October 27, 2020

'Chuva, caindo tão mansa'

 


Chuva, caindo tão mansa,
Na paisagem do momento,
Trazes mais esta lembrança
De profundo isolamento.
Chuva, caindo em silêncio
Na tarde, sem claridade...
A meu sonhar d'hoje, vence-o
Uma infinita saudade.

Francisco Bugalho, in "Paisagem"








Shinagawa, Tokyo' /東京都品川 (1931) by the great Kawase Hasui (川瀬 巴水, 1883–1957), who was one of the most prominent print designers of the shin-hanga (new prints) movement in early twentieth century Japan.

Mostly black

 




From Tunisian → NASA


Je sais très bien ce qui se passe

 


Sommeil : que se passe-t-il dans votre cerveau insomniaque ?



October 26, 2020

Lemn Sissay - Invisible Kisses

 


lido pelo próprio

Olha o que fui encontrar

 


Isto é a Av. António Augusto Aguiar, onde nasci, mas muito anos antes, no início do século passado quando ainda era Rua António Augusto Aguiar. Isto é no cruzamento do El Corte Ingles. Mas a fotografia a seguir é do ano em que nasci. Às tantas estava a nascer quando o fotógrafo tirou isto, o que tinha a sua piada 😄 a minha mãe disse-me um dia que chorei durante um ano inteiro, só chorava  ahahah incomodei toda a gente ahah  já nasci com a angústia filosófica e a chatear toda a gente 😄






Ando à procura dum sítio destes

 


... para descansar os olhos e sentir o cheiro da natureza.




Pode uma música ser leve e pesada ao mesmo tempo? Pode

 


Esta música é minha irmã. Tua também.

Livros - eu nem sabia que as árvores tinham uma vida escondida

 




Isto tem piada

 
















Poulami Sharma


Ok then

 



bansky group


Livros gratuitos - Platão, Fédon XVII (continuação)

 


XLVIII – De seguida, continuou, já cansado de considerar as coisas, foi preciso acautelar-me para não acontecer comigo o que se dá com as pessoas que observam e contemplam o Sol quando há eclipse: por vezes perdem a vista, se não olham apenas para a imagem dele na água ou nalgum meio semelhante. Pensei nessa possibilidade e receei ficar com alma inteiramente cega, se fixasse os olhos nas coisas e procurasse alcançá-las por meio de um dos sentidos. [outra vez a ideia de que os sentidos são inadequados enquanto instrumento e linguagem do que é inteligível] Pareceu-me aconselhável acolher-me ao pensamento, para nele contemplar a verdadeira natureza das coisas. [porque a Verdade é racional] É muito provável que a minha comparação não seja exacta, pois não é, quanto a mim, ponto assente que o estudo dos seres, através das suas manifestações externas se revele menos do que através das ideias, um estudo à base das imagens... [ele sabe que não é certo que o pensamento, por ser mais fiável que os sentidos, seja capaz de alcançar Verdades, mas sendo mais seguro, é nele que nos devemos apoiar] De qualquer modo, meu caminho foi esse. Em cada caso particular, parto sempre do princípio que se me afigura mais forte, considerando verdadeiro o que com ele concorda, no que se trate de causas ou do que for e, como falso, o que não afina com ele. [mesmo que o pensamento não seja verdadeiro, é coerente ao contrário do conhecimento relativo que sabemos ser contraditório, logo falso, portanto, no mínimo, eliminamos as falsidades] Vou expor-te com maior clareza minha maneira de pensar, pois quer parecer-me que não a apreendeste muito bem.

Não muito, por Zeus, respondeu Cebete.

XLIX – No entanto, prosseguiu, o que eu digo não é novo, mas o que sempre afirmei, tanto noutras ocasiões como em nossa argumentação recente. Vou tentar mostrar-te a natureza da causa por mim estudada, voltando a tratar daquilo mesmo de que tenho falado toda a vida, para, de saída, admitir que existe o Belo em si, e o Bem, e o Grande, e tudo o mais da mesma espécie. Se me aceitares esse ponto e concordares que existem, tenho esperança de mostrar-te a causa e provar a imortalidade da alma.

Admite que já concedi tudo, falou Cebete, para não atrasares ainda mais tua exposição.

Então, considera o que se segue, continuou, para ver se estás de acordo comigo. O que me parece é que se existe algo belo além do Belo em si, só poderá ser belo por participar do Belo em si. O mesmo afirmo de tudo o mais. Admites essa espécie de causa?

Admito, respondeu.

