August 05, 2020

Movie lines



 The curious case of Benjamin Button (2008)

O Primeiro Encontro de Gadamer com Heidegger


O Primeiro Encontro de Gadamer com Heidegger

O meu primeiro encontro com Heidegger em Freiburg transcorreu de maneira extremamente estranha. Dirigi-me à sala na qual ele tinha o seu horário de atendimento e percebi que havia vozes na sala. Assim, retirei-me e fiquei esperando no corredor. Então, a porta se abriu e uma pessoa foi levada para fora por um homem muito pequeno de olhos pretos. Eu disse para mim mesmo: “Que pena, ainda tem alguém lá dentro”. E continuei esperando. Somente depois de um longo tempo procurei escutar de novo junto à porta, não ouvi mais vozes, bati e entrei. O pequeno homem moreno que não correspondia de maneira alguma às minhas expectativas era Martin Heidegger. Quando comecei a conversar com ele e vi os seus olhos, compreendi sem qualquer comentário que fenomenologia tinha alguma coisa em comum com a visão. Nesses olhos não havia apenas perspicácia penetrante, mas antes de tudo também fantasia e força intuitiva. Durou muito tempo até que aprendesse a desenvolver em mim, nos limites de minhas possibilidades, essa força intuitiva fenomenológica que se tornou hoje quase totalmente desconhecida. Naturalmente, passei a frequentar a preleção semanal de uma hora dada por Heidegger sobre ontologia, os pós-seminários oferecidos por ele sobre Aristóteles e sobre “Investigações Lógicas”, assim como o seminário sobre o livro 6 da “Ética a Nicómaco” e um seminário aos sábados sobre o escrito de Kant sobre a religião, organizado juntamente com Julius Ebbinghaus. Todos esses cinco cursos foram determinantes e inesquecíveis para mim.


— GADAMER, Hans-Georg. “Hermenêutica em Retrospectiva: Heidegger em Retrospectiva”, Vol. I. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 2007, p. 11 e 12. Tradução de Marco Casanova.
Foto: Gadamer a esquerda e Heidegger, a direita.

via Martin Heidegger in Art

Citação deste dia



" Um livro autêntico não é jamais impaciente. Ele pode esperar séculos para despertar um eco vivificante."

Jorge Luís Borges















apontamentos

bocas da senhora ex-socas... ele-ó-ele

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Acabo de comprar este livro sobre Salazar



Em pré-venda. Só chega em Setembro. Já passaram quase 50 anos do 25 de Abril e continuam todos com medo de fazer um ou vários estudos sobre o político que mais marcou o nosso século XX, o que mostra a fragilidade da democracia portuguesa que não aguenta visões díspares de pessoas e assuntos. Há uma censura velada sobre certas pessoas e assuntos. 
Nesse sentido, ainda bem que este autor não é português senão lá vinham os do costume chamar fascista ao homem. Por outro lado, um não-português terá, talvez, mais dificuldade em compreender os portugueses e alguns dos seus processos mentais.
Se há vantagem em deixar passar tempo sobre as figuras históricas para se ser mais objetivo, também há vantagem em não deixar passar demasiado tempo, para que os documentos e os testemunhos vivos não desapareçam todos.
Seja como for, a única coisa que li de Salazar, para além de alguns dos seus discursos e do livro daquela francesa que era amante dele às escondidas, foi o livro de Franco Nogueira, que é interessantíssimo, porque sabe muito pormenores do tempo em que foi ministro dele, mas por outro lado, sendo ele um grande admirador de Salazar, falta-lhe distância e imparcialidade.



Não sei bem o que pensar disto...



Estava aqui a ler os Caracteres de Teofrasto onde ele descreve as idiossincrasias pouco simpáticas de diversos tipos de pessoas, desde o arrogante ao sumítico e dou por mim a reconhecer-me em pequenas coisas numa data deles... mas não em todos, felizmente: o adulador, o distraído, o falso e outros afins são caracteres que me são estranhos.





Leituras pela manhã - do we really want access to one another’s unmediated thoughts?



A Zulu saying: Umuntu ngumuntu ngabantu, or ‘A person is a person through other people.’ This captures a subtle balance between individual and community. We are never sole individuals; nor are we mere cells in a slime mould. We are social beings first and foremost.

Mark Dingemansein, The space between our head - Brain-to-brain interfaces promise to bypass language. 

#FreeAssange - "There is a greater awareness now that we no longer have proper functioning democracies"



"There is a greater awareness now that we no longer have proper functioning democracies. The #AssangeCase is part of the wider battle to rescue #democracy." John Furse. 


O que sabemos?


" O que sabemos, num sentido em que não sabemos mais nada, é que as árvores e a relva cresceram e que muitas outras coisas extraordinárias de facto aconteceram; que estranhas criaturas se sustentam no espaço aberto golpeando-o com leques de vários formatos fantásticos; que outras estranhas criaturas se movem e vivem sob imensas extensões de água, que outras caminham sobre quatro patas; e que a mais estranha de todas as criaturas caminha sobre duas pernas.
Essas são realidades e não teorias; e comparada com elas a evolução, o átomo e até mesmo o sistema solar são apenas teorias."


