September 03, 2020
September 02, 2020
Pois, lá está, o problema de Centeno foi não ter tido Cidadania...
Tinha-se transformado num indivíduo democrático.
Centeno invoca segredo bancário para recusar dar relatório secreto sobre atuação do BdP
Banco de Portugal invoca o segredo bancário para negar novamente a entrega de relatório secreto que faz uma auto-avaliação do supervisor no processo de resolução do BES, depois de o Bloco de Esquerda ter insistido, no final de julho, em ter acesso ao documento que aponta falhas ao supervisor. Nega de Mário Centeno e omissões na auditoria da Deloitte ao Novo Banco estão na base do pedido dos bloquistas de comissão de inquérito ao banco.
Fátima, parte II, versão patetinha
Temos que anunciar ao mundo que aqui em Portugal descobrimos como erradicar o 'radicalismo violento', como criar cidadãos democráticos que não roubam não estragam e não andam à pancada.
Milhares de anos a tentar perceber a natureza humana, a natureza da violência, do fanatismo, do dogmatismo cego e do crime, e esta senhora juntamente com o evangelista viram a virgem em cima da azinheira e anunciam a boa nova: vão transformar os alunos em anjos, cidadãos do mundo novo, que não roubam, não estragam, não têm violência. É a disciplina divina e mágica que transforma pessoas em anjos.
Isto é melhor que descobrir petróleo e ouro duma só vez. Vamos ser o farol do mundo.
Isto lembra-me a minha prof. de filosofia do liceu em 1975, esse ano do PREC, que em vez de dar filosofia, se punha com um ar de virgem iluminada a falar de como o comunismo era a resposta do mundo e de como íamos viver todos felizes e em Portugal nunca mais haveria opressão, pobreza e ditaduras porque os comunistas eram puros e iam cuidar do povo e libertar os ofendidos e humilhados, como eles gostavam de dizer.Cidadania e Desenvolvimento: onde os alunos aprendem a “não roubar, não estragar, não andar à pancada”
Dos direitos humanos aos dos animais, passando pela educação sexual, rodoviária e ambiental, a disciplina de Cidadania e Desenvolvimento foi criada em 2018/19 para preparar “cidadãos democráticos” e prevenir “radicalismos violentos”.
Este mundo
Seven years ago, as the news declared I was being charged as a criminal for speaking the truth, I never imagined that I would live to see our courts condemn the NSA's activities as unlawful and in the same ruling credit me for exposing them.
— Edward Snowden (@Snowden) September 2, 2020
And yet that day has arrived. https://t.co/FRdG2zUA4U
Filmes - Fátima
É um filme, como o nome indica, sobre os acontecimentos de Fátima de 1917. O filme é falado em inglês, mas a maioria dos actores são portugueses. Não todos: o Harvey Keitel, a Sónia Braga ou o actor que faz de presidente da junta que é um polaco (acho) e a rapariga que faz de Lúcia que é uma espanhola. A Lúcia Moniz, a actriz que faz de mãe da Lúcia é excelente no papel.
O filme é de um tipo que foi director de fotografia do Game of Thrones, o que se nota. É filmado em tons de sépia o que faz parecer um postal antigo. Tem cenas belíssimas, algumas que parecem saídas de um Bruegel. Mais abaixo pus umas imagens tiradas do filme.
Quanto ao tratamento dos acontecimentos, o filme toma algumas liberdades relativamente aos factos que se conhecem, mas no geral segue aquilo que se sabe dos acontecimentos, sendo que a maior falha, se é que lhe podemos chamar assim, é a não contextualização das crianças; quer dizer, é como se a vida delas começasse com aquela experiência, quando sabemos hoje muita coisa que explica uma boa parte dos acontecimentos. No entanto, é uma opção válida do realizador, essa de só querer focar-se nos acontecimentos das supostas aparições.
Omite a maneira cruel como morreram os dois mais novos, especialmente a morte cruel da Jacinta (ela e o Francisco morreram da gripe espanhola), sozinha, abandonada e o que fizeram à Lúcia quando enfiaram a rapariga num convento de carmelitas do silêncio para não poder falar, nem com a mãe, mas é como disse, o filme foca-se nos acontecimentos das aparições. O Harvey Keitel aparece a dialogar com a Lúcia já idosa numa conversa de contrapor argumentos científicos à fé dela.
Enfim, o filme é bonito, vê-se muito bem, está bem construído, tem bons actores e recria aqueles meios humildes campestres da época. Vale a pena ver.
Isto não é assim, Rui Tavares
... e muito menos com estes argumentos. Rui Tavares começa por gozar com as pessoas do abaixo-assinado não serem muçulmanos, ciganos ou imigrantes mas pessoas como o ex-Presidente da República, o ex-Primeiro Ministro, o Cardeal Patriarca, etc. O que ele quer salientar é que estamos a falar de gente tão dogmática ou atávica como se costumam julgar aqueles grupos citados.
