April 07, 2020

Bater palmas é simpático mas o que conta são as condições de vida



E segundo a OMS o mundo tem falta de 6 milhões de enfermeiros. Se calhar, em vez de baterem palmas ao pessoal de saúde, deviam dar-lhes melhores condições de trabalho e de vida.


Damn right!



Jesus Christ, Trump just can't hear a question from a woman without cutting her off and telling her to be "nicer." He's such a colossal, insecure, pathetic little misogynist. (Christian Christensen)



Diário da quarentena 24º dia - 2 minutos de boa música para começar bem o dia




A energia que irradia de um líder sólido e de prestígio e o que isso faz por um país


Se alguém tem dúvida acerca da importância de se ter políticos sérios e dedicados à res pública é só ver os jornais americanos, ingleses e alguns europeus de ontem e hoje. O discurso da rainha de Inglaterra foi o que bastou para mudar a percepção sobre o país, não apenas política mas económica, numa semana em que parecia ir afundar-se com a desorientação de Boris Johnson relativamente à pandemia e agora o internamento dele devido à doença.

A mulher apareceu e fez um discursozinho de 5 minutos. Foi o suficiente para mudar o espírito interno e externo acerca das capacidades da Inglaterra, mesmo nesta situação de ter o primeiro ministro internado. E porquê? Porque tem 60 de bons serviços à sua pátria: serviços dedicados, inteligentes e com capacidade de sacrifício pelo bem comum, coisa que falta à maioria dos seus familiares.

Precisamos de políticos que se inspirem nos melhores. Precisamos que os políticos sejam melhores. Ponham os olhos nos sacrifícios que andam a fazer os que vão todos os dias para os hospitais.
No mínimo têm que agir para estar à altura do que foi o sacrifício e abnegação dos outros.


Britain Just Got Pulled Back From the Edge


The country has reasserted its foundational stability, and in doing so made real change more likely once this is all over.


Citação deste dia



“Epidemics, like disasters, have a way of revealing underlying truths about the societies they impact.”
Anne Applebaum

Não nos podemos dar ao luxo de continuar a não ter bons políticos



Hoje gostei de ler a Mariana Mortágua (Como vão sobreviver?). Os noticiários, que já nem consigo ver por mais de 5 minutos, bombardeiam-nos massivamente com as notícias do Coronavirus Li Wenliang seguidas de discussões intermináveis sobre coisa nenhuma ou histórias de vida dos jornalistas onde choram com música operática como dizia a minha colega, mas não nos dizem nada sobre o que se passa no mundo das decisões políticas. Não sabemos se alguém anda a trabalhar para melhorar a vida política do país.

Eu, por mim, queria muito saber o que andam os deputados a fazer nesta altura. Tenho esperança que haja gente nova nos partidos que não esteja completamente agalambada aos cargos e que neste momento pense em mudanças que têm que haver no estado de coisas que nos trouxeram aqui, não à pandemia, mas aos seus efeitos que puseram a nu a estrutura precária que nos sustenta : a falta de médicos ou o excesso de médicos como tarefeiros, a faltas de enfermeiros e a precariedade do seu trabalho, bem como a falta dramática de material e de capacidade para o produzir, a precariedade económica das famílias que não têm dinheiro para um computador com internet para os filhos, num tempo em que ter um computador é como ter um par de sapatos, o preço escandaloso da internet neste país (em França paga-se 1 euro por mês, aqui 20 euros, pelo mesmo serviço), a falta de apoio à cultura, a condição precária de milares de professores que os impede de ter um computador e internet... enfim, as condições de vida precárias da maioria dos portugueses em comparação com o fausto de 70 ministros e secretários de Estado, 3 ou 4 sociedades de advogados opulentas com os dinheiros públicos, a corrupção generalizada, os desperdícios criminosos da banca, etc., etc., etc.

De modo que gostei de ler este artigo e de saber que há políticos que continuam a trabalhar e pensam nos que, neste momento, mais precisam.

Quero crer que há pessoas políticas preocupadas e dispostas a mudar este estado de coisas decadente em que estamos e gostava de saber o que pensam fazer e o que andam a fazer, de facto, porque não podemos dar-nos ao luxo, como se fossemos um país rico, de continuar a não ter bons políticos.

Obrigada, Paula Ferreira, sub-chefe do JN, por nos desejares uma morte prematura



Esta será uma semana decisiva. O Executivo reúne-se hoje com o Conselho Nacional de Educação e peritos para avaliar as condições para retomar, ou não, as aulas. Quinta-feira saberemos.

E se as perspetivas se concretizarem, António Costa anunciará o regresso à escola dos alunos de pelo menos os alunos 12.º ano, a 4 de maio, tendo em conta o acesso ao Superior. Em que condições, veremos.

Seria uma ótima notícia. Todos nós, aqueles que têm ficado em casa, a maioria dos portugueses, continuaremos comprometidos a manter o confinamento entre quatro paredes. Por todos nós. Mas o que mais se deseja agora é um sinal de esperança, capaz de mitigar esta desolação que nos cerca.


