April 01, 2026

Estou fascinada com este caso

 

Vai no 7º dia de tribunal. É o caso de um médico, um anestesiologista de Maui, acusado de tentar matar a mulher enquanto faziam uma caminhada em Honolulu. A mulher é uma engenheira nuclear e têm dois filhos em conjunto. Ele tem mais filhos de um casamento anterior. A mulher teve um caso emocional -nunca passou de mensagens- com um colega de trabalho e ele descobriu. Desde antes de descobrir vigiava o telemóvel da mulher como se fosse seu, entrava nas contas de FB e WhatsApp da mulher e lia tudo. Depois de descobrir disse à mulher que tinha perdido o direito à privacidade... Mandou-a despedir-se do emprego mas ela recusou. Mandou-a sair de casa e deixar os filhos (o mais novo com 18 meses) e ela recusou. Foram a um conselheiro matrimonial. Passados uns tempos resolveram ir passar uns dias a Honolulu, nos anos dela. Ideia dele. Ele escreveu-lhe um cartão apaixonado e foram fazer uma caminhada. A meio da caminhada ele atacou a mulher, deitou-a ao chão, imobilizou-a, tentou empurrá-la para o penhasco, tentou espetar-lhe uma seringa e não conseguindo agarrou numa pedra grande e começou a bater-lhe com a pedra na cabeça. A mulher primeiro tentou falar com ele, mas não funcionou e depois pôs-se aos gritos de Help! Help!, desalmadamente.

Com tanto azar dele e sorte dela, duas enfermeiras que costumam fazer aquela caminhada ouviram e foram a correr até um ponto em que viram o homem em cima dela à pedrada com toda a força na cabeça dela enquanto com o outro braço tentava empurrá-la para o penhasco. As duas mulheres pararam mas gritaram, "ouvimos o pedido de socorro estamos a ligar para o 911". Nessa altura o homem estacou a olhar para elas (estavam suficientemente perto para olharem o homens olhos) e a mulher aproveitou para rastejar para longe dele em direcção às mulheres. O homem fugiu para a floresta e foi apanhado pela polícia mais tarde.

O que me fascina é que o médico declarou-se inocente e alegou auto-defesa. Diz que a mulher (que não tinha nada consigo, nem sequer a mala, pois o homem é que a tinha) o atacou e que ele estava a defender-se! Entretanto ele disse ao filho mais velho do outro casamento que tinha tentado matar a mulher porque ela andava com outro. Esse filho testemunhou e chamava-lhe 'o réu' em vez de 'pai'. 

Os advogados de defesa comportam-se como se a mulher fosse a criminosa e vão buscar as coisas mais irrelevantes para tentar defender o indefensável. O médico ri-se e tudo.

Agora está um médico patologia forense a testemunhar. A dizer que a mulher estar cheia de sangue na cabeça não quer dizer nada - como se isso interessasse alguma coisa. Isto é irrelevante, em primeiro lugar porque eles têm a pedra e os testes genéticos não deixam dúvida sobre quem atacou quem e para o que serviu a pedra e em segundo lugar, as lacerações na cabeça dela só não são maiores porque as raparigas interromperam o trabalho do médico de matá-la à pedrada e atirá-la depois do penhasco para parecer que as lesões eram da queda.

Que tipo de arrogância e inconsciência são necessárias para alguém pensar que pode anular uma situação destas tão óbvia?

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