Então, já não compreendo, continuou, as outras causas, de pura erudição, nem consigo explicá-las. E se, para justificar a beleza de alguma coisa, alguém me falar de sua cor brilhante, ou da forma, ou do que quer que seja, deixo tudo o mais de lado, que só contribui para atrapalhar-me, [porque o brilho ou o colorido, noutra circunstância ou objecto poderia fazê-los feios e não belos, de modo que nunca esses elementos poderiam ser a causa de algo ser belo] e me atenho única e simplesmente, talvez mesmo com uma boa dose de ingenuidade, ao meu ponto de vista, a saber, que nada mais a deixa bela senão tão só a presença ou comunicação daquela Beleza em si, qualquer que seja o meio ou caminho de se lhe acrescentar. [portanto, as coisas materiais são belas por terem algo da Ideia de Beleza] De tudo o mais não faço grande cabedal; o que digo é que é pela Beleza em si que as coisas belas são belas. Na minha opinião, essa é a maneira mais certa de responder, tanto a mim mesmo como aos outros. Firmando-me nessa posição, tenho certeza de não vir a cair e de que tanto eu como qualquer pessoa em idênticas circunstâncias poderá responder com segurança que é pela Beleza que as coisas belas são belas. Não te parece? 

Sem dúvida.

Como é por meio da Grandeza que o grande é grande e o maior é maior, e pelo da Pequenez que o pequeno é pequeno.

Certo.

Logo, também não concordarias com quem dissesse que um homem é maior ou menor do que outro uma cabeça, porém persistirias na defesa de tua proposição, de que na tua maneira de pensar tudo o que é grande só pode ser grande por causa da Grandeza, nada mais, sendo esta, a Grandeza, que deixa grandes as coisas, como o pequeno só será pequeno por causa da Pequenez, vindo a ser isto mesmo, a Pequenez, que deixa pequeno o pequeno, de medo, quero crer, no caso de afirmares que um homem é maior ou menor do que o outro uma cabeça, que pudesse alguém objectar-te, primeiro, que é pela mesma coisa que o maior é maior e o menor é menor; depois, que, sendo pequena a cabeça, é por meio dela que o maior é maior, verdadeiro disparate: vir a ser alguém grande por causa do que é pequeno. Não receias isso? [se fosse a mesma cabeça que fizesse um ser pequeno e outro ser grande, quer ele dizer, o resultado seria absurdo e contraditório como sempre acontece quando consideramos as causas pelo ponto de vista do material sensível]

Sem dúvida, respondeu rindo Cebete.

Como também recearias dizer, continuou, que dez é em dois mais do que oito, sendo essa a razão de o exceder e por causa da quantidade.

Perfeitamente, respondeu.

E então? No caso de uma unidade ser acrescentada a outra, não terás medo de dizer que essa adição foi a causa de formar-se o dois, ou, na hipótese de ser a unidade cortada ao meio, que foi a divisão? E não protestarias em alta voz que não sabes como uma coisa possa transformar-se noutra, a não ser pela participação da essência própria da natureza que ela própria participa [a Ideia, neste caso a de Dualidade] e que, no caso concreto da geração do dois, não saberás informar outra causa se não for a participação da Dualidade? Dessa Dualidade é que terá de participar o que tiver de ficar dois, como participará da Unidade, tudo o que vier a ser um. Quanto às divisões e acrescentamentos e demais subtilezas do mesmo gênero, mandarás todas elas passear, deixando o cuidado da resposta a quem for mais sábio do que tu. 

Quanto a ti, de medo, como se diz, da própria sombra e de tua inexperiência, e firmado naquele
pressuposto seguríssimo, 
[portanto, o que a investigação filosófica tem de fazer é examinar a solidez dos pressupostos] responderias daquele jeito. E no caso de investir o adversário contra tua própria tese, não lhe darias atenção nem responderias a ele sem primeiro verificares se as consequências de seu postulado são dissonantes ou harmônicas [Investigar se os pressupostos levam a consequências absurdas como aconteceu no caso do argumento da lira e da música] E na hipótese de fundamentar tua proposição, fá-lo-ias da mesma forma, com admitir um novo princípio, que se te afigurasse mais valioso, até conseguires resultado satisfatório. [num segundo momento, poderia, então, investigar-se os próprios pressupostos] Ao contrário dos disputadores, [está a referir-se, outra vez, aos sofistas, que embaralham as pessoas argumentando indiferentemente princípios e consequências como se tudo fosse igual] não confundireis com suas consequências o princípio em discussão, caso quisesses alcançar alguma realidade sobre os seres. Com esta, ao que parece, é que nenhum deles se preocupa no mínimo. Com todo o seu saber, o que fazem é baralhar tudo, muitos anchos de si mesmos. Tu, porém, se te incluis entre os filósofos, farás o que te disse. [Platão expôs aqui o método dialético: que vai de hipótese em hipótese até aos princípios para averiguar da sua coerência e depois regressa ao mundo para ver se as consequências desses princípios são razoáveis ou absurdas]

Falaste a pura verdade, disseram a um só tempo, Símias e Cebete.

