April 03, 2026
O que acontece na escola fica no RASI
Em relação a este tema e concordando com tudo o que diz este articulista, penso que a educação sexual devia ser obrigatória - há vários modelos possíveis de desenvolver esse tema nas escolas. Não tem que ser uma disciplina à parte, até porque tem de ser cruzada com uma educação da presença digital online. Os miúdos deviam ser proibidos de aceder a redes sociais e sites pornográficos até aos 15 ou 16 anos. Isso tem tido um efeito devastador nas crianças e adolescentes e não percebo porque é que os pais se recusam a ver a destruição psicológica dos filhos. Hoje em dia fala-se disso em todo o lado, de maneira que já não é ignorância. Também penso que a Psicologia devia ser obrigatória no 12º ano. Não se percebe como é que uma disciplina científica tão importante e impregnada em todas as áreas do desenvolvimento humano está completamente arredada da educação dos jovens. Todos os anos tenho alunos que querem ter Psicologia no 12º ano mas , exceptuando o caso das Humanidades, não a escolhem porque as duas disciplinas específicas da sua área de estudos têm mais importância no curso universitário que querem seguir.
O que acontece na escola fica no RASI
A desregulação e a incapacidade de controlo de conteúdos nas plataformas tecnológicas permitem que colegas partilhem conteúdos íntimos de outras colegas sem consentimento.
Pedro Candeias in Público
Na página 51 do último Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) redescobre-se esta realidade especialmente preocupante: a subida acentuada das ocorrências não criminais e a prevalência de “ilícitos de natureza sexual” em ambiente escolar.
No primeiro caso, e embora o RASI não especifique exactamente o que são essas tais “ocorrências” que não cabem na tipologia crime, não é difícil adivinhar que se referem a episódios de violência e de indisciplina traduzidos em incidentes que contribuem para a “percepção de insegurança”. Ameaças e insultos, algumas nódoas negras ou ossos rachados – e, claro, bullying.
São coisas graves, sim, mas incomparáveis aos abusos online descritos peloRASI. A desregulação e a incapacidade de controlo de conteúdos nas plataformas tecnológicas permitem que colegas partilhem conteúdos íntimos de outras colegas sem consentimento, que crianças consumam pornografia, que jovens sejam excluídas ou extorquidas – o RASI descreve os actos como “brutais” – depois de manipuladas, chantageadas e pressionadas para se exporem em fotos ou vídeos.
O género feminino aqui utilizado não é por acaso: são principalmente os rapazes que se impõem a raparigas nestes cenários.
Abrem-se, assim, infinitas possibilidades para crimes absurdos e emocionalmente violentíssimos, que deixam marcas profundas nas jovens que os sofrem. A isto somam-se os perigos crescentes de deepfakes gerados por IA, cada vez mais indiscerníveis da realidade, pelo que se pressente que estamos apenas no início desta história.
Portanto, por tudo isto, a atitude do Governo em querer discutir a semântica da palavra “sexualidade” na disciplina de Cidadania e Desenvolvimento no Verão passado foi inquietante, além de cientificamente questionável.
Se os especialistas que estudam os fenómenos de violência de género garantem que a educação sexual é um caminho para as resolver, talvez seja mais avisado abandonar as guerras culturais e concentrar todos os esforços para tentar resolver, por exemplo, o problema da falta de professores e do número de alunos sem aulas. Isso, sim, será reformista.
Expliquem-me como se tivesse 3 anos
Como é que os bancos portugueses todos os anos têm lucros recorde e os portugueses não conseguem comprar uma casa e não conseguem ter um filho porque é demasiado caro? Os bancos servem só para capturar dinheiro às pessoas? Não percebo.
Banca portuguesa fecha 2025 como a mais rentável da zona euro
CGD, BCP e Novo Banco obtiveram lucros recorde no ano passado e puseram Portugal a liderar atractividade do investimento.
Agora é que vamos ver se Seguro está ao serviço da democracia e do país ou se está ao serviço da esquerda
Sem marcas ideológicas e consensual: o que pediu Seguro sobre a Lei da Nacionalidade
PúblicoSeguro terá de se pronunciar sobre a Lei da Nacionalidade. No passado, defendeu que leis estruturais destas devem ter um “largo espectro de apoio”, ao contrário do que aconteceu no Parlamento.
