March 27, 2025

Entrámos na era da impunidade política

 


Michael Wolff deveria aparecer nos media americanos para promover o seu livro mais recente sobre Trump, mas as suas entrevistas foram misteriosamente canceladas depois de a Casa Branca o ter criticado.

As firmas de advogados que defenderam acusadores de Trump foram ameaçadas por ele de nunca mais conseguirem um contrato e um novo memorandum presidencial tem um esquema de sanções contra firmas de advogados que tomem posições legais que sejam consideradas infundadas ou vexatórias contra o governo federal. De repente não estão disponíveis para defender pessoas que Trump persegue por serem suas críticas.

Esta era de impunidade política para líderes com práticas de bullying tem outras ramificações globais. Há um ano, a prisão do rival político do presidente turco teria sido alvo de uma condenação generalizada. Agora? O silêncio dos líderes ocidentais tem sido quase total. O público turco está zangado.

Trump retirou as sanções aos talibãs e já não há prémios pela captura dos seus principais cabecilhas. As raparigas e mulheres estão até proibidas de falar e de olhar, mas o mundo não abre a boca - a ONU de Guterres é um túmulo dos Direitos Humanos.

Se deixarem Putin ganhar a guerra na Ucrânia, à impunidade política vai juntar-se a impunidade criminal a um nível global. Deixaremos de estar em sociedades de contrato social e voltaremos às sociedades tribais onde a corrupção mata e o crime é lei.

Esta viragem global é mais uma razão para que a UE se una, verdadeiramente. Quer dizer, têm que mudar-se algumas regras. As coisas não podem ser como a Sérvia quer ou a Hungria faz: querem as ajudas em dinheiro, em protecção, em negócios, em saúde, em educação e tudo o mais que vem da UE mas querem, ao mesmo tempo, ser leais a inimigos declarados da União, como é o caso de Putin. 

Os tempos não estão para que um país sobreviva sozinho no meio de terroristas internacionais à frente de Estados. Veja-se a Gronelândia: votou sair da Comunidade Europeia em 1982 e agora enfrenta o agressivo imperialismo americano. (Prospect)

À atenção da Fernanda Câncio e dos que se referem aos alunos do secundário como, 'as crianças'

 

Aos que não aceitam que os crimes de violação estão a aumentar, que a idade dos violadores está a baixar e que a população estudantil já não é o que era: vivem na banalização do crime e da violência da internet.

Na minha modesta opinião, estes rapazes deviam ficar presos para o resto da vida ou, saindo, ser castrados. Ao argumento de que é inumano prendê-los para a vida ou castrá-los, responde esta rapariga que para além do crime brutal que sofreu e que a vai marcar para toda a vida, está condenada a uma prisão perpétua de ter os conhecidos, os amigos, os professores, os desconhecidos, os futuros empregadores, os colegas de trabalho, o eventual companheiro mais os filhos ou os netos e todos que na internet a usarem como entretenimento erótico, a verem-na ser violada por estes três criminosos. Para o resto da vida. 


Três rapazes com idades entre os 17 e os 19 anos filmaram-se a violar uma rapariga de 16 anos e divulgaram as imagens na internet 



A rapariga teria combinado um encontro com um jovem de 17 anos seu conhecido, que compareceu no local com mais dois amigos, numa zona próxima da casa da vítima. Depois, "em contexto grupal constrangeram a vítima a práticas sexuais e filmaram os atos, contra a sua vontade, divulgando-os nas redes sociais", revela a PJ.

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Estamos na época de ver testes

 

Uma actividade de que nenhum professor gosta. Enfim... tenho duas turmas do 11º ano de quem gosto bastante. São turmas razoáveis, cada uma com um grupo de bons alunos interessantes e interessados -uma delas é especialmente participativa-que gosta de discutir não apenas os assuntos da aula que contam para a nota, mas também os problemas do mundo relacionados. Já sabem aplicar conhecimentos. Por exemplo, se estão a trabalhar um texto complexo fazem uma análise cartesiana; se estão a fazer questões de escolha múltipla onde o modo como as proposições são enunciadas importa para a sua V ou F, sabem aplicar a lógica para distinguir a quantidade do sujeito e do predicado; gostam de detectar falácias na argumentação (embora nem sempre se lembrem do seu nome); em face de um problema já são capazes de pensar várias hipóteses possíveis de explicação. O ambiente na sala de aula é muito agradável e trabalhamos bem. São colaborativos. Vou ter saudades destas duas turmas. Este tipo de turmas com alunos curiosos e disponíveis para aprender vai sendo cada vez mais raro.

