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July 16, 2025

Porque insistem em classificar as preocupações das pessoas em discursos de ódio?



Imigrantes bangladeshianos estão cada vez mais preocupados com o ódio nas redes sociais. São alvo de mensagens xenófobas e comentários ofensivos que os retratam como uma ameaça à sociedade. Muitos muçulmanos falam numa islamofobia digital. O uso de roupas religiosas, ou a prática do Islão, geram ataques verbais online. Campanhas de desinformação associam injustamente imigrantes ao crime. Essa hostilidade virtual reforça o medo, o isolamento e dificulta a integração social.

Expresso
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Não vêem o que se passa em Inglaterrra, na Suécia, na França, etc.? Na Inglaterra, durante 15 anos as autoridades políticas e policiais fizeram sair falsos relatórios sobre a criminalidade em que escondiam o número de crimes contra crianças e adolescentes britânicas, com receio de serem chamados racistas e com a crença, alimentada pelos meios de comunicação social, de que todas as preocupações sobre a criminalidade de imigrantes islamitas eram islamofobia. Sacrificaram milhares de raparigas para aparecerem como campeões do discurso correcto. Para isso, falsearam dados e relatórios durante 15 anos.

Pois, aqui vamos pelo mesmo caminho. Chamar islamofóbicos aos que se preocupam com a segurança das raparigas e mulheres e acusar de ódio todos os que se preocupam.

A prática do Islão é hostil no que concerne ao respeito pelos valores democráticos e pelas sociedades laicas. Os imãs pregam a não-integração dos islamitas nesses valores. No que respeita ao seu discurso e praticas relativas às mulheres, é extremamente misógina e tem intenções perversas de matar socialmente as mulheres e mantê-las sob controlo e cativeiro dos homens. 

Ora, não é isto uma ameaça às sociedades laicas de valores democráticos?

Não há uma única sociedade islâmica que não tenha esta mentalidade e práticas e, a maioria delas tem-nas de modo brutal, com castigos de apedrejamento, violações de punição, amputações, venda de raparigas, concubinato forçado, mortes de honra - todas estas práticas são aconselhadas pelo Islão e comuns entre islamitas.

Ora, não é isto uma ameaça às sociedades laicas de valores democráticos?

O que vemos em países como a Inglatera, França e outros é: a falta de controlo dessas populações, a partir do momento em que cresceram ao ponto de terem poder para impôr mudanças sociais; o desprezo pela segurança das crianças do sexo feminino, das adolescentes e das mulheres; a divisão social. 

Porque é que estas preocupações com um problema sério e real de uma religião que se comporta como uma idologia totalitária e violenta, são tratadas nos jornais como discursos de ódio?

Quanto mais os jornais fogem a lidar com os problemas de maneira séria e recorrem à supressão das preocupações com termos como islamofobia e ódio, menos segurança as pessoas scomuns sentem, por verem que a autoridade não valoriza as suas preocupações.


Um artigo de jornal que me faz logo desconfiar de manipulação



Quem lê o título, pensa que o artigo é sobre criminalidade, mas não, é sobre jornais e títulos de jornais. O Observatório de Segurança e Defesa da SEDES desvaloriza o relatório oficial da RASI (portanto, aconselha-nos a não levar a sério os relatórios das instituições oficiais), que diz que é enganador por falta de rigor, mas a própria SEDES, neste artigo, esconde tudo.
Vejamos: 
Em primeiro lugar, o artigo nunca diz o número dessa descida - vamos procurar a outras fontes e lemos que é de 1,3%. Será para passar a ideia de que a criminalidade desceu muito...? 
Em segundo lugar, há muito tipo de crime: de violência doméstica, contra o património, homicídio, violação, assédio, roubos, bullying, etc. Todos os crimes desceram igualmente 1,3%? Ou, dar-se-á o caso de alguns crimes terem descido 10%, por exemplo, e outros terem subido 6% e depois na estatística só se refere o número que resulta de um média simples global? Por exemplo, os crimes contra o património descerem 10% e os crimes de assédio ou de violência doméstica crescerem 7% mas tudo ficar diluído na média global? É que se alguns crimes desceram muito e outros subiram muito, há aumento de criminalidade específica e isso importa muito consente o tipo de crimes. 
E porque é que referem dados de 25 anos? Foram buscar um ano em que houve muita criminalidade para depois as contas parecerem favoráveis...? Não dizem qual foi o critério. Aliás, escondem todos os números e particularidades com uma total falta de rigor jornalístico e isso, a mim, diz-me que há intenção de ocultar factos e números, logo, há intenção de manipular, de enganar os leitores, pois o que o artigo e o título dão a entender é que há por aí gente maldosa a inventar crimes que não existem e que estamos no melhor dos mundos com os crimes todos a descerem. Quem acredita nisto?



Nos últimos 25 anos, a criminalidade desceu. Mas crimes nas capas de jornais duplicaram

Amplificação mediática dos fenómenos criminais alimenta o sentimento de insegurança que não corresponde à realidade da criminalidade em Portugal, aponta o Observatório de Segurança e Defesa da SEDES.

O relatório refere ainda que o RASI, "com elevada variabilidade da informação ao longo dos anos", não se constitui como uma ferramenta "suficiente" para "caracterizar a insegurança (objectiva e subjectiva", porque "esta não se esgota no crime participado.

Público


May 27, 2025

What?! Mas que raio de conversa...

 


Um artigo apologista de Estados autoritários e imperialistas como os de Putin, de Erdogan, das monarquias árabes islamitas apoiantes de terroristas, etc. e aos quais Trump quer pertencer, defende que isso é o futuro e que a Europa perde liderança por não ser assim e que os valores europeus são moralistas nos quais ninguém acredita. [acredita, sim!] E que Putin não quer a Europa como negociadora porque a acha pouco neutra. [que raio interessa o que esse porco assassino quer?] 

