continuamente, deixam de ser capazes de lidar com os próprios factos e a sua relação com eles.

Fora desses circuitos fechados, há os que entendem a política como um clube da bola que apoiam ou atacam desde a bancada. Colegas meus que são do PS, do PCP e do BE, desde que este ministro ocupou a pasta, falam dele como se fosse o demónio; os do PSD e mais à direita falam como se ele fosse o cúmulo da genialidade e não viram em toda esta incompetência dos exames mais que um erro ou outro exagerado. 

É impressionante ver os factos crescerem a tamanhos de adamastor ou sumirem como fantasmas à medida da ideologia de cada um.


Uma pedrada no charco

 


Os “teóricos” da educação também são a favor da inovação 

Carlos Ceia 
Professor Catedrático da FCSH da Universidade Nova de Lisboa

Esta ruidosa cortina de fumo tecnológica abafa convenientemente a falta de discussão sobre um problema estrutural muito mais corrosivo: a continuada deriva facilitista dos exames portugueses. Sempre que o poder político decide impor uma mudança tecnológica de cima para baixo no sistema educativo, o guião repete-se com uma previsibilidade confrangedora. De um lado, ergue-se o estandarte luminoso da “inovação”; do outro, atira-se para a fogueira mediática quem ouse questionar o ritmo ou a forma, rapidamente rotulado como Velho do Restelo ou, o insulto supremo nestas andanças, “teórico da educação”. Foi essa a estratégia de defesa do primeiro-ministro na crise da classificação digital dos exames, glosada pelo seu ministro da Educação. 

O debate sobre a desmaterialização e classificação digital em massa dos exames nacionais em Portugal é o exemplo perfeito desta falsa dicotomia. Perante a pressa governativa em migrar um processo de avaliação colossal para plataformas digitais, surgiram vozes do meio académico, pedagógico, civil e sindical a pedir cautela. Não pediram a interrupção do progresso. Não exigiram o regresso à pena e ao tinteiro, nem a recusa cega da tecnologia. Pediram, pura e simplesmente, prudência. Uma prudência que, estranhamente, é logo tratada nos corredores do poder como uma heresia ao progresso. 

Mas que culpa tem a “modernidade” das invocações blasfemas que lhe dirigem? 

O que os apelidados “teóricos” defendem é nada mais do que o elementar bom senso. A classificação de exames nacionais não é um mero teste lúdico; é um processo de altíssima sensibilidade que define o acesso ao ensino superior e a justiça de todo o sistema para dezenas de milhares de jovens. Os países mais desenvolvidos que o fazem há anos não escolheram esse caminho de um dia para o outro. Avançar para uma transição digital abrupta e em massa sem testes de controlo rigorosos, sem a garantia prévia e testada da robustez do software e, sobretudo, sem um plano de contingência claro para o momento em que os servidores falharem, não é arrojo tecnológico, é jogar na roleta russa institucional. 
Os “teóricos” da educação conhecem precisamente estas lições. A investigação em avaliação educativa, em gestão da mudança organizacional e em tecnologias educativas demonstra, há décadas, que as reformas sustentáveis são aquelas que respeitam princípios de experimentação controlada, monitorização contínua e correcção progressiva dos problemas identificados. Ignorar este conhecimento acumulado não é um sinal de coragem política; é um desperdício de evidência científica. 

A transição digital da avaliação é um passo desejável no século XXI. A agilização logística, a segurança no transporte de provas e o cruzamento de dados são argumentos fortes. No entanto, em qualquer organização que leve a sério a sua integridade, uma alteração estrutural desta magnitude far-se-ia por etapas controladas e seguras. Começar-se-ia com projectos-piloto em disciplinas com menos alunos, avaliando a fiabilidade do sistema sob carga, a ergonomia do software para os milhares de professores classificadores e a invulnerabilidade dos dados. Corrigir-se-iam os bugs, afinar-se-iam as redundâncias de rede e os planos B. Só depois, com a segurança validada no terreno, se faria o avanço a nível nacional. Isso, sim, é mudança a pensar no futuro. 