Porém, quando começo a ler as respostas dos testes, a maioria está abaixo das expectativas, pela razão de não saberem exprimir-se por escrito: grande déficit de vocabulário; falta de objectividade; dificuldade em desenvolver uma ideia tendo de encadear raciocínios, perceber as partes de um problema, justificar as ideias com razões válidas, que é uma parte importante do conhecimento e é obrigatória... textos confusos onde misturam ideias diferentes como se fossem uma coisa só, onde convertem as causas em efeitos. Muita falta de rigor. 

Isto deve-se, penso, às políticas de reduzir o ensino ao concreto imediato e falar do que é abstracto como se fosse vago e inútil - como se as ciências não fossem abstratas e proposicionais e como se não fosse importante dominar os princípios que podem aplicar-se, independentemente da mudança da realidade imediata. Políticas de ensinar o português suficiente para a utilidade de saber escrever um email ou um artigo de jornal. Reduzir, reduzir, abreviar, abreviar. Eliminar tudo o que obriga a um pequeno esforço, logo desde que entram para a escola. Qualquer coisa está a falhar no ensino da língua. Leio que agora, os alunos da primária já não usam verbos e escrevem coisas como, 'ontem, borracha', para dizer, 'ontem perdi a borracha'.

Estas estratégias [anti]educativas são uma traição que se faz aos alunos desde muito cedo (não há potencial que resista a falhas tão profundas) e uma falta de visão estratégica, não imediata (estatísticas de sucesso) do futuro do país.


Espanha: greve ao pagamento das rendas a fundos de especulação imobiliária e às comissões abusivas dos bancos



Madrid

A porta-voz do sindicato, Valeria Racu, avisou os senhorios e o setor imobiliário que "a impunidade acabou", sugerindo mesmo a possibilidade de uma greve às rendas se os preços não baixarem. Nas suas próprias palavras:"Se continuarem a aumentar os preços, deixaremos de os pagar e não haverá polícia, tribunais ou bandidos para nos despejar a todos".

Críticas ao governo e exigências de ação

A manifestação não visou apenas os proprietários privados, mas também as autoridades. Os manifestantes exigiram a demissão da ministra da Habitação, Isabel Rodríguez, acusando-a de não ter aproveitado as oportunidades para resolver a crise.

Paloma López Bermejo, secretária-geral da CC.OO. de Madrid, uma das organizações convocantes, instou Ayuso a deixar de se declarar "insubordinada" à lei da habitação e a tomar medidas efectivas para fazer face à crise.

O impacto nos inquilinos: mais de 50% do salário

De acordo com o CC.OO. em Madrid, os trabalhadores da região estão a gastar "mais de metade do seu salário, no melhor dos casos, para terem acesso à habitação". Esta situação está a afetar gravemente a qualidade de vida de muitos madrilenos e a atrasar a emancipação dos jovens.

Vários manifestantes comentaram que as pessoas não têm qualquer possibilidade de ter um projeto de vida, tal como se reflete nos dados do Observatório Espanhol da Emancipação, que situa a idade média em que os jovens podem tornar-se independentes em mais de 30 anos.

Os jovens de Madrid têm de enfrentar um duplo problema: os baixos salários e o elevado custo das rendas, que podem atingir 35% a 50% do salário.

Fundos imobiliários abutres em foco

Uma parte significativa do protesto centrou-se na denúncia das práticas dos fundos abutres. Os manifestantes apontaram moradas específicas de edifícios ameaçados ou já detidos por estes fundos, acusando-os de despejar os residentes de longa data sem oferecer alternativas viáveis.

Esta manifestação em Madrid não é um caso isolado. Cidades comoGranada, Barcelona, Valência e Málaga assistiram a protestos semelhantes, demonstrando que a crise da habitação é um problema nacional que exige soluções urgentes e coordenadas.