Mas que conversa é esta? Nada disto é o futuro e tudo isto é a influência de Trump que está na cadeira com mais poder do mundo a vender-se como um prostituto de luxo. Talvez os EUA não estejam reduzidos, para todo o sempre a ser liderados por prostitutos. E a Europa está numa crise de independência dos EUA, mas é para aí que tem de caminhar e deve fazê-los com os seus valores e não com os dos imperialistas e os dos prostitutos. 

E Trump não é um progressista, como diz o artigo, pelo contrário. Com ele os EUA vão perder as vantagens que tinham no conhecimento e na inovação e se a Europa for inteligente, aproveita este barco. 

Este artigo, só lhe falta dizer que devemos voltar à Idade Média da teocracia para agradar a Trump e aos imperialistas modernos religiosos. 

Quem é que encomenda estes artigos? O Qatar? JD Vance?


Europa em crise de relevância: “A nossa diplomacia baseada em valores não é real, ninguém acredita nela — nem nós”

Encontrar o equilíbrio certo entre manter-se fiel aos seus valores e aumentar a sua influência geopolítica é um dos desafios mais urgentes que a Europa enfrenta na atual ordem global em rápida mudança. A nova liderança dos EUA e o resto do mundo cansaram-se do “moralismo” e navegam em direção a decisões mais transacionais

(...) a perda de influência europeia tem sido gradual, e, com o regresso de Donald Trump à Casa Branca, esse enfraquecimento da autoridade tornou-se ainda mais evidente: os países europeus têm sido deixados de fora de quaisquer negociações sobre a Ucrânia, a primeira viagem do Presidente dos EUA ao estrangeiro foi ao Médio Oriente, e há algum tempo que a figura do mediador se deslocou para protagonistas mais inesperados — a Turquia, o Catar e a Arábia Saudita.
(...)
A Turquia foi, para já, o único país a reunir negociadores russos e ucranianos em Istambul. A UE teve inicialmente dificuldades em agir de forma decisiva devido a divergências internas sobre a ajuda militar e económica. Em contraste, a Turquia rapidamente se posicionou como um ator-chave, fornecendo drones TB2 à Ucrânia desde o início e desempenhando um papel relevante na frente diplomática. Assim, Ancara demonstrou um nível de agilidade diplomática que a UE está a ter dificuldades em alcançar. No Médio Oriente, a guerra chegou a alastrar-se para o Líbano, e a Europa mostrou-se impotente a aliviar as tensões.

expresso

May 20, 2025

Morri a rir 😁


Acho que ainda ninguém lhe disse que quem votou no Chega foram as pessoas de esquerda: do PS, do PCP e do BE. Não foram as de direita. Portanto, segundo o teor do artigo dela, a esquerda afinal era extrema-direita disfarçada.  Ahah  Esta mulher que tem um doutoramento em História, escreve um artigo enorme e um bocadinho alabregado, ao modo de Ventura (veja-se como se refere a vários políticos só porque não são de esquerda) a queixar-se dos votos dos portugueses nestas eleições que puseram o país na extrema-direita, diz ela (honestidade intelectual não é o seu forte) e tudo porque quem vota no Chega tem inveja dela e das pessoas do PS e das mulheres que têm doutoramentos e são juízas e diplomatas. As nossas 'elites' acham-se divinas e acreditam piamente que os portugueses em geral deviam adorá-las, mesmo que as suas políticas os tenham deixado sem dinheiro para a comida, a saúde, a habitação, etc. e que tudo se resume a terem inveja dela e dos seus pares. São estas pessoas que enfiaram a esquerda num buraco negro. Até podem ter doutoramentos mas o que não têm são, "umas tintas de filosofia", como dizia Bertrand Russel, e por isso "andam toda a vida como cegas, embora tenham olhos e pudessem ver". Esta mulher ganhou o prémio Pessoa (!!). Coitado do Pessoa, com o nome associado a esta senhora, ele que era tão, intelectualmente elegante, complexo e sofisticado no pensar. 



Responsabilizar todos os eleitores pelo seu voto

Irene Flunser Pimentel

Acham que quem vota Chega não sabe no que vota? Penso que é sobretudo um voto de rejeição dos direitos humanos, nascidos no pós-Segunda Guerra Mundial, e do “outro”.

Há dias, questionei (algo retoricamente) numa rede social o que queriam os portugueses e mencionei três candidatos alternativos: "Um avençado com falta de ética; um neoliberal privatizante; ou um racista mentiroso." Hoje, dia 19, sei que era precisamente um dos três que a maioria dos portugueses votantes desejava.

Quase não assisti à campanha eleitoral, mas sabia que iria votar no PS e foi o que fiz, para que fique claro. Percebo agora que a minha atitude é minoritária – tão minoritária como o era durante a ditadura – e que os meus conterrâneos não se importaram de votar na mentira, na demagogia, na exclusão dos outros, estando-se nas tintas para falhas éticas. Ética, o que é isso? Algo do passado, da História? Não interessa nada.

Eu sei que Portugal e os portugueses não são uma entidade colectiva, mas um colectivo de indivíduos, diversos, que se juntaram, como agora, numa frente de extrema-direita. Nessa frente incluem-se certamente pessoas que detestam os privilegiados, mas não se importam de o serem, que invejam as elites e afastam o conhecimento e a leitura.

Já se percebeu que há maioritariamente jovens do sexo masculino, frequentadores de redes sociais, que não suportam o facto de as mulheres se doutorarem, serem juízas ou diplomatas.

Mais do que saber como votaram no Chega, é fundamental analisar por que votaram nesse partido, a favor de quem e do quê e contra quem e o quê. Penso não estar longe da verdade se afirmar que em parte foram movidos pela inveja e pelo desejo de exclusão de alguns bodes expiatórios.

Público



November 05, 2024

What?! É impossível isto ser verdade

 

E vou ficar à espera de quem mostre preto no branco a falsidade óbvia desta notícia. Gostava de saber se foi o governo que mandou publicar esta notícia.