Portanto, seria uma óptima notícia abrirem as escolas porque os pais estão fartos de estar fechados com os filhos e querem que os professores os aturem. 4 de Maio é cedo, por tudo o que sabemos já do vírus e da evolução da pandemia em outros países? É. Ela sabe que os peritos de quem fala não são peritos nenhuns , a maioria são nomeados políticos e que é o Costacenteno quem quer isto à força e decide, e que os professores corriam grande risco de ficar doentes com os alunos? Sabe, mas que se lixe essa gente, ela quer é uma alegriazinha na vida dela.

The biggest virus on earth is still human behavior





ArTIVIMS

Good morning





Dürer e a inevitabilidade da morte



Nesta gravura, a morte olha para o cavaleiro, todo ele pujança, superioridade, poder e vida, realçados pela musculatura e pose confiante do cavalo e cavaleiro, esplendidamente engalanados, com uma ampulheta na mão e uma expressão de comando, na carne já corrompida a lembrar, com a coroa na cabeça, que a única rainha é ela e nenhuma glória, armadura ou castelo murado o pode defender da inevitabilidade da morte. O diabo vem logo atrás, como uma hiena à espera dos despojos da alma quando a morte voltar os seus olhos para a presa seguinte. Dürer pintou a vacuidade e fugacidade da vaidade, da soberba e do poder no grande esquema das coisas.



Albrecht Dürer (1471-1528): O cavaleiro, a morte e o diabo 1513

April 06, 2020

Blogs por aí - estou aqui a rir há uma data de tempo



Há algum tempo que não ia espreitar o blog do 31 da Armada porque a certa altura eles deixaram de escrever e é como diz o ditado, quem não se vê deixa de ser lembrado ou algo do género. Agora que devem estar fechados em casa reanimaram o blog que estava em coma. Hoje passei por lá e tenho estado a rir. Não é que concorde com as ideias deles mas o Rodrigo Moita de Deus, quando está inspirado tem muita piada e acerta na mouche com um tiro certeiro e, pelos visto, tem andado inspirado porque está imparável, um fartote de rir. É verdade que as alimárias que orientam as festas prestam-se ao gozo, mas mesmo assim, aquilo está mesmo com graça.

Livros de 1975/76 visto à distância


Esta aqui a dar uma olhadela no catálogo da Livraria Alfarrabista, Liliana Queiroz que acabou de me cair no email, quando fui dar com este livro. Curso Básico do Comunismo Científico. Isto hoje em dia faz-nos sorrir mas lembro-me muito bem que à época os comunistas e satélites insistiam à força que a eficácia do comunismo estava provada cientificamente e não aceitavam nenhum argumento contrário. À distância, este título lembra a publicidade com recurso à autoridade da ciência por parte dos fabricantes de detergentes.


...
(Ref. 19786)
Ano: 1975/76
Lisboa; Edições Avante; In-8º de 4 volumes; Brochado

Obra sob a direcção de V. G. Afanassiev.
Exemplares em bom estado de conservação.


Quem pensa que esta crise vai fazer mudar alguma coisa na cabeça dos líderes europeus desengane-se



O ministro das finanças alemão já veio dizer claramente que a única coisa que podemos fazer é endividar-nos mais, cada um por si e que ele vai impor condições que têm a ver com o que ele chama, 'condições com sentido', seja lá o que isso for, mas sabendo nós o que essa gente pensa e faz sabemos que será mais do mesmo que já tivemos, só que agora sem palavras ofensivas e sem mandarem cá os três cobradores do fraque. É tudo feito à distância de um clique.
Pior que isso é sabermos que o Centeno é cara chapada destas ideias de austeridade (à qual ele se furta) e há-se assinar de cruz a nossa próxima desgraça, com o apoio de Costa.

Ministro alemão. Países que precisem de ajuda, "desta vez, não vão ter uma troika a dizer como devem governar" 


Ministro alemão das Finanças tranquiliza países que possam precisar da ajuda financeira dos fundos europeus. Não serão impostas "condições sem sentido, como por vezes aconteceu no passado", garante.

Parecendo certo, nesta fase, que a reunião dos ministros das Finanças do Eurogrupo irá, na terça-feira, concluir que o principal instrumento a que os países poderão recorrer é o (já existente) Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) – e não a emissão de dívida conjunta, as eurobonds ou, aqui, coronabonds .


A Macrónia



De que vão falar e, com que cara, os líderes dos países que dentro da UE têm andado a roubar-se e a negar ajuda aos outros?


França devolve os 4 milhões de máscaras de empresa sueca que tinha confiscado (e que iam para Espanha)

O governo francês viu-se obrigado a devolver os 4 milhões de máscaras que tinham sido confiscadas numa empresa sueca que trabalha em Lyon. O stock de máscaras ia para Espanha (e algum para Itália).

