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January 23, 2025

Soluções



Vêem-se gregos para resolver o problema, mas é portuguesa a solução para o sobre-pastoreio



Instituto Superior Técnico estuda solução para o sobre-pastoreio na ilha grega de Samotrácia.

Tiago Domingos in ionline

Samotrácia é uma ilha grega do norte do mar Egeu, perto da fronteira marítima com a Turquia. É esta ilha que dá o nome à famosa Vitória de Samotrácia, escultura que representa a deusa grega da vitória, Nike, frequentemente identificada com Atena (ou Minerva, na mitologia romana), a deusa da sabedoria, apoiante dos portugueses no famoso concílio dos Deuses nos Lusíadas.

À semelhança de outras zonas mediterrânicas, Samotrácia tem vindo a sofrer um processo de degradação ambiental devido ao excesso de pastoreio com caprinos e ovinos. De facto, ao longo do século XX, o número destes aumentou 14 vezes, atingindo cerca de 70 mil. Associado ao declives elevados desta ilha (“Samos” significa “altura” ou “elevação” em grego antigo), este excesso de pastoreio tem levado à erosão e degradação generalizada dos solos; tem também levado à eliminação da floresta e outra vegetação nativa.

Para encontrar soluções para o sobre-pastoreio, em 2017 foi iniciado um estudo liderado por Marjan Jongen, investigadora holandesa do Instituto Superior Técnico radicada em Portugal, em colaboração com a Terraprima, spin-off do Técnico, com um técnico português (António Martelo), com investigadores austríacos (Marina Fischer-Kowalski, Dominik Noll) do Instituto de Ecologia Social em Viena e com um técnico grego local (Giorgos Maskalidis).

Este estudo focou-se na utilização de pastagens permanentes semeadas biodiversas ricas em leguminosas (PPSBRL). Este é um pioneiro sistema desenvolvido pelo agronómo português David Crespo desde os anos 60 do século passado, inicialmente na Estação de Melhoramento de Plantas (hoje Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária) e posteriormente na empresa que criou, a Fertiprado.


Estas pastagens são semeadas com misturas biodiversas de até 20 espécies ou variedades diferentes, que permitem uma adaptação às muito variáveis condições mediterrânicas de solo e de meteorologia. A sua riqueza em leguminosas permite-lhes resolver o problema crítico que o azoto constitui como nutriente para os sistemas agrícolas. De facto, o azoto na atmosfera, tal como expresso na sua etimologia grega (“a-zoion”, isto é, sem vida), é um gás inerte, que precisa de ser transformado noutros compostos químicos para poder ser utilizado pelas plantas. As leguminosas (plantas como os trevos ou a serradela) conseguem tal através da sua consociação com rizóbios (do grego “rhiza”, i.e., raiz, e “bio”, i.e., vida), bactérias que colonizam a raiz das plantas e que lhes fornecem os compostos azotados (que obtêm da atmosfera) em troca de hidratos de carbono (que as plantas obtêm através da fotossíntese).

Estas características das PPSBRL permitem-lhes ter uma maior produtividade, que se traduz em mais alimentos para os animais, mas também em maiores entradas de biomassa no solo todos os anos, que leva a um aumento da matéria orgânica do solo. Dado que mais de metade da matéria orgânica do solo é carbono, este aumento traduz-se em sequestro de carbono no solo e correspondente retirada de dióxido de carbono da atmosfera. Assim, os agricultores que semeiam estas pastagens estão a prestar à sociedade um serviço de mitigação das alterações climáticas. O reconhecimento de tal levou à montagem do projecto Terraprima – Fundo Português de Carbono, com o envolvimento de mais de 1000 agricultores e a sementeira de mais de 50 mil hectares de PPSBRL em Portugal, com o sequestro de mais de um milhão de toneladas de dióxido de carbono. Este projecto, com a sua vitória no concurso “A World You Like with a Climate You Like”, foi considerado pela Comissão Europeia como a melhor solução para o clima na Europa em 2013.