September 28, 2024

Quem lê este título fica com uma ideia errada

 

Até parece que Ana Gomes está combinada com a juíza para lesar alguém. Não é nada disso o que se lê no conteúdo da notícia. Não sabia da existência desta associação que me parece de valor. A associação leva a tribunal entidades como bancos, empresas de serviços financeiros e outros gigantes que lesam os consumidores com más práticas e ilegalidades e quando ganham as acções o dinheiro da indemnização vai para a associação e para o Ministério da Justiça, para ajudar pessoas particulares a terem acesso ao direito. Dado que a maioria dos particulares não tem condições de ganhar uma acção contra um banco ou uma multinacional, a associação age em nome dos particulares. Parece-me louvável. O facto da juíza do caso ser sobrinha de Ana Gomes não parece ter que ver com o desfecho da acção. Vejamos, a juíza não ia deixar passar a vergonha da cartelização dos bancos (pensada para explorar os clientes) só por ser sobrinha de Ana Gomes e para não dizerem que tem algum interesse particular nisso, como, aliás, o jornal quer insinuar. Não vejo aqui, em toda a notícia, nenhum indício de fraude ou más práticas - tirando a dos bancos e da Mastercard.


Bancos e laços de família

INÊS TEOTÓNIO PEREIRA, SÓNIA PERES PINTO© Mafalda Gomes

A juíza que validou a condenação dos bancos a uma multa recorde é sobrinha de Ana Gomes. A antiga eurodeputada do PS fundou a associação que pede agora 5,5 milhões de indemnizações.

A Ius Omnibus [justiça para todos] – uma associação sem fins lucrativos fundada por Ana Gomes – pode vir a ser beneficiada pela sentença do Tribunal da Concorrência, Regulação e Supervisão de Santarém (TCSR). A associação avançou com cinco ações populares contra 12 bancos em Portugal, que estão a ser acusados de terem violado as regras da concorrência no mercado de crédito durante mais de uma década. Um caso que ficou conhecido como o ‘cartel da banca’.

As ações populares deram entrada no Tribunal onde o outro caso já foi julgado pela mesma juíza, Mariana Gomes Machado, sobrinha de Ana Gomes. Isto significa que, no caso de vencer a ação, a Ius Omnibus acaba por ser beneficiada pela sentença da sobrinha da fundadora da Associação.

A somar há que ter em conta o modus operandi da associação:se os consumidores portugueses não reclamarem essa indemnização a que têm direito, o que sobrar vai para os cofres da Ius Omnibus e para o Ministério da Justiça para questões relacionadas com o acesso ao direito, além dos escritórios de advogados que patrocinam as ações.

De acordo com a associação, o objetivo «é fazer com que 12 dos bancos que atuam no mercado português compensem os consumidores pelos danos causados por um cartel em violação das regras de concorrência da União Europeia, tal como declarado pela Autoridade da Concorrência», acrescentando que «o ‘cartel da banca’ envolveu uma troca contínua de informações sensíveis sobre preços e outras condições comerciais de crédito à habitação, crédito ao consumo e crédito para PMEs, durante 11 anos, de 2002 a 2013 (período relevante)». Reclamam uma compensação avaliada na ordem dos 5.368 milhões de euros. A AdC, no entanto, concluiu que se tratava não de cartel mas de «uma troca de informação sensível».

Outros casos

Em 2020, no ano em que a associação foi criada pela ex-eurodeputada do PS,_a Ius Omnibus pediu à Mastercard uma indemnização de 400 milhões de euros. A ação deu entrada no TCRS e avançou depois de a empresa ter sido penalizada pela Comissão Europeia, em janeiro de 2019, invocando que o «comportamento ilícito» já estava «provado». Na altura defendeu que «todos os consumidores portugueses foram afetados pelas práticas anticoncorrenciais da Mastercard, através do aumento dos preços dos produtos e serviços que adquiriram, independentemente do modo como os pagaram», considerando que a Mastercard«violou continuamente o direito da concorrência europeu e português, entre 2000 e 2019». Sobre este caso ainda não há qualquer decisão.

September 19, 2024

Um exemplo de um jornal que contribui para aumentar a crise epistémica através de linguagem manipuladora

 

Conflito Ucrânia-Rússia. Um impasse de difícil resolução

jornal i

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Em primeiro lugar não é um conflito, é uma guerra e é uma guerra brutal. Em segundo lugar não é uma guerra Ucrânia-Rússia pois o país invasor que iniciou a guerra foi a Rússia, de maneira que é uma guerra da Rússia à Ucrânia. Em terceiro lugar não é de difícil resolução. Todos sabem o que é preciso fazer: deixar a Ucrânia defender-se eficazmente destruindo as armas do agressor. O problema único é os EUA e a Alemanha não querem arriscar nada dos seus interesses de energia e de riqueza e por isso, não terem interesse em que a Rússia perca a guerra.


August 26, 2024

Estratégias de descredibilizar um jornal

 

A justiça francesa acusa o dono da aplicação Telegram de promover uma insuficiente política de moderação dos conteúdos publicados na aplicação. Mas a detenção de Pavel Durov levanta questões mais abrangentes, como a da liberdade de expressão na Internet

“Pavel Durov deixou a Rússia quando o governo tentou controlar a sua empresa de redes sociais, o Telegram. Mas, no final, não foi Putin que o prendeu por permitir que o público exercesse a liberdade de expressão”, escreveu na rede social X o apresentador e comentador conservador norte-americano Tucker Carlson. “Foi um país ocidental, aliado da Administração Biden e membro entusiasta da NATO, que o prendeu.”
Expresso in https://expresso.pt/internacional/-fundador-do-telegram-foi-detido-em-paris-quem-e-pavel-durov-porque-foi-preso-e-que-tem-isto-a-ver-com-liberdade-de-expressao-
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Publicar uma notícia deixando de fora a parte que contraria o título populista de estarem a matar a liberdade de expressão, para criar polémica. Pavel Durov foi preso por permitir que a rede Telegrama esteja inundada de material pedopornográfico que tem sido usado por criminosos pedófilos. Ora, há leis que proíbem a publicitação de material pedófilo. Portanto, é disso e não de violar a liberdade de expressão, que ele foi acusado.

