March 02, 2020

"Tudo começa com um desvio, que se transforma em uma tendência, que se torna uma força histórica."



Edgar Morin: “Estamos caminhando como sonâmbulos em direção à catástrofe”

por Pensar Contemporâneo

Por que a velocidade está tão arraigada no funcionamento de nossa
sociedade?


A velocidade faz parte do grande mito do progresso que anima a civilização
ocidental desde os séculos 18 e 19. A idéia subjacente é que agradecemos a
ela por um futuro cada vez melhor. Quanto mais rápido formos em direção a
esse futuro, melhor, é claro.

É neste contexto que as comunicações, econômicas e sociais, e todos os tipos
de técnicas que possibilitaram a criação de transporte rápido se multiplicaram.
Penso em particular no motor a vapor, que não foi inventado por razões de
velocidade, mas em servir a indústria ferroviária, que se tornou cada vez mais
rápida.

Tudo isso é correlativo por causa da multiplicação de atividades e torna as
pessoas cada vez mais com pressa. Estamos numa época em que a
cronologia se impõe.

Então isso é novo?

Antigamente, você consultava o sol para para se orientar no tempo. No Brasil,
em cidades como Belém, ainda hoje nos encontramos “depois da chuva”.
Nesses padrões, seus relacionamentos são estabelecidos de acordo com um
ritmo temporal pontuado pelo sol. Mas o relógio de pulso, por exemplo, fez com
que o tempo abstrato substituísse o tempo natural. E o sistema de competição
e concorrência – que é o de nossa economia de mercado capitalista – significa
que, para a competição, o melhor desempenho é aquele que permite a maior
velocidade. A competição, portanto, se transformou em competitividade, o que
é uma perversão da concorrência.

Essa busca por velocidade não é uma ilusão?

De alguma forma. Não percebemos – embora pensemos que estamos fazendo
as coisas rapidamente – que estamos intoxicados pelo meio de transporte que
afirma ser rápido. O uso de meios de transporte cada vez mais eficientes, em
vez de acelerar o tempo de viagem, acaba – principalmente por causa de
engarrafamentos – desperdiçando tempo! Como já disse Ivan Illich (filósofo
austríaco nascido em 1926 e morto em 2002, ed): “O carro nos atrasa muito.
Até as pessoas, imobilizadas em seus carros, ouvem o rádio e sentem que
ainda estão usando o tempo de uma maneira útil. O mesmo vale para o
concurso de informações. Agora recorremos ao rádio ou a TV para não
esperar a publicação dos jornais. Todas essas múltiplas velocidades fazem
parte de uma grande aceleração do tempo, a da globalização. E tudo isso nos
leva ao desastre.

O progresso e o ritmo em que o construímos necessariamente nos destroem?
O desenvolvimento tecnoeconômico acelera todos os processos de produção
de bens e riquezas, os quais aceleram a degradação da biosfera e a poluição
generalizada. As armas nucleares estão se multiplicando e os técnicos estão
sendo solicitados a fazer as coisas mais rapidamente. Tudo isso, de fato, não
vai na direção de um desenvolvimento individual e coletivo!

Por que buscamos sistematicamente utilidade no decorrer do tempo?

Veja o exemplo do almoço. Tempo significa convívio e qualidade. Hoje, a idéia
de velocidade faz com que, assim que terminemos o prato, chamemos um
garçom que corre para recolher os pratos. Se você ficar entediado com seu
vizinho, tende a querer diminuir esse tempo.

Esse é o significado do movimento slow-food que deu origem à idéia de “vida
lenta”, “tempo lento” e até “ciência lenta”. Uma palavra sobre isso. Vejo que a
tendência dos jovens pesquisadores, assim que eles têm um campo de
trabalho, mesmo muito especializado, é que eles se apressem para obter
resultados e publiquem um “grande” artigo em uma “grande” revista científica
internacional, para que ninguém mais publique antes deles.
Esse espírito se desenvolve em detrimento da reflexão e do pensamento.
Nosso tempo rápido é, portanto, um tempo anti-reflexo.

Por quê?