Depois argumenta que a disciplina é obrigatória e por isso tem de ser frequentada. É evidente que ele sabe muito bem que a questão está em haver quem discorde da obrigatoriedade da disciplina mas, sendo obrigatória, pedem que, no mínimo possa haver objecção de consciência.
Depois argumenta que a objecção de consciência não se aplica à disciplina de Cidadania porque a educação é um direito fundamental que os Estados asseguram. O que tem uma coisa a ver com outra? Por essa ordem de ideias, tudo pode ser declarado objecto de estudo obrigatório desde que o Estado o deseje? Então, o Estado não nos representa a nós? Ou um governo quando é eleito assume que tem um cheque em branco para impor os seus desejos?
A seguir diz, com ignorância, que a objecção de consciência refere-se aos alunos e não aos pais. Isto é porque não sabe, nem se deu ao trabalho de pensar um bocadinho que os pais são responsáveis educação dos filhos. Pensa que os alunos da escola são os da universidade. Um aluno não pode, a não ser que tenha 18 anos, decidir ter ou não ter a disciplina de Moral, por exemplo. Os encarregados de educação é que dizem, sim ou não, porque são eles quem decide da educação dos filhos, até certa idade.
Em seguida argumenta que perguntar se deve haver cidadania é como perguntar se deve haver português. Estamos em Portugal, aprende-se português, somos cidadãos, aprende-se cidadania. Rui Tavares não é estúpido e percebe muito bem que são coisas diferentes, aprender a língua ou matemática, o que implica conhecimentos técnicos e frequentar uma disciplina que tem por base posições ideológicas e filosóficas, porque isso de ser cidadão, estritamente falando, é cumprir os seus deveres cívicos: respeitar a lei e a ordem estabelecida; sendo-se contra, usar-se os canais legais até ao limite do possível; participar na escolha dos governantes e na vida política do país, fazer valer os seus direitos. Mais nada.
A disciplina de cidadania que existe nas escolas extravasa em muito estes princípios e aborda assuntos que, por muito que nos custe, não estamos todos de acordo. Vamos supor que estávamos com um governo em que o ministro da educação fosse do Chega e resolvesse mudar os temas da disciplina para: defesa da vida (mesmo a embrionária), defesa da família tradicional, defesa dos valores da Pátria, etc. Se calhar o Rui Tavares assinava uma carta contra a obrigatoriedade da disciplina. E depois respondiam-lhe: então a nossa Pátria é Portugal, é normal termos uma disciplina que defenda os seus valores; o nosso país é maioritariamente católico, é normal que se aprenda a respeitar os valores do catolicismo e da família tradicional, etc. - estes são os mesmo argumentos de Rui Tavares.
No que me diz respeito, a disciplina cria problemas sem méritos que o justifiquem. Grande parte do que ali se fala, aborda-se em outras disciplinas como o ambiente, a sustentabilidade, a sexualidade: fala-se disso tudo na Biologia. Questões como o respeito, a tolerância, as questões da convivência entre culturas, os direitos humanos, a justiça social, questões de ética, os deveres individuais e sociais, etc., abordam-se na disciplina de Filosofia. Aliás, acontece chegarem à disciplina de Filosofia e já terem falado de certos temas, várias vezes!! uma em cada ano que tiveram a disciplina, mas de maneira descontextualidada dos princípios filosóficos que as sustentam, porque a disciplina é dada por qualquer professor, o que não ajuda nada... e, pior, já não suportam ouvir falar das mesmas coisas.
"Preserve these words against a time of cold"
Preserve these words against a time of cold,
a day of fear: man survives like a fish,
stranded, beached, but intent
on adapting itself to some deep, cellular wish,
wriggling toward bushes, forming hinged leg-struts, then
to depart (leaving a track like the scrawl of a pen)
for the interior, the heart of the continent.
Joseph Brodsky
Bruegel - o homem comum
Pieter Bruegel the Elder, Elck or Everyman, a drawing
1558/1558
Elck in holandês, significa, 'qualquer um'. As cenas nesta pintura ilustram provérbios ou ditos populares, entre eles aquele que se refere ao homem comum se procurar a si mesmo, em vão, nos objectos materiais do mundo: a figura central está em cima de um globo quebrado.
Nesta pintura Bruegel mostra o vício do homem comum, a procura frenética de bens materiais, e o modo como se cura esse vício: o auto-conhecimento. Só através deste o homem se livra das vaidades do mundo.
September 01, 2020
Os alunos são números, os professores são números, só os políticos são pessoas?