July 16, 2024

A ideia de que um inquérito de opinião corresponde a um estudo deve ser uma variante das novas licenciaturas bolonhesas

 

Foram ouvidas 1207 pessoas sobre a sua opinião acerca da Justiça. Quem são os inquiridos? São conhecedores do assunto? Ou são pessoas como eu? Eu não me considero propriamente desinformada e inculta mas se me perguntassem quem é mais responsável pelos problema da Justiça não o saberia dizer. Nem sequer sei quais são os problemas que afectam o funcionamento interno e a orgânica da Justiça - desde a formação de juízes e técnicos, ao funcionamento dos tribunais, à legislação aplicável, aos problemas do dia-a-dia, aos problemas das diversas instâncias jurídicas e tribunais...  O que sei disso é em termos muito gerais pela comunicação social - que como se vê por este artigo, não informa. 

Sei que há governos que tentaram mandar na Justiça para estarem no país como reis, como o caso do governo de Sócrates, porque foi evidente. Como agora é evidente que há quem queira manietar a Justiça para nunca ser incomodado - querem reduzir todos os problemas de funcionamento da Justiça à PGR porque ela não é submissa. Mas isso não é perceber dos problema internos da Justiça. Estamos fora do meio. Portanto, fazer um inquérito a pessoas que sabem zero dos problemas da Justiça, produzir uns gráficos com percentagens e daí concluir que têm um estudo sobre o que vai mal na Justiça? O que está mal é o próprio 'estudo', não-estudo.

Isto é o que costuma acontecer na educação. Vai-se inquirir este e aquele e mais pessoas que não sabem um boi dos problemas da educação e das escolas e que só produzem chavões tirados de títulos e artigos de comunicação social e redes sociais e depois concluem que um estudo disse isto e aquilo. 


Estudo: a justiça funciona mal e a culpa é dos juízes, procuradores e governos


Estudo do IPPS-Iscte ouviu 1207 pessoas e mais de 74% dizem que justiça funciona mal. Só o SNS tem percentagem negativa próxima (67%). Polícias, forças armadas e câmaras avaliadas positivamente.

A justiça “funciona mal” ou “muito mal”, os principais responsáveis por isso são os juízes, os procuradores do Ministério Público (MP) e os governos (por esta ordem) e o sistema piorou ou ficou na mesma nos últimos cinco anos. Esta é a avaliação dos inquiridos num estudo de opinião sobre o estado actual da justiça feito para o Instituto para as Políticas Públicas e Sociais (IPPS) do Iscte.

July 13, 2024

Será demais esperar que os jornais esclareçam o que noticiam? II

 


Fui dar com este título do jornal SOL:  Manuel Monteiro entrevista Paulo Portas. Achei o título curioso e fui ler a notícia. 

Lá se diz, entre outras coisas: 

A próxima revista do IDL-Instituto Amaro da Costa – que vai para as bancas em setembro – está carregada de novidades. Sendo o prato forte uma entrevista exclusiva de Paulo Portas ao presidente do instituto, Manuel Monteiro.
Catedráticos dão corpo a Dicionário Político
O Instituto Amaro da Costa conta com mais novidades. Uma delas é o Dicionário Político, cuja edição foi iniciada no final do passado mês de abril. Trata-se de um projeto «de formação coordenado por um Conselho Científico […] A sua liberdade e rigor contribuem para que o dicionário, independentemente das posições que nele se exprimem, possa ser uma fonte de conhecimento e uma sustentada forma de afirmação das diferenças que continuam a existir no pensamento político», defende o IDL.

Achei esta iniciativa de um novo Dicionário Político, não alinhado com a tradicional interpretação da esquerda, particularmente interessante. Quis saber se seria um Dicionário Político com alguma independência de pensamento e fui ver quem são as pessoas que constituem o tal Conselho Científico (faço colecção de dicionários e fiquei logo interessada).

São estes os nomes:

Do conselho científico fazem parte Alexandre Franco de Sá, professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra; António Cerejeira Fontes, professor convidado da Escola de Arquitetura, Arte e Design da Universidade do Minho; Diogo Costa Gonçalves, professor associado da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa; Fernando Oliveira e Sá, professor da Faculdade de Direito da Universidade Católica de Lisboa; Francisco Carmo Garcia, mestre em Ciência Política, pelo Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica de Lisboa; Inês Neves, assistente convidada da Faculdade de Direito da Universidade do Porto; João Perry da Câmara, advogado e membro do Conselho Diretivo do IDL; Mafalda Miranda Barbosa, professora associada com agregação da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra; Manuel Carneiro da Frada, professor catedrático da Faculdade de Direito da Universidade do Porto; Paula Ponces Camanho, assistente da Faculdade de Direito da Universidade Católica do Porto e advogada; Paulo Otero, professor catedrático da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa; Pedro Barbas Homem, professor catedrático da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e ainda Pedro Rosa Ferro, professor na AESE Business School (Lisboa) e diretor do Programa de Alta Direção de Empresas (PADE).
Não sei quem são. Não são todos catedráticos como diz o sub-título. A maioria são advogados. Mesmo no fim, chamou-me a atenção (não interessa agora porquê) o apelido Rosa/Ferro de um professor da AESE Business School. De repente, fez-se uma associação na minha mente: Rosa/Ferro + Opus Dei + Manuel Monteiro. Assim que fiz esta associação disse com os meus botões, 'vai lá fazer uma pequena investigação para descartares a hipótese de estares a fazer uma triangulação ao modo esquizofrénico'.

Comecei por tentar encontrar uma biografia deste senhor, mas não encontrei. Em Portugal é difícil sabermos alguma coisa, mesmo de figuras públicas governamentais, como é de bom tom e transparência em outros países democráticos.

Então, entrei no site da AESE Business School para saber alguma coisa por esse meio. Não encontrei em lado algum o significado do acrónimo. Fui ao google, escrevi duas palavras e fui dar ao site da IESE Business School que, juntamente com a Universidade de Navarra são obras corporativas da Prelatura da Opus Dei. A IESI (Instituto de Estudos Superiores da Empresa) Business School é fundadora da AESE Business School, que o tal senhor dirige.