Somos prisioneiros da ideia de rentabilidade, produtividade e competitividade.
Essas idéias foram exasperadas com a concorrência globalizada, nas
empresas, e depois se espalharam para outros lugares. O mesmo vale para o
mundo da escola e da universidade! O relacionamento entre o professor e o
aluno exige um relacionamento muito mais pessoal do que apenas as noções
de desempenho e resultados. Além disso, o cálculo acelera tudo isso. Vivemos
um tempo em que ele é privilegiado por tudo. Bem como saber tudo e dominar
tudo. Pesquisas que antecipam um ano de eleições fazem parte do mesmo
fenômeno. Chegamos a confundi-los com o anúncio do resultado. Tentamos
eliminar o efeito de surpresa sempre possível.

De quem é a culpa? Capitalismo? a ciência?
Estamos presos em um processo espantoso em que o capitalismo, as trocas e
a ciência são levados a esse ritmo. Não se pode ser culpa de um homem.
Devemos acusar Newton por ter inventado o motor a vapor? Não. O
capitalismo é essencialmente responsável, de fato. Por sua fundação, que é
buscar lucro. Pelo seu motor, que é tentar, pela competição, avançar seu
oponente.

Pela incessante sede de “novo” que promove através da publicidade … O que
é essa sociedade que produz objetos cada vez mais obsoletos? Essa
sociedade de consumo que organiza a fabricação de geladeiras ou máquinas
de lavar não para a vida útil infinita, mas para se decompor após oito anos? O
mito do novo, como você pode ver – mesmo para detergentes – visa sempre
incentivar o consumo. O capitalismo, por sua lei natural – a concorrência –
empurra, assim, para uma aceleração permanente e por sua pressão
consumista, sempre para obter novos produtos que também contribuem para
esse processo.

Vemos isso através de múltiplos movimentos no mundo, esse capitalismo é
questionado. Em particular na sua dimensão financeira …


Entramos em uma crise profunda sem saber o que sairá dela. As forças de
resistência realmente se manifestam. A economia social e solidária é uma
delas. Ela representa uma maneira de lutar contra essa pressão. Se
observarmos um impulso para a agricultura orgânica com pequenas e médias
fazendas e um retorno à agricultura, é porque grande parte do público começa
a entender que galinhas e porcos industrializados são adulterados e
desnaturalizam solos e águas subterrâneas.

Uma busca por produtos artesanais indica que desejamos fugir dos
supermercados que, eles próprios, exercem pressão do preço mínimo sobre o
produtor e tentam repassar um preço máximo para o consumidor. O Comércio
Justo também está tentando ignorar os intermediários predatórios. O
capitalismo triunfa em certas partes do mundo, mas outra margem vê reações
que surgem não apenas de novas formas de produção (cooperativas, fazendas
orgânicas), mas também da união consciente dos consumidores.

É aos meus olhos uma força não utilizada e fraca porque ainda dispersa. Se
essa força tomar conhecimento de produtos de qualidade e de produtos
nocivos, superficiais, uma força de pressão incrível será aplicada e influenciará
a produção.

Os políticos e seus partidos parecem não estar cientes dessas forças
emergentes. Eles não carecem de análise de inteligência …


Mas você parte do pressuposto de que esses homens e mulheres políticos já
fizeram essa análise. Mas você tem mentes limitadas por certas obsessões,
certas estruturas.

Por obsessão, você quer dizer crescimento?
Sim Eles nem sabem que o crescimento – supondo que volte aos chamados
países desenvolvidos – não excederá 2%! Não é esse crescimento que
conseguirá resolver a questão do emprego! O crescimento que queremos
rápido e forte é um crescimento na competição. Isso leva as empresas a
colocar as máquinas no lugar dos homens e, assim, liquidar as pessoas e
aliená-las ainda mais. Parece-me assustador que os socialistas possam
defender e prometer mais crescimento. Eles ainda não fizeram um esforço
para pensar e buscar novos pensamentos.

Desaceleração significaria decadência?

O importante é saber o que deve crescer e o que deve diminuir. É claro que
cidades não poluentes, energias renováveis e obras públicas saudáveis devem
crescer. O pensamento binário é um erro. É a mesma coisa para globalizar e
desglobalizar: é necessário continuar a globalização no que cria solidariedades
entre as pessoas e com o planeta, mas deve ser condenada quando cria ou
não traz zonas de prosperidade, mas de corrupção ou desigualdade. Eu
defendo uma visão complexa das coisas.

A velocidade em si não tem culpa?

Não. Se eu pegar minha bicicleta para ir à farmácia e tentar fazer isso antes
dela fechar, vou pedalar o mais rápido possível. Velocidade é algo que
precisamos e podemos usar quando necessário. O verdadeiro problema é
diminuir com êxito nossas atividades. Retomar o tempo, natural, biológico,
artificial, cronológico e conseguir resistir.