G.K. Chesterton
A imagem pode conter: céu, fogo, nuvem e ar livre

Bom dia com poesia de rua 🙂

 




August 04, 2020

Introspecção



• Michelangelo Buonarroti (Caprese, March 6, 1475 - Rome, February 18, 1564) Drawing of a woman's face c.1540. Royal Collection Windsor, United Kingdom 


Right...



"Everything is a mess. The hair, the bed, the words, the life, the heart."

_ Jack Kerouac


O que tem de ser tem muita força




 @brandonverdura

Há muita geometria envolvida nisto



e horas de prática.

Gente estúpida há em todo o lado, o que não consola nada




I’m a Nurse in New York. Teachers Should Do Their Jobs, Just Like I Did.

Schools are essential to the functioning of our society, and that makes teachers essential workers.

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Os professores têm estado em constante ataque de toda a gente assim que se aproxima a data de abertura das aulas. Também cá ouvimos inanidades do género de dizer que um professor deve dar a vida para que os filhos possam ir de férias felizes. Em NY, tal como cá, todos estes críticos, em vez de falarem para pedir medidas de segurança para as escolas falam para chamar nomes aos professores.

Esta enfermeira que diz que se fez o seu trabalho e os professores que façam o deles, fala sem pensar. Uma enfermeira trata doentes num ambiente esterilizado e controlado por ela. Desde que o doente entra que ele o controla completamente: tire a roupa, deite-se ali, não fale, agora abra a boca, ponha esta máscara, vista aquele fato, etc. Os doentes estão separados uns dos outros e estão, bem como as enfermeiras com fatos especiais, máscaras cirúrgicas que lhes dão, todos os dias e mais do que uma se for preciso, desinfectantes por todo o lado, etc.

Pois uma escola não tem nada que ver com um hospital e os alunos não são doentes deitados sossegadinhos em camas de ambientes controlados. São muito dinâmicos, falam, dão gritos, empurram-se, andam, levantam-se, tocam em objectos, trocam de objectos, aproximam-se, andam em grupos. Não lhe dão máscaras ou dão-lhes, como cá, uma máscara por período, o que é uma anedota, nem andam com fatos especiais em ambientes esterilizados. 

Os professores a mesma coisa, de modo que trabalhar com doentes num hospital não tem nada que ver com trabalhar com alunos, crianças e adolescentes, numa escola e é preciso ser-se muito estúpido para não se perceber isso e, em vez de pedir que usem alguns dos biliões que gastam com coisas nenhumas na segurança das escolas, chamar cobardes aos professores dos seus filhos. Não sei o que diria se os doentes entrassem no hospital a chamar-lhe nomes antes de lhe pedirem para os tratar. 

Esta artigo desta enfermeira vem naquela revista Atlantic que em tempos foi uma revista séria e respeitada.

Esta história que me parece ser menos de cabras e mais dos maridos das cabras é típica do que acontece aos projectos com fundos europeus



Correu-mal-o-projecto-dos-rebanhos-de-cabras-na-Serra-de-Aire?

Fátima e Pedrógão foram as freguesias contempladas, mas em ambos os casos a iniciativa deu para o torto.
Quando os militares do SEPNA (Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente) da GNR abriram o curral da Junta de Freguesia de Pedrógão, no alto da Serra de Aire, em Novembro último, depararam-se com meia dúzia de animais mortos. Eram o que restava do projecto de Conservação de Habitats Naturais na Serra de Aire e Candeeiros, iniciado pela Quercus em 2011, com financiamento da União Europeia. Paulo Simões, presidente da Junta de Freguesia de Pedrógão, relatou a O MIRANTE a sucessão de acontecimentos que levou a este “triste” desfecho.

Há dias que tentava contactar o pastor para combinar a visita da veterinária às instalações. Inicialmente houve várias desculpas, depois o pastor deixou de atender as chamadas. Paulo Simões enviou um funcionário da junta ao local. Ali deparou-se com um estábulo fechado, com ar de abandono e sem sinal de animais por perto. Foi então que o presidente da junta chamou o SEPNA e o veterinário municipal para o acompanhar ao estábulo e ver o que se passava. Era suposto estarem ali perto de 50 cabeças de gado, um número ainda assim muito inferior ao protocolado inicialmente com a Quercus.

Paulo Simões explica que muitas cabeças se foram perdendo entre 2011 e 2017, altura em que o estábulo ficou concluído e em que Joaquim Cardoso subiu a serra com cerca de 70 animais. Aquando da assinatura do protocolo, a Quercus comprou o rebanho de Joaquim Cardoso, com cerca de 100 cabeças, e completou-o com outras 100. Joaquim exploraria o rebanho economicamente e o compromisso era mantê-lo naquela região da serra. Joaquim Cardoso foi o pastor “imposto” pela Quercus e ninguém se opôs, porque resolvia outro problema, o das queixas dos vizinhos de A-do-Freire, onde vivia e mantinha os animais sem o mínimo de condições de higiene. Mas durante os seis anos que demorou a construção do estábulo muitos animais foram morrendo.