Mais grave ainda, esta ruidosa cortina de fumo tecnológica abafa convenientemente a falta de discussão sobre um problema estrutural muito mais corrosivo: a continuada deriva facilitista dos exames portugueses. Tome-se o caso gritante do exame de Português, minado por critérios de classificação cientificamente discutíveis e por opções de tipologia de provas mais do que duvidosas, desenhadas para inflacionar estatísticas. Quando esta tempestade digital passar e os ecrãs se apagarem, será imperativo avaliar os estragos causados pela deliberada opção por exames que, na prática, nada avaliam. Ao nivelar a exigência por baixo para fabricar sucesso escolar, o sistema atira as suas falhas para a frente, empurrando para o ensino superior a responsabilidade de tentar cauterizar as muitas feridas e lacunas que este modelo produz na formação dos alunos à saída da escolaridade obrigatória. 

Em Portugal, padecemos frequentemente de uma febre de pseudomodernização. Há uma necessidade voraz, por parte de quem governa, de apresentar vitórias “modernas” e disruptivas para consumo imediato nos telejornais. A digitalização forçada e apressada dos exames serve perfeitamente este propósito: é uma medida de choque, reluzente, que permite reclamar a vanguarda da educação digital europeia em tempo de mandato. 

Defender que o Estado não use as provas de acesso à universidade como cobaia para testes beta de um software implementado à pressa, e que já tinha dado muitos erros no ano anterior na fase de piloto, não é ser reaccionário: é proteger a confiança das famílias nas instituições. Os “teóricos”, neste debate, são apenas os adultos na sala, a lembrar que construir uma casa pelo telhado, por muito que as telhas tenham ecrãs tácteis, continua a ser uma péssima ideia. A verdadeira modernização não se decreta por vaidade política; constrói-se com segurança, método e, acima de tudo, competência.

Público

July 31, 2026

Estou a ver o ME na TV

 

A dizer que garante que tudo está a correr às mil maravilhas. Vai pagar aos professores classificadores 1 euro por correcção o que significa um pagamento de 4 euros à hora, mais coisa menos coisa. Os professores estão doidos de alegria. É justíssimo e vale bem a pena perder dias de férias e encher-se de stress para arcar com as culpas da incompetência bárbara que foram os exames da 1ª fase.

Entretanto, professores reportam erros na 2.ª fase, ministério garante que não se confirmam. Portanto, ministro garante que é mentira e agora quer um tempo curto para as classificações de prova que é como quem diz: mete aí uma porcaria de uma nota para despachamos esta merde

Tudo em nome do rigor, da qualidade e do interesse dos alunos, claro.

De facto, isto vai de vento em popa! Para o abismo.

Exames: professores reportam erros na 2.ª fase, ministério garante que não se confirmam
Na plataforma onde estão a ser avaliados os exames feitos pelos alunos na 2.ª fase das provas nacionais, que decorreu na semana passada, há docentes a reportar "falta de folhas de continuação" e "problemas na digitalização". Outros queixam-se de estar a receber novas levas de provas, quando lhes tinha sido prometido que desta vez saberiam com o que contar. "Neste momento é impossível dizermos que decorre normalmente, os problemas são muito semelhantes aos da 1.ª fase [dos exames nacionais], ainda que em menor número", diz Cristina Mota, porta-voz do movimento Missão Escola Pública. 

Já a Federação Nacional de Professores (Fenprof) emitiu um comunicado indignando-se com as orientações que estão a ser recebidas por alguns docentes. "Depois de centenas de professores terem assegurado, em condições extremamente difíceis, a classificação da 1.ª fase, surgem agora orientações que determinam que, se um classificador não registar classificações num determinado período de tempo, as provas lhe sejam retiradas e redistribuídas."

www.publico.pt


July 24, 2026

E vão 2

 

Sociedade de Matemática identifica “erro formal” no exame da 2.ª fase
Em causa está o enunciado da questão cinco do exame nacional de Matemática A, realizado na quarta-feira, que não é “compatível com os passos apresentados nos critérios específicos de classificação”.
Público


Exames: foram afinal 18 mil, e não cinco mil, as notas que mudaram por causa de erros 
Público


July 22, 2026

1º, cortar a eito; 2º, logo se vê



Este artigo diz coisas certeiras e óbvias. Outras coisas óbvias: talvez se não tivessem posto o ensino escolar e o ensino universitário mais a ciência, a tecnologia e a inovação tudo na mesma pessoa as coisas tivessem corrido melhor. Talvez seja areia demais para uma só camioneta. Pelo que sabemos houve prejuízo na ciência fundamental. Finalmente, talvez um economista não seja o melhor perfil para um ministério de educação. Tem escrito no seu perfil público, Os seus interesses de investigação incluem a macroeconomia, os mercados financeiros e o desenvolvimento da economia portuguesa. A sua dissertação de doutoramento é a dissertação sobre política monetária e mercados financeiros. Se calhar devia estar no ministério da economia. Segundo o princípio da identidade, A é A = Um economista é um economista: 1º, cortar a eito; 2º logo se vê.