Você está certo ao dizer que o que é velocidade e aceleração é um processo
extremamente complexo da civilização, no qual técnicas, capitalismo, ciência e
economia têm sua parte. Todas essas forças combinadas nos levam a acelerar
sem que tenhamos controle sobre elas. Porque a nossa grande tragédia é que
a humanidade é arrastada em uma corrida acelerada, sem nenhum piloto a
bordo. Não há controle ou regulamentação. A própria economia não é regulada.
O Fundo Monetário Internacional não é, nesse sentido, um sistema real de
regulamentação.

A política ainda não deveria “levar tempo para reflexão”?
Muitas vezes, temos a sensação de que, por sua pressa de agir, de se
expressar, ele vem trabalhar sem nossos filhos, mesmo contra eles … Você
sabe, os políticos estão embarcando nessa corrida para acelerar. Li
recentemente uma tese sobre gabinetes ministeriais. Às vezes, nos escritórios
dos conselheiros, havia anotações e registros rotulados como “U” para
“urgentes”. Depois veio o “MU” para “muito urgente” e depois o “MMU”. Os
gabinetes ministeriais agora estão invadidos, desatualizados.

A tragédia dessa velocidade é que ela cancela e mata o pensamento político
pela raiz. A classe política não fez nenhum investimento intelectual para
antecipar, enfrentar o futuro. Foi o que tentei fazer em meus livros como
Introdução a uma política do homem, Caminho, Terre-patrie … O futuro é incerto,
é preciso tentar navegar, encontrar um caminho, uma perspectiva. Sempre
houve ambições pessoais na história. Mas eles estavam relacionados a idéias.
De Gaulle sem dúvida teve uma ambição, mas teve uma ótima ideia. Churchill
tinha ambição a serviço de uma grande idéia, que era salvar a Inglaterra do
desastre. Agora, não há mais grandes idéias, mas grandes ambições com
homenzinhos ou mulheres.


Michel Rocard recentemente lamentou sobre “Terra eco” o desaparecimento da visão de longo prazo…


Ele tinha razão e não tinha. Uma política real não está posicionada no imediato,
mas no essencial. Por esquecer o essencial da urgência, acabamos
esquecendo a urgência do essencial. O que Michel Rocard chama de “longo
prazo”, eu chamo de “problema de substância”, “questão vital”. Pensar que
precisamos de uma política global para a salvaguarda da biosfera – com um
poder de decisão que distribua responsabilidades porque não podemos
atribuir as mesmas responsabilidades aos países ricos e aos países pobres – é
uma política essencial para longo prazo. Mas esse longo prazo deve ser rápido
o suficiente, porque a ameaça está se aproximando.

Edgar Morin, o estado de urgência perpétua de nossas sociedades o torna
pessimista?


Essa falta de visão me força a ficar na brecha. Há uma continuidade na
descontinuidade. Eu fui da época da Resistência quando jovem, onde havia um
inimigo, um ocupante e um perigo mortal, para outras formas de resistência
que não carregavam o perigo da morte, mas o de permanecer
incompreendido, caluniado ou desprezado.

Depois de ser comunista de guerra e depois de ter lutado com a Alemanha
nazista com grandes esperanças, vi que essas esperanças eram enganosas e
rompi com esse totalitarismo, que se tornou o inimigo da humanidade. Eu lutei
contra isso e resisti. Eu, naturalmente – defendi a independência do Vietnã ou
da Argélia, quando se tratava de liquidar um passado colonial. Pareceu-me
muito lógico depois de ter lutado pela independência da França, ameaçada
pelo nazismo. No final do dia, estamos sempre envolvidos na necessidade de
resistir.

E hoje?

Hoje, percebo que estamos sob a ameaça de duas barbáries associadas.
Antes de tudo, humano, que vem do fundo da história e que nunca foi liquidado:
o campo americano de Guantánamo ou a expulsão de crianças e pais que
estão separados, acontece hoje ! Essa barbárie é baseada no desprezo
humano. E então o segundo, frio e gelado, com base em cálculo e lucro. Essas
duas barbáries são aliadas e somos forçados a resistir em ambas as frentes.
Por isso, continuo com as mesmas aspirações e revoltas que as da minha
adolescência, com a consciência de ter perdido ilusões que poderiam me
animar quando, em 1931, eu tinha dez anos.