O estudo realizado na ilha de Samotrácia confirma que, tal como em Portugal, as PPSBRL têm uma produção mais elevada (de 7 a 10 toneladas anuais por hectare) que as pastagens pobres actualmente utilizadas. Tal permite alimentar melhor os animais nos terrenos mais produtivos e diminuir a pressão de pastoreio nos terrenos pobre e declivosos, levando à recuperação do solo destes e à re-entrada da vegetação natural. Adicionalmente, nos próprios terrenos onde são semeadas, levam, tal como em Portugal, ao aumento da matéria orgânica do solo, aumentando a retenção de água, reduzindo o escorrimento superficial e reduzindo a erosão. Temos assim mais uma aplicação vitoriosa desta pioneira solução lusa.

Professor de Ambiente e Energia no Instituto Superior Técnico

September 15, 2024

Soluções

 


August 27, 2024

Soluções

 


Na Coreia do Sul, a água da chuva é armazenada para posteriormente limpar as ruas e regular a sua temperatura através de um sistema hidráulico.



AngoUniverso

July 16, 2024

Soluções




Outro dia li que Londres tem a maior floresta urbana do mundo. Mais de um quinto da área da cidade são árvores: 21%. De acordo com a definição das Nações Unidas, uma floresta é qualquer sítio com pelo menos 20% de árvores. Em Portugal as cidades continuam a cortar árvores...



Cidades de telhados verdes

Paula Teles
Especialista de Mobilidade Urbana


JN

No Mundo, todos os anos morrem cerca de 500 mil pessoas, silenciosamente, por não resistirem às altas temperaturas. Sabendo deste presente apocalíptico, nunca foi maior a urgência de se planear e desenhar as infraestruturas das grandes cidades para que estas contribuam, decisivamente, para o seu arrefecimento.

Precisamos de um planeamento urbano mais ecológico e sustentável, que repense os materiais de construção do edificado e a introdução de mais espaços públicos verdes nos seus entornos.

Esse processo de planear as cidades exige a prescrição de três tipos de infraestruturas: as "infraestruturas verdes", com introdução de telhados e corredores agarrados aos eixos de mobilidade suave; as "infraestruturas azuis" tais como as linhas de água, fontes, bebedouros, piscinas públicas e espaços conhecidos por "spray parks", que funcionam como parques de recreio, onde as crianças e adultos podem sentir a água nos pés, ou no corpo, se expelida através de estruturas verticais; e, finalmente, as "infraestruturas cinzentas", com várias soluções nas áreas construídas, tais como fachadas e pavimentos arrefecidos, películas repelentes de calor nas janelas, sombreamento nas fachadas e varandas, a substituição do ar condicionado por ventilação natural, entre outras

Volto a recordar que só as árvores desempenham um papel crucial na mitigação do calor, conseguindo reduzir a temperatura até 15 graus Celsius nas áreas urbanas.

Em suma, todas estas infraestruturas conectadas, funcionam como um sistema refrigerado em rede, constituindo-se como um mega telhado verde sobre a cidade, absolutamente determinante no seu arrefecimento e na garantia da vida humana.

May 30, 2024

Soluções



Universidade de Aveiro desenvolve vidro que gera energia a partir da luz solar ou iluminação artificial


Uma equipa de investigadores da Universidade de Aveiro (UA) desenvolveu um vidro que gera eletricidade a partir da luz do sol ou iluminação artificial, tornando os edifícios energeticamente mais sustentáveis, informou esta quarta-feira fonte da academia.

Coordenado pela investigadora Rute Ferreira, do Departamento de Física e do CICECO, uma das unidades de investigação da UA, o projeto PLANETa desenvolveu um protótipo de uma janela em tamanho real que, para além de gerar eletricidade, funciona também como um sensor de temperatura ótico alimentado pelo sol ou por iluminação LED, refere uma nota da UA.

O projeto decorreu em colaboração com o Instituto de Telecomunicações (IT), o Instituto Superior Técnico (IST) e a empresa Lightenjin.