“Leis com esta sensibilidade, que expressam o sentir nacional, que são a expressão dos nossos valores constitucionais devem ter o maior apoio possível e não foi o caso. Não podem ter marcas ideológicas conjunturais”, vincou, numa acção de campanha em Novembro, já depois de ter expressado “preocupação” por não ter havido consenso com o PS.
April 02, 2026
Dmytro Kuleba descreve o encontro com Biden na véspera da invasão da Rússia de 2022
Esta conversa é muito interessante porque mostra a arquitectura conceptual geopolítica destes líderes antigos, formados na escola cancerosa de Kissinger, da legitimação do abuso de poder das grandes potências e das famigeradas 'zonas de influência'. Estes líderes antigos que confundem kapos de máfia com homens fortes. Trump pertence a esta escola, como Obama e Biden também pertenciam. Netanyahu também pertence a essa geração.
“[The US] couldn’t do anything and didn’t plan to do anything.
— Natalka (@NatalkaKyiv) April 2, 2026
The reports showed that Ukraine would cease to exist. So Ukraine just needed to be properly laid to rest with dignity.”
— Dmytro Kuleba, describing his meeting with Biden on the eve of Russia’s full-scale invasion… pic.twitter.com/mLUZQeUubq
Masih Alinejad - grande discurso na Alemanha contra o islamofascismo
E contra a hipocrisia da Europa. Mas a esquerda europeia ama os islamofascistas.
To those European leaders who seem very passionate about upholding international law:
— Masih Alinejad 🏳️ (@AlinejadMasih) April 2, 2026
Watch this video and listen carefully to my address at St. Paul’s Church, the cradle of German democracy.
Especially you, Mr. President Steinmeier of Germany; you, Prime Minister of Spain,… pic.twitter.com/N67hJC1uMj
Os crimes nas escolas sobem na ordem dos 50%
O número de 35 crimes por dia sobe para 50 se se considerar todos os ilícitos. Porém, alguém quer convencer-nos de que a criminalidade grave está a baixar? É preciso mais polícia da Escola Segura - 800 polícias para uma população de um milhão e 200 mil pessoas é pouco. As escolas também precisam de seguranças que possam intervir em casos de crimes.
A percebtagem de crimes violentos subiu mas a criminalidade desceu??!!
As violações subiram 6,4%, homicídios vlountários consumados,10%, os roubos a ourivesarias subiram 26,3%, extorsões, 12%, extorsão sexual, 6,8%, mas a criminalidade violenta desceu? Os homicídios consumados e as violações já não são criminalidade violenta?
April 01, 2026
Wild! Isto é no Kremlin. É assim que se fala com Putin
Ele vai pagar isto caro - no preço do gás e isso, mas sobra-lhe em coragem o que falta aos europeus.
Armenian Prime Minister Nikol Pashinyan mocks Putin
— Visegrád 24 (@visegrad24) April 1, 2026
During a meeting with Putin at the Kremlin, the Armenian premier stated,
“Armenia is a democratic country […] there are citizens who think there is too much democracy in Armenia. Our social networks, for example, are 100%… pic.twitter.com/l4JipAHSz4
Estou fascinada com este caso
Vai no 7º dia de tribunal. É o caso de um médico um anestesiologista de Maui, é acusado de tentar matar a mulher faziam uma caminhada em Honolulu. A mulher é uma engenheira nuclear e têm dois filhos em conjunto. Ele tem mais filhos de um casamento anterior. A mulher teve um caso emocional -nunca passou de mensagens- com um colega de trabalho e ele descobriu. Desde então passou a vigiar o telemóvel da mulher como se fosse seu. Mandou-a despedir-se mas ela recusou. Foram a um conselheiro matrimonial. Passado uns tempos resolveram ir passar uns dias a Honolulu, nos anos dela. Ele escreveu-lhe um cartão apaixonado e foram fazer uma caminhada. A meio da caminhada ele atacou a mulher, deito-a ao chão, imobilizou-a, tentou empurrá-la para o penhasco, tentou espetar-lhe uma seringa e não conseguindo agarrou numa pedra grande e começou a bater-lhe com a pedra na cabeça. A mulher primeiro tentou falar com ele, mas não funcionou e depois pôs-se aos gritos de Help! Help!, desalmadamente.