A insistência de Paulo Simões para saber quantos eram os animais, como estavam de saúde e se tinham as vacinas em dia acabou com a paciência de Joaquim Cardoso que, “de um dia para o outro”, decidiu abandonar o projecto e entregá-lo ao amigo Pedro Ricardo Filipe, com os mesmos termos contratuais.

Parecia ser a pessoa indicada. Era mais novo e tinha energia. Limpou o estábulo e nunca foi detectado qualquer problema. “O que terá acontecido para não me atender e desaparecer com os animais é um mistério. Diz que os animais fugiram...”, desabafa o autarca. Quanto a agir judicialmente, Paulo Simões refere que está a avaliar os custos envolvidos num processo desta natureza.
Assunto divulgado em Julho
O assunto foi relatado na última Assembleia de Freguesia de Pedrogão. A CDU questionou Paulo Simões e, diz, não tendo obtido respostas convincentes optou por colocar um cartaz no Pedrógão onde levanta questões como o porquê da morte dos animais e para onde foram os bens cedidos para o projecto (além do estábulo, uma moto 4, uma cisterna móvel e um aparelho de ordenha). Também Helena Pinto, vereadora do Bloco de Esquerda na Câmara de Torres Novas, levantou o assunto na reunião do executivo de 21 de Julho exigindo explicações “completas e rápidas”.

O financiamento para o estábulo foi feito pela União Europeia e contou com uma ajuda da Câmara de Torres Novas de 10 mil euros. O gasto da junta, de acordo com Paulo Simões, resume-se a cerca de três mil euros utilizados na compra de gado para reforço do rebanho aquando da troca de pastor. Segundo o autarca, a junta ficou agora com um património imobiliário que deve rondar os 50 mil euros e ao qual não sabe que destino dar. Uma coisa é certa: “Está fora de questão comprar outro rebanho”.

Questionado sobre os restantes bens afectos ao projecto, o autarca confirma que a moto 4 ficou na posse da junta e refere que a cisterna móvel estava à guarda do segundo pastor. O aparelho de ordenha era uma estrutura metálica simples e já estaria danificado.
Cabras não eram sapadoras
O objectivo do rebanho era controlar os carrascos, medronhos e matos em geral que crescem nestas serras, de forma a preservar plantas mais frágeis como algumas orquídeas. “Não há uma única linha em todo o processo que refira o termo sapadoras”, conta o presidente da Junta de Pedrógão.

O projecto com um orçamento total de mais de 400 mil euros, financiado pela União Europeia em 75%, era dividido em dois pólos, um do lado norte da serra, em Fátima, e um do lado sul, no Pedrógão. Previa dois rebanhos, com cerca de duas centenas de efectivos cada, e dois estábulos. Em Fátima o projecto avançou rapidamente porque já havia uma estrutura que foi aproveitada pela junta de freguesia, mas também aí o desfecho foi trágico. Os animais acabaram por morrer de doença.



Porque é que os EUA estão com o covid-19 descontrolado...?



Photo from the first day of school in Paulding County, GA.
The Other 98%

Tiago e João: é isto que estão a preparar? 
Isto é igual à minha escola em tempos normais. Quando toca à entrada ou à saída os alunos enchem os corredores e nós, professores e funcionários atravessamo-los. Depois, é mais ou menos nesta densidade que os alunos estão no polivalente que é a sala deles e também refeitório. Nós professores estamos mais ou menos assim na sala de professores, no turno da manhã.



Alguém diga aos escoceses para virem a Portugal contactar o IAVE Maria Cheia de Graça



... que faz milagres!
A minha proposta é: todos os anos, chegando a altura dos exames, espalhe-se um covid para subir notas.


Scotland's results day: Thousands of pupils have exam grades lowered


Thousands of Scottish school pupils have received worse results than they had been expecting after the country's exam body lowered 125,000 estimated grades - a quarter of the total.


Portugal:

Sharing to all music-lovers



Dear Beatriz 

The 2020/21 season is coming soon – with the Berliner Philharmoniker, chief conductor Kirill Petrenko and many high-profile guests. With our early bird discount on the 12-month ticket, you can experience all concerts in the Digital Concert Hall at a particularly attractive price. You can also claim this discount if you already have a valid ticket. Your current access will be extended by 12 months.

 
 

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By the way: if you do not want to take advantage of the early bird discount yourself, you can forward this message to a music-loving friend.

Beber o Verão alentejano



Há uns dias juntei aqui umas pessoas sob o pretexto de comemorar o aniversário e achei que era um boa ideia abrir algumas das garrafas seniores que andam por aqui por casa antes que se estraguem. De há uns anos para cá, bebo muito pouco. Entre elas, tinha aqui um par de garrafas de Esporão reserva 2002. Uma vetusta idade para um vinho branco, de modo que abri-o sem expectativas e um bocadinho a medo, embora a rolha anda estivesse boa. Saiu-me de lá isto: um vinho cor de conhaque, ligeiramente alicorado, com um perfume de flores silvestres que cheira à distância. Sabe a Verão alentejano. Vou beber este dedinho que sobrou :)