August 05, 2020
O Primeiro Encontro de Gadamer com Heidegger
O Primeiro Encontro de Gadamer com Heidegger
O meu primeiro encontro com Heidegger em Freiburg transcorreu de maneira extremamente estranha. Dirigi-me à sala na qual ele tinha o seu horário de atendimento e percebi que havia vozes na sala. Assim, retirei-me e fiquei esperando no corredor. Então, a porta se abriu e uma pessoa foi levada para fora por um homem muito pequeno de olhos pretos. Eu disse para mim mesmo: “Que pena, ainda tem alguém lá dentro”. E continuei esperando. Somente depois de um longo tempo procurei escutar de novo junto à porta, não ouvi mais vozes, bati e entrei. O pequeno homem moreno que não correspondia de maneira alguma às minhas expectativas era Martin Heidegger. Quando comecei a conversar com ele e vi os seus olhos, compreendi sem qualquer comentário que fenomenologia tinha alguma coisa em comum com a visão. Nesses olhos não havia apenas perspicácia penetrante, mas antes de tudo também fantasia e força intuitiva. Durou muito tempo até que aprendesse a desenvolver em mim, nos limites de minhas possibilidades, essa força intuitiva fenomenológica que se tornou hoje quase totalmente desconhecida. Naturalmente, passei a frequentar a preleção semanal de uma hora dada por Heidegger sobre ontologia, os pós-seminários oferecidos por ele sobre Aristóteles e sobre “Investigações Lógicas”, assim como o seminário sobre o livro 6 da “Ética a Nicómaco” e um seminário aos sábados sobre o escrito de Kant sobre a religião, organizado juntamente com Julius Ebbinghaus. Todos esses cinco cursos foram determinantes e inesquecíveis para mim.
— GADAMER, Hans-Georg. “Hermenêutica em Retrospectiva: Heidegger em Retrospectiva”, Vol. I. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 2007, p. 11 e 12. Tradução de Marco Casanova.
Foto: Gadamer a esquerda e Heidegger, a direita.
Citação deste dia
" Um livro autêntico não é jamais impaciente. Ele pode esperar séculos para despertar um eco vivificante."
Jorge Luís Borges
apontamentos
Acabo de comprar este livro sobre Salazar
Não sei bem o que pensar disto...
Leituras pela manhã - do we really want access to one another’s unmediated thoughts?
Mark Dingemansein, The space between our head - Brain-to-brain interfaces promise to bypass language.
#FreeAssange - "There is a greater awareness now that we no longer have proper functioning democracies"
O que sabemos?
Essas são realidades e não teorias; e comparada com elas a evolução, o átomo e até mesmo o sistema solar são apenas teorias."
G.K. Chesterton
August 04, 2020
Introspecção
Right...
_ Jack Kerouac
Há muita geometria envolvida nisto
Gente estúpida há em todo o lado, o que não consola nada
I’m a Nurse in New York. Teachers Should Do Their Jobs, Just Like I Did.
Schools are essential to the functioning of our society, and that makes teachers essential workers.
Esta história que me parece ser menos de cabras e mais dos maridos das cabras é típica do que acontece aos projectos com fundos europeus
Fátima e Pedrógão foram as freguesias contempladas, mas em ambos os casos a iniciativa deu para o torto.
Quando os militares do SEPNA (Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente) da GNR abriram o curral da Junta de Freguesia de Pedrógão, no alto da Serra de Aire, em Novembro último, depararam-se com meia dúzia de animais mortos. Eram o que restava do projecto de Conservação de Habitats Naturais na Serra de Aire e Candeeiros, iniciado pela Quercus em 2011, com financiamento da União Europeia. Paulo Simões, presidente da Junta de Freguesia de Pedrógão, relatou a O MIRANTE a sucessão de acontecimentos que levou a este “triste” desfecho.
Há dias que tentava contactar o pastor para combinar a visita da veterinária às instalações. Inicialmente houve várias desculpas, depois o pastor deixou de atender as chamadas. Paulo Simões enviou um funcionário da junta ao local. Ali deparou-se com um estábulo fechado, com ar de abandono e sem sinal de animais por perto. Foi então que o presidente da junta chamou o SEPNA e o veterinário municipal para o acompanhar ao estábulo e ver o que se passava. Era suposto estarem ali perto de 50 cabeças de gado, um número ainda assim muito inferior ao protocolado inicialmente com a Quercus.