Segundo Rute Ferreira, esta janela inovadora pretende ser “uma forma de integração de dispositivos de geração de energia a partir do sol em edifícios já existentes ou em construção”.

“Trata-se de um vidro revestido por uma fina camada de material transparente que capta a luz solar ultravioleta e a converte em radiação visível que é aprisionada no interior do vidro e guiada até às extremidades onde estão células fotovoltaicas escondidas na caixilharia”, explica.

De acordo com a investigadora, estas pequenas células fotovoltaicas nas extremidades conseguem gerar eletricidade suficiente para alimentar dispositivos de baixo consumo, como ‘routers’, sensores e dispositivos USB.

Para Rute Ferreira, o fator diferencial deste protótipo está na sua “capacidade de funcionar com iluminação solar e artificial, garantindo a operação contínua, mesmo em período de ausência de luz solar”.

Além disso, aproveitando a sensibilidade do material do revestimento do vidro à temperatura, a janela transforma-se num dispositivo de dupla função: geração de energia e sensor de temperatura.

“Tirando partido da configuração comercial de janelas duplas, podemos em simultâneo medir a temperatura interior e exterior”, diz a investigadora.

“A energia gerada alimenta um sistema IoT [Internet of Things] capaz de monitorizar a temperatura e de disponibilizar esses valores numa plataforma ‘online’ acessível ao utilizador. O objetivo final é integrar esses dados no sistema de automação residencial do edifício, contribuindo para uma gestão mais eficiente dos sistemas de aquecimento e arrefecimento, promovendo uma maior eficiência energética”, descreve.

O PLANETa combina, assim, inovação tecnológica e sustentabilidade, e quer contribuir para o futuro dos edifícios inteligentes e energeticamente eficientes.

Para além da construção civil, a equipa de investigadores da UA antevê que a aplicabilidade e versatilidade destes materiais e dispositivos possa ser testada para aplicações mais visionárias, como é o caso do ambiente aeroespacial para aumentar a eficiência dos conversores fotovoltaicos utilizados em satélites e, dessa forma, “baixar o custo da componente energética destes aparelhos”.

April 19, 2024

Soluções ambientais

 


Uma empresa de sumos despejou cascas de laranja num parque nacional.

12.000 toneladas de resíduos alimentares e 21 anos depois, esta floresta tem um aspeto totalmente diferente.

Upworthy

Em 1995, os ecologistas Daniel Janzen e Winnie Hallwachs abordaram uma empresa de sumos de laranja na Costa Rica com uma ideia fora do comum.

Em troca da doação de uma porção de terra intocada e florestada à Área de Conservação Guanacaste - uma reserva natural no noroeste do país - o parque permitiria que a empresa despejasse gratuitamente as suas cascas e polpa de laranja descartadas numa área vizinha, fortemente pastoreada e em grande parte desflorestada.

Um ano mais tarde, mil camiões entraram no parque nacional, descarregando mais de 12.000 toneladas de composto pegajoso, farináceo e cor de laranja no terreno desgastado.

O local foi deixado intocado e, em grande parte, não foi examinado durante mais de uma década. Foi colocado um sinal para garantir que futuros investigadores o pudessem localizar e estudar.

16 anos mais tarde, Janzen enviou o estudante Timothy Treuer para procurar o local onde os resíduos alimentares tinham sido despejados.

Treuer começou por tentar localizar o grande cartaz que assinalava o local - e não conseguiu.

The first deposit of orange peels in 1996. Photo by Dan Janzen.