IESE Business School, bem colocada num ranking qualquer, tem MBAs para mulheres, muito ao modo da separação de homens e mulheres da Opus Dei - os homens como a cabeça delas, claro.

Portanto, a minha triangulação intuitiva não foi esquizofrénica. Aqui está um conjunto de pessoas que inclui Manuel Monteiro (um dos escritores daquele livro Identidade e Família que promove o apartheid de género e a submissão da vida das mulheres ao interesse dos machos e que, como é sabido, tem uma obsessão contra os homossexuais - o que tem a sua piada, dado que passa o tempo com padres, essa instituição que tem mais gays por metro quadrado que pessoas há na Índia) e outras pessoas financiadas pela Opus Dei, com o apadrinhamento de Paulo Portas. 

Estas pessoas têm o direito de fazer um Dicionário Político com uma orientação/financiamento de uma organização fundamentalista católica? Evidentemente. Na democracia existem a diversidade e a liberdade de opinião. Agora, nós leitores dos jornais também temos o direito a ser cabalmente esclarecidos das motivações e orientações destas pessoas. Ou será esperar demais dos jornalistas? É que, o não esclarecimento do contexto e financiamento da iniciativa, a mim parece-me logo propaganda encapotada. Que eu saiba, o espaço para a propaganda tem que estar devidamente identificado, para que não se faça confusão.

Será demais esperar que os jornais esclareçam o que noticiam?

 

Entram no quadro (na carreira) professores "sem nenhum tempo de serviço"? Nunca lecionaram? Quer isso dizer que entram no quadro professores que não têm formação para o ensino? Entram professores que não passaram por nenhum período de estágio? Entram professores que nem sequer têm formação académica nas áreas que vão lecionar? 

Depois de lançar uma bomba destas, a notícia não esclarece o que significa este título, mas estas é que são as questões que importam, pois se um candidato tem formação académica e profissional, ter muito ou pouco tempo de serviço (experiência) é irrelevante, mas se não as tem, é muito preocupante - enfim, se estamos interessados na qualidade do ensino. 

Ou a notícia está mal escrita? Ou quem a escreveu não percebeu o que disse? Ou percebeu mas quis deixar a dúvida no ar?

Será demais esperar que os jornais esclareçam o que noticiam?

Agora, é óbvio que se tivesse havido prevenção, em vez de total destruição da carreira docente, estas notícias nem existiam.


Professores sem ou com pouco tempo de serviço entram nos quadros

DN

July 11, 2024

Porque é que os jornais publicam não-notícias? Para fazer fretes aos governos

 

Desde quando os desejos de um ministro são notícia? Ele quer 600 vigilantes, ele quer que não haja falta de professores, ele quer que não haja violência nas escolas, ele quer o sucesso, ele quer que os professores não se queixem, ele quer, ele quer... que interessa o que ele quer? Interessa é o que faz. No dia em que abrir concurso para 600 vigilantes, então publiquem pois isso já é notícia. Publicam estas não-notícias para dar a impressão que o ME já fez alguma coisa mas não fez nada, só falou.

E já agora, tendo em conta que há mais de 5.500 escolas no país e que em todas elas faltam vigilantes no plural, 600 vigilantes contratados (não meramente desejados) também não é uma grande notícia.


Governo quer contratar quase 600 vigilantes para as escolas


Ministro diz que contratação destes profissionais não é a única forma de responder ao “problema grave que é a violência dentro do espaço escolar”, mas pode ajudar a mitigar situações de indisciplina.


January 15, 2024

Não ter noção

 


Uma solidariedade concreta: precisamos de assinar. Se quem gere os títulos pudesse fazer um pack de assinatura das quatro marcas -- DN, JN, O Jogo, Açoriano Oriental - por 99 euros por um ano, talvez com 10 mil assinaturas conseguíssemos obter rapidamente um milhão de euros que ajudem a resolver estes pagamentos em atraso. 

Daniel Deusdado DN


Porque razão é que alguém iria dar 100 euros pela assinatura de jornais que são iguais uns aos outros? E dando 100 euros a estes 4 jornais depois davam mais quanto para ler os outros?

O que eu vejo hoje em dia é que os jornais são todos iguais. É raro um jornal trazer uma notícia diferente, quanto mais um 'furo' como se dizia antes. Há assim uns 4 jornalistas no conjunto de todos os jornais capazes de uma investigação séria que leve a uma notícia importante. Os jornais trazem as mesmas notícias, com os mesmos título e às vezes com os mesmos textos. O que diferencia os jornais são os artigos de opinião. Há algumas pessoas nos jornais que escrevem com independência de análise e com inteligência e valem a pena ler, mas quem é que pode dar 60 euros por mês para assinar os jornais? Os jornais não são o produto cultural mais importante e interessante onde se pode gastar o salário. E não, não é verdade o que diz a Bárbara Reis no Público que quem não assina jornais porque fica caro é quem também não lê livros e só vê Netflix. Talvez esteja a falar de amigos seus e pessoas do seu círculo...

January 11, 2024

Greves na imprensa




Infelizmente, dado que ter menos dois ou ter jornais durante uns dias num universo onde todos são, mais ou menos, espelhos uns dos outros, não faz diferença nenhuma, de maneira que estas greves não atingem ninguém e por isso não são eficazes. 
Não sei como se resolve a crise da imprensa mas sei que de há bastantes anos para cá que a imprensa se veio descaracterizando, calculo que por os donos dos jornais seguirem a moda de ganância das empresas (e não só, governos também) e contratarem imberbes que custam pouco para substituir jornalistas que sabem do seu trabalho mas custam mais.
Dantes cada jornal tinha a sua personalidade própria e, portanto, os seus leitores próprios. Agora já não é assim.
Antes de ontem ligaram-me de um jornal a perguntar se não queria ser assinante por um preço especial. Na verdade gostava, mas só posso assinar um jornal de cada vez. Nunca percebi o preço das assinaturas ser o mesmo para o professor, o administrador e o varredor de ruas - sendo que para os que menos precisam -o administrador e o político- deve ser oferta. 
É perigoso não haver imprensa de qualidade independente.