Com tanto azar dele e sorte dela, duas enfermeiras que costumam fazer aquela caminhada ouviram e foram a correr até um ponto em que viram o homem em cima dela à pedrada com toda a força na cabeça dela enquanto com o outro braço tentava empurrá-la para o penhasco. As duas mulheres pararam mas gritaram, 'ouvimos o pedido de socorro estamos a ligar para o 911". Nessa altura o homem estacou a olhar para elas (estavam suficientemente perto para olharem o homens olhos) e a mulher aproveitou para rastejar para longe dele em direcção às mulheres. O homem fugiu para a floresta e foi apanhado pela polícia mais tarde.
O que me fascina é que o médico declarou-se inocente e alegou auto-defesa. Diz que a mulher (que não tinha nada consigo, nem sequer a mala, pois o homem é que a tinha) o atacou e que ele estava a defender-se! Entretanto ele disse ao filho mais velho do outro casamento que tinha tentado matar a mulher porque ela andava com outro. Os advogados de defesa comportam-se como se a mulher fosse a criminosa e vão buscar as coisas mais irrelevantes para tentar defender o indefensável. O médico ri-se e tudo.
Agora está um médico patologia forense a testemunhar. A dizer que a mulher estar cheia de sangue na cabeça não quer dizer nada como se isso interessasse alguma coisa. Isto é irrelevante, em primeiro lugar porque eles têm a pedra e os testes genéticos não deixam dúvida sobre quem atacou quem e para o que serviu a pedra e em segundo lugar, as lacerações na cabeça dela só não soa maiores porque as raparigas interromperam o trabalho do médico de matá-la à pedrada e atirá-la depois do penhasco para parecer que as lesões eram da queda.
March 31, 2026
A biologia pode informar as políticas, mas as preferências políticas não devem ditar a biologia.
Resposta à resposta de Mahr (2026) ao artigo de Wright (2025) intitulado,
Carta ao editor
Acesso aberto
Publicado: 26 de março de 2026
A primeira crítica de Mahr é a de que eu alegadamente trato a natureza binária — “dois e apenas dois” — do sexo como uma suposição “a priori”, e que isso “pressupõe um facto científico neutro, livre de contexto”.
O meu argumento não é “a priori” no sentido de ser afirmado antes da observação. Trata-se de um argumento a posteriori, baseado na observação de que, em taxa anisogâmicos, os indivíduos participam na reprodução através de sistemas reprodutivos cuja função é produzir gametas pequenos (espermatozoides) ou gametas grandes (óvulos) (Hilton & Wright, 2023; Minot, 1888).
Mahr rejeita depois a minha afirmação de que a definição centrada nos gametas é objectiva ou universal, classificando tais alegações como um “truque divino” e uma “ilusão de uma perspectiva de lugar nenhum”, e recorre à epistemologia feminista para argumentar que as categorias científicas estão historicamente e socialmente situadas.
Mahr argumenta ainda que uma definição baseada nos gametas “ignora muitas outras características biológicas que variam (cromossomas, hormonas, estruturas cerebrais, etc.)”, e afirma que os “elementos biológicos normalmente associados ao ‘sexo’ (incluindo células, tecidos, moléculas, estruturas e vias) não se dividem de forma nítida em duas categorias distintas”. A partir daqui, Mahr conclui que definir o sexo “estritamente pelo tamanho dos gametas é uma redução que omite essas complexidades”.
A dificuldade desta abordagem não é que a variação de características seja desinteressante, mas sim que os modelos politéticos confundem os determinantes e os correlatos a jusante do sexo com o próprio sexo. Como escrevi, “as características são rotuladas como ‘típicas de macho’ ou ‘típicas de fêmea’ porque se correlacionam com machos e fêmeas já identificados independentemente — em última instância, por referência aos gametas”. Por outras palavras, a visão politética colapsa sobre si mesma, porque depende do próprio fundamento classificatório — macho e fêmea enquanto classes reprodutivas funcionais enraizadas nos gametas — que procura substituir.
A definição baseada nos gametas não nega a variação biológica; organiza-a. Os cromossomas, as hormonas, o desenvolvimento genital e muitos traços dimórficos variam — por vezes substancialmente — dentro de cada sexo, e o desenvolvimento pode produzir resultados atípicos. Mas a variação nos correlatos do sexo não é o mesmo que variação no próprio sexo. Em organismos anisogâmicos, a distinção universal que torna “macho” e “fêmea” biologicamente comparáveis entre taxa é a função reprodutiva relativamente a espermatozoides versus óvulos (Bogardus, 2025). É também por isso que é um erro tratar qualquer destes correlatos, isoladamente ou em conjunto, como constitutivos do sexo.