"É um sinal enorme, com letras amarelas brilhantes. Devíamos ter conseguido vê-la", diz Treuer. Depois de vaguear durante meia hora sem sorte, consultou Janzen, que lhe deu instruções mais pormenorizadas sobre como encontrar o terreno.
Quando voltou uma semana mais tarde e confirmou que estava no sítio certo, Treuer ficou impressionado. Comparado com a antiga pastagem estéril adjacente, o local do depósito de resíduos alimentares era "como a noite e o dia".
Era difícil de acreditar que a única diferença entre as duas áreas era um monte de cascas de laranja. Parecem ecossistemas completamente diferentes", explica.
A área era tão densa de vegetação que ele ainda não conseguiu encontrar o sinal.
Treuer e uma equipa de investigadores da Universidade de Princeton estudaram o local durante os três anos seguintes.
Os resultados, publicados na revista "Restoration Ecology", sublinham até que ponto as partes de fruta deitadas fora contribuíram para a recuperação da área.
Os ecologistas mediram várias qualidades do local em comparação com uma área de antigas pastagens imediatamente do outro lado da estrada, utilizada para despejar as cascas de laranja duas décadas antes. Em comparação com a parcela adjacente, que era dominada por uma única espécie de árvore, o local do depósito de cascas de laranja apresentava duas dúzias de espécies de vegetação, a maioria das quais florescente.
Para além de uma maior biodiversidade, de um solo mais rico e de uma copa das árvores mais desenvolvida, os investigadores descobriram uma tayra (uma doninha do tamanho de um cão) e uma figueira gigante com um metro de diâmetro, na parcela.
"Podiam estar 20 pessoas a trepar naquela árvore ao mesmo tempo e ela teria suportado o peso sem problemas", diz Jon Choi, co-autor do artigo, que efectuou grande parte da análise do solo. "Aquela coisa era enorme".
Dados recentes sugerem que as florestas tropicais secundárias - as que crescem depois de os habitantes originais terem sido destruídos - são essenciais para ajudar a abrandar as alterações climáticas.
Num estudo de 2016 publicado na revista Nature, os investigadores descobriram que essas florestas absorvem e armazenam carbono atmosférico a uma taxa cerca de 11 vezes superior à das florestas antigas.
Treuer acredita que uma melhor gestão dos produtos descartados - como as cascas de laranja - pode ser fundamental para ajudar estas florestas a regenerarem-se.
Em muitas partes do mundo, as taxas de desflorestação estão a aumentar drasticamente, minando os solos locais dos nutrientes tão necessários e, com eles, a capacidade dos ecossistemas para se restaurarem.
Entretanto, grande parte do mundo está inundada de resíduos alimentares ricos em nutrientes. Nos Estados Unidos, cerca de metade de todos os produtos agrícolas são deitados fora. A maior parte acaba atualmente em aterros sanitários.
"Não queremos que as empresas andem por aí a despejar os seus resíduos à vontade por todo o lado, mas se for orientado cientificamente e se, para além das empresas, estiverem envolvidos restauradores, penso que é algo que tem um potencial muito elevado", afirma Treuer.
O próximo passo, segundo ele, é examinar se outros ecossistemas - florestas secas, florestas nubladas, savanas tropicais - reagem da mesma forma a depósitos semelhantes.
Dois anos depois da sua pesquisa inicial, Treuer regressou para tentar localizar novamente o sinal que assinala o local.
Desde a sua primeira missão de reconhecimento em 2013, Treuer tinha visitado o terreno mais de 15 vezes. Choi tinha visitado mais de 50. Nenhum deles tinha visto o sinal original.
Em 2015, quando Treuer, com a ajuda do autor sénior do artigo, David Wilcove, e do professor de Princeton Rob Pringle, finalmente a encontrou debaixo de uma moita de videiras.



Photo by Tim Treuer

April 01, 2024

Soluções para preservar a alma das cidades




Quem quer ir a Paris ou vir a Lisboa e dar de caras com a cidade e o bairro onde mora todo o ano?


Como é que Paris continua a ser Paris? Despejando milhões de euros em habitação pública


Capital francesa tenta evitar a perda de habitantes. Estratégia passa por adquirir casas e colocá-las no mercado a preços acessíveis. Professores, trabalhadores do saneamento, enfermeiros, estudantes universitários, padeiros e talhantes estão entre os que beneficiam do programa.