A combinação dessas duas barbáries nos colocaria em perigo mortal …
Sim, porque essas guerras podem a qualquer momento se desenvolver no
fanatismo. O poder destrutivo das armas nucleares é imenso e o da
degradação da biosfera para toda a humanidade é vertiginoso. Estamos indo,
por essa combinação, em direção a cataclismos. No entanto, o provável, o pior,
nunca está certo aos meus olhos, porque às vezes apenas alguns eventos são
suficientes para que as evidências se revertam.

Mulheres e homens também podem ter esse poder?
Infelizmente, em nosso tempo, o sistema impede que espíritos se rompam.
Quando a Inglaterra foi ameaçada de morte, um homem marginal foi levado ao
poder, seu nome era Churchill. Quando a França foi ameaçada, foi De Gaulle.
Durante a Revolução, muitas pessoas, sem treinamento militar, conseguiram se
tornar generais formidáveis, como Hoche ou Bonaparte; avocaillons como
Robespierre, grandes tribunos. Grandes momentos de crise terrível despertam
homens capazes de resistir. Ainda não estamos suficientemente cientes do
perigo. Ainda não entendemos que estamos caminhando para um desastre e
estamos nos movendo a toda velocidade como sonâmbulos.


O filósofo Jean-Pierre Dupuy acredita que da catástrofe nasce a solução. Você
compartilha a análise dele?


Não é dialético o suficiente. Ele nos diz que o desastre é inevitável, mas que é
a única maneira de saber que pode ser evitado. Eu digo: é provável que haja
um desastre, mas é improvável. Quero dizer com “provável” que, para nós,
observadores, no tempo em que estamos e nos lugares em que estamos, com
as melhores informações disponíveis, vemos que o curso das coisas está nos
levando a desastres. No entanto, sabemos que é sempre o improvável que
surgiu e que “fez” a transformação. Buda era improvável, Jesus era improvável,
Muhammad, a ciência moderna com Descartes, Pierre Gassendi, Francis
Bacon ou Galileu era improvável, o socialismo com Marx ou Proudhon era
improvável, o capitalismo era improvável na Idade Média … Veja Atenas. Cinco
séculos antes de nossa era, você tem uma pequena cidade grega diante de um
império gigantesco, a Pérsia. E duas vezes – embora destruída pela segunda
vez – Atenas consegue expulsar esses persas graças ao golpe de gênio do
estrategista Temístocles, em Salamina. Graças a essa incrível improbabilidade,
nasceu a democracia, que poderia fertilizar toda a história futura e depois a
filosofia. Então, se você quiser, posso chegar às mesmas conclusões que
Jean-Pierre Dupuy, mas meu caminho é bem diferente. Hoje, existem forças de
resistência dispersas, aninhadas na sociedade civil e que não se conhecem.
Mas acredito no dia em que essas forças se reunirão, em feixes. Tudo começa
com um desvio, que se transforma em uma tendência, que se torna uma força
histórica.

Portanto, é possível reunir essas forças, engajar a grande metamorfose, do
indivíduo e depois da sociedade?


O que chamo de metamorfose é o termo de um processo no qual várias
reformas, em todas as áreas, começam ao mesmo tempo.

Já estamos em processo de reformas …
Não, não. Não são essas pseudo-reformas. Estou falando de reformas
profundas da vida, civilização, sociedade, economia. Essas reformas terão que
começar simultaneamente e ser inter-solidárias.

Você chama essa abordagem de “viver bem”. A expressão parece fraca, tendo
em vista a ambição que você lhe dá.


O ideal da sociedade ocidental – “bem-estar” – deteriorou-se em coisas
puramente materiais, conforto e propriedade de objetos. E embora essa
palavra “bem-estar” seja muito bonita, outra coisa teve que ser encontrada. E
quando o presidente do Equador, Rafael Correa, encontrou essa fórmula de
“boa vida”, retomada por Evo Morales (presidente boliviano, ed)significava
florescimento humano, não apenas na sociedade, mas também na natureza.