Equécrates – Por Zeus, Fedão, nem lhe seria possível expressar-se de outro modo, pois me parece de clareza meridiana semelhante explanação, até mesmo para quem for dotado de parco entendimento.

Fedão – Perfeitamente, Equécrates; todos os circunstantes foram desse mesmo parecer.

Equécrates – Que é também o de todos nós que não participamos do colóquio e te ouvimos neste momento.

L – E depois disso, o que disseram?

(continua)

Alguns pontos em alguns iis

 


Há 12 anos que tenho este blog. Escrevo muito. Nestes anos todos aprendi que quem vem aqui ler, lê com os seus óculos e vê o que quer ver, sendo que muita gente interpreta o que escrevo como sendo contra si. Já aconteceu pessoas a certa altura não me falarem e eu achar estranho e ir ter com elas e perguntar o que se passa e ficar a saber que se ofenderam com qualquer coisa que disse aqui e que interpretaram como critica, quando não era para elas. Escrevo tanto sobre tanta coisa. Em geral resolvo isso, porque o meu feitio não é mandar bocas ou dizer as coisas nas costas ou às escondidas (ex: alguém vai já ficar a pensar que ao dizer isto estou a mandar uma boca ou a fazer uma crítica, o que não verdade, estou só a dizer o meu modo de funcionamento - toda a gente na minha escola, por exemplo, sabe que isto é verdade) e vou ter com as pessoas e digo o que tenho a dizer e essas coisas ficam esclarecidas.

Aqui há uns tempos li qualquer coisa que a Manuela escreveu e achei que era uma boca para mim. Fui logo ao WhatsApp perguntar-lhe, 'olha lá aquilo era para mim?' ao que ela respondeu, 'Claro que não! Estás parva, ou quê?' e pronto. E o contrário também já aconteceu. Isto para mim é o normal. Falar com as pessoas e explicar e esclarecer, é o que faço. Bem, a não ser que a pessoa não queira contacto... não vou perseguir ninguém. Mas pronto, isto para dizer que às vezes vejo claramente que alguém interpretou mal o que eu disse e depois tento esclarecer e ainda é pior porque quando as pessoas vêm à procura do que querem ver, do que já pensam ou do que já acreditam e vêm para confirmar preconceitos, depois é só isso que vêem. Isso está fora do meu controlo, como qualquer pessoa que tenha um blog ou uma coluna no jornal sabe muito bem.

Às vezes faço um teste nas aulas (em poucas porque é preciso que sejam um certo tipo de alunos e se não forem a experiência perde-se e é pior a emenda que o soneto) que é conhecido de muitos professores e de todos os psicólogos. Passo o vídeo de atenção selectiva (está lá em baixo para quem não o conhece). 

Passo-o porque quando digo aos alunos que nós vemos, literalmente, o que esperamos, queremos ver e procuramos, eles não acreditam. É especialmente eficaz em turmas de bons alunos, com capacidade de concentração. O teste dura 50 segundos e consiste em duas equipas, uma de t-shirt branca e outra de t-shirt preta a passarem uma bola uns aos outros. Nós dizemos aos alunos para se concentrarem muito bem nos de t-shirt branca e contarem quantos passes de bola fazem. Os miúdos contam, páro o vídeo, pergunto quem contou, a maioria deles diz correctamente o número de passes e depois pergunto, 'quantos viram o gorila'. Resposta: 'gorila, qual gorila? Não havia nenhum gorila'. -ai havia, havia, um gorila enorme que a meio do jogo atravessa o campo de vista, pára, bate no peito e sai. 'Não pode ser, não pode ser'. Ok, então vou recuar e agora procurem o gorila. É claro: quando o gorila aparece no campo de visão é uma explosão de risos porque o gorila é enorme. Geralmente, em cada turma, há dois alunos que o vêem. São os alunos de pouca atenção e que se distraem facilmente. Os outros ficam incrédulos por não o terem visto. Bem, não o viram porque não o procuraram nem era isso que esperavam ver. Mas ele estava lá bem visível.