Jornalistas em greve durante uma hora em solidariedade com trabalhadores da Global Media


Jornalistas por todo o país fizeram greve das 14h às 15h pela defesa do jornalismo e em solidariedade com os trabalhadores do Global Media Group. 

October 03, 2023

Títulos enganadores



Não tem havido igualdade entre funcionários públicos porque Costa e Centeno, para prejudicar os professores, descongelaram parte do tempo congelado em porcentagem de escalão e não em número de anos. 
Acontece que os escalões dos professores são de 4 anos e uma porcentagem de 70% são 2 anos e 9 meses e os escalões do resto da FP são 10 anos e 70% desses 10 anos são mais de 7 anos. 
Logo, enquanto toda a FP já teve 7 anos e tal descongelados e muitos já tiveram todo o tempo reposto, os professores tiveram 2 e tal, apesar de ambos terem estados congelados 9 anos - mais o tempo de congelamento de Sócrates.
Acresce que no resto da FP, essa recuperação de 7 anos (ou da totalidade) foi imediata, enquanto nos professores foi muito demorada. Por exemplo, aqui a minha pessoa, só em Janeiro deste ano teve essa devolução de tempo.
Portanto, é verdade que os professores não tem sido tratados de modo igual ao resto da FP, mas no sentido negativo e não positivo como querem fazer crer. Infelizmente estamos habituados às aldrabices deste governantes que detestam professores. 



PSD agarra professores e abandona a igualdade de tratamento dos funcionários públicos

Pedro Duarte justifica mudança de posição dizendo que “nem tudo pode ser uma prioridade, sob pena de nada acontecer”. Em 2019, Hugo Soares foi contra a reposição do tempo de serviço dos professores.

Em Fevereiro deste ano, numa entrevista à SIC Notícias, o líder do PSD, Luís Montenegro, dizia que o "princípio basilar da política remuneratória da Administração Pública é que haja equidade e igualdade, pelo que “todos os funcionários públicos” que tiveram “as suas carreiras congeladas têm que ter um tratamento equitativo e igual na recuperação do tempo perdido”. Todavia, Montenegro anunciou este fim-de-semana que o partido proporá o pagamento faseado do tempo de serviço dos professores — excluindo assim os restantes funcionários públicos.


July 05, 2023

Artigos de desinformação em jornais nacionais

 


Deve ser bom viver no mundo do simplex: há os bons e os maus, os negros e os brancos, os puros e os impuros, os fascistas e os anti-fascistas, os racistas e os anti-racistas. 

Leio isto e parece que estou a ouvir os alunos do 10º ano quando chegam às aulas de filosofia. Há um par de anos, no início do ano letivo, estávamos a contextualizar o nascimento da filosofia ocidental na Grécia Antiga (ajuda a perceber o que é e qual o seu propósito) quando uma aluna intervém: 'oh, professora, mas não é verdade que esses filósofos antigos eram todos machistas e homofóbicos? Porque interessam ainda?' Respondi-lhe, 'Bem, Platão era gay e foi amante de Sócrates (e de outros). Sócrates era bi-sexual. Foi amante de muitos dos seus discípulos mas era casado e tinha dois filhos. Segundo consta, era vítima de violência doméstica por parte de Xantipa, a sua mulher, que não gostava que ele passasse o tempo no Ágora a discutir filosofia em vez de sustentar os filhos. Já Aristoteles era muito machista, sim. Não sei se isto responde à sua questão. Já agora, quantos de vocês têm pais e tios machistas, homofóbicos, etc.? Vão deitá-los para o caixote do lixo dos que não interessam?'

Esta jornalista faz lembrar estes alunos. Quem a leia desprevenido ficará a pensar que o problema da violência são os polícias racistas e que, se se deitarem fora esses e forem buscar uns polícias não-racistas fica tudo resolvido. (o ME também. pensa que se substituirem os professores actuais por outros que vejam a sua Verdade absoluta, fica tudo resolvido).

Vejamos: em primeiro lugar, quando se diz, 'um consórcio de jornalistas', gostava de saber quem são porque às tantas podem ser do género desta jornalista. É que, enfiaram no mesmo saco racismo, xenofobia, apelos à violação de mulheres e simpatia pelo Chega, parece-me logo uma coisa pouco profissional e dogmática, porque não me parece credível que ser simpatizante do Chega transforme as pessoas em racistas e violadores - como se não houvesse, em todos os partidos políticos ou classes profissionais, pessoas racistas, misóginas e violadores. Portanto, a partir daqui, desconfio logo da seriedade desta investigação.

A única afirmação razoável de todo o texto desta jornalista é a que defende que Nada impede o Ministério Público de fazer uma investigação como fizeram os jornalistas do consórcio. Se o MP entende que a investigação é séria, apesar de ter obtido provas por meios ilegais (gravação de imagens...?) deve fazê-la e levar o assunto às últimas consequências. O que difere muito do que esta jornalista promove, pois logo a seguir a esta afirmação, a jornalista conclui, sem aduzir nenhuma razão ou fundamento:  

todos temos o conhecimento de que existe um enorme problema nas polícias. Nem era preciso que fizessem a investigação jornalística. Estamos cientes da infiltração do partido de extrema-direita junto destes operacionais e do crescente racismo e xenofobia. É claro que uma coisa leva à outra e que a adesão ao Chega costuma levar a comportamentos racistas.
Estas afirmações falaciosas e não fundadas são um incentivo ao ódio à polícia e aos simpatizantes do Chega, muito idênticas às que se vêem nas redes sociais. Não, nem todos pretendemos ter conhecimento de coisas que ignoramos e sim, é preciso investigação antes de se queimar uma classe inteira de profissionais na praça púbica.