Não há relatório?! Como não há relatório?!
Isabel Mendes Lopes
DN
Ontem ficámos a saber que o ministério não tem um relatório sobre como correu o teste-piloto do exame de Filosofia do ano passado… Como assim? O objetivo de um projeto-piloto é EXATAMENTE ter um relatório sobre o que correu bem, o que correu mal, aspetos a melhorar, riscos a ter em conta, aprendizagens, etc, etc. É para isso que os projetos-pilotos servem: para testar e avançar com mais confiança para o processo definitivo.

Como é que alguém decide avançar para todo um novo processo de classificação dos Exames Nacionais sem analisar ao pormenor o projeto-piloto de há um ano? Estamos a falar de quase 170.000 alunos e o sistema não pode falhar a nenhum deles. Quem planeia uma transição para a correção digital dos exames tem de ser absolutamente rigoroso – e até obsessivo – a garantir que o sistema é fiável e confiável. Mas não foi isso que aconteceu.

Pelos vistos, no que já tem sido hábito deste Governo em várias áreas, decidiu-se avançar sem uma análise de risco cuidada, sem um plano de contingência para o caso das coisas correrem mal, sem ter noção de todas as consequências de cada passo e sem a prudência de continuar a fazer o processo de digitalização de forma faseada e controlada.
(...)
(excerto)

July 21, 2026

Detesto ter razão em certas coisas

 

Escrevi isto a 19 de Julho:

Passe a 2ª fase para Setembro. Dá tempo aos alunos de descansar e poder estudar para a 2ª fase. Dá tempo às escolas para fazer o seu trabalho de matrículas, turmas e horários, talvez dê tempo para perceber e resolver algumas das questões que mais emperraram o processo nesta fase e não se põe a jeito de ser considerado a Inês de Medeiros do ME. Vale a pena correr o risco de transformar o alarme em derrocada sem volta atrás?

Acabei mesmo agora de ouvir dizer que vai haver uma época em Setembro para todos os alunos que foram à 2ª fase, ou seja, a 2ª fase vai passar para Setembro... Então porque é que não fizeram logo isso? Para quê estes dias de exames agora com a consequência de atraso no trabalho nas escolas? Para quê?

Porque não há bom senso?


July 20, 2026

Pedro Duarte está em negação da realidade

 

Estou a ouvi-lo na CNN. Diz que houve alguns erros no processo dos exames, sim, mas nada de especial e o que problema foi a oposição empolar o assunto para ganhos políticos. A sério? Enviar notas às 9 e meia da noite, obrigar as escolas a estarem abertas para publicar notas à meia-noite e depois no sábado mais notas e no domingo mais um molhinho. Depois aparecerem de repente 1400 notas que não existiam. O governo está em total negação a empurrar a bola para os outros. Pacheco Pereira disse agora uma coisa importante. Há muito tempo, muito mesmo, os ministros tinham conselheiros das suas áreas, pessoas que estavam por dentro dos assuntos mas não estavam nos governos, como professores, por exemplo, que percebiam de políticas de educação. Agora tem a Deloitte. 


July 19, 2026

Exames: porque não há bom senso?

 

Razões para não insistir na 2ª fase dos exames já daqui a 3 dias:

- a 1ª fase, não só ainda não está acabada, como está cheia de furúnculos que o ME não sabe resolver.

- foi anunciada uma auditoria, necessária para compreender o que correu mal. Ora, é impossível, nestes três dias de intervalo entre as duas fases, mesmo que os problemas da 1ª fase já estivessem resolvidos, o que não estão, fazer uma auditoria para evitar o arrastamento dos mesmíssimos problemas para a 2ª fase. O governo quer mesmo repetir este circo e as suas consequências para daqui a três dias?

Porque não há bom senso? Porque teriam de admitir que o processo foi mal conduzido e pensado desde o início.

Porque não feita uma auditoria o ano passado, logo após o exame de Filosofia ter evidenciado os problemas que vieram a acontecer este ano, mas com muito maior gravidade devido à quantidade de provas a digitalizar - mais de 2 milhões de folhas de 360 mil provas? Ou dar-se-á o caso de terem feito uma auditoria mas não terem aprendido nada?