Thomas Fuller
The New York Times

A penthouse de dois quartos tem uma vista deslumbrante para a Torre Eiffel e para quase todos os outros monumentos do horizonte parisiense. E a renda, a 600 euros por mês, é uma pechincha.

Marine Vallery-Radot, 51 anos, a inquilina do apartamento, disse que chorou quando recebeu a chamada, no verão passado, a dizer que a sua família estava entre as 253 de baixos rendimentos escolhidas para um lugar no L’Îlot Saint-Germain, um novo complexo de habitação pública a curta distância a pé do Museu d’Orsay, da Assembleia Nacional e do Túmulo de Napoleão.

“Tivemos muita sorte em conseguir este lugar”, disse Vallery-Radot, uma mãe solteira que vive com o filho de 12 anos, enquanto olhava pela janela do quarto com vista para o Quartier Latin. “É isto que vejo quando acordo.”

A habitação pública pode evocar imagens de torres sombrias e quadradas na periferia de uma cidade, mas este “alojamento social” foi construído nos antigos escritórios do Ministério da Defesa francês, no 7.º Bairro, um dos mais chiques de Paris. Faz parte de um esforço ambicioso e agressivo para manter os residentes de rendimentos médios e baixos e os pequenos empresários no coração de uma cidade que, de outra forma, lhes seria inacessível - e, por extensão, para preservar o caráter inefável de uma cidade adorada por pessoas de todo o mundo.

Este verão, quando a capital francesa receber mais de 15 milhões de visitantes para os Jogos Olímpicos, vai mostrar uma cidade concebida pelas políticas governamentais para alcançar a “diversidade social” - habitantes de uma ampla faixa da sociedade. Um quarto dos habitantes de Paris vive atualmente em habitações públicas, contra 13% no final da década de 1990. A política de diversidade social, promovida com mais força pelos partidos políticos de esquerda, nomeadamente o Partido Comunista Francês, visa evitar a segregação económica observada em muitas cidades do mundo.

“A nossa filosofia orientadora é que aqueles que produzem as riquezas da cidade devem ter o direito de viver nela”, disse Ian Brossat, senador comunista que serviu durante uma década como chefe de habitação da câmara municipal. Professores, trabalhadores do saneamento, enfermeiros, estudantes universitários, padeiros e talhantes estão entre os que beneficiam do programa.

Tornar a filosofia uma realidade é cada vez mais difícil - a lista de espera para habitação pública em Paris é de mais de seis anos. “Não vou dizer que isto é fácil e que resolvemos o problema”, disse Brossat.

Paris está a ser fustigada pelas mesmas forças de mercado de outras cidades ditas “superestrelas”, como Londres, São Francisco e Nova Iorque: um santuário onde os mais ricos do mundo podem estacionar o seu dinheiro e comprar uma parte de um museu vivo. Atualmente, o preço médio de um apartamento de 93 metros quadrados no centro da capital é de 1,3 milhões de euros, segundo a Câmara dos Notários de Paris.

A Fondation Abbé Pierre, uma instituição de caridade influente, foi invulgarmente enfática no seu relatório anual, publicado em fevereiro, chamando à crise de acessibilidade de França uma “bomba social”, com o aumento do número dos sem-abrigo e 2,4 milhões de famílias à espera de candidaturas a habitação pública, contra dois milhões em 2017.

No entanto, as medidas adotadas por Paris para manter os residentes com rendimentos mais baixos na cidade, vão muito além das iniciativas da maioria das outras cidades europeias, para não falar das americanas.

Todas as quintas-feiras, Jacques Baudrier, o vereador parisiense responsável pela habitação, percorre a lista dos imóveis que estão a ser trocados por vendedores e compradores no mercado privado. Com algumas exceções, a cidade tem o direito legal de se antecipar à venda de um edifício, comprar a propriedade e convertê-la em habitação pública.

“Estamos numa batalha constante”, disse Baudrier, que gere um orçamento anual de 625 milhões de euros.