Em Barcelona a greve começou por causa de um professor ter perdido a casa devido a um fundo de especulação imobiliária ter comprado o prédio em que morava e ter passado a sua renda de 700 euros para 2000 euros. a autarquia acabou por comprar o prédio por 9 milhões em conjunto com uma associação de defesa de habitação para que os inquilinos não fossem despejados.

As organizações que defendem o direito a uma habitação condigna intensificaram o seu trabalho de base, actuando bairro a bairro. A Plataforma pelo Direito à Habitação, criada em outubro de 2023, tem sido fundamental na organização desta mobilização, unindo diversas entidades como a Federação Regional de Associações de Moradores de Madrid e a União de Inquilinos.

Críticas às políticas atuais e exigências de mudança

Os manifestantes argumentam que nem a Lei de Habitação do Estado, nem o fim do Golden Visa, nem os planos de construção de novas habitações foram suficientes para travar o aumento dos preços de aluguer e de compra. Criticam a "posição morna" do Governo espanhol, reconhecendo o "passo em frente" que a Lei da Habitação representou, mas salientando que "não resolveu muitos dos problemas estruturais da crise que estamos a sofrer".

As reivindicações são:

* A proibição de despejos sem alternativas de habitação.
* A perseguição dos especuladores imobiliária
* Intervenção e regulação dos preços
* A recuperação da obrigação de os promotores imobiliários atribuírem uma percentagem dos novos edifícios à habitação social.

A manifestação sublinhou a necessidade de ações concretas e eficazes para fazer face à crise da habitação. Os manifestantes exigiram que todas as administrações públicas assumam as suas responsabilidades legais e sociais para inverter a situação atual.

Esta mobilização marca um ponto de viragem no debate sobre a habitação em Madrid e em Espanha. A pressão dos cidadãos pode ser o catalisador necessário para promover mudanças significativas nas políticas de habitação, com o objetivo de garantir o acesso a uma habitação digna para todos os cidadãos.

A mensagem final desta mobilização é clara: a habitação é um direito fundamental e não um mero produto de mercado.A porta-voz do sindicato, Valeria Racu, avisou os senhorios e o setor imobiliário que "a impunidade acabou", sugerindo mesmo a possibilidade de uma greve às rendas se os preços não baixarem. Nas suas próprias palavras:

Se continuarem a aumentar os preços, deixaremos de os pagar e não haverá polícia, tribunais ou bandidos para nos despejar a todos. euronews.com/my-europe/

Em Barcelona está a decorrer uma greve ao pagamento das rendas e das comissões abusivas dos bancos.

Espero que aqui sigam o exemplo de se oporem à ladroagem dos bancos e dos fundos de especulação imobiliária que expulsam as pessoas das cidades e da possibilidade de uma vida digna.

March 26, 2025

Djesus!

 




😁

 

Matthew Rosenfeld, mais conhecido pelo pseudónimo Moxie Marlinspike, é o fundador do Signal 😁




Americanos... imensa classe

 


"Break It Right Back" - Megan Moroney

 


Evidentemente




Brussels has rejected Russia’s demand to lift EU restrictions on a key agricultural bank as part of a partial ceasefire deal, saying its sanctions regime will stay in place until the “unconditional withdrawal” of Moscow’s troops from Ukraine, - FT

Right...

 




Não admira que Putin saiba todos os planos da Ucrânia partilhados com os EUA

 

Soluções

 

O Conselho Muçulmano da Grã-Bretanha adverte que, se o abate halal for proibido, os muçulmanos abandonarão o Reino Unido.

Idade Média, parte II, versão rasca

 


A Casa Branca tem uma conselheira da fé. Vende bênçãos a 1000$ e garante que Deus cura as doenças e dá longa vida a quem lhe pagar antes da Páscoa. Isto não podia ser inventado. 


Podiam exigir-lhe um boletim de vacinas em dia

 


Ou, por acaso, nesse dia, estar tudo fechado e ele não ter o que fazer e não o irem receber, dado que a viagem dele é particular. Ninguém o quer lá.




Como a ideologia cega II

 


Nunca houve tantas violações - ou houve?