Fui pesquisar à Pordata quantos polícias existem no país: cerca de 43 mil em 2021. Inclui polícias e outros organismos de apoio à investigação (PJ, PSP, GNR ou SEF).
Ora, segundo a tal investigação do consórcio, os polícias que têm comportamentos notoriamente racistas, misóginos, enfim, de violência, são cerca de 600. Sendo certo que só um já seria demais, não podemos, no entanto, olhar para o problema em termos absolutos. 600 polícias em 43,000 são 1.4%. Portanto, não se pode concluir que "existe um enorme problema nas polícias". Não me parece irrazoável supor que em todos os grupos profissionais haja 1.4%, ou mais, de pessoas racistas, misóginas, etc.

Mais: parece-me contra-producente darem-se estas notícias nestes termos que incentivam ao ódio e à desconfiança de toda a polícia. Certamente que os 42,400 polícias que não são racistas nem se revêm nestes comportamentos de racismo e violência dos colegas, ficam revoltados por estes jornalistas incendiários amanuenses de partidos políticos os queimarem, sem escrúpulos, na praça pública. 

A delinquência e violência estão a aumentar no país e quem lida com isso são estas pessoas (nós professores também), de maneira que esta notícias de polícias individuais que foram racistas ou violentos, devem ser públicas, claro, e investigadas, mas dispensam-se estes artigos demagogos e de incentivo ao ódio que não ajudam a revolver os problemas nem a fortalecer a democracia, pelo contrário. 

É tal qual o que faz o ME que foi a uma manifestação qualquer com um colega de governo e alguém empurrou o carro e agora diz que tem de andar com guarda-costas porque causa da violência de professores. Esta demagogia e incentivo ao ódio revolta muito e não ajuda a resolver os problemas nem a fortalecer a democracia, pelo contrário. 

Fui ver quantos polícias há em França para ter um termo de comparação: cerca de 146 mil, numa população de quase 68 milhões. Daqui concluo que, pelo menos comparativamente com a França, não temos falta de polícias e estes problemas de violência têm que ver com formação e gestão. Estes são os problemas que as autoridades competentes devem atacar e, desde logo, investigar todos os casos de violência policial, seja racismo, misógina ou o que for, porque não o fazendo e mandando estas pessoas simplex incendiar todos os polícias nos jornais só contribui para agravar as tensões entre todos. É uma manobra de quem não tem capacidade/competência para revolver problemas.

O problema em França é diferente do nosso porque não temos grande comunidades de imigrantes com padrões culturais tão diferentes dos nossos - não se resume tudo a racismo. A não ser que esta jornalista acredite mesmo que do lado dos revoltados ou delinquentes só há pureza e nenhuma violência latente ou que a violência de uns é legítima porque estão revoltados - a destruição que se tem visto na França desmente esse maniqueísmo.  

Lá como cá, não se resolvem os problemas a descarnar os serviços públicos sem os quais nenhuma comunidade consegue integrar-se. Mas o problema não é assim tão simples porque muitas comunidades de migrantes não querem a integração social e cultural. Quando vão para a França ou para a Alemanha, querem participar da riqueza do país mas não das suas regras sócio-culturais. Mais, por vezes, querem modificar os padrões socio-culturais dos municípios para onde migram. Passam-se situações de exigência de discriminação das raparigas nas escolas de Marselha, por exemplo, onde a presença islâmica é muito forte, completamente surreais. Há um ano ou dois um aluno decapitou um professor por ter falado de Maomé. É claro que um aluno ou é uma pessoa, não são todas, mas o problema do multiculturalismo é extremamente complexo e difícil e acredito que a maioria da polícia francesa, não se revendo nesssas acusações de racismo e violência gratuita, também esteja revoltada pelo modo como os jornais e os jornalistas, para venderem ou terem muitos likes, contribuem muito para o populismo, mas nada o desenvolvimento da democracia e a resolução de problemas.

Esta jornalista podia praticar a kenosis ideológica antes de escrever estes artigos de desinformação.


Arquivar o racismo nas polícias debaixo do tapete


É impossível confiar que polícias racistas e dispostos a cometer crimes estejam aptos a defender a segurança pública. Estão aptos, sim, a colocá-la em risco e acabarão por fazê-lo.

Carmo Afonso

Através de uma investigação do Consórcio de Jornalistas, divulgada em vários órgãos de comunicação social, tivemos conhecimento de vários crimes cometidos nas redes sociais por agentes e guardas das forças de segurança. Ao todo, 591 operacionais ainda no ativo terão assumido “comportamentos contrários ao Estado de direito, apelos à violência e à violação de mulheres, comentários racistas, xenófobos, misóginos e homofóbicos, simpatia pelo Chega e por outros movimentos de extrema-direita e saudosismo salazarista.”

A gravidade destes factos levou à abertura de dois inquéritos: um na Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) e um processo-crime aberto pela Procuradoria-Geral da República. Foi anunciado, pelo próprio ministro da Administração Interna, José Luís Carneiro, o carácter prioritário das investigações.

Passados alguns meses, eis que agora foi noticiado o possível arquivamento do processo-crime. As razões invocadas apontam para poder considerar-se como “ação encoberta não-autorizada” a recolha e entrega da prova recolhida pelo Consórcio de Jornalistas e, por isso, essa prova não ser aceite pelo tribunal.

Nada impede o Ministério Público de fazer uma investigação como fizeram os jornalistas do consórcio. Existindo uma notícia que aponta para o cometimento de crimes, por parte de polícias, nas redes sociais, pode o Ministério Público investigar, ou seja, requerer às empresas que guardam esses dados que os disponibilizem.


Por esta altura, já todos temos o conhecimento de que existe um enorme problema nas polícias. Nem era preciso que fizessem a investigação jornalística. Estamos cientes da infiltração do partido de extrema-direita junto destes operacionais e do crescente racismo e xenofobia. É claro que uma coisa leva à outra e que a adesão ao Chega costuma levar a comportamentos racistas. Quem frequenta redes sociais também está familiarizado com o uso de linguagem violenta e agressiva por parte dos utilizadores que são simpatizantes do Chega. Verificamos que muitos deles são polícias. Nada disto é novidade. O que não sabemos é se alguém vai fazer alguma coisa em relação a isto.