Ficámos hoje a saber por declarações do JNE do ano passado à TV que tanto eles como o IAVE aconselharem o ministro a não alargar o processo a todos os exames já este ano. Porque é que o ministro insistiu? Talvez porque tinha pressa em desmantelar todos os serviços do ME: vinha com essa fisgada. Como se costuma dizer, 'atirou fora o bebé com a água do banho'.

Depois, acontece que os governantes e o pessoal do ensino superior, de onde ele vem, têm uma visão limitada e cristalizada da educação escolar e de tudo o que lhe diz respeito e assumem que são questões menores e simples de realizar. Dá jeito para desvalorizar o trabalho e poder empobrecê-lo. Nessa medida, todos desvalorizam a complexidade e dificuldade dos problemas e erram na avaliação das soluções.

Volto a perguntar, porque não há bom senso? O governo quer mesmo repetir este circo daqui a três dias só para não dar o braço a torcer agora? É que já está todo torcido e se o alarme com os problemas da 1ª fase já foram o que se está a ver, se se repetem na 2ª fase, o que é o mais provável, passa do nível de alarme para o nível de derrocada. 

Não cuidar de levar a sério o problema passa uma imagem de falta de consciência da seriedade da situação, de falta de consideração pelas pessoas que os problemas atingem e preocupação exclusiva com a sua imagem. 

Passe a 2ª fase para Setembro. Dá tempo aos alunos de descansar e poder estudar para a 2ª fase. Dá tempo às escolas para fazer o seu trabalho de matrículas, turmas e horários, talvez dê tempo para perceber e resolver algumas das questões que mais emperraram o processo nesta fase e não se põe a jeito de ser considerado a Inês de Medeiros do ME. Vale a pena correr o risco de transformar o alarme em derrocada sem volta atrás?

July 18, 2026

Amazon já tem à venda folhas de continuação perdidas

 

Encomende já a sua.


Acho que este argumento de responsabilidade se aplica, em primeiro lugar, a si, não?




SIC - Ministro deixa aviso a diretores caso não afixem pautas

Ministro deixa aviso a diretores caso não afixem pautas: "São nomeados, não são funcionários das 9h às 17h

Espero que as escolas enviem ao ministro a conta das horas extraordinárias porque as escolas têm um horário de funcionamento e os funcionários também. Para que as notas saiam à noite ou no sábado é preciso estarem lá, não apenas o director, mas outros professores, que são quem faz o trabalho de receber o ficheiro, descarregar as notas, fazer as pautas e isso, alguém da secretaria e funcionários auxiliares, uns de apoio aos professores e direcção e, pelo menos um para guardar a porta de entrada na escola e dar informações aos alunos e pais que aparecem. Trabalhar à noite e/ou ao fim-de-semana não faz parte do horário de trabalho dos, 'não nomeados'.
Que circo...

July 17, 2026

As TVs falam como se as notas chegassem à escola já preparadas para afixar

 

É preciso desfazer o anonimato porque os exames são classificados sem o nome dos alunos. Depois é preciso fazer o cálculo das médias entre a nota de exame e a nota interna. Depois fazem as pautas já com o nome dos alunos e a respectivas notas, interna, de exame e média final. Isto é um trabalho de muitas horas, a não ser em casos de escolas com 20 alunos a fazer exame.  A esta hora já os serviços fecharam. Se só agora chegaram as informações com as classificações do JNE, alguém vai ficar a trabalhar hoje à noite ou no fim-de-semana para fazer isto tudo, para que as pautas possam ser afixadas na segunda-feira. 

Hugo Soares está na TV a culpar os professores, "porque estão contra as mudanças e resistem à mudança." Não há classe profissional que se tenham adaptado a tantas mudanças nos últimos 30 anos como os professores. 

E ainda diz que os professores classificadores estão muito satisfeitos com o processo de classificação digital. Isto é a mentira descarada. Quem é que pode estar satisfeito com esta barracada, o stress de estarem 24h por dia nas plataformas e no fim ouvi o PM e agora este a culpá-los.

Pensa que somos todos estúpidos.

Este indivíduo é um ignorante em relação a assuntos de educação e vai à TV fazer demagogia e normalizar a má decisão política. Se isto é contenção de danos, tem o efeito oposto. É ridículo o nível de disparates que diz. Quanto mais fala mais se enterra.