A percepção visual é selectiva e nós vemos o que procuramos ver. É o mesmo princípio do boato e da calúnia: depois de alguém lançar um boato ou calúnia sobre outra pessoa, de cada vez que a vemos, julgamos o seu comportamento e palavras com esse filtro e interpretamos tudo com esse afunilamento, procuramos os sinais que confirmam o que já acreditamos, de tal modo que não vemos os gorilas e tudo nos parece confirmar as t-shirts brancas. 

Enfim, a certa altura, porque já lá vão 12 anos, assumi esse risco de ser aqui mal interpretada, às vezes nos antípodas do que digo e quero dizer. Parto do princípio que as pessoas que me querem bem, se têm dúvidas falam comigo e esclarecem as coisas. 

Não falo de pessoas a quem me refiro claramente e que já mais que uma vez me tentaram calar. Passados dois anos de ter o blog, alguém o fez desaparecer, porque eu criticava muito a Rodrigues, o Sócrates, os sindicatos... mas como o que está na internet nunca desaparece, a equipa pô-lo outra vez a funcionar. E depois disso outras vezes. Há pessoas que me detestam e se pudessem afastar-me definitivamente, era o que faziam. O pior de tudo, para essas pessoas, não é o ser crítica, mas ser uma mulher. Há imensos blogs de homens muito mais críticos e contundentes e alguns com uma linguagem de palavrões que eu não uso. Mas lá está, são homens, não mulheres. Onde é que já se viu tal coisa? Uma mulher a falar assim, a dizer o que pensa sem rodeios nem pedidos de desculpa? Se fosse homem percebia-se, porque os homens falam frontalmente, mas sendo mulher é uma coisa mesmo desagradável, agressiva. As mulheres não falam assim. Não sorri enquanto faz críticas... já uma vez me deram um artigo de jornal onde se defendia que as mulheres deviam sorrir em vez de fazer crítica porque seriam mais felizes... Alguém pensou que tenho um pensamento crítico porque não sei ser feliz... Portanto, é isso, incomodo. Não é essa a minha intenção, mas sei que é assim que sou sentida. Como um tremendo incómodo.

Não tenho intenção nenhuma de dar uma ideia de perfeição que não tenho ou de ser uma pessoa meramente contemplativa, um ser platónico puramente racional, uma filósofa impertubável, que não sou (nem uma coisa nem outra). Se calhar se o fosse  -filósofa ou imperturbável- não tinha esta doença... nem me preocupo muito que vejam que sou um ser humano, que tenho uma vida emocional, que às vezes me dá para escrever coisas que até assustam os amigos e me ligam a perguntar o que se passa comigo que não pareço eu... o que se passa comigo...? olha, quando eu digo que sou anormal as pessoas acham que o digo como graça, para me fazer engraçada, mas não: é um facto e só me traz chatices que preferia não ter.

Não tenho assim tanta importância. Sou uma pessoa, estou viva (por enquanto), penso, digo o que penso, mas este blog não é a vida e não é a minha vida. É só um blog. Há aqui muita ficção, muitas ideias, estados de alma, reflexões, dramas... é um blog. Tenho muita coisa ao mesmo tempo na cabeça o tempo todo sem parar sobre muitos assuntos que me interessam profundamente e vou aliviando para aqui (e alivio-me das mazelas que surgem como sequelas dos tratamentos e da doença e que é preciso tratar logo - agora tenho uma úlcera na córnea... uma chatice que precisava imenso a juntar às outras...) Há quem escreva livros, pela mesma razão. Eu escrevo aqui. Há quem goste do blog. Obrigada, sinceramente, saber isso motiva-me muito. Há quem partilhe os meus pontos de vista, mas há quem não partilhe e me faça crítica. Isso para mim é tudo normal. A crítica feita com seriedade e frontalidade, é normal e desejável.  Tenho horror à mesmidade, da mesma maneira que as águas dos canos de Aristóteles tinham horror ao vazio. 😀 Isto é um blog. Não é a vida. Outros é que o confundem com a vida, mas a vida é outra coisa. Sim, é verdade que estou no blog da mesma maneira que um escritor está no que escreve, mas nem o escritor se reduz aos livros que escreve nem eu me reduzo ao blog. Como agora estou aqui fechada em casa, passo muito tempo na internet, no blog, a ruminar (até fui buscar o cubo que já nem sabia onde andava), mas a vida é muito mais que isto. Isto é um blog. 