A luta, disse ele, é contra as forças que tornam a compra de imóveis em Paris impossível para todos, exceto para os mais abastados, incluindo quem compra apartamentos como casas de férias e depois os deixa vazios durante a maior parte do ano. Paris também restringiu fortemente os arrendamentos de curta duração, depois de as autoridades terem ficado alarmadas quando os bairros históricos, incluindo o antigo bairro judeu, o Marais, pareciam estar a perder residentes a tempo inteiro, uma vez que os investidores compravam imóveis para alugar a turistas.

Ao mesmo tempo, a cidade construiu ou renovou mais de 82 mil apartamentos nas últimas três décadas para famílias com crianças. As rendas variam entre seis e 13 euros por metro quadrado, dependendo do rendimento familiar, o que significa que um apartamento com dois quartos e 93 metros quadrados pode custar apenas 600 euros por mês. Nos últimos 25 anos, construiu 14 mil apartamentos para estudantes; as rendas mensais num complexo atualmente em fase de conclusão no 13.º Bairro começam em 250 euros por mês.

Para a câmara municipal, a engenharia social também significa proteger o “pequeno comércio”, as pequenas lojas que contribuem para a sensação de intemporalidade da cidade. Quando os visitantes percorrem o que parece ser uma série de pequenas aldeias com padarias, queijarias, sapateiros e lojas de ferragens de família, onde nem tudo está particularmente organizado

A câmara municipal tem um papel direto no tipo de comércio que se instala e sobrevive em Paris, porque é proprietária, através das suas filiais imobiliárias, de 19% das lojas da cidade. Nicolas Bonnet-Oulaldj, conselheiro municipal que supervisiona os terrenos comerciais da cidade, disse que o seu gabinete está constantemente a estudar os bairros para manter o equilíbrio entre as lojas essenciais e limitar o número de cadeias de lojas, que normalmente podem pagar rendas mais elevadas.

“Não alugamos ao McDonald’s, não alugamos ao Burger King e não alugamos à Sephora”, disse Bonnet-Oulaldj. Reconheceu que, nalguns bairros onde os proprietários privados alugaram a cadeias de lojas, a batalha foi claramente perdida.

A cidade escolhe deliberadamente as suas lojas. Numa zona que se tinha tornado repleta de salões de cabeleireiro, a câmara municipal alugou a uma padaria e a uma loja de queijos. Noutros bairros, optou por alugar a oficinas de reparação de bicicletas, em parte para reforçar o esforço da cidade para reduzir o número de carros em favor das bicicletas. Não aluga a casas de massagens porque, por vezes, são fachadas para a prostituição.

A poucos minutos da Praça da Bastilha, encontra-se um dos beneficiários da política comercial da cidade. Emmanuelle Fayat, uma marceneira que restaura e faz a manutenção de violinos para músicos de orquestra, está rodeada de áceres, abetos e das ferramentas do seu ofício: limas, plainas e cinzéis bem organizados. Aluga a sua loja por “uma quantia modesta” a uma empresa de gestão imobiliária da cidade.

“Não tenho conhecimentos de marketing e nunca me perguntei como ficar rico”, disse Fayat numa tarde recente. “Só quero fazer o meu trabalho. Gosto mais da minha profissão do que do dinheiro”.

A cerca de um quilómetro de distância, num bairro rico em cafés e restaurantes, a Librairie Violette & Co., uma livraria feminista e lésbica, é outra beneficiária do programa de diversidade de retalho de Paris. Quando a anterior localização da livraria foi comprada por uma companhia de seguros e os proprietários originais se reformaram, um grupo de mulheres que queria manter o negócio a funcionar teve dificuldade em encontrar uma nova casa e anunciou que ia fechar a loja.

Os funcionários da cidade contactaram-nas e ofereceram um novo espaço a preços abaixo do mercado. “Os bancos recusaram-se a emprestar-nos dinheiro”, diz Loïse Tachon, cogerente da loja. “Acharam que não seria suficientemente lucrativo.”