Gap between rich and poor pupils in England 'grows by 46% in a year'
Isto é em Inglaterra. Cá deve ser pior. E como prevê o ME resolver ou, pelo menos, atenuar este problema que não foi criado pela pandemia, pois o problema do fosso entre as condições de ricos e pobres já existia, mas ficou completamente exposto por ela? Investimento nas escolas? Condições de segurança de professores e alunos para se poder dar atenção particular a estes alunos? Não. Nada, nadinha, Nicles. As preocupações são com os votos no PS, artigos de jornais fabricadores, relatórios com gráficos enganadores e outras coisas que tais, não com os alunos, que vão ser mandados para as escolas exactamente como sempre têm ido. Só que, como este ano as condições são piores, as possibilidades deles também vão ser piores.
São os políticos que temos. No país do sol, como diz a canção, anda tudo nu, que mais queres tu, que mais queres tu...
Uma questão: quem não sabe negociar faz terrorismo?
Ir para as reuniões de má-fé: ou fazes o que eu quero ou lanço o caos nisto tudo. Era assim que o polícia do artigo sobre o enselvajamento da sociedade francesa que ontem li descrevia as hordas de adolescentes deliquentes que andam a pilhar a cidade: ou nos dão o que queremos ou partimos isto tudo.
Rentrée PS. César ensaia discurso: ou geringonça 2 ou o caos
A ausência de acordos à esquerda poderá "prejudicar" a recuperação económica portuguesa. A encerrar a rentrée do PS, o presidente do partido dramatizou a necessidade de uma geringonça 2.
Filmes - american animals
Políticos - passado, presente e futuro
18 Dezembro de 1949 - inicio construção do Cristo Rei.
Repare-se que a ponte ainda não existe, mas o que foi considerado prioritário construir foi uma estátua de um Cristo a olhar para o rio. Alimentar as pessoas com mitos de seres alados em vez de lhes as dar asas para que possam voar por si.
~via José Nogueira
August 31, 2020
Trying to be positive
“Infinite horizons belong to those who have infinite imagination!”
― Mehmet Murat ildan
“Noone can attain infinite wisdom with finite horizons!”
― Mehmet Murat ildan
O mundo é governado por gente mentalmente doente
Nos EUA, o indivíduo que advoga, em nome de Trump, a imunidade de grupo diz, a propósito da abertura das escolas sem segurança, que as crianças transmitirem o vírus aos adultos era a cereja no topo do bolo.
Se calhar é o que pensam outros em muitos outros países, só que não dizem.
These are sick, sick people. https://t.co/92b676kSPw
— MeidasTouch.com (@MeidasTouch) August 31, 2020
A menos de 15 dias de começarem as aulas, os excelentíssimos senhores, João Pôncio e Tiago Pilatos
... estão em abluções. Desinfectam-se continuamente da responsabilidade da tutela desses piolhos que são os professores. De tanto lavarem as mãos com o sabão da irresponsabilidade já a pele da vergonha lhes caiu há muito tempo.
Pais, professores e diretores de agrupamentos de escolas exigem clareza do Ministério da Educação
Numa declaração conjunta, Confap, ANDAEP e FNE exigem clareza, coerência e precisão nas orientações e nos recursos do Ministério da Educação para garantir a confiança na abertura do novo ano escolar.
Destacando a importância de cumprir, fazer cumprir e vigiar as medidas de proteção contra a covid-19, as três associações apelam às autoridades de saúde, e particularmente à Direção-Geral da Saúde, "para que sejam rigorosas, claras, coerentes e exigentes na determinação das orientações essenciais de proteção da saúde pública e no acompanhamento e verificação do seu cumprimento".
Em relação ao Ministério da Educação, o discurso endurece. Pais, diretores de agrupamento e professores exigem que, dentro da clareza e do rigor, este defina, antes do início das aulas, os procedimentos de articulação entre os serviços de saúde, escolas e famílias, de forma que as escolas se reorganizem rapidamente em caso de deteção de focos de infeção em membros da comunidade escolar.
Outra questão que gera preocupação é a da autonomia das escolas e dos seus profissionais "para as medidas que forem necessárias para adaptar o conteúdo do currículo, a definição dos grupos-turma, a metodologia e a avaliação conforme as circunstâncias, de forma que não se agravem ainda mais as desigualdades sociais e a distribuição desigual dos recursos".
... a ministra de Estado e da Presidência, Mariana Vieira da Silva.
Segundo foi ainda divulgado, as novidades sobre o regresso às aulas deverão ser conhecidas nos próximos dias. Para já, o Ministério da Educação ainda está em reuniões com os agrupamentos escolares para decidir qual o modelo do próximo ano lectivo. A ministra lembrou, no entanto, que o Governo já aprovou um conjunto de regras que vigorarão “numa situação de estabilidade, como aquela que hoje vivemos”. Estas regras incluem o distanciamento de 1,5 metros entre os alunos;