Quem nunca viu este teste, naturalmente percebe que ele agora já não funciona, depois de o ter descrito e explicado.




PS Açores - não volta ao princípio, não

 


O Chega elegeu 2 deputados (obrigada PS e PSD, continuem que vão bem...) e agora que a geringonça continental deu o exemplo, abriu um novo campo de possibilidades nas ilhas... uma geometria equivalente. Agora lidem com isso.


Eleições nos Açores: PS perde maioria absoluta. Chega elege dois deputados


O PS viu fugir a maioria absoluta, ficando com 39,1% dos votos e 25 deputados (perde cinco). Tal como o Chega, Iniciativa Liberal e PAN também elegem pela primeira vez, ambos um deputado.

O PS venceu as eleições, mas ao fim de 24 anos de poder socialista volta ao princípio: se conseguir constituir governo – a geometria parlamentar permite também ao PSD pensar no poder – terá de o fazer sem a maioria absoluta, o que não acontecia desde a primeira vitória de Carlos César.




Philosopher jokes - Adorei 😁

 




Primeiro o Erdogan e agora o do Paquistão - 'times they are a-changin...'

 


E agora está na moda comparar tudo ao Holocausto...? Dá ideia que isto se transformou uma palavra sem conteúdo e sem significado.


′′ Peço-lhe que proíba a islamofobia e o ódio contra o Islão da mesma forma que fez para o Holocausto"

i24NEWS - Le Pakistan demande à Facebook d'interdire toute publication à "contenu islamophobe"

Soluções

 




Creches na Finlândia construíram um ‘piso de floresta’ e mudou o sistema imunológico das crianças



O experimento na Finlândia é o primeiro a manipular explicitamente o ambiente urbano de uma criança e depois testar as mudanças em seu micriomato e, por sua vez, no sistema imunológico de uma criança.

Embora as descobertas não contenham todas as respostas, elas apóiam uma ideia importante – a saber, que uma mudança nos micróbios ambientais pode afetar com relativa facilidade um microbioma bem estabelecido em crianças, ajudando seu sistema imunológico no processo.

A noção de que um ambiente rico em seres vivos impacta nossa imunidade é conhecida como ‘hipótese da biodiversidade’. Com base nessa hipótese, uma perda de biodiversidade em áreas urbanas poderia ser pelo menos parcialmente responsável pelo recente aumento de doenças relacionadas ao sistema imunológico.

“Os resultados deste estudo apoiam a hipótese da biodiversidade e o conceito de que a baixa biodiversidade no ambiente de vida moderno pode levar a um sistema imunológico deseducado e, consequentemente, aumentar a prevalência de doenças imunomediadas,” escrevem os autores .


Open culture - the human crises

 



Deambulações - a (má) experiência é uma madrasta

 


Sem ofensa para as madrastas... o que quero dizer é que uma mãe ideal ensina fornecendo modelos positivos e uma madrasta tradicional (a dos contos) ensina pelo erro, por modelos negativos. A aprendizagem por modelos negativos é mais difícil, tem muitos custos que a outra não tem e é redutora. Uma madrasta valoriza os pontos negativos, uma mãe valoriza os aspectos positivos, porque um filho, pode até enveredar por caminhos que não víamos, mas se apenas vemos os nós e as dificuldades, nem sequer há caminho. Não se segue que não veja obstáculos, mas não se fixa neles, porque a pessoa é mais importante que as red flags que a rodeiam. Depois, a experiência põe-nos naquela situação de estarmos a ver os outros cometer erros que já cometemos em situações idênticas (been there, done that...) e não podermos dizer nada, como acontece com os alunos a quem vemos antecipadamente cometer erros e não podemos fazer nada pois estão fechados na sua perspectiva e acham que todas as perspectivas são equivalentes.

Também, na experiência de vida, aquilo que a maioria acha um erro, outros consideram um valor. Veja-se o exemplo de Sócrates que na visão de todos os seus conterrâneos cometeu um enorme erro que o levou à prisão e à morte, mas aquilo que a maioria valoriza, outros não valorizam e não são as coisas que querem. 