A expressão “viver bem” é sem dúvida mais forte em espanhol do que em
francês. O termo é “ativo” na língua de Cervantes e passivo na de Molière. Mas
essa idéia é a que melhor se relaciona com a qualidade de vida, com o que
chamo de poesia da vida, amor, carinho, comunhão e alegria e, portanto, com a
qualitativa, que a devemos nos opor à primazia do quantitativo e da
acumulação. O bem-estar, a qualidade e a poesia da vida, inclusive em seu
ritmo, são coisas que devem – juntas – nos guiar. É para a humanidade uma
finalidade tão bonita. Implica também controlar simultaneamente coisas como
especulação internacional … Se não conseguirmos nos salvar desses polvos
que nos ameaçam e cuja força é acentuada, acelera, não haverá nada de bom.

Late at night



Tudo se assemelha, à noite: as pessoas, os carros, as casas, os vultos e as sombras.

de Martin Lewis, mentor e percursor de Edward Hopper

March 01, 2020

In Case of Emergency, Remove Your Bra


Isto vem a propósito de estar sem máscaras em casa e ter passado pela farmácia para aviar uma receita e ter pedido um par de máscaras e a farmacêutica ter começado a rir. Disse-me que estão sem máscaras e os fornecedores também não têm porque as pessoas foram a correr comprar às dúzias. A sério?? A ver se amanhã no hospital me dão uma máscara.

Li coisas um bocado alarmantes nas redes sociais sobre alunos que foram passear para o norte de Itália, no Carnaval. Quem são as pessoas que vão para o norte de Itália passear numa altura destas? Ou para outro país, não tendo necessidade, quer dizer, aeroportos e aviões não são a melhor coisa, neste momento.

Enfim, amanhã tenho que mandar um email ao meu director a saber o que se passa ao certo, porque eu faço parte de um grupo de pessoas de risco, dada a parva da doença e tenho que saber se tenho que tomar precauções acrescidas.

Não percebo porque é que o ME não emite uma nota a obrigar aqueles que vão de viagem para zonas onde há epidemia, como o Norte de Itália, a ficar em casa de quarentena, porque uma escola é um sítio ideal para propagação destas doenças. Quem quer ir passear para esses sítios, tem que saber que não pode depois voltar como se nada fosse.


Grande tachada em casa de Medina



Os lisboetas pagam este socialismo esquemático.

Medina contratou Inês Drummond por €4.615/mês para "assessoria"
por Marco Alves

Inês Drummond (PS) saiu da presidência da junta de freguesia de Benfica para ir trabalhar no gabinete do presidente da Câmara de Lisboa. Não se percebe no contrato o que vai fazer.

February 29, 2020

12 filmes russos



1. Luna Park (1992)


The protagonist of this Russian-French drama, Andrei Leonov, is the leader of a nationalistic, anti-Semitism organization in post-Soviet Moscow. However, his life is turned on its head when he finds out he himself is of Jewish origin.     

2. Window to Paris (1993)


Residents of one communal apartment in St. Petersburg find a secret window that leads to a roof in Paris. They, who have spent most of their life behind the Iron Curtain, get a chance to start over, but life is not so rosy in the West. This Russian-French drama is loved by Russians.

3. Burnt by the Sun (1994)


This movie tells the story of fictional senior Red Army officer Sergey Kotov.  While spending time with his family in their country house, he has absolutely no idea that he will be one of the first victims of the Soviet Union’s Great Purge. Burnt by the Sun received the Grand Prix at the 1994 Cannes Film Festival and won an Oscar for the Best Foreign Language Film.

4. The Thief (1997)


Nominated for an Academy Award, this Russian-French drama tells the story of Katya and her son Sanya who meet Soviet officer Tolyan in 1946. Katya falls in love with Tolyan, and Sanya starts to see him as a father, but they don’t realize that Tolyan is actually a thief.  

5. The Barber of Siberia (1998)


The first big budget ($35 million) movie in the history of modern Russian cinema, The Barber of Siberia is a joint project of Russia, France, Italy, and the Czech Republic. Starring Julia Ormond and Richard Harris, the movie tells the tragic love story between a cadet and an American lady in the Russian Empire. During filming, the Kremlin’s iconic stars were shot down (for cinematic effect) for the second time in their history. The First time was during the Great Patriotic War.

6. Luna Papa (1999)


Numerous countries took part in production of this movie, including Russia, Germany, Tajikistan, Austria, Uzbekistan, Switzerland, France, and Japan. Mamlakat, a young beautiful girl from a small village in the Central Asia, dreams of becoming an actress. One day she is seduced by a traveling actor, who claims to be a friend of Tom Cruise. As a result, Mamlukat’s father and brother embark on a comic journey to find her seducer.  