Por exemplo, não há nada de inerentemente “masculino” num cromossoma Y em si. Nos mamíferos, o cromossoma Y desempenha um papel central no desencadear do desenvolvimento masculino (Wilhelm et al., 2007); nas aves, os cromossomas sexuais são diferentes (sistemas ZW) (Ellegren, 2000); e muitos répteis nem sequer possuem cromossomas sexuais (Janzen & Paukstis, 1991). No entanto, apesar da diversidade dos mecanismos de determinação do sexo (Bachtrog et al., 2014), as classes sexuais permanecem inteligíveis e comparáveis entre taxa porque continuam ancoradas no tamanho dos gametas.
Mahr contesta também a minha afirmação de que a clareza definicional tem “benefícios científicos e sociais”, argumentando que um “essencialismo rígido sobre o sexo frequentemente sustenta normas excludentes”, nomeadamente quando “decisores políticos ou tribunais invocam a ‘ciência’ para restringir direitos de pessoas transgénero”.
Por fim, Mahr escreve que a visão binária “arrisca invalidar as experiências vividas de pessoas intersexo e de indivíduos com diversidade de género”, refere “géneros não binários” e invoca a afirmação de que “um grande corpo de investigação mostra que cerca de 2% das pessoas têm características intersexo que desafiam um esquema simples XX/XY”.
Quanto à afirmação de que “cerca de 2% das pessoas têm características intersexo que desafiam um esquema simples XX/XY”, trata-se de algo enganador e, tal como apresentado, insuficientemente sustentado pelas referências citadas (Fausto-Sterling, 1993, 2025).
Em suma, a crítica de Mahr incide sobretudo na sociologia das categorias e nas implicações políticas dos debates científicos. São temas legítimos de discussão, mas não alteram a base biológica da definição dos sexos. A binariedade do sexo não é uma suposição “a priori”, mas uma observação empírica de que existem apenas dois tipos distintos de gametas em espécies anisogâmicas. Tratar o sexo como um conjunto politético de correlatos confunde os determinantes e os efeitos a jusante do sexo com o próprio sexo, e acaba por depender do fundamento baseado nos gametas que procura contestar.
O reputado geneticista Dobzhansky (1973) escreveu que “nada na biologia faz sentido excepto à luz da evolução”, sublinhando a evolução como o quadro unificador que torna compreensível a diversidade, complexidade e interligação da vida. Sustento que uma afirmação paralela se aplica à biologia reprodutiva: nada na biologia dos sexos faz sentido senão à luz dos gametas.
Cursos de direito em inglês?
“Temos professores de primeira e de segunda categoria na Nova de Lisboa. É inadmissível”
Esta é uma de duas partes da entrevista de Jorge Bacelar Gouveia ao ECO. Na outra parte (que pode ler e ver aqui), o professor catedrático reflete sobre a possibilidade de a Nova SBE sair da Universidade Nova de Lisboa e sobre a polémica que se instalou em torno de um despacho que obriga todas as unidades orgânicas a ter uma designação em português.
O reitor atual tomou várias decisões no sentido de pôr as coisas nos eixos. Por exemplo, a eliminação de umas taxas que havia de entrega das teses de doutoramentos, e a diminuição da influência de certos caminhos da privatização do corpo docente.
Na nossa universidade, temos dois regimes de corpo docente. Temos um regime ao abrigo do contrato em funções públicas, e temos um outro regime ao abrigo de um contrato de trabalho. Como é uma fundação, a lei permite que haja esses dois regimes. A lei diz que pode haver dois regimes, que sejam paralelos.
Paralelos em quê? Em salários, em termos de progressão, em termos de posições académicas. Na prática, o anterior reitor fez um regime de direito privado, que não é nada paralelo. Por exemplo, os professores catedráticos no regime de direito privado ganham muito mais do que ganham os professores catedráticos em regime de direito público. Não há nenhum paralelismo.
Mas não é assim que se atraem professores internacionais e um corpo docente mais reputado, com salários mais competitivos?
Acho que sim, mas essa solução está na lei. O Estatuto da Carreira Docente Pública permite professores visitantes, que podem ter salários superiores. Essa ideia que se criou é completamente falaciosa, porque, para já, as universidades não são propriamente empresas.