Mais a norte, perto do Parque Buttes-Chaumont, a cidade aluga uma loja à Desirée Fleurs, especializada em flores cultivadas na região parisiense. Audrey Venant, a cofundadora da loja, vê o programa como uma mão orientadora necessária e protetora.

O comércio local é muito, muito frágil”, diz ela, rodeada de narcisos, ranúnculos e bocas-de-leão, todas perfumadas por eucaliptos. “Vejo muitas falências.”

Venant e o marido, um pintor e escultor, vivem num loft de 70 metros quadrados que também faz parte do programa de habitação pública da cidade. A sua renda mensal de 1300 euros é muito inferior aos preços praticados no mercado, diz ela.

A agência de estatísticas francesa, Insee, informa que Paris tem mais de 10 mil enfermeiros, 1700 padeiros, 470 talhantes, 945 coletores de lixo e 5300 contínuos. A pressão por mais habitação social e outros programas para tornar a cidade mais acessível coincidiu com o domínio dos partidos de esquerda, que chegaram ao poder em 2001, após décadas de domínio da direita.

Mas François Rochon, um consultor de planeamento urbano, disse que existe atualmente em França um consenso funcional entre a direita e a esquerda sobre a necessidade de habitação pública que se espelha em algumas outras nações europeias, mas não nos Estados Unidos. “Viver em habitação social não é estigmatizado”, disse Rochon, que apontou as suas raízes há um século em França, quando as empresas construíam apartamentos para os seus trabalhadores.

Como medida do alinhamento esquerda-direita sobre a questão, Benoist Apparu, um antigo ministro da Habitação que serviu num Governo conservador, descreveu a habitação social como “absolutamente essencial”.

“Uma cidade, se for composta apenas por pessoas pobres, é um desastre”, disse Apparu, que agora trabalha para um promotor imobiliário. “E se for composta apenas por pessoas ricas, não é muito melhor.”

O programa de habitação de Paris faz parte das contrapartidas do Estado-providência: cuidados de Saúde e Educação acessíveis em troca de algumas das taxas de imposto sobre o rendimento e encargos sociais mais elevados da Europa. No entanto, a habitação pública está cada vez mais disponível apenas para aqueles que têm a sorte de a obter.

Há também um cinismo remanescente em Paris em relação à habitação pública, depois de uma série de escândalos nos Anos 90, quando foi revelado que alguns políticos conservadores pagavam rendas baratas por apartamentos de luxo propriedade da cidade. Atualmente, a cidade atribui habitações públicas através de um sistema que desnuda os nomes dos candidatos e lhes dá prioridade através de um sistema de pontos que tem em conta os rendimentos e as circunstâncias familiares.

A maior parte das vezes, a resistência surge a nível local, diz Rochon. Os residentes dos bairros centrais, por exemplo, opuseram-se muitas vezes à construção de habitação pública e os bairros continuam a ser bastiões dos ricos. Há também desacordo sobre até onde o Governo pode ou deve levar a habitação pública no futuro. O objetivo atual é que, até 2035, Paris tenha 30% de habitação pública para residentes com baixos rendimentos e 10% para residentes com rendimentos médios.

Baudrier, membro do Conselho Municipal de Paris, disse acreditar que, a longo prazo, 60% das habitações da cidade deveriam ser públicas e reservadas a famílias com rendimentos baixos e médios.

Mas a construção de novas habitações públicas tem sido particularmente difícil, porque grande parte da cidade já está densamente povoada e muitas vezes protegida pelo estatuto de Património Histórico.

Os planeadores urbanos negociaram com os caminhos de ferro públicos a compra de antigos estaleiros de comboios e respetivos direitos de passagem. Também aproveitaram oportunidades como a que surgiu em 2018, quando o Ministério da Defesa francês reuniu todos os seus escritórios em Paris e a cidade negociou a compra do LÎlot Saint-Germain por um preço muito abaixo do mercado. A construção de 253 apartamentos que se seguiu foi financiada pela venda de parte do edifício a um fundo de investimento do Qatar, que está a construir um hotel de luxo, bem como por empréstimos públicos a juros baixos, com durações de 50 a 80 anos, segundo Emmanuelle Cosse, antiga ministra da Habitação.