O governo francês viu-se obrigado a devolver os quatro milhões de máscaras de proteção que tinham sido confiscadas a uma empresa sueca que trabalha em Lyon, a Molnlycke. O stock de máscaras que tinha sido confiscado seria enviado para Espanha e, também, uma parte para Itália – os dois países europeus mais afetados pela pandemia de Covid-19 – mas o material foi confiscado a 5 de março com base num decreto do Presidente Emmanuel Macron que autorizava a requisição pública de todos os materiais necessários para conter a pandemia no país.

Diário da quarentena 23º dia - jantar



Omelete de cogumelos, com ceboletas, cebolinho, coentros, um bocadinho de queijo ralado, sal e muita pimenta. Acompanhada de umas alcachofras.



Ficou assim. Estava boa. Bebeu-se com um belíssimo vinho branco que encomendei a uma garrafeira que vem trazer a casa. Se soubesse tinha encomendado mais garrafas... não se deve estar tanto tempo enfiada em isolamento sem algum prazer que compense.


Entardece





Shnail Khanl

Isto é só rir... o Observador organizou, a pedido de um banco, uma 'conversa' acerca do que é a educação do futuro, chamada, 'A Melhor Escola do Mundo'



E quem são os convidados? Gente de fazer dinheiro, naturalmente, ou não fosse o pagante um banco: é o Director da Nova ESB (a secção que só fala no dinheiro), é o director da Porto Editora, uma empresa que existe para fazer dinheiro e tem uma grande lobby para o efeito e uma tal, Carolina Almeida Cruz, de quem nunca tinha ouvido falar . Fui pesquisar e fiquei a saber que se formou em Psicologia mas tirou uma formação em finanças, fundou uma empresa, e de repente estava na ONU e em todo o lado e agora trabalha numa consultora, a Mercer, uma empresa de fazer dinheiro.

E é esta gente que é convidada para falar do futuro da educação e que decide, duma maneira ou de outra, porque são os que se dedicam a fazer dinheiro aqueles de quem o poder gosta e ouve, o futuro da educação.

Quem pensa que alguma coisa vai mudar por causa desta crise, desengane-se.


A "Escola do Futuro" abre amanhã ciclo
de conversas sobre Educação

"Hoje Conversas. Amanhã és Pro". Foi com este mote que o Santander desafiou o Observador, e, assim, inauguram o ciclo de conversas 2020. Vamos falar da Educação do Futuro, amanhã, 7 de Abril

No âmbito da iniciativa “Hoje Conversas. Amanhã és Pro”, tendo o tema da Educação como enquadramento a este novo desafio, o Observador, numa parceira com o Santander, vai reunir convidados de destaque, de várias áreas do mundo da Educação, para conversar sobre diversos temas que nos assolam nesta nova era que vivemos.

A primeira conversa será virtual e realiza-se já amanhã, dia 7 de Abril, às 18h30, e será transmitida em direto no site do Observador, bem como nas redes sociais do site e do Santander.

A jornalista Laurinda Alves vai conversar sobre o tema A melhor Escola do Mundo

– É a que se abre ao Futuro, com três convidados de excelência, que a partir das suas casas, vão partilhar as suas experiências e opiniões sobre o tema.

Inaugurando este recente modelo de conversa, vão estar connosco Daniel Traça, Dean da Nova SBE; Paulo Gonçalves, Diretor de Comunicação do Grupo Porto Editora; Carolina Almeida Cruz, Fundadora da ONG Sapana, e que actualmente desempenha funções na Mercer.

Diário da quarentena 23º dia - optimismo para desanuviar



Tanta vida num espacinho tão pequenino. A vida persiste.




Diário da quarentena 23º dia - momentos de parvoíce para desanuviar




A crise do Coronavirus Li Wenliang vista por uma colega de Filosofia. Se não fosse grave era cómico, tal o absurdo disto tudo


"Há o Estado da Nação e o Estado da Negação. Todos já estivemos lá e fomos despertando do nosso sono dogmático, uns mais depressa e outros mais devagar. O mesmo se pode dizer dos nossos 'líderes' regionais e internacionais. O discurso de Trump resume um pouco o que se passa, qualquer coisa como isto: Usem máscaras se quiserem... os dirigentes democráticos, ditadores, etc, ... a rainha de Inglaterra (!) eu (!) não usamos máscaras por ... uma questão de imagem (?) de... 'liderança' (?). Qual é a diferença entre isto e o actual discurso da DGS ou da ministra da saúde?. Palavras para quê, vivemos numa realidade virtual em que o Jornal Expresso acha útil perguntar a essa ministra: se já fez a lida da casa... e os telejornais terminam com homilias dos jornalistas ao som de Verdi...de algum modo, está também de regresso a teoria messiânica do oásis: enquanto a generalidade dos países europeus suspende exames e notas do 3º período, aqui opta-se por considerar a hipótese da retoma das aulas presenciais em Maio, para 'salvar' (!) o ano lectivo e a época de exames. Vivemos no melhor dos mundos possíveis."

~Luisa Borges