7. Moloch (1999)


This biographical drama by Alexander Sokurov shows one day in the life of Adolf Hitler and his relations with Eva Braun and leading Nazi leaders, Bormann and Goebbels. The movie is the first part of the director’s tetralogy (Moloch, Taurus, The Sun, and Faust) and was jointly produced by Russia, Germany, Japan, Italy, and France.

8. East-West (1999)


It’s 1946 and many Russian emigrants are invited by Stalin to come and live in the Soviet Union. However, when they arrived in the USSR, they are not met by the reality they expected. Instead, they are forced to go through all terrors of the Communist regime. The Russian-French-Bulgarian-Ukrainian drama was nominated for an Academy Award in 2000.

9. Tycoon (2002)


The Russian-French-German drama follows Platon Makovsky, who is hellbent on becoming rich during the 1990s in Soviet Russia. He becomes embroiled in a world of brutal criminality and dirty politics. The movie is based on the The Big Slice novel by Yuli Dubov about the real Russian tycoon Boris Berezovsky.

10. The Sun (2005)


Another part of Alexander Sokurov’s tetralogy, The Sun depicts Japanese Emperor Shōwa (Hirohito) during the final days of WWII. Tragedy is depicted through the eyes of one man and the entire nation, which suffers a devastating defeat. The movie is a joint production of Russia, Italy, Switzerland, and France.  

11. Mongol (2007)


This Russian-German-Kazakh historical epic drama follows the early years of Temüjin, who later came to be known as Genghis Khan. The great conqueror’s childhood and first battles are portrayed in the film, marking the beginning of a legend.

12. Summer (2018)


The latest joint project of Russia and France, Summer by Kirill Serebrennikov, is devoted to the life of icon of Soviet rocker Viktor Tsoy during the 1980s. The soundtrack of the movie features rock music from the time and scooped the Cannes Soundtrack Award.   
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The desire



Trying to figure it out.


The Desire
© Aini Tolonen 2020

Everyday magic



El ángel de mar es raro y fue grabado en el norte de Rusia hace unos días.

Graffiti





O Grande Macho



Aí vem o homem Macho
em passo de grande senhor
mede as mulheres de alto a baixo
em jeito de matador.

Por sua vontade e prazer
muitas foram as mulheres
obliteradas da História
- pelos homens condenadas
a uma vida sem memória
para alimentarem falsa glória
de pais, irmãos, maridos e outros
pseudo-protectores
alienados carrascos
esses tipos Bestas Machos.
Conservadores
dum sistema de opressão.

Aperta-se o coração
pensar em tantas miúdas
lá longe no Afeganistão
(e mais perto)
educadas em reclusão
manipuladas para aceitarem
em quieta submissão
o jugo das Bestas Machos
que as calam, vendem, trocam
abusam, humilham, matam
em nome da honra
de seus carrascos irmãos,
ou até da religião
onde o Deus, primeiro Macho
reduziu a virtude da mulher
à arte de fazer de capacho.

Quantas vontades perdidas
quantas inteligências desperdiçadas
- metade da humanidade
que desde a mais remota idade
é impedida de ser
de criar, de sonhar,
de livremente crescer
de poder contribuir
para o seu próprio porvir,
reduzida a excedente,
a mero recipiente,
do desejo
de seu dono
o Besta Macho.

Temem os homens o inferno
e a eterna danação
na vida depois da morte
mas condenam as mulheres
a essa mesma sorte
e forçam-nas a viver
uma existência de garrote.
- será que não se apercebem?

O demo são eles próprios
e para essas mulheres o inferno
começa com o nascimento
e só acaba com a morte.

bja


Nem tudo obedece ao devir



Não é verdade que tudo passa
e no tempo se desfaça
- nem tudo obedece ao devir
quem diz que tudo desaparece
nunca soube o que é sentir.