A câmara municipal também tomou posse de edifícios condenados. Fabrice Chaillou, pai de dois filhos e gestor de redes informáticas, vive numa habitação pública no extremo norte de Paris, construída a partir das ruínas de um bairro degradado. Paga 980 euros por mês por um apartamento de três assoalhadas que esperou 10 anos para conseguir. Entre os seus vizinhos contam-se um contínuo, professores, um vendedor de automóveis e um agente da polícia.

O programa permitiu a Chaillou e à mulher criar os seus dois filhos na cidade, mas sabem que o futuro da habitação social enfrentará sempre, pelo menos, um grande desafio: “O problema é que quando se entra, nunca mais se quer sair.”

Este texto foi publicado inicialmente no jornal The New York Times



March 22, 2024

Soluções - Despavimentar para cultivar plantas



Uma ideia que começa a ser levada à prática nas cidades. A despavimentação ajuda a água que cai sobre as cidades a ser absorvida pela terra e a evitar inundações. Também ajuda as plantas selvagens a crescerem no espaço urbano. Além disso, ao plantar mais árvores, pode produzir-se mais sombra, protegendo as pessoas da radiação solar.

Os parques, campos e espaços exteriores estão a ser cada vez mais afectados pela construção maciça de edifícios. Com isso em mente, há agora uma grande iniciativa de remover o pavimento para cultivar plantas. A organização sem fins lucrativos Depave, de Portland, assumiu a responsabilidade de remover o betão e plantar a natureza.

"Costumavam ser locais por onde se passava rapidamente e agora são locais onde se pode parar e conversar. Ou simplesmente parar e ler o jornal", explica.

A medida já chegou à Europa, onde algumas cidades já começaram a despavimentar de forma consistente.
Por exemplo, em Londres, as pessoas estão a ser convidadas a recuperar o espaço verde do chão nos seus jardins. Em Leuven, na Bélgica, está a ser encorajada a revegetação em grande escala. Baptist Vlaeminck, responsável pelo projeto local de adaptação às alterações climáticas em Lovaina, estima que, só em 2023, a remoção de 6 800 metros quadrados de betão contribuiu para que 1,7 milhões de litros de água fossem absorvidos pelo solo quando chove.
Os planos visam remover um volume significativo de asfalto das zonas residenciais e obrigar os automóveis a partilhar a estrada com peões e ciclistas.

"É como libertar a terra", disse Katherine Rose, directora de comunicação da Depave. "Este sonho é o de trazer a natureza de volta para nós. Em 2023, juntamente com 50 voluntários, removeram cerca de 1.670 metros quadrados de betão perto de uma igreja local. Na sua conta de Instagram pode ver-se esta iniciativa e o resultado: instagram.com/depavepdx


 

December 27, 2023

Soluções

 


September 28, 2023

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September 18, 2023

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August 29, 2023

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August 28, 2023

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July 31, 2023

Somos um país de Verões quentes e secos



Porque é que, em vez de embirrarem com as piscinas não fomentam a construção de piscinas com sistemas que aproveitam as águas da chuva ou, estando perto do mar, aproveitem a água do mar? Com certeza que a tecnologia actual permite fazer isso com facilidade. Então, porque é que vão para a opção de proibir e punir? Somos um país de Verões quentes e secos e as piscinas sabem bem. Inventem-se soluções em vez de proibir a torto e a direito.

Seca em Portugal: “Quem faz uma casa faz uma piscina” e não precisa de licença


Podíamos ter outras opções. Temos o Tejo e outros rios. Em Istambul, por exemplo, fizeram duas piscinas no próprio rio, numa das margens, para as pessoas da cidade poderem refrescar-se. Em NY têm piscinas ambulantes como se vê na imagem. Há muitas soluções, não é preciso proibir.


do FB

July 09, 2023

Soluções