Agora está o ministro a dizer que a responsabilidade é dos directores.

Isto é miserável. Primeiro a culpa é dos professores dos agrupamentos de exame, depois dos professores classificadores e agora dos directores. É como se não houvesse ME e tivessem sido as escolas a decidir e gerir este processo totalmente incompetente.

E aposto que vão teimar em repetir esta barracada daqui a uns dias na 2ª fase.


Como é possível manter a confiança neste ME?

 

Ouço o ministro dizer que tudo foi alarmista, que está tudo classificado, que tudo foi feito com rigor e muito bem, que a segunda fase vai ser excelente... 

Estas declarações, ou têm uma intenção de falsidade ou são uma negação total da realidade demonstrando uma incapacidade de a ler e, seja um caso ou outro, como é possível manter a confiança neste ME? Não vejo como uma pessoa com uma destas características pode resolver os complexos problemas da educação e das escolas.

Aliás, os professores classificadores que se cuidem porque esta situação só não vai cair para cima deles porque a dimensão da incompetência foi de tal ordem que tornou-se um assunto nacional. Porém, se as barracadas tivessem afectado apenas uns 50 professores, por exemplo, crucificavam esses professores para desviar de si as responsabilidades. Assim como assim o ME e, sobretudo o PM, tentaram transferir as suas incapacidades para os professores.


July 16, 2026

Em busca da folha de continuação perdida

 


roubado no FB


Já sabíamos, era óbvio

 

Exames nacionais: Ministro diz que “há risco" de as notas não serem publicadas amanhã.

Expresso

Só não entendo porque é que, assim que os problemas se avolumaram em qualidade e quantidade, não anunciaram logo que havia problemas, que tinham sido feitas opções que resultaram mal e que iam conter os danos o melhor possível e depois perceber o que foi mal feito e rectificar os procedimentos para o futuro. 

Era só isto e tinham evitado todo o alarido que se criou à volta do tema devido a tentarem esconder os factos e manipular as narrativas.

July 15, 2026

Senhor PM, continue assim que vai bem...

 

Luís Montenegro reconhece que o processo de digitalização e posterior correção é complexo e difícil, mas diz que há professores que estão contra esta mudança e estão a criar todo este clima que está a perturbar o processo.

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Montenegro acusa os professores de serem responsáveis pelas barracas dos exames. O ME e o governo não têm nenhuma responsabilidade. Estavam calmamente a lidar com um processo complexo e os professores tomaram estas decisões todas contra o processo: contrataram as firmas, desenharam a plataforma, receberam os 8 milhões, esconderam as folhas de continuação, engataram a plataforma, mandaram digitalizar mal os exames, mandaram o ME dar desculpas esfarrapadas, etc., etc.,  etc.,  etc.,  etc.,  etc.,  etc.,  etc.,  etc.,  etc.,  etc.,  etc.,  etc.,  etc., etc.,  etc....

O PM e o ME anunciam que o processo é complexo e difícil. Jura? Se tivesse perguntado aos professores eles tinham-lhe dito. Ah, compreendo! Nunca pensaram que o processo fosse tão complexo porque afinal os professores das escolas, essa gente menor, fazia aquilo sem espinhas. 

Já temos pouca confiança nas instituições e o PM quer cavar um bocadinho mais esse fosso. 

Senhor PM, continue assim que vai bem. 

nota: sabe onde é que é proibido ser pessimista? Na China. Deve saber que as pessoas que criticam o governo e chamam a atenção para o que está mal são consideradas culpadas de pessimismo e castigadas. Não é um bom modelo de governança para se copiar.

July 14, 2026

Está explicado

 

Que versão foi respondida pelo alunos? À beira do fim do prazo, escolas recebem novo pedido de informação

“Nós já tínhamos detectado este ano que, por lapso, no início do caderno de respostas dos alunos não aparecia um sítio para se identificar qual a versão a que estava a ser respondida. Para corrigir esse lapso, foi enviado um documento que os alunos deviam preencher com essa indicação”, diz Cristina Mota. “Essa folha devia seguir juntamente com o caderno para digitalização.” Não terá acontecido.

https://www.publico.pt/

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Todos nós que estivemos a vigiar exames ficámos a olhar para o caderno de resposta dos alunos à procura do sítio onde escrever a versão da prova. Não havia e deram uma folha à parte para cada aluno escrever a versão da sua prova, cheia de porcarias de círculos que nós, professores, temos de andar a pintar a azul ou preto (calculo que a porcaria do programa não leia números e só leia bolas pintadas). Logo ali, percebemos que ia haver barraca com centenas de milhar de provas com folhas soltas lá dentro a indicar a versão da prova em vez dessa indicação vir no próprio caderno de respostas e ninguém percebeu a lógica desse procedimento.

Está explicado, quem mandou fazer ou desenhou os cadernos de resposta não sabe que têm versões.

De cada vez que se sabe mais uma cena dos exames as coisas ficam um bocadinho piores.


Exames - O problema não foi técnico, foi político



(...) 
A história desta crise não começou este ano.

Em 2025, o exame de Filosofia serviu de projeto-piloto para a classificação digital. Os professores classificadores relataram inúmeros problemas: itens trocados, folhas de continuação desaparecidas, digitalizações incorretas, respostas que apareciam e desapareciam do ecrã e outras anomalias difíceis de compreender num sistema destinado a suportar um processo crítico. A principal conclusão parecia evidente: antes de generalizar o modelo, seria necessário um extenso trabalho de correção, validação e teste.

Importa também desfazer um equívoco que marcou o debate público.

O problema não foi político. Foi técnico.

A tecnologia falha. Sempre falhou e continuará a falhar.
(...)
Apesar de tudo, continuo otimista.

Portugal dispõe de excelentes engenheiros, excelentes especialistas em avaliação educacional e excelentes professores. Não falta competência ao país; faltou, desta vez, a capacidade de a mobilizar no momento certo. Os cargos distribuídos pelos boys do sistema pagam-se caro, sobretudo nos momentos de crise.

João Marôco, https://www.publico.pt/
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O problema não foi técnico, foi político, como o próprio o diz: 

1º - Houve o recurso a uma empresa-boy amadora e sem referências neste tipo de trabalho, apesar de "Portugal dispor de excelentes engenheiros, excelentes especialistas em avaliação educacional e excelentes professores."

2º - Houve um teste piloto com os exames de Filosofia feito com um ano de antecedência onde tudo correu mal como agora (a propósito: ontem disseram-me que no ano passado as notas do exame de Filosofia foram todas redondas o que, a ser verdade, é uma coincidência tão grande que não parece ser coincidência) e, no entanto, o responsável do Ministério tomou a decisão política de manter tudo na mesma, sem sequer ter a prudência de pedir a "excelentes engenheiros, excelentes especialistas " que verificassem, independentemente, a causa de tantos problemas técnicos.

Isto já impressiona muito mal, mas pior que este desastre, anunciado há um ano, foram as explicações algo infantis do ministro, a fazer lembrar as desculpas dos alunos quando fazem as coisas mal: os professores agrafaram provas em cim do código; talvez não faltem folhas de continuação e o caso será os alunos não porem ponto final nas frases; os professores classificadores não foram bem escolhidos; os pais foram imprudentes e outras patetices do género.

Se tivesse havido a decisão política de averiguar quem é a firma escolhida por outro governo para o trabalho e se após os erros do ano passado tivesse havido a consciência de que não estavam à altura e a decisão política de ir buscar técnicos especialistas competentes, o ministro não estaria agora neste aperto.

July 13, 2026

Exames - outras questões

 

A plataforma não tem possibilidade de fazer uma busca. Um professor quer rever a classificação de três respostas já classificadas (uma situação que acontece sempre por diversas razões) e não tem maneira de ir directo a essas respostas. Tem que andar a ver todas as respostas e às vezes, tendo perdido nisso mais de uma hora, não as encontra.

As respostas chegam tão espaçadas no tempo -com dias de intervalo- que a ideia da correcção ser mais objectiva por o professor classificar as respostas no mesmo modo cai completamente por terra. 

As respostas chegarem a 3 ou 4 dias do fim do prazo na ordem de centenas tira qualquer possibilidade de cuidadoso rigor na correcção.

Deviam adiar a 2ª fase para Setembro. Já agora o trabalho de turmas, horários e matrículas está atrasado com estes atrasos causados pelos problemas dos exames. Não podendo resolver esta catadupa de problemas até lá, voltar ao teste em papel até tudo estar resolvido. Senão, transferem para a 2ª fase os problemas da 1ª fase.

Levem o ano que vem a preparar como deve ser a próxima época de exames.

As notícias de andarem pessoas alheias e estranhas aos exames a 'visitar' os pacotes abertos de exames é grave.