Se a vida fosse apenas
a força contrária da morte
uma e outra eram as mesmas
duas faces da mesma sorte.

bja

De vez em quando tenho que ir ao meu PC antigo



... o que é exasperante! Tirei-lhe tudo quanto é ficheiro mas mesmo assim, para arrancar qualquer programa que seja leva uma eternidade. Só lá vou para sacar links que lá estão guardados nos marcadores às dezenas e que preciso mas como o bicho é mais lento que um alentejano no pingo do verão e está neste estado de quem sobreviveu a uma guerra, é encanitante. Daí a utilidade do smiling sticker e do conselho no rectângulozinho: é para eu não perder a paciência :)

O que tem piada é que pode passar um ano sem o abrir mas nunca esqueço a password. Essa aí está ligada à data em que vi pela última vez um amigo que teve uma grande importância na minha vida e que morreu, tragicamente e demasiado novo. Fez no ano passado dez anos. A vida parte-nos o coração demasiadas vezes, não sei como aguentamos. É o animal em nós que nos faz sobreviver e sobrevivemos, sim, mas na verdade há partes de nós que ficam para sempre como portas de entrada para estações de nostalgia e dor. A poesia ajuda. Enfim... as passwords servem para recordar recordações e as recordações também servem para recordar as passwords.

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Part Time Lover



Se trazem o João Moura faço greve e não saio dos curros














David Alvarez

Pensar



O verdadeiro pensar não pode ser aprendido nos livros. Também não pode ser ensinado, se o mestre não continuar sendo um discípulo até a velhice.

–– Martin Heidegger. Seminários de Zollikon. Rio de Janeiro: editora Vozes, 2009, p. 280 [trecho de carta de Martin Heidegger à Medard Boss, a 14 de junho de 1948, em Todtnauberg].
















Quint Buchholz

Está o Mike Pompeo na TV



A dizer que fizeram um acordo de paz com os Talibans e que lhes vão entregar o poder porque eles prometeram baixar o nível de violência. Não consigo pensar em maior falhanço da intervenção americana no Afeganistão e maior traição ao povo afegão que prometeram proteger, justamente dos Talibãs. Coitadas das mulheres que vivem naquele país, agora destinadas à escravatura, sem apelo nem agravo. O Ocidente está, cada vez mais, transformado numa fábrica de mentiras e traições.

Quando os homens são estúpidos não há nada a fazer



Sharopova, uma tenista com uma carreira longa e recheada de prémios, uma tenista de pódiums reforma-se do ténis e o que tem este indivíduo a dizer sobre esta desportista (este artigo aparece nas páginas dedicadas ao desporto de um jornal nacional e não numa revista de moda ou de beleza ou isso) e a sua longa carreira? Pois, nada. O que ele tem a dizer é sobre se ela era mais sexy que outras, quem usava as saias mais curtas, quem usa pestanas postiças e outras coisa do género. A promoção de homens que mostram uma enorme falta de respeito pelas mulheres, pois as avaliam e valorizam exclusivamente pelo agrado sexual, a opinadores em jornais nacionais, explica muita coisa.



O que fazer quando uma equipa faz um mau trabalho? Reconduzi-los no cargo



Obviamente falo da equipa da educação. É verdade que o problema da violência contra professores começou há muito tempo com a Lurdes Rodrigues mas também é verdade que os governos, nomeadamente os socialistas, são confessos admiradores da pedagogia-terrorismo, como lhe chamo, dessa ministra e, adoptam os seus princípios, sendo que foi durante a legislatura anterior, com as ofensas e modos depreciativos de falar e agir contra os professores, deste governo e, em particular, desta tutela, que o problema se agravou, estando agora num ponto tal que são reportadas agressões a professores a cada 3 dias.

Pela primeira vez em mais de 30 anos de ensino e de não ter problemas com encarregados de educação, tive, este ano, a meu pedido e com o apoio da Direcção, um dos seguranças da escola à porta de uma das reuniões de pais, com instruções para prevenir desacatos. Se não fosse o apoio da direcção e a intervenção do segurança os desacatos tinham mesmo existido.

Esta tutela não mexe um dedo a favor da paz nas escolas, do respeito pelos professores, da protecção das virtudes e do serviço público prestado pela profissão, antes pelo contrário. Se um aluno agride um professor vem a correr dizer que não deve ter sido por mal, mesmo sem saber de coisa alguma, no que só pode ser entendido, pelo pais abusadores, que se têm, o que no seu entender, são boas intenções (defender os seus princípes e princesas que têm todos os direitos e nenhum dever) não é grave agredir professores.

Pessoalmente, estou convencida que o ministro, o secretário de Estado, o primeiro-ministro, o Centeno e outros não mexem uma palha e são cúmplices por inacção desta situação porque pensam que, se os alunos e pais batem nos professores é porque estes alguma coisa de mal fizeram, como se diz das mulheres violadas, que deviam estar a pedi-las, porque se calhar mostram as pernas ou outra coisa do género quando deviam andar tapadas como no Afeganistão.