Se vejo, há muito tempo, a situação a que chegámos, foi porque alguém me abriu os olhos: Castoriadis. Um dos primeiros textos que escrevi aqui no blog (na outra casa - aliás, esse texto vinha do blog do  Mário onde escrevi 3 ou 4 textos que depois importei para o meu, quando o criei) foi acerca de um livro dele, chamado A Ascensão da Insignificância. É um livro com uma entrevista que deu, nos anos 80, onde descreve tal qual a situação em que estamos hoje (deixo aqui link) e que li por volta do ano 2000. Foi difícil ter passado estes anos todos a ver desenrolar-se em frente dos olhos todos os erros previstos, tal qual como ele os disse. Na escola, na educação, sobretudo, tem sido muito difícil ter que viver, no dia-a-dia, os estragos previstos. 

Podemos ter duas atitudes: uma, socrática, por assim dizer, que é a pedagógica, de denunciar, criticar e tentar abrir os olhos dos outros antes que seja tarde demais. Essa tem grandes custos pessoais, para além de que tem pouco efeito porque a visão é um orgão selectivo; ou, seguir o conselho de Castoriadis e encostarmo-nos a ver os caminhos fecharem-se e escrever sobre isso, com esperança que no futuro, alguém com uma visão inteligente não cometa os erros do vulgo. (visão inteligente no sentido socrático-platónico de considerar as coisas de um ponto de vista deslocalizado, não imediato, o que é diferente daqueles que se acham muito espertos e mais sabidos que os outros - os sofistas achavam que Sócrates era parvo porque podia, com o seu talento, ter ido mais longe que eles próprios e nunca perceberam que Sócrates sabia o que eles sabiam e também sabia como se fazia o que eles faziam, só que escolhia não o fazer) 

Mas, a minha questão é: como se está presente sem estar presente? Isso implica uma anulação da auto-consciência que já vi vezes demais acontecer. Não é bonito, porque no fundo, no fundo, as pessoas sabem que cravaram um punhal em si mesmas e na sua dignidade.

Aquela frase de Nietzsche, segundo a qual o que não nos mata torna-nos mais fortes e que a experiência negativa nos torna resistentes é uma grande treta: as más experiências endurecem as pessoas, tornam-nas impiedosas, fechadas à vida e cínicas. O ódio, o rancor, a mesquinhez, o cinismo, não ensinam nada. Afunilam a visão. Veja-se o caso de todos os extremistas que andam por aí a espalhar o ódio, convictos que o outro é o mal, cegos para todas as possibilidades positivas e de valorização do outro em si e não apenas como uma imagem de nós. Aprender e evoluir é ganhar outras visões. É expansão e não contracção. É por isso que lemos, viajamos e gostamos de conversar com pessoas interessantes que têm experiências diferentes das nossas. Para expandir e não para tomar posse e controlo. Na verdade, aprende-se infinitamente mais com uma experiência de amor que com todas as experiências negativas que nos pseudo-ensinam (se tivesse vontade punha aqui o Banquete de Platão como estou a fazer com o Fédon, que é imensamente rico acerca disso). Uma experiência de amor altera completamente a nossa visão do mundo, abre um mundo completamente novo, positivo e essa visão, uma vez vista, não mais ser 'des-vê', uma vez vivida, não pode mais ser 'des-vivida''. Sim, continuamos a ver os obstáculos do mundo e os que agem pelo controlo, pelo poder e pelo cinismo -em suma, o mundo em que vivemos- mas já não nos deixamos infectar por ele. 

Por conseguinte, Sócrates é um grande exemplo positivo e a (má) experiência é uma madrasta.


A kind of graffiti - Thanks

 



banksy group


Leituras pela madrugada

 


"The mob is drunk on the new power that surveillance provides them, seemingly unaware of the many ways it could come back to bite them next"...

But the rest of us would do well to expand the range of our considerations beyond moral praise and blame, and start to consider the vastly more important story of the rise of a regime of universal surveillance and the collapse of the public/private boundary that has been foundational for the progress and happiness of Western societies for the past half a millenium or so.

This most recent story, though not the same in all respects, should remind us of the 9-year-old boy in Louisiana who was suspended from fourth grade in September after his teacher spotted a BB gun in the frame of his webcam during online class. The school board found him “guilty of displaying a facsimile weapon while receiving online instruction.” The boy was “at school,” but he was also at home—and there is no reason to believe that had he been at school in the pre-pandemic sense he would have brought his facsimile weapon with him, or that the accidental glimpse of a toy gun on a child’s shelf was likely to have caused any kind of meaningful harm to his classmates, teachers, or anyone else. So let us allow ourselves a moment of himpathy for a 9-year-old Black boy in America who has already been started down the path toward a life of perpetual surveillance and “correction” without even leaving home.

https://www.tabletmag.work-pleasure-surveillance-machine

by BY JUSTIN E.H. SMITH