Não vamos contratar o Ronaldo por não sei quantos milhões de euros por mês. Não me parece que se vá contratar uma pessoa estrangeira para colocá-la numa posição de disparidade gritante em relação aos outros professores, que fazem mais ou menos o mesmo trabalho. O regime dos professores visitantes acomoda a necessidade de a certos professores pagar um pouco mais. Mas acho que isso também tem que ter limites.
Não vamos contratar o Ronaldo por não sei quantos milhões de euros por mês. Não me parece que se vá contratar uma pessoa estrangeira para colocá-la numa posição de disparidade gritante em relação aos outros professores.
Disse que as universidades não são empresas. Sente que esta lógica de gestão empresarial tem contaminado o universo da Nova de Lisboa?
Sim, completamente. Há grupos económicos que querem tomar de assalto as universidades. Acho que as universidades, sendo públicas, estão ao serviço do interesse público, não estão ao serviço do interesse privado. Não estão ao serviço de certas pessoas ricas e poderosas. Portanto, têm de se ter cuidado em não se deixar capturar por esses grupos privados que querem mandar também agora nas universidades.
Mas não foram esses grupos, com investimento e doações, que potenciaram a subida da Nova SBE nos rankings internacionais e a sua projeção?
Espero que não. Aquilo que potenciou a Faculdade de Economia da Universidade Nova não foi propriamente o dinheiro que lhes foi dado. O que a catapultou foi a qualidade dos seus docentes. Acho que é uma coisa diferente.
Insisto. Não foi esse investimento privado que levou a faculdade a conseguir atrair docentes com qualidade e projetar-se internacionalmente?
Contribuiu, mas terá contribuído até 20%. Não é pelo facto das salas terem dez lâmpadas em vez de cinco lâmpadas, não é pelo facto de a sala ter um melhor projetor que vai melhorar substancialmente o ensino. Aquilo que melhora a qualidade do ensino é ter professores de qualidade e ter alunos de qualidade.
Mas ter o investimento permitiu contratar melhores professores.
Houvesse ou não houvesse esse dinheiro privado, os professores têm sempre uma tabela preestabelecida pela lei. A não ser que os professores andem a ser pagos pela porta do cavalo. Não me parece ser isso que se aconteça.
O anterior reitor cometeu um erro grave que foi estilhaçar a coesão interna do corpo docente. Temos dois tipos de professores. Temos professores de primeira e de segunda categoria. Os de primeira são aqueles que ganham muito mais, que estão ao abrigo do regime de direito privado. Por sinal, apenas os da Faculdade de Economia da Universidade Nova.
E, depois, há os outros, nos quais eu me incluo, que estão ao abrigo do regime de direito público, e que ganham menos. Acho que isto é inadmissível, se é a mesma universidade, por que razão há professores que ganham mais do que outros. Espero que o regime que venha a ser revisitado pelo reitor e devidamente corrigido.
Corrigir é nivelar por baixo?
O problema é esse. Não sei como é que depois se vai baixar o salário. Mas, pelo menos, na questão dos concursos, de se manter uma maioria de professores externos, isso é obrigatório.
Neste momento, para se candidatar a professor auxiliar, há uma comissão de seleção, que tem três professores e só um tem de ser de fora, quando a regra do direito público é que a maioria deve ser externa, para evitar endogamia… Esta norma tem de ser corrigida.
Acho que, dentro do sistema público, a pessoa, ao chegar ao ensino superior, tem o direito de ter aulas em português. Acho inadmissível uma faculdade pública só tenha cursos em língua estrangeira.
Lançou um livro intitulado “Direito da língua” e defende que é inadmissível que as universidades públicas tenham cursos lecionados inteiramente em inglês. Porquê?
Estamos no sistema de ensino público e temos obrigações com a proteção da língua portuguesa. O ensino público tem um regime de acesso restrito, que impede que todos os alunos possam chegar à universidade, porque as vagas existentes na universidade pública são inferiores ao número de alunos que pretendem aceder.
Acho que, dentro do sistema público, a pessoa, ao chegar ao ensino superior, tem o direito de ter aulas em português. Neste livro, no fim, tomo a ousadia de fazer uma proposta de anteprojeto de lei de proteção da língua portuguesa, em que proponho que, nos cursos conferentes de grau, só pode haver, no máximo, 35% de língua estrangeira.