Era muito fácil acabar com a violência nas escolas: bastava responsabilizar os encarregados de educação e os alunos de modo eficaz, mas não, as pessoas que tutelam as escolas estão elas próprias contra os professores.

Avó e tios de aluno de 8 anos trepam gradeamento para sovar professora
Outro professor tentou travar a fúria dos arguidos e também foi espancado com violência. Caso aconteceu no Porto. 
Revoltados com a professora de educação física que repreendeu um menino de 8 anos os familiares resolveram acertas contas com a docente.

Costa é o que sempre foi, não houve mudança



JMT pergunta sobre a deterioração do poder negocial do governo Costacenteno e conclui que ele beneficiava  do papão do PPC e, tendo esse papão desaparecido, o governo mostra-se como aquilo que é: uma geringonça colada a cuspo.
Eu não vejo as coisas assim. A mim parece-me que Costa, desde o tempo de ser ministro de Sócrates e depois, presidente da câmara de Lisboa, sempre foi como agora se mostra -autoritário, egocêntrico, demagogo- só que tem sempre good reviews, consequência de cuidar, acima de tudo, do controlo da comunicação social, coisa aliás que deve ter esmerado aquando do governo de Sócrates, grande especialista na gestão pública da imagem e controlo dos meios de comunicação social.

Portanto, não há nenhum talento negocial especial de Costa e se na legislatura anterior acabou a governar com o acordo do PCP e do BE é porque estes queriam acima de tudo expulsar o PPC do poder, de modo que embarcariam em qualquer proposta. Na última metade da legislatura houve já grandes cisões por causa do autoritarismo de Costa e de Centeno, o dogmatismo com que condenam os serviços públicos à miséria para se curvarem aos interesses de Bruxelas, as chantagens quando são contrariados, a maneira carniceira como lidaram com os professores, os enfermeiros, os médicos, os camionistas, os estivadores, etc., a quem chamaram selvagens, bestas e outros nomes... quer dizer, quando se recorre à agressividade, isso é não é o oposto de poder negocial? E o Centeno? Quem se esquece daquela pseudo-entrevista ao jornal do mano onde veio gabar-se de ser ele quem mandava no governo e não ir dar um tostão a ninguém, nem ouvir ninguém?

Costa enfia todos os primos e amigos nos governos e nos cargos significativos bem como na administração pública e é por isso que leva a sua avante, porque não tem ninguém que o contrarie. O que é que mudou? Está demasiado à vontade no cargo e já não tenta dissimular o que é. Até já oferece pancada e tudo. Esta semana foi para Bragança armar-se em democrata e depois trancou o conselho de ministros e fugiu pela porta dos fundos para não ter de enfrentar os manifestantes e o representante dos professores que queria entregar-lhe uns postais. Isto é o quê, senão cobardia, falta de capacidade de diálogo e de ouvir críticas?




E se o povo não gosta, mude-se o povo



O que ela quer dizer, é: o trabalho que nos deu (PS) a cozinhar aquilo tudo e depois chegaram lá e votaram cada um como entendeu... quer dizer, o Parlamento não é para os deputados votarem como entendem, é para votarem como o Costacenteno quer. Para a próxima vez acaba-se com isso das votações secretas que é para não termos estes contratempos.

PS acusa deputados de “bloquear” a democracia

Ana Catarina Mendes mostra-se surpreendida pelos resultados por ter “garantia” de aprovação por parte de outras bancadas.

O roubo das comissões bancárias



Dantes o banco público, a CGD, ainda tinha alguma ética de trabalho. Agora é só roubar (que outro nome se pode dar a estes aumentos semestrais de comissões?) como os outros.
Roubam, depois gabam-se de ter muitos lucros com os roubos e depois aumentam-se e dão a si mesmos prémios por terem roubado tão bem.
Os bancos deviam prestar um serviço aos clientes, mas não, não é isso que se passa, nós é que somos os seus serviçais.


A vida de banqueiro é difícil, especialmente porque é complexo explicar, depois de terem recebido tanto dinheiro sem agradecimento algum ou sequer um ato público de contrição, por que razão cobraram pelo menos 1,5 mil milhões de euros em comissões, só em 2019. Subiram os salários dos trabalhadores acima da inflação? Não. Abriram novos balcões? Não. Remuneraram melhor quem lhes entrega o dinheiro para os seus negócios? Não, pelo contrário.


Miguel Conde Coutinho