Paulo Simões explica que muitas cabeças se foram perdendo entre 2011 e 2017, altura em que o estábulo ficou concluído e em que Joaquim Cardoso subiu a serra com cerca de 70 animais. Aquando da assinatura do protocolo, a Quercus comprou o rebanho de Joaquim Cardoso, com cerca de 100 cabeças, e completou-o com outras 100. Joaquim exploraria o rebanho economicamente e o compromisso era mantê-lo naquela região da serra. Joaquim Cardoso foi o pastor “imposto” pela Quercus e ninguém se opôs, porque resolvia outro problema, o das queixas dos vizinhos de A-do-Freire, onde vivia e mantinha os animais sem o mínimo de condições de higiene. Mas durante os seis anos que demorou a construção do estábulo muitos animais foram morrendo.
A insistência de Paulo Simões para saber quantos eram os animais, como estavam de saúde e se tinham as vacinas em dia acabou com a paciência de Joaquim Cardoso que, “de um dia para o outro”, decidiu abandonar o projecto e entregá-lo ao amigo Pedro Ricardo Filipe, com os mesmos termos contratuais.
Parecia ser a pessoa indicada. Era mais novo e tinha energia. Limpou o estábulo e nunca foi detectado qualquer problema. “O que terá acontecido para não me atender e desaparecer com os animais é um mistério. Diz que os animais fugiram...”, desabafa o autarca. Quanto a agir judicialmente, Paulo Simões refere que está a avaliar os custos envolvidos num processo desta natureza.
Assunto divulgado em Julho
O assunto foi relatado na última Assembleia de Freguesia de Pedrogão. A CDU questionou Paulo Simões e, diz, não tendo obtido respostas convincentes optou por colocar um cartaz no Pedrógão onde levanta questões como o porquê da morte dos animais e para onde foram os bens cedidos para o projecto (além do estábulo, uma moto 4, uma cisterna móvel e um aparelho de ordenha). Também Helena Pinto, vereadora do Bloco de Esquerda na Câmara de Torres Novas, levantou o assunto na reunião do executivo de 21 de Julho exigindo explicações “completas e rápidas”.
O financiamento para o estábulo foi feito pela União Europeia e contou com uma ajuda da Câmara de Torres Novas de 10 mil euros. O gasto da junta, de acordo com Paulo Simões, resume-se a cerca de três mil euros utilizados na compra de gado para reforço do rebanho aquando da troca de pastor. Segundo o autarca, a junta ficou agora com um património imobiliário que deve rondar os 50 mil euros e ao qual não sabe que destino dar. Uma coisa é certa: “Está fora de questão comprar outro rebanho”.
Questionado sobre os restantes bens afectos ao projecto, o autarca confirma que a moto 4 ficou na posse da junta e refere que a cisterna móvel estava à guarda do segundo pastor. O aparelho de ordenha era uma estrutura metálica simples e já estaria danificado.
Cabras não eram sapadoras
O objectivo do rebanho era controlar os carrascos, medronhos e matos em geral que crescem nestas serras, de forma a preservar plantas mais frágeis como algumas orquídeas. “Não há uma única linha em todo o processo que refira o termo sapadoras”, conta o presidente da Junta de Pedrógão.
O projecto com um orçamento total de mais de 400 mil euros, financiado pela União Europeia em 75%, era dividido em dois pólos, um do lado norte da serra, em Fátima, e um do lado sul, no Pedrógão. Previa dois rebanhos, com cerca de duas centenas de efectivos cada, e dois estábulos. Em Fátima o projecto avançou rapidamente porque já havia uma estrutura que foi aproveitada pela junta de freguesia, mas também aí o desfecho foi trágico. Os animais acabaram por morrer de doença.
Porque é que os EUA estão com o covid-19 descontrolado...?
The Other 98%
Alguém diga aos escoceses para virem a Portugal contactar o IAVE Maria Cheia de Graça
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