É impossível confiar que polícias racistas e dispostos a cometer crimes estejam aptos a defender a segurança pública. Estão aptos, sim, a colocá-la em risco e acabarão por fazê-lo. Esta situação é uma bomba-relógio. Enquanto ela não explode, o sistema judicial parece determinado a varrer tudo para debaixo do tapete enquanto espera de nós que finjamos que a sala está bem varrida. Claro que, para quem faz parte de minorias, este jogo de fingir é mais difícil de jogar.


O problema não é exclusivamente português, mas esta forma mansa de não o encarar e de esperar que vá correr tudo bem é muito portuguesa. Vimos correr mal no Brasil e estamos a ver em França. Por cá, não correu bem, por exemplo, aos imigrantes de Odemira que foram agredidos e torturados por sete guardas da GNR. Não correu bem na esquadra da PSP de Alfragide e também não correu bem a Cláudia Simões, a mulher racializada que foi violentamente agredida por agentes da PSP, em frente à sua filha de oito anos, na Amadora . Estão, aliás, reunidas as condições para isto correr muito mal.

February 07, 2023

Trabalho digno?



E todos os dias os jornais têm artigos de subserviência ao governo. Hoje, um tal Nuno Marques e um tal Pedro Cruz, cada um em seu jornal, escrevem artigos dizendo que as reivindicações dos professores são todas justas, mas que é tempo dos professores voltarem ao trabalho nas mesmíssimas condições injustas que os levaram às greves e que amochem calados e subservientes, porque já estão fartos da greve, porque a greve não é fofinha como costumavam ser as da Fenprof e porque, basicamente, eles estão bem na vida e estão-se nas tintas para os outros. 


Não há agenda do trabalho digno sem enfrentar as enormidades legislativas que privilegiam os interesses do patronato e fragilizam de forma inaceitável a posição dos trabalhadores: baixos salários, precariedade, horários desumanos, arbitrariedade patronal

A origem, e razão de ser, do direito do trabalho, assenta precisamente no reconhecimento da desigualdade económica existente entre o empregador e o trabalhador. Para que exista uma relação digna e justa é necessário que a lei intervenha num sentido favorável ao trabalhador, consagrando direitos laborais, garantindo direitos sindicais e promovendo a contratação coletiva. Só através da contratação coletiva, resultante da negociação entre o patronato e os sindicatos representativos dos trabalhadores, é possível fazer da fraqueza de cada trabalhador individualmente considerado, uma força coletiva capaz de impor soluções de progresso nos direitos laborais.

Não há, por isso, agenda do trabalho digno que não passe pela dignificação da dimensão coletiva da negociação das condições de trabalho e pela consagração do princípio do tratamento mais favorável do trabalhador, ou seja, que os direitos consagrados na lei não prejudiquem tratamento mais favorável obtido por via da negociação coletiva.

António Filipe


December 16, 2022

"O supérfluo e tudo o que é supérfluo continua entre nós."




Exacto. Este artigo da Alexandra que "escreve quinzenalmente" é o exemplo do "supérfluo que continua entre nós." Ela não sabe de educação, mas tece críticas ao sistema educativo por "não adequar o ensino às novas técnicas de aprendizagem" das crianças e jovens. Portanto, adequar o ensino das ciências ao TikTok ou ao WWC. Depois pergunta, como quem não pensa, Para quando uma escola que estimule os nossos jovens a descobrirem a sua vocação, abrindo vários caminhos e oportunidades até ao momento em que terminam o Secundário, e saibam o que querem fazer daí em diante? Ninguém acha estranho que cada vez mais jovens não saibam o que querem seguir nas licenciaturas? Dantes, quando a educação era mais determinista e a maioria dos filhos só tinha como caminho o ofício dos pais, todos sabiam o que 'queriam' seguir, mas nos dias de hoje em que aprendem sobre muitos caminhos e universos possíveis, percebem que têm várias opções e como seres multifacetados e livres que são, hesitam e têm dúvidas o que mostra que o ensino está melhor que no tempo desta Alexandra que ficou com o pensamento empedernido. 
A minha pergunta é: ninguém estranha que pessoas que tão pouco e mal pensam escrevam quinzenalmente por aí nos jornais? 
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O supérfluo e tudo o que é supérfluo continua entre nós. O nosso sistema educativo não mereceu nenhuma reflexão sobre o seu estado e sobre uma eventual adequação de outros métodos de ensino às novas técnicas disponíveis para a aprendizagem, em articulação com uma geração de crianças e jovens que estão desconectados com as estratégias curriculares do antigamente. Teria sido um bom momento para se repensar na Educação, desde o Ensino Básico ao Superior, depois da experiência que pais, educadores e alunos comungaram. Para quando uma escola que estimule os nossos jovens a descobrirem a sua vocação, abrindo vários caminhos e oportunidades até ao momento em que terminam o Secundário, e saibam o que querem fazer daí em diante? Ninguém acha estranho que cada vez mais jovens não saibam o que querem seguir nas licenciaturas? Como se fossem empurrados para um destino que não escolheram…
- Alexandra Duarte

O nosso jornalismo raia o ridículo



Quanto é que o DN terá recebido para isto? Ridículo. É como comparar Júlio César com Marco Sálvio Otão. Não sabe quem é Marco Sálvio Otão? Foi um governador romano da Lusitânia, da época em que éramos uma província romana. Zelensky é um grande líder que uniu um povo e o dirige contra a invasão de um império; deixa uma Ucrânia renascida, mais forte, orgulhosa da sua história, respeitada pelo mundo inteiro e deixa obra nos princípios que regem a geopolítica mundial. Costa é um chefe de província que não deixa obra; deixa um país empobrecido com a saúde e a educação no desastre, os ricos mais ricos, os pobres mais pobres, as instituições públicas mais fracas e permeáveis ao suborno, os políticos mais corruptos.