April 03, 2026

O que acontece na escola fica no RASI

 


Em relação a este tema e concordando com tudo o que diz este articulista, penso que a educação sexual devia ser obrigatória - há vários modelos possíveis de desenvolver esse tema nas escolas. Não tem que ser uma disciplina à parte, até porque tem de ser cruzada com uma educação da presença digital online. Os miúdos deviam ser proibidos de aceder a redes sociais e sites pornográficos até aos 15 ou 16 anos. Isso tem tido um efeito devastador nas crianças e adolescentes e não percebo porque é que os pais se recusam a ver a destruição psicológica dos filhos. Hoje em dia fala-se disso em todo o lado, de maneira que já não é ignorância. Também penso que a Psicologia devia ser obrigatória no 12º ano. Não se percebe como é que uma disciplina científica tão importante e impregnada em todas as áreas do desenvolvimento humano está completamente arredada da educação dos jovens. Todos os anos tenho alunos que querem ter Psicologia no 12º ano mas , exceptuando o caso das Humanidades, não a escolhem porque as duas disciplinas específicas da sua área de estudos têm mais importância no curso universitário que querem seguir.


O que acontece na escola fica no RASI

A desregulação e a incapacidade de controlo de conteúdos nas plataformas tecnológicas permitem que colegas partilhem conteúdos íntimos de outras colegas sem consentimento.

Pedro Candeias in Público

A desregulação e a incapacidade de controlo de conteúdos nas plataformas tecnológicas permitem que colegas partilhem conteúdos íntimos de outras colegas sem consentimento.

Na página 51 do último Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) redescobre-se esta realidade especialmente preocupante: a subida acentuada das ocorrências não criminais e a prevalência de “ilícitos de natureza sexual” em ambiente escolar.

No primeiro caso, e embora o RASI não especifique exactamente o que são essas tais “ocorrências” que não cabem na tipologia crime, não é difícil adivinhar que se referem a episódios de violência e de indisciplina traduzidos em incidentes que contribuem para a “percepção de insegurança”. Ameaças e insultos, algumas nódoas negras ou ossos rachados – e, claro, bullying.

São coisas graves, sim, mas incomparáveis aos abusos online descritos peloRASI. A desregulação e a incapacidade de controlo de conteúdos nas plataformas tecnológicas permitem que colegas partilhem conteúdos íntimos de outras colegas sem consentimento, que crianças consumam pornografia, que jovens sejam excluídas ou extorquidas – o RASI descreve os actos como “brutais” – depois de manipuladas, chantageadas e pressionadas para se exporem em fotos ou vídeos.

O género feminino aqui utilizado não é por acaso: são principalmente os rapazes que se impõem a raparigas nestes cenários.

Abrem-se, assim, infinitas possibilidades para crimes absurdos e emocionalmente violentíssimos, que deixam marcas profundas nas jovens que os sofrem. A isto somam-se os perigos crescentes de deepfakes gerados por IA, cada vez mais indiscerníveis da realidade, pelo que se pressente que estamos apenas no início desta história.

Portanto, por tudo isto, a atitude do Governo em querer discutir a semântica da palavra “sexualidade” na disciplina de Cidadania e Desenvolvimento no Verão passado foi inquietante, além de cientificamente questionável.

Se os especialistas que estudam os fenómenos de violência de género garantem que a educação sexual é um caminho para as resolver, talvez seja mais avisado abandonar as guerras culturais e concentrar todos os esforços para tentar resolver, por exemplo, o problema da falta de professores e do número de alunos sem aulas. Isso, sim, será reformista.

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