Nos cursos que não conferem grau, aí metade, metade. Acho inadmissível que uma faculdade pública só tenha cursos em língua estrangeira.
Não faz sentido ter cursos em inglês para atrair os alunos internacionais?
As faculdades públicas têm obrigações que as faculdades privadas não têm. Temos a obrigação de contribuir para o desenvolvimento dos alunos que estão aqui em Portugal. O facto de serem estrangeiros não os impede de aprenderem português para virem para as nossas universidades e para fazerem os nossos cursos.
Com a questão de oferecermos tudo em inglês para os estrangeiros, estamos, no fundo, a excluir os nossos. Os estrangeiros estão a passar à frente dos estudantes portugueses, que não conseguem ter tão boa nota, ficam a ser preteridos pelos estudantes estrangeiros.
Pergunto: uma universidade pública que é paga com o dinheiro dos contribuintes portugueses, está a ser feita para pagar os cursos aos estrangeiros que vêm cá e depois se vão embora?
Mas também não faz sentido aos nacionais fazerem cursos em inglês para conseguirem carreiras internacionais, e eventualmente melhores rendimentos?
Mas vamos lá ver do que é que se trata. É só uma questão linguística? Se é uma questão linguística, então vão aprender línguas. Os cursos de medicina são dados em português, mas é isso que impede os nossos médicos de irem para o estrangeiro? E os cursos de enfermagem são dados em português. Os nossos enfermeiros têm tido dificuldade de ter emprego lá fora? Pelo contrário, têm saído até em grande número.
No caso da Faculdade de Direito da Universidade Nova, penso que à volta de 70% das disciplinas são lecionadas em inglês, mas acho isso uma loucura, porque os elementos de estudo só existem em português. É preciso bom senso e não embarcarmos numa moda.
Sim. Vejamos o caso do Erasmus. É um programa que permite aos alunos mobilidade dentro dos países da União Europeia. Está totalmente desvirtuado.
O que, neste momento, está a acontecer é que as universidades todas – não são só as portuguesas – distinguem os alunos e fazem só disciplinas em inglês para ter os meninos lá nessas disciplinas. E os meninos, em vez de irem para aquele país para aprenderem a língua nativa daquele país, só aprendem o inglês.
A mesma lógica deve ser aplicada na atração de docentes?
Devido a estes problemas todos, até começo a pensar – não sei se isso não será exagerado – que é necessário ter uma quota de professores portugueses, porque há certas faculdades que têm já um corpo de estudante estrangeiro, que nem sequer sabe português. No caso da Faculdade de Direito da Universidade Nova, tem um terço de professores estrangeiros que não sabem português. Isso é inadmissível, e não são professores visitantes.
Quem quer vir para Portugal para uma carreira da função pública pode ser estrangeiro, mas tem de saber português. Aliás, na Faculdade de Direito da Universidade Nova, infelizmente, num concurso que recentemente abriu para professor catedrático, tinha a seguinte solução: exigia-se a proficiência do inglês, falado e escrito, mas não se exigia qualquer proficiência em português. Isto é que acho que é o cúmulo do disparate.
Então, numa universidade que é pública e é portuguesa, não se exige que saiba português, mas vai exigir-se que saiba inglês. Mas nós estamos no Reino Unido ou estamos em Portugal? Estamos nos Estados Unidos ou estamos em Portugal? Às vezes, parece que não sei onde é que eu estou.
March 30, 2026
Saiu a ferros
The UN finally acknowledges that Israeli women were raped on October 7. Hamas even raped corpses. https://t.co/X70CvZEp9b
— Aviva Klompas (@AvivaKlompas) March 30, 2026
Casa Branca de Trump? Um grupo de atrasados mentais
Paula White, nomeada por Trump para o cargo de presidente do Gabinete da Fé na Casa Branca (seja lá isso o que for), conduz uma sessão de exorcismo para expulsar os espíritos malignos da assistência, soprando no microfone.
Paula White, nommée par Trump présidente du Bureau de la Foi à la Maison-Blanche, conduit une session d'exorcisme pour chasser les esprits malins de l'assistance en soufflant dans le micro. pic.twitter.com/26hMvcT5H2
— L'oeil Medias (@LoeilMedias1) March 30, 2026