2024 averba o maior número de participações do crime de violação alguma vez registado em Portugal: 543. Ainda assim, continua uma das taxas mais baixas da Europa. Porque por cá há muito mais respeito pelas mulheres, não é?

Fernanda Câncio

Não há dúvida: a notícia de que o Relatório de Segurança Interna de 2024 regista, face a 2023, um aumento de 9,9% nas participações de violação cai na narrativa securitária como sopa no mel.

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Fernanda Câncio reage à informação do Relatório de Segurança Interna de 2024 relativa aos crimes de violação aconselhando a desconfiar dos números. Alega que o que há, provavelmente, é um maior número de queixas e de casos que caem agora sob o crime de violação do que havia antes. Não apresenta nenhuma prova de que o Relatório ignora esses factores ou de que os números estão descontextualizados. Apenas desconfia e aconselha a desconfiar. E porquê? Porque não aceita que aquilo a que chama a "narrativa securitária" possa ter razão.
Como li algures num artigo de jornal, a esquerda é a favor das mulheres em termos abstractos mas nunca, digo eu, ao ponto de terem de questionar o seu dogmatismo ideológico, mesmo que tenha de desvalorizar o crime de violação. Porque a fidelidade cega a um 'ismo' é mais importante que as pessoas a quem o 'ismo' é suposto ajudar.

Afinal não eram perceções ou como a ideologia cega

 


Afinal não eram perceções

Maria João Marques

A criminalidade em Portugal está a modificar-se. Menos crimes, mas mais graves e violentos. Afinal não era uma perceção.

Um dos fenómenos mais fascinantes na política é visível quando setores políticos escolhem ignorar, por preconceitos ideológicos, problemas que se avolumam na vida da população. A questão da segurança e o debate sobre criminalidade em Portugal quase pode ser um caso de estudo desta cegueira deliberada.

As notícias sucediam-se. Episódios de violência nas ruas – e não só os desacatos depois da morte de Odair Moniz. Violações – em Lisboa os violadores de quatro mulheres (só nos últimos meses), tanto quanto se sabe, estão a monte pela cidade. Agressões. Qualquer pessoa que passeasse por Lisboa percebia que em certas zonas, mesmo se centrais, o ambiente se tornara pesado e inseguro.

Porém, políticos de esquerda e comentadores alinhados explicavam-nos que as pessoas eram histéricas, que estava tudo bem, que não tínhamos nenhum problema de segurança, que falar de tal assunto era sintoma de pertencermos à extrema-direita.

Entretanto vieram os dados provisórios do RASI 2024 e há números preocupantes. A criminalidade, no total, desceu. Contudo, a criminalidade violenta e grave aumentou 3%. A criminalidade grupal e a violência juvenil também aumentaram, respetivamente 8% e 12% – e já tinha crescido em anos anteriores. Os crimes contra a propriedade aumentaram. Roubos contra bancos – porventura os mais aparatosos e com maior valor roubado – subiram 130%. O número mais grave: as violações – que também com crescimento em 2023 – aumentaram 10% em 2024, para o número mais alto numa década.

Esta negação que à esquerda se estendeu a todos os temas relacionados com insegurança crescente daria certamente para vários estudos académicos. Intelectualmente é muito interessante como pessoas politicamente motivadas apagam partes da realidade que não se encaixam na sua teoria sobre o mundo.

Contudo, em termos políticos e eleitorais é uma estratégia suicida. Os eleitores percebem que vivem e convivem com um problema que uma parte dos políticos lhes assevera, com ar professoral, que não existe, estão enganados. Por isso, os eleitores vão votar em quem reconhece a existência do problema, mesmo se o resto da retórica desses partidos, ou as soluções, lhes desagradam. Vota-se em pessoas que pelo menos compreendem factos básicos da realidade.

Como sempre acontece, os números chegam e a realidade impõe-se.

A esquerda recusou aumento da insegurança porque tal realidade colidia com os dogmas. Por um lado, pretenderam censurar o debate sobre as causas do crescimento da insegurança. Se tal se devesse aos imigrantes, isso chocaria de frente com o discurso sobre a imigração, recusando qualquer dificuldade de integração de todos os imigrantes, mesmo os provenientes das culturas retrógradas onde mulheres e gays existem para serem (de modos diferentes) torturados e mortos.

Por outro lado, se se verificasse aumento da insegurança por questões económicas ou sociais – por exemplo inexistência de habitação pública suficiente (porque não foi construída nos anos de governação PS) para a população mais pobre, e consequente degradação das condições de vida – tal seria um falhanço da esquerda, a tal que supostamente é mais benigna para os pobres.

Mas é ainda mais questionável que esta área política, que se proclama feminista, tenha ignorado os avisos que se faziam sentir de que a violência sexual contra as mulheres estava a aumentar. De facto, os contextos com maior insegurança trazem sempre consequências ainda mais castigadoras para as mulheres – por via da menor força física dos corpos femininos. Quanto maior o nível de insegurança, mais somos suscetíveis de sermos agredidas, violadas, sexualmente abusadas, roubadas.

Público (excertos)


March 25, 2025

Zelenskyy's update

 


Putin já quebrou o acordo - agora quer que levantem as sanções e está a contar com o sicofanta da ONU

 

Guterres tem andado a ajudar os russos a circunavegar as sanções...

 

Lavrov disse ainda que o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, tem estado em contacto permanente com o Governo russo para tentar encontrar formas de ajudar a exportação de cereais russos, apesar das sanções que limitam o acesso de empresas russas à maioria dos serviços de pagamentos internacionais.


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"Guterres tem estado em contacto permanente com o governo russo"... um apoiante de nazis e terroristas, de raptores de crianças ucranianas, de criminosos de guerra, à frente da ONU. Um cancro que tem morto tudo à sua volta. Só lhe falta convidar Putin para a Assembleia da ONU, bater-lhe palmas e chamar fascista a Zelensky. 

Alguém me explique isto como se tivesse três anos




Redes internacionais online cativam crianças e jovens para conteúdos neonazis e islamismo radical. E há menores a ganharem dinheiro com a distribuição de conteúdos hardcore. Estes são dados preliminares do Relatório Anual de Segurança Interna (RASI)

Existem casos identificados pelos serviços secretos e Polícia Judiciária de crianças e jovens portugueses a serem aliciados em grupos online internacionais por neonazis e também por radicais islâmicos.

O fenómeno é descrito no mais recente Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), ainda numa versão provisória, a que o Expresso teve acesso.

Segundo o documento, a propaganda jiadista difundida na Internet produz já conteúdos com recurso a ferramentas de Inteligência Artificial, disseminando-se em plataformas de gaming, especialmente vocacionadas para um público "muito jovem". As autoridades especificam mesmo que este modus operandi "concorre para a radicalização de indivíduos cada vez mais novos, incluindo pré-adolescentes, realidade também verificada em Portugal". As vítimas são igualmente "indivíduos vulneráveis".
(...)
De acordo com as autoridades, a propaganda online de "matriz terrorista", "assente no apelo explícito à violência", tem "conduzido à radicalização muito rápida de indivíduos cada vez mais jovens" e, "em alguns países europeus, à preparação" de ações violentas. Neste último item, não é o caso de Portugal.

Segundo a PJ, a presença online de "líderes carismáticos que atuam como verdadeiros influencers" que lideram "novos movimentos nacionalistas de extrema-direita" são mais apelativos aos jovens do que os tradicionais movimentos skinheads de supremacia branca e matriz neonazi.

A Judiciária alerta ainda que "as plataformas online têm sido o palco privilegiado de atuação dos movimentos descentralizados de extrema-direita de matriz aceleracionista e/ou satânica, onde, através de uma cultura de comunicação através de meme, recrutam e radicalizam indivíduos cada vez mais jovens, muitos deles com idades inferiores a 16 anos". E conclui: "A evolução deste fenómeno nos últimos anos impõe que a ameaça representada por eventuais atores solitários de extrema-direita, sobretudo menores de idade, não possa ser desprezada".

PORNOGRAFIA FEITA POR MENORES

O RASI destaca ainda outro fenómeno que envolve os mais jovens. O da criminalidade sexual, nomeadamente o abuso sexual de crianças cometido por ofensores menores, com idades entre os 12 e os 16 anos.

E refere também a presença de menores em crimes de pornografia com recurso a aplicações como o Discord e o WhatsApp, utilizadas para a partilha de ficheiros de cariz sexual e pornográfico. O documento frisa que estão referenciados grupos de WhatsApp criados por crianças entre os 10 e 13 anos em que se partilham conteúdos multimédia de pornografia e de violência extrema. Os casos foram já reportados aos Tribunais de Família e Menores.

O RASI salienta que em 2024 foi possível identificar uma "elevada prevalência" da distribuição de pornografia em canais e plataformas como o Instagram, Telegram ou YouTube, bem como "conteúdos de abuso e exploração sexual de crianças na Darknet". Nestes casos, os autores dos crimes são adultos. Existem casos identificados pelos serviços secretos e Polícia Judiciária de crianças e jovens portugueses a serem aliciados em grupos online internacionais por neonazis e também por radicais islâmicos.
 de abuso e exploração sexual de crianças na Darknet". Nestes casos, os autores dos crimes são adultos.


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Um menor de 18 anos não pode comprar tabaco, não pode comprar álcool, não pode frequentar bares e discotecas com consumo de álcool, mas pode, logo a partir dos 8 ou 10 anos, com um telemóvel na mão, frequentar locais de criminosos, de terroristas, de pedófilos, de pornografia hardcore e violenta, de abusadores sexuais, de traficantes de toda a espécie de crimes violentos e terroristas? Alguém me explique isto como se tivesse três anos.
Outros estudos ocidentais mostram que a exposição repetida à violência nos media pode resultar na dessensibilização à violência no mundo real (Drabman & Thomas, citação 1974). A dessensibilização pode ser entendida como uma diminuição da resposta fisiológica, emocional e cognitiva à violência no mundo real e pensa-se que é um processo adaptativo para ajudar os indivíduos a lidar com a angústia resultante do confronto com a violência.
Nos EUA, 60 anos de estudos sobre a relação entre a violência na TV e a prática de violência com centenas de estudos de investigação e vários relatórios governamentais fornecem provas conclusivas de que a violência dos meios de comunicação social pode ter efeitos nocivos nos telespectadores, sobretudo nos mais novos.
As primeiras estimativas indicavam que uma criança ou adolescente americano médio via 1.000 homicídios, violações e agressões violentas por ano, só na televisão (Rothenberg, 1975). Uma revisão posterior da Associação Americana de Psicologia coloca esse número em 10.000 por ano - ou aproximadamente 200.000 na época em que a criança termina o ensino médio (Huston et al., 1992). 
A violência na TV é banalizada, higienizada e os que a praticam são por vezes, 'os bons dos da fita' que servem de modelo de comportamento para os jovens. A TV por cabo tem uma enorme percentagem de filmes e programas violentos e hardcore. 
Ora, as redes sociais são muito mais violentas e sem o mínimo do controlo que as TVs têm. Os adolescentes passam uma média de 6 a 8 horas por dia nas redes sociais. 
Que pais deixariam os seus filhos ir para um local cheio de violadores, pedófilos, decapitadores, assassinos, nazis, durante 6 a 8 horas por dia, todos os dias, para serem educados por esses indivíduos? É que é isso o que se passa com milhões de crianças e adolescentes no mundo de hoje. Já não são educadas pelos pais e têm mais afinidade com pessoas ou bots de IA online que com as suas próprias famílias.
Quando é que se proíbe a frequência de redes sociais até uma certa idade da mesma maneira que se proíbe o consumo de álcool ou drogas e se responsabilizam os pais das crianças e adolescentes que têm telemóveis com acesso a redes sociais?
Não há escola, nem estratégia educativa capaz de contrariar uma exposição sistemática, durante 6 a 8 horas por dia, ao conteúdo violento e estupidificante das redes sociais e não há sociedade capaz de controlar a violência de pessoas que desde os 8 ou 10 anos de idade são endoutrinadas para o crime e a extrema violência.
Isto não é um assunto urgente a tratar?
Ademais, penso que uma parte grande deste incitamento à violência nazi e islamita radical tem por detrás os suspeitos do costume que se usam das redes sociais para desagregar as